Chapter Text
Não foi terno. Longe disso. Cada toque acendeu pequenas labaredas em seu corpo, incendiando-o pouco a pouco. Aquelas mãos fortes passando por cada centímetro de sua pele, arrepiou-o. Os beijos e mordidelas não se destinavam somente a sua boca. As marcas de chupões e mordidas estavam por todo lado, não havia nenhum milímetro de pele sem ao menos uma.
E por mais selvagem que tivesse sido, ele não encontrava em si mesmo vontade de se arrepender. Por mais apressado, cada segundo foi aproveitado e seria para sempre lembrado. Se não pelas sensações no momento sentidas, então pelo fruto que aquela noite resultou. Ele a fez ainda mais especial.
Não estava nos seus planos engravidar. Na verdade, engravidar, no seu caso, deveria ser impossível, afinal ele era homem e até onde sabia homens não geravam vida. Contudo, a criança já era muito amada, pois era fruto de seu amor por um certo “Prefeito Demônio”. Um amor que considerava um tanto quanto unilateral, porém ele teria para si um pedacinho de sua Nuvem.
E por falar em seu amado guardião da nuvem, bem, fazia um mês que não o via desde sua noite de luxúria.
Acordar nos braços fortes de Hibari Kyōya foi um sonho, mas não poderia permanecer lá para sempre. Ficou envergonhado e tinha certeza de que não conseguiria encará-lo, por isso fugiu. Não para sua casa, nem nenhum lugar próximo de Namimori ou até mesmo do Japão. Fugiu sem o conhecimento de ninguém, nem mesmo avisou ao tutor espartano, Reborn. Tsunayoshi sabia que precisava de tempo para se acalmar e, naquele momento, estava onde ninguém chegaria a desconfiar: na sede da Varia. Afinal, quem imaginaria que ele e Xanxus se aproximaram mais depois da luta do anel e de terem voltado do futuro, a ponto de trocarem mensagens e e-mails?
Assim, fazia exatamente um mês desde sua chegada ali, local em que também descobriu por algum milagre estar grávido — na verdade Lussuria lhe explicou como isso ocorreu, só que ele ficou em choque e não conseguiu entender totalmente, somente compreendeu que existia homens que possuíam essa capacidade e que nem todos sabiam, pois não mantinham relações sexuais com outros homens e eram chamados de donzelas. Sem falar que Sawada ainda tinha só 16 anos: ou seja, jovem demais para ter engravidado.
Não estava preparado para voltar para casa, principalmente depois dessa notícia. Nem sabia como iria explicá-la a todos, em especial ao outro pai do bebê.
— Minilixo, como está se sentindo? — perguntou Xanxus entrando no quarto que o jovem Céu ocupava.
— Ainda em choque, mas bem — respondeu Tsuna, voltando seu olhar para o Céu da Ira. — É estranho pensar que serei pa… quer dizer, mãe e aos 16 ainda — comentou, saindo de perto da janela e se aproximando de onde o italiano estava sentado. — Sabe, Xan, quando admiti pra mim mesmo que não amava Kyoko-chan, e acho que realmente nunca a amei, eu pude perceber que prestava mais atenção em garotos do que garotas e sempre observava mais e mais Hibari-san. Ir para o futuro e ver sua versão mais velha me deixou sem fôlego, quase não conseguia tirar os olhos dele. Não quero ser convencido, mas via ele me observando também, ou talvez fosse impressão minha. Quando apareceu o Hibari mais jovem, eu tive certeza, gostava dele como homem, até mesmo o jeito sanguinário dele me atraía. Quando ele lutava, mais parecia um espetáculo para mim.
— É, minilixo, você caiu feio pro lixo-Nuvem — disse Xanxus com um sorriso zombeteiro.
— Ah!Ah! Bem, é quase isso mesmo — falou rindo.
— Então, quando vai contar pro lixo-Nuvem que ele vai ser papai? — indagou, com tom zombeteiro, o chefe da Varia arqueando uma sobrancelha.
— Eu não estou pronto para encará-lo ainda, principalmente agora. Como vou dizer a ele que nossa noite juntos resultou em uma pequena vida? — disse tocando sua barriga por enquanto lisa.
— Minilixo, agora tem uma pessoa mais importante do que vocês dois, essa que ‘tá aí na tua barriga, o fruto da foda de vocês. Pense bem, depois volte para casa e converse com a cotovia, os outros lixos devem estar preocupados. Agora eu preciso de uma bebida, minha cota de álcool e de momentos piegas está baixa.
Após dizer isso, Xanxus saiu do quarto, deixando o jovem Décimo pensando nas palavras do primo e tocando sua barriga por baixo da camisa.
H&T
Longe dali se encontrava uma certa cotovia, que, para lidar com a preocupação e a frustração com um pequeno acastanhado, estava mordendo até a morte tudo e todos que entravam em seu caminho. Os alunos de Namimori High andavam nas pontas dos pés para não sofrer nas mãos, quer dizer, nas tonfas da cotovia.
Hibari Kyōya se considerava um carnívoro de direito e não aceitava sentimentos considerados herbívoros. Demorou muito a aceitar os seus próprios por Sawada Tsunayoshi e mais ainda para agir sobre eles, não que tenha deixado claro para Tsuna, mas agora que havia resolvido essas questões (bem, nem todas, já que um certo acastanhado ainda achava que seus sentimentos eram unilaterais), o jovem Décimo resolveu sumir no mundo. Nem mesmo Bebê — apesar de Reborn não ser mais um, Kyōya ainda o chamava assim — conhecia seu paradeiro. Não saber onde seu Céu estava o irritava, principalmente quando ele não se encontrava em seu território (o que lhe causava frustração), onde estaria seguro. A segurança de Tsunayoshi era o motivo da sua preocupação. A seu ver, ninguém melhor do que ele e Bebê para a proteção do jovem Vongola.
Hibari não via Sawada desde a noite em que compartilharam um momento de luxúria. Sabia que não foi carinhoso, e sim apressado, frenético, carnal, como também tinha sido a primeira vez do acastanhado. Foi por isso que mesmo entregue à luxúria, fez de tudo para tornar a ocasião prazerosa ao outro, para transformá-la de alguma forma em algo memorável.
Dormir com Tsuna em seus braços foi sua maneira de ser carinhoso, claro que isso também acalmou sua veia possessiva. Tinha sentido o momento em que o acastanhado acordou, assim como o instante em ele decidiu ir embora e, mesmo não sendo algo que gostasse, Kyōya achou melhor Sawada ter um tempo para si e refletir. No entanto, se soubesse que o jovem Céu usaria essa oportunidade para fugir, para lá se sabe onde, teria apertado seus braços naquele corpo pequeno, e de alguma forma curvilíneo, e não o soltado mais.
— Kyō-san, conseguimos uma pista de onde Sawada-san possa estar — falou Kusakabe Tetsuya, braço direito do presidente disciplinar, ao entrar na sala do Comitê com algumas folhas na mão.
Com essas palavras, a cotovia saiu de seus pensamentos e deu atenção ao seu segundo em comando.
— Hm — disse com uma sobrancelha arqueada. — Onde?
— Tudo indica que Sawada-san saiu do Japão com destino a Itália em um jato particular — respondeu ao deixar as folhas na mesa de Hibari. — O que nos fez demorar mais tempo para descobrir isso foi o sigilo em torno do embarque, além do proprietário do jato.
— Quem?
— Ao que tudo indica, o jato é de propriedade da Vongola, mas precisamente da Varia — respondeu Tetsuya.
— Hm. Bom trabalho, Tetsu — comentou, analisando os papéis com as informações. — Já pode sair.
— Obrigado, Kyō-san — agradeceu Kusakabe, realizando uma reverência e logo deixando a sala.
Kyōya agora só precisava pensar no que e como fazer para trazer o onívoro de volta a Namimori, além de saber o motivo de ele ter fugido e evadido as aulas. Dependendo da resposta de Tsunayoshi, decidiria se o morderia ou não até a morte.
H&T
Reborn sabia que seu aluno nutria sentimentos pelo seu guardião da nuvem, assim como era correspondido. Contudo, conhecendo os dois, nem um nem outro revelaria o que realmente sentia. Um porque era denso demais, ingênuo demais e com uma baixa autoestima; o outro porque não achava que esses sentimentos eram dignos de um carnívoro. Na opinião do Arcobaleno, ambos eram idiotas. E foi por isso que armou para ficarem sozinhos, em um local a que ninguém teria acesso, e que melhor lugar do que a própria casa da cotovia? Infelizmente o plano não deu totalmente certo, os idiotas não chegaram a confessar e seu dame-aluno acabou fugindo do país sem lhe falar nada.
O Hitman daria ao adolescente uma recompensa pela coragem e por esconder bem seus rastros com tão pouco tempo para planejar, afinal o Arcobaleno demorou mais de duas semanas para descobrir onde seu aluno estava. Reborn não sabia se ficava impressionado ou irritado, talvez os dois. Era por isso que antes da recompensa dame-Tsuna teria que receber um castigo.
E pensar que o jovem Vongola estaria na sede da Varia. Nunca havia passado pela sua cabeça que Tsunayoshi ficou próximo de Xanxus a ponto de fugir para lá.
Entretanto, o Sol Arcobaleno decidiu por dar o tempo que seu aluno precisasse, porém não muito, no máximo um pouco mais de um mês. E foi por isso que não contou aos outros o paradeiro do acastanhado, já que ao que tudo indicava a mamãe sabia desde o princípio onde Tsuna se encontrava. Além de ser um teste para a cotovia, se ele acharia ou não os rastros do Céu Vongola. Demorou um pouco mais do que o Hitman, mas, ainda assim, o maior assassino do mundo estava impressionado com o trabalho e liderança do líder do Comitê Disciplinar de Namimori.
H&T
Com a saída de Kusakabe, Reborn deixou um de seus esconderijos na escola.
— E agora o que vai fazer, Hibari? — questionou se aproximando do sofá e sentando-se lá com uma xícara de seu amado expresso.
— Estou pensando, Bebê — respondeu Kyōya com uma carranca.
— Pense assim, Hibari — começou o Arcobaleno. — Dame-Tsuna é para você o equivalente a um companheiro para um carnívoro. Vai deixar seu companheiro na Itália sozinho, onde sua segurança está nas mãos de terceiros, além de ter inúmeras jovens que adorariam ter uma chance com o próximo chefe Vongola? Pense bem, Hibari.
Com essas palavras, Reborn bebeu o último gole do expresso, deixando a xícara na mesinha em frente ao sofá, e saiu da sala através da janela.
O que o Hitman havia falado estava passando pela cabeça da Nuvem, quebrando assim as últimas barreiras a respeito de seus sentimentos e da aceitação de seu relacionamento com o antigo herbívoro, Sawada Tsunayoshi. E para Hibari já era hora de deixar claro ao acastanhado a quem ele pertencia.
— Kusakabe.
Ao ouvir o chamado de seu líder, Tetsuya entrou novamente na sala.
— Sim, Kyō-san?
— Prepare o jato o mais rápido possível, estou indo para a Itália.
H&T
— VOII, chefe de merda, não acha que já ‘tá na hora de os outros saberem onde o minichefe está? — perguntou o guardião da chuva, Superbi Squalo, entrando no quarto do chefe da Varia.
— Acha mesmo que o maldito Sol Arcobaleno não sabe onde ele está, tubarão-lixo? — questionou de volta Xanxus que, ao beber o restante de vinho de sua taça, jogou-a na cabeça de Superbi.
— VOII, chefe de merda, pra que foi isso? — indagou irritado o vice-comandante da Varia.
— Foi pra ver se tu cala a boca, lixo! — falou Xanxus impaciente. — Mas o minilixo vai acabar tendo uma surpresa esses dias.
— O que quer dizer, chefe de merda?
— Só acho que o lixo-Nuvem não vai demorar muito mais para encontrar o minilixo e acredito que é isso que o Arcobaleno quer que aconteça. Agora, sai fora, tubarão-lixo, que eu quero dormir — terminou irritado o Céu da Ira, com a mão em suas X-guns.
— VOII, ‘tô saindo, chefe de merda — comentou o segundo em comando, retirando-se do quarto.
H&T
— O que eu vou dizer ao seu pai, hein? — perguntou Tsuna, caminhando pelo jardim da mansão da Varia, acariciando sua barriga ainda plana. — O que será que ele vai dizer? Será que ele vai acreditar em mim? Sabe, eu acho que sempre amei seu papai e que meu suposto amor pela Kyoko era porque não aceitava amar uma pessoa tão extrema como Hibari-san. Depois que Reborn chegou, percebi que Hibari-san sempre nos ajudava de alguma forma e, toda vez que precisávamos dele, ele estava lá pra gente — disse Tsuna, pausando sua fala. Então comentou baixinho: — Só espero que agora ele ainda continue disposto a estar lá, tanto para mim quanto pra você, meu pequenino. Acredito que já é hora de entrarmos. — Deu meia-volta e retornou à segurança da mansão.
Ao saber de sua ida para Itália, Xanxus fez o possível e talvez até o impossível para tornar a residência e o entorno dela completamente seguros para que Tsuna pudesse caminhar por ali sem temor. E essas medidas foram multiplicadas depois de tomar conhecimento do novo herdeiro Vongola, que já considerava como seu sobrinho, mesmo que não admitisse. Não que precisasse, todos sabiam do carinho que o Céu da Varia nutria pelo jovem Céu Vongola e que isso seria passado automaticamente a qualquer filho dele.
— Acho que seu tio Xanxus está certo, também é hora de pensar em voltar para Namimori e contar ao seu papai de sua presença — falou sorrindo amorosamente para seu bebê. — Só não vou dizer isso pra ele, seu tio já é muito convencido — finalizou rindo e entrando na mansão.
***
Lussuria definiu que por precaução e para que a gravidez de Tsunayoshi fosse tranquila, ele deveria ter consultas de duas em duas semanas no primeiro trimestre e que a frequência do segundo em diante seria definida dependendo do andamento da gestação do adolescente. Isso porque a gravidez masculina era mais complicada do que a feminina, sem falar que Tsuna ainda era muito jovem, além de ter uma constituição pequena, o que poderia aumentar os riscos. Coisa que ninguém estava disposto a deixar acontecer.
E era em uma dessas consultas que o acastanhado se encontrava. Depois que entrou, o jovem tomou um banho e logo se dirigiu para a parte da mansão em que ficava o consultório de Lussuria.
— Seus sinais vitais estão bons, nível de glicose está normal e o desenvolvimento do feto está indo de acordo com o tempo de gestação — o guardião do sol da Varia fez os apontamentos guardando o estetoscópio. — Isso é ótimo pra você e o bebê. Aqui estão algumas vitaminas e uma pequena lista de alimentos para você conseguir dar todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento do filhote — falou o mais velho entregando ao gestante os itens listados.
— Obrigado, Luss-nee, por cuidar de mim e do meu filho e também me tranquilizar quando soube da existência dele — comentou o jovem Céu dando um abraço no outro homem.
— De nada, Tsu-chan — respondeu Lussuria e, pegando um livro que estava ao lado de sua mesa, entregou a Tsuna. — Aqui, é um guia completo sobre a gravidez. Ele aborda todas as fases da gestação, do planejamento ao pós-parto.
— Obrigado — agradeceu novamente, agora olhando para o exemplar. — Bem, vou para meu quarto e aproveito e começo a ler o livro. Até logo, Luss-nee.
Tsunayoshi saiu da sala lendo a capa e a contracapa do que recebeu. “Hum, O que esperar quando você está esperando?. Bem, sei que preciso saber tudo o que vou passar nessa gravidez”, pensou o jovem Sawada andando pelo corredor que o levaria até a ala da elite da Varia.
— Ushishishi, minichefe — chamou Belphegor, o guardião da tempestade de Xanxus, ao passar pelo acastanhado. — Como está o pequeno príncipe?
Belphegor, conhecido como o Príncipe Estripador, aprendeu a respeitar o décimo chefe Vongola. E quando soube que o outro estava gestante, decidiu chamar o bebê de príncipe, pois a seu ver, mesmo não tendo sangue real, seria o herdeiro de um grande império da máfia.
— Ah, Bel! — Tsuna exclamou, parando sua leitura da contracapa do livro e olhando para o loiro. — Ele está indo bem, Luss-nee disse que o desenvolvimento dele está de acordo com meu tempo de gestação — respondeu tocando sua barriga.
— Ushishishi, isso é bom. Mostra que o pequeno príncipe é forte — comentou Bel acariciando uma de suas amadas facas. — Nos vemos por aí, minichefe, cuidado com o pequeno príncipe.
— Pode deixar, Bel — respondeu o Céu Vongola, observando o príncipe caído se afastar.
Quando estava sozinho, o acastanhado continuou andando até seu quarto, prestando atenção no caminho para não ocasionar nenhum acidente ou machucado. Ao chegar lá, começou a ler o livro e se inteirar de todas as informações importantes sobre a gravidez.
H&T
Com todos os preparativos do voo prontos, Hibari estava nesse momento terminando de arrumar sua mala. O moreno levava consigo somente o necessário, o que significava que suas tonfas de reserva não poderiam ficar de fora.
A cotovia saiu do complexo Hibari, onde vivia sozinho com visitas ocasionais de seus pais, arrastando a mala. Ao chegar à área comum, encontrou Kusakabe. O jovem adulto de topete o levaria de carro até o aeroporto onde estava o jato particular.
— O carro já está pronto, Kyō-san — comunicou Tetsuya ao líder do Comitê Disciplinar.
— Hm, vamos.
***
— Você está no comando, Tetsu — ordenou Kyōya. — Quero ser atualizado com a situação de Namimori. Quem desrespeitar as regras, morda-os até a morte.
— Entendido, Kyō-san — respondeu Kusakabe, fazendo uma reverência.
Logo após ouvir a resposta de Tetsuya, Hibari entrou no jato e ocupou um assento em frente a uma mesinha com uma maleta em cima. E como queria aproveitar o tempo do voo para pôr as coisas em ordem, abriu-a e tirou vários papéis que deveria analisar e assinar.
Hibird, seu pássaro amarelo, veio com ele nessa viagem. Desde o dia em que a achou, a pequena ave quase sempre podia ser encontrada próximo a Hibari.
— Hibird — falou Kyōya pegando o pássaro de seu ombro e colocou-o em um lugar confortável, onde ele poderia dormir. — Fique.
***
Em algum momento do voo, a cotovia terminou a papelada e voltou sua mente ao acastanhado que não saía de seus pensamentos.
— Sawada Tsunayoshi — murmurou o moreno olhando pela janela, que mostrava um céu escuro e cheio de nuvens. E essa vista o fez pensar nos dois. — Espero que entenda que você é meu ou vou mordê-lo até a morte.
Com essas palavras, Hibari acabou dormindo.
H&T
No dia seguinte, Tsunayoshi despertou graças a uma vontade enorme de vomitar. Por essa razão, o adolescente levantou da cama e correu até o banheiro, onde colocou para fora tudo o que tinha e o que não tinha no estômago.
— Urgh! Bebê, isso lá são modos de acordar sua mamãe? — questionou mirando a barriga. — Agora não tenho forças para levantar daqui.
— Tsu-chan!?
A voz de Lussuria tirou o acastanhado de seu monólogo.
— No banheiro, Luss-nee.
Os passos apressados do guardião do sol foram ouvidos, até que o homem de cabelos coloridos apareceu na porta.
— Oh, Tsu-chan, vejo que o pequeno começou a mostrar que está aí para você! — exclamou Lussuria feliz.
— Bem, não precisa mais, eu já sei que ele ‘tá aqui — reclamou o acastanhado com um biquinho.
— Mou, olhe pelo lado bom — disse o homem afeminado.
— Que seria? — indagou Sawada com a sobrancelha arqueada.
— Ele ou ela vai ter cabelo — respondeu rindo.
— Ha, ha, ha, estou morrendo de rir, Luss-nee — ironizou Tsuna mal-humorado.
— Bem, bem, bem, vamos. Eu te ajudo a levantar e depois faço um chá que vai melhorar esse enjoo.
— Okay, obrigado — sussurrou o menor, pegando a mão que Lussuria ofereceu e se erguendo.
— Pronto, agora vá escovar os dentes que eu vou fazer seu chá — falou o guardião do sol deixando o banheiro.
— Certo, mais uma vez obrigado, Luss-nee, e desculpa pelo mau humor — disse envergonhado e ouviu a risada do outro que saía do quarto.
Ao som da porta fechando, Tsunayoshi se aproximou da pia, lavou o rosto e em seguida escovou os dentes. Como não estava se sentindo muito bem, decidiu voltar para a cama, onde deitou e esperou Lussuria regressar com o chá.
O guardião do sol retornou depois de alguns minutos com uma bandeja nas mãos.
— Aqui, Tsu-chan, chá de capim-limão e algumas torradas, vai ajudar muito com seu enjoo — comentou o guardião-médico entregando-lhe a xícara e um prato com a comida.
— Ah, Luss-nee, mais uma vez obrigado — disse o acastanhado pegando os objetos e tomando um gole do chá, já sentindo um pequeno alívio no estômago.
— De nada, Tsu-chan — respondeu o de cabelos coloridos sentando-se na beirada da cama. — Hoje vai fazer alguma coisa?
— Hum… — murmurou em um tom pensativo. — Acho que vou ficar no jardim dos fundos da mansão, ali me acalma e tem o bônus de deixar o Natsu sair, já tem um tempo que não libero ele do anel.
— Tudo bem, quando estiver saindo para lá, me manda uma mensagem que vou te fazer companhia. Hoje não tenho nenhuma missão e o meu segundo em comando vai ficar à frente do centro médico.
— Pode deixar, Luss-nee — falou Tsuna colocando a xícara e o prato de volta na bandeja. — Vou só descansar uns minutinhos e depois de ver Xanxus vou lá para o jardim. Ah, e obrigado pelo chá e torradas — finalizou sorrindo.
— Não precisa agradecer, Tsu-chan, eu gosto de cuidar de você e do bebê. Bem, estou indo. Não se esqueça de me mandar mensagem quando for pro jardim, bye-bye.
Com a saída do guardião-médico, Tsuna deitou e fechou os olhos por alguns minutos. Quando viu que estava quase adormecendo, levantou-se e foi tomar uma ducha, em que regou de carinho sua barriga plana.
De banho tomado e já arrumado, o gestante saiu do quarto e se dirigiu até o escritório do chefe da Varia, local que sabia que Xanxus estava naquele momento reclamando de sua papelada.
— Oh, que bela montanha você tem aí, Xanxan — ironizou com um sorriso ao entrar na sala.
— Tsc, vai rindo enquanto pode, minilixo, a tua vai ser maior do que essa — respondeu o Céu da Ira bebendo seu vinho.
— Não me agoure, Xanxus — falou com uma careta (que mais parecia um beicinho) o Céu Vongola, sentando-se no sofá em frente à mesa do líder do esquadrão de assassinato. — Não é muito cedo pra estar bebendo?
— Ah!Ah! Não é agouro, lixo, é a verdade — comentou rindo. — Nunca é cedo demais para um pouco de álcool. Enfim, qual motivo da visita?
— Se você diz — afirmou baixinho. — Ué! Não posso visitar meu amado primo?
— Eu sei que sou lindo, minilixo, mas tenho certeza que minha beleza não é a razão da visita — falou sarcasticamente Xanxus.
— Ah! Ah! Realmente, seu narcisismo está aparecendo, Xanxan — riu. — Mas não, sua beleza, apesar de ser real, não é a razão. Na verdade, eu pensei no que me disse e decidi voltar pro Japão daqui a uma semana, você pode organizar minha viagem?
Essas palavras deixaram o líder da Varia sério, qualquer coisa a respeito do jovem chefe Vongola, e agora do pequeno herdeiro em seu ventre, era assunto de extrema importância. Questões como segurança e saúde (principalmente em relação à gravidez) tinham que ser tratadas com seriedade e sigilo, não as deixaria nas mãos de terceiros.
— Considere feito, minilixo — afirmou o comandante. — Porém que fique claro: você não vai voltar pro Japão sozinho, nem com seguranças fodidos de meia-tigela. Eu vou organizar, mas quem vai cuidar da sua proteção serei eu e o maldito príncipe. E como sua saúde é um assunto ainda mais importante, Lussuria virá com a gente no jato.
— Ah, por mim tudo bem. Obrigado, Xanxus — agradeceu sorrindo.
— ‘Tá, ‘tá, ‘tá, tudo bem, agora sai fora, lixo — respondeu o outro.
— Hai, hai — aquiesceu Tsuna rindo e deixando o escritório.
No corredor, pegou o celular e enviou uma mensagem para Lussuria.
Tsu-chan:
Indo pro jardim. Venha assim que puder (◠‿◕)!
Luss-nee:
Chego em 5 minutos (✿^‿^)!
Depois que leu a resposta dele, Tsunayoshi guardou o aparelho e caminhou até o jardim e, poucos minutos depois que se sentou em um banco embaixo de uma árvore, o guardião-médico chegou.
— Tsu-chan, melhorou? — perguntou o de fios coloridos assim que se acomodou ao lado do acastanhado.
— Sim! — respondeu. Pegando as mãos de Lussuria, falou: — Sei que já agradeci antes, mas ‘cê sabe que tem minha eterna gratidão. Você que me explicou minha situação, que me ajudou no meu momento de quase pânico e cuidou de mim e do meu bebê enquanto ficamos aqui. Luss-nee, você foi uma verdadeira irmã mais velha pra mim, obrigado!
— Own, Tsu-chan, não me agradeça — expressou o médico emocionado, abraçando-o. — E que bom que pude fazer esse papel pra você.
H&T
Quando Hibari chegou a Sicília, já era dia. Pegou sua bagagem e a colocou no porta-malas do carro alugado e, assim que entrou nele, pôs o cinto de segurança. Depois escreveu o endereço da sede da Varia no GPS e começou a dirigir seguindo as instruções do aparelho.
Após quarenta minutos de trajeto, o guardião da nuvem do Vongola Décimo chegou aos portões da mansão do esquadrão de assassinato, onde esperou uns dez minutos pela permissão para entrar. A paciência de Kyōya, que era praticamente inexistente, estava quase no fim.
Quando ia sair do automóvel e quase morder até a morte todos que o impediam de adentrar o local, viu o líder da Varia se aproximando.
— Ora, ora, se não é o lixo-Nuvem — cumprimentou Xanxus próximo ao portão. — Que porra veio fazer aqui, lixo?
— Buscar o que é meu — rosnou Hibari irritado.
— Oh, buscar o que é teu? — perguntou com uma sobrancelha arqueada, cruzando os braços musculosos. — Aqui não tem nada que tenha teu nome, lixo.
— Sawada Tsunayoshi — começou a falar, tirando suas tonfas e entrando em posição de luta. — Me entregue ele ou vou te morder até a morte.
Xanxus abriu os portões e pegou suas pistolas com um sorriso feroz.
— Lixo, se conseguir me acertar, posso pensar no teu caso.
Ao fim desta sentença, ambos iniciaram o combate.
H&T
O barulho de tiros e os ruídos de metal se chocando foram ouvidos por toda a mansão, gerando uma correria que captou a atenção das duas pessoas que estavam no jardim ao fim da enorme casa.
— Luss-nee, esse é o som das X-guns de Xanxus. O que será que está acontecendo? — perguntou o gestante, que chamou seu leão. — Natsu, venha.
— Não sei, Tsu-chan, mas no momento a minha principal preocupação é você e o bebê, então vamos para um lugar seguro — respondeu Lussuria se levantando e preparando-se para proteger a qualquer custo o jovem que o considerava como irmã.
— Mas, Luss-nee, estou preocupado — sussurrou, agarrando seu pequeno leão.
— Xanxus e os outros sabem se cuidar. Você é minha prioridade, então vamos logo, Tsunayoshi.
Lussuria nunca o chamou pelo primeiro nome completo, por isso Tsuna percebeu que a sua segurança e a do bebê eram o motivo de sua seriedade.
— ‘Tá certo, Luss-nee — murmurou, seguindo atrás do guardião do sol.
Logo eles entraram na mansão e no meio do caminho encontraram o vice-comandante Squalo.
— VOII, aquele chefe de merda! — esbravejava o guardião da chuva caminhando para seu escritório.
— Capitão, o que está acontecendo? — questionou Lussuria, ainda mantendo Tsuna atrás de si.
— Aquele chefe fodido está lutando com a cotovia e destruindo a mansão, de novo — falou Squalo, afastando-se irritado.
— Cotovia — murmurou o acastanhado e, quando percebeu a quem se referia, saiu correndo até a entrada da residência.
— Oh, meu Deus, Tsu-chan, não corra assim! Você pode ser atingido! — desesperou-se Lussuria, disparando atrás do adolescente.
Ao chegar à entrada, Tsuna parou dando tempo de o guardião-médico alcançá-lo e viu a destruição que ambos os homens lutando causaram.
— Oh, nossa! — sussurrou Sawada, que correu para separá-los. Pondo-se no meio dos dois, gritou: — Parem!
Natsu, que ainda estava fora do anel, soltou um pequeno rugido:
— Gao.
A fim de não atingir o menor, Hibari conseguiu parar seu ataque e pegar Tsuna — que permanecia ao lado do leão — para tirá-lo da trajetória do tiro de chamas de Xanxus, caindo no chão com seu corpo protegendo o dele da queda.
O chefe da Varia em seguida correu até o jovem Céu, que estava sobre o presidente do Comitê Disciplinar.
— Merda, minilixo, que ideia fodida foi essa de entrar no meio de um combate?! — gritou furioso o Céu da Ira, ajudando o Décimo Vongola a se sentar.
— Sawada Tsunayoshi, eu sabia que você era estúpido, mas não que era tanto assim — falou Kyōya com seu tom frio e irritado.
Lussuria, que saiu do choque em que se encontrava, correu todo o caminho até Tsuna, afastando os dois homens do adolescente e começando a monitorar a situação dele.
— Tsu-chan, acredito que deixei claro os riscos que você corre agora — brigou o médico verificando seus batimentos cardíacos à procura de alguma anomalia.
Hibari, que ouviu a fala do homem de fios coloridos, perguntou:
— Riscos? Que riscos e por quê?
— Assim que eu conseguir monitorar Tsu-chan, falamos sobre isso. E vocês dois, deveriam agir mais como homens adultos civilizados. Vamos lá, Tsu-chan, preciso analisar seus sinais vitais.
Com essas palavras, Lussuria ajudou Sawada a se levantar segurando sua cintura fina para apoiá-lo e voltou para dentro da mansão com destino à ala médica, acompanhado do pequeno leão que os seguiu logo atrás, deixando ali os dois homens irritados.
— Que riscos Sawada Tsunayoshi está correndo? — questionou Kyōya com uma sobrancelha arqueada, guardando novamente suas tonfas.
— Isso quem deve te contar é o minilixo — respondeu Xanxus colocando suas pistolas nos coldres. — Estou impressionado, você melhorou bastante, lixo.
— Hm — grunhiu em resposta, causando uma risada no outro.
— Vamos, lixo, o minilixo ‘tá na ala médica — disse caminhando até a entrada da mansão. — Algum dos lixos, coloquem o carro da cotovia pra dentro — ordenou a quem mais se encontrava presente.
Logo os dois estavam na ala médica, onde Lussuria dava um sermão em Tsuna.
— Da próxima vez, pense duas vezes antes de entrar no meio de duas pessoas com armas mortais em punho. Mou, você é tão descuidado.
— Desculpe, prometo não fazer mais isso — sussurrou o gestante enquanto segurava seu animal de caixa no colo e olhava para baixo.
— É bom mesmo — respondeu o guardião-médico. — Bom, pelo menos está tudo bem, nenhum susto nem nada que ocasione algum risco para sua saúde.
Lussuria, ao ver os dois homens e em especial o guardião da nuvem de Tsunayoshi, resolveu se retirar.
— Ótimo, agora vou deixar vocês dois a sós, já que precisam conversar — falou referindo-se a Tsuna e Kyōya, acariciando os cabelos castanhos do rapaz e os pelos flamejantes de Natsu em seguida.
— Quando quiser parar duas pessoas lutando, minilixo, acerte-as de longe com o X-burner — comentou Xanxus também afagando os fios castanhos e logo saindo. — Vocês dois, conversem e coloquem tudo em pratos limpos.
— Sawada Tsunayoshi, nunca mais entre na frente de duas pessoas lutando, estamos entendidos? — indagou Hibari se aproximando do jovem Céu, fazendo na verdade isso soar como uma ordem.
— Ha-hai, Hibari-san — murmurou baixinho, abraçando forte Natsu.
O silêncio no quarto estava ficando constrangedor, ambos ainda presos em seus pensamentos, tentavam organizar as palavras necessárias para dizer um ao outro.
— De-desculpe por fugir, Hibari-san — começou Tsuna nervoso. — Eu estava inseguro, precisava pensar e, be-bem, ficar um pouco sozinho, mas em Namimori não conseguiria.
Kyōya ouviu atentamente o adolescente.
— Tsunayoshi, olhe para mim — ordenou a cotovia.
— A-acho melhor na-não — gaguejou tenso.
— O que eu tenho a falar precisa ser dito olhando nos teus olhos — afirmou Kyōya. — Por isso, olhe para mim, Tsunayoshi.
— O-okay — disse Tsuna levantando a cabeça e corando levemente ao seus olhos encontrarem os azul-acinzentados do guardião da nuvem.
— Não estava nos meus planos ter um relacionamento, para mim isso não era necessário, mas então você apareceu e ficou perturbando minha paz e de Namimori com aqueles seus amigos herbívoros idiotas. Quando menos percebi, você estava invadindo meus pensamentos, o que me irritou sem fim. Foi depois que voltamos do futuro que enxerguei que tinha sentimentos por você, quando ouvi como você e meu eu do futuro estavam muito próximos, fiquei possesso e na volta para o passado descontei tudo mordendo todos até a morte. Mesmo sabendo o que sentia, eu não aceitava, porque para mim esses sentimentos não eram dignos de um carnívoro. Fui aceitar melhor depois que Kusakabe me falou que até carnívoros tinham companheiros. Foi por isso que passei aquela noite contigo, sei que não foi terno, mas não sou uma pessoa carinhosa. É isso, Sawada Tsunayoshi, eu estou apaixonado por você.
Tsuna nunca tinha escutado Hibari falar tanto. Estava surpreso, tanto por ouvi-lo falar muito quanto pelas palavras ditas. Sentindo os olhos começarem a lacrimejar, o adolescente corou ainda mais e respondeu ao seu amado carnívoro.
— Eu pensei que o que sentia era unilateral — sussurrou baixinho, as lágrimas já caindo. — Eu também estou apaixonado por você, Hibari-san — finalizou sorrindo.
Kyōya, ao ouvir a resposta do outro, levantou-o aproximando o pequeno corpo curvilíneo do seu, colocou suas mãos na cintura fina do acastanhado — que soltou Natsu, para não o esmagar — e o beijou. Sua língua invadiu a boca do outro, provando cada pedacinho daquele espaço com um gosto doce. Largando os lábios, dirigiu-se até o pescoço do acastanhado, onde beijou, mordeu e lambeu, deixando para trás algumas marcas e provocando gemidos em Tsuna. Suas mãos subiram a camisa alheia e explorou cada centímetro de pele que conseguiu alcançar.
— Ahh, Hibari-san — gemeu Sawada ao sentir novamente em seu corpo aquelas mãos fortes que causavam arrepios por ele todo.
— Gao?
O rosnado de Natsu tirou os dois da névoa de luxúria em que estavam envolvidos.
— Oh, céus, Natsu — ofegou o acastanhado ajeitando sua camisa e sentando-se na cama de novo, pois suas pernas ficaram bambas, e o leão pulou em seu colo.
Hibari se acalmou um pouco, voltou seus olhos frios para a dupla e, lembrando a conversa de mais cedo, resolveu perguntar sobre o que perturbava sua mente.
— Tsunayoshi.
— Hum? — falou olhando com aqueles enormes orbes castanhos que com o rosto corado estavam fazendo a libido de Kyōya ir às alturas.
— O que o herbívoro de cabelos coloridos quis dizer com riscos?
— Oh! — exclamou ao se lembrar de outro assunto que precisava conversar com Hibari. — Be-bem, tinha outra coisa que eu também deveria falar, é um pouco difícil de acreditar, até mesmo eu demorei um pouco, mas saiba que é a verdade, qualquer coisa podemos te mostrar depois. Realmente não sei como você vai reagir, ou se vai acreditar em mim…
— Tsunayoshi — interrompeu Hibari. — Você está se desviando do assunto, me diga logo o que tem que falar.
— Ce-certo — murmurou.
Natsu, sentindo a inquietação de seu dono, rosnou baixinho:
— Gao?
— Está tudo bem, Natsu — respondeu o adolescente acariciando os pelos do leão e deixando-o ao seu lado na cama. Olhando no fundo dos olhos azul-acinzentados, falou: — Eu estou grávido, Hibari-san.
A cotovia esperava ouvir qualquer coisa, desde sobre uma famiglia rival com objetivo de matar o jovem chefe Vongola, até mesmo a respeito de alguma doença. Menos essas palavras de Tsuna.
— Quê? — perguntou confuso.
— Eu estou grávido, segundo Lussuria sou parte dos cinco por cento de homens que têm esse dom, somos chamados de donzelas — respondeu Sawada com o rosto ainda mais vermelho.
— Você está grávido? — questionou só para ter certeza de que ouviu direito e, vendo que Tsuna aquiesceu, empalideceu ao se sentar na cadeira que Lussuria ocupava antes. — Uau.
— Hibari-san? — chamou o gestante ao ver o moreno ficar pálido. — Você está bem?
Balançando a cabeça em confirmação, Kyōya passou a língua pelos lábios secos e falou:
— Por essa eu não esperava, onívoro — respondeu o guardião da nuvem, dizendo o novo título de Tsuna.
— Bem, pude perceber — murmurou o Céu pegando seu leão de volta. — Você não o quer?
Ouvindo essas palavras, Hibari se levantou e sentou-se ao outro lado do chefe Vongola.
— Não é isso, Tsunayoshi, só estou surpreso. Quando aceitei meus sentimentos por você, não pensei em filhos nem que isso era possível para nós. Vim aqui tendo em mente lhe mostrar a quem pertence e levá-lo de volta para Namimori. Mas mesmo não pensando e muito menos esperando, estou feliz, afinal é meu e seu.
— Oh! — exclamou o gestante, sentindo as lágrimas caírem novamente.
— Tsunayoshi — chamou Hibari pensativo.
— Sim, Hibari-san?
— Por que se meteu no meio da minha luta e do carnívoro das armas quando você está grávido? — questionou Kyōya com uma carranca no rosto. — O que você estava pensando? E se tivéssemos te atingido, Tsunayoshi? Ou melhor, e se eu tivesse caído por cima de você?
Ao ouvir as reprimendas de Hibari, Tsuna se deixou levar pelo choro, que logo foi seguido de soluços.
— De-desculpe, eu não… — soluçou — eu não estava pensando. Me desculpe.
Vendo o pequeno adolescente chorar, o presidente do Comitê Disciplinar abraçou-o e limpou as lágrimas do rosto avermelhado do outro.
— Tudo bem, Tsunayoshi, não precisa chorar. Só que da próxima vez não se meta no meio de uma luta, principalmente agora que você está grávido.
— Okay, prometo não fazer mais isso — garantiu Sawada.
— Ótimo! Agora vamos pro seu quarto, depois tenho que procurar Hibird, não o vejo desde minha luta com o carnívoro — falou levantando-se e ajudando Tsuna em seguida.
Tsunayoshi decidiu deixar Natsu descansar, por isso o chamou de volta para o anel. Assim, o acastanhado guiou a cotovia até o quarto onde ficava e se deparou com as coisas de Hibari e Hibird.
Kyōya deixou Tsuna sentado na cama e foi para o banheiro tomar banho. Quando saiu, encontrou o gestante dormindo com uma das mãos em sua barriga. Querendo saber detalhes sobre a condição do amado e dos riscos envolvidos nessa gravidez, vestiu uma roupa e se retirou do cômodo, tendo em mente encontrar o chefe do esquadrão de assassinato com Hibird logo atrás.
Encontrar Xanxus não foi difícil, bastou seguir os gritos de Squalo. Parando no que parecia ser o escritório do Céu da Ira, abriu a porta e, desviando de uma garrafa de vinho vazia, entrou na sala.
— Carnívoro, quero detalhes da situação de Tsunayoshi — exigiu olhando nos olhos vermelhos de Xanxus.
— Vejo que o minilixo contou sobre o pirralho — comentou, recebendo como resposta um arquear de sobrancelha. — Lussuria que sabe os detalhes, ele foi quem descobriu que o minilixo ‘tava grávido e é o responsável pelo monitoramento da gravidez.
— Onde? — perguntou se dirigindo até a porta.
— Lixo-tubarão, leve o lixo-Nuvem até o lixo-afeminado — ordenou Xanxus.
— VOII, chefe fodido, eu não sou teu mordomo — reclamou o guardião da chuva.
Hibari, irritado com os gritos do prateado, além de não estar em seu território, tirou suas tonfas e ameaçou:
— Me leve até o cabelo colorido ou eu te mordo até a morte.
Ao ouvir as palavras de Kyōya, Xanxus começou a gargalhar.
— VOII, cotovia de merda, não me ameace! — gritou indignado Squalo. — Cala a boca, chefe fodido. Vamos logo, pirralho.
A gargalhada de Xanxus era ouvida mesmo longe do escritório. Squalo guiou Hibari até a cozinha, lugar que Lussuria se encontrava.
— Ei, lixo, o pirralho-Nuvem quer falar contigo — avisou o vice-comandante da Varia ao entrar no cômodo.
Lussuria deu os últimos retoques no bolo que estava fazendo e voltou sua atenção para o líder do Comitê Disciplinar. Squalo aproveitou a deixa para sair do lugar.
— Sim? O que gostaria de perguntar?
— Tsunayoshi. Gravidez. Detalhes — falou irritado, sua cota de palavras estava limitada.
— Hum, então Tsu-chan teve coragem de contar, isso é ótimo — comentou, sentando-se em um banco do balcão. — Bom, duas semanas depois que ele chegou aqui, parecia cansado e sonolento demais, achei que estava doente, então fizemos um exame de sangue, foi quando descobri a gravidez. Para tirarmos a dúvida, fizemos um ultrassom que confirmou o resultado também.
— Que riscos?
— Ah, bem, toda gravidez masculina é delicada e deve ser observada de perto, pois pode enfrentar mais complicações do que uma feminina. No caso de Tsu-chan, tem o agravante da idade, ele é bem jovem, sem contar que é muito pequeno. Gravidezes na adolescência, mesmo em mulheres, são difíceis, por isso recomendei acompanhamento médico a cada duas semanas no primeiro trimestre, e dependendo da evolução da gestação, pode se tornar semanal ou mensal.
— Hm. Mais?
— Hum, só que devem ser cuidadosos e nunca deixá-lo desacompanhado, principalmente agora, Tsu-chan está em seu estado mais delicado e as famiglias inimigas podem aproveitar isso para atentar contra a vida dele.
— Hm, vou mordê-los até a morte se chegarem perto dele — rosnou irritado. — Obrigado.
— Disponha — falou surpreso Lussuria e viu o guardião da nuvem de Tsuna sair.
Hibari fez o caminho de volta até o quarto que dividia com seu Céu. Chegando lá, o acastanhado ainda estava dormindo e agora que todos os assuntos importantes foram resolvidos, o jet lag se deu a perceber, por isso Kyōya trancou a porta, tirou seu casaco e deitou ao lado de Tsuna, passando seus braços ao redor do adolescente, uma de suas mãos tocou a barriga do menor por baixo da camisa. Quando se sentiu confortável, procurou Hibird no quarto e o encontrou na mesa de cabeceira também dormindo, essa foi sua deixa para se entregar aos braços de Morfeu.
H&T
Já era noite quando Tsunayoshi acordou, diferente da outra vez em que despertou nos braços de Hibari, o acastanhado aproveitou para se aconchegar no corpo forte do moreno. O movimento acabou acordando a cotovia de sono leve que olhou para a pessoa em seus braços.
— Tsunayoshi — resmungou apertando o abraço em torno do menor.
— Hum — respondeu sonolento.
— Precisamos levantar — falou ao perceber que já estava de noite e que ficou quase o dia inteiro sem comer. Levando em conta o tempo que passaram dormindo, ele se questionou se seu Céu havia comido naquele período. — Tsunayoshi, quando foi a última vez que comeu? E o que você comeu?
— Acho que foi de manhã antes de ir pro jardim com Luss-nee, chá com torrada — respondeu bocejando.
— Tsc, precisamos comer, vamos, levante — ordenou saindo da cama pelo outro lado.
— Mas estava tããooo bom, Hibari-san — resmungou o gestante fazendo biquinho.
— Tsunayoshi, não me faça repetir.
— Okay, okay, já me levantei — reclamou Tsuna indo até o banheiro para fazer suas necessidades básicas.
Hibari, percebendo o biquinho do acastanhado e o jeito manhoso, abriu um pequeno sorriso e foi ao banheiro também escovar os dentes e lavar o rosto. Foi quando viu Sawada segurando a pia com os olhos fechados.
— Tsunayoshi? — indagou se aproximando e tocando de leve a base das costas do amado.
— Estou bem, só fiquei um pouco tonto agora — respondeu se recostando no corpo do moreno. Após alguns minutos, abriu os olhos e falou: — Pronto, estou melhor.
***
Terminado suas necessidades, ambos foram até a cozinha, onde a elite da Varia já estava comendo. Xanxus os saudou ao levantar sua taça de vinho, Belphegor com sua risada característica, Squalo com seu famoso “voi”, Fran com seu tom monótono, Levi somente com um “hunf” e Lussuria com sua exuberância.
Após colocarem a comida, Tsuna, com Hibird em sua cabeça, levou Hibari até os bancos do balcão em respeito ao desagrado do moreno à aglomeração. Kyōya comeu mesmo não acostumado à culinária italiana, e não achou tão ruim assim, no entanto preferia comida japonesa. Tsuna deu preferência aos alimentos leves e de fácil digestão. Hibird saiu do cabelo macio do acastanhado e voou pela cozinha, piando o nome de seu dono:
— Hibari, Hibari.
Lussuria foi o último membro do esquadrão de elite a terminar e antes de sair deixou um prato com um pedaço de bolo próximo a Tsuna.
— Aqui, Tsu-chan, um pequeno deleite para você — disse piscando um olho.
— Arigatō, Luss-nee — agradeceu ao guardião-médico que saía do lugar. — Quer um pouco, Hibari-san?
— Eu provo depois, Tsunayoshi — respondeu assim que terminou de comer.
— Hum, ‘tá bom então.
Com isso, Tsuna começou a degustar o bolo soltando pequenos gemidos e suspiros que estavam fazendo o líder disciplinar se contorcer. Quando o Décimo terminou de comer, Hibari anunciou:
— Minha vez de provar.
E atacou a boca do acastanhado, conquistando cada centímetro que sua língua poderia alcançar. Levado pelos gemidos e suspiros de Tsuna, Kyōya se levantou do banco, aproximando seu corpo do menor, ficando entre as pernas do jovem Céu, que ainda estava sentado. Quando o ar se fez necessário, Hibari desceu sua boca para o pescoço já marcado de Tsuna, onde deixou novas marcas e escureceu outras.
— Ahh, Hi-Hibari-san — gemeu o acastanhado, arranhando as costas do seu guardião sobre a camisa que ele vestia e apertando as pernas em torno da cintura torneada do outro.
— Tsunayoshi — rosnou a cotovia na junção do pescoço e clavícula de Sawada, suas mãos desceram pelos lados do menor se instalando nas coxas macias e roliças, apertando-as com gosto e fazendo Tsuna gemer mais alto.
— Hibari, Hibari.
O chamado de Hibird afastou os dois de seu momento de luxúria (novamente).
— Oh, meu Deus! — exclamou o Décimo Vongola assim que percebeu onde estavam e o que faziam. Encostou a cabeça no ombro de Hibari para esconder seu rosto avermelhado e desenganchou suas pernas da cintura do moreno.
Kyōya acariciou as costas de Sawada e, em um ato inesperado (até para ele) de carinho, beijou a testa do acastanhado.
— Vamos indo, Tsunayoshi — falou uns momentos depois, afastando-se do menor e ajudando-o a sair do banco.
A dupla deixou a cozinha de mãos dadas, com Hibird voando atrás dizendo o nome de Hibari.
***
No quarto, Kyōya pegou seu celular que estava na maleta e olhou suas mensagens e e-mails. Algumas eram de Kusakabe informando sobre Namimori e em especial acerca dos herbívoros que andavam com seu onívoro, um e-mail do diretor de Namimori High pondo-lhe a par dos próximos festivais e alguns documentos importantes sobre a escola e o período letivo.
— Hibari-san? — chamou Tsuna, saindo do banheiro com uma toalha na mão enxugando os fios castanhos.
— Estou só olhando minhas mensagens e e-mails, Tsunayoshi, pode deitar, já me junto a você — respondeu enviando respostas quando necessário.
Sawada deixou a toalha em uma das poltronas do quarto e se acomodou na cama, não antes de acariciar as penas de Hibird que estava dormindo em sua “caminha” feita por Hibari.
— Tsunayoshi.
— Sim, Hibari-san?
— Seus amigos herbívoros estão perturbando a paz de Namimori preocupados com você — anunciou olhando para o acastanhado.
— Oh! Sinto muito, Hibari-san — respondeu o gestante se sentando com as costas apoiadas na cabeceira da cama.
— Hm, quando ia voltar para Namimori, onívoro?
— Semana que vem.
— Por quê?
— Seria um tempo extra para me preparar para poder te encarar — falou rindo baixinho envergonhado, provocando um sorriso malicioso em Hibari.
— Hm, e agora?
— Bem, não sei, Xanxus que ia organizar minha viagem. Quando você quer voltar?
— Hm, o mais tardar depois de amanhã. Assim que amanhecer, vou falar com o carnívoro — disse bloqueando a tela do smartphone, guardando-o na maleta e indo para a cama, onde deitou ao lado de seu Céu (que se ajeitou logo que viu o moreno guardando seu aparelho), colocando seus braços ao redor do corpo menor e tocando novamente na barriga ainda lisa de Tsuna por baixo da blusa do pijama. — Fora a tontura mais cedo, você está bem?
— Uhum, estou bem. Hoje foi minha segunda consulta médica, bem, antes de sua luta com Xanxus — respondeu, aproximando seu corpo mais ainda do maior e colocando a mão sobre a de Kyōya em sua barriga.
— Hm, bom — comentou dando um beijo no pescoço marcado do gestante. — Boa noite, Tsunayoshi.
— Boa noite, Hibari-san.
H&T
