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Domésticos e os Virjolas

Summary:

Megumi piscou, meio acordado, meio dormindo. Mais uma vez seus vizinhos estavam causando problemas no corredor comum do alojamento universitário que dividiam. Sim, nada de especial, mas ele estava ficando um pouco preocupado com o que “inundar tudo aqui” ou “alagar o prédio” realmente significava.

Notes:

Boa leitura <3

obs.: Yuuji e junpei namoram aqui, mas não botei nas tags pq não é o foco.
obs2.: Palavrões. Palavras de baixo calão. Prossiga com cuidado!!

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

— Mas que porra…?

— Eu sei, tá bom?

— Não, eu quero entender como você pode ser tão imbecil, honest—

— Caramba, Sukuna, dá pra deixar a briga pra depois? Vai inundar tudo aqui, pô.

— Ah, é? E de quem é a culpa?

— Meu, eu não sabia que a cabeça do Junpei ia bater no cano, tá legal? Eu levantei ele pr—

— Cala a porra dessa boca, garoto. Eu não quero saber nada dessa sua vida fudida de virjola fracassado que não consegue nem comer o próprio namorado pela primeira vez sem alagar o prédio.

Megumi piscou, meio acordado, meio dormindo. Novamente seus vizinhos estavam causando problemas no corredor comum do alojamento universitário que dividiam. Sim, nada de especial, mas ele estava ficando um pouco preocupado com o que “inundar tudo aqui” ou “alagar o prédio” realmente significava.

Talvez Megumi estivesse sonhando? Era uma possibilidade real. De tanto ouvir os irmãos se bicando pra cima e pra baixo, o estudante de medicina veterinária as vezes contava com a nada honrosa presença deles em seus sonhos e pesadelos. E agora, tendo dormido todo torto sentado na cadeira de madeira e dobrado contra a mesa de estudos, talvez seu corpo estivesse no limite do desconforto e resolveu acordar ele com alguma bobagem dessas.

Olhando ao redor, meio se espreguiçando, meio checando o próprio quarto, foi com uma espécie de desagrado, desconforto e previsibilidade que notou a água invadindo discretamente pela fresta da porta. Shiro e Kuro se animaram, pulando da cerquinha de plástico que existia só pra fingir que delimitava o espaço deles, e foram direto para a porta, latindo e abanando os rabos.

Um som de rodo foi ouvido. Junpei, talvez? Com um nada surpreso suspiro, Megumi se levantou e abriu a porta, a fim de avaliar a gravidade da situação.

Ok, Sukuna era gostoso. Sukuna de terno e gravata era ainda mais gostoso, na opinião de Megumi, mas nada poderia prepara-lo para Sukuna de calça social, meias molhadas e a camisa branca com a manga dobrada até os cotovelos, aberta e meio molhada. Alguns pedaços da tatuagem do irmão de seu melhor amigo pareciam sorrir debochadamente para si e, de repente, ele se questionou mais uma vez se estava em um sonho.

Para contrastar com toda aquela água jorrando sabe-se lá de onde, Megumi ficou com sede.

— Megumi! Você tem um rodo aí? — Yuuji quebrou seus devaneios e então, todos os olhos se viraram para ele. Junpei o cumprimentou com uma expressão tão ilegível quanto a sua, imperturbável como sempre, apesar de parecer um gato encharcado e com frio. Ele parecia penosamente acostumado com as consequências de namorar Itadori.

Sukuna o secou com os olhos como costuma fazer todos os dias de sua vida, como se um dia ele tivesse feito uma promessa pra algum Deus, teve sua vontade atendida e fez disso sua missão na Terra. Megumi secretamente gostava dessa devoção? Sim. Ele correspondia? Também. Quem não tinha ideia do que se passava era o próprio Yuuji, que lhe dedicava aqueles olhinhos fofos de filhote emocionado.

Ele negou, abrindo mais a porta para deixar os cachorros saírem. Fechando-a atrás de si, Megumi entrou no apartamento deles com a prática de quem vive por ali, só pra ver o cano de onde estava o chuveiro jorrando água sem fim.

É, ele podia entender Sukuna. Ninguém teria dificuldade para imaginar exatamente como esse chuveiro saiu do lugar. Enquanto ele voltava pro quarto para trocar de roupa e ajudar como pudesse, Megumi pôde ouvir o irmão mais velho falar: — Vai lá na vendinha comprar fita veda rosca pequena e um tampão hidráulico de ¼, garoto. Rápido.

Yuuji soltou um “o-keei” e saiu correndo em toda sua glória, estimulando Shiro e Kuro a correrem atrás dele e derrubarem Junpei no processo. Megumi estava começando a se irritar com tanto barulho e confusão, mas rapidamente se trocou, colocando uma regata e um short de corrida. Ele saiu do quarto e tentou ajudar Junpei, desculpando-se pelos cachorros que haviam voltado e lambiam o estudante apologeticamente, mas ele fez pouco caso do acidente, entretido com a animação dos animais.

— Megumi, preciso de você aqui. — e Megumi se arrepiou, sentindo-se alerta demais. Ele entrou novamente no apartamento dos vizinhos e foi para o banheiro, encontrando Sukuna interrompendo o fluxo de água com a própria mão, enquanto aguardava o irmão, e ele ficou tão quieto que por um momento Fushiguro quase se esqueceu de sua presença.

No fim, era impossível realmente esquecer. Não quando o homem morava do seu lado, tinha aquela voz baixa, esse sorriso perigoso e um corpo tão... Bom. — Pega a escada pra mim, bebê. Você vai me ajudar enquanto o pirralho não volta. — Ninguém teria dificuldade para concluir quem era o bebê ali. Megumi concordou com a cabeça, incapaz de dizer qualquer coisa que não fosse “sim, senhor” ou até de questionar o tom mandão dele. Megumi detestava seguir ordens, mas às vezes ele podia abrir uma exceção ou outra para Sukuna. E ele, tão distraído pela presença opressora de Sukuna, sequer notou os olhares dele para suas pernas nuas enfiadas no shortinho desgastado.

Junpei, vacinado contra toda a dinâmica de tensão sexual mal resolvida dos dois que já durava anos, permaneceu de cabeça baixa, dando seu melhor para evitar que a água entrasse pelas portas alheias e destruísse os móveis. Ele ficou assim, direcionando o que pôde para fora da construção e interagindo com Kuro e Shiro, enquanto Megumi ia até o depósito para pegar a escada comum.

A escada parecia pequena, mas Megumi não reclamou. Ele sabia que o prédio era antigo e não tinha registros acessíveis nos quartos, então alguém teria que subir até a laje para fechar o registro central até que fosse resolvida a situação. O que ele não estava esperando é que no caminho de volta para a caótica cena, Junpei já tivesse escoado o máximo de água e Sukuna estivesse, sem camisa, aguardando casualmente abaixo da portinha da laje enquanto implicava com Kuro. Provavelmente o namorado de Yuuji estava tampando o cano e agora cá sobrava eles, sozinhos.

Ele abriu a escada e a encaixou, fingindo a expressão imperturbável de costume. Não fazia sentido se perder nesse joguinho agora, eles precisavam resolver logo isso. Mas quando ele subiu os primeiros degraus, Sukuna segurou sua cintura e o manteve no lugar.

Megumi olhou para trás com um questionamento silencioso na expressão. Ok que a mão de Sukuna na sua cintura era muito bem-vinda, mas esse era o momento para isso? Ele achava que não.

— Desce daí, gatinho. Até parece que você vai subir.

Em primeiro lugar, ele já estava mais do que acostumado com os apelidos carinhosos, então não houve uma surpresa quanto a isso. Ele até achava fofo e esquisito seria se fosse chamado pelo nome, na verdade. Mas Megumi ainda não gostou nada do que ouviu e estreitou os olhos, emburrado.

— Você acha que eu não consigo fechar um registro?

Sukuna piscou, pego de surpresa. — Eu não falei isso. Só me obedece e desce daí.

Oh, esse estúpido.

Megumi se irritou e o ignorou, determinado ainda mais a subir. Gostoso ou não, ele ainda tinha uma reputação a manter e não cederia a qualquer palhaçada que o mais velho quisesse.

Sukuna imediatamente reclamou, agarrando-o quando Megumi subiu um degrau contra sua vontade. Agora as duas mãos dele estavam afundadas na cintura alheia com tanta força que o impedia de continuar. — Sukuna, para! Eu vou subir! — Megumi se virou como pôde, olhando para trás todo irritado.

— Para com essa porra, vai não! — e o Ryomen respondeu, encarando-o em toda sua glória seminua e séria. Na verdade, ele parecia puto com a ideia de deixa-lo ir para a laje, o que não fazia sentido nenhum na cabeça de Megumi.

— Mas que caralh- — e o estudante de veterinária já ia chiar, indignado, balançando a escada móvel no processo tal qual uma criança mimada. Sukuna rapidamente o ergueu no ar e o tirou do alto na raça, agora segurando-o com força suficiente para deixar a pele vermelha, o botando no chão do melhor jeito que pôde — o que não foi muito delicado, diga-se de passagem.

— Gente? — Itadori perguntou, escolhendo esse momento para interromper... O que quer que estivesse acontecendo bem no corredor comum. Seu irmão e o melhor amigo estavam próximos, meio afobados e cheios de toques. Quando você bota assim, com toda aquela pouca roupa e água fica complicado de explicar...

— Seu irmão idiota me agarrou! — Reclamou, desvencilhando-o do aperto alheio e se virando pro seu algoz.

— Fala pro seu amigo imbecil que ele não vai subir na laje, pirralho. — Sukuna respondeu, apoiando-se na frente da escada a fim de evitar outra tentativa, enquanto cruzava os braços.

— Que tal você falar na minha cara? Qual o problema? — Yuuji se aproximou e fez carinho nos cachorros, que agora estavam confortavelmente deitados no chão úmido, observando com curiosidade toda a interação com o dono.

Sukuna suspirou, ignorando-o. — Comprou os negócios, pirralho? — e o irmão concordou, enquanto o mais velho se virava e subia. Megumi não gostou da falta de resposta e ficou encarando as costas tatuadas como se pudesse força-lo a responder apenas com o poder da mente, ao passo que Sukuna abria a portinha velha e se içava da escada para a laje, terminando a subida.

Lá debaixo eles ouviram barulhos de coisas sendo movidas, passos e registros sendo fechados. Ninguém sabia que tinha mais de um registro ou qual registro era do que, então nada mais seguro do que fechar tudo de uma vez. Yuuji simplesmente entrou no apartamento, deixando Megumi segurando a escada para o irmão.

Ele continuou a encara-lo exigindo uma resposta, mas o máximo que ganhou foi um toque singelo na bochecha.

Quando chegaram ao banheiro, Junpei estava iluminando o ambiente com a lanterna do celular e Yuuji enroscava o tampão, certificando-se de que estava devidamente apertado. Eles teriam que comprar um chuveiro novo e instalar, mas estava tarde demais para isso, o máximo que fizeram foi tornar a abrir os registros para evitar a falta d’água. Sukuna tinha acabado de voltar do trabalho, todos tiveram aulas e ninguém queria realmente se mover mais do que o necessário.

— Aah, eu vou ter que ir pro clube de natação tomar banho?! — Yuuji reclamou, terminando de torcer o pano de chão com a água remanescente. Junpei estava sentado no sofá e digitava no celular, enquanto Sukuna ia para a cozinha mexer nas compras que fizera antes mesmo de saber o que tinha acontecido. Megumi o acompanhou, passando a retirar os produtos das sacolas também.

— Vocês podem tomar banho no meu apartamento, mas sem gracinhas com o Junpei no banheiro, Yuuji.

— Se quiserem... Vocês podem dormir na minha casa também. Você sabe que mamãe é apaixonada por você e pelo Sukuna, amor, e ela deixou. Acabei de perguntar.

Yuuji estendeu o pano de chão na varanda e deu um beijo na testa de Junpei, cheio de amor e carinho. — Obrigado, amor! Mas vou preferir no Megumi, tá bom? Amanhã tem aula cedo e sua casa é longe. Você quer dormir aqui?

Junpei, surpreendentemente, olhou para Sukuna e Megumi. — Se estiver tudo bem...

Sukuna, de costas para eles mexendo na panela, sequer reconheceu a pergunta implícita. O moreno concordou com um sorriso singelo e começou a montar a mesa para o jantar, incluindo mais um lugar para o garoto.

E ninguém reparou na atmosfera doméstica que eles exalavam ali, juntos. Tudo fluiu muito bem, com uma naturalidade que advinha da prática. Eles jantaram, Yuuji lavou as louças, Junpei foi o primeiro a tomar banho e Sukuna ficou trabalhando no seu notebook. Megumi deu jantar para os cachorros e os colocou para dormir. Depois que os amigos já tinham ido se deitar, ele silenciosamente entra no apartamento alheio novamente, caminhando até a mesa da sala.

Megumi, com uma faixa no cabelo, de roupão e sandálias felpudas nos pés e um produto de skincare no rosto, coloca um suporte de bambu trançado na mesa e uma xícara de chá fumegante ao lado do notebook de Sukuna. Nada é dito entre eles. O mais velho simplesmente pega sua mão e lhe dá um beijo singelo nos longos dedos.

Tudo fica assim. Megumi massageia brevemente os pontos de tensão nos ombros e pescoço de Sukuna por um tempo, mas acaba retornando para seu apartamento.

Sukuna continua trabalhando, enquanto beberica o chá ofertado vez ou outra. Quando ele finalmente vai tomar banho, Megumi já está no décimo sono, mas Shiro e Kuro são testemunhas do beijo que ele deu em sua testa.

No outro quarto, o ronco de Yuuji embala o sono tranquilo de Junpei.

Notes:

so.
eu tive uma situação em casa e transformei isso em skfs. por favor, tome nota de q é uma fic, nada precisa fazer sentido.
para o dormitório eu pensei naqueles clássicos prédios de dois andares de clube de anime de esporte, tipo haikyuu kkk eu nao sei como é na vida real.
era para ser algo só levemente sexy, mas acabou romântico somehow ;; eles têm vida própria, eu juro!
eu to pensando no megumi de shortin há tempos. sukuna também tá pensando nisso q eu sei =P
tbm ando pensando no megumi sendo gentil com sukuna. pensamentos pensantes.

obrigada por ter lido!