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Deuses mortos, lendas renascidas

Summary:

Um deus cansado, dois deuses esquecidos, e dois humanos que mal chegaram a vida adulta, um grupo incomum para salvar a terra, de fato.

Notes:

Lembrete amigável a todos os leitores falantes da língua portuguesa: não deixem o site traduzir automaticamente para o português, isso deixa algumas palavras confusas já que a história já está nessa língua

Chapter 1: Gotta leave you all behind and face the truth

Summary:

Luffy parou, parecendo perdido na própria mente por segundos, antes de se virar para olhar para o espadachim de cabelos verdes, uma fagulha de reconhecimento. "Zoro...Eu já vi você antes?"

"Não sei." Zoro respondeu honestamente. "Sinto que já."

Notes:

essa fanfic tem rondado minha cabeça por meses, passado por diversas alterações, mas finalmente está escrita!!

A idéia era o capítulo ser um pouco mais com interações de teor romantico, mas isso é uma introdução e eu sou incapaz de fazer romance enquanto há tanta coisa acontecendo no primeiro capítulo, mas não se preocupem! Ainda existe a tag zolu por um motivo

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

Ele sonha.

Quando ele fecha os olhos para dormir sua mente o leva para reinos nunca vistos antes por olhos humanos. Há beleza em tudo ao seu redor, e um ar particularmente familiar, ele olha a grama, o céu, o sol, e encara como um artista que esqueceu de sua própria obra, mas que ainda vê a própria assinatura alí.

Há uma leveza em seus movimentos, ele percebe, as nuvens agarram em seus ombros como de pertencessem alí, suas roupas se tornam inquietas balançando mesmo sem vento, há um sentimento de liberdade em suas veias que dá a impressão de que ele poderia moldar tudo a sua volta a seu bel prazer.

"Está se lembrando?" Uma voz ressoa, doce e sábia. Familiar, fornece sua alma. Alma, porque o cérebro não poderia fornecer algo que nunca viu, o sentimento de familiaridade é mais intrínseco do que mera memória.

Ele se vira para de onde a voz vem, arrumando o chapéu de palha sobre sua cabeça, sentada em cima de um pano sobre a grama há uma mulher. Alta de membros compridos, seu cabelo é um tom inumano de preto, escuro como o próprio espaço, mas não há intimidação nela, sua presença é quase um conforto.

"Eu conheço você?" Ele pergunta, é um sonho, ele sabe disso, mas parece importante perguntar. Ela parece ser alguém que ele não gostaria de esquecer.

"Talvez." Ela responde, sorrindo calmamente, o tipo de paciência que carrega milênios de experiência para se obter. "Posso responder essa pergunta se você responder a minha."

Ele não gosta de tratos que soem injustos, e esse soa como um afinal ele perguntou primeiro, mas de alguma forma, isso não o irrita dessa vez.

"Tudo bem." Ele responde, se sentando perto da mulher.

O sorriso não some do rosto dela por nenhum segundos, mas se torna algo triste.

"Está se lembrando?" Ela pergunta novamente. "Você já se lembra de quem você é?" 

Perguntas estúpidas não são algo que ele goste, ele está pronto para responder que sabe, é claro que sim, que tipo de idiota se esqueceria de si mesmo? Mas seu nome não sai, se recusando a ser pronunciado, a certeza some dando lugar a insegurança, que por si só é um sentimento a qual ele desconhece.

A mulher parece mais triste, mas paciente, ele sente a necessidade de se desculpar por deixá-la triste, mas as palavras não saem.

"Fale com certeza da próxima vez que lembrar. Você não foi feito para os incertos." Ela diz, um sorriso pequeno nas bordas de seu rosto.

 


  

Luffy acorda com uma poça de saliva no travesseiro e a sensação molhada desconfortável contra sua bochecha, ruídos no fundo que se tornam mais claros de se ouvir conforme seu cérebro acompanha o ato de acordar.

"... Então, em resumo ele veio falando sobre isso nas duas últimas semanas, sem parar! Até Koala reclamou sobre saber de todo o evento porque ele simplesmente não cala a boca sobre isso. Mas eu entendo, ele está nervoso." É a voz de Ace estridente dentro do quarto, e Luffy abre mais os olhos para ver seu irmão mais velho tropeçando para colocar o sapato no pé enquanto equilibra um telefone em seu ombro. "Não não, é claro que ainda vamos assistir. Sim é óbvio que ainda vou fingir surpresa enquanto o Sabo repete o mesmo fato histórico pela décima terceira vez." Ace continua ao telefone, então dá uma olhada de canto e Luffy sabe que seu irmão acaba de perceber que ele está acordado pelo sorriso no rosto dele.

"Estamos atrasados?" Luffy pergunta meio grogue, esperando a resposta de Ace para definir em que velocidade ele precisa sair da cama.

"Nop, eu estou só adiantando as coisas, mas eu me levantaria se fosse você, o Sabo já está no museu." Ace fala antes de voltar ao celular, murmurando uma resposta para a pessoa do outro lado da linha.

Se sentar na cama é um ato de extremo sacrifício para quem estava confortavelmente aconchegado em seus lençóis quentinhos segundos atrás, mas Sabo tem uma excursão para apresentar em poucas horas e ele e Ace precisam estar lá para demonstrar apoio, então o sacrifício é feito com prazer, o sono escorre para fora do seu corpo em segundos.

Quando Luffy se levanta, não pode deixar de sentir que está esquecendo de algo importante.

 

°°°

 

Sabo parece uma pilha de nervos, na melhor das hipóteses.

"Você está bem." Ace comenta, mas há uma expressão preocupada em seu rosto enquanto Sabo anda de um lado para o outro na sala de funcionários no fundo do museu. Ele parece muito bem arrumado de um jeito que sempre combinou bem com Sabo, o único dos irmãos que consegue usar uma gravata por mais de dez minutos. 

"Eu sei que estou parecendo bem!" Sabo quase grita desesperado. "Mas, mas e se eu esquecer do que preciso falar? Você sabe, isso de dar branco! Se eu falar mais do que preciso?" Sabo parece prestes a arrancar os próprios cabelos, e Ace o guia pacientemente para uma cadeira próxima, vendo Sabo afundar o rosto nas próprias mãos.

"Luffy!" Ace murmura um grito de reclamação, chamando a atenção do mais novo. Luffy olha como uma criança pega no pote de biscoitos, mas de um jeito mais literal, considerando como sua mão está, realmente, enfiada em um pote de biscoitos.

São biscoitos de polvilho, o tipo que está ali para os trabalhadores do museu tomarem com café em suas pausas, e Luffy enche a mão sem nenhum peso em sua consciência, enfiando tudo na boca e limpando o pó do biscoito em sua bermuda, caminhando até os seus irmãos.

"Você tem repetido sobre as novas obras sem parar nos últimos dias, você pode falar sobre isso até dormindo!" Luffy sorri se abaixando para ficar próximo da cadeira de Sabo. Seu irmão lentamente tirando as mãos do rosto.

"Exatamente. Você vai ser incrível Sabo, mas tente ficar mais relaxado. Esse é o seu trabalho dos sonhos, não vai ser legal pra você se não aproveitar tanto quanto quem está lá para ver." Ace diz, uma mão consoladora no ombro do seu irmão, Sabo suspira, um sorriso pequeno no rosto enquanto deixa cair na cadeira, abrindo os braços.

"Certo, parem de bajulação isso não combina com vocês, agora venham aqui." Ele chama com um sorriso, e Luffy é rápido em se jogar nos braços do seu irmão, Ace revira os olhos dramaticamente, mas não perde tempo para fazer o mesmo. "Agora… quais fatos sobre a Grécia antiga e a nova exposição de esculturas eu ainda não disse a vocês?" Sabo pergunta com um sorriso, ganhando gemidos em coro de seus irmãos.

"Eu juro vou calar sua boca com fita." Ace semicerrou os olhos em uma ameaça vazia, Sabo lhe dá uma cotovelada fraca e Luffy permanece colado com os braços ao redor do irmão.

"Você me fere Ace." Sabo retruca dramaticamente, se recompondo rapidamente para olhar a hora em seu relógio de pulso, arrumando as mangas da camisa de uma forma que o faz parecer mais velho do que é. Ele se levanta, um suspiro e logo depois uma inalada confiante de ar, encarando Ace e Luffy, que olham para ele com um sorriso. "Como eu estou?"

"Como alguém que vai deixar muitos estudantes apaixonados hoje." Ace sorri de lado, Luffy solta uma risadinha nasal e Sabo revira os olhos afetuosamente.

"Certo vamos vocês dois, e Luffy, nada de vir se esgueirar para cá só pra pegar biscoitos!" Sabo os guias com tapinhas leves nas costas.

"Mas nem um sequer?" Luffy implora, Ace lhe dá um tapa na nuca.

O caminho até a exposição é relativamente curto, mas Luffy observa bem enquanto Sabo divaga sobre qualquer coisa que venha a sua cabeça sobre as obras ao redor. Não que Luffy seja um fã de história, mas escutar seus irmãos é sempre um prazer e calmante. Não demora até que a chegue a hora da excursão. Sabo é um museólogo admirável, não que Luffy tenha visto muitos, mas se todos forem como seu irmão então eles estão indo bem.

Sabo mantém o tom educado e explica de um jeito carismático que é natural dele. Então há estátuas, erosados pelo tempo mas o principal está intacto, e Luffy não é um apreciador de arte, ele gosta de desenhos e pode dizer quando esculturas são legais ou não, mas não há um osso artístico em seu corpo, e mesmo assim algo simplesmente parece errado quando Luffy encara a escultura atrás da fita vermelha de segurança.

A figura da estátua é grande e imponente, cheio de adereços e duas espadas em mãos. É quase uma ofensa pessoal e Luffy não sabe dizer o porquê, ele sente que a estátua deveria ter mais cicatrizes, um olho a menos, a única jóia que já importou está faltando, duas espadas parecem pouco.

Ao fundo, Sabo fala sobre algo envolvendo espartanos e seus deuses, o pequeno grupo de pessoas seguia adiante enquanto Luffy fica para trás, uma dúvida e reconhecimento em sua cabeça, isso já estava estressante o suficiente e Luffy quer lembrar.

Ele pediria desculpas a Sabo depois por se perder, agora no entanto, uma linha de raciocínio fina como uma teia de aranha se forma, e Luffy é e sempre será um homem de instintos, algo em si diz que faz sentido ficar lá e olhar a estátua até que a resposta apareça, e assim ele faz, até quando a sala está praticamente vazia, o grupo da exposição indo para a próxima sala.

A resposta vem, então, rápida e na forma de uma janela quebrando bem ao seu lado, o flash de algo se chocando contra ele.

 

°°°

 

Zoro não estava tendo um dia bom. Na verdade, ele não estava tendo o melhor das semanas, dos meses, do ano.

Ele nunca flertou com a ideia de drogas, mesmo durante o ensino médio quando descobriu que um garoto vendia alguns conteúdo ilícitos na escola, não havia sido proposital, ele estava apenas procurando o banheiro quando encontrou o rapaz. De qualquer forma, nunca em sua vida ele havia provado algo que passasse do bom e velho álcool, mas ultimamente ele estava começando a achar que estava em meio a um sonho alucinante após cheirar duas carreiras de pó seguidamente, porque acredite se quiser, essa era a alternativa mais plausível.

Humanos normais e sãos não vêem criaturas demoníacas por exemplo, não sonham besteiras sem sentido e definitivamente não invadem museus enormes por causa dessas criaturas demoníacas em questão. Todo o lance de caçador havia começado por esporte, realmente, sendo Zoro o único que poderia vê-las fazia sentido que ele fosse seu alvo também, sabe-se lá por que. Mas era divertido, mais do que as partidas de kendo e definitivamente soava como um treino de verdade, a adrenalina o movimentava como uma máquina e o fator perigo real era como gasolina.

Mas esse monstro da vez estava um tanto teimosa, um tanto irritante, e aparentemente Zoro não era o seu alvo, o que fez a criatura sair correndo até o museu, havia algo lá que ela poderia atacar, isso era um perigo real agora, as criaturas eram aparentemente invisíveis a olho humano, mas tangível o bastante para machucar, e isso era um saco.

Ele nunca havia sido o melhor em perseguição, sendo o homem que se perdia em linha reta que era, mas a responsabilidade por ter deixado a criatura fugir era dele, e seria minimamente torturante para sua mente se alguém se machucasse novamente por conta disso.

Zoro entrou correndo pela porta enorme do museu esperando que não fosse perseguido por isso, desembainhando sua espada no processo de corrida. Wado Ichimonji soltou um silvo fino e a lâmina afiada vibrando de excitação para ser manuseada por seu mestre, e se havia algumas pessoas ou seguranças mandando ele parar então bem, isso só o fez apressar o passo.

Ele estava quase virando para a ala do Egito antigo antes que um som de vidro quebrado ressoasse do lado oposto a onde ele estava indo. Zoro gritou um xingamento que assustou até mesmo os guardas seguindo, se virando para correr para a ala da Grécia antiga, se a placa de localização indicasse algo.

"Merda!" Zoro rosnou, vendo à distância que a criatura já havia achado sua vítima. A figura humanóide como um corpo em decomposição usando matéria escura como seus tendões prendendo um garoto contra o chão frio do museu, os dentes afiados perigosamente perto do rosto. Ele apressou o passo tentando desesperadamente chegar até o rapaz, mas era uma distância considerável e o monstro não iria esperar. O garoto iria morrer, teria o rosto arrancado na frente dele, ele iria-

 

Punch

 

O som de um soco estalando contra a figura demoníaca quase fez Zoro tropeçar em seus próprios pés, a figura caiu desnorteada rosnando um som molhado da garganta, o garoto estava em pé, posição de luta que indicava um conhecimento para isso, e parecia conseguir ver perfeitamente.

"Que monstro estúpido." O garoto xingou com as sobrancelhas franzidas, se virando para Zoro logo depois, a expressão suavizando enquanto colocava o chapéu na cabeça, inclinando ela logo após em um gesto de dúvida dolorosamente familiar. "Ei, você luta com espadas! Que legal! Você iria bater nisso aqui?"

"Uh… sim? Ainda preciso finalizar ele, você sabe." Zoro fez um gesto de corte de garganta com o polegar, o garoto assentiu sem nenhum medo aparente, parecendo na verdade muito curioso. "Você tem um soco forte se conseguiu desmaiar um desses."

"Eu como muito feijão." O garoto explicou como se passasse uma informação muito sábia. Zoro não entendeu, mas acenou com a cabeça mesmo assim. Ele chegou mais perto, encarando o monstro perto demais para ser seguro. "Mas o que é isso?"

"Espiritos perturbados." Uma terceira voz falou, enquanto Zoro ainda estava no processo de dizer que também não fazia a mínima ideia do que era.

A figura na qual pertencia a voz era como uma encarnação de pesadelos de criança, monstros que viviam debaixo da cama, uma figura constituída de sombras com pontos âmbar que deveriam ser seus olhos, lentamente ganhando forma para um corpo físico, mas sem desapegar das sombras em momento algum. Uma única espada em mãos, um chapéu estupido demais para quem estava tentando passar tanta seriedade. 

Zoro, como alguém que estava a dois anos sendo perturbado por sonhos sem significado aparente, a possibilidade de ser algo além de humano e demônios literais, não iria temer perante ao bicho papão, ou seja lá o que fosse isso. O garoto ao seu lado, no entanto, seja pelos mesmos motivos ou não, parecia na verdade curioso.

"E você, Roronoa-ya, tem me dado muitos problemas." 

"Com licença?" Zoro questionou um tanto ofendido.

"Seu hobby de matar os espíritos dificultou minha busca por eles, me deixou rondando em circulos," o homem, não, o ser explicou. Passos leves como uma pena enquanto circulava o monstro no chão. Ele desembainhou a espada, fincando no pescoço da criatura sem nenhuma hesitação. "Isso me fez perder um tempo considerável. Mas talvez tenha sido melhor assim, já que encontrei vocês dois de uma vez só."

"Quem é você?" O garoto do chapéu de palha questionou, roubando a pergunta que Zoro pretendia fazer, a figura na frente deles franziu a testa.

"Vocês não se lembram?" Ele parecia perturbado, para não dizer irritado. Beliscando o nariz com irritação mal contida. "Claro, deveria ter previsto isso, quando vocês dois facilitaram algo? É claro que o universo está colapsando pela falta de dois deuses antigos mas eles não se lembram!" Ele parecia mais interessado em divagar do que fornecer explicações, o garoto do chapéu de palha parecia dividido entre rir ou observar curiosamente o que o ser em sua frente divagava, Zoro, em contrapartida, estava ansioso para voltar para casa e tirar uma soneca merecida, veja bem a vida dele já estava confusa o suficiente, obrigado, ele não precisava adicionar mais merda na pilha.

As lamúrias do ser sobrenatural foram interrompidas por vozes que só poderiam ser dos guardas finalmente o alcançando, e Zoro xingou baixinho enquanto calculava se pulava alto o suficiente para escapar pela janela quebrada e quanto isso o machucaria. Então mais vozes, acompanhadas de passos altos vindo pelo lado oposto.

"... Luffy eu espero que você não tenha quebrado nenhuma estátua nós não vamos conseguir pagar nada daqui nem se cada um de nós vendêssemos um de nossos rins!" Uma voz gritou do lado em oposição aos guardas, ganhando a atenção do garoto do chapéu de palha.

Luffy, ressoou o nome, uma fagulha de reconhecimento em Zoro. O que era estranho porque onde ele havia escutado esse nome antes? 

Dois homens entraram na exposição onde eles estavam. Luffy parecia em apuros, Zoro estava nervoso tanto quanto confuso, e o ser perto deles parecia cansado. Os guardas aparecendo com armas de choque foram apenas o estopim para que a coisa em forma de homem suspirasse, esfregasse a têmpora em irritação, então em um movimento de mãos derrubar a plateia uniformizada, os guardas caindo no chão como marionetes com cordas cortadas.

"Porque tem dois cosplayers esquisitos no museu?" Um dos rapazes falou, como se não estivesse com um chapéu de cowboy laranja neon.

"Que porra é essa?" O loiro falou, os olhos muito fixados no monstro do chão.

"Já basta, preciso de silêncio." A criatura ordenou, em uma voz que deixava claro o quão inumana era, apesar da postura imponente, havia uma pitada de irritação em seu tom, e a familiaridade daquilo estava dando dor de cabeça.

"Os humanos me chamam de Law" Ele continuou, se parecendo cada vez menos humano e mais como um próprio deus, sua presença parecendo roubar toda a luz da sala, o âmbar em seus olhos brilhava como ouro líquido. "Luffy-ya, Zoro-ya, vocês têm sido perturbados por coisas inexplicáveis não é? Sonhos, espíritos, sentimento de reconhecimento em coisas que vocês não deveriam saber?"

Luffy parou, parecendo perdido na própria mente por segundos, antes de se virar para olhar para o espadachim de cabelos verdes, uma fagulha de reconhecimento. "Zoro...Eu já vi você antes?"

"Não sei." Zoro respondeu honestamente. "Sinto que já." 

"É muito mais complexo." Law fala sério. "Precisamos de um lugar que não seja um museu para conversar sobre isso. Não posso dizer do que se esqueceram, mas posso dizer quem são, o que são, e precisa ser rápido."

"O que está acontecendo?" O loiro de antes fala, se aproximando de Luffy junto com o cara de chapéu laranja. "Luffy?" O rapaz pergunta, preocupação palpável na voz. O do chapéu laranja parece menos preocupado e mais pronto para bater em alguém.

"Eles vão com a gente." Luffy fala, em um tom de pedido que soa quase como uma ordem, não há espaços para controvérsias, é algo que até mesmo Law parece entender. "São meus irmãos, eles precisam saber também.

"Isso não diz respeito aos humanos." Law rebate, mesmo parecendo já saber que aquela é uma briga que já está perdida. "Você não vai querer colocar eles nisso."

"Uh, com licença senhor Morte." O homem de chapéu laranja fala, parecendo levemente nervoso e engolindo o sentimento a fim de falar o que acha necessário. "Esse é o nosso irmãozinho, eu não poderia me importar menos com o que você acha, se isso diz respeito ao Luffy então nós vamos com ele." 

"Como assim humanos?!" O loiro murmura mais para si mesmo, parecendo prestes a ter um ataque. "Luffy, eu sei que você gosta de seguir pessoas suspeitas e potencialmente perigosas, mas isso é loucura, é um golpe escarrado. Você vai simplesmente ver alguém agindo como um deus e aceitar isso?"

"Ele parece legal." Luffy responde simplesmente com um dar de ombros. "E Zoro é um conhecido meu de algum lugar." É a resposta simples, porque Luffy não pode dizer sobre como sente um formigamento na palma da mão que clama para alcançar os limites do universo e molda-lo, não há como falar da sensação de confiança que Zoro e Law conseguem passar, como se fossem velhos amigos. 

"Com licença?" Zoro arqueia uma sobrancelha, chamando atenção de Luffy, o rapaz sorri. "Isso não é motivo para acreditar em alguém. Eu nem estou contribuindo com isso na verdade!" Então ele se vira para Law, colocando um dedo acusatório na cara dele. "Eu não quero saber, não quero saber dos sonhos, nem das criaturas, vou parar de caça-las se você parar de deixá-las livres para me atacar. Não estou interessado."

"Isso não é sobre o que você quer, Zoro-ya. Os universos não podem prevalecer sem seus deuses." Law o encarou irritado. "A terra, mundos inteiros, podem cair por sua mesquinhez, você não faz idéia do que sua ausência causou. O inferno não pode existir sem seu criador." 

"Você é o diabo?" Luffy pergunta, com tanta animação que faz Zoro se perguntar se esse garoto é capaz de sentir o hormônio do medo.

"Não!" Zoro responde alto.

"O inferno existe?" Os irmãos de Luffy falam ao mesmo tempo, então uma cacofonia de debate entre os três irmãos começa.

Law parece estar prestes a explicar, mas então massageia a própria testa, suspira em cansaço, um gesto que ele aparenta fazer a mais tempo do que a própria existência da terra. Sem aviso prévio nenhum, ele balança a capa de penas em suas costas, ela se estica e obedece aos movimentos de seu mestre como se fosse nada além de uma sombra, se contorcendo no espaço vazio do museu e consumindo os quatro para o infinito das sombras.

 

°°°

 

Os quatro caem no chão em um barulho oco de queda, murmúrios e gemidos enquanto Law permanece em pé. Lentamente eles se levantam, encarando a visão de uma floresta ao seu redor.

"Para onde você nos trouxe cara?" Ace murmura retirando as folhas secas que grudaram em sua roupa na queda.

"Estamos perto de um templo antigo, as escrituras lá podem trazer alguma lembrança." Law responde, andando entre as folhas e os galhos sem se importar com os quatro andando atrás de si. "Quero acabar rápido com isso, não sou o guia de ninguém além dos mortos, tampouco sinto prazer em gastar meu tempo na terra."

"Isso não é realmente uma resposta." Ace murmura, então volta a sua atenção a Sabo, que parece uma pilha de nervos.

"Eu só quero saber o que está acontecendo, esse papo de deuses, porque nenhum de vocês parece estranhar isso?!" Sabo quase grita, seu rosto vermelho de raiva e as sobrancelhas violentamente franzidas. "Onde o Luffy está nessa história toda?" Ele tem uma mão puxando o ombro de Law para que ele se vire para encara-lo, uma ação perigosa para quem acabou de receber a comprovação que o ser na frente deles é algo não humano, mas Sabo é livre de medo, a tensão em seus ombros é nervosismo, o brilho em seus olhos é raiva, e o tremor nas suas mãos não é nada além de histeria.

Luffy parece descontente com a raiva do irmão, mas sem respostas para as perguntas dele. Law, apesar da expressão que beira a ofensa na forma que Sabo o trata, não faz nada mais do que se afastar do humano.

"Dois dos deuses antigos foram mortos, mas deuses não podem morrer da forma que os humanos conhecem, eles simplesmente são um conceito, suas almas procuram uma forma de renascer. Luffy-ya e Zoro-ya não tiveram um recomeço dos mais quietos, no entanto, demoram eternidades para retornarem, e então não se lembram. Vocês dois são impossíveis." Law xingou baixinho.

Luffy estava carrancudo enquanto andava, o tipo de careta que indicava que ele estava pensando demais, e então falou. "Não me lembro de nada disso." Ele apertou os punhos, o tipo de raiva contida que parecia ser mais para ele mesmo. "Sinto que estou perdendo algo importante."

"Eu já falei a minha opinião sobre isso, eu não escolhi essa merda, não ligo para o que você diz eu não quero envolvimento com isso!" Zoro parou, cruzando os braços e irritação explícita. "Você não pode, sei lá, procurar outra pessoa para fazer esse trabalho?"

"Zoro-ya, você tem uma escolha, escolha ter uma vida mortal fingindo que não sabe mais do que qualquer mortal de verdade tem o direito de saber, escolha fingir que a caça estúpida que você faz às almas perturbadas é o suficiente, como se mais pessoas não fossem se machucar. O submundo está sem seu criador e há monstros reais querendo escapar pelas brechas que ficam maiores a cada segundo, você sabe o estrago que criaturas assim podem fazer em humanos, não sabe? As imagine saindo em peso então, como uma infestação disso na terra." 

Zoro o encarou em silêncio, apertou Wado em sua mão, e então passou por Law, indo sozinho pela trilha de terra que levava até o templo.

"Pelo menos alguém aqui parece achar isso estranho." Ace murmurou.

"Ele não acha isso estranho. É negação." Law voltou a andar, folhas secas se quebrando sob seus passos. "Zoro-ya sabe que não é humano há mais tempo até que o Luffy-ya. Ele apenas não gosta da implicação disso."

A caminhada continuou, Luffy quieto de um jeito que não combina com ele, então, em um movimento quase imperceptível, Luffy se inclina para o espaço pessoal dos irmãos, é natural a forma como Ace e Sabo andam um pouco mais próximo dele com isso, mesmo sem perceber, ombros se batendo.

"Talvez seja perigoso para vocês." Luffy admite, parecendo estar com o coração apertado. "Sei que não vou estar sozinho, mas não quero me despedir também."

"Não é uma despedida, idiota. Não estamos indo a lugar nenhum." A voz de Ace é suave, a mão indo para bagunçar o cabelo já bagunçado de Luffy. "Nós somos tipo, super fortes também, então fica tranquilo e faz as suas coisas de deus e tals."

"Vai ser pior se não tivermos notícias suas, então sinto muito mas estamos indo com você." Sabo sorriu pequeno. "Você é problemático demais para não estarmos de olho."

"Ele é tecnicamente mais velho que a própria existência da terra." Law oferece sem se virar para olhar os irmãos atrás dele.

"Ainda é o Luffy." Ace diz como se fosse a única resposta possível, sorrindo mesmo que o deus a sua frente não possa ver, Luffy solta uma risadinha, liberando toda a preocupação de seu peito.

Os passos de Law então param, a estrada de terra e galhos terminando em uma ruína em meio a floresta, o tipo de construção gloriosa que havia perdido para o tempo, mas mantido certa graça mesmo em meio a ruínas. Zoro estava lá, no meio dos escombros, lendo símbolos em um pedaço de parede ao chão.

Sabo andou mais rapidamente até os escombros, encantado, como se estivesse em seu próprio sonho. "Nunca vi nenhuma língua como essa, o que é isso?" 

Law parece estranhamente respeitoso enquanto pisa no local, um tipo de quietude que significa uma admiração silenciosa. "Dialeto dos deuses. Havia um arco que era uma porta para onde habitamos, humanos precisam de uma passagem para ir até lá, as vezes alguns deuses levavam alguns de seus sacerdotes para seus domínios." 

"Você disse que isso poderia nos lembrar das coisas, eu nem consigo ler isso!" Zoro reclamou ao longe, parecendo estar em sua própria pesquisa.

"Talvez você apenas seja idiota." Law murmurou, mas aparentemente ainda sendo ouvido, se a careta que Zoro fez indicasse algo.

"Você não pode fazer a coisa legal de nos puxar para dentro da sua capa?" Luffy perguntou, sem interesse na escrituras dos tijolos. 

"Não. Esse truque só funciona dentro da terra." Law respondeu, evitando Luffy e sua obvia expressão de decepção. "O portal é a escolha sem riscos."

"Truque? Ha! Você nos teleporta para um lugar totalmente aleatório que definitivamente não é na nossa cidade e chama de truque?" Ace questionou zombeteiro.

Law se virou abrindo os braços, uma inclinação pequena nos lábios quase imperceptível, mas ainda lá, um sorrisinho zombeteiro. "Isso não é nem mesmo metade do que posso fazer. Aqui vai mais um truque." 

Em um movimento de dedos rodopiando no ar, tijolos se juntaram como um quebra-cabeça, um arco de pedras e vinhas se reconstruindo na frente dos seus olhos. A figura de Law vacilava entre ser física e algo mais oculto, como se em um momento ele fosse ser apenas sombras. Em segundos o arco estava construído, uma tranquilidade e satisfação em um trabalho bem feito e a perspectiva de estar logo de volta ao seu trabalho.

"Isso não parece realmente mágico." Sabo pontuou, uma pitada de decepção de quem esperava algo mais colorido como significado de portal. 

"O importante é a passagem, não a aparência." Law suspirou parado na frente do arco de pedra. "Aos dois mortais, aviso uma última vez, ultrapassar isso é dizer adeus ao que conhecem como realidade, humanos podem enlouquecer ao serem confrontados com a verdade do universo, e se perder para a loucura é o menor dos riscos. Vocês estão dispostos?"

"Eu já fui para a clínica psiquiátrica antes, descobrir que meu irmão é um deus é o menor dos meus problemas. Com licença, obrigado." Sabo calmamente comentou, andando até o arco de pedras sem hesitação, um aceno de mão para afastar o deus da morte da entrada. Não houve som dramático para indicar a passagem, nenhum grito de dor, apenas a figura de Sabo que um segundo atrás estava alí, e agora não estava mais.

Luffy sorriu, um sorriso gigante e de pura excitação, pulando sem sair do lugar antes de rir com histeria infantil e correr para atravessar o portal.

Ace repetiu o andar calmo de Sabo, mas mais casualmente, mãos nos bolsos e um sorrisinho que fazia pouco em esconder a sua animação. "Parece uma aventura para mim."

Law acenou pacientemente, o trabalho de guiar humanos sendo algo velho, a despedida era algo que ele estava acostumado, apesar de em seu trabalho ser sempre lamúrias de pessoas se despedindo da vida do que alguns jovens protetores e animados com a perspectiva de uma aventura. 

"Eu vou me tornar uma lenda ou coisa assim?" Ace perguntou alongando os braços. "Poderia deixar nas histórias que eu era super musculoso e sarado, que andava por aí sem camisa e que eu transava com todo mundo, tipo Zeus, só que mais bonito." 

"Atravesse logo Portgas-ya." Law disse sem expressão, Ace riu e atravessou sem medo. "Zoro-ya."

Zoro estava de frente para o portal, um vinco de irritação em sua testa, pensativo e irritado, segundos de silêncio de Zoro que Law nao interrompe, ele se despede da mortalidade alí, a sua maneira.

Com Wado firme em sua mão, Zoro atravessa. 

Notes:

*corre desesperadamente para longe *

Ps: O GOOGLE TRADUZIU AUTOMATICAMENTE A FANFIC ANTES DE POSTAR TIPO??? dbiandkqzkwn eu revisei agora, mas me deixem saber se algo está incoerente