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Bloody

Summary:

Tantai Jin é um demônio vampiro que precisa sobreviver e se alimentar bem, e Ye Xiwu, sua antiga conhecida acaba se tornando uma excelente opção.

Notes:

Oiii, é a minha primeira vez postando fic aqui a acho que por não ter muitas fics br mas ver tantas queridas com fics no fandom de tteotm me incentivou hehe tive essa ideia porque gosto muito da coisa toda de vampiro e parece que o Tantai Jin daria um ótimo vampiro (◡ ω ◡)

(See the end of the work for more notes.)

Chapter Text

O sabor metálico de sangue se misturava a muita frustração, medo, raiva e uma certa culpa. Tantai Jin deu uma risada sarcástica. Culpa? A frustração ele sabia bem que era porque ela nunca gostou de servi-lo e seu maior desejo era abandona-lo como Lan An fez e voltar pra Jing. A raiva era totalmente direcionada a ele. O medo era a reação de Tantai Jin diante da traição. Mas a culpa? Oh então ela tinha algum remorso pelo que fez? Ela se culpava por ter entregado para a morte o príncipe por quem jurou lealdade e cuidava desde a infância? Isso era bom. Quem sabe ajudaria com sua próxima vida. 

Tantai Jin olhou para a garrafa que segurava. Por mais sangue que tomasse, ele não conseguia obter força o suficiente para atacar, apenas para se manter vivo para o próximo inverno e obter algum poder demoníaco. 

— Obrigado. - disse Tantai Jin com falsa sinceridade. Ele sempre agradecia pelo alimento.

O corpo da sua babá estava tomado por sangue, em cima de duas poças que se espalhavam pelas folhas no chão da floresta. Havia cortes profundos feitos nos braços, onde o príncipe cativo coletou o sangue. Tantai Jin a levou até lá, já com intenções de matá-la e se alimentar. Ele a confroutou e quando a babá confessou que havia uma conspiração no palácio onde o imperador incentivava a morte de Tantai Jin, o príncipe sem hesitar atiçou aranhas demoníacas que a envenenaram numa morte lenta e dolorosa. Estranhamente a babá não reagiu, como se já esperasse por aquilo. Enquanto ela ainda agonizava balbuciando palavras incompreensíveis, o príncipe recolheu tranquilamente seu sangue para uma garrafa de vinho. 

Ele não se importava, ela o abandonou, como sempre faziam. Tantai Jin estava acostumado. Não havia nada para sentir. Nunca houve.

Ele deu mais um gole na garrafa. O demônio sentiu a leve euforia e a sensação de energia como toda a vez que consumia sangue fresco. Logo depois seu estômago faminto se acalmou como se ele tivesse acabado de comer uma farta refeição, e a fraqueza que constantemente o tomava pela desnutrição passou. 

Até que Tantai Jin ouviu um som de algo caindo nas folhas e se virou na direção do barulho, vendo uma mancha rosada sumindo por entre as árvores. 

Uma mulher.

 

* * *

 

Ye Xiwu apertou o arco em suas mãos e se perguntou por que ela estava fazendo aquilo. Para casar com Xiao Lin. Sim, era tudo para esse fim, seus esforços eram pra isso.

Mas ela ainda se sentia estúpida. Fazia meia hora que a Segunda Senhorita havia perdido o Príncipe Herdeiro de vista, o seguindo numa caça junto dos outros príncipes e alguns nobres. Ela era a única mulher do grupo, e queria mostrar suas habilidades de caça para impressioná-lo. Ye Xiwu não era patética como outras mulheres ou sua irmã bastarda. Certamente o futuro imperador iria desejar que sua imperatriz fosse forte e se destacasse das demais.

Era pedir muito que aquele príncipe imbecil notasse a grandeza de Ye Xiwu? Ela era linda como uma deusa, inteligente, segura de si, exigente, perspicaz, e seria a melhor imperatriz que Sheng já teve. 

Ye Xiwu suspirou pela quinta vez nos últimos dez minutos, e parou de andar. Ela não achava Xiao Lin em lugar nenhum, ele devia estar fugindo dela novamente. 

— Humpf! Não tem problema, você nunca vai escapar totalmente de mim, Xiao Lin. - disse ela olhando para o arco como se a arma fosse o culpado por fazer o príncipe se esquivar tanto dela.

Quando eles se casassem Ye Xiwu jurou que compensaria todo esse descuido dele o infernizando, ela nunca seria uma esposa submissa.

Ela já havia suado por ficar perambulando pela floresta úmida, podia sentir seus cabelos um pouco bagunçados e sua maquiagem cedendo pouco a pouco ao calor. Qual era o sentido dela continuar numa atividade masculina besta quando Xiao Lin não estava ali para ela se exibir? Pior, e se ela se ferisse?

Porém, antes de dar meia volta e retornar ao palácio, seu nariz foi invadido por um intenso cheiro de sangue. Será que algum deles havia capturado um animal? Poderia muito bem ser Xiao Lin, ou pelo menos alguém que soubesse seu paradeiro. 

Ye Xiwu apressou o passo no rastro do cheiro de sangue, e alguns metros depois, ela se deparou com uma cena terrível. Apenas alguns metros na sua frente ela viu um homem em pé de costas, perto do corpo de uma mulher caído no chão, ensopado numa poça de sangue. O sujeito segurava uma garrafa suja de sangue, que ele virou e tomou o conteúdo. 

Ye Xiwu deixou o arco e a flecha caírem, sendo tomada por um grande pavor que ela nunca sentiu em toda a sua vida segura e confortável, com medo até de saber o que havia acontecido, o que ela estava vendo. Não importava, não era da sua conta. A jovem, virou-se e correu de volta. Mas Ye Xiwu sabia que o homem havia escutado o barulho que ela fez. 

E a Segunda Senhorita estava certa. Assim que Tantai Jin avistou a mulher, ele atirou a garrafa para longe e correu atrás. Certamente a pessoa reconheceu ocorrera ali, e até concluído que ele era um demônio. Ele não podia hesitar em matá-la. De jeito nenhum a verdadeira origem do príncipe refém poderia ser descoberta, não agora que ele ainda se encontrava tão vulnerável, podendo ser facilmente morto. 

Felizmente Tantai Jin havia acabado de consumir sangue humano fresco, e rapidamente alcançou a garota. Ele encostou a adaga ensanguentada contra a garganta dela que em vão se debatia em seu braço que a prendia com força, mesmo com a ameaça de uma lâmina em seu pescoço.

— O que você viu? - questionou Tantai Jin com frieza, olhando para o rosto da mulher. Foi então que ele a reconheceu.

Era Ye Xiwu! Ele teve vontade de rir. Tinha que ser ela, quase como se o destino gostasse de brincar com eles. Agora só restava descobrir se mais uma vez ela seria sua aliada ou novamente um problema. 

Tantai Jin teve que hesitar. Traria muitos problemas matar ela? Ele normalmente tinha o cuidado de matar no espaço de no mínimo algumas semanas, para não levantar suspeitas. Seria muito incoveniente desconfianças de que havia um assassino em série na cidade ou um demônio. Ye Xiwu era filha legítima do Grande General Ye, a sua morte levantaria uma grandiosa e incansável investigação. Havia risco dele ser pego antes que aprendesse a se proteger?

Tantai Jin apertou a adaga, ele deveria matá-la dessa vez, mas era sempre tão difícil. Maldito o dia em que eles se conheceram e ele começou a sentir...

O príncipe refém ponderou tanto que não notou passos se aproximando na região em que eles se encontravam. 

Xiao Lin e o erudito Pang Yizhi se aproximaram na direção oposta e arfaram quando viram o corpo da babá. 

Um pouco irado pela chegada de uma audiência na cena do seu crime, Tantai Jin sem perceber afrouxou levemente os braços que prendiam Ye Xiwu, que rapidamente notou e tentou escapar lhe dando um grande pisão no pé, mas foi em vão. Tantai Jin, a apertou ainda mais, os empurrando para uma árvore atrás deles. Ele pressionou a adaga com mais força contra o pescoço da senhorita, finalmente conseguindo fazê-la se aquietar. 

— Tente isso de novo e eu te mato. - sussurrou ele no ouvido dela.

— E-ela está morta? - indagou o estudioso Pang Yizhi assustado. Xiao Lin se agachou e mediu o pulso da mulher.

— Sim. 

— Como? Foi um assassinato?

— Parece que sim. - respondeu o príncipe consternado. Ele se levantou. — Esta é a serva do Príncipe Refém. 

Os dois olharam ao redor, e andaram um pouco, sem acharem nada. Tantai Jin e Ye Xiwu estavam atrás de uma grossa árvore e há uma certa distância, portanto completamente fora de suas vistas. Xiao Lin e Pang Yizhi decidiram ver se o assassino ainda estava por perto, e correram para retornar na direção de onde vieram para avisar aos outros e quem sabe alcançarem criminoso. 

Mesmo depois que eles desapareceram por entre as árvores, Tantai Jin continuou segurando Ye Xiwu firmemente, pressionando a adaga a ponto de fazer um corte, por onde descia um pequeno filete de sangue. O cheiro perfumado imediatamente invadiu as narinas de Tantai Jin. Ele nunca sentiu a essência do sangue de Ye Xiwu, e desde aquela época se perguntava como era. Ela não sentia medo, mas sim ódio e frustração, e seu aroma era quente, como fogo, combinando com as batidas aceleradas do coração. Por um momento ele ficou atordoado, seu peito tomado pelo sentimento de sufocamento e dor, com suas gengivas coçando para liberar seus dentes caninos afiados. Ele se sentiu muito irritado e se conteve para evitar abaixar a cabeça em direção ao pescoço de Te Xiwu. Tantai Jin fechou os olhos e obrigou sua mente enevoada para voltar a pensar, eles precisavam sair dali antes que todo o grupo de caça voltasse e procurasse com mais afinco. 

— Você vem comigo, tente algo e eu corto seu pescoço. - ameaçou o príncipe refém com falsa gentileza. A garota rugiu de ódio como resposta. 

Foi bastante chato, mas ele conseguiu arrastar a Segunda Senhorita da floresta para o Palácio Frio onde ele residia. Apesar de prezar pela própria pele, a mulher não gostou nem um pouco de ter sido pega por ele. Ali não vivia ninguém além dele e sua babá, e era visitado apenas pelos príncipes e seus amigos quando estavam entendiados com o intuito de se divertir as suas custas. Também era a morada de muitos fantasmas ocasionais e inúmeros cadáveres.

Ainda mantendo a adaga apontada para Ye Xiwu, ele a soltou e virou de frente para ela. 

— Bem, me dê um bom motivo para não te matar agora mesmo. - seu tom era frio e ameaçador e ele não tentou esconder suas íris vermelhas demoníacas.

— Seu demônio! - Ye Xiwu gritou e ergueu a cabeça com audácia. — Esqueceu quem eu sou?! Sou a filha legítima do Grande General Ye, se você tocar em mim, o exército do meu pai irá te caçar e executar num instante!

Não, não havia como Tantai Jin se esquecer de quem ela era. Como antigamente, o príncipe cativo se pegou admirando aquela bravura. Qualquer jovem nobre intocada que desconhecia os males do mundo como ela, já teria desmaiado, ou implorado por sua vida aos prantos. Interessante, ele teria que usar outra estratégia.

— E se antes de eu te matar, eu resolvesse contar por aí que você tentou matar sua própria irmã, Ye Bingshang, no atentado que ela sofreu? - disse Tantai Jin com cinismo. A Segunda Senhorita arregalou os olhos.

Na última semana Ye Bingshang sofreu um atentado contra a sua vida por alguns bandidos. Felizmente Xiao Lin estava nas proximidades, escutou os gritos de ajuda da jovem e da sua criada, e conseguiu resgatar Ye Bingshang. Como ela estava muito ferida, o príncipe herdeiro teve que priozar seu bem estar, e acabou tendo que permitir que os malfeitores escapassem. A dama sofreu diversos ferimentos, porém nada fatais, teve suas joias roubadas, mas se recuperava bem. O General Ye seguia investigando o caso mas não conseguira encontrar nada sobre os culpados ainda. 

— O quê?! Que absurdo é esse? - Ye Xiwu fingiu estar ultrajada, ao mesmo que sua mente começava a se deixar perturbar por aquele homem. 

— Talvez seu envolvimento com a tentativa de assassinato da sua irmã seja verdade, e talvez eu tenha como provar. Mas talvez todos nós tenhamos segredos que não queremos que se torne público. 

— O quê? Seu demônio desgraçado! O que você quer? 

Ye Xiwu resolveu ceder. Tantai Jin era muito bom em descobrir segredos, além de sua perspicácia, ele falava com animais, o que facilitava na espionagem. Mas Ye Xiwu havia pagado muito bem os bandidos tanto pelo seu serviço quanto para manterem a boca fechada. Bandidos esses que pertenciam a um grupo de rebeldes que se opunham ao governo de Sheng. Além do mais a intenção nunca foi matar Ye Bingshang, apenas torna-la imprópria para um casamento. Embora Ye Xiwu gostasse muito da ideia de dar cabo com a vida daquela maldita bastarda. 

Ele é claro, poderia estar blefando, mas de qualquer forma a Segunda Senhorita não deveria dar sorte ao azar. Ela ouvira falar que o Príncipe Refém pertencia a trupe dos idiotas apaixonados por Ye Bingshang. Além disso, o que entregá-lo lhe daria a não ser umas boas risadas?E ela agora descobriu sua origem demoníaca.

— Seu silêncio, somente. Isso seria difícil pra você?

— N-não. Eu não me importo com o que você faz, não é da minha conta. - respondeu ela impaciente. — Mas você precisa guardar suas suspeitas imbecis também! 

— Claro. Veja, estamos quites agora. Não precisamos mais nos falar. - Tantai Jin deu um sorriso frio, praticamente diabólico. Ye Xiwu sentiu um arrepio. 

— Você... é mesmo um demônio vampiro? - indagou ela curiosa.

Mais uma vez a jovem demonstrava coragem. Ye Xiwu deveria sair correndo, agradecendo por ele ter poupado sua vida. Será que por parecer ser tão fraco, Tantai Jin não passava ameaça o suficiente?

— Sim, eu sou. Eu te disse, mas você não acreditou.

Demônios vampiros eram uma raça muito poderosa e rara. Diferente de outros demônios que comiam humanos por prazer, os vampiros precisavam beber sangue. Nem sempre todas as suas vítimas morriam, e quando saiam vivas, elas enfrentavam uma doença que as fazia também quererem consumir sangue. Isso as tornava aberrações para a sociedade, e as forçava se isolarem onde acabavam se tornando demônios vampiros completos. Por serem tão perigosos, a maioria foi exterminada por matadores de demônios, de modo que não se vê mais nenhum há pelo menos 100 anos.

Ye Xiwu deu uma risada irônica.

— Sim, eu não podia acreditar que um garotinho fraco poderia ser um demônio. - a jovem olhou para Tantai Jin numa mistura de pena e nojo. — Faz tanto tempo. - seus olhos percorreram em volta do Palácio Frio, uma região abandonada, vazia e sinistra do palácio.

— Esse chiqueiro continua igual. - de repente seu olhar que era nostálgico por memórias indesejadas se tornou implacável. — Preste atenção, eu não te conheço, e não vi nada. 

Ye Xiwu declarou e saiu rapidamente, finalmente seu medo vencendo. 

Tantai Jin riu sarcasticamente. Eles já se conheciam e não era a primeira vez que ela o vira com as mãos sujas de sangue. Também não era a primeira vez que ela falava aquilo. E mais uma vez ele se sentiu aborrecido. Até quando ela fingiria desconhecê-lo?