Chapter Text
Arthur senta no sofá de sua sala, em frente a sua TV de segunda mão desligada, com nada além de roupas íntimas e fuma cigarros, um após o outro, até o filtro.
As cinzas e brasas oscilam precariamente em um ângulo que ameaça cair sobre a pele do seus joelhos nus. Ele deseja que sim. Ele observa a polegada crescente de cinzas desmoronar e cair até o tapete, sem mover um músculo para detê-lo. Penny não notaria. Arthur aperta o pé descalço na cinza para borrá-lo e aperta o cigarro, saboreando a maneira que ele queima as pontas dos dedos.
Arthur reflete sobre o dia em que teve - a noite se estende por muito tempo e no escuro ele encontra seu monólogo interior muito mais alto do que durante o dia. No escuro, ele tem tempo para pensar. Ele pensa no café velho e amargo em que gastou cinco dólares. O som barulhento de mudanças soltas sacode em seu cérebro por alguns segundos.
O dia se transformou em um borrão infernal para Arthur, e a cada minuto que passava, ele se sentia como um homem mudado. O desempenho do hospital pediátrico foi bom, até que não. Mesmo estando em berços e cadeiras de hospital, as crianças riram das palhaçadas do "Carnaval", cantando e dançando. Mas Arthur havia gesticulado seu corpo um pouco demais, e a arma da cintura entrou por dentro da calça e caiu no chão com um barulho alto. Deesperadamente Arthur agarrarou o 38 desajeitadamente, porém ele sabia que essa historia não ia acabar bem pra ele.
Dito e feito, A direção do hospital telefonou para Hoyt sobre o incidente. E claro que o tornou furioso. Arthur sentiu o rosto queimar de ressentimento quando se lembrou da conversa; como Hoyt tinha falado com ele como se ele fosse criança.
"Você é piroca das ideias Arthur, e também é um mentiroso. Ja basta, tá despedido."
Seu chefe escroto e babaca colocou a pá de cal em seu emprego,e Arthur desolado, atingiu o vidro da cabine telefônica com um golpe de sua testa,advinda da pratica em sua cela no hosptal psiquiátrico,e sua pele se feriu levemente.Mas para Arthur Fleck,a dor corpórea soa inverossímil comparada à amargura e tristeza que já havia em sua alma.
Por volta das 22:00,"Carnaval" sentava como estátua no trem,estando pior que Pagliacci em seu pior humor.O vagão começava a diminuir de gente até restar ele, três jovens executivos de terno e gravata não mais engomados com o comportamento de três encrenqueiros juvenis.e por ultimo uma mulher bem atraente que era percebida de longe sua beleza.
Uma mulher de cabelos negros e sedosos como a noite mais escura com uma pele saudável e levemente pálida,um corpo exuberantemente curvilíneo, ainda sendo percebido da distância em que Arthur estava.Mesmo usando casaco púrpura bem profíssional,moldava bem seus braços firmes e musculosos de atleta olimpica.E ainda que estivesse usando uma saia tier purpura na altura dos seus joelhos e uma meia calça preta como seus cabelos,falhava mieravelmente em omitir suas pernas bem torneadas e sensuais. Seu corpo era a somatória de uma modelo de primeira linha com uma atleta fora de série.
Seu rosto é bonito,embora em pura austeridade, com um ar intimidador capaz de assustar qualquer homem comum como Arthur, embora ele mesmo esteja mais hipnotizado com sua beleza de uma "garota malvada" como a dela.
E parece que os jovens executivos não se sentiram intimidados com a austeridade da mulher, que logo o executivo acima do peso aproximou-se da forma mais indelicada e descarada dela.
" Tá afim ai de uma batata frita,gracinha?" Perguntou o rapaz acima do peso.
Arthur reparou como a mulher ficou enojada discretamente pela invasão do seu espaco pessoal por aquele sujeito, mas ela simplesmente o ignorou como se não fosse nada.
Então o rapaz foi mais incisivo com ela.
"Alô, eu to falando com você moça." o rapaz acima do peso chmava sua atenão sacudindo o saco de papel com as batatas gordurosas.
A mulher repondeu profissionalmente com sua voz de rosa sedosa selvagem:
"Eu não quero,obrigada."
Os outros dois executivos que estavam conversando algumas vulgaridades corriqueiras,logo entraram na conversa junto ao amigo acima do peso.
"Qual é,vai ficar esnobando ai. Ele tá sendo legal contigo," um dos rapazes disseram para a moça austera.
"Eu não lembro de ter falado com você nessa conversa então fica na sua", ela retrucou.
O rapaz ficou irritado com a resposta ríspida dela e o outro acima do peso jogou duas batatas na direção dela. A moça olhou para os lados como se procurasse alguém,então seu olhar se encontrou com os olhos azuis de Arthur como se pedisse para ajudá-lá.Arthur percebendo que a situação podia ficar feia,tomou a situação em suas mãos,ou melhor com suas risadas.
Irrompeu-se num ataque de gargalhadas incontroláveis que chamou a atenção dos rapazes executivos e da mulher de gelo. Seu cérebro e corpo estavam sobrecarregados, e os três homens no trem prestaram atenção naquele senhor esquisito que ria como um louco.
"Tá achando graça, babacão?" um deles chamou.
Essa foi a deixa para a moça austera de casaco e saia púrpura deixar o vagão para a sua próxima estação vigente,enquanto os três rapazes chamavam obscenidades.
"Piranha!!!" gritou um deles.
"Vaca!!!" gritou outro dos rapazes.
Arthur com seu senso de cavalheirismo abriu a boca para repreender os jovens,mas não foi necessário da parte dele.
A mulher ao ouvir os insultos dirigidos,ficou possessa da vida, e numa velocidade impressionante para uma mulher de saltos altos,desferiu seu punho no nariz de um dos executivos,derrubando-o ao chão do metrô em movimento.
O outro rapaz e o cara acima do peso olharam perplexos para a moça austera e agora perigosa,porem ficaram irritados com sua ação e avançaram sobre a moça.
"Vadia desgraçada. Vai receber uma lição que merece sua puta!!!", urrou o executivo zangado.
Foi uma escolha infeliz de palavras e atitudes.
A mulher torceu o braço do rapaz,lhe infringindo uma dor incômoda, enquanto o rapaz acima do peso levou um chute de sua perna bem feita e bastante forte,levando-o de volta ao banco,com o rosto gordo machucado.Então a moça deu um cruzado de esquerda, quebrando o seu nariz e fazendo o rapaz cambalear até um canto do vagão meio grogue após a surra. Foi um confronto de artes marciais que Arthur assistiu impressionado e assustado. Era como assistir aos filmes do Bruce Lee,só que tendo uma mulher atraente e feroz como a protagonista.
Levemente recuperando seu fôlego, a mulher mencionou em tom de desafio.
"Mas alguma ofensa ou graçinha,seus porcos?"
Os rapazes ficaram acuados tanto pela atitude quanto pela ação violenta dela,balbuciaram pateticamente em rendição.
"Que sirva de lição para aprenderem a respeitar uma dama. Não significa não." rigidamente disse a mulher.
A mulher pegou sua bolsa do banco e caminhou elegantemente até a porta do trem,chegando na próxima estação,mas parou abruptamente na direção em que Arthur estava sentado
Arthur petrificou-se ao ver a mulher austera olhando para ele,normalmente ele era invisivel para todos,especialmente para as mulheres atraentes.Ele achou que ela iria bater nele,porém ela percebeu o que Arthur havia feito por ela fazendo-o prestar atenção nele, e então ela foi em direção a ele e beijou seu rosto delicadamente.
"Obrigado por me defender meu amigo,homens como você estão em falta nesse mundo," a moça lhe disse docemente.
Arthur chocado com as palavras da moça,quase balbuciou,porém respondeu educadamente:
"Sempre se deve respeitar as mulheres,estou feliz em ajudá-la," ele repondeu "Eu sou Arthur a propósito."
"Prazer em conhecê-lo Arthur,sou Helena." ela respondeu educadamente,
"O prazer é meu Helena" mencionou Arthur timidamente.
"Nos vemos por ai Arthur,até próxima," disse Helena.
"Tchau Helena e tome cuidado por ai." disse Arthur.
"Pode deixar Arthur," terminou Helena,e ela oferecera a ele um belo sorriso de agradecimento ao palhaço que defendeu sua honra com seu humor.
Porém essa historia ainda não acabou aqui. Após a saída de Helena do trem,os executivos estavam possessos com a mulher que lhes chutou suas bundas e resolveram entre si em descontar suas frustrações no palhaço esquisito que encantou-a com sua educação e sinceridade."
Ainda sobrecarregado com o dia infeliz e com o beijo doce que Helena lhe dera,Arthur não percebeu que os três rapazes se aproximavam dele,tagarelando uma cantoria horrível, querendo se encarregar de piorar as coisas. Logo eles começaram a atormentá-lo e quando a situação ficou feia, o agrediram e o espancaram também. Então o som de um disparo,o derramamento de sangue e um corpo em queda interromperam a sessão de espancamento, Arthur sacou sua 38 e efetuou disparos certeiros matando os dois jovens no vagão.O rapaz acima do peso tentou fugir gritando por socorro,mas Arthur o perseguiu e efetuou friamente os últimos tiros de seu revólver.
Ele os matou.Mas Arthur achou que estava tudo bem.
Arthur se perguntou por que não se sentia mal com isso, não queria chorar. Ele não conseguia nem rir. Ele lambeu os lábios e provou o ferro e não sabia se era o sangue dele ou deles. Ninguém realmente ouve Arthur Fleck, mas ele se pergunta se alguém ouviu os tiros ou os gritos. Ninguém se importa com Arthur Fleck, mas Arthur Fleck não se importa. Tudo o que ele quer é sair daquela estação o quanto antes, quando voltar para casa às onze da noite, ele garante que sua mãe esteja dormindo no quarto dela.
O "Carnaval" corria pelas ruas transtornado passando por alguns mendigos que dormiam numa rua escura e fria mesmo com o calor da fogueira improvisada.Logo ele cegou num banheiro público vazio para se limpar do sangue e da sujeira, e num ato de enaltecimento e calma,Arthur começou a dançar e gesticular como um mimico ao som de um violino macabro,muito bem representado por seu ato sangrento.
À medida em que Arthur dançava,mas expiava seus pecados pessoais e mais acalmava sua alma tumultuada.Sentia-se como um bailarino fúnebre dançando em cima da sepultura,sendo observado por seres sinistros e interrenos, e sob o último movimento,Arthur terminou sua interpretação macabra de seu balé único.Com isso,ele tomou seu rumo para o prédio decadente para encarar sua nova realidade.
Foi o primeiro passo de um ser invisível tornando-se visível e tudo começou com um sorriso benevolente de uma deusa austera.
