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The Darkest Corner (Of My Heart) | Tradução

Summary:

Snape ficou selvagem, mas o que causou isso, e como Harry irá lidar agora que seu parceiro, antes impotente e reprimido, de repente está disposto a ceder aos seus mais... impulsos primitivos?

Work Text:

O CANTO MAIS ESCURO

‘Sua mente é o meu tesouro, e se fosse quebrada, ainda seria o meu tesouro: se você enlouquecesse, seriam meus braços que a segurariam, e não uma camisa-de-força... o seu aperto, mesmo em fúria, teria um encanto para mim… e eu me curvaria sobre você com incansável ternura, mesmo que não me desse nenhum sorriso em troca; e jamais me cansaria de olhar dentro de seus olhos, mesmo que não mais tivessem um raio de reconhecimento para mim’.

Jane Eyre, de Charlotte Brontë

‘Ela não tem boca para beijar, nem mãos para acariciar, apenas as presas e garras de uma fera predadora’.

A Dama da Casa do Amor , de Angela Carter.

17 de abril de 1999

Não havia privacidade aqui. Pior, havia uma janela.

Quem coloca uma janela no armário?

As pessoas que passavam pelo corredor engomado podiam espiar; uma multidão estava se formando. A janela poderia muito bem estar trancada.

Harry ansiava por poder sentar-se na sala de espera com os outros parentes, mas era simplesmente impossível. As multidões o seguiam aonde quer que ele fosse. Assim, ele acabou preso no calor opressivo do armário médico, recolhido junto com os frascos empoeirados e as variedades de grotescos produtos médicos.

Harry podia ver as manchetes agora: 'Precioso Potter muito elegante para esperar com a plebe.'

A melancolia rodou sobre ele como névoa. Ele mal conseguia ver os rostos admirados enquanto eles espiavam, boquiabertos como se ele fosse uma criatura exótica. Quando uma mulher sorriu, Harry realmente sibilou para ela. Seu rosto chocado recuou.

'Você também seria um animal se estivesse preso nesta fama e enjaulado nela como um zoológico.'

Uma hora depois, uma medibruxa abriu caminho entre a multidão e disse-lhe nervosamente que, considerando a gravidade do acidente, a amante de Harry estava fora do alcance deles para salvá-la.

Tudo começou, Harry refletiu tristemente, com O Momento.

30 de novembro de 1998 – O momento

Snape cambaleou para longe de Harry, endireitando-se contra uma cadeira, ofegante.

Harry permaneceu congelado no local. Aquele exato ponto no carpete; ele sempre se lembraria dele. O próprio carpete estava até um pouco desgastado sob seus pés, como se quisesse anunciar o lugar exato onde ele finalmente havia reunido coragem suficiente para -

A cabeça de Snape se ergueu.

Ele parecia... encantado, mas não da maneira que Harry esperava. O corpo de Snape parecia se arrepiar de alegria vitriólica - a visão dele, sorrindo regiamente de trás da mesa do Diretor, fez Harry querer se encolher, apavorado. Ele permaneceu ali corajosamente, com as mãos fechadas em punhos nos bolsos de seu uniforme escolar.

Esperando para ver o que Snape faria em seguida.

Você chegou até aqui. Ainda pode ser que tudo corra bem. Você ainda pode ficar bem…

— Então — Snape sibilou, e sua voz gotejava uma satisfação inebriante como mel, — este é o momento.

— Momento? Que momento? — Harry sussurrou, rouco.  

— Aquele momento delicioso que estive esperando durante toda a sua carreira escolar, Potter. O momento da sua expulsão.

— Minha o quê? — Harry resmungou. Ele se sentiu como se tivesse mergulhado na água; o tempo e o som diminuíram. Seu coração começou a bater descontroladamente em seu peito, mas mesmo isso parecia monótono e distante.

— Sua expulsão — Snape repetiu, seu lábio superior se curvando em uma maldade quase erótica enquanto ele se acomodava em sua cadeira. Ele juntou os dedos finos, saboreando a reação de Harry.

— Você está me expulsando? Por que? — Harry gritou, olhando descontroladamente em volta em busca de algo em que se apoiar, algum apoio, mas se sentindo desolado.

— Deixe-me ver — disse Snape suavemente, batendo um dedo pensativamente em sua bochecha magra, — o abuso sexual de um membro do corpo docente deve ser suficiente, você não acha? Ou devo chamar de assédio - o que soa melhor para você, Potter?

— Você vai me expulsar porque eu... Você não pode! — Harry ofegou, mas os olhos negros de Snape brilharam cruelmente.

— Eu posso . Não há nenhum Dumbledore para você correr agora, Potter. Esta é a minha escola.

— Mas… eu… o que eu faço agora? E-eu vou para o treinamento de Auror? Você vai -

— Resta saber se Kingsley ainda permitirá que um degenerado como você participe de seu programa. Afinal, ele não exige que você termine seus estudos.

O horror pelo que ele tinha feito só agora começou a tomar conta dele, Harry esfregou as mãos no rosto. Snape chamou isso de abuso sexual. Snape odiou isso. Por que diabos você fez isso, seu estúpido, estúpido

— No entanto — Snape continuou, — assim que eu deixar perfeitamente claro para ele que você voltou para a escola por causa de uma paixão equivocada por mim e permitiu que sua obsessão enlouquecida o levasse a me perseguir nos corredores da escola, terminando com um ataque sem princípios e cruel contra a minha pessoa em meu próprio escritório... Ele pode começar a ver as coisas de forma um pouco diferente…

— Não foi um ataque! — Harry rangeu os dentes. Ele cambaleou pela sala e afundou, em desespero, na cadeira acolchoada em frente à mesa de Snape. Arrancando os óculos, ele pressionou as palmas das mãos contra os olhos até ver estranhos padrões caleidoscópicos.

— Não? — Snape ergueu uma sobrancelha. — Você teve minha permissão para me infligir suas atenções nojentas?

— Não — Harry respirou, — mas não foi... não foi nojento... Por favor, sinto muito; Eu deveria saber que você não iria...

Ele ficou sério.

Claro que você sabia. Ele odeia você. É realmente muito simples. Você apostou, Potter. Você perdeu .

— Assumirei as consequências dos meus atos — disse ele, sentando-se gravemente. Se ele tivesse que ir embora, a última impressão que desejava que Snape tivesse era a de que Harry estava recebendo seu castigo como um homem, não como uma criança chorona.

— No mínimo, será que não ocorreu a você que, depois de oito anos de aversão mútua, eu não estaria disposto a ter sua boca imunda forçada… — Snape continuou, surpreso com a cumplicidade de Harry e claramente ainda não pronto para parar de repreendê-lo - mas Harry o interrompeu..

— Sobre a... aversão — Harry murmurou, mexendo-se miseravelmente em sua cadeira, — há algo que eu acho que você deveria saber. Bem, você provavelmente já adivinhou, com essa coisa da... boca.

Os olhos de Snape se arregalaram.

— Isso vai ser bom — ele cuspiu, amargo. — Eu posso sentir isso.

Harry corou, perturbado. Diga a verdade a ele, não pode ser pior do que o que ele vai fazer com você de qualquer maneira ...

— Desde que observei suas memórias na Penseira de Dumbledore, percebi tudo o que você vinha fazendo, os riscos que corria; os sacrifícios que você fez, o perigo em que você se colocou…

— Não estou interessado em seus agradecimentos — Snape rosnou, acenando com desdém.

— Não é, bem, eu preciso agradecer a você, mas é mais do que isso. Você foi tão corajoso e... não precisava ter feito nada do que fez - você poderia ter desistido a qualquer momento, mas ficou. Por minha mãe. Você foi tão constante, tão verdadeiro; tão honrado, mesmo quando devia estar apavorado, e eu…

— Você o que? — Snape disse enfumaçado, evidentemente divertido. — Suponho que você se apaixonou loucamente e irresistivelmente por mim?

Harry ficou vermelho, reduzido a resmungar e puxar a bainha de seu manto.

Snape empalideceu. Ele ficou tão pálido que parecia quase morto.

O que? — ele sibilou. — O QUE?

— Eu sei — disse Harry, tristemente.

— Você percebe que esta é a coisa mais ridícula que alguém já me disse? — Snape exigiu, olhando para Harry com incredulidade.

— Acho que está entre as coisas mais ridículas que eu já disse — Harry murmurou, — mas isso não significa que não seja verdade — acrescentou ele, apaixonadamente. — Eu nunca tive a intenção de beijar você desse jeito, sem sua permissão – você tem que acreditar em mim –

Snape se levantou. Afastando-se de Harry, ele foi até a janela e olhou para fora, em silêncio. Ele olhou através do vidro e, aparentemente, direto para o passado.

— Você deve tentar encontrar outra saída para seus afetos — Snape disse gravemente, finalmente. — Os meus estão… retidos.

Harry assentiu, desamparado.

— Minha mãe — ele murmurou, mais para si mesmo do que para Snape.

— De fato.

Snape ainda estava olhando pela janela. Ele parecia... acalmado, de repente. Como se a menção à mãe de Harry, ou ao seu amor por ela, acalmasse sua alma.

— Mas ela está... morta — Harry sussurrou, mas mesmo enquanto pronunciava as palavras, ele sabia que era inútil.

Snape suspirou. Ele parecia cansado até os ossos.

— Está tudo bem — Harry mentiu. — Eu… eu estava esperando por isso.

— Você estava? — Snape murmurou.

— Eu… sim. Eu já sabia que meu... amor por você estava condenado. — Ele estremeceu, mas se forçou a dizer isso. Snape tinha que saber o que estava rejeitando.

— Talvez — Snape acrescentou suavemente, estremecendo ao usar a palavra por Harry, — você simplesmente ficou... interessado porque sabia que era impossível. Agora que você foi — ele fez uma pausa, e Harry teve a estranha percepção de que Snape estava tentando decepcioná-lo gentilmente, — negado... talvez você possa esquecer isso.

— Não acho que seja tão simples, mas... vou tentar — disse Harry, incerto.

Certamente será mais fácil não estar mais perto dele. Embora para onde devo ir agora?

— Isso explica por que você passou a sentir pena de um homem que obviamente não estava disponível para você — disse Snape, sério, como se não tivesse ouvido Harry. — A opção segura.

— Você não acha que eu teria feito isso? — Harry exigiu. Ele pulou da cadeira. — Você acha que se tivesse dito que retribuía meus sentimentos, eu teria corrido uma milha? Eu amo você - eu beijei você! — ele rosnou, com os punhos cerrados. — Já vi você no seu pior e no seu melhor, e nunca estive tão... consumido pelo que quer que seja, mas você olha para mim e é como se tivesse me atingido com um raio - queima, Professor, isso -

— Eu me lembro — Snape interrompeu, baixinho, — como é o amor.

Harry queria chutar alguma coisa; agarrar-se desesperadamente a Snape... Ele desejou que Snape abrisse a janela; ele precisava desesperadamente de um pouco de ar, antes que suas entranhas começassem a sair desesperadamente de sua boca... Era isso que Snape sentia por sua mãe, tantos anos atrás? Ele imaginou ter que ver Snape se casar e ter filhos com outra pessoa, como Snape foi forçado a fazer com a mãe de Harry...

Ele queria vomitar.

— Eu tenho que ir agora — ele deixou escapar, olhando descontroladamente para a porta - mas Snape estava com a mão em seu ombro, e Harry sentiu o toque do homem mais velho marcando-o profundamente, mesmo através de suas roupas.

Eu sou seu .

— Vai passar — Snape murmurou, mas não parecia totalmente convencido. Harry soltou uma risada amarga e dolorida.

— É o que diz o homem que passou a vida inteira apaixonado pela mesma mulher!

— Não... deixe a rejeição fazer você fazer algo estúpido — disse Snape de repente.

— O quê, como me escravizar a qualquer Lorde das Trevas? — Harry cuspiu, indignado. — Eu sei que foi por isso que você fez isso. Você também não aceitou bem a rejeição.

Snape puxou a mão, carrancudo.

— Sim — ele retrucou. — Eu queria o poder para impressioná-la, para provar a ela que eu era mais digno do que o idiota do seu pai. Mas não me adiantou nada — acrescentou Snape, sombriamente. — Volte e acalme seu ego. Case com algum Weasley.

— Meu ego? Não tenho certeza se algum dia isso irá se recuperar — Harry riu, dolorosamente, — de ter sido rejeitado por causa de minha falecida mãe.

— Devo dizer — Snape zombou, — você está aceitando a rejeição com a graça e equilíbrio que eu esperaria de um Potter. Que noite foi essa para você, Potter – rejeitado e expulso.

Isso doeu. Harry estava sendo tão maduro (ou assim ele esperava) até agora.

— Foda-se — Harry sibilou, desesperadamente.

— Você quer que eu faça isso, não é? — Snape cuspiu, os olhos brilhando maliciosamente. — Você gostaria disso, suponho?

— Sim — Harry rosnou. — Claro que sim.

— Você já fez sexo? — Snape sorriu, curvando os lábios. Quase... olhando maliciosamente para ele.

— Não — Harry respondeu. — Mas espere, esta pergunta vem de um homem que está apaixonado por um cadáver há vinte anos – e você? Ou ninguém mais morreu o suficiente para você?

Ele sabia que tinha ido longe demais e estava apenas atirando no escuro como um adolescente estúpido.

— Como você ousa — Snape sussurrou, horrorizado, — referir-se à minha Lily nesse tom grosseiro e nojento...

— Ela não é sua Lily, porra – ela é do meu pai, ela é minha! Ela odiava você e então você a matou! — Harry gritou, e a maturidade saiu pela janela em dez palavras.

Os olhos de Snape brilharam. Com os dentes arreganhados, ele procurou a varinha – não conseguiu encontrá-la – então desistiu e deu um soco forte em Harry.

Harry cambaleou para trás, cambaleando, estrelas explodindo diante de seus olhos. Ele tossiu e, para sua surpresa, espalhou sangue por todo o chão do escritório. Ele bateu cegamente nos bolsos em busca de sua própria varinha, preparando-se para se defender de outro ataque.

Snape, no entanto, parecia ter recuperado a compostura.

— Vá embora — disse ele, olhando para Harry friamente. Ele passou por Harry. — Saia agora.

— Você acha — Harry engasgou, enquanto cambaleava atrás de Snape até a porta, — que você estaria tão obcecado por ela se ela não tivesse morrido? Você acha que é uma coisa de culpa?

— Não — disse Snape, abrindo a porta bruscamente. — Acho que é uma coisa de amor profundo, poderoso e apaixonado. Agora arrume suas coisas e saia da minha escola – quero que você vá embora pela manhã.

18 de abril de 1999

Devia ser de manhã. Era difícil dizer no armário.

Harry esticou os membros rígidos e sonolentos e ouviu o estalo das costas e da clavícula torcidas, depois se sacudiu.

— Diga-me de novo, para que eu entenda — ele franziu a testa, tateando em busca dos óculos. Ele estava enrolado no chão, enrolado em um cobertor xadrez que Rony trouxera da Toca.

Há quanto tempo ele estava aqui, agora? Ele queria estar ao lado do namorado, mas isso era impossível, devido à natureza da... aflição do homem. Deslizando os óculos no rosto, ele piscou para as duas medibruxas paradas ao lado dele.

— Podemos deixar a maldição seguir seu curso, acelerá-la — repetiu um deles.

— Acelerar… — Harry repetiu, estupidamente. — Tipo, piorar as coisas?

— Isso vai matá-lo do jeito que está — repetiu a segunda, severa. — Precisamos fazer algo.

— E se isso o matar? — Harry exigiu. As duas bruxas se entreolharam.

— O Sr. Potter tem autoridade para tomar essa decisão? — disse a outra, em dúvida. —Ele dificilmente é da família.

— Ele não tem família – eu sou a família dele — Harry disse. — Eu sou parceiro dele. Sou eu quem terá que cuidar dele!

— Então, o que fazemos? — ele foi questionado.

Harry colocou a cabeça entre as mãos.

— Torne isso pior. Se for a única maneira.

Ele só esperava que o homem vivesse para perdoá-lo.

5 de janeiro de 1999

Harry olhou tristemente ao redor de seu pequeno apartamento, jogando a bolsa no carpete. Assim que fechou a porta, o apartamento pareceu encolher à sua volta, até ficar quase insuportável.

Ele estava acostumado com a proximidade; afinal, ele passou onze anos dormindo em um armário. Mas o que realmente o impressionou foi o silêncio . Hogwarts nunca ficou em silêncio. Ele quase desejou ter alugado aquele apartamento perto da linha férrea agora.

O silêncio... doeu.

Que maneira de começar o ano novo.

Seu treinamento de Auror só começaria em março ou abril; ele havia perdido a primeira admissão. Ele havia escrito para Snape para pedir uma referência de emprego temporário, mas a resposta que recebeu dizia que, se Harry dirigisse alguém a Snape, ele diria que Harry era: o pior criminoso que já tive a infelicidade de encontrar.

Ele odeia você . Isso também doeu, dolorosamente brilhante; uma ferida aberta.

.

Quatro horas depois, Harry se perguntou se seria possível morrer em silêncio. Ele deixou o ar sair da poltrona de plástico que estava explodindo (50 centavos por uma cadeira, graças às lojas de caridade trouxas), mas o barulho parecia anormalmente alto aqui. Ele suspirou; ele precisava comprar um rádio ou uma televisão. Ou aprender um daqueles encantos onde você pode fazer objetos inanimados cantarem canções obscenas.

Ele já tinha saído, vagando indiferentemente pelas lojas de segunda mão na Londres trouxa, com as mãos nos bolsos e a cabeça baixa. A tempestade causada pela sua expulsão ainda não havia passado, um mês depois. Snape estava sendo difamado pela imprensa; ninguém poderia aceitar que Snape, o diretor reintegrado apenas algumas semanas fora da prisão, tivesse o poder de expulsar o Salvador.

Teria sido muito fácil para Snape contar-lhes o motivo, mas ele não o fez. Comportamento inaceitável , foi tudo o que ele disse. Por mais que Harry quisesse detestar Snape agora, ele descobriu que não podia. Não quando o homem estava sendo tão repugnantemente nobre.

Ele tinha acabado de descobrir que sua poltrona inflável de segunda mão (o único móvel até então em sua sala de estar semelhante a uma cela) tinha um buraco em algum lugar, quando...

Whoosh !

Harry se virou, intrigado, seus lábios ainda enrolados no bocal para explodir a maldita cadeira. Seus olhos se arregalaram.

Snape estava parado diante de sua lareira, coberto de fuligem e carrancudo.

— Você não pode limpar isso? — ele retrucou, espanando as cinzas de seus sapatos pretos bem polidos.

Evidentemente, Harry parecia estar tramando algo ruim.

— O que é isso? — Snape exigiu, olhando carrancudo para a cadeira inflável caída. — Eu peguei você no meio de alguma experiência sexual sórdida?

Corando, Harry jogou a cadeira longe. Fez um barulho rude ao esvaziar.

— O que você quer? — Harry perguntou, ficando de pé. Agora que Snape estava aqui, a sala parecia dez vezes menor, e Harry estava extremamente quente e estranho. — Não estamos nos sentindo muito presunçosos hoje, não é, então você pensou em vir e se gabar? — ele balbuciou.

Snape observou o espaço apertado com seu olhar negro e abrangente, seu lábio superior curvando-se com desdém.

— Não gosto do seu novo apartamento — decretou ele.

— Só moro aqui há quatro horas! — Harry protestou, impacientemente. — O que você quer?

— Ah… — Snape olhou ao redor, descontroladamente. — Você não vai me oferecer hospitalidade... Não — ele fungou, enquanto Harry cruzava os braços.

Com os dedos abrindo e fechando nas palmas das mãos, Snape parecia angustiado . Harry não pôde deixar de se perguntar se algo terrível havia acontecido com Ron ou Hermione –

Snape engoliu em seco.

— Potter — ele disse, com dificuldade, — talvez eu tenha sido um pouco apressado, na outra noite, quando eu - eu não estou oferecendo a você seu lugar na escola, a propósito — Snape se interrompeu, maliciosamente. — Mas… devo admitir que estou… curioso. Nunca experimentei o amor de... eu deveria; Eu não posso… — Sua confissão se reduziu a nada, frustração franzindo sua testa.

— O que você está perguntando? — Harry exigiu, a incredulidade crescendo dentro dele como um daqueles gêiseres de água quente que ele viu na televisão. — Você está tentando arranjar uma foda? Que diabos você quer dizer com curioso? Acho que você vai descobrir, diretor, que ser expulso, ridicularizado nos jornais e ficar sem teto não está na minha lista de coisas que me deixam muito excitado! — E ele olhou para Snape com sarcasmo. — Posso imaginar você em seu escritório: Oh, o garoto me ama - talvez ele se vire e abra a boca - 

— Não seja ridículo — Snape interrompeu, com as bochechas vermelhas de humilhação. — Não estou interessado nisso, nem um pouco.

— O que você quer então? — Harry desafiou.

— Não sei! — Snape gritou com ele. — Mas sinto-me incapaz de trabalhar – ou de funcionar como um ser humano normal – e estou chegando à conclusão de que a culpa é sua! Você me amaldiçoou, é isso?

— Sinto muito — Harry retrucou, — você agora alegou estar interessado apenas por curiosidade e depois me acusou de amaldiçoá-lo? SAIA!

Snape girou nos calcanhares, parecendo enojado – então fez um movimento abortivo e se virou, com os punhos cerrados.

— Você ainda tem o hematoma no rosto — disse ele, baixinho.

— Sim — Harry sibilou, vibrando de raiva, — não vai sarar.

— Deixei marcas em você que não cicatrizam? — Snape zombou, desdenhoso. Descrente.

— Sim — disse Harry, significativamente. — O que você acha que isso diz sobre nós? Basta ir — acrescentou ele, enojado.

Ele observou Snape se virar, os ombros curvados. Ele levaria o coração de Harry com ele, quando ele partisse -

— Eu cometi um erro! — Snape deixou escapar, de repente.

Ele parecia aterrorizado.

Harry piscou.

Pausou, a esperança florescendo em seu peito.

— Você o que?

9 de junho de 1999

Harry olhou gravemente pela janela escura, os braços abraçando sua cintura fina.

Do outro lado estava um monstro, uma fera.

Uma coisa sem humanidade, sem centelha de compaixão, sem racionalidade.

Uma criatura cruel e vil...

Snape ergueu sua pobre e selvagem cabeça.

Seus cabelos negros caíam sobre seu rosto como chuva, através dos quais dois olhos escuros brilhavam como besouros.

Harry viu um brilho de dentes quando os lábios de Snape se curvaram em um rosnado, e uma frieza profunda o percorreu.

Ele deu um passo à frente, pressionando-se tristemente, quase sensualmente, contra o vidro, como alguém se pressionaria contra um amante. A vidraça foi pintada para que Snape não visse nada do outro lado.

— Ele está bastante horrível, não é?

Harry se virou. Draco Malfoy ficou parado, envaidecido, deleitando-se com o olhar torturado no rosto magro de Harry. Com ar arrogante, ele atravessou a sala, mas Harry notou uma faísca de medo nos olhos do jovem, como se toda a confiança do Malfoy estivesse prestes a ruir com um só suspiro, caindo como um baralho de cartas...

Harry franziu os lábios enquanto Draco entrava na sala e se juntava a ele ao lado do vidro.

— Por quê você está aqui? — ele se acalmou. — Você não deveria estar na escola?

— Meus novos amigos, Ron e Hermione, me convidaram para vir aqui - eles sabem o quanto eu admirava o Professor Snape — Malfoy zombou. — O que você vai fazer agora? — ele murmurou, baixo, enquanto observavam Snape morder preguiçosamente seu próprio pulso. — Já se passaram três semanas, ele ainda...

Em vez de responder, Harry se inclinou até um botão na parede e o apertou. Um ruído alto e violento invadiu a sala, fazendo com que Snape se levantasse do chão alarmado, com os olhos arregalados. Draco soltou um grito, depois se virou para Harry, esbravejando.

— Ele está fazendo isso de novo — Harry murmurou, a título de explicação. — Ele não deveria morder a pele, ela pode infeccionar.

— Então ele está sendo treinado? — Malfoy perguntou, as sobrancelhas levantadas em diversão. Harry encolheu os ombros.

— Eu suponho.

—O que causou isso, eles sabem? — o jovem perguntou.

Harry fez uma careta.

— Olha, você está aqui com algum propósito? Quanto ao que farei, não há escolha. Cuidar dele — ele retrucou.

— Posso ser o primeiro -

— Você não será o primeiro, você será o último. Todo mundo acha que eu não deveria ficar com ele. Eu sei — disse Harry, o ressentimento brilhando em seus olhos verde-claros.

— Você não está pensando seriamente em manter um animal selvagem naquele apartamento que você tem? — o loiro exigiu. — É uma loucura – ele vai te matar dentro de uma semana!

11 de janeiro de 1999

Snape parecia assassino quando saiu do Flu de Harry.

Harry ficou parado, cautelosamente, na porta de sua pequena cozinha.

Snape foi forçado a voltar para Hogwarts antes que pudessem conversar direito da última vez. Esta foi a primeira vez que Harry o viu desde que Snape confessou... seja lá o que fosse.

Harry estava ficando louco com isso desde então. Ele precisava falar com Snape, mas o Diretor estava sempre muito ocupado... Uma semana se passou; uma semana de tortura, na opinião de Harry.

Snape parecia tão desgastado quanto Harry.

— Oi — Harry disse, timidamente - então pulou quando Snape colocou uma garrafa de vinho em suas mãos. O olhar de Snape era quente; penetrante.

Desastrado; com as mãos pesadas demais, ele colocou o vinho de Snape na geladeira e então se virou, para encontrar Snape parado logo atrás dele.

— Você está tentando ser provocativo? — Snape perguntou, rispidamente. Ele estava muito perto agora e olhava para Harry atentamente.

— Eu? — Harry respirou. — Não. Eu só estava colocando o vinho na geladeira, você acha que...

Quando Harry permaneceu imóvel – paralisado – Snape colocou uma mão hesitante no quadril de Harry.

— O que é isso? — Harry sussurrou, tão embriagado pela proximidade de Snape que se esqueceu de ficar indignado com o fato de aquele homem expulsá-lo por querer carinho e depois vir procurá-lo por isso –

— Eu enlouqueci — Snape respondeu suavemente, então gentilmente ergueu o queixo de Harry e cobriu a boca de Harry com a sua.

.

— Eu sinto que deveria expulsar você agora — disse Harry, sorrindo levemente, quando Snape finalmente se afastou.

— Não — Snape respondeu simplesmente, e beijou-o novamente.

.

— Você não decidiu —  disse Harry, quando lhe foi permitido usar a boca mais uma vez, — que eu era o mais próximo que você conseguiria chegar de Lily, decidiu? Porque se for esse o caso… 

— Garoto estúpido — disse Snape, quase com ternura, e inclinou a cabeça para outro beijo - mas Harry se afastou, cambaleando ligeiramente.

— Então me explique para que eu não sinta que você está se aproveitando. Você ficou horrorizado com minha confissão há apenas um mês. O que mudou?

Snape encostou-se na parede, esfregando a palma da mão no rosto.

— Eu... eu não estava ciente da possibilidade de... isso — ele acenou com a mão abstratamente para Harry, — há um mês atrás. Eu reagi... mais extremamente do que, após reflexão, deveria...

— Você me quer porque acabou de perceber que poderia me ter? — Harry perguntou, olhos arregalados. — Obrigado. Essa dificilmente é a declaração de amor do ano.

— Não é isso — Snape disse, olhando para Harry friamente. — Não diga assim – isso é assustador e parece…

— Merda — Harry concordou, encostando-se na pia. — Acho que você deveria voltar outra hora e se esforçar mais.

.

Para surpresa de Harry, Snape voltou menos de duas horas depois, enquanto Harry escovava os dentes.

Ele fez uma pausa, a escova de dente saindo da boca e o cabelo bagunçado, a blusa do pijama muito grande balançando em um ombro - então quase engasgou quando Snape atravessou a sala rigidamente e colocou um pedaço de papel desajeitado em suas mãos.

Ele abriu. Lá, na caligrafia apertada e complicada de Snape, estava escrito:

Eu mantenho você no canto mais escuro do meu coração .

Harry olhou para Snape, interrogativamente. Snape estava ali parado, respirando com dificuldade, como se estivesse correndo por Hogwarts em busca das palavras certas.

Ele olhou para Harry quase desesperado, com uma expressão selvagem nos olhos; petrificado, talvez, com medo de que Harry zombasse dele...

— Não tenho certeza se entendi — disse Harry, cuidadosamente, aproximando-se de Snape; doendo para estar em seus braços. — Mas para começar, suponho que servirá.

.

Foi estranho; eles gravitavam um em direção ao outro como dois planetas solitários, mas Harry ainda tinha a escova de dente saindo da boca.

Snape passou os nós dos dedos suavemente pela bochecha de Harry, e a pele de Harry formigou, quebrando como papel.

Ele saiu correndo da sala, lavou a boca e voltou correndo – para encontrar Snape quase tremendo no centro de sua sala de estar.

Eles voaram um contra o outro desta vez; Harry enfiou os dedos entre os fios oleosos do cabelo de Snape e abriu a boca, desejando ser conquistado. Consumidos pela paixão, seus corpos se encontraram rudemente, quase desequilibrando Harry. Ele se agarrou a Snape desesperadamente.

Eles não falaram por muitos minutos.

.

Tudo estava indo tão bem; A cabeça de Harry girava em uma felicidade vertiginosa.

Mas então... ele tentou despir Snape.

Depois disso, foi um pesadelo.

Eles estavam se beijando há muito tempo, ofegantes, gemendo e lambendo o rosto um do outro. Snape fazia os mais incríveis ruídos guturais – cada vez que gemia, Harry sentia o gemido vibrar direto em seu pênis; uma língua áspera e molhada em sua carne quente...

Harry estava corado e com tesão – e era óbvio que Snape também estava.

Pelo amor de Deus, Snape já tinha as malditas mãos enfiadas na parte de trás da calça do pijama de Harry e estava apalpando a bunda nua de Harry com seus dedos longos e afiados, então por que diabos ...

Snape ainda usava sua sobrecasaca preta – era insuportável para Harry, que queria sentir a pele de Snape deslizando contra a sua. Harry ergueu os dedos trêmulos até os botões do colarinho de Snape...

Não! — Snape latiu, recuando tão abruptamente que Harry quase desmaiou; uma videira mole.

— Não? — Harry gemeu, voltando para Snape novamente, como se estivesse em um pedaço de elástico. — O que está errado?

Snape o empurrou. Harry acabou esparramado no tapete.

Snape se afastou, parecendo ligeiramente selvagem. Sua boca estava úmida de tanto beijar e seu cabelo despenteado. Ele parecia tão... desfeito . Harry ficou instantaneamente apaixonado.

— É… você está constrangido com as cicatrizes? — Harry perguntou delicadamente, do chão. Ele ainda nem tinha visto o pescoço de Snape, mas sabia que devia haver cicatrizes. Mas Snape não precisava de vergonha; Harry ficou eletrificado sexualmente por ele. Snape olhou para ele como se os dois tivessem enlouquecido.

— O que eu estou fazendo? — ele sibilou. — O que ela diria se me visse...

— Quem? — Harry perguntou, subindo de volta e alcançando seu amante.

No momento seguinte ele soube.

Sua mão vacilou; o movimento gaguejou.

— O que ela... Largue-me, agora, seu bruto! — Snape rosnou, empurrando Harry de novo - mas Harry o agarrou de volta, arrancando sua própria blusa e se jogando em Snape, como um louco.

— Não era como se vocês dois estivessem comprometidos um com o outro — Harry disse melancolicamente, carente e frenético, enchendo de beijos o rosto horrorizado de Snape. — Ela não tem controle sobre você! Se ela fosse realmente sua amiga, ela gostaria que você tivesse prazer em mim...

— Você realmente espera que eu insulte a memória dela sendo infiel a ela com seu único filho? — Snape exigiu, com raiva.

Você me beijou! — Harry o lembrou. — E dificilmente é ser infiel.

— Não posso conhecer você dessa maneira! — Snape gritou, parecendo quase demente. — Você é filho dela!

— Mas ainda sou eu! — Harry gritou, em desespero. — Eu sou Harry – pare de me ver em termos de como me relaciono com outras pessoas! Os olhos de Lily, o cabelo de James – e os meus malditos atributos! Você deve ver qualidades em mim que eles não tinham, certo?

Snape se livrou do abraço violento de Harry; pano rasgado.

— Lily é -

— Ela está morta! — Harry gritou atrás dele. — E aposto que ela gostaria que seu filho transasse um pouco pela primeira vez!

Cale a boca, James! — Snape gritou - então empalideceu. O horror escorria pelas veias de Harry como o crepitar do gelo se espalhando por um lago.

— O QUE? — ele uivou, atacando Snape, que estava indo direto para a lareira, com as roupas rasgadas e o cabelo emaranhado. — DO QUE VOCÊ ACABOU DE ME CHAMAR? VOCÊ NEM ME RECONHECE! COMO DA – ONDE VOCÊ VAI? NÃO ME DEIXE, SEU COVARDE -

Mas Snape fugiu.

10 de junho de 1999

— Não, não faça isso - Harry! — Hermione chorou quando Harry abriu a porta.

O tiro de despedida de Draco Malfoy ressoou em seus ouvidos, (“Ele vai te matar em uma semana!”) Harry se preparou e entrou, disposto a aguentar o que quer que acontecesse.

Se Snape, enlouquecido, se voltasse contra Harry e o matasse, isso pelo menos acabaria com o sofrimento de Harry.

— Harry! — Hermione implorou, puxando debilmente a camisa dele com os dedos. — Ele é louco! Pelo menos pegue sua varinha! Ele vai te machucar – ah, não!

Snape havia se virado.

Com os dentes à mostra, selvagem, ele olhou para Harry.

Harry ficou ali bravamente na porta, sem varinha, tremendo e olhando para o chão, mas tão determinado, sentindo-se tão sozinho...

Ele arriscou um olhar para cima com as pálpebras pesadas. Snape estava olhando para ele de forma muito estranha, quase calculista, como se estivesse tentando decidir se deveria atacar. Harry controlou o terror que subia como bile em sua garganta e entrou na sala, chutando a porta para fechá-la.

Faça o que você quiser. Eu amo você o suficiente para deixar você me matar.

— E-ei — ele engasgou, tentando desenterrar um sorriso, apesar de todo o seu rosto doer. — Severus? Você se lembra de mim?

Ele parou quando Snape se afastou da parede e, muito lentamente, começou a rodeá-lo. Harry ficou perfeitamente imóvel, com o coração batendo forte.

Snape caminhou ao redor dele, com uma expressão tempestuosa, e Harry fechou os olhos. Tudo o que ele conseguia ouvir eram os passos irregulares de Snape e sua respiração – e seu próprio coração, um pássaro aterrorizado voando em seu peito que sentia a presença de um monstro...

Snape se aproximou e Harry quase sentiu que Snape podia sentir o cheiro de seu medo.

Me ataque. Eu sou seu .

Parado atrás de Harry, Snape rosnou. Harry quase saiu da própria pele.

Ele se virou e abriu os olhos – a tempo de ver Snape abrir a boca e atacá-lo, com os dentes cerrados, violento como um tubarão, como se quisesse arrancar um pedaço dele –

Harry gritou e cambaleou para trás.

Seus olhos se encontraram.

Tudo aconteceu muito rapidamente depois disso.

Snape congelou ao ver os olhos de Harry e recuou.

Então, no momento seguinte, ele se lançou sobre Harry novamente, enterrando o rosto na garganta de Harry, e Harry chorou e esperou pela dor inevitável, quando os dentes de Snape morderiam seu pescoço e o sangue começaria a jorrar, quente e espesso -

Houve um estrondo quando a porta se abriu.

Um feitiço foi lançado pelo quarto, mas Harry mal percebeu, quando foi levantado e jogado na cama. Snape correu atrás dele, colocando seu próprio corpo entre Harry e os intrusos.

Hermione estava na porta, o rosto branco e a varinha em punho.

— Harry! — ela gritou.

Atordoado, Harry tentou se sentar, dando tapinhas no pescoço com a mão – e descobriu que estava seco.

— Estou bem, Hermione! — ele chamou, lutando um pouco (Snape ainda estava em cima dele). Snape rosnou e o segurou.

— O que ele fez com você? — Hermione sibilou.

— Erm, nada! — Harry disse, confuso. Ele se afastou de Snape e sentou-se.

Snape se posicionou de forma suspeita – protetora – entre Harry e a porta. Harry tentou se levantar e contorná-lo, mas Snape o olhou furioso e o puxou de volta, sibilando fortemente para Hermione.

— O que ele está fazendo? — Hermione perguntou.

— Eu acho... eu acho que ele está tentando me proteger — Harry arriscou, enquanto Snape passava um braço possessivo em volta de sua cintura.

Snape prendeu Harry ao seu lado, os olhos se movimentando como se procurasse uma maneira de escapar.

— Abaixe sua varinha, Hermione — Harry sussurrou, cautelosamente.

Snape envolveu Harry com o outro braço, apertando o jovem contra ele como se Harry fosse seu ursinho de pelúcia favorito, embora um pouco confuso.

A compreensão surgiu no rosto de Hermione.

— Está tudo bem — ela sussurrou, curiosa, para Snape. — Eu não vou tirá-lo de você — e ela baixou a varinha, colocando-a no bolso, maravilhada.

.

— Achamos – e não temos ideia de como isso pode ter acontecido – que o Professor de alguma forma marcou Harry como seu companheiro — aventurou-se a medibruxa, falando ao microfone da segurança da sala adjacente.

Harry sorriu de dentro do quarto de Snape ( no covil da fera , ele pensou) e acariciou suavemente o cabelo de Snape.

— Eu sabia que tínhamos uma conexão, apesar de ele ser tão, er, reprimido — ele sorriu.

Snape bufou com as tentativas de Harry de acariciá-lo e capturou os dedos de Harry, empurrando-os de volta para baixo do cobertor. O sorriso de Harry se alargou e ele se agarrou a Snape com força.

— Como diabos ele pode ter se lembrado de sua ligação anterior com Harry é… bem, impossível — a bruxa continuou. — Mas é, sem dúvida, muita sorte. Isso coloca você, Sr. Potter, na posição de poder decidir como deseja que ele seja cuidado.

— Eu farei isso — disse Harry, instantaneamente, sentando-se.

Snape sentou-se atrás dele e começou a farejar seu pescoço.

— Tem certeza de que isso é sensato, Harry? — Hermione disse, no microfone, apertando ainda mais a mão de Ron.

Harry fungou, impressionado.

— Ele sempre foi difícil, Hermione — ele disse friamente. — Achei que todos os grifinórios deveriam ser leais – não vou deixá-lo sozinho, e ponto final.

15 de janeiro de 1999

Harry teve apenas alguns segundos de aviso antes de acontecer.

Ele estava sentado mal-humorado à mesa da cozinha, e Edwiges II (Harry ainda sentia falta dela) tinha acabado de deixar cair o Profeta da noite na cabeça de Harry em uma nuvem de penas pretas, quando...

"SNAPE SAIU!", gritava a manchete. Havia uma foto de Hogwarts. Harry se endireitou.

No momento seguinte, a lareira se acendeu. Harry correu para lá, segurando o jornal - e Snape passou por ela.

— O que aconteceu? — Harry perguntou, sacudindo o jornal para Snape. Snape olhou para ele e depois fez uma careta.

— Então você sabe — disse ele, severamente. — Espere um momento – preciso pegar minhas coisas.

— Perdão? — Harry ficou pasmo.

— Eu… minhas coisas! — Snape zombou.

— Suas coisas? Coisas sexuais? Ou -

Snape revirou os olhos e voltou para a lareira.

— Que diabos? — Harry sussurrou. Ele voltou para a cozinha, desenrolando o Profeta sobre a mesa, na esperança de encontrar alguma pista sobre o estranho comportamento de Snape – mas o jornal não sabia mais do que ele.

Logo, ele ouviu o barulho familiar do Flu - e correu para a sala para descobrir Snape, parado petulantemente no tapete diante da lareira e segurando uma grande bolsa em cada mão.

— Você... você é... tudo isso é seu… — Harry se atrapalhou.

— Sim, Harry — Snape disse, exasperado.

— Você se lembrou do meu nome, então — Harry reclamou. — O que exatamente é… Você não está se mudando , está?

Snape saiu de Hogwarts; deixou o emprego e a casa... para vir morar comigo?

— As pessoas geralmente discutem esse tipo de coisa primeiro — disse ele, fracamente.

— Não posso voltar agora - desisti disse Snape acusadoramente, como se suas ações fossem todas culpa de Harry.

— Você largou seu emprego? — Harry engoliu em seco. — Por que?

Snape parecia frustrado novamente.

— Percebi — disse ele, condescendentemente, — que não poderia me apegar ao passado e também fazer... isso com você. Então tomei uma decisão. Suponho que agora, depois do desastre do outro dia, você vai me dizer que mudou de ideia?

—Eu nunca pedi para você se mudar!— Harry protestou. —Deus, você é apenas um pesadelo!—

Os lábios de Snape curvaram-se desagradavelmente.

— Entendo — disse ele, friamente, voltando-se para a lareira, com as costas retas como uma vareta. Tentando agarrar-se aos últimos resquícios de sua dignidade esfarrapada.

— Espere! — Harry gritou, correndo atrás dele. — Você está aqui agora . Largue suas coisas, pelo amor de Deus!

23 de junho de 1999

Harry olhou ao redor, os gramados bem aparados e as bordas perfeitamente delineadas. Era estéril, austero – e artificialmente verde , como se alguém tivesse aumentado o volume da cor ridiculamente alto.

St. Shrivelling, o hospital especializado em Maldição, era um edifício branco e irregular, cercado por um fosso de jardim. Foi com pesar que Harry marcou a consulta; seus amigos vinham minando sua confiança nas últimas duas semanas, enquanto ele preparava sua casa para trazer seu amante selvagem para lá.

A gota d'água veio outro dia, quando uma equipe de bruxas veio avaliar o apartamento de Harry em busca de questões de segurança. Foi só então, ao se deparar com a enorme lista de alterações que precisavam ser feitas, que o significado total do que ele se propôs fazer o atingiu – e foi avassalador.

— É a melhor coisa para ele — Hermione disse, gentilmente, — estar em um lugar especializado até que ele melhore.

— Nós apenas achamos que é demais para administrar sozinho — Ron acrescentou, — mas isso não se reflete em você, você se sairia muito bem. Mas você não é treinado.

— Ele vai matar você dentro de uma semana — disse Malfoy (o bastardo).

Harry se sentia como um pai ansioso. Ele folheou o folheto do hospital, virando as páginas em um silêncio comedido.

— Qual é a sua política em relação às drogas? — Harry perguntou, parando na página intitulada 'Medicação'. — Quero dizer, todos parecem tão calmos. Isso é... coisa de vocês, ou é todo mundo…

— Nós avaliamos cada indivíduo caso a caso — disse o guia; Harry suspeitava que o gerente (que parecia não saber nada sobre o tratamento em si) o havia recebido por causa de quem ele era, e isso o irritou desde o início. — Obviamente, eu não sou um medibruxo, mas tenho certeza de que eles só prescreverão um tratamento com poções se acharem que isso não é prejudicial a ele.

Harry secretamente tentou dar uma olhada na lista de perguntas que Hermione havia escrito para ele. Ele a enfiou no bolso e agora estava toda amassada.

— Você tem algum outro paciente como o meu… que é selvagem? — ele sussurrou.

— Temos aqui uma grande variedade de casos, de diferentes gravidades – a loucura é muito comum. Entendo que o caso do seu amigo é incomum – uma maldição rara, não é? Temos quartos separados para todos os nossos pacientes, para que tenham um ambiente seguro – gostaria de ver o interior de um?

— Por favor — disse Harry. — Então, esse ambiente seguro – ele fica trancado o tempo todo? Erm, isolado das pessoas?

— Obviamente teríamos que avaliar o nível de risco, mas alguns dos nossos pacientes fazem caminhadas no local. Você pode até visitá-lo. Num domingo — acrescentou o dirigente.

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— Severus? — Harry sussurrou. — Você tem que me deixar ir, você será feliz aqui -

Snape agarrou-se a ele, os olhos se contorcendo pela sala branca, sua pele tão exangue quanto as paredes.

— Ele não quer me deixar ir embora — Harry gemeu, se debatendo nas mãos de Snape como um peixe em uma rede, passando as mãos ternamente pelo rosto e costas de Snape. — Ei, sssh, está tudo bem — ele disse para Snape, que parecia perturbado. — Volto amanhã.

— Domingo — corrigiu o gerente, severamente. — Você pode visitá-lo no domingo.

Foi necessária uma equipe de bruxas rechonchudas vestidas de verde claro para libertar Harry das mãos de Snape. Harry já estava tendo dúvidas. Ele esteve com Snape todos os dias durante a última quinzena, sentado com ele e tentando se lembrar de não acariciar seu cabelo...

Essa era realmente a coisa certa a fazer?

— Eu, er, não tenho certeza… — ele começou.

— Sr. Potter, você deve a ele deixá-lo em algum lugar onde ele receba os melhores cuidados — disse o gerente, espiando dentro da sala enquanto a equipe de auxiliares verde-claros segurava Snape. — Você simplesmente não é capaz de mantê-lo seguro. É só por enquanto, enquanto eles o estabilizam. Quem sabe; talvez um dia, em breve, você possa descobrir uma maneira de levá-lo para casa. Você sabe que o ambiente doméstico que você tem para ele atualmente não é adequado.

Harry não suportou olhar para Snape ao sair da sala e sabia que estava sendo um covarde muito maior do que Snape jamais havia sido.

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A cabeça de Harry bateu na mesa do bar em desespero.

— Deus, isso foi horrível — ele gemeu. — Você viu a expressão nos olhos dele quando eu saí?

— Nós vimos — Hermione disse, cuidadosamente. — Mas você ainda tomou a decisão certa. Ele é muito volátil para poder andar livremente.

— Olhe pelo lado bom, cara — Ron disse, sorrindo enquanto colocava a cerveja de Harry ao lado de sua cabeça. — Deixa você mais livre para encontrar alguém da nossa idade.

Hermione deu uma cotovelada em Ron, murmurando algo sobre sua 'patológica falta de tato'.

— Eu não quero alguém da nossa – você acha que eu o deixei lá para me livrar dele? — Harry exigiu, sentando-se indignado.

— Só estou dizendo, o que acontece se eles não conseguirem curá-lo – você vai aguentar para sempre? Ele é como um animal, Harry – o homem que você ama... o… — Rony claramente teve problemas, atrapalhando-se com as palavras. — Seu namorado se foi.

— Se eu realmente acreditasse nisso… — Harry parou, levando a cerveja aos lábios. — Não, na verdade, eu ainda ficaria. É como demência – se Hermione ficar doente um dia, quando vocês dois tiverem oitenta anos, e ela não conseguir se lembrar de você, você vai simplesmente dar o fora?

— Claro que não — Ron retrucou.

— Você ainda pensa nele como seu namorado, então? — Hermione persistiu. — Porque, Harry... não tenho certeza se isso é, bem... saudável. Pelo menos com a demência, as pessoas geralmente não perdem toda a aparência de humanidade .

— Já passei por muita merda — disse Harry com veemência. — Encontrei o homem que quero. Não vou embora só porque ele é maluco e você não gosta dele. Estou ciente de que isso provavelmente será prejudicial para mim – sim, aprendi essa palavra com ele, Ron, acostume-se – mas vou tentar. Vou encontrar um lugar que seja adequado para ele morar.

— Apenas flerte um pouco — Ron implorou a ele, — com algum, er, cara legal. Veja como é um relacionamento normal – aquele em que ele não tentará comê-la ou brincar de pegar seus óculos – ou transar com sua mãe!

— Snape nunca transou com minha mãe — Harry resmungou. — Eu gostaria de nunca ter contado a você sobre isso agora.

— Nunca transou com você também — Ron encolheu os ombros. — Você não disse que ele é impotente?

— Isso é minha culpa? — Harry retrucou.

— Não, é dele — Hermione interrompeu. — Ele parecia, me perdoe Harry... realmente confuso. Mesmo que ele se recuperasse, dificilmente seria saudável, não é?

— Bem, talvez ele perder as inibições seja uma coisa boa, então — disse Harry. — Talvez isso resolva ele.

— Você quer dizer... no quarto? Você não pode querer fazer isso enquanto ele está assim – seria como brincar de lutar com um urso! — Ron deixou escapar.

Harry bufou em sua cerveja, pingando cerveja pelo queixo.

— Saúde, Rony! Bem, de qualquer forma, estou procurando chalés na Escócia neste fim de semana.

— Harry... eu sei que você não vai gostar de mim por dizer isso, mas... qual é a pressa? — Hermione disse, cautelosamente.

— Sabe, cara, Snape parece muito mais calmo onde está -

— Eu já disse ao meu senhorio. Estou indo embora – fazendo as malas na próxima semana, alguém quer ajudar? Suponho que não poderei dormir no trailer até... — Harry parou, esperançoso.

— Claro que você pode — Ron sorriu.

.

— Sr. Potter, como você entrou? Isso é... Você não acha que é imprudente você estar aqui?

— Por que? — Harry perguntou, olhando para cima. Era quarta-feira. Mas ele havia prometido a Snape que voltaria amanhã, e então aqui estava ele.

Sim, sou um rebelde. Processe-me .

Ele estava sentado no chão, do lado de fora da porta gradeada de Snape. Snape estava agachado do outro lado, pálido, enrugado e parecendo faminto, com um braço atravessado pelas grades. Seus dedos seguravam o pulso de Harry. Harry estava acariciando os dedos de Snape e alimentando-o com uvas através das barras.

Tinha sido bastante confortável, até o bruxo de verde doentio aparecer.

Snape quase havia acabado com o saco de uvas (o que deixou Harry preocupado com a frequência com que o alimentavam), e Harry estava prestes a mostrar-lhe os folhetos das casas, para tentar avaliar sua reação.

O mago mudou de um pé para o outro e tentou novamente:

— Sua presença parece ser, ah, inflamatória para ele.

— Como? — Harry exigiu. Ele se sentiu bastante prejudicado por ter esse tipo de conversa no chão, mais abaixo, então tentou se levantar. Mas Snape não largava seu pulso.

— Severus — Harry sibilou, — só estou de pé.

— Ele não entende — disse o bruxo, como se Harry tivesse cinco anos. — Talvez dê a ele alguns dias, ou até semanas, hein? Então você pode voltar a vê-lo – você não gostaria de atrasar sua recuperação, não é?

— Claro que não — Harry sussurrou, chocado com a ideia. — Mas eu só... ele não queria que eu fosse, ontem, quando eu... eu realmente o atrasaria, por estar aqui?

— As regras estão aqui por uma razão, Sr. Potter. Embora, pelo que descobri, você normalmente não tenha muita consideração por elas.

Irritado, Harry puxou a mão de Snape.

— Eu… tudo bem. Se é isso que ele precisa para que seu tratamento… funcione, eu… Ok. Tchau Severus, então.

— Uma decisão sábia, Sr. Potter.

Com os folhetos miseravelmente enfiados debaixo do braço, Harry caminhou de volta pela rua.

15 de janeiro de 1999

Na noite em que Snape se mudou, eles jantaram em um silêncio tenso, curvados em torno da minúscula mesa da cozinha de Harry.

Harry fez um dragão ucraniano e abriu uma garrafa de vinho, que derramou na toalha de plástico da mesa, dando a Snape ampla oportunidade de chamá-lo de idiota.

Snape permaneceu irritantemente silencioso.

O cheiro úmido do vinho derramado permaneceu mesmo depois que Snape o baniu.

— O que você está planejando fazer agora, então? — Harry perguntou, com a boca cheia, observando Snape girar preguiçosamente os restos de seu vinho em seu copo.

Snape torceu o nariz.

— Seus modos à mesa são terríveis, Potter — ele fungou. Harry encolheu os ombros e voltou a pescar desajeitadamente durante o jantar.

— Precisarei confiscar seu quarto de hóspedes — disse Snape, de repente.

— Meu quarto de hóspedes… Que quarto de hóspedes? — Harry perguntou, sentando-se mais ereto.

— Você não tem um quarto vago? — Snape exigiu, rabugento. — Que tipo de lugar inútil é esse?

— Esta é a minha casa! — Harry disse, calorosamente. — Para o qual ninguém convidou você!

— Tudo bem — Snape rosnou, empurrando a cadeira para trás rudemente e ficando de pé em uma confusão de vestes. Harry suspirou.

— Sente-se.

— Não.

— Sente-se! E tire essas vestes – você não é professor aqui. Você não tem jeans?

— Cai fora — Snape retrucou, caminhando até a porta (o que o levou a dois passos).

— Uau, isso é maturidade — Harry resmungou, jogando a faca e o garfo na mesa com desgosto.

— Você honestamente não tem um quarto vago? — Snape repetiu, virando-se na porta.

— O quê, você acha que sou tão estúpido que esqueço os quartos do meu próprio apartamento? — Harry desafiou. — Eu sei que você está acostumado com quartos grandes, mas não há outro lugar para você dormir, então...

— Eu não quero dormir nele — Snape interrompeu, cansado. — É para o meu negócio.

— Seu b… Ah, não, não há poções na minha casa! — Harry disse, recolhendo os pratos violentamente e jogando-os na pia. Ele ouviu Snape xingar atrás dele.

— Eu não quero vender poções – eu odeio essas malditas coisas — Snape rosnou. — Qualquer que seja a alegria que isso possa ter trazido para mim, foi cruelmente dessecada ao longo dos anos por crianças idiotas como você!

— Do que você vai viver, então? — Harry exigiu. — Porque, estou avisando, não é sua inteligência e personalidade encantadora!

— Muito engraçado, Sr. Potter — Snape zombou, — mas tenho outros talentos à minha disposição. Preciso apenas de um escritório – algum lugar onde não seja perturbado por sua tagarelice intrometida.

— Assim que o treino começar, estarei fora o dia todo! — Harry protestou.

— Eu preciso — disse Snape, meticulosamente, como se Harry fosse espetacularmente denso, — um espaço só meu. Você não tem lugar nenhum?

— Pode haver espaço para uma mesa no armário com a máquina de lavar — disse Harry, pensativo.

—Então começarei imediatamente—, disse Snape.

.

— Isso é intolerável — reclamou Snape, trinta minutos depois. Ele estava de pé ao lado de Harry (e ainda vestindo suas vestes), que ergueu os olhos de seu novo sofá, onde estava lendo uma revista.

— Já? — Harry perguntou, suavemente, balançando os pés sobre a borda do braço surrado do sofá. — Você apenas começou.

—Eu não posso possuir meu sustento com aquela... coisa lá dentro.

— Está lavando minhas boxers. Está quase terminado — disse Harry.

— Isso perturba minha concentração.

— Você não vai dizer isso quando não tiver nenhuma roupa íntima limpa — Harry o lembrou.

Snape ergueu as mãos.

— Estou desesperado — exclamou ele.

— Por que você está tentando trabalhar hoje à noite? Você acabou de chegar! — Harry suspirou. — Não me importo se você ficar algumas semanas sem ganhar nada, tenho certeza que sobreviveremos.

— O que você gostaria que eu fizesse em vez disso? — Snape perguntou, carrancudo para ele.

— Você poderia desfazer as malas. Tomar banho. Me foder — Harry encolheu os ombros. — O que você quiser.

Snape ficou vermelho.

— Não haverá... nada disso — disse ele, virando-se.

— Nada disso? — Harry perguntou, sentando-se. — Nenhum de… Por quê? Olha, nunca discutimos o que aconteceu naquela noite...

— Eu não quero discutir isso. Preciso trabalhar — disse Snape, e desapareceu de volta na lavanderia.

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Harry bateu na porta de Snape às quinze para as dez, dizendo que estava indo para a cama agora, se Snape quisesse se juntar a ele. Não houve resposta. Harry cedeu um pouco e trotou de volta para o quarto, enrolado no edredom.

Ele estava apagando a luz quando Snape apareceu na porta.

— Por que você não tem uma cama de casal? — Snape retrucou, braços cruzados. — Eu estava esperando uma cama de casal.

— Em um apartamento para uma pessoa, em Londres, com apenas cinco cômodos? Você parece estar esperando muito esta noite — Harry resmungou, sonolento. — Pare de se preocupar e venha deitar.

— Você está usando alguma coisa aí embaixo? — Snape exigiu, afetadamente.

— Sim, mas sempre posso tirá-la — disse Harry, sentando-se um pouco, apoiado no cotovelo. Ele apontou para sua boxer desajeitadamente; inexperiente, mas não por entusiasmo. — Devo?

— Não — disse Snape, secamente. — Coloque uma camisa. Eu voltarei — e ele se foi.

Ele voltou, apenas dez minutos depois, e encontrou Harry deitado na cama, completamente vestido.

Harry até estava de casaco e sapatos.

— Muito divertido — Snape sibilou, fechando a porta irritado, vestido com uma longa camisa de dormir grisalha. Ele largou a trouxa de roupas na cadeira, apagou a luz e caminhou até a cama na escuridão.

Harry saltou um pouco, petulantemente, quando Snape se sentou ao lado dele. De volta a Snape e de frente para a parede, ele estava terrivelmente quente em seu casaco.

Snape se acomodou desajeitadamente ao lado dele, de costas, e ficou imóvel.

— Você pode remover isso, você sabe — Snape retrucou, de repente.

— Meu corpo ofende você — Harry resmungou.

— Não ofende — Snape disse, laconicamente. — O oposto, na verdade.

— Mas você disse que não haverá nada de...

— Eu… o assunto é… Precisamos fazer isso agora?

— Sim — disse Harry, sentando-se e franzindo a testa para onde achava que estava o rosto de Snape. — Nós precisamos. Você se mudou, assumiu o controle e proclamou que não haverá sexo, tudo em uma noite! Eu te digo que amo você e você simplesmente assume o controle! Isso não é... bem, normal! — ele terminou.

— Se você se lembra, eu também fiz um esforço na outra noite. Eu sempre posso ir embora — disse Snape, maldosamente, — se eu já tiver ultrapassado meu tempo de permanência tão cedo.

— Você nunca foi bem-vindo! — Harry retrucou. —Ah, não, você não! — ele gritou, jogando-se em cima de Snape enquanto Snape começava a se sentar indignado. — Fique aqui e me diga por que não podemos fazer sexo!

—Eu... sai de cima de mim, Potter! Não tenho consciência disso, é por isso — Snape rosnou, lutando sob o corpanzil de Harry. — Você viu o que aconteceu da última vez que nós… estivemos perto . Eu não consegui… encontrei…

— Por causa da minha mãe — Harry sibilou. — Vá em frente, eu te desafio a dizer isso!

— Ela dificilmente teria nos aprovado, não é? — Snape exigiu, empurrando Harry para longe. — Você tem esse poder fácil e casto da virgindade – o resto de nós não é tão simples!

— Então você fez sexo com outras pessoas – você não está apenas se guardando para minha mãe? — Harry exigiu.

Snape se recusou a responder.

29 de junho de 1999

Harry olhou para o folheto em sua mão.

— Diz que tem um jardim nos fundos? — ele perguntou, olhando pela pequena janela da cabana para a umidade rodopiante do lado de fora.

O jardim estava praticamente obscurecido – Harry podia ver a forma monstruosa de uma árvore, surgindo da neblina a alguns metros de distância.

— Quase um acre — sorriu o agente, — embora eu admita que parece um pouco difícil de acreditar no momento.

— É sempre assim? — Harry perguntou.

— De jeito nenhum! Embora não seja… raro…

Harry sorriu, ironicamente.

— Eu não me importo. Eu gosto disso. Eu estava... fui para a escola na Escócia, não muito longe daqui, na verdade.

— Há histórias que os habitantes locais contam sobre feras na neblina, algumas noites. Não é verdade, obviamente, mas você pode ver de onde eles tiraram isso. Alguns até juram que ouvem monstros marinhos chamando uns aos outros nas noites escuras.

— Parece perfeito — Harry murmurou. — Tem uma masmorra – um porão?

19 de janeiro 1999

— Isso é ridículo — disse Harry, caindo de joelhos contra a porta da lavanderia, a testa apoiada na madeira, cansada. — Bloqueado nas minhas próprias cuecas!

Snape saiu, armado com um maço de papéis e com uma carranca, dizendo: 

— Preciso fazer um anúncio.

Mas a roupa de Harry estava pronta e precisava ser seca. Mais urgentemente do que isso, ele ficou sem cuecas.

Havia um limite de vezes em que alguém poderia flagelar as calças antes de se tornar crítico.

Sabendo que Snape estaria furioso, Harry apontou sua varinha para a porta e sussurrou baixinho.

Sobre a pequena e transfigurada mesa de Snape (Harry não tinha ideia do que Snape usara para essa transfiguração – ele só esperava não precisar disso com urgência mais tarde) havia papéis salpicados de bolsos com a caligrafia pequena e apertada de Snape.

Harry pegou um pedaço rasgado e leu as palavras.

— Uma maldição que faz com que a vítima enfie violentamente a cabeça em seu próprio rabo... Severus! — balbuciou ele, pegando outro pergaminho e examinando-o. — Sente-se e veja seus dedos caírem um a um... Ewww! — Ele se encolheu, deixando cair o papel com repulsa. Havia muitas outras também, maldições mais sutis, psicológicas e cruéis, deliciosos tormentos...

Elas lembraram a Harry o discurso introdutório de Snape em seu sexto ano: ‘Você está lutando contra aquilo que não é fixo, mutante, indestrutível’, disse Snape.

‘Atormente seus inimigos com maldições belas, feitas sob medida, e horrores personalizados’, sussurravam os anúncios.

— Oh, Severus — suspirou Harry, largando os papéis. — Parece que as velhas fixações vencem no final... Foi por isso que você foi embora, para poder perseguir sua antiga obsessão?

31 de junho de 1999

Harry tocou a campainha com determinação, os três folhetos debaixo do braço. Era domingo; perfeitamente dentro das regras. Cavalos selvagens não o manteriam afastado esta manhã.

Snape estava curvado em sua cela, em sua cama, enfiado no canto do quarto. Ele olhou para Harry com expressão vítrea.

— Bem, você parece mais calmo. Olhe — disse Harry, ansioso, estendendo um dos folhetos —, estou comprando uma casa para nós, para que, quando você sair, possamos...

A mão de Snape se agitou e arrancou os papéis da mão de Harry. Eles se espalharam pelo chão.

— Ah — Harry sussurrou. — Ok… — Ele tentou sorrir. — Esse não, então. Imagino que você não goste desse, é um pouco decrépito – o banheiro fica lá fora, no galpão, pelo amor de Deus... Para ser sincero, gosto mais deste outro. É realmente isolado e fica na Escócia. Já estive lá à noite, colocando proteções e outras coisas, só para ver como era fácil. Acho que você gostaria de estar lá, dê uma olhada...

Snape cuspiu nele e tentou recuar contra a parede.

Harry largou o folheto novamente.

Sua mão tremia.

— Oh — ele disse, chocado; caudas de saliva escorrendo por sua bochecha. — Tudo bem. Está tudo bem — repetiu ele, entorpecido, enquanto a porta atrás dele se abria.

— Ele está agindo mal? — veio uma voz. — Talvez ele não reconheça você. Você não esteve exatamente aqui, não é?

Harry se virou cegamente, a umidade pinicando em seus olhos.

— O que? — ele sibilou. — Depois de quatro dias? E como eu deveria estar aqui , quando...

— É um milagre que ele tenha se lembrado de você, realmente – é melhor você ir. Se ele não souber quem você é, nada o impedirá de te machucar.

Harry, sufocado pela injustiça de tudo aquilo, procurou algo de Snape para beijar - mas o quarto estava vazio de tudo, exceto Snape, que parecia inacessível, e a cama.

Quando beijou o travesseiro de Snape, derramou lágrimas sobre ele. Nem Snape nem o auxiliar pareciam particularmente impressionados.

Harry quase conseguiu chegar ao portão, mas como ele conseguiu encontrá-lo, em meio à névoa de lágrimas, era um mistério.

.

Quando ele estava saindo pela porta externa, um alarme disparou. Harry se perguntou, miseravelmente, se era para alertar o mundo de que havia um idiota à solta. Mas algo muito mais sério parecia estar acontecendo.

— O que está acontecendo? — alguém perguntou, com urgência.

— Aquele animal imundo do treze arrancou um pedaço do braço de alguém. Ele vai ser abatido por isso, espere — veio uma voz irada, e uma mulher vestida de verde atravessou o pátio.

— Abatido… — O sangue de Harry gelou. Treze   — Você disse treze? — ele gritou, passando pela porta de ferro assim que ela se fechou. — Espere!

A mulher virou-se e olhou-o com impaciência.

—Sou parente do homem do treze – o que ele fez? — Harry exclamou.

— Oh. Ah, Sr. Potter, seu parente é claramente um perigo para si mesmo e para outras pessoas – neste tipo de situação, quando os funcionários são feridos, é procedimento padrão deixar o, er, animal ser sacrificado — ela balbuciou — e Harry podia ver isso rapidamente saindo de seu controle. Horrorizado, ele tirou a varinha do bolso.

— Dê-me suas chaves — ele rosnou. — Agora .

19 de janeiro de 1999

— Você não acha que isso é estúpido? — foi a recepção que Snape recebeu naquela noite.

Harry estava sentado de pernas cruzadas no sofá, vibrando bastante com energia nervosa. Ele estava cercado pelas pesquisas e esboços grosseiros de Snape e por inúmeras xícaras de café vazias. Provavelmente passou a tarde toda planejando como me repreender , Snape pensou amargamente.

— Vá em frente então — Snape resmungou, cruzando os braços e encostando as costas na porta fechada. — Coloque para fora.

— Eu... você mal saiu da prisão, Severus - quatro meses como Diretor reintegrado e então você se demite e faz essa merda... Como vou começar o treinamento de Auror em - o que - três semanas? Com o conhecimento disso , acontecendo na minha própria casa?

— Eu sempre poderia obliviar você. — Snape encolheu os ombros. Harry ficou louco.

— ISSO NÃO É UMA PIADA! Você é viciado em magia negra, é isso? — Ele demandou.

Snape olhou para seus braços, a cabeça inclinada para o lado, considerando.

— Talvez — disse ele, suavemente. — Não tenho permissão para ganhar a vida fazendo aquilo em que sou proficiente?

— Não quando envolve a queda dos dedos das pessoas - Severus, algumas dessas são horríveis!

Snape bufou.

— Bobagem rudimentar. Maldições infantis — Snape zombou.

— Maldições infantis - eu não acredito em você — Harry gritou, levantando-se de um salto. — Para crianças como meu sobrinho Teddy, suponho que você queira dizer? Ele deveria vir amanhã! Quero começar a cuidar dele, mas como posso fazer isso se você... devemos praticar isso com ele?

— Eu não quis dizer crianças de verdade — Snape retrucou, descruzando os braços cruzadamente. — Os escritores de maldições existem desde os tempos romanos, dificilmente...

— Aposto que suas maldições nunca fizeram o que estas fazem! — Harry rosnou, pegando punhados de trabalhos de Snape e amassando o papel em bolas. — Você precisa de ajuda séria.

— Besteira — Snape ficou de mau humor. — Não é nada.

— Tudo bem — Harry retrucou, — então desista.

— Acabei de postar meus anúncios — disse Snape, exasperado. — Dificilmente posso recusar negócios agora.

— Você vai — Harry gritou, os olhos brilhando, — ou você vai embora. Eu adoro você, mas você empurra e empurra - você vai sair desta casa!

Snape praguejou baixinho, agarrando-se novamente; dedos enrolados em torno de seus bíceps, então ele parecia estar se abraçando. Ele olhou para o chão, aparentemente avaliando suas opções muito rapidamente.

— Que tal —, disse ele, calmamente, considerando, — se eu me esforçar para que meus produtos não causem... nenhum dano corporal real?

Harry parou, piscando incerto.

—Melhor — disse ele, cauteloso, desenrolando os dedos contorcidos e deixando os papéis destruídos caírem no chão como folhas. Ele deu um passo em direção a Snape. —Mais. E quanto a pessoas como os Longbottoms? Nem toda dor é física.

— Você está cortando minhas malditas bolas aqui — Snape fez uma careta. — Além disso… nenhum dano psicológico também.

— Vá em frente — Harry sussurrou. Os olhos de Snape se arregalaram; ele claramente esperava que isso fosse suficiente. Snape pareceu bastante preso por um momento.

— Talvez se... os resultados das maldições nunca forem… — Snape parecia que ia ficar doente; como se a concessão o machucasse fisicamente, — permanentes.

—Bom — disse Harry, suavemente, como se estivesse acalmando um animal selvagem. Snape se virou, parecendo enojado.

— Então tudo que posso fazer, basicamente, é assustar as pessoas com falsidades como um maldito mágico trouxa — ele rosnou.

— Tenho certeza que você usará sua... criatividade — Harry disse, aproximando-se de Snape e passando os braços em volta do pescoço do homem mais velho, — para resolver alguma coisa. Você sempre cai de pé.

Snape passou um braço pela cintura de Harry.

— Mas você tem que prometer fazer essas coisas — Harry sussurrou no ouvido de Snape. — Prometa que não manterá uma linha separada escondida de mim.

Snape olhou para ele com cautela.

— É pedir muito, tão cedo em um relacionamento. Eu já desisti de tudo por você — Snape fungou.

— Você mal começou este negócio — Harry persistiu. — Eu amo você. Mostre-me que você... que você também se importa, fazendo isso por mim.

Snape fechou os olhos.

29 de junho de 1999

— Pela primeira vez na minha vida, eu escutei outras pessoas em vez de continuar errando de qualquer maneira - e veja aonde isso me levou! — Harry trovejou. Ele agarrou o pulso de Snape com força.

Snape o seguiu às cegas, tropeçando atrás, o rosto úmido e ferido e os olhos brilhando.

Drogado até os olhos, Harry pensou com raiva.

Assim como em Hogwarts, não havia aparatação nas dependências do hospital. Olhando ao redor descontroladamente, Harry empurrou Snape através de uma janela entreaberta e, jogando a cautela ao vento, arrastou Snape pelo gramado, em direção ao portão.

Procurando novamente a varinha no bolso (Como é que eu continuo me metendo nessas situações?), Harry apertou Snape com mais força.

As preocupações de Harry sobre como ele iria fazê-los passar pela segurança no portão externo deram em nada.

Ao ver Harry Potter, a varinha em punho e o rosto transformado em uma máscara fria, os olhos brilhando perigosamente, o homem os deixou passar silenciosamente, as dobras de gordura em seu pescoço balançando ansiosamente enquanto ele engolia.

Harry arrastou Snape pelo portão de ferro – ao grito de: 

— Não se atreva!

Ele virou. Um dos auxiliares – o homem que expulsou Harry na quarta-feira – estava correndo em direção a eles pela grama, mas Harry apenas deu de ombros e passou os braços em volta do pescoço de Snape.

Snape olhou para ele descontroladamente, e no momento seguinte – eles tinham ido embora.

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Eles aterrissaram no musgo macio e salpicado de orvalho do jardim atrás do chalé escocês.

Cambalearam; caíram.

Snape se levantou, com os olhos arregalados. Ele se arrastou por alguns metros e vomitou na grama.

Harry caiu de costas e ficou ali, ofegante, olhando para o céu enquanto pequenos pontos explodiam na frente de sua visão.

Ele se assustou com o som de pano rasgando. Apoiando-se nos cotovelos, ele observou, congelado, enquanto os feitiços que mantinham as roupas de Snape se desfaziam.

Snape, com o peito nu, rasgou a própria pele e o horrível pijama branco, contorcendo-se e tremendo como se estivesse coberto de formigas.

Ele havia rasgado suas roupas em segundos.

Hipnotizado, a garganta de Harry ficou seca enquanto ele olhava para a mancha esquelética de pêlos escuros e escorridos no peito de Snape. A caixa torácica de Snape era cruelmente visível sob a pele cheia de cicatrizes, e os ossos do quadril se projetavam nitidamente, como facas. Magro e pálido, Snape tinha músculos nos braços que pareciam envolver os ossos como hera, junto com várias tatuagens, a maioria das quais pareciam ser cobras. A Marca Negra ainda estava parada, muda e com aparência ressecada, no antebraço esquerdo de Snape.

Snape cerrou os dentes enquanto arranhava a cueca engomada que o hospital lhe dera - Harry cerrou os dentes também -, nunca antes havia visto - oh, meu Deus!

Harry, sentindo-se bastante feroz ao ver o pênis grosso e corado de Snape, pendendo pesado e imponente sobre suas bolas grandes e pendentes, gemeu. Ele afundou de novo na grama enquanto Snape, completamente nu e suado, fugia para os arbustos.

Harry torceu desesperadamente para que as suas proteções caseiras resistissem.

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Snape se recusou a se aproximar de Harry (ou da casa) por três dias.

Harry ficou dentro de casa, como um fantasma, com as portas e janelas trancadas, observando ansiosamente pela janela do quarto. Não tinha certeza se era prudente sair de casa.

O efeito das poções que Snape havia tomado deve estar passando.

Harry não queria encarar a possibilidade de que Snape simplesmente o atacasse, então ficou onde estava, vislumbrando ocasionalmente Snape rondando o terreno como uma fera ferida.

Aos poucos, foi criando coragem para encarar a possibilidade muito real de que Snape o tivesse esquecido completamente.

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Harry estava sentado no gramado, segurando uma xícara de chá e olhando fixamente para o nada, tentando corajosamente não ouvir passos – quando ouviu um rosnado agudo atrás dele. Snape se aproximou dele, de surpresa.

Harry deu um pulo e derramou o chá.

Ele se virou, o coração martelando no peito. Snape estava sentado a alguns metros de distância, com as palmas das mãos voltadas para cima e uma expressão irritada e agravada no rosto.

Ele fez uma careta para Harry; hesitante, ao que parecia, em se aproximar ainda mais.

— Ei — disse Harry, largando a xícara de chá na grama e rastejando. — Você está – maldito inferno. Suas pobres mãos. Você caiu em um arbusto?

As mãos de Snape estavam cheias de espinhos. Ambas as palmas, como se Snape tivesse tropeçado, e usado as mãos para amortecer a queda. Seu corpo estava cheio de arranhões, hematomas, picadas de insetos e manchas de sangue seco.

Harry permitiu que seus olhos – apenas por um momento de culpa – caíssem no colo de Snape. Pelo menos isso parecia saudável; o pau do homem mais velho estava sonolento contra uma de suas coxas.

Posso verificar isso para você também, se quiser, pensou Harry, depois deu um tapa em si mesmo. Harry ruim. Não se aproveite disso.

Snape continuou a olhar furioso para ele, e Harry, nervoso, aproximou-se um pouco mais. Ele pegou as mãos ensanguentadas de Snape.

— Está tudo bem — disse Harry, suavemente. — Eu resolvo isso para você. Você se lembra de mim, não é? Eu nunca faria mal a você…

Snape fungou, mas permaneceu firme enquanto Harry gentilmente começava a arrancar os espinhos de sua pele.

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Algo pareceu mudar entre eles depois disso. Harry saía e Snape inevitavelmente se aproximava dele em algum momento, cheirando-o ou deixando Harry acariciar suas costas (não seu cabelo, nunca seu cabelo).

Harry supôs que Snape estava começando a se lembrar dele, mais uma vez. Ele estava quase tonto de alívio e felicidade.

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Havia um acre de jardim anexo à casa, isolando-a da estrada num casulo de árvores. A casinha tremia à beira de um bosque escuro. Árvores estranhas e sinistras surgiram cautelosamente nas terras de Harry.

Agora era a terra de Harry – ele tinha estado na aldeia. Quando questionado sobre quando gostaria de se mudar, Harry foi forçado a confessar:

— Hum, já estamos acomodados.

— Nós? — o agente perguntou. — Quantos de você?

— Só eu — disse Harry, sem jeito. — Eu e… meu animal de estimação bastante incomum.

— O quê, como uma iguana ou algo assim?

— Erm — Harry corou, — não. Não exatamente.

A maior parte do jardim era composta por arbustos gigantes espalhados ao redor de um gramado não cortado recentemente, mas não coberto de vegetação, com margaridas espalhadas. Harry imaginou Snape aqui, como costumava estar. Ajoelhou-se no chão, talvez, com amuletos nos punhos para manter a camisa impecável, porque não queria arregaçar as mangas e expor os braços...

Até o novo Snape parecia mais calmo aqui.

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Harry fez tentativas silenciosas de ser civilizado, mas tentar fazer Snape dormir na cama do chalé provou ser quase impossível. Snape imediatamente não gostou disso.

Um pouco desesperado, Harry tentou arrumar uma pilha de cobertores para ele nas lajes quentes do chão da cozinha, desejando que Snape não dormisse nos arbustos e morresse. Mas Snape torceu o nariz para isso e saiu andando, como um gato grande e imperioso.

No final, Harry se contentou em jogar os lençóis pretos em uma pilha no corredor e se esconder na curva da escada, esperando tristemente, como uma espécie de espasmo apaixonado.

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Enroscado no tapete da escada, ele adormeceu e acordou quando o sol se punha, bem a tempo de ver o último cobertor sendo arrastado para a cozinha.

Ele desceu as escadas e espiou dentro – e se divertiu ao encontrar Snape ocupado arrumando lençóis (com uma expressão muito séria) em um ninho debaixo da mesa da cozinha.

Ajoelhado na porta, enrolado e pronto para recuar, Harry sorriu.

— Espaço para mais um? — ele perguntou, suavemente. A cabeça de Snape se levantou – ele olhou para Harry através da escuridão, desconfiado, antes de se acomodar em seu ninho e puxar os lençóis sobre sua cabeça.

Desanimado (talvez ele realmente não se lembre de mim, afinal), Harry subiu as escadas e pegou seu edredom e um travesseiro, antes de se acomodar no chão da cozinha, a alguns metros de distância.

— Boa noite, então — ele sussurrou, apontando a varinha para o fogo e tirando os óculos. À medida que as chamas diminuíam, ele acrescentou: — Eu amo você.

Não houve resposta.

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Harry acordou, aquecido (e com cãibras) ao descobrir que Snape o havia recolhido durante a noite, como uma pega coleta objetos brilhantes – ele estava deitado no ninho de Snape, com Snape meio em cima dele.

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Ron e Hermione apareceram na quinta-feira com uma cesta dizendo 'Bem-vindo à sua nova casa'.

Literalmente.

— Desculpe por isso, cara — Ron murmurou, desculpando-se, enquanto Harry rapidamente esvaziava o conteúdo na mesa e jogava a cesta no quarto de hóspedes. — Eles disseram que o encanto desapareceria muito rápido.

— Está tudo bem — disse Harry. — Talvez isso divirta Severus um pouco. Ou o assuste.

— Talvez você devesse comprar um brinquedo para ele mastigar — Ron sorriu, sentando-se confortavelmente em uma das cadeiras de Harry com um pouco de arrogância.

— Alguém mandou uma daquelas coisas que rangem — Harry resmungou, mexendo nos presentes que estavam sobre a mesa. Chá, chocolate, biscoitos, manteiga e um pote de marmelada. Nada que Severus realmente gostasse. — Ele arrancou a cabeça e eu encontrei o corpo boiando no vaso sanitário.

Ron sentou-se.

— Ele usa o banheiro? — ele ficou boquiaberto. Harry revirou os olhos.

— Não seja estúpido — disse ele.

— Então você não dá a ele uma caixa no canto com, como se chama? Ninhada de gatinho? — Ron pareceu achar isso hilariamente engraçado. Hermione sorriu, sem jeito, seus olhos indo cautelosamente para o rosto de Harry.

— Felizmente — disse Harry, com a voz entrecortada, — nunca tive que me preocupar com isso.

— Por que? — Rony perguntou. — Onde você o guarda?

— Guarda?— Harry disse, olhando ao redor. — Tipo, trancado, mantido?

— Ele está solto? — Ron gritou, se debatendo na cadeira enquanto lutava para ficar de pé. — Aqui? Onde ele está agora?

— Não consigo imaginar — Harry encolheu os ombros. — Provavelmente no jardim; ele gosta de lá. Ele dormiria lá fora se eu não o atraísse todas as noites — acrescentou, apontando para o ninho de cobertores debaixo da mesa – e então enrubesceu. Felizmente, Ron não percebeu.

— Você não tem medo que ele venha até você enquanto você dorme? — Rony exclamou. Essa foi uma escolha de palavras tão infeliz que Harry decidiu de repente que realmente precisava preparar chá para todos agora, e levantou-se rapidamente.

— Eu senti as proteções quando entramos — Hermione interrompeu, falando pela primeira vez desde sua chegada. — Elas estão por toda a casa?

— Em toda a borda do jardim — Harry a corrigiu, segurando a chaleira sob a torneira aberta. Ele se virou – para encontrar Ron olhando para ele boquiaberto. Hermione levantou-se.

— Falando em banheiro — disse ela, e sorriu timidamente para Harry ao sair da sala.

— Ele é selvagem, Ron, não raivoso — Harry retrucou, batendo a chaleira no suporte.

— Qual é a diferença?

— Ele não ataca nada que se mova — Harry rosnou. — Além dos esquilos — ele emendou. — Ele odeia esquilos.

— Você poderia ter nos avisado — Ron murmurou, acusadoramente.

Então, de fora, no corredor:

Aaaaah!  

O grito de Hermione gelou Harry até os ossos instantaneamente.

— Mione? — Ron uivou, agarrando a camisa de Harry e arrastando-o enquanto ele disparava pelo corredor – para encontrar Hermione sentada na escada, parecendo um pouco pálida.

Snape (nu – Harry também empalideceu) estava ajoelhado diante dela, a cabeça em sua barriga. Ele parecia estar ouvindo alguma coisa.

Por causa do ângulo, entretanto, Ron claramente entendeu errado –

— Afaste-se dela, sua fera imunda! — ele gritou. Mas Hermione ergueu a mão, cansada.

—Ele está bem — ela sussurrou. — Dizem que os animais podem sentir coisas…

— O que ele está sentindo? — Ron exigiu. — Com o rosto dele tão perto da sua -

— O bebê — Hermione disse simplesmente. Ela olhou para Ron suplicante. — Não faça alarde aqui, por favor -

Bebê? — Ron e Harry engasgaram, em uníssono. A notícia pareceu chegar mais rápido para Ron do que para Harry. Então o ciúme o atingiu.

— Saia! — Ron gritou, saltando sobre Snape como um homem possuído. Assustado, Snape se virou com um grunhido – e Ron congelou ao ver a genitália bastante proeminente de seu ex-professor.

Ele não está duro, está? pensou Harry freneticamente, olhando por cima do ombro de Ron. Felizmente, Snape não estava. Ele estava apenas nu. Harry esperou ansiosamente pela reação de Ron.

Ron começou a rir.

— Oh meu Deus! — ele chiou. — Olhe para o dele… ha! Maldito Snape está bem, hein...

— O que há de engraçado nisso? — Harry exigiu. — Ainda não está na idade em que você pode ver o pau de outro homem sem rir como uma menina?

Ron ficou sóbrio, piscando perplexo ao ver Hermione e Harry olhando para ele, decididamente impressionados.

— Eu... me desculpe — Ron engoliu em seco, — é só… — Ele olhou para Snape, nervoso. —Acho melhor irmos, Hermione, não é? Antes que Snape descubra que você está grávida de gêmeos.

Harry bufou.

— Essa é a pior desculpa para você ir embora que eu já ouvi — ele provocou. — Você não está com medo!

— O que é mais estranho, Harry — disse Ron, pegando Hermione com cuidado, — é que você não está.

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— Você já tentou... eu sei que isso vai parecer absurdo, Potter, mas... brincar com ele? Você sabe... como um gato? — Minerva perguntou, parada no gramado de Harry observando Snape tentando pescar coisas no lago.

— Você acha que ele brincaria de buscar se eu jogasse um pedaço de pau? — Harry perguntou, sarcasticamente.

Minerva encolheu os ombros, resmungou: 

— Eu faria isso — e voltou a reforçar as proteções.

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Ele tentou, naquela tarde. Snape estava cavando – ele adorava cavar. Muitas vezes, ele vinha buscar Harry onde quer que Harry estivesse (fingindo jardinagem, principalmente) e o jogava no buraco.

— Ei! — Harry balbuciou, na terceira vez que isso aconteceu, cuspindo sujeira da boca. — Qual é a ideia?

Snape o ignorou, fez uma careta e se afastou. Ele teria parecido mais imponente se não estivesse completamente nu. Harry supôs que deveria fazer algo sobre isso, em algum momento...

— Severus! — ele chamou.

Snape se virou, provavelmente mais por causa do barulho alto do que pelo uso de uma palavra familiar, e piscou para ele. Harry jogou o bastão fracamente, um sorriso de desculpas no rosto. Aterrissou no chão com um 'baque' embaraçoso.

Snape olhou para Harry como se ele tivesse enlouquecido.

— Er… vai pegar? — Harry tentou. Snape foi embora (se ele tivesse rabo, Harry suspeitava que estaria no ar, enojado). — Valeu a pena tentar — Harry suspirou. — Talvez ele perseguisse alguma coisa…

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Snape perseguia. Contanto que se chamasse Harry. Ele havia golpeado a bola com uma pena e um sino que Harry havia rolado esperançosamente para passar por ele, mas estava mais do que disposto a vagar de sala em sala quando Harry tirava a camisa.

Harry ficou tentado a remover mais, mas não tinha certeza do que Snape faria se o pegasse.

10 de fevereiro de 1999

— Nada de magia negra na cama — disse Harry, parado na porta do quarto, batendo os dedos impacientemente nos cotovelos dobrados.

Snape, sentado na cama de Harry, curvado e mal-humorado, ergueu os olhos dos pergaminhos e fez uma careta para Harry, com a pena na mão.

— Devo criar um anúncio e proteger os direitos autorais de minhas criações não ilegais . Você poderia ajudar, em vez de reclamar — acrescentou Snape, olhando furiosamente para Harry por baixo das sobrancelhas. Harry reprimiu a resposta que reclamava de seu longo dia fazendo seu novo treinamento de Auror; exaustão, dores generalizadas... Uma massagem, talvez, teria sido bom. Ou um banho. Mas não…

— Você está criando um catálogo para enviar? — Harry perguntou, sentando de pernas cruzadas no edredom e pegando um dos papéis. A caligrafia de Snape era tão confusa que Harry teve que apertar os olhos para entender as palavras reais.

— Que excelente ideia — Snape zombou, arrancando o papel dos dedos curiosos de Harry. — Uma lista de todos os produtos ilegais que forneço. Para que, quando os Aurores vierem, eles possam dar uma olhada rápida e me mandar direto para...

— Você disse que elas não seriam ilegais — Harry resmungou, descruzando as pernas infeliz e esfregando as panturrilhas. — Você pode me obliviar depois disso, por favor?

— Eu não fiz isso — Snape respondeu, suavemente. — Eu disse que elas não deixariam nenhum dano físico ou psicológico duradouro. Você ainda tem a caligrafia de um babuíno? — ele acrescentou, jogando um maço de formulários incompletos no rosto de Harry.

— Sim — Harry respondeu, petulantemente, pegando-os e pegando a pena, — mas pelo menos a minha está legível. Vamos, então. — Ele olhou para o formulário. — Você não preencheu o nome deste aqui, o que é -

— Qual? — Snape perguntou, sentando-se e inclinando-se sobre o ombro de Harry (este é o mais perto que estivemos da cama, Harry pensou). — Ah. O, er... impulso primordial.

— Impulso? — Harry disse, olhando para a escrita. — O que isso faz?

— Não tenho certeza sobre isso, deixe para o final — Snape fungou. — Ainda não testei.

— 'Isso reduz a vítima a um estado de instinto animalesco primitivo' — leu Harry. Ele olhou para Snape, abotoado até o pescoço com uma camisa de dormir puída. — Parece bom.

Snape olhou para ele com desprezo.

— Tire sua mente da sarjeta — Snape retrucou, pegando o papel de volta. — Agora, vou ditar os ingredientes e você deve transcrever.

— Ditado na cama — Harry suspirou, se acomodando (e tentando afastar sua ereção). — Quem disse que o romance adulto era chato.

18 de julho de 1999

Harry entrou na sala de estar de teto baixo do chalé e congelou.

Snape estava deitado de bruços no novo sofá de couro e estava... se esfregando nele. Ele estava com os olhos fechados, os dentes à mostra e os dedos agarrando o couro abaixo dele como garras. O suor escorria por sua bochecha e pingava no estofamento.

Harry saiu da sala e ficou no corredor, com o coração batendo forte no peito (possivelmente tentando tirar o sangue da virilha e voltar ao resto do corpo novamente...).

Porra! Isso era quase tão ruim quanto a vez em que ele tentou dar um banho em Snape. Aquilo não tinha saído como Harry havia imaginado…

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Harry conseguiu atrair Snape para o banheiro com um feitiço que fazia estranhas luzes verdes semelhantes a cobras deslizarem pelo tapete. Ele recompensou Snape (que estava sentado inocentemente na banheira) com uma coxa de frango.

Ele ligou o chuveiro. Snape gritou.

— Não! — Harry gritou, enquanto Snape se debatia e o atacava. — Algo precisa ser feito com seu cabelo – você parece uma alma penada!

Agarrando o pulso de Snape enquanto o homem tentava fugir, Harry conseguiu verificar a temperatura da água com a outra mão – então pegou o chuveiro e apontou para Snape.

Justamente naquele momento, porém, Snape atacou; e escorregou, caindo de volta na banheira.

— Oh – oh, Deus, sinto muito – você está... Oh! — Harry exclamou, o rosto em chamas. Pois Snape agora estava deitado de costas com as pernas abertas (uma expressão ligeiramente atordoada no rosto), a água quente caindo em cascata do chuveiro e... em suas bolas.

Enquanto Harry observava, fascinado, o pênis de Snape começou a se alongar e engrossar, ficando vermelho e túrgido... Os olhos de Harry ficaram muito redondos quando Snape jogou a cabeça para trás e ofegou.

Houve um momento em que Harry percebeu que segurar o chuveiro daquele jeito por mais tempo significava que ele estava dando prazer a Snape deliberadamente, em vez de apenas fazer isso acidentalmente...

Ele poderia tê-lo deixado cair e recuado, mas não o fez.

Ele aumentou a pressão.

Snape rosnou, com os olhos fechados. Harry observou, sem hesitar, enquanto Snape começava a se contorcer, como se estivesse sentindo dor. Harry verificou calmamente a temperatura da água. Sentiu-se estranhamente desconectado - em choque - como se, em vez disso, tivesse lançado Cruciatus em Snape…

De repente, Snape arqueou as costas, franzindo o rosto quando um espasmo de prazer pareceu assaltá-lo e um rugido foi arrancado de sua garganta. Harry baixou os jatos de água para que eles fluíssem sobre as bolas de Snape, para que ele pudesse observar os jatos perolados pulsando da ponta do grande pênis de Snape...

Ele desligou o chuveiro e recostou-se na parede, respirando com dificuldade. Snape ainda estava com os olhos fechados. Harry olhou para suas próprias roupas e percebeu que estava encharcado.

— Eu... me desculpe — Harry gaguejou, — você parecia... Inferno — ele suspirou, — você não pode me entender de qualquer maneira, não importa o que eu diga... Você foi lindo pra caralho.

Snape levantou-se e saiu da banheira, bastante trêmulo. Ignorando Harry, ele saiu da banheiro.

Harry colocou a cabeça entre as mãos.

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Ele não conseguiu dormir naquela noite. Tudo o que ele conseguia pensar era na maneira como o corpo de Snape se arqueava e tremia quando ele gozou – intercalado com a voz de Rony, dizendo: “Ele é um animal. Não é melhor que um cachorro; isso é nojento! Harry teria que ser algum tipo de pervertido…”

Eu certamente me sinto um pervertido , Harry pensou sombriamente.

Ele ficou tão tentado a fazer mais; tocar Snape e convidar o outro homem a tocá-lo... Mas Snape nunca tinha sido capaz de fazer sexo antes, restringido por... quaisquer que fossem suas inibições. Se algum dia ele se recuperasse, ficaria furioso com Harry por não respeitar seus desejos anteriores.

Preciso da companhia de pessoas; Juro que estou enlouquecendo aqui. Nós dois acabaremos selvagens se eu não tomar cuidado ...

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‘Harry Potter convida você para um churrasco em família no Chalé do Caçador no domingo, 23 de julho, às 14h30. Se você quiser participar, não precisa levar nada, apenas você mesmo’.

— Churrasco em família? — Ron disse, intrigado, passando o cartão para Hermione enquanto Edwiges II desfilava impacientemente para cima e para baixo no parapeito da janela. — Ele não está falando sério, está?

— Acho que sim — Hermione sorriu, examinando o cartão pensativamente. — E le provavelmente está sozinho naquela casa, com apenas Snape por -

— Snape! — Ron interrompeu, batendo na mesa de repente. — Em um churrasco? O que Harry está pensando? E se ele estiver nu – isso vai me desanimar!

— Tenho certeza de que Harry não está nos convidando para ficar boquiabertos com seu namorado nu — Hermione franziu a testa. — Use o Flu para George, você e sua mãe. Veja se eles também foram convidados.

Ron se levantou, a contragosto.

— Tudo bem... eu ainda não entendi. Um churrasco quente, muita gente e um lunático solto. Dificilmente parece bom desde o início.

— Harry não é estúpido — Hermione disse brevemente. — Ele provavelmente pensou em todos... bem, pelo menos em alguns dos problemas. E ele provavelmente percebeu — ela acrescentou, sorrindo para Rony por baixo das sobrancelhas, — que esta é a única chance dele de ter um – você consegue imaginar Snape em um churrasco normalmente?

— Não — Ron estremeceu. — Suponho que, desde que ele não esteja nu, pode ficar tudo bem…

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— Por favor, vista a camisa, Severus — Harry implorou, seguindo Snape descontente para fora do banheiro, apertando a camisa preta contra o peito, — mesmo que você não use a gravata borboleta ou as calças - apenas experimente a camisa... 

Os convidados chegariam em meia hora (Harry checou nervosamente o relógio). Tudo estava preparado; a churrasqueira fumegava do lado de fora, no jardim, e dentro a mesa da cozinha estava cheia de comida e vinho. Havia luzes no jardim e bandeirolas (sem balões - um havia estourado quando Harry o encheu e Snape enlouqueceu), e Harry finalmente tinha feito a fonte funcionar... Estava perfeito.

Exceto que Snape não estava usando calças.

Harry estava a ponto de enfeitiçá-la nele, como se estivessem no hospital, e isso o encheu de infelicidade.

— Por mim? — ele perguntou, curvando-se para espiar debaixo da cama, onde Snape havia se retirado para ficar de mau humor. Snape rolou de costas para Harry e o ignorou.

— Merda — Harry murmurou, jogando as roupas no chão.

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— Bem — disse Luna Lovegood, bebendo seu coquetel criado pessoalmente (que mudava de cor e assobiava toda vez que ela bebia), — não é delicioso?

O senhor e a senhora Weasley trocaram olhares ansiosos.

Ao redor do círculo, Ron tomou um gole de sua bebida e não disse nada, os dedos agarrando com força o braço de sua cadeira de jardim. Hermione sorriu para Luna e girou o gelo em seu copo de limonada. George sorriu, a natureza surreal da situação não passou despercebida. Ginny parecia estar tentando não chorar.

Neville parecia positivamente aterrorizado.

Ninguém falou. Um tanto desesperada, Hermione tentou distribuir as batatas fritas – mas quando chegaram até Ron, ele começou a enfiar punhados enormes e um pouco histéricos na boca.

Arthur se levantou, dando tapinhas tranquilizadores no ombro de sua esposa ao passar. Ele foi se juntar a Harry no churrasco.

— Tudo bem, Harry? — ele sorriu, dando um tapinha nas costas de Harry. Harry, curvado sobre as brasas, cutucou as fileiras escaldantes de salsichas, hambúrgueres e asas de frango e tentou sorrir.

— Adorável — disse ele, um pouco selvagemente.

— Ele está... ele está bem aí embaixo? — Arthur perguntou, piscando consternado com a forma deitada de Snape, enrolado sonolento ao redor dos pés de Harry como um grande gatinho preto.

— Ele está bem — Harry disse. — Ele está aquecido.

— Bem — Ron encolheu os ombros, enquanto esvaziava o copo e pegava outro, — pelo menos você pode finalmente fazer algo sobre o seu horrível... você sabe.

— Seu horrível o quê? — Harry perguntou, piscando em confusão.

— O cabelo dele! — Ron exclamou, sorrindo inutilmente, como se Harry fosse um idiota por não ter pensado nisso antes.

— Oh, você quer dizer que eu poderia lavá-lo? — Harry refletiu. — Eu tentei – você já deu banho em um animal? Ele odeia isso.

— Lavar? Não, eu quis dizer cortar! — Ron bufou.

Harry teve uma imagem mental do pobre e tosquiado Snape, enroscado tristemente no canto da cozinha.

— Eu não posso fazer isso, Ron – foi decisão dele deixar longo! Ele pode estar, er, diferente agora, mas não está morto!

— Eu gosto da gravata borboleta dele — Luna disse. A Sra. Weasley se encolheu. O sorriso de George se alargou.

— Obrigado — disse Harry, estremecendo. — Mas não pense que ele está muito interessado nisso.

— Como você fez com que ele usasse isso? — perguntou George.

— Está enfeitiçado. Tudo está, na verdade… — Harry parou, tristemente.

— Gosta de sentir o chamado da natureza, não é? — George sorriu. — Bom homem. Posso imaginar se Dumbledore estivesse aqui – o que ele diria? ‘Eu também sou a favor de nadar pelado’, provavelmente.

Harry sorriu agradecido para ele.

— Aposto que ele teria ficado de meias — ele sorriu.

George explodiu em ataques de riso.

— Oh sim! Você pode imaginá-lo entrando no lago com suas meias das cores do arco-íris! Gênio — ele riu.

— Rapazes — a Sra. Weasley murmurou, — não falem mal dos mortos, isso não é legal.

— Não estamos falando mal dele, mãe — disse George, enxugando as lágrimas dos olhos, — nós amávamos Dumbledore. Aposto que Fred teria...

— Fred não está aqui — Ginny retrucou. O rosto de George se contraiu.

Silêncio.

— O que é esse curativo no seu pulso, Harry? — Hermione chamou.

— Ele — Harry resmungou, acenando até as pontas dos pés, onde Snape estava deitado, adormecido (por enquanto). — Foi a maneira dele de dizer que não gostava muito da gravata borboleta.

— Ele morde você?— Neville guinchou.

— Pobre Neville — disse Hermione, dando um tapinha consolador no joelho de Neville. — Ele ficava petrificado com o professor Snape mesmo antes de ele começar a, er, morder...

— Eu estou bem! — Neville gritou. — Desde que ele fique com o Harry.

— O quê, para que ele possa me morder? — disse Harry, sombriamente, olhando para um pacote fumegante de peixe assado, embrulhado em papel alumínio. — Felicidades.

— Quem quer mais cerveja? — Arthur disse, de repente, batendo palmas tão abruptamente que Snape se encolheu, acordou e levantou a cabeça.

— Eu vou te ajudar — Ron disse, levantando-se tão rápido que a tigela de batatas fritas em seu colo quase voou.

— Eu também! — disse Neville, olhando para Snape com tristeza.

.

O jantar foi igualmente tenso; Harry sentiu que ia explodir. Ele estava profundamente arrependido de ter convidado tantas pessoas.

Os únicos sons durante muito tempo foram os assobios ocasionais enquanto Luna tomava seu estranho coquetel.

Todos pareciam paralisados ao ver Harry, sentado na grama com Snape ao seu lado, escolhendo cuidadosamente os melhores pedaços de seu frango e peixe.

Ron, que evidentemente esperava que Harry jogasse as sobras para Snape, na verdade deixou cair o garfo quando Harry começou a alimentar seu namorado com a carne cuidadosamente adquirida.

Snape comeu a carne direto da palma da mão de Harry sem nenhum pingo de constrangimento, lambendo a palma de Harry para limpá-la e nem mesmo olhando para cima quando Harry ocasionalmente se abaixava para dar um beijo no topo da cabeça de Snape, como se estivesse acostumado com tudo isso.

— Ele gosta de frango, então? — disse George, que observava os dois com bastante melancolia.

— Sim. Qualquer carne, na verdade. Ele gosta de triturar os ossos das coisas — disse Harry em voz alta, bebendo um gole de sua taça de vinho e sorrindo para si mesmo quando Neville choramingou em seu cachorro-quente.

— Ele come coisas cruas? — perguntou George. Sua mãe lhe deu uma cotovelada na lateral do corpo, discretamente.

— Eu tento não deixar — Harry respondeu, pensativo. — Você ouve falar de todos os insetos e coisas que estão na carne crua... Não é como se ele tivesse a constituição de um animal. Embora às vezes ele traga coisas para casa, pássaros e roedores feridos. Nem sempre estou lá para fazê-lo deixá-los ir.

— Então ele os come? — Neville gaguejou, agarrando seu prato de papel com tanta força que as bordas sob seus dedos viraram mingau.

— Ele gosta mais de enterrar coisas — Harry refletiu. — Ele gosta de perseguir as coisas e arrancar suas cabeças, mas ele nunca come de verdade...

— Você está bem, Neville? — Luna perguntou de repente, inclinando-se atentamente. Neville ficou branco, olhando para Snape, congelado com a garfada de frango a meio caminho da boca...

Harry olhou para Snape – e percebeu que ele estava observando Neville como um falcão.

— Ele parece ter se interessado por você — disse Harry, cautelosamente. — Ou pode ser o frango. Jogue o frango para ele e talvez ele...

Neville arrancou a carne do garfo com dedos trêmulos e jogou-a na direção de Snape, mas foi um arremesso fraco e torto.

Snape rosnou, seu cabelo caindo sobre seu rosto.

— Merda, ok — disse Harry, ficando de pé enquanto Snape começava a rondar a grama de quatro em direção a Neville horrorizado. Ao redor de Neville, as pessoas largavam os pratos e lutavam para se levantar. — Er, talvez ele se lembre de você? Não sei como – Severus! Deixe-o em paz! Severus! — Harry latiu, estendendo a mão para agarrar a parte de trás do colarinho de Snape... enquanto Snape atacava, faíscas vermelhas estalando em seus dedos com garras.

Neville gritou – um som desesperado e de gelar o sangue – e tombou a cadeira para trás enquanto se debatia e tentava se levantar.

Harry? — ele uivou, cambaleando para trás como um caranguejo pela grama enquanto Snape o perseguia, os olhos estreitados, chamuscando o chão enquanto brasas mágicas disparavam, selvagens e descontroladas, de suas palmas. — Chame ele!

— Não posso! — Harry chamou, agarrando freneticamente as roupas de Snape novamente enquanto corria atrás dele. — Entre em casa e tranque a porta!

— Que diabos? Você não é um bruxo? — ele ouviu Ron bufar – e então um feitiço passou por ele e mergulhou no chão, espalhando grama e terra em todas as direções.

— NÃO! — Harry gritou, enquanto Snape gritava e se esparramava pelo gramado, os dedos arranhando a terra febrilmente.

Snape caiu, e uma bola de fogo terrível e negro explodiu de sua mão, passando por Rony e disparando em direção à floresta.

Ron gritou e ergueu a varinha novamente, e Harry viu a morte de Snape nos olhos de Rony – ele saltou sobre Rony, arrancando o bastão de seus dedos.

Harry virou-se para encará-lo estrondosamente enquanto seus convidados observavam Snape fugir aterrorizado pelo gramado.

— Brilhante, Ron, simplesmente maravilhoso — Harry retrucou. — Você vem até minha casa e ataca meu namorado -

— Foda-se! — Ron rosnou e Harry parou, chocado. — Você nos convida aqui, e ninguém sabe realmente o que fazer, mas todos nós viemos, e então seu Mestre de Poções de estimação ataca o pobre Neville – há quanto tempo você sabe que ele pode fazer mágica, aliás? Ele é letal pra caralho!

— Eu não sabia; ele nunca fez isso antes! — Harry protestou, esfregando a nuca. — Eu... terei que fazer algo a respeito, eu acho.

— Não brinca! — Neville guinchou, espiando pela janela da cozinha.

— Sempre soubemos que Snape tinha magia negra em seus poros – parece que seu corpo se lembra disso — Hermione murmurou.

— Você tem que resolver isso! — Neville interrompeu, agarrando-se ao parapeito da janela.

— Resolver? O que diabos você quer dizer com 'resolver'? — Harry gritou, fazendo Neville estremecer e se afastar da janela. — Como você quer que eu 'resolva', Neville - mais drogas, é isso?

— Todo mundo precisa se acalmar — Molly interrompeu, olhando apreensivamente para o marido. — Harry não sabia que Snape reagiria de forma tão selvagem, mas não é de surpreender. Ele está trabalhando por instinto.

— O que — Ron bufou, — instinto assassino? O que você vê nele? O que você viu nele?

— Rony! Você não pode esperar que um animal selvagem se adapte aos nossos padrões humanos de moralidade — Hermione interrompeu – mas um olhar furioso de Ron a silenciou.

— Esperar? Não, Hermione, você está certa — Ron chorou. — Não podemos esperar estar perto de um animal selvagem e fazer com que ele se comporte como faríamos – então por que diabos estamos sendo convidados aqui, é isso que eu gostaria de saber!

.

— Bem, isso foi um maldito pesadelo — disse Harry a Snape, que havia se aproximado das brasas da churrasqueira e os observava assobiar enquanto Harry segurava a mangueira sobre elas.

Ele havia considerado apenas usar um feitiço, mas já estava farto de magia por uma tarde. Além disso, os feitiços deixavam Snape nervoso, e ele levou várias horas para emergir dos arbustos. Snape parecia estar escondido em uma cerca viva; seu cabelo estava ainda pior do que nunca.

Harry encolheu os ombros e virou a mangueira para ele.

13 de fevereiro de 1999

— Sinto muito, Harry — disse Rony, largando sua bebida com um ar de determinação, enquanto Hermione olhava boquiaberta para Harry do outro lado da mesa, — você foi longe demais desta vez.

— Eu? — Harry gritou, quase engasgando com sua cerveja amanteigada. — Acho que você perceberá que sou a parte prejudicada em tudo isso!

— Então por que você simplesmente não disse a ele para ir embora? — Ron exigiu. — Mas não, você é muito mole. Ele expulsou você há apenas algumas semanas ou você esqueceu?

— Ele largou o emprego, Ron — Harry interrompeu, suplicante. — Ele apareceu com todas as suas coisas e disse que tinha saído de Hogwarts – eu não poderia simplesmente jogá-lo na rua -

— Você poderia. O velho Harry teria feito isso. Onde está o seu respeito próprio? Mas, então, aquele Harry não tinha uma grande paixão por nojento e gorduroso - 

Harry suspirou. Admitir que achava Snape sexualmente desejável era como admitir algum fetiche exótico por animais, ou borracha, ou utensílios de cozinha...

— Você não viu as memórias dele — Harry interrompeu. — Você não o conhece como eu – ele desistiu de tudo; você viu a manchete do Profeta na semana passada? Ele está sendo crucificado por ir morar comigo, e logo depois de ser libertado da prisão...

— Talvez ele não quisesse voltar para Hogwarts mesmo - e você o está deixando morar com você para nada! Você não está tentando nos dizer que ele se tornou muito legal. Você tem a palavra "trouxa" escrita em seu rosto, Harry — ironizou Ron. — Estamos apenas cuidando de você — acrescentou, acusadoramente, quando a carranca de Harry se aprofundou.

Harry suspirou. Tudo o que ele parecia ouvir de Ron ultimamente eram acusações, por mais bem-intencionadas que fossem. Ron realmente não estava aceitando bem seu novo relacionamento.

— Ele não fica por nada, ele tem um emprego — Harry murmurou.

— Suponho que ele sempre poderia pagar você em sexo — Hermione refletiu, os olhos brilhando.

Ron cuspiu sua cerveja.

Mione! — ele balbuciou. Harry escondeu o sorriso atrás da mão - então a realidade o alcançou e ele caiu para trás contra o alto encosto de couro do assento da cabine.

— Se ao menos — ele suspirou. Ron enxugou o queixo, observando Harry com curiosidade. — Snape gostava da minha mãe — Harry disse simplesmente, — quando ele era pequeno. Acho que ele nunca parou de gostar. Então ele a matou, indiretamente – e ele se sentiu tão culpado... e então ele sentiu que a estaria traindo se me fodesse. Que ela não aprovaria que ele fizesse isso. Acho que, se ele tentar, ele verá o rosto zangado dela em sua mente. Eu não tenho certeza. Portanto — Harry bateu na mesa, — o filho dela acha impossível transar.

— Ele mostra seu... como eu chamo isso? Amor? Em outros caminhos?

— Não sei se é amor, mas sim, às vezes. Ele desistiu de tudo que tinha, acho que isso é o principal... É que, bem, em termos de demonstração de carinho, uma ereção enorme é uma boa indicação — disse Harry, tristemente.

— Não necessariamente — Hermione encolheu os ombros. — O que você prefere, sexo ou emoção?

— Por que não posso ter os dois? — Harry suspirou. — Às vezes, eu o quero tanto que simplesmente aceito o sexo. Eu sei que é uma coisa vergonhosa de se dizer.

.

Quando Harry entrou, ainda irritado com as supostas preocupações de seus amigos, descobriu que Snape havia amaldiçoado a máquina de lavar. Havia também uma pequena nuvem escura pairando na cozinha, chovendo na bancada.

Pequenos relâmpagos saíam como línguas bifurcadas sempre que Harry tentava abrir as gavetas ou ligar a chaleira.

Finalmente, ele a prendeu na geladeira e levou sua xícara de chocolate quente para a cama, batendo a porta com amargura. Por que Snape não estava ganhando dinheiro em vez de amaldiçoar utensílios de cozinha aleatórios?

Dez minutos depois, Snape saiu do banheiro, segurando um maço de papéis, e olhou para o quarto.

— Pensei ter ouvido você pisando forte — ele retrucou.

Harry começou a chorar. Sentado na cama em ruínas, ele apertou a caneca fumegante de chocolate contra o peito.

Ele já havia chorado possivelmente duas vezes na vida, mas estava um pouco bêbado e o álcool sempre o deixava deprimido. As palavras de Snape foram apenas a gota d'água.

Snape ficou parado na porta, boquiaberto, ansioso, observando Harry em silêncio.

— Você está ferido? — Snape perguntou, claramente nervoso.

Harry balançou a cabeça, desamparado, fungando um pouco. Sua boca estava molhada e seus olhos estavam cheios de lágrimas pegajosas.

— Eu, ah, é a nuvem de chuva? Você conseguiu bani-la? E, ah, não coloque nada na máquina de lavar por alguns dias... — Snape se mexeu, espiando a cozinha por cima do ombro.

— Está na geladeira — Harry resmungou, esfregando os olhos com o pulso. — Não é isso não. Só estou sendo estúpido.

Snape segurou seus papéis com mais força contra o peito como um escudo, mudando desajeitadamente de um pé para o outro.

— Geralmente, a sabedoria aceita quando alguém se sente sobrecarregado é tentar desabafar com o outro significativo — disse ele, de repente.

Harry sorriu levemente.

— Você? — ele sussurrou, os olhos úmidos brilhando de esperança. — Posso falar com você?

Snape deixou cair todos os seus papéis no chão ao ver a expressão no rosto de Harry.

Enquanto se atrapalhava para pegá-los, Harry largou a xícara e rastejou pela cama.

— É assim que você se vê? Porque é assim que eu gostaria de ver você. Se você não estivesse com tanto... medo...

— Estou com medo — admitiu Snape, olhando para o chão. — Eu estou aterrorizado. Você é ainda pior que aquela maldita cobra, e ela quase me matou... Mas esse não é o problema. O que aconteceu para fazer você... — E ele apontou debilmente para o rosto manchado de lágrimas de Harry.

— Eu… — Harry suspirou, tentando novamente. — Há tantas coisas que eu quero, e sei que é injusto sobrecarregar você com isso. Quero me estabelecer, quero uma família; Já passei por tanta coisa e me senti tão... — ele respirou fundo — tão profundamente apaixonado por você, e pensei que isso resolveria tudo. Mas Ron e Hermione acham que estou confuso ou algo assim, e você não é exatamente amoroso... Já posso nos ver nos transformando em Vernon e Petúnia, porque não sei como ter um relacionamento, e você prefere estar aqui com minha mãe morta do que comigo –

— Não... pense isso — disse Snape, de repente. — Eu tenho minhas próprias... coisas para lidar. Eu estou tentando. Se isso for de algum conforto, não estou tentando recuperar algum tipo de passado perdido – estou aqui com você , não com eles.

Harry fungou, o calor florescendo em seu peito.

— Isso é. Obrigado — ele sussurrou. Snape assentiu bruscamente, sem olhar para ele. — Sobre a... a coisa da família... Você acha que algum dia...

— Não — Snape disse, olhos baixos. A sensação de calor diminuiu um pouco. Harry fechou os olhos.

— Então é você ou ba... Ok — ele disse, com voz rouca. — Eu posso aceitar isso.

— Por que? — Snape perguntou, olhando para Harry severamente. — Por que simplesmente aceitar isso? Você merece mais.

— Eu não quero mais — Harry fez uma careta. — Quero você. Fisicamente, eu também quero você...

— Eu... olhe, você terá que esperar — disse Snape, esfregando a testa curvada com os dedos. — Eu não sou sexual, eu não sou…

— Eu sei — disse Harry, suavemente. —Tudo bem. Eu posso esperar.

— Você é um tolo em dar tanto e esperar tão pouco — Snape suspirou.

— Eu não sou tolo — disse Harry, tristemente. — Eu apenas amo você.

Snape fechou os olhos contra a força das palavras de Harry.

— Sobre... crianças... vou... pensar novamente sobre isso. Um dia.

— Obrigado — Harry engasgou. — Você vai me beijar? Isso me animaria — acrescentou. Ele rastejou para fora da cama e, ajoelhando-se sobre os papéis amassados de Snape, inclinou-se. Snape agarrou seu rosto com as duas mãos e apertou suas bocas.

31 de julho de 1999

Snape parecia estar desenvolvendo um grande gosto por creme. Harry se perguntou se isso era normal – talvez Snape estivesse se transformando em um gato grande? Então, novamente, o que era normal em toda essa situação?

Harry colocou uma tigela no chão da cozinha e colocou mais creme aleatoriamente - ele imaginou que Snape poderia usar as calorias. Snape ocasionalmente podia ser encontrado sentado perto da tigela, apenas esperando.

Infelizmente, olhar para a maneira como Snape enfiou o rosto na tigela e lambeu o creme deu a Harry... ideias.

.

Estava errado. Não, Harry, está errado , ele disse a si mesmo, mentalmente. Na voz de Hermione, para garantir.

Não fez diferença.

Snape ainda estava esperando mal-humorado por seu creme e Harry ainda queria... Pelo amor de Deus, ele fica nu quase o tempo todo; Eu não seria humano se não quisesse ...

Harry tirou a jarra da geladeira e Snape endireitou-se.

'Ele é como um cachorro', seu Ron interno o lembrou.

'Ele se esqueceu de quem ele é', acrescentou Hermione internalizada.

Harry colocou o jarro de creme sobre a mesa e desabotoou o cinto, sua mente clamando por pervertido! Pervertido!

Ele se viu na janela da cozinha, os dedos passando nervosamente pela abertura da calça... Será que ele ia mesmo fazer isso?

Ele tentou dizer a si mesmo que era lógico. Snape queria seu creme, e Harry queria...

Ele teve a ideia em um documentário noturno que assistiu quando tinha dez anos, sobre mulheres que "brincam" com seus animais de estimação. Havia uma história sobre comida de gato. Na época, o ponto em que a senhora havia amassado a comida do gato fez Harry se encolher.

Eu realmente devo estar doente , ele pensou. Talvez sua maldição seja contagiosa?

Ele baixou as calças, Snape observando-o com cautela o tempo todo, então deslizou as mãos por dentro do cós da boxer.

Hesitando, ele procurou no rosto de Snape sinais reveladores de raiva...

Mas não havia nenhuma – Snape parecia positivamente entediado – então Harry cuidadosamente tirou a cueca, deixando-a sussurrar por suas pernas.

Seu pênis estremeceu contra seu estômago, aparentemente dividido entre a excitação proibida e o terror vazio.

Ele saiu do emaranhado de tecido a seus pés, limpou as mãos úmidas nas coxas e sentou-se, erguendo a camiseta acima da barriga tensa.

Snape olhou-o friamente; inexpressivamente, enquanto Harry se atrapalhava desajeitadamente para se acomodar (e suas bolas) confortavelmente na cadeira de madeira...

Harry pegou a jarra; Snape se aproximou.

A respiração ficou presa na garganta, Harry abriu as coxas, mordeu o lábio... e derramou o creme na virilha.

Estava frio, essa foi a sua primeira percepção – seu pênis se contraiu infeliz e suas bolas pareciam se contrair para dentro, tentando rastejar para dentro de seu corpo.

Mas então os olhos de Snape se arregalaram.

Ele derrapou de quatro no chão da cozinha e parou, com a cabeça inclinada para o lado, observando os riachos de creme escorrendo pelas bolas de Harry.

Harry respirou fundo.

Não morda, por favor ...

Snape abriu a boca então, e Harry teve alguns momentos desesperados para pensar, tudo bem, se ele o arrancar, pelo menos não ficarei pior do que estou agora, embora seja constrangedor sangrar até a morte com as calças nos tornozelos e creme nas bolas - antes de Snape passar a língua sobre o pau de Harry e lambê- lo.

Harry quase levitou da cadeira em estado de choque.

— Oh não! Eu... Deus! — ele rosnou, arranhando a mesa com seus dedos contorcidos e agarrando sua cadeira com urgência enquanto Snape se acomodava satisfeito entre as pernas de Harry e começava a lamber seu pênis, como um gatinho.

Harry gemeu; olhar para Snape lambendo cuidadosamente sua virilha, a língua perseguindo os últimos e tentadores fluxos de creme, era esmagadoramente erótico. Harry fechou os olhos para evitar isso, mas as lambidas de Snape ficaram mais longas; mais experimental, enquanto procurava os últimos vestígios de creme.

Não houve sutileza (Harry recebeu poucos boquetes em sua vida), nenhuma pressão aplicada; apenas lambidas contínuas, longas e úmidas.

Foi enlouquecedor.

Harry queria desesperadamente que Snape fechasse a boca em volta de seu pênis, mas não podia confiar que Snape cobriria seus dentes afiados... Harry gemeu alto e afundou os dedos nos cabelos pegajosos de Snape.

Snape rosnou contra seu pênis, fazendo Harry estremecer deliciosamente. Ele sentiu Snape prestes a recuar, satisfeito por ter juntado os últimos restos, e pegou o jarro de creme novamente. Derramando tudo sobre seu pênis novamente, a pele ficou com um branco puro e leitoso.

Snape, com o interesse renovado novamente, abaixou a cabeça novamente, afastando ainda mais as pernas de Harry e enterrando o rosto na cortina cascata de creme com um gemido profundo...

Isso foi o suficiente para Harry.

Seu pênis pulsou; sob a língua áspera de Snape, esperma jorrou contra seu estômago. Glóbulos grossos e retos de gozo marcavam sua camiseta e sua barriga trêmula.

Um pulso chegou até o pescoço.

Snape, porém, não parou de lamber. Havia creme no cabelo de Snape, espalhado por todo o chão, caindo pelas pernas da cadeira, emaranhando os pelos das coxas e bolas de Harry (se eu ficar louvo o suficiente para fazer isso de novo, vou me barbear primeiro), Harry pensou, cansado).

Ele puxou a cabeça de Snape, acidentalmente deixando um rastro do cabelo cremoso de Snape nas mechas de seu esperma.

Snape fungou, apreensivo - então abriu a boca e começou a lamber experimentalmente os fios brancos e glutinosos de esperma, como se esperasse que o creme jorrasse do próprio pênis de Harry.

Ele fez uma careta ao sentir o gosto, porém, recuou, os lábios curvados, depois tossiu algumas vezes e saiu trotando da sala, deixando Harry destruído em sua cadeira, a cabeça jogada para trás e as pernas tremendo.

Sozinho na cozinha vazia, ele soltou um gemido baixo.

— Oh meu Deus — ele choramingou, entrecortado. — Feliz aniversário Harry.

.

— Sabemos o quanto deve ser difícil para você — disse George no dia seguinte (Harry tentou esconder o rubor enquanto estava no portão), — então trouxemos nosso kit de quadribol. Quer um jogo?

Atrás de George, Rony e Ginny estavam parados, segurando suas vassouras e olhando petulantemente para a grama. Hermione oscilava ansiosamente ao fundo, envolta em uma grande e translúcida bolha mágica.

Harry fez uma careta quando viu.

— Snape nunca machucaria você — ele retrucou, abrindo o portão violentamente.

— É no bebê que estamos pensando — ela respondeu, baixando os olhos. Ron estendeu a mão para apertar o ombro dela – mas a bolha lhe deu um pequeno choque elétrico e ele saltou para trás. Hermione revirou os olhos.

— Ótimo ato duplo, pessoal — Harry bufou. — E está tudo bem — ele acrescentou, olhando para Ron. — Tenho coisas melhores para fazer do que brincar com pessoas que obviamente receberam ordens da mãe .

A cabeça de Ron se levantou.

— Estamos aqui, não estamos? — Ele demandou. — Abra o maldito portão e pare de ser um idiota.

.

Harry cambaleou até Hermione, arrastando sua vassoura pela grama atrás dele. No ar, uma falange de Weasleys gritou e voou, lançando a goles no céu.

— Tudo bem? — ele sorriu, olhando para a casa.

Snape olhou carrancudo para ele pela janela da sala de estar.

Harry temia pensar em que estado a casa estaria mais tarde – Snape não reagiu bem ao ficar confinado. Mas era melhor do que ter Hermione conversando com ele através daquela bolha horrível.

— Sim — Hermione respondeu, servindo-lhe um copo cheio de limonada. — Se divertindo?

Harry caiu na grama felizmente.

— Acho que não estou em forma. A Ginny está correndo atrás de mim. Imagine como seria o Teddy!

— Você o receberá um dia, quando tiver resolvido Snape — Hermione o acalmou. — Andrômeda sabe disso.

— Sim — Harry suspirou. — Que bom que todos vocês vieram, agradeça Molly por mim.

— Não foi ideia de Molly — Hermione sussurrou. — Foi de Ron.

Os olhos de Harry se arregalaram.

— Ele percebeu que estava sendo um pouco egoísta. E, como seus amigos, não é nosso trabalho julgar suas decisões, apenas apoiá-lo — Hermione disse, baixando, observando o trio ruivo voando acima das árvores.

Harry piscou para afastar a umidade que ameaçava formar gotas nos cantos de seus olhos novamente.

— Obrigado — ele murmurou, olhando para sua bebida. — Significa muito.

— Como vão as coisas com Snape em geral? — Hermione perguntou, virando-se e fixando-o com um olhar astuto. Harry percebeu que ele devia ter ficado vermelho brilhante, pois Hermione também corou e desviou o olhar, nervosa.

— Ele... er... ele está sendo... inapropriado? — ela gaguejou.

Mais como se eu estivesse sendo inapropriado .

— Hum, sim… — Harry suspirou, espiando de volta para a casa novamente, mas Snape não estava em lugar nenhum.

— Você... você o pegou... você sabe? — Hermione sibilou.

Harry assentiu, culpado.

— É natural, eu suponho — Hermione considerou, — embora deva ser perturbador para você, mas -

— Não é — Harry retrucou. — Ele é meu namorado. Não é nada perturbador.

Então ele percebeu que havia traído alguma coisa e corou novamente.

— Ele… fez alguma coisa? — Hermione sussurrou, olhos arregalados.

— Não, mas... você acha que poderíamos , er, moralmente? — Harry perguntou baixinho. — Você acha que está tudo bem se eu e ele…? Eu sei que Ron acha que isso é pervertido, mas ele provavelmente acha que qualquer pessoa que faz sexo com Snape é pervertida de qualquer maneira...

— Provavelmente — Hermione disse, sem jeito. — Harry… não sei como aconselhá-lo. Ele ficou selvagem; ele não é ele mesmo. Ele estará agindo puramente por impulso, por instinto – se ele decidiu, quando vocês estavam juntos, que não queria sexo, então certamente você deve respeitar os desejos dele? — ela adicionou.

— Sim, mais do que tudo! — Harry disse, calorosamente. — Mas ele era uma bola de problemas antes. Ele me queria, mas não queria fazer sexo comigo por medo de trair minha mãe! Agora, ele quer – talvez seja apenas ele superando suas inibições –

— Ou talvez ele tenha esquecido quem ele é — Hermione interrompeu, em voz baixa. — Talvez, se essa é a razão pela qual ele não tocou em você, você não deveria estar com ele em primeiro lugar...

Harry bufou, enojado. Ele se virou e encontrou Ron e seus irmãos flutuando em direção a eles.

— Não conte a Ron sobre isso — ele sibilou, tentando desenterrar um sorriso enquanto George largava o bastão e a vassoura e ia direto para a limonada.

O taco de batedor de George jazia, esquecido, na grama molhada.

20 de março de 1999

Harry entrou na sala, coçando as bolas preguiçosamente. Tinha sido um longo dia de treinamento e ele tinha acabado de tomar banho, pingando água por todo o carpete como um cachorro desgrenhado.

Quando ele saiu do quarto, Snape estava sentado em sua cadeira, tremendo silenciosamente, com as pernas cruzadas impacientemente.

O incriminador DVD roxo estava na mesinha de centro à sua frente.

Harry olhou para ele e mordeu o lábio.

— Pornografia — Snape cuspiu, seu tom áspero e acusatório.

Harry cruzou os braços, o constrangimento brilhando em suas bochechas, determinado a não deixar Snape menosprezá-lo.

Não sobre isso. Era apenas um DVD.

—Então?— ele encolheu os ombros.

—  Nos divertindo em outro lugar, não é? — Snape zombou, pegando a caixa do DVD e olhando a etiqueta. — ‘Maduro e Retal - mais ação masculina do que você pode suportar. Você pode assistir a esses garanhões de bunda apertada indo até você’ -

— Sim, já entendemos o ponto — Harry retrucou, se contorcendo. — É pornografia gay, o que há de errado – sente-se intimidado? Você nem encontrou o vibrador ainda.

O que? — Snape rosnou, horrorizado.

— Estou brincando! — Harry tentou rir, mas a risada murchou e se transformou em cinzas ao sair de sua garganta.

— Eu pensei que você disse que iria esperar por mim — Snape rosnou.

—Eu estou esperando! — Harry gritou de volta. — Isso — ele apontou para a caixa roxa, — é eu quase transbordando de espera - e não no sentido de que vou explodir e transar com outra pessoa — acrescentou, quando Snape abriu a boca. — Eu quero você. Tudo de você. Quando você estiver pronto para compartilhar, ei, talvez possamos assistir juntos...

— Acho que não — disse Snape, maldosamente. — Eu não gosto de homens dessa maneira.

Então o que diabos você está fazendo aqui? — Harry gritou.

— Eu não sei - você me enfeitiçou! — Snape gritou, acusadoramente. — Você me enfeitiçou com sua esperança, seus sorrisos e seu amor! Você é linda pra caralho e isso me deixa doente de desejo -

— Então me tenha — Harry sussurrou, roucamente; urgentemente. — Por favor.

— Eu não posso! — Snape gritou, chutando a caixa no meio da sala e saindo furioso.

.

Ficar bêbado resolve todos os problemas, decidiu Harry, esparramado deliciosamente no sofá em frente ao tênis, com o copo de plástico a meio caminho dos lábios. Ele não tinha certeza de quem estava vencendo; tudo estava um pouco... ondulado. Ele engoliu o resto do copo e estendeu a mão às cegas, com as pontas dos dedos tateando, para pegar o vinho -

— Eu reduzi você a isso? — Snape perguntou, parado sombriamente na porta, com os braços sobre si mesmo.

— Não! — Harry gritou, saltando do sofá e caindo aos pés de Snape. — Não não não -

— Levante-se — Snape retrucou. — Deixe-me colocar você na cama.

— Leve para a cama — corrigiu Harry, sorrindo. — Você quer dizer me leve para a cama.

— Temo que não — Snape murmurou, deslizando as mãos sob as axilas de Harry e levantando-o facilmente.

— Você é tão sexy — Harry balbuciou, caindo contra Snape com ternura.

— Você está tão bêbado — Snape bufou, pegando Harry nos braços e carregando-o para o quarto. Ele deitou Harry na cama com uma gentileza que pareceu surpreender a ambos. Harry agarrou a frente da camisa de Snape e aproximou seu rosto.

— Por quê você está aqui? — ele sibilou, puxando o tecido inutilmente, olhando nos olhos arregalados de Snape, o hálito quente no rosto de Snape. — Você pode me dizer. Estou tão longe que não vou me lembrar.

Snape parecia cauteloso. Então ele suspirou e baixou a boca com veemência, selando seus lábios com força, mergulhando a língua na boca frouxa de Harry. Harry se contorceu embaixo dele, então abriu as pernas e permitiu que Snape se acomodasse acima dele, as palmas das mãos de Harry alisando apaixonadamente as costas fortes e os ombros largos de Snape -

— Estou aqui — Snape sussurrou, interrompendo o beijo por tempo suficiente para deixar escapar algumas palavras antes de mergulhar novamente, — porque imaginei você.

— Explique — Harry engasgou.

— Eu imaginei o que você faria – Deus! –— Snape se interrompeu e enterrou o rosto no pescoço de Harry por um momento, falando contra a garganta de Harry, a boca movendo-se na pele de Harry, — …como você seria como meu amante. Como você seria para mim. Não era algo que eu tivesse me permitido pensar antes, e eu estava... embriagado. Pensar em você... — Ele mordeu o pescoço de Harry, suavemente. — Eu nunca senti um desejo assim antes.

— Então por que — Harry gemeu, — você não está dentro de mim agora?

— Eu... por favor, não me pressione — Snape gemeu, fracamente. — Eu estou tentando. Tenho muito do que... me libertar.

— Eu sei — Harry sussurrou. — Eu posso esperar. Vou esperar o tempo que você precisar. Mas, por favor, tente... se apressar.

14 de agosto de 1999

Harry estava esparramado de costas na grama seca, com uma garrafa vazia de vinho descartada e escorrendo no chão a seus pés.

A taça de vinho pendurada molemente em seus dedos lânguidos também derramou uma porção generosa de vinho na grama sedenta.

O sol batia sobre ele, quente e surpreendentemente brilhante; Harry tirou os óculos e os jogou fora... em algum lugar, franzindo os olhos.

Com os olhos fechados, ele sentiu como se estivesse flutuando. Línguas de deliciosa luz dourada sugaram a pele exposta de seus braços e pés, e de seu rosto virado para cima.

Ele tirou a camisa, prendendo os braços, mas acabou arrancando-a e jogando-a na grama. O calor acariciava seu peito estreito, seus ombros, sua barriga côncava...

Harry passou as mãos lentamente pelo peito e pelas laterais do corpo, saboreando o calor delicioso que espalhava umidade por toda a sua pele.

Ele se perguntou, vagamente, como seria o calor do sol em suas bolas...

Bem, não havia ninguém por perto por quilômetros, e Snape estava sabe Deus onde ( provavelmente enterrando alguma coisa , Harry pensou)...

Ele desabotoou o cinto e se atrapalhou com a calça e cueca, contorcendo a bunda para tirá-las sem se sentar, levantando os quadris no ar. Ele puxou as roupas pelas pernas e chutou tudo, caindo para trás e abrindo as pernas, deleitando-se em estar bêbado, aquecido e em paz...

Algo roçou suas bolas.

Um inseto, sem dúvida, rastejando na grama.

Harry se abaixou e puxou preguiçosamente sua ereção crescente, apertando-a na palma da mão e fazendo cócegas na fenda com a ponta dos dedos, espalhando o líquido sobre a cabeça bulbosa de seu pênis. Quando era pequeno, ele se perguntava se seria possível enfiar coisas (com cuidado) no buraquinho... Não que ele alguma vez tivesse tentado. (Entretanto, isso é uma história diferente. Maldito Snape e sua repressão sexual; Harry se sentia como uma mola bem enrolada.)

Uma mosca pousou com dificuldade na parte interna de sua coxa; ele se mexeu, coçando preguiçosamente a estranha pele careca ali, nua depois de ter raspado os pelos pubianos.

Ele levantou seu pênis rapidamente firmado e o deixou bater, saltando contra sua barriga.

— Mmm ,— ele murmurou, girando os ombros e arqueando as costas, suas pernas abrindo ainda mais.

Ele desejou ter algo para colocar na boca; ele se lembrou da primeira vez, no dormitório da Grifinória. Ron estava fora, e Seamus e Dean estavam zombando de Harry por não perceberem que ele era gay antes, e Harry timidamente se ofereceu para provar que ele realmente era gay, se eles estivessem interessados...

Harry estava deitado de costas, com a cabeça pendurada na beirada da cama, enquanto os outros dois rapazes se revezavam lentamente e deslizavam seus paus até a garganta aberta de Harry... Foi quando um deles estava com o pênis todo enfiado na garganta de Harry, bem fundo, com as bolas esmagadas e apertadas contra o queixo de Harry, que Harry pensou pela primeira vez em fazer isso com Snape…

Ele levantou seu pau novamente – e a ponta bateu em alguma coisa.

Os olhos de Harry se abriram.

Ele pôde, para seu choque, distinguir vagamente Snape inclinado sobre ele, ajoelhado na grama com a cabeça a poucos centímetros da virilha de Harry.

Seu cabelo escuro roçou a parte interna das coxas de Harry novamente, enquanto ele abaixava a cabeça e cheirava, inalando profundamente o cheiro almiscarado das bolas de Harry...

— Oh — Harry gemeu baixinho e procurou pelos óculos. Colocando-os no rosto, ele olhou para baixo e viu Snape observando-o atentamente, olhos escuros como fogo derretido.

Harry se apoiou nos cotovelos e observou, com os olhos arregalados, Snape abaixar a cabeça novamente e inspirar profundamente, parecendo saborear o cheiro...

Culpado, ele recuou um pouco – mas Snape o seguiu de quatro, predatório, seus olhos nunca deixando o rosto de Harry. Harry se sentiu como um rato preso nas patas de um gato faminto, ou como uma mosca presa na teia de uma aranha enquanto a aranha descia lentamente em sua direção...

— Você não quer isso — Harry sussurrou. — Você disse não, antes. Você é basicamente impotente, por causa de todas as coisas que o impedem... Por favor, lembre-se – eu não sou perfeito, não quero impedi-lo, por favor, não –

Harry cautelosamente desceu a mão, lentamente tentando cobrir seu pênis (que parecia imperturbável pela presença de um louco e subiu, excitado). A respiração de Snape passou pela virilha de Harry e ele estremeceu de prazer, as bolas apertando.

Sua mão deslizou lentamente sobre sua virilha, como se a lua eclipsasse o sol...

Snape olhou para baixo, irritado - então abaixou o rosto e bateu na mão de Harry com o nariz , seus lábios e queixo roçando acidentalmente (mas deliciosamente) a ereção pesada e vazante de Harry...

Os olhos de Harry se fecharam. Ele gemeu – então sentou-se, piscando. Snape estava olhando para ele de forma muito estranha. Ele colocou a mão no peito de Harry e o empurrou de volta para baixo, então inclinou a cabeça sobre a virilha de Harry novamente e deu uma cabeçada no pobre pau de Harry com seu nariz grande.

O pau de Harry se contraiu de excitação. Snape fez isso de novo.

Harry queria morrer, era tão bom.

— Severus — ele gemeu, — por favor. Você ficará com tanta raiva quando você – ooooh!

Snape enfiou as mãos sob as nádegas de Harry e as ergueu para que ele pudesse lamber todo o caminho de volta até o cóccix de Harry, sobre seu traseiro se contorcendo.

Harry gritou quando a língua áspera de Snape o tocou ali, antes de Snape começar a balbuciar descuidadamente a pele macia e enrugada das bolas de Harry.

Ele lambeu lentamente, vagarosamente, subindo pelos quadris e peito de Harry.

Harry se agarrou a ele, sua cabeça caindo para trás, envolvendo as pernas nas costas de Snape e segurando-o. Deus , a sensação da pele nua de Snape – Harry não tinha ideia de que ficar nu com outra pessoa pudesse ser tão suave , especialmente quando era Snape...

Ele acariciou as costas fortes de Snape, os ombros magros e a bunda firme com os dedos, tentando tocar tanto de Snape quanto pudesse antes que ele fosse levado embora.

O próprio pênis de Snape, grosso e pesado, bateu contra o quadril de Harry quando Snape se ajoelhou sobre ele, chupando o pescoço de Harry. Harry deslizou a mão por baixo do quadril de Snape – e agarrou a grande ereção do outro homem, apertando-a entre os dedos.

— Me perdoe — ele quase soluçou. — Eu te quero tanto.

Snape latiu de surpresa contra o pescoço de Harry, contorcendo-se, e rastejou para longe dele. Harry gritou perdido, mas Snape subiu no corpo de Harry e tentou forçar seu pênis na garganta de Harry, golpeando seus quadris impiedosamente.

Harry abriu a boca e engasgou, a bile subindo em sua garganta, enquanto ele enfiava o pau de Snape o mais fundo que conseguia e começava a balançar a cabeça enquanto Snape fodia sua boca freneticamente...

11 de abril

— Eu preciso de uma cobaia — Snape murmurou uma manhã, enquanto Harry se arrastava para a cama, com os olhos turvos depois do turno da noite.

Harry subiu em cima dele, grunhiu, enterrou o rosto no pescoço de Snape e adormeceu.

— Para testar o quê? — Harry perguntou, várias horas depois, sentado de cueca à mesa da cozinha com uma xícara de chá enquanto Snape olhava mal-humorado pela janela. — Já teve alguma comissão?

— Não — Snape retrucou, afastando-se do vidro com desgosto.

— Bem, o que você queria praticar? — Harry perguntou, levantando-se, aberto e disposto.

Snape olhou para ele.

— Não importa — ele retrucou de repente, caindo no sofá sem sua graça habitual e esticando as pernas.

— Você pode me usar — disse Harry, atravessando a sala e ajoelhando-se diante de Snape, entre suas pernas. Ele colocou as palmas das mãos nas coxas de Snape e acariciou suavemente. — Eu não me importo.

Os olhos de Snape se arregalaram com o duplo sentido. Ele engoliu em seco.

— Eu não posso… Não há como praticar nada com você. Você é demais… — ele parou, olhando para o corpo quase nu de Harry com uma expressão ligeiramente vidrada.

Harry sorriu para ele, tímido e esperançoso. Suas palmas serpentearam para dentro, massageando a carne macia; dirigiu-se para o centro do corpo de Snape.

Para alegria de Harry, longe de recuar, Snape abriu as coxas, afundando-se ainda mais nas almofadas.

Harry se aproximou, paralisado.

— Também o quê? — ele respirou com voz rouca.

— Também... ahhhh, porra — Snape gemeu, enquanto os dedos de Harry massageavam suavemente sua virilha.

Harry se ajoelhou diante de Snape, delineando hesitantemente a protuberância nas calças de Snape que ficava maior e mais rígida a cada minuto. Snape fechou os olhos, quase ofegante.

— Deus — Harry sussurrou, sua própria cueca visivelmente esticada, acariciando maravilhado; tentando descobrir exatamente o tamanho do pau de Snape. — Você é enorme , não é…

Os olhos de Snape se abriram.

— Eu… — ele gemeu, com a boca aberta. Harry, com uma mancha úmida na frente de sua boxer enquanto seu pênis vazava em desespero, deslizou pelo corpo deitado de Snape e montou nele, com os joelhos montados nos quadris de Snape.

Ele agarrou o rosto de Snape, incapaz de resistir por mais um momento. Segurando o queixo do homem mais velho com as palmas das mãos, ele forçou suas bocas a se unirem.

Snape teve convulsões em seus braços; suas mãos subiram e agarraram Harry, arranhando suas costas, antes de agarrar suas nádegas com as duas mãos e apertar com força.

Harry uivou e enfiou a língua profundamente na boca de Snape; Snape engasgou, puxando Harry bruscamente contra seu corpo.

Seu pênis, duro como rocha, cravou-se violentamente na parte interna da coxa de Harry através do tecido de suas calças; suas mãos percorriam desesperadamente para cima e para baixo nas costas esbeltas de Harry, arranhando os músculos, beliscando a pele.

— Meu corpo foi feito para você — Harry gemeu, afastando sua boca da de Snape para dar pequenas mordidas na mandíbula de Snape, — me ame corretamente, por favor; fisicamente. Eu preciso de você.

Snape o empurrou, como se Harry estivesse em brasa, e foi Harry, desta vez, que saiu correndo da sala em desespero.

21 de agosto de 1999

Harry entrou furtivamente no jardim. O ar fresco da noite acariciava sua pele aquecida; ele se perguntou como seria ser Severus, selvagem, nu e desinibido. Livre para seguir onde quer que seus desejos o levassem, desenfreado e desenfreado...

Choveu muito durante o dia. Snape passou o dia lá dentro, perto do fogo, lambendo o creme das pontas dos dedos de Harry; levando Harry à distração.

Lá fora, o jardim era um turbilhão de lama, e Harry caminhou por ele.

De repente, ele parou.

Inclinando-se, ele pegou um punhado de terra escura e pegajosa e olhou atentamente para ela.

Ele espalhou lama no peito, respirando fundo com a sensação; fria e gelatinosa em sua pele suada. Ele espalhou em seu pênis também, olhando ao redor com culpa, mesmo sabendo que não havia ninguém por perto por quilômetros.

Então, seus olhos caíram sobre o taco de batedor, deitado inocentemente na grama úmida...

Costumava ser um assunto comum nos dormitórios dos meninos; histórias de vários sonserinos (geralmente Malfoy) que os grifinórios estavam convencidos de que gostavam de levar tacos no traseiro depois do Quadribol. Uma de suas apostas mais cruas era: “Quantos pomos Malfoy conseguiria enfiar no traseiro?”

Mas certamente as pessoas não realmente ...

Harry havia fantasiado sobre isso várias vezes. E, se ele não pudesse ter Snape...

Ele sentou-se na grama. O taco era longo e macio; polido elegantemente e maravilhosamente gordo…

Muito gordo, certamente?

Nunca caberia... Harry pegou-o e colocou-o sobre os joelhos, rolando-o repetidamente como se estivesse achatando as pernas com um rolo.

Um par de olhos escuros o observava calculadamente dos arbustos.

Harry inclinou o taco para cima, de modo que a ponta ficasse bem diante de seu rosto. Talvez, se coubesse na boca dele... Ele mostrou a língua e lambeu-a, com cautela.

.

Harry se inclinou sobre o tronco da árvore e posicionou o cabo fino do bastão desajeitadamente contra seu traseiro trêmulo.

Ele pressionou levemente, estremecendo quando o anel de músculo se apertou involuntariamente.

O bastão deslizou pela fenda e ameaçou cair na grama – Harry agarrou-o e posicionou-o novamente, mordendo o lábio inferior em concentração.

Ele avançou novamente e sentiu a dureza penetrar timidamente.

Os músculos sensíveis estremeceram ao seu redor. Forçando seu corpo a relaxar, ele empurrou para fora, como se estivesse sentado no vaso sanitário…

Algo estalou e a alça do bastão deslizou para dentro. Harry congelou, apertando os músculos do traseiro em torno dele experimentalmente, com os olhos arregalados, a respiração presa…

Ele deslizou um pouco mais, expirando lentamente, os lábios franzidos em um 'ooo', como se estivesse apagando uma vela. Ele se sentiu cheio, quase dolorosamente, enquanto seu corpo tentava empurrar a alça para fora, desacostumado com a estranha intrusão.

Harry estendeu a mão para trás e começou a girar o bastão, balançando-o para cima e para baixo e de um lado para o outro, alargando seu buraco desajeitadamente enquanto o suor escorria por toda a sua pele.

— Gah — ele gemeu, sentando-se sobre as patas traseiras e sentindo o bastão deslizar o máximo que podia. Ele moveu os quadris em um círculo e então se levantou com cuidado – a gravidade e seus músculos trêmulos puxaram o taco para fora, caindo na grama, brilhando.

Harry pegou-o pela alça (era quente, úmido e tinha um cheiro estranho) e se apoiou nas quatro patas, separando as coxas. Ele procurou a varinha e lançou o feitiço lubrificante novamente, depois jogou-a de lado.

Desta vez ele colocou a ponta larga e mais grossa do bastão contra seu buraco solto e, com os olhos cerrados e os dentes cerrados, tentou empurrá-lo para dentro...

No início, ele estava convencido de que não iria funcionar – mas então, para seu choque, ele sentiu aquele 'estalo' novamente, e o buraco se abriu, estendendo-se ao redor da madeira de forma quase impossível!

Harry se sentiu tão tenso – ele temia pensar como estaria seu buraco quando o taco saísse. Uma gota de suor escorreu por sua bochecha; mais suor escorria de sua testa.

Ele sentou-se novamente, ajoelhando-se ali e cerrando os punhos com tanta força que as unhas cravaram-se em suas palmas enquanto ele saltava, com cuidado, cada vez mais fundo, puxando-o dolorosamente lentamente antes de afundar novamente sobre ele...

Ele olhou para baixo, ofegante, sentindo-se incrivelmente satisfeito; tão cheio que ele podia sentir na garganta.

Que bom fazer isso , ele pensou, imaginando o quão forte (e quão prazeroso) seus músculos anais teriam cãibras em torno de algo desse tamanho...

Deus, eu queria que fosse Snape...

Quanto havia nele? era impossível dizer.

Ele colocou um dedo no bastão no ponto em que ele desapareceu em seu corpo, depois se levantou lentamente, mantendo o dedo no lugar...

Harry gritou quando o bastão saiu de dentro dele, e gritou novamente de surpresa ao perceber que havia tirado cerca de 12 centímetros de algo tão grosso.

Merda, vou ficar dolorido amanhã ...

Ele se ajoelhou novamente, apoiando-se nas mãos e nos joelhos, puxando seu pênis quase violentamente com uma mão enquanto segurava o cabo do bastão firmemente com a outra, empurrando-o para dentro novamente...

Um rosnado baixo o fez quase pular fora de si.

Ele se virou, com os olhos arregalados e suado, para encontrar Snape agachado atrás dele, observando-o com um rosnado predatório torcendo seus lábios.

Porra , Harry pensou.

Ou melhor, estou tão fodido.

Ele congelou, devasso e brilhante, enquanto Snape avançava lentamente.

Snape agarrou o cabo do bastão e simplesmente o enfiou dentro dele – Harry gritou e se debateu, se contorcendo.

— Ow! Ow? Oh, oh Deus! — gritou ele, sacudido para a frente.

Ele se afastou tão rápido que o bastão (graças a Deus!) recuou um pouco, mas ele ainda estava rastejando pela grama com o bastão saindo de seu traseiro. Ele apertou desesperadamente e o bastão saiu, batendo na grama, conectado ao seu traseiro maltratado com um rastro de lubrificante pegajoso.

Ele se virou, assustado, enquanto Snape o seguia, determinação evidente nas linhas duras de seu rosto e em seus olhos negros como carvão - quando Harry percebeu como o próprio pênis de Snape estava rígido e roxo, ele gemeu.

— Se-Severus — ele engasgou, — você está... você tem certeza que quer -

Snape agarrou-o pelos quadris, puxou-o para trás, rastejou sobre ele de modo que seu peito ficasse nas costas de Harry... e mergulhou seu grande pênis na bunda dele.

Harry, jogado de cara na terra pelo golpe forte de Snape, gemeu e arranhou o chão, arrancando punhados de grama e terra com as palmas das mãos suadas.

— Oh meu Deus… eu… você tem certeza — ele gemeu. Depois: — Me foda, você é incrível pra caralho… aaaah!

Snape investiu nele sem piedade.

Não havia nenhum indício de autocontrole, nem autoconsciência. Ele posicionou seu corpo sobre o de Harry e bombeou seus quadris com força, forçando seu pênis para dentro repetidamente, rápido e forte.

Harry nunca havia sido fodido dessa maneira; nunca sonhou que Snape faria isso!

— Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! — Harry uivou, enquanto Snape o socava impiedosamente. — Deus, oh Severus, eu amo você! Ah, ah…

.

Harry ficou nu no chuveiro, olhando timidamente para seu corpo.

Ele deslizou as mãos incerto pelo peito, os dedos delineando as protuberâncias de suas costelas através da pele – costelas que agora estavam manchadas com hematomas recém-surgidos. Ele deslizou as mãos um pouco mais para baixo, apoiando-as por um momento sobre a barriga; notando, pela primeira vez, que ele tinha as marcas dos dedos de Snape em seus quadris ossudos, como uma pintura a dedo de uma criança.

Havia um lugar que ele não ousava procurar; ele ainda podia sentir a queimadura, o buraco que Snape havia deixado dentro dele. Ainda se sentia... solto , lá embaixo...

Era sua primeira vez, e Harry estava silenciosamente apavorado com a possibilidade de ter ido longe demais. Mas, Deus, ele queria aquilo ; queria que Snape fizesse todas aquelas coisas com ele, que entrasse dentro dele, que mordesse e arranhasse, que deixasse marcas em seu corpo... Será que isso o tornava perverso, de alguma forma, porque ele queria Snape daquele jeito?

Ele acariciou suavemente seu corpo surrado.

.

Snape os observava por trás de uma árvore enquanto Harry trazia bebidas e comida em uma bandeja. Era uma noite quente.

Hermione foi ao banheiro enquanto ele preparava uma imaculada torta de maçã fria polvilhada com canela e pequenos potes de creme de leite.

Ele estava compensando demais e, o que era pior, era óbvio.

— Uau, cara — Ron murmurou, — você não teve muito tempo livre, então?

Harry corou, colocando um pedaço de torta em um prato e entregando-o a Ron.

— Hoje em dia não há muitos motivos para fazer a comida parecer bonita — ele murmurou. — Isso é legal. Obrigado por voltar.

— Imagino que ele a despedaça assim que olha para ela — Ron assentiu. — Harry, eu queria... Lamento muito pelo churrasco. Sobre ter enfeitiçado o Snape. — Harry bufou divertido e Rony deu uma risadinha sem jeito. — E por ter sido... em geral, um idiota. É que, bem, é difícil, mas isso não é desculpa. Ele é a escolha de vocês e eu tenho que aceitar isso. Você enfrentou tudo com muita coragem.

— Você também tem que se preocupar com o bebê - está... está tudo bem, eu entendo — disse Harry, arrastando os pés. No momento seguinte, Ron descartou seu prato e puxou Harry para um abraço fraternal e desajeitado.

Harry ergueu os braços para retribuir o abraço de Ron – e algo colidiu com eles, fazendo-os cair na grama.

— O que – ei! — Harry gritou, agitando-se enquanto Snape o agarrava pelos cabelos e o arrastava para longe, chutando.

Snape puxou Harry pelo gramado e o jogou num arbusto, depois se virou, rosnando, para ver Rony cambaleando atrás deles.

— Harry? Você está bem aí? — Ron chamou, esfregando o braço machucado enquanto corria. Ele parou, entretanto, quando Snape colocou a cabeça para fora do arbusto e rosnou para ele. — Uau! Calma aí, er, professor...

A cabeça de Snape desapareceu abruptamente, deixando Ron sozinho, olhando confuso enquanto o arbusto começava a... tremer .

— Oh! — ele ouviu Harry choramingar – e sacou sua varinha apressadamente.

— Harry? — ele sibilou, arrancando um galho e espiando.

Harry estava deitado de costas no chão, a coluna torcida desajeitadamente sobre as raízes e galhos que subiam pelo chão. Snape estava em cima dele, a língua na boca de Harry, os dedos puxando cruelmente a frente da camisa de Harry.

O suspiro de Ron abafou o som do tecido rasgando quando Snape rasgou a camisa e abaixou o rosto para morder o peito nu de Harry. Harry ficou ali deitado, ofegante, a cabeça jogada para trás, os dedos arranhando as costas de Snape, levantando as pernas para envolver a cintura de Snape...

— Harry? — Ron sussurrou. Harry abriu os olhos (os óculos tortos no rosto) e viu Rony – e empalideceu.

— Merda — ele rosnou, tentando empurrar Snape para longe dele, mas Snape apenas o forçou brutalmente a se abaixar novamente e (para horror de Harry) cravou os dentes nos fechos da calça jeans de Harry. — Não! — Harry gemeu. — Solte, ah, não – Ron! Volte!

— Não é muito provável! — Ron retrucou, andando pelo gramado. Harry pôde ouvi-lo gritar para Hermione que eles estavam indo embora enquanto ele lutava para sair de Snape. Saindo do mato, ele cambaleou pelo gramado, agarrando os pedaços esfarrapados da camisa.

Hermione saiu correndo de casa, em sua bolha –

— O que foi, o que aconteceu? — Então ela viu Harry e parou.

Ele — Rony retrucou, apontando acusadoramente para o jardim, onde Snape emergia petulantemente dos arbustos. — Ele fez... caramba, Harry! Estou tentando aceitar, mas isso é longe demais! — ele gritou, infeliz.

Harry, ligeiramente curvado, com o peito nu arfando (e as calças desabotoadas sucumbindo lentamente à força da gravidade), respirou fundo.

— O que você quer que eu diga? — ele engasgou. — Ele gosta de mim. Você sabe disso. Ele obviamente ficou com ciúmes quando você me abraçou e quis, não sei, me marcar como dele, ou algo assim.

— Você não tentou exatamente resistir, não é? — Rony chorou. — Isso nos faz pensar o que mais você o deixou fazer!

O rubor de culpa de Harry não fez nada para acalmar a raiva de Ron. Até as orelhas de Harry estavam vermelhas.

— Cale a boca, Ron — Hermione disse, de repente. Ela estava examinando Harry intensamente. Ron abriu a boca para protestar, mas Hermione o cutucou, dando-lhe um choque elétrico.

— Você... você deixou, Harry? — ela perguntou, cuidadosamente.

Harry assentiu.

— Mas é como fazer isso com um cachorro! — Rony exclamou. Hermione ergueu as mãos, cancelou o feitiço protetor da bolha e bateu nele com a luva. — Quero dizer, estou realmente tentando aqui, Harry, mas simplesmente não consigo entender como você pode...

— Não é como se ele tivesse ido embora, você sabe — Harry fungou, lutando para manter sua dignidade com suas roupas mal grudadas em seu corpo. — Acho que é um pouco complicado julgar as pessoas – quem diabos isso prejudica, afinal? Como posso tirar vantagem quando sou eu quem está com problemas...

— Você não acha que é um pouco desesperador — Ron interrompeu, rapidamente, — pegar tudo o que puder? Ele não te ama –

— Isso depende de como você o vê — disse Harry, com a voz rouca. — Se você o vê como um homem, como meu parceiro, que ainda quer acasalar comigo e somente comigo , então não é tão nojento como se você pensasse nele como um animal imundo enfiando seus pedaços em qualquer lugar quente que encontra! — ele terminou com um grito.

— Só estamos preocupados com você, Harry — Ron disse, em tom de censura. — E se ele te machucar?

— Você sabe o que? — Harry sibilou, agarrando as calças (que agora serpenteavam pelas coxas) e apertando as fitas da camisa contra o peito estreito, vibrando de raiva e vergonha. — Ele é incrível na cama agora e eu adoro levar ele na bunda mais do que qualquer coisa no mundo - então, se ele é um animal, eu também sou um animal! Chupe isso, Ronald Weasley!

Harry invadiu a casa, batendo a porta, tirando as calças e jogando-as no chão.

Pela janela da cozinha, ele observou Rony e Hermione apressados em direção ao portão, sob o olhar de falcão de Snape. Enquanto eles aparatavam, Harry se virou e chutou a cômoda com força.

— Severus! — ele gritou. — Venha me foder agora – onde você está? — ele correu pela casa, tirando a roupa enquanto ia de cômodo em cômodo, procurando por seu amante.

Ele olhou pela janela da cozinha – e congelou, assustado.

Ali, no jardim, ao lado do grande buraco que Harry estava cavando para seu novo viveiro de peixes, Snape estava curvado, nu, sobre uma das grandes pilhas de terra quente e úmida.

Ele estava deitado em cima dela, de cara no chão, e parecia estar... fodendo.

A boca de Harry caiu aberta.

Ele tirou a última meia e saiu correndo da sala, descendo as escadas de dois em dois degraus. Ele atravessou o gramado, completamente nu.

— O que você está fazendo? — ele sussurrou, intrigado.

Snape olhou para ele e fez uma pausa, evidentemente avaliando os méritos de continuar a foder a terra quente, ou mudar para Harry quente...

Para alegria de Harry, Snape rolou para fora da terra, seu corpo (e especialmente sua virilha) coberto de terra e grama. Ele se lançou sobre Harry, jogando-o para trás, prendendo-o no chão.

— Sim! — Harry gritou, cravando as unhas nas costas de Snape e puxando Snape para cima dele. — Vamos, sim!

Eles rolaram na grama, beijando-se e mordendo-se, lutando pelo domínio. Harry ficou muito feliz em deixar Snape possuí-lo; enquanto Snape o segurava, Harry se contorcia embaixo dele, seu pênis dolorosamente rígido...

A próxima coisa que Harry percebeu foi que eles haviam rolado para dentro do viveiro de peixes vazio.

.

A lama aqui era espessa, molhada e escorrendo. Enquanto Harry tentava escapar, Snape, atrás dele, pegou um punhado de lama e bateu vigorosamente entre as nádegas de Harry.

— Uh? — Harry engasgou, virando-se para espiar por cima do ombro nu. — O que você está – oh! — ele gemeu, jogando a cabeça para trás quando Snape começou a enfiar vários de seus dedos pingando em seu buraco imundo.

Um, dois, três, quatro – Harry agarrou a terra, convencido de que Snape tentaria enfiar a mão inteira dentro dele.

Snape se soltou de Harry e o empurrou ainda mais para frente, de modo que ele ficou curvado com o rosto na terra e a bunda para cima. Snape montou nele rudemente, quase brutalmente, empurrando seu pênis para dentro com um rosnado.

Harry uivou quando Snape começou a transar com ele e lamber suas costas; aproveitando o longo e lento arranhão daquele lindo pau gordo deslizando para dentro e para fora de seu buraco...

— Oh, Deus, pau — Harry gemeu, enfiando três de seus dedos enlameados na boca e sugando-os. — Severus . Caralho, eu amo isso, oh... 

As bolas de Snape bateram com força na bunda de Harry quando ele agarrou Harry pela cintura e se chocou contra ele, à força.

Cada vez com mais força ele investiu em Harry; Harry fechou os olhos.

Havia dor, sim, mas mais do que isso havia o sentimento incrível e invencível de seu amante, seu primeiro e único amante de verdade, tomando-o com força, amando-o quase violentamente.

Era sobre isso que Harry fantasiara – todas aquelas semanas vivendo juntos, quase sem se tocar, Harry reprimido além das palavras...

Snape saiu dele e Harry gemeu miseravelmente.

Mas então…

Snape pegou outro punhado de lama macia e – para surpresa e deleite perverso de Harry – empurrou-a para dentro do buraco maltratado de Harry.

Harry gemeu; despertado além das palavras pela sensação plena de que ele precisava ir ao banheiro; tentando impedir que seu corpo trêmulo empurrasse a lama para fora novamente.

Ele falhou um pouco e seu ânus se contraiu, espalhando lama nos pés de Snape.

O homem mais velho afastou ainda mais as pernas de Harry, alinhou seu pênis na entrada suja de lama de Harry e empurrou de volta com um rosnado.

Harry se apoiou na lateral do lago escavado, afundando os dedos, cobertos por uma película misturada de lama e suor, na terra macia. Ele sentiu a sujeira desmoronar ao seu redor. Ele virou a cabeça.

— Oh! Oh, eu sou um animal, Deus sim! Severus! — Harry uivou.

.

Agora que eles tinham começado a fazer amor, Snape era uma fera.

Harry estava ajoelhado de quatro, esfregando o chão da cozinha, nu. Ele sabia que estava sendo provocativo, mas não se importava. Ninguém mais vinha visitá-lo. 

Ele teve algum aviso, pois ouviu os passos de Snape, mas foi só isso. No momento seguinte, ele foi empalado sem cerimônia por trás.

— Ah! — ele gemeu, escorregando para frente nos ladrilhos molhados enquanto Snape empurrava seu pênis na bunda de Harry. — Você pode avisar um homem, ughhh!

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Os bruxos que chegaram ao portão de Harry na manhã seguinte estavam vestidos de vermelho.

Harry havia se esquecido completamente do programa de Aurores. Como ele deveria voltar agora, afinal? Ele dificilmente poderia deixar Snape.

— Podemos dar uma olhada no Sr. Snape? — um deles perguntou, enquanto Harry os conduzia pelo caminho. — Você está ciente de que St. Shrivelling está trabalhando em uma cura, não é? Viemos em busca de... informações.

— Se você puder encontrá-lo — Harry murmurou. — Ele cuida do jardim. As proteções foram instaladas por mim e pela nova diretora de Hogwarts — acrescentou ele, ao ver a expressão chocada em seus rostos.

— É melhor entrar então — disse um deles, olhando ao redor ansiosamente.

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— Estamos aqui a pedido de St. Shrivelling, que, como você sabe, está atualmente pesquisando uma cura para a doença do Sr. Snape.

Harry acenou com a cabeça. Ele tinha ouvido falar, uma ou duas vezes, mas nada já há algum tempo. Principalmente depois da... fuga deles.

— Foi proposto que o progresso poderia ser mais rápido se soubéssemos as circunstâncias que levaram ao evento da... maldição. Se pudéssemos dar uma olhada na memória do Sr. Potter sobre o ataque -

— Você precisa fazer isso? — Harry riu, amargamente, esparramado letargicamente em sua cadeira. Então ele se sentou, suspirando. — Tudo bem. O que é um pouco de humilhação além de tudo? Você pode ir em frente.

17 de abril de 1999 - **memória**

— Levante o manto acima da cintura — Snape ordenou, enquanto Harry entrava no quarto, procurando as calças.

Ele estava atrasado para o trabalho e mal vestido, com o manto vermelho pendurado casualmente sobre os ombros nus e úmidos. Snape estava sentado na cama, amarrotado e rabugento.

O que? — Harry perguntou, como uma coruja, segurando um par de meias, que ele deixou cair em sua surpresa.

— Levante seu manto, desejo ver você… — Snape fez uma pausa, então corou, suas maçãs do rosto queimando vermelhas de vergonha quando ele baixou o olhar.

Harry soltou uma gargalhada rouca.

— Severus, estou atrasado!

— Então? — Snape retrucou. — Faça isso agora .

— Antes de você perder a coragem? — Harry ficou sério, sua alegria desmoronando rapidamente. — O que acontecerá quando você me ver nu?

— Eu não sei — disse Snape, e seus olhos brilharam estranhamente enquanto ele olhava para Harry. — Isso é o que espero… descobrir.

A respiração de Harry ficou presa em seu peito. Muito lenta e deliberadamente, ele tirou o manto vermelho dos ombros, expondo seu corpo para Snape pela primeira vez. O tecido desceu pela pele de Harry e se acumulou, lambendo seus tornozelos.

Os olhos de Snape se arregalaram. Seus lábios se abriram em espanto – ele esperava uma recusa?

— Pelo menos — disse Harry, ironicamente, olhando para a ereção firme que subia em direção à sua barriga, — não posso me parecer com minha mãe agora.

Ele ficou ali, orgulhoso e forte, desejando que Snape o desejasse o suficiente para superar quaisquer inibições que os mantivessem separados durante a noite...

— Não — disse Snape, baixo, sem tirar o olhar derretido do corpo firme, masculino e esguio de Harry. — Você definitivamente não é sua mãe.

Eles se encararam. Snape tinha olhos de fogo.

— Você sabe que essa é uma das coisas mais eróticas que você já me disse — disse Harry, sem jeito. — Além de 'eu mantenho você no canto mais escuro do meu coração'. O que isso significa? Eu gostaria que você dissesse.

— Harry Potter — Snape balançou a cabeça.

— Não — disse Harry, friamente. — Não. Não me coloque em um pedestal ou, ou se esconda atrás de seu antigo ódio, ou se preocupe com o que meus pais teriam pensado, ou... eu não sei, se preocupe em me corromper...

— Você acha que estou corrompendo você? — Snape interrompeu.

— Não tanto quanto você deveria! — Harry retrucou, não querendo causar um novo complexo a Snape. — Eu não me importa o motivo pelo qual você não quer ficar comigo - só quero que você esqueça isso e me dê uma boa foda!

— Coloque suas roupas de volta — Snape cuspiu, Accio - agarrando o manto de Harry e jogando-o nele. — Criança estúpida.

— Não! — Harry gritou, frustrado além das palavras. — Estou tão cansado disso – estou tentando tanto ser compreensivo, mas você não pode simplesmente me mandar tirar a roupa e depois não fazer nada! Só recentemente descobri que sou gay, pelo amor de Deus, sou apenas uma grande bola de necessidade e você é apenas um provocador!

— Não estou fazendo isso para provocar você — Snape fez uma careta. — O que você está fazendo?

— Sou tão revoltante – tão repulsivo para você? — Harry disse, lutando nu pela cama, enquanto Snape recuava. — O que há de errado comigo?

— Não é você — Snape rosnou. — Saia

— Não! — Harry chorou. — Lembra da nossa conversa – aquela em que você disse que pensaria novamente sobre termos filhos?

— O que isso tem a ver com – é um processo longo e complicado – eu teria que fazer uma poção — Snape interrompeu.

— Mesmo se você fizesse a maldita poção, você ainda teria que chegar a cinco metros de mim para que funcionasse… — Harry cuspiu. — Você é impotente, é isso? Você é realmente incapaz de continuar assim, é isso, porque podemos trabalhar nisso!

— Não presuma colocar palavras na minha boca — Snape rosnou.

Harry o beijou rudemente, arranhando o rosto de Snape.

Snape se atrapalhou para fugir, os dedos como aranhas saltitantes. Ele empurrou os travesseiros para a beira da cama com pressa e uma pilha de papéis caiu no chão.

Tonto, Harry recuou.

— O que é isso? — ele perguntou, inclinando-se na beirada da cama. Snape havia congelado. Harry examinou o papel rapidamente, suas sobrancelhas se unindo a cada frase.

— Se você disser 'Oh, Severus' de novo, eu juro — Snape rosnou, claramente desejando estar em outro lugar. Harry olhou para cima, seus olhos verdes cheios de ressentimento.

— Chegamos a um acordo – nada fatal ou com danos permanentes, você disse! Você deveria estar fazendo maldições inofensivas porque você ama – porque você se importa comigo! Isso é desumano – Severus, como você pode viver comigo e ainda assim abrigar tais pensamentos nessa sua cabeça?

— Você está insinuando que sou um monstro? — Snape zombou de volta. — Uma fera?

— Como você seria se isso fosse lançado sobre você? — Harry gritou, agitando o papel para ele. — Você não tem moralidade, escrevendo maldições como essas?

— Essa maldição é inofensiva - aqui — Snape retrucou, pegando sua varinha da mesa de cabeceira. — Posso provar a você que cumpri suas regras ridículas.

— Espere, Severus, não -

— O efeito vai passar em questão de horas… — Snape zombou.

— Eu não preciso que você -

— Não quero que você pense que sou inconstante — disse Snape friamente, apontando a varinha para si mesmo e arrancando o papel dos dedos de Harry.

— Espere! — Harry gritou.

Incohare Bestia!  

**memória termina**

— Então, foi uma maldição que ele… criou? E atuou sobre si mesmo? — Os olhos do Auror estavam muito arregalados.

Harry assentiu.

— Como você se sente sobre isso?

Harry esfregou as mãos no rosto.

— Estou... com raiva, mas... Ele fez isso por mim. Não é culpa dele que tenha dado errado – confio que ele realmente pensou que isso não causaria algo tão horrível... O que você está dizendo – que ele não me ama e está preso assim? — Harry rosnou.

— Então não é permanente? O efeito vai passar? — o outro Auror se aventurou. Harry suspirou.

— Quem sabe? Se ao menos eu visse alguma melhora, poderia estar mais esperançoso, mas... ele é o mesmo agora de semanas atrás. Isso é tudo, senhores?

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Dois dias depois, eles tiveram sua primeira tempestade.

Um relâmpago iluminou a sala por um momento, seguido pelo estrondo do trovão.

Snape se escondeu debaixo da mesa.

Harry estremeceu – então se lembrou de Edwiges II, presa em sua gaiola no galpão. Certamente ela odiaria o trovão – ele deveria trazê-la para dentro. Ele geralmente a mantinha longe de Snape, mas, talvez, se ele se certificasse de que ela permanecesse em sua jaula...

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Edwiges II estufou as penas com raiva, espalhando água por todo o chão. Harry alimentou-a com uma guloseima e então saiu em busca de Snape, que havia desaparecido; apavorado, ao que parecia, com o estrondo do trovão.

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Harry desceu as escadas, confuso. Certamente Snape não tinha saído?

Foi então que ele percebeu que a jaula aberta de Edwiges estava no fogo.

Ele gritou, correndo ao redor da mesa.

Perto do fogo, Snape estava agachado sobre o corpo de Edwiges, uma das mãos em seu minúsculo pescoço branco. Uma de suas asas batia em um ângulo horrível e quebrado.

Snape mostrou os dentes enquanto rosnava para a pobre ave, com os olhos arregalados e as perninhas chutando impotentes.

— Não! — Harry chorou. — Ela não, por favor! Temos o suficiente para comer, por favor, não! — Snape o ignorou. — SEVERUS! — Harry lamentou.

A cabeça de Snape levantou-se.

Seus olhos se encontraram – os olhos de Snape se arregalaram.

Harry percebeu que estava tremendo.

— Mate-me em vez dela — Harry soluçou, caindo de joelhos, mas Severus apenas apertou ainda mais a pobre e aterrorizada Edwiges. — Severus, não — Harry sussurrou, entrecortado. — Por favor, não. Se sobrou algo de você aí, por favor, deixe-a ir. Por favor. Por mim. Qualquer coisa!

Ele olhou para cima, quase desesperado, para Snape...

E algo pareceu suavizar de repente nos olhos de Snape, ao ver Harry implorando entrecortadamente diante dele...

Ele soltou Edwiges silenciosamente, que gritou de terror e tentou fugir.

Harry a pegou gentilmente e a empurrou para fora do quarto em um pano de prato.

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— O que você acha que significa se eu pedir para ele não matar minha coruja e ele não matar? Você acha que ele está se recuperando? — Harry perguntou a Draco quando o pequeno idiota apareceu no portão naquela noite, com uma cesta de mantimentos na mão.

Draco pareceu não se incomodar com a pergunta. Ele apenas deu uma risadinha e passou a cesta para Harry.

— Tentando justificar seu tempo desagradável e suado com Snape de novo, Potty? — ele sorriu. — Você não vai conseguir. Todos nós pensamos que você é um pervertido. Pediram-me para entregar isto porque seus amiguinhos acham que você é assustador.

— Vá se foder — Harry rosnou, pegando a cesta e indo embora.

— Devo colocar algumas orelhas de cachorro e um rabo primeiro? — Draco chamou atrás dele. — Eu poderia latir um pouco enquanto fazemos isso, se você quiser?

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O sono demorou a chegar.

Finalmente, quente e úmido, Harry se livrou do ronco de Snape.

Ele andava pela casa, nu ao luar, acariciando indiferentemente estranhos itens táteis, movendo coisas por distâncias minúsculas e fúteis.

Ele acabou no loft, sentado entre as partículas de poeira que giravam sob a luz pálida e aquosa do nascer do sol e abrindo as caixas de itens embalados às pressas que trouxera do apartamento.

Eles haviam embalado a caixa de Snape, ele e Hermione, com os braços estendidos, usando suas varinhas para levitar os itens pessoais de Snape. Mesmo agora, a coleção de objetos estalava com magia negra.

Harry virou a caixa no chão e observou-os se espalharem.

Uma garrafa bateu em seu pé; o vidro fosco estava estranhamente frio. Harry se encolheu. Ele cutucou a garrafa com o dedinho do pé e ela rolou; o rótulo ficou visível.

Harry parou de repente.

Não poderia ser…

Snape fez a poção? Snape realmente fez a poção da gravidez?

Com as mãos trêmulas, Harry se atrapalhou para pegar o frasco. A rolha de vidro piscou na luz virgem.

  1. Tributo Vita.

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— Harry! — Hermione ofegou. — Ele não está em seu juízo perfeito – como você pode tomar uma decisão como essa por ele!

— Não é como se ele não tivesse feito isso antes - ele fez a maldita poção — Harry protestou, sem jeito. Ele foi convidado para ajudar na mudança de Hermione para a Toca, mas as pessoas ainda olhavam para ele de forma estranha e isso o deixava doente. — Ele queria uma família, ele fez isso por mim, porque ele ama -

— Você não pode usar esse argumento, Harry — Ginny retrucou, irritada no novo berçário da Toca. — Se ele tivesse feito uma poção suicida, você diria que ele queria tomá-la agora e usá-la com ele?

— Não, mas -

— Ele não é ele mesmo - pelo amor de Deus, Harry, como você pode esperar que ele seja pai quando tudo o que ele quer é comer, dormir e ter... você sabe… — Hermione parou de falar, sorrindo. — Eu sei que parece um homem típico, mas -

— Ainda é tão engraçado que você não consegue fazê-lo vestir roupas. Ele ficaria mortificado se fosse ele mesmo — Ginny sorriu.

— Eu sei — Harry suspirou. — Caramba, como eu sei disso. Ele não pode ser pai em sua condição, pode? Como é que eu vou conseguir que ele seja gentil comigo agora que... Desculpe. — Harry corou, enquanto Ron parecia doente. Harry não deveria ter mencionado isso

— Não é só isso — Ginny acrescentou, obviamente pouco à vontade. — Como ele seria com um bebê? E se ele decidisse que parecia, hum, saboroso...

Harry ficou horrorizado.

— Ele nunca machucaria uma criança, ele está melhorando - Hermione, lembra daquela vez que ele percebeu que você estava grávida? — Harry chorou.

— Sinto muito, Harry, mas se você acha que vamos levar nosso filho para visitar Snape quando ele nascer, então você está completamente maluco — disse Ron. Hermione entrelaçou os dedos com os dele.

— Harry, ele está certo — disse ela, — mas você sempre será bem-vindo aqui...

— Claro — Ron retrucou. — Só… sem ele.

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Harry avançou pelo caminho de paralelepípedos do jardim, resmungando sombriamente.

Ele parou quando chegou ao gramado ao lado da casa.

Estava coberto de sangue e penas.

— Edwiges? — Harry sussurrou. Seu corpo ficou frio. — Não…

Snape, enrolado na grama, tomando sol despreocupadamente, abriu um olho.

— Esta é Edwiges? — Harry exigiu, correndo pelo gramado. — Diga-me, maldito!

Snape se encolheu e depois deu um tapa em Harry como se ele fosse uma mosca particularmente enfadonha.

— Deus! — Harry gritou, caindo no chão, no meio da carnificina. — Já estou farto – foda-se tudo. Eu quero ser selvagem como você, então nada importaria… — e ele arrancou a camisa.

Snape ergueu a cabeça, interessado, observando enquanto Harry se atrapalhava com os cadarços e chutava os sapatos para longe na grama. Ele mexeu nas calças antes de tirá-las, junto com a boxer.

— Certo — disse Harry, completamente nu, e atacou Snape.

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Fodendo lá fora, nu e exposto, sentindo a brisa deslizando sobre sua pele e cheirando a terra rica e a madeira úmida e o musgo e o perfume indolente e inchado das flores... Harry jogou a cabeça para trás e gemeu.

Eles estavam fazendo isso no estilo cachorrinho, Harry se curvou sobre um tronco caído e Snape entrou nele com força e rapidez por trás.

A pele de Harry estava em carne viva e com aparência queimada, e manchada com linhas de terra em forma de dedos.

Havia sujeira em sua boca, olhos, orelhas... Eles não tinham lubrificante, então Harry teve que se afastar e tentar cuspir no pau sujo de Snape.

Ele doeu deliciosamente; o sol dourado batia forte e cobria sua pele com uma camada de suor, que Snape continuava lambendo.

O ar fresco fez Harry se sentir faminto e energizado. Ele adorava a aspereza da madeira e o formigamento da grama, e o homem forte e poderoso atrás dele, segurando seus quadris com força e empurrando-o repetidamente…

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Harry estava deitado de lado, esparramado languidamente. Ele estava imundo, feliz e exausto. Havia terra, folhas e suor em seu cabelo; seu corpo estava arranhado, machucado e dolorido.

Era o paraíso.

Snape estava deitado atrás dele, pressionado nu contra as costas de Harry. Ele estava com o nariz no cabelo de Harry, respirando Harry e mordendo o pescoço de Harry suavemente enquanto pressionava as palmas das mãos na pele rasgada de Harry e tateava .

Eles fediam, cobertos de gozo, sangue e detritos da floresta, mas havia algo de libertador para Harry em colocar a boca na pele suja de Snape.

Eles estavam morando na floresta ao redor da casa há uma semana; Harry ocasionalmente entrava para pegar comida, e Snape brigava com ele. Harry muitas vezes não conseguia nada – até Snape perceber que ele parecia fraco, e então caçar algum pequeno animal e o jogava aos pés de Harry.

Harry mal falou; ele choramingou e uivou e latiu e rosnou junto com seu amante. Se algum outro animal selvagem tivesse entrado no jardim, Harry não tinha dúvidas de que ele e Snape eram mais do que páreo para presas e garras afiadas.

Depois de oito dias, Harry, tão cheio de esperma que escorria quando se movia, com líquido incrustado na parte de trás das coxas, praticamente rastejou para dentro, engoliu a poção de gravidez e rastejou de volta para fora.

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— Ah, Harry.

A voz soou tão compassiva, tão decepcionada, que Harry se encolheu, tentando enterrar a cabeça nas costas fortes de Snape. A luz do sol da manhã filtrava-se pelas folhas e penetrava no covil de galhos quebrados.

— Harry, você está horrível! Harry -

— Fique para trás, Hermione — Ron sussurrou. — E se ele também foi atingido pela maldição? E se ele também for um animal...

— Nada humano vive aqui — Harry murmurou, e se virou. Ao lado dele, Snape se mexeu.

— Harry — veio a voz de Hermione novamente, — os Aurores estão aqui. Estamos todos aqui – Andrômeda até trouxe o pequeno Teddy –

— Deixe-nos em paz — Harry gemeu, abrindo os olhos brevemente. Ginny estava atrás de Ron e Hermione, parecendo querer chorar.

— Você tem sangue na parte de trás de sua coxa - oh — Ron parou. — Entre e limpe, sim? Você não quer que Teddy veja você assim.

— Eu te disse — Harry retrucou, — eu sou uma criatura, assim como Severus, eu não sou -

— Eles acham que encontraram uma cura — disse Hermione. — Eles nos contataram porque ninguém conseguiu entrar em contato com você. Eu posso curá-lo.

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Meia hora depois, Harry estava sentado à mesa da cozinha, sentindo-se estranhamente restrito na camisa e nas calças.

— Certo — Harry suspirou. — O que nós fazemos?

— A maldição em si é selvagem — Hermione o informou. — Se conseguirmos expulsá-la de seu corpo, talvez possamos prendê-lo em outro lugar; em um animal ou, por pouco tempo, trouxemos isso — e ela tirou uma garrafa verde da bolsa. — Isso vai funcionar.

— Se você tem certeza, então vamos procurá-lo - é melhor ir buscar Teddy na outra sala, certifique-se de que ele não atrapalhe — acrescentou Harry, enquanto todos se levantavam.

Ele tinha emoções confusas sobre a coisa toda. É claro que ele queria Severus de volta, mas...

E se Snape o deixasse porque eles fizeram sexo?

Foi então que Andrômeda apareceu.

— Vocês estão com Teddy? — ela chorou. — Ele veio ver você!

— Não — disse Harry - e os rostos ao seu redor ficaram pálidos. — Mas ele estará aqui em algum lugar – não é como se alguém tivesse deixado a porta aberta...

Todos eles olharam para o corredor.

Além da porta aberta, o jardim era exuberante e verde sob a suave luz do sol da manhã.

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— TEDDY! — Harry uivou, correndo pela grama, seus amigos se espalhando atrás dele.

— TEDDY? — gritou Andrômeda, da casa.

Ron e o trio de Aurores sacaram suas varinhas, seus rostos sombrios.

— Guarde isso — Harry retrucou, parando.

— Não — Ron zombou, — sinto muito, Harry, mas isso está além de você agora. Se aquele bastardo machucou Teddy, eu juro que vou matá-lo eu mesmo.

— Ele não iria – lembra o que Draco disse sobre Edwiges? Harry pediu a Snape para poupá-la e ele o fez – ele tem compaixão humana –— Ginny lamentou.

— Edwiges está morta — Harry cuspiu, batendo nos arbustos. — Ele a eviscerou na semana passada. Ou isso, ou ela foi embora, mas não está aqui.

— Oh Deus! — Hermione chorou.

— Para onde olhamos – para onde ele vai? — um dos Aurores disse, vasculhando o jardim.

— Vou dar uma olhada em nossa toca primeiro — respondeu Harry, e saiu correndo.

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Enquanto Harry corria por entre os arbustos, ele ouviu o grito, e dedos de gelo apertaram seu coração como se fossem um torno.

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A entrada da toca estava manchada de sangue, vermelho e pegajoso, como calda dourada.

Harry arrancou a varinha do bolso da calça jeans, enjoado, a bile subindo pela garganta e um gosto acre e ácido inundando sua boca.

Ele podia ver as costas de Snape, dentro da toca. Snape estava curvado sobre alguma coisa, ofegante, sua caixa torácica subindo e descendo pesadamente.

— OH MEU DEUS! — Ginny gritou, parando atrás de Harry e agarrando o braço de Harry, suas unhas cravando-se na pele de Harry. — ELE MATOU TEDDY!

O som de passos veio em seguida, e os três Aurores surgiram dos arbustos.

— Ele é um animal! Ele deve ser destruído! — gritou um, erguendo a varinha.

— EXPELLIARMUS! — Harry gritou, e a varinha voou da mão do homem, sendo catapultada para os arbustos. — Eu matei Voldemort! — ele gritou, cuspindo voando de sua boca. — Eu vou matar todos vocês antes de deixar chegarem até ele!

Então algo mais aconteceu.

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O lobo atacou Harry e o prendeu no chão antes que alguém tivesse a chance de piscar.

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Ao som do grito de Harry, Snape se virou. Com os olhos selvagens e a boca vermelha de sangue, ele saiu correndo da toca – revelando o pequeno Teddy, atordoado e pálido embaixo dele.

O garoto de cabelo azul estava escondido atrás do corpo de Snape e seu rosto estava coberto de manchas de sangue, como se Snape estivesse tentando lambê-lo para limpá-lo -

Um feitiço explodiu dos dedos de Snape, fazendo o lobo gritar – e erguer suas terríveis mandíbulas afiadas do ombro ensanguentado de Harry. Snape se lançou sobre o lobo, com os dentes à mostra, o rosto transformado em uma máscara de ódio e violência.

Com os músculos tensos, ele atacou como um tigre, revelando uma feia ferida de garra no quadril.

Ele colidiu com as costas já ensanguentadas do lobo… 

— Não é sangue do Teddy! — Ginny gritou – e cravou os dentes tortos na carne do lobo.

Houve um som horrível de uivo; Snape afundou os dedos nas costas do lobo e arrancou punhados de pelo cinza e emaranhado. O lobo virou a cabeça, chorando. Ele bateu no braço de Snape, errando por pouco a Marca Negra.

Snape deu um soco na cabeça do animal e jogou-o nas árvores, correndo atrás dele.

Ginny ofegou e correu pela grama, agachando-se diante da entrada da toca e agarrando Teddy, que começou a chorar tempestuosamente quando a viu.

Os Aurores estavam curvados sobre Harry, lançando feitiços apressados sobre o ferimento em seu ombro enquanto Harry cerrava os dentes e tremia.

Hermione e Ron vieram correndo. Ron empalideceu quando viu Ginny abraçando Teddy, mas Ginny balançou a cabeça.

— Não é o que você pensa! Acho que Snape o salvou. Há um lobo, ele pegou Harry. Eu... eu não sei sobre Snape. Ele ainda está lutando contra ele.

Uivos e rosnados vinham dos arbustos – seguidos por um longo gemido.

Hermione passou por Ginny, com a varinha na mão.

— Lá? — ela perguntou, a garrafa verde apertada firmemente em seus dedos.

Entretanto, enquanto ela se dirigia para os arbustos, Snape e o lobo se desentenderam; as garras do lobo cravaram-se cruelmente nas costas de Snape.

Ron agarrou-a pelo braço e puxou-a para trás, mas Hermione o forçou a se afastar, a determinação formando linhas duras em seu lindo rosto.

— Harry — Ron sussurrou, caindo de joelhos ao lado de seu melhor amigo, que estava ali deitado, branco e abatido. — Você está bem, cara?

— Eu... Severus… — Harry sussurrou.

— Alguém mate o lobo! — gritou Ginny.

— Não! — Hermione gritou, enquanto os Aurores começavam a se levantar. — Você pode acertar Snape!

— Foda-se Snape — disse um deles, e apontou sua varinha diretamente para as duas feras em luta, um Imperdoável florescendo em seus lábios –

— Expelliarmus! — Ron gritou, tirando a varinha do homem em um instante – e nem um segundo antes.

O Auror se lançou contra Rony com raiva – mas Rony o segurou, com a varinha em punho e o rosto contorcido em um rosnado.

Não — Ron sibilou, — Snape pertence a Harry. Se você o machucar, vai passar por mim.

— Vou tentar transferir o feitiço para o lobo — Hermione gritou. — Todos recuem e alguém mate o lobo se eu tiver sucesso!

Os Aurores se afastaram.

— Vamos , Ron — gritou Ginny, enquanto Ron pairava relutantemente ao lado de Harry – enquanto Hermione tentava mirar seu feitiço com cuidado, jogando a garrafa na grama.

Enquanto ela pronunciava as palavras, porém, o lobo mordeu com força o pulso de Snape. Snape rugiu e mergulhou os dedos no chão, afastando-se - em direção a Harry.

O feitiço explodiu da ponta da varinha de Hermione, gritou pelo gramado e colidiu com Snape em uma explosão de luz amarela.

Os olhos de Snape brilharam amarelos – ele soltou um grito e estremeceu. O feitiço vazou dele em uma torrente de névoa laranja, jorrando sobre o primeiro ser vivo que encontrou.

Snape se viu esparramado nu na grama, sangrando, ferido, com Harry convulsionando no chão ao lado dele em uma poça de luz laranja.

Ele se virou para o lobo, abriu calmamente a palma sangrenta e disse:

— Cruor.

Uma bola de magia negra crepitou na palma da mão de Snape e envolveu o lobo em uma nuvem efervescente, um enxame de abelhas e alfinetes.

A fera gemeu e houve um 'estalo' ecoando.

Então… silêncio.

A nuvem se dissipou, baixando o corpo quebrado do animal quase com ternura sobre a grama ensanguentada.

— Você está de volta — Ron disse, olhando para Snape.

— É o que parece — Snape ofegou. Ele se virou, quase em desespero, para olhar para Harry, que havia se sentado, virado a cabeça... e lambia cuidadosamente o sangue do próprio ombro.

Algumas semanas depois…

— Olá — Ron disse, mal-humorado, parado no portão com a cesta familiar na mão.

Snape arrancou-a bruscamente da mão, ergueu a tampa com os dedos finos e espiou dentro.

— Eu pedi Torta de Melaço — ele retrucou, olhando carrancudo para Ron por cima do portão. O jovem recusou-se a olhar para ele. — Você sabe que ele é uma ameaça se não tiver isso – eu nunca vou conseguir que ele faça nada.

Talvez — Ron rosnou de volta, ainda sem olhar para ele, — eu não gosto da maneira como você o recompensa com isso. Ele não é um cachorro. Ele nunca obrigou você a fazer truques.

— Eu não o obrigo a fazer truques — disse Snape, acidamente. — É um sistema de recompensa para quando ele realmente faz algo diferente de tentar lamber as próprias bolas.

Ron corou, xingando.

— Eu nunca o vi fazer isso — ele murmurou.

— Estou claramente treinando-o bem, então, não estou? — Snape zombou. Ron apenas deu de ombros, infeliz. Snape suspirou. — Weasley, preciso ver você uma vez a cada três dias; você poderia gentilmente fazer contato visual comigo apenas uma vez?

— Não — Ron disse, estremecendo. — Eu vi você nu. Eu nunca vou me recuperar. Hermione queria que eu lhe dissesse que ela acha que está muito perto de, er, resolver o problema. Só para você saber. Pode ser a qualquer momento.

Houve problemas desde a recuperação de Snape.

Hermione imediatamente tentou remover a maldição de Harry – para sua garrafa – mas a maldição saltou imediatamente de volta para Snape.

Para grande espanto de Hermione, ela se recusou a entrar na garrafa.

Também se recusou a transferir para qualquer um dos animais que adquiriram como potenciais hospedeiros.

Parecia que seria apenas uma transferência entre Snape e Harry.

Snape havia expressado sua preferência – era a vez de Potter. Afinal, quem teria maior probabilidade de encontrar a cura, ele mesmo ou Potter?

Ele havia sido reduzido, porém, ao papel de cuidador, já que Harry ia direto até ele em todos os momentos, tendo assumido a personalidade de um cão amigável e dedicado. Rony achou que isso falava muito sobre suas personalidades – a mesma maldição que transformou Harry em uma adorável e babosa bola de atenção, tornou Snape violento e selvagem...

Exatamente naquele momento, houve um farfalhar nos arbustos atrás de Snape, e Harry saiu correndo, correndo pela grama. Ele estava vestido com uma cueca samba-canção vermelha (não exatamente modesta) (Rony empalideceu e desviou o olhar quando percebeu que podia ver as bolas raspadas de Harry através do tecido) e uma camiseta que dizia 'Quadribol é para idiotas com morte cerebral'. 

Ron fez uma careta quando viu.

— Eu gostaria que você não o obrigasse a usar isso — ele resmungou. — Qual é o objetivo?

— Vingança — Snape disse, suavemente. — Durante todo esse tempo ele me deixou vagar por aí completamente nu.

Ele não está exatamente vestido, está? — Rony disparou, enquanto Harry começava a tentar passar pelo portão com entusiasmo para alcançá-lo.

— Ele está decente — Snape fungou. — Você pode entrar, você sabe.

Ron abriu o portão hesitantemente e passou - apenas para ser surpreendido quando Harry se lançou sobre ele como um cachorrinho ansioso.

Enquanto Harry babava de alegria em todo o rosto, Ron fez uma careta e tentou empurrá-lo.

— Eca! — ele choramingou. No momento seguinte, Snape agarrou Harry pela gola da camisa e puxou-o para trás.

— Sente-se — ele retrucou, e Harry dobrou seus próprios membros obedientemente em uma pilha organizada aos pés de Snape. Ron sentou-se, fazendo uma careta.

— Como você conseguiu que ele fizesse isso?

— Como expliquei; punição e recompensa — Snape sorriu. — Bom menino — acrescentou ele, acariciando o cabelo de Harry. Harry fez um ronronar feliz e fechou os olhos, acariciando a mão de Snape com o rosto voltado para cima. Ron parecia que ia ficar doente.

— É melhor eu ir embora — ele murmurou, subindo. — Estarei de volta na quarta-feira. Certifique-se de cuidar dele — disse ele, ameaçadoramente.

Snape apenas revirou os olhos e saiu.

— Venha, Harry! — ele chamou, e Harry rastejou atrás dele, seus pés deslizando na grama molhada.

— E certifique-se de dar a ele mais algumas roupas! — Ron chamou atrás dele.

— Ele sempre usa roupas, Weasley, o que você acha que eu sou, um animal? — Snape retrucou, por cima do ombro.

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Uma vez dentro da cabana, Snape mudou-se rapidamente de cômodo em cômodo, fechando todas as cortinas. Na penumbra, ele tateou até o sofá, acomodou-se nele e acendeu o fogo da sala.

Harry apareceu na porta, curioso. Ele trotou para dentro da sala, observando Snape, que deu um tapinha na almofada ao lado dele para Harry pular.

— Venha aqui — Snape rosnou. Harry se aninhou na almofada, a cabeça apoiada na coxa de Snape. — Bom garoto — Snape repetiu, deslizando os dedos no cabelo bagunçado de Harry.

Com a mão livre, ele procurou sua varinha – então baniu as roupas de Harry.

Harry se contorceu feliz.

— Muito melhor, hein? — sorriu Snape, os dedos vagando preguiçosamente até o zíper de sua calça escura.

Saboreando o momento, ele deixou seus dedos deslizarem dali para a pele dourada de Harry, enquanto Harry virava o rosto e acariciava a virilha de Snape.

— Você não precisa de creme para me chupar, precisa? — ele sorriu. — Coisinha atrevida.

Harry ronronou. Ele parecia gostar de ter seu cabelo acariciado.

— Ainda não consigo acreditar que você fez isso comigo — disse Snape, de repente. — Lembro-me de tudo. As coisas que eu fiz... as coisas que você fez - acrescentou ele, olhando para Harry com reprovação enquanto o jovem o distraía murmurando em seu pênis. — Seus amigos nos viram; Eu me degradei completamente. Lily teria vergonha de nós. De mim .

Harry não pareceu se importar.

— Mesmo assim... eu me encontro... sem vontade de parar — Snape admitiu, deslizando a mão pela nuca de Harry e empurrando o rosto de Harry mais fundo em sua virilha, onde Harry fungou satisfeito. — Talvez aquela maldição dando tão errado seja no final das contas... benéfica... Bom menino — acrescentou Snape. — Você pode receber sua recompensa especial agora, se quiser.

Ele abriu o zíper e gentilmente guiou o rosto entusiasmado de Harry até seu pênis.

— Bom menino; menino lindo e maravilhoso — Snape gemeu, quando Harry começou a sorver alegremente.

Ele não viu os olhos de Harry ficarem amarelos, mas Harry decidiu rapidamente, com a boca cheia de pau, que preferia esperar até mais tarde para dizer a Snape que estava curado.

Além disso, ele tinha a questão bastante estranha de sua possível gravidez para discutir...

Mas havia coisas mais prazerosas para fazer naquele momento.

FIM.