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Quem tem medo do lobo mau?

Summary:

Korn Theerapanyakun teve três filhos e os três são alfas dominantes.
O primeiro se quebrou e não servia mais para seus jogos e planos.
O segundo era obediente, mas, fraco aos olhos do pai. Quando ele se rebelou foi com tanta força que foi afastado para não minar a liderança do pai.
O terceiro era o pior, desobediente, arisco e letal. Ainda muito incontrolável e arredio, difícil de usar.
Será que os irmãos vão conseguir vencer o pai no jogo dele? E, como vão conquistar seus amores e mantê-los protegidos nesse cenário?

ABO e Poliamor

Chapter 1: Capítulo 1

Chapter Text

 

Salvar caras aleatórios no beco onde ele estacionava sua moto em vez de deixar tudo como estava não era muito o estilo de Porsche, mas, eram cinco contra um e o cara, apesar de ser um bom lutador, estava claramente ferido. Porsche estava se sentindo misericordioso, uma despedida de solteira tinha lhe rendido gorjetas excelentes e ele ia passar a semana tranquilo só com os ganhos da noite, e os caras o lembraram demais de cobradores de dívida valentões e eram alfas encurralando um rapaz menor, coisa boa eles não queriam. Ele nem precisou se esforçar muito para derrubar três, e ajudar o cara a ficar de pé, depois que ele terminou com dois, ele era um bom lutador. E, quando Porsche pôde olhar para a cara com sangue vindo da cabeça, ele se sentiu aliviado que o ajudou, era um dos seus colegas de universidade e um dos nongs, seu lobo ficaria inquieto se ele tivesse deixado algo acontecer.

- Oh, você é o nong bonito do P’Beam! - Porsche exclamou. - Eu sou Porsche, estou nos clubes esportivos com ele.

O sorriso torto e com sangue nos dentes que ele ganhou não disse muito. 

- Não muito bonito agora, Phi, obrigado pela ajuda. - Vegas disse, respirando pesadamente. - Mas, acho mais esperto sairmos daqui antes que eles se recuperem. 

- Vai ter que se segurar em mim, ok? Não caia. - Porsche instruiu, subindo na moto e ajudando Vegas a subir com ele. 

Sem saber exatamente para onde levá-lo, e sentindo que o jovem ficava mais mole em suas costas, Porsche foi para casa, esse era um calouro da universidade, certamente se meteu em confusão bebendo no distritos dos bares, ele ia dar uma bronca nele logo, logo. Vegas estava bastante tonto quando eles chegaram em casa, se era pelo álcool, cujo cheiro Porsche sentia nele ou pela pancada na cabeça, ele não tinha certeza. Pelo menos Vegas esperou chegarem ao banheiro antes de esvaziar o conteúdo do estômago. 

- Ei, nong, eles fizeram alguma coisa antes de eu ir ajudar… preciso te levar pro hospital? - Porsche perguntou, com cuidado. Um nong bonito assim e bêbado, era muito comum eles serem atacados se estivessem sozinhos. 

- É Vegas, e não... eu só estou enjoado com os cheiros deles que grudaram em mim, eles estavam sem bloqueadores. - Foi a resposta cansada que ele recebeu, e só então Porsche se deu conta que vinha ajudando e cuidando de um nong cujo nome ele não sabia.

- Você precisa de um banho, mas, não acho que consegue sozinho. - Porsche disse, sem jeito. 

- Eu… pode sair para me deixar limpar? - Vegas pediu, Porsche era um alfa. Um dos educados e gentis, mas, mesmo com ele usando bloqueadores, eles estavam no quarto dele e Vegas sentia o cheiro claramente. Ele era um alfa dominante, e dos fortes. - Eu sou ômega. 

Porsche assentiu, ele já desconfiava disso, e pelas roupas e joias caras, ele devia vir de uma família tradicional e conservadora e certamente não queria ser visto ou tocado por um alfa fora do núcleo familiar. 

- Hia? Eu trouxe o kit de primeiros socorros. - A voz de Chay disse, vinda do quarto. Ele tinha visto o irmão com o amigo e ficou aliviado de pela primeira vez não ser Porsche todo sangrento e precisando de ajuda. 

- É meu irmãozinho, ele é um filhote e muito bom com curativos, ele vai te ajudar. - Porsche disse. 

Vegas sabia que devia protestar e chamar alguém para levá-lo pra casa, mas estava cansado demais e esse era um alfa que não exalava ameaça nenhuma, uma coisa muito rara, seus instintos perto dele ficavam calmos, e era um bálsamo para seu corpo no momento, que estava em alerta e se sentindo ameaçado desde que saiu de casa. O pai o tinha mandado para conhecer e entreter alguns visitantes japoneses, já que ele falava a língua, ele só não esperava que um deles se inclinasse para cheirá-lo descaradamente, chegando ao cúmulo de lamber seu pescoço. Ele ficou tão enojado com as liberdades e toque indesejado que saiu sem o motorista e seu segurança do cassino, terminando emboscado após tentar apagar a sensação nojenta do alfa em cima dele com bebida, uma jogada imbecil, ele reconhecia. 

- Chay, esse é Vegas, ele é um nong da minha universidade. - Porsche apresentou, quando o levou para o quarto. - Pode ajudá-lo a se limpar? Ele está tonto e afetado por cheiros de alfas imbecis. 

Vegas viu como o irmãozinho de Porsche fazia um wai educado para ele que Vegas correspondeu, o menino estava em seus pijamas largos e confortáveis, a carinha e cabelos amassados diziam que ele acordou quando ele e Porsche chegaram em casa.

- Olá, Phi! Não aprenda com meu Hia a entrar em confusões. - O jovem admoestou, mas, com preocupação sincera e suspirando. - Eu vou cuidar de você. 

- Eu posso fazer isso, já deveria estar na cama, nong. - Vegas disse, resistindo ao impulso de cheirar o filhote, se fosse Macau ele já estaria com o rosto enterrado no pescoço do menino. 

- Não seja teimoso, Phi, eu sou bom em curativos e vou dormir assim que terminarmos. Vá embora, Hia, tome um banho no meu banheiro. 

- Nem tente discutir, ele é fofo, mas, tão mandão. - Porsche sussurrou, empurrando Vegas em direção de Chay e saindo do local. - Já volto, dê uns analgésicos para ele também, Chay. 

- Tudo bem, Hia! - Chay disse, pegando gentilmente as mãos de Vegas para passar um algodão com desinfetante nos nós dos dedos sangrando. - Você também estuda medicina do esporte, Phi?

- Não, administração e comércio exterior. - Vegas recitou. 

- Oh, você deve ser muito inteligente. Gosta das matérias? - Chay perguntou, claramente tentando distraí-lo do tratamento, mas, Vegas mal se mexia porque a dor de tratar os machucados era algo que ele nem sentia. 

Quando Porsche voltou, Chay tinha ajudado Vegas a se despir desviando o olhar do corpo do ômega e ficando de costas para o chuveiro o tempo todo, passando para ele toalhas sem cheiro do armário, ele pediu que Vegas esperasse ali enquanto correu até seu próprio quarto e pegou um pijama limpo para ele, cheirando levemente a filhote não apresentado. Depois, ele tinha terminado de colocar curativos no corte muito próximo a seu couro cabeludo e passou creme cicatrizante nos arranhões. 

- Prontinho, Phi, já pode dormir. 

- Você foi muito gentil, obrigado, nong. - Vegas disse, com uma benção educada antes de tocar a cabeça do menino, que corou e devolveu a saudação. 

- Venha, vamos para o meu quarto

- Não posso te tirar do seu ninho! - Vegas disse, sem a menor intenção de tirar o filhote de seu local seguro. 

- Oh, você é o namorado do meu Hia? Quer ficar com ele? - Chay perguntou, inocentemente. 

- Não! Não, ele me ajudou, mas, não somos namorados.  - Vegas esclareceu, sorrindo. - Só não quero te tirar do seu ninho. 

- Oh, não tem problema. - Chay disse. - Eu amo dormir com o meu Hia, ele cheira muito bem e eu escapo pra cama dele sempre que posso, venha, Phi.

Vegas assentiu, incapaz de resistir a essa criaturinha educada e saltitante. 

- É aqui, desculpe a bagunça, Phi. - Chay disse, catando algumas roupas no chão, corado de embaraço, Vegas riu e disse que o quarto dele também não era todo organizado. 

- Pode me emprestar seu celular? Eu perdi o meu. 

- Claro, vou colocar suas roupas na máquina. - Chay disse, entregando o aparelho para ele e saindo do quarto com as roupas enroladas nas mãos. 

Vegas discou o número de Nop. 

- Onde você está? - Foi a saudação irritada. - Sua equipe está no cassino, porra. 

- Em um local seguro, eu fui emboscado, tive que fugir. Vou dormir aqui, consegue manter as coisas controladas até eu te dar um endereço para me buscar de manhã? 

- Sim, esse é um celular descartável?

- Não guarde o número, é de um nong jovenzinho sem vínculo com os negócios. - Vegas disse. 

- Entendi, Khun Vegas. 

- Macau está dormindo e bem? - Nop era o único segurança que tinha autorização para entrar no quarto do irmão dele, os demais sabiam que passar aquela porta era uma sentença de tortura e morte nas mãos de Vegas.

- Sim, ele estava exausto da semana de provas. Nem jogou videogames após o jantar, dormiu no sofá vendo um drama e eu o levei pra cama. 

- Não o deixe fazer isso, se Pa o pega nessa posição…

- Vou ficar atento. - Nop garantiu

Chay voltou com Porsche e Vegas suspirou. 

- Eu vou dormir agora, amanhã te ligo para me pegar.

- Sim, Khun Vegas. 

Chay colocou um copo de água na mesinha de cabeceira, claramente para ele. 

- Ele é um bom menino. - Vegas comentou com Porsche. Ele poderia dizer, já que conhecia maldade e mesquinhez de longe. 

- Faço o que posso, mas, ele é muito obediente e bom naturalmente. - Porsche elogiou, fazendo Chay corar. 

Seu anfitrião pegou o celular que ele estendeu e os dois saíram depois de dar-lhe boa noite. Vegas se deitou e pensou que essa era uma cama de solteiro normal, ele nunca tinha se deitado numa tão pequena, não era nem uma cama box, mas, não tinha cheiro de alfas asquerosos e era seguro, ele estava tão cansado que dormiu bem mesmo sem sentir  uma arma embaixo do travesseiro. 

X~x~X

 

Vegas acordou sentindo o corpo reclamar das contusões da briga e da bebedeira, que só aconteceu porque ele se sentia tão enojado que se sentiu mal fisicamente, seu lobo se retorceu com a necessidade de cortar a língua do alfa imundo que o lambeu, sabendo muito bem que não era seu alfa. Seu pai como o desgraçado sem consideração que era o pressionou a ir calado e sem dar um pio para o encontro, ele deixou claro que Vegas deveria obedecer e jogar do jeito que ele queria, se não quisesse que Macau fosse enviado. Seu irmãozinho não tinha se apresentado ainda, mas, seu pai teve a audácia de dizer que com a carinha linda dele os japoneses não iam ligar se fosse um acordo sem cio. Isso selou o destino de Vegas, que saiu para aquela reunião se sentindo uma prostituta barata e com a pele coçando de saudade e necessidade de seu Hia, só seu pai pensaria que só porque o filho era omega não teria problema que ele usasse o corpo para garantir o transporte das drogas pela rota da Yakuza, usando o caçula como ameaça. Vegas mataria qualquer um que pensasse em usar Macau dessa forma, ele já tinha se sentido sujo e tido vontade de vomitar ao ser tocado por aquela criatura. Vegas não queria nem pensar no que seu Hia faria se soubesse o que aconteceu, ele era um desgraçado impulsivo e dado a arroubos de violência, ele sabia que se ele estivesse por perto e visse outro alfa se inclinando para cheirar Vegas, o abusado terminaria com um tiro no meio da testa. vegas se impediu de pensar no que Hia faria se ele tivesse que entregar um cio pela segurança de Macau, o homem era possessivo como um demônio com ele, ele nunca o perdoaria por isso, talvez o olhasse com nojo e o expulsasse. Só de pensar nisso, seu estômago revirou.

Ele foi ao banheiro lavar o rosto e acordar de vez e parar com essa linha de pensamento, ao voltar encontrou suas roupas limpas e comprimidos para dor em cima da cama e se trocou. Quando desceu, encontrou Chay e Porsche na cozinha. 

- Bom dia, Phi. - Chay disse, alegre. - Tomou seu remédio? 

- Bom dia, nong, sim e muito obrigado pelo cuidado. - Vegas disse, fazendo um wai educado para os dois. - Pode me emprestar seu telefone novamente? Preciso ir para casa. 

- Devia comer antes. - Porsche disse. 

- Me desculpe, P’Porsche, mas, eu preciso ir comer com meu irmão menor. Ele estava em período de provas e não o vi nenhum dia da semana, ele vai brigar comigo se eu demorar muito. 

Chay fez uma careta. 

- Isso é importante, Hia, ele deve estar preocupado com P’Vegas. - A cara do menino deixava claro como os irmãos caçulas sofriam com irmãos mais velhos. - Irmãos mais velhos são muito problemáticos. 

Porsche revirou os olhos, enquanto entregava o celular para Vegas. 

- Seu irmão é atrevido assim também? 

- Macau é pior. - Vegas disse, sorrindo. - Ele não é educado e gentil assim. 

- Macau? - Chay disse, interessado. - Tem um Macau na minha escola. 

Vegas ergueu as sobrancelhas. 

- Na escola internacional do distrito sul? - Chay assentiu. - É ele, conhece meu irmão? 

Chay corou. 

- Ele está um ano atrás de mim, só o conheço porque ele sempre ganha os concursos de beleza. 

O sorriso de Vegas era enorme agora. 

- Conte-me mais sobre isso, eu tenho o irmão mais bonito da escola e não sabia? 

- Não seja malvado, Phi! - Chay o repreendeu. - As meninas sempre fazem essas votações, é embaraçoso. 

Porsche se interessou. 

- E em que colocação você fica nas votações, Chay-Chay? - Porsche perguntou com voz extremamente doce. 

Agora até as orelhas de Chay estavam vermelhas. 

- Nenhuma, Hia! Eu… vou estudar, tchau, P’Vegas! Se cuide! - O jovem saiu correndo da cozinha, deixando o mingau pela metade.

- Ele está no pódio, no mínimo! - Vegas disse, sorrindo. 

- Ah, eu vou fazer Ohm, um amiguinho dele, me contar. - Porsche disse, rindo. - Que coincidência, eles estudam na mesma escola e nunca nos vimos por lá. 

- Não costumo levar e buscar o Macau na escola, ele tem um motorista e ele não me faria ser chamado porque se comportou mal. - Vegas disse, sério. 

- Então, você é um Hia bravo, hein? - Porsche o cutucou. 

Vegas fez uma pausa pensativa. 

- Não acho que seja, ele só não faria nada para me dar trabalho. - Macau se esforçava muito para nunca fazer nada negativo, que pudesse deixar seu pai com raiva, porque sabia que Vegas se metia para defendê-lo e levava a pior. - Na verdade, muita gente acha que o mimo demais. 

Porsche fez uma careta. 

- É seu trabalho como irmão mais velho, e se ele tira boas notas e se comporta na escola porque não gosta de te dar trabalho, está fazendo tudo certo. E daí se ele é mimado? Você com certeza o provoca para equilibrar. 

Vegas sorriu para Porsche, era bom ouvir que ele cuidava bem de Macau de alguém que criava o irmão sozinho. 

- Ah, ele vai ouvir sobre ser o mais bonito da escola, com certeza! 

- Viu? Equilíbrio! - Porsche disse, rindo, e comendo seu mingau de arroz.

- Obrigado por me ajudar ontem. - Vegas disse, sinceramente, ele apreciava não ter sido estuprado, seu pai fazia um inferno e jogaria a culpa nele e seu tio apoiaria as ofertas por ele, se voltasse para casa atacado por uma gangue. 

- Não pode beber e sair sozinho, ok? É estúpido. - Porsche disse, sério. - Ontem eu estava lá, mas, podia ter terminado muito mal pra você! Dá pra ver que é um nong educado e chique, não devia estar naquele bairro a essa hora. Meninos bonitos assim tem que andar em locais seguros e de classe, sei que a liberdade da universidade é empolgante, mas, não deve deixar más influências te levarem pro mau caminho, P’Beam disse que você é um aluno excelente, não estrague seu segundo ano andando atrás de idiotas. Seu encontro devia ter te levado pra casa, isso é o mínimo. Te deixar ir andando e bêbado foi imperdoável. 

Vegas ficou sem palavras, Porsche entendeu tudo errado. 

- Eu não sou um menino bonito e ingênuo! - Ele não era, só a concepção era absurda. 

- Não saia com cafajestes charmosos de novo e eu acreditarei. - Porsche disse, ainda sério. - Até lá, eu insisto em supervisão de perto de nongs desobedientes. 

- Eu posso me cuidar. - Vegas disse, bravo. - Não perdi meu cérebro porque sou um ômega. 

- Eu nunca disse isso, só precisa ser mais cuidadoso. Não tem a ver com sua designação, é só com a estupidez de sair bêbado por ai, alfas e betas também são atacados. - Porsche disse. - Não faça beicinho, sabe que estou certo… não seja rebelde, na? Phi é barman, quando quiser beber e ter encontros, vá pro meu bar, eu te vigio. 

- Certo, Phi. - Vegas cedeu, e se perguntou por que diabos estava aceitando a admoestação de um alfa desconhecido, quando rosnaria para os da sua família se falassem assim com ele. 

Porsche sorriu e lhe estendeu o celular. Vegas ligou para Nop e pediu para encontrá-lo ali sozinho. Depois disso, quando estendeu o telefone de volta para  Porsche, ele negou. 

- Primeiro, coloque seu telefone. Vai recuperar seu número, não é? 

- Sim. - Vegas disse, cauteloso. 

- Me dê seu número, depois vou te mandar uma mensagem para ter o meu, nong. Você claramente precisa de alguém para cuidar de você e P’Beam é um maluco irresponsável com qualquer coisa que não seja esporte. 

- Eu não… - Vegas viu a cara teimosa de Porsche e suspirou. - Não vai adiantar eu dizer que sei me cuidar, não é? 

- Nem um pouco, aceite a ajuda e cuidado dos seus mais velhos. - Porsche disse, sério. - E, não vá a encontros com imbecis que deixam ômegas saírem sozinhos e alterados, me deixe avaliar primeiro. 

Vegas riu com isso. 

- Phi, você é maluco. - Vegas disse, salvando seu número no celular dele. 

 

X~x~X



Vegas era ocupado, entre as aulas e os trabalhos para seu pai lhe sobrava pouco tempo para coisas frívolas, como por exemplo, fazer amigos. Porsche tinha lhe mandado uma mensagem duas semanas antes, falando para Vegas não sumir e não sair com idiotas, que ele respondeu atrevidamente dizendo que Porsche não devia se chamar de idiota assim, e que iria sair com ele quando tivesse tempo, seu veterano só respondeu com um emoji mostrando-lhe o dedo médio e os dois encerraram o contato porque eram muito ocupados. Isso é, até aquela manhã, quando Porsche mandou uma foto de Chay e Macau, seu irmãozinho estava entregando um chá para o irmão de Porsche. 

“Te apresento os dois alunos mais lindos da escola pelo quarto mês seguido, segundo uma votação muito séria no Line” 

E, logo abaixo havia dois prints de um bate-papo no Line, claramente um grupo da escola deles, onde havia fotos dos dois, tiradas à distância. Vegas riu, é claro que depois que ele provocou Macau pelo concurso e explicou que conheceu um colega dele, seu irmãozinho o procurou na escola. Macau não tinha muitos amigos, e a oportunidade de conhecer alguém que Vegas já tinha gostado e que tinha cuidado do irmão sem questionamentos era muito boa para deixar passar, só que o filhote não tinha contado ao irmão mais velho que já estava em tão bons termos com o outro menino. 

“Devemos nos preocupar em nos tornar tios precocemente?” 

O horror de Porsche foi expresso com uma série de emojis e uma mensagem: 

“Vou ter que falar com Chay de novo sobre sexo seguro e você será culpado pelo trauma duplo entre nós” 

“Só estou apontando o fato de que esses dois conseguiriam sexo facilmente, eles tem groupies”

“Você está pescando elogios? Porque nós dois sabemos que é fofo”

“Owww, Phi, quer dizer que não me acha mais desmiolado e quer me cortejar? Te adianto que não posso, sou comprometido e ele é ciumento”

Porsche enviou um gif revirando os olhos para ele. 

“E, onde ele estava quando você foi atacado?”

“Estudando em Londres, ele não me largou do nada, não fique todo protetor… ele nem sabe o que aconteceu, eu ia ouvir os gritos daqui e nem ia precisar do telefone” 

“Nong, se faz parte de um núcleo e seu alfa não sabe que anda bebendo sozinho, está sendo desobediente”

“Ele merece um pouquinho de desobediência”

Porsche começou a digitar, mas, claramente mudou de ideia e parou. Um tempo depois uma nova mensagem chegou.

“Hoje eu vou para a aula, apareça para almoçar se tiver tempo, nong atrevido”

Vegas riu e respondeu que sim, almoçaria com ele para comemorar os irmãos caçulas ganhadores de concursos de beleza deles. 

 

X~x~X

 

Vegas mandou uma mensagem para Porsche encontrá-lo nas mesas na parte de fora da praça de alimentação, então, Porsche o encontrou sentado em uma mesa debaixo de uma árvore, com sacolas de comida à sua frente. 

- Pensei que íamos comer no refeitório. Teve tempo de sair e comprar comida? - Porsche perguntou. - Pensei que tinha aulas hoje. 

- Eu tive. - Vegas confirmou. - Pedi para alguém buscar pra mim. 

- Riquinho mimado. - Porsche disse, com uma careta. 

- Não me repreenda, só queria te comprar insetos horríveis. - Vegas disse, tirando um espetinho de insetos para Porsche. - Obrigado por cuidar de mim, P’Porsche. 

Porsche sorriu. 

- Como você sabia que eu amo isso? - Ele perguntou, agarrando o espetinho e comendo contente. 

- Perguntei ao N’Chay, obviamente. - Vegas disse, tirando alguns recipientes de arroz frito e acompanhamentos para eles, além de abrir duas garrafas de água, entregando uma para Porsche. - Ele e eu compartilhamos a opinião de que você tem péssimo paladar. 

Porsche agarrou sua bochecha com a mão livre. 

- Não se una com meu irmãozinho para falar mal de mim, nong. O que eu disse, hein? Tem que ser bonzinho pra eu te fazer bebidas. 

Vegas deu-lhe um tapa na mão, mas, de brincadeira já que estava sorrindo. 

- Eu não sou bem comportado, Phi, sou genioso e difícil. - Vegas disse, começando a comer. 

- Mentiras. - Porsche disse, comendo uma porção de seu arroz. - Escute, não quero ser intrometido nem nada, mas, sei que Macau tem seguranças e já te vi com umas sombras… sua família é rica, meio óbvio, mas, também são famosos? De serem seguidos por paparazzi? 

- Paparazzi? Não, somos ricos sim, a maior preocupação seriam sequestros, mas, não se preocupe, Chay não está em risco nenhum. - Vegas disse, estranhando. - Macau nunca foi atacado ou coisa assim.

- Nong, não estou dizendo por isso. - Porsche disse. - Se se preocupa com sequestros, suas sombras ali precisam melhorar, eu vi um cara suspeito tirando fotos suas com uma objetiva ali daquele canto, perto da entrada para o campo de futebol. E, hoje de manhã quando eu fui deixar o Chay, tinha um cara esquisisto olhando para o Macau, nunca o vi antes por lá.

Vegas pegou o celular e digitou rapidamente, sorrindo para Porsche quando recebeu uma foto do homem, o olhar do nong inquietou Porsche, era um sorriso predatório e falso.

- Ainda está vendo o homem tirando fotos nossas? 

- Sim, avisou seus seguranças?

- Sim, um deles vai sair e tentar saber quem é. Por que tirou a foto do cara de manhã?

Porsche o olhou com estranhamento. 

- É uma escola internacional, com crianças de famílias ricas ou pelo menos de pais em empregos muito bons, eu sei quem são as pessoas deixando crianças e o estilo das pessoas lá. Vai me dizer que esse cara não é suspeito ali? Ele estava olhando seu irmão, juro. 

- Não estou questionando isso, você tem excelentes habilidades de observação.

- Sou um barman e um irmão mais velho criando um adolescente, vem com os trabalhos olhar o ambiente e saber se algo está errado. - Porsche disse. - E, numa escola? Mesmo que ele não estivesse olhando diretamente pro Macau, ele podia ser um pervertido, ai tirei a foto, manda pro seu pessoal ficar de olho. 

Vegas sorriu pra ele, agradecendo. 

 

X~x~X

 

Nop ouviu os gritos do homem antes de entrar na cela, ele os estava ouvindo desde que desceu para o porão, ele mesmo tinha capturado o homem na saída da escola de Macau e o deixado esperando Vegas. 

- Khun Vegas? 

- Sim? - Seu jovem chefe respondeu, sorrindo com satisfação, mesmo com respingos de sangue no uniforme. 

- Já lidei com os guarda-costas do seu irmão. 

- Não os deixou pra mim? Que pena. 

- Já terminou com esse? - Nop perguntou, ninguém nunca questionou porque Vegas era o melhor interrogador da máfia, ele era um ômega protetor, esse homem assinou sua sentença de morte dolorosa ao perseguir o irmãozinho dele. 

- Sim, vamos devolvê-lo para o chefe dele amanhã à noite em pedaços, só preciso de tempo para pegar mais informações do local. - Vegas disse, enfiando o pano que usou para limpar as mãos na boca sangrando e sem vários dentes do homem acorrentado e cheio de cortes à sua frente. 

- Se vamos nos mover e está insatisfeito com os seus guarda-costas também, com quem vai deixar Khun Macau? - Nop perguntou. - E, nem pense em dizer meu nome, vou assumir a sua guarda até encontrarmos alguém decente. 

Vegas soltou um suspiro pesado e pegou seu celular. 

- Vou cobrar um favor. 

A pessoa atendeu no quarto toque. 

- Estou ocupado. - Foi a saudação que o recebeu. 

- Estou cobrando o favor do trabalho que fiz nos italianos pra você. 

- Tem  a ver com a extração que Nop fez na escola do Macau hoje de manhã?

- Você sabia e não me avisou? - Vegas perguntou, possesso. - Isso é fodido, Kim! Ele podia ter pegado meu irmão, porra!

- Está falando sério? - Kim parecia duvidoso. - O report dizia que um dos seus à paisana tirou fotos hoje de manhã, o cara de moto. 

- Não é meu homem, caralho. - Vegas disse, entendendo a confusão, mas ainda puto. - É um veterano meu na universidade, se não fosse ele… porra, não quero Macau passando por isso, ele é fora dos limites e você sabe! Ele nem se apresentou, caralho, sabe que esse tipo de perigo é estressante demais e pode levar a uma apresentação de trauma, porra! 

- Eu não sabia que não estava controlado, pensei que era só um plano para descobrir a origem da ameaça. - Kim disse, irritado. - O que os guarda-costas dele estavam fazendo? Tomando chá e comendo biscoitos, caralho?

- Eles pagaram pela incompetência, e por que você tinha alguém seguindo meu irmão? - Vegas perguntou, mais calmo ao saber que Kim não tinha sido tão desgraçado.

- Só vigilância padrão, eu sempre tenho alguém de olho em todo mundo que posso, mas, está claro que esse prestador de serviço não vale meu dinheiro e nem minha piedade. - Kim odiava receber informação incompleta e ele era pior que Vegas com castigos. Ele era um alfa dominante e estava sem núcleo, então, toda sua proteção se estendia a família e Macau era um filhote ainda. - Ele devia ter checado se o cara era mesmo um guarda-costas de vocês. É mesmo só um estudante? 

- Sim, ele só leva e busca o irmão lá, e como me conhece, me avisou do cara olhando o Macau. - Vegas disse. - Pensou que era um pervertido ou coisa assim. 

- Não era o caso, mas, tem um professor que assedia alunas e as grava no vestiário. 

- Sério? Com o que pagamos nessa escola, deveriam selecionar melhor. 

- Vou vazar as evidências dele. - Kim disse, se sentindo prestativo. - Quer que eu vá com vocês para limpar os idiotas que estavam de olho nele? 

- Não, eu me livrei dos guarda-costas dele. Pode ficar de olho nele enquanto cuido do resto? 

Kim deu uma risada. 

- Dever de babá? Sério? - O primo brincou. - Devo comprar achocolatados? Ele pode beber café?

- Ele tem quinze! 

- Vou buscá-lo na escola amanhã e te devolvo quando vier buscar sua criança. Se ele quebrar alguma coisa no meu apartamento, eu vou te mandar a conta. 

- Ele tem quinze, Kim. - Vegas disse. - Ele vai te ignorar e jogar no celular a maior parte do tempo, só dê comida e água e ele vai ficar bem. 

- Agora está falando como se ele fosse um bichinho de estimação. 

- Adolescentes são todos assim. - Vegas disse. 

- Você só tem vinte um, pare de falar como se tivesse a idade dos nossos pais.

- E ao contrário de você me lembro de ser um merdinha aos quinze, aliás, você continua sendo um merdinha aos dezenove. 

- Eu sou encantador. - Kim disse, com a voz sem emoção. - Me avise se algo mudar, mas, se não, o pego na escola e não faça uma bagunça… sabe que precisa reportar o ataque para Chan, não faça burrices ou já sabe o que Korn vai fazer na reunião. 

Kim desligou antes que Vegas pudesse gritar que não era estúpido. 

 

X~x~X

 

Tankhun e Arm estavam sozinhos no quarto dele, o primogênito de Korn passou os dedos pela tela do tablet, irritado, de sobrancelhas franzidas. 

- Que alguém tenha chegado tão perto sem eles notarem é imperdoável. - Tankhun disse. 

- Os dois guarda-costas de Khun Macau foram eliminados pela distração, os de Khun Vegas foram realocados. - Arm informou seu mestre. 

Tankhun revirou os olhos, típico de Vegas. Colocar o irmãozinho dele em risco era morte certa, mas, ser distraído com ele valia só uma realocação? Que tipo de problema esse idiota tinha?

- E isso os deixa com quem? Só Nop para os dois? 

- Nop acompanhou Khun Vegas hoje à noite na limpeza. - Arm disse, ele tinha acabado de processar as informações da operação. - Ken foi o observador e disse que ele não saiu do lado dele, talvez agora assuma a segurança pessoal do Khun Vegas até treinar um substituto.

- E Macau? Com quem ele ficou hoje se a segunda família é incompetente o bastante para não ter guarda-costas que prestem? 

- Isso não está nos reports. 

Tankhun franziu o cenho e voltou ao tablet.  

- Não sabia que nossa víbora podia sorrir assim. - Tankhun disse, olhando de novo para a foto no tablet, intrigado, mas já prevendo problemas futuros se certas pessoas vissem essas fotos, por mais inocentes que fossem. - Se livre de todas essas fotos permanentemente e garanta que ninguém além de mim as tenha, apague a menção delas, refaça de modo que pareça que não recuperamos nada da vigilância.

- Posso perguntar o motivo? - Arm perguntou, confuso. Eram só as fotos de vigilância, ele mesmo tinha descarregado a câmera quando entregaram os itens recuperados no ataque e não viu nada demais. 

- Além do fato de que estou mandando? - Tankhun perguntou suavemente, e Arm ficou envergonhado. Ele sabia que seu chefe tinha um motivo pra tudo o que fazia. - Porque aqui estou vendo algo que meu pai e tio não podem ver. Isso para não falar de Kinn, ele teria uma síncope e seria o inferno acalmar esse idiota. 

Arm assentiu, sem entender nada, seu chefe por vezes era confuso e difícil de prever e entender, mas sempre acertava no que fazia. Só os guarda-costas de Tankhun sabiam o quanto ele era astuto, e todos morreriam por ele e o obedeciam em tudo, mesmo que isso desafiasse os interesses de Korn, eles o ajudaram a esconder que ele tinha se recuperado do trauma maiormente, a fachada de herdeiro louco era só uma estratégia para atuar mais livremente, mas, ainda de forma limitada. 

- É claro, Khun Noo. - Arm disse, fazendo uma mesura e indo para sua mesa de computador ali no quarto. 

Tankhun olhou de novo para a foto e se perguntou se um dia seu priminho voltaria a sorrir assim para ele, e sabia que estava um pouco ciumento de ver Vegas ter a bochecha apertada por um estranho enquanto sorria para ele, seu primo nunca o perdoaria por ter ajudado a mandar Kinn para fora do país. Tankhun tinha certeza que seu primo o cortaria com uma faca se ele tentasse se aproximar demais, o pequeno ingrato. A sorte de Vegas era que Kinn estava no intercâmbio ainda, se ele estava incomodado com a forma como seu priminho estava fofo sorrindo para esse colega na foto, Kinn teria feito jus ao nome e teria cuspido fogo. Seu irmão era um alfa dominante, todos os filhos de Korn eram, e o segundo herdeiro era extremamente forte e possessivo, ciumento do que considerava dele, e Vegas definitivamente sempre esteve na coleção de tesouros de Kinn, para o bem e para o mal. 

- Arm, tente descobrir onde Macau estava, não gosto de não saber sobre o paradeiro de um dos meus nongs, ainda mais com uma tentativa de sequestro tão perto. 

- Sim, Khun Noo. A prioridade é urgente?

- Não, já eliminaram o perigo, só quero saber tudo. Ah, e quero uma checagem completa sobre esse veterano do Vegas, se a família menor não trabalha direito, eu vou ter que começar a olhar também, que inferno. 

Arm preferiu não comentar que seu chefe teria olhado mesmo que a família menor tivesse feito toda a checagem, ele era paranoico assim e seus três guarda-costas, que eram seu núcleo também, sabiam que ele tinha prometido ao irmão que manteria Vegas seguro, mesmo que o ômega esperneasse e atacasse.

 

X~x~X



- Ei, Nong bonito! - Porsche saudou Vegas quando ele entrou no Hum Bar, uma semana depois do acontecimento com o fotógrafo. 

- Ei, Phi. Eu vim pelas minhas bebidas. - Vegas disse. 

- Eu disse que te daria bebidas se fosse um bom menino. Você foi? - Porsche provocou, quando Vegas se sentou no balcão, era uma noite de quarta-feira. - Acha que é correto sair pra beber em dia de semana? 

- O semestre acabou! Estamos de férias. - Vegas disse. 

- Sim, eu sei! Chay tem resmungado e reclamado porque não vê Macau há séculos… faz cinco dias! - Porsche disse. 

- E, não são eles que estão pendurados no telefone e jogando o dia todo?

- Sim, esses mesmos. - Porsche disse, colocando uma taça de vinho na frente de Vegas, que ergueu uma sobrancelha para ele. - Vai me dizer que errei, riquinho mimado?

- Não, eu gosto de vinhos, só pensei que ia me servir um drinque complicado.

- Não quando veio aproveitar uma bebida e conversar comigo. - Porsche disse, o movimento estava lento. 

- Tem certeza? Elas parecem estar muito interessadas, Phi. - Vegas disse, sinalizando as duas garotas numa mesa que não tiravam os olhos de Porsche. 

- Estou bem, além disso, tenho que perguntar uma coisa. 

Vegas tomou um gole do vinho e gesticulou para ele ir em frente. 

- Eu economizei um dinheiro e quero levar Chay para uma viagem rápida de moto no próximo em dez dias, quanto terei folga, ele foi muito bem na escola, a ideia é irmos acampar uma noite, ele contou pro Macau e ele se animou… traga o seu nong também, por favor. 

Vegas fez uma careta. 

- Acampar? No mato? Com insetos e… você está falando sério?

- Sim, vai ser divertido, e Macau contou que você ama motos e tem uma coleção delas. Não quer levar seu nong pra passear?

Vegas deitou a cabeça nos braços, ele não acreditava na situação ridícula em que estava. 

- O que foi? - Porsche perguntou, já antevendo a reclamação. Ele mesmo foi vítima do irmão para pedir isso para Vegas.

- Vai fazer N’Chay me atacar com aquela carinha fofa dele se eu disser não?

- Claro que não, mas, ele vai fazer a cara que é cem vezes pior: de tristeza conformada. Ele não é de desobedecer quando falo não, mas, faz aquela cara triste com os olhos lacrimejantes e fica me dizendo “tudo bem, hia, sei que deixaria se pudesse, não tem problema”. 

Vegas gemeu, desconsolado. 

- Prefiro o meu irmão, ele faz birra, grita comigo e fica me ignorando até ter fome de algo que só eu sei fazer e me pedir pra  cozinhar pra ele. 

Porsche riu. 

- Ele é um pestinha, me pediu para treinar comigo. - Porsche contou. - Ele está entediado, acho que vou aceitar, vai ser interessante ter um nong atlético como eu, pra variar.

- No que, em natação? Ele gosta de nadar. - Vegas pensou que era isso, já que conheceu Porsche numa competição de natação.

- Não, em luta. - Porsche disse com cuidado. - Ele disse que teve aulas de defesa antes, sabe que eu sou campeão de Taekwondo do país, não é? Foi assim que ganhei a bolsa de estudos para nossa universidade chique. 

- Oh, sim, isso pode ser bom. - Vegas disse. - Se ele ficar muito problemático, só me avise. 

- Eu sei que nós, irmãos mais velhos sofremos com eles, mas, temos muita sorte com os nossos. Macau é muito educado sempre que fala comigo. 

Vegas bufou, com clara diversão. 

- Você claramente é um favorito então. - Ele disse, sério. - Meu irmão é malcriado com quase todo mundo, estou falando sério. 

Porsche o olhou com descrença, Macau era um doce com ele. Travesso sim, rápido em provocar, mas, era um adolescente risonho. 

- Não seja absurdo. - Ele duvidou, ele conhecia pirralhos mimados e horríveis de longe, ele trabalhava com público, afinal.

- Ele é, nosso pai não é fácil, e ele gosta desse comportamento agressivo e mais hostil que Macau joga pro mundo, é tão alfa na opinião dele. - Vegas disse, dando de ombros. - Não é o que ele realmente é, mas, é como ele se apresenta pra atender essa expectativa, sabe? Faz sentido? 

Porsche assentiu. Ele era um alfa e simplesmente não dava a mínima sobre o que Chay seria, mas, ele sabia que alguns pais tinham muitas expectativas sobre isso, e Vegas era um ômega, então, Macau devia estar sob pressão por uma coisa que era incontrolável. 

- Então, a versão encantadora é exclusividade dos favoritos? 

- Sim, ele deve se sentir seguro com você. As aparências contam muito para ele, se um dia Macau for rude ou te fizer alguma malcriação, olhe sempre o contexto antes de julgá-lo, ok? Ele tem vergonha de ser ele mesmo perto de pessoas que não confia. 

Porsche voltou a aceitar a informação sem questionar. 

- Você também tem problemas por ser mais suave do que deveria? 

- Eu não sou suave! - Vegas protestou, irritado. - Eu nunca fui fofo e essas coisas, quando me apresentei foi uma surpresa. 

Porsche se recusou a comentar sobre isso, porque algumas das pessoas mais assustadoras que ele conhecia eram ômegas e ele é que não ia cutucar esse à sua frente dizendo as ocasiões em que ele foi fofo e suave. 

- Acho que seria bom para vocês dois viajarem comigo e o Chay. Macau disse que não pode ir em casa sem autorização de segurança e acho que ele não convidou o Chay por causa do seu pai.

- Sim, ele não leva ninguém em casa. Haveria perguntas e… meu pai não é gentil, ele é da velha guarda. - Vegas explicou. 

- Então, pense na viagem com carinho, na? Eles só se viam na escola, e agora sentem falta.

- Vou pensar e tentar convencer nosso chefe da segurança. - Vegas disse. - Já tivemos que nos livrar dos seguranças do Macau, e um acampamento é o pesadelo de logística que ninguém quer ter.

Porsche riu. 

- O cara alto e fortão é bem mais atento que os outros dois. 

- Esse é o chefe, Nop. - Vegas disse. - Ele está conosco desde que o Macau tem quatro anos, ele nunca deixaria nada acontecer com ele. 

- Bom saber. - Porsche disse. 

 

X~x~X

 

- Khun Noo? - Arm chamou seu chefe, que estava assistindo um drama enquanto jogava uma partida de xadrez no tablet. 

- Sim? - O homem respondeu suavemente, quando estava nesse humor era porque seu chefe estava tentando se distrair de lembranças ruins, ele provavelmente não tinha dormido quase nada tentando desacelerar o cérebro e se impedir se repetir padrões autodestrutivos de quando estava em cativeiro. 

- Eu descobri onde Khun Macau estava na noite da limpeza, e outras informações importantes que não estavam no nosso radar. - Arm disse, já tinham se passado alguns dias e a coleta não foi tão rápida, Khun Vegas era bom protegendo o irmão. 

- Despeje a informação. - Tankhun disse, sem tirar os olhos do tablet. 

- Eu encontrei imagens da McLaren de Khun Kim nos arredores da escola do jovem Khun Macau, e mais tarde consegui identificar a moto de Khun Vegas saindo da zona do prédio do Khun Kim. 

- Kim ficou de babá? Isso certamente não foi barato. O pirralho não é nada filial e obediente, por mais preocupado que seja, ele está ficando incontrolável sem um núcleo próprio. - Tankhun observou, ele já tinha reclamado disso, mas, Kim ouvia? Não, moleque teimoso. - E, por que não temos mais imagens? 

- Seria necessário usar nossos contatos na polícia, e a prioridade disso não era alta. - Arm explicou. - As câmeras de monitoramento de trânsito são úteis, mas, o acesso a elas nos complica e apagar rastros é difícil. Ficamos restritos às câmeras que temos nos comércios e prédios ao redor, e Khum Kim e Khun Vegas conhecem a maior parte delas e sabem desviar. 

- Dois merdinhas insolentes, isso que eles são. - Khun reclamou. - E o que não estava no nosso radar? 

- Na checagem de antecedentes do amigo de Khun Vegas… algumas coisas não fazem sentido. - Arm disse. 

- Inferno, ele é um infiltrado? Chame o Pete. - Dos seus três guarda-costas, seu doce Pete era o mais letal, um alfa sorridente que conseguia se livrar de alfas com o dobro de seu tamanho só com os punhos. 

- Não, não é isso. É de quando ele era criança. - Arm disse, entregando uma pasta para o chefe, o homem era muito mais rápido que ele para quebra-cabeças do tipo. 

Tankhun leu as informações com curiosidade, sua sobrancelha perfeitamente aparada subindo enquanto examinava o arquivo. 

- O nome desse tio dele, eu me lembro do meu pai falando com meu tio Gun. - Tankhun disse. - É da época do meu incidente, então, é um pouco confuso, mas, esse acobertamento é nosso, e mal feito como era antigamente. 

- Isso é uma grande coincidência. Quais são as chances de alguém cujos pais tiveram a morte acobertada pelo chefe esbarrasse em Khun Vegas na universidade? - Arm perguntou.

- Se esse Porsche não fosse tão fodido, eu diria que não é possível e que ele está querendo vingança ou alguma coisa… mas, nada aqui indica isso, a menos que tenha algo mais? 

- Não, é isso. Essa é a vida dele, eu usei um dos informantes de Khun Kim, que vigia Khun Vegas na universidade e ele confirmou que os dois se conheceram num evento esportivo, e que esse veterano é muito popular por sempre cuidar dos calouros e ser muito simpático. 

Tankhun fez uma careta. 

- Um dos espiões de Kim, sério? A alma de quem você vendeu pelo contato? 

- Só compartilhei as informações que peguei sobre Porsche, Khun Kim também pediu para te mostrar essas duas fotos que o informante mandou para ele há uns dias. - Arm disse, se inclinando para tocar numa pasta no tablet que seu chefe segurava para abrir os arquivos. 

- Inferno. - Tankhun xingou. 

- Khun Noo, me perdoe… mas, eu não consigo captar o que vocês dois viram de ameaçador. - Arm odiava ficar confuso, ele se ajoelhou para poder ver melhor as duas fotos tiradas do celular do estudante que Kim tinha recrutado para vigiar o primo. Na primeira, era possível ver Porsche pegando a mochila de Vegas para carregá-la e na outra os dois estavam sentados no chão, Vegas lendo um livro e Porsche copiando algo do celular para um caderno. 

Os olhos de Tankhun escureceram ao ver Arm ajoelhado tão próximo de suas pernas. 

- Arm, meu menino técnico e de segurança, não esquente sua cabecinha com isso… eu e Kim só somos paranóicos e não gostamos de nada que possa perturbar nossa dinâmica familiar já tão delicada. Vegas não deveria se apegar a alguém assim, é perigoso para ele e para esse veterano, entende? 

Arm assentiu, agora ele entendia. De todos os herdeiros de Korn Theerapanyakun, a única coisa que poderiam dizer de todos igualmente era que eles eram ciumentos e possessivos, três irmãos alfas dominantes até a medula. E, todos os seguranças se lembraram que Khun Kinn só enfrentou o pai duas vezes em sua vida, uma para garantir que o caçula pudesse sair do complexo e estudar música e outra quando proibiu terminantemente que seu primo Vegas, recém apresentado ômega fosse negociado em alianças. O jovem alfa tinha ficado tão alterado e protetor que quase atirou no próprio tio antes dele mesmo reinvindicar Khun Vegas para si mesmo. 

Em seus dois desafios Kinn venceu e sua dominância foi assertiva, mas, ele não era forte o bastante ainda para derrubar o pai e o tio, ele foi afastado para aprender contenção e controle, segundo o pai, mas, todos sabiam que era porque Korn viu em duas oposições seguidas um padrão perigoso: Kinn não ia mais obedecer, o alfa jovem se sentia maduro o bastante para tentar derrubar a autoridade do pai e do tio e se ficasse ali e montasse um núcleo que lhe desse mais força, seria muito antes do que Korn tinha planejado e sem o controle que ele imaginou que teria do segundo filho. Era por isso que Kinn estava terminando um MBA em Londres, ele ia protestar e se recusar, mas tinha sido Tankhun que o obrigou a ir, o mais velho usou sua influência e manipulou o irmão a partir, mesmo que isso lhe rendesse o ódio do primo e a desaprovação dos irmãos. Kim tinha acabado de sair de casa e como Tankhun não aninhava com eles desde o sequestro, o jovem alfa ficou sem nenhum dos irmãos e sem núcleo, já que se recusou a escolher alguém e Big partiu com Kinn. Arm não entendia essa jogada em particular de seu chefe, mas, sabia que ele só fazia movimentos de longo prazo e só tinha o melhor em mente para os irmãos. 

- Khun Noo? A última coisa a reportar vem do seu irmão também. - Arm disse, sabendo que isso ia ser ruim, porque se ele tivesse começado com isso, seu chefe ficaria tão enfurecido que não ouviria mais nada. - Khun Kim manda dizer que o tio de vocês está desobedecendo, que ele contatou a Yakuza para uma aliança e que se eles aceitarem, ele vai negociar do jeito antigo e ofereceu um cio do Khun Vegas como parte do acordo. 

Tankhun começou a rir de forma histérica. 

- Era tudo o que eu precisava, merda! Meu tio tem o que na cabeça? - Ele reclamou. - Vá pessoalmente falar com Kim, diga que preciso dele na próxima reunião de família. 

- Ele vai perguntar o motivo, Khun Noo. - Arm disse, nervoso, dos três filhos alfas de Korn, Kim era o que mais incomodava Arm. A dominância dele era fria e opressora. 

- Oh, ele foi malvado com você, meu Arm? - Tankhun perguntou, em voz cantarolada. - Devo repreender meu nong e dizer para não usar meus brinquedos sem permissão? 

Arm negou. 

- Então, seja um bom menino e não choramingue quando te dou uma ordem. Não quer que eu te castigue mais, quer? 

- Não, Khun Noo. - Arm disse, ele ainda estava numa gaiola de castidade por ter dado um tapinha na bunda de Pete depois de treinar, não queria nem pensar no que seu chefe inventaria para atormentá-lo adicionado a isso.

 - Então, seja bom. E, lembre-se que não pode ir por uns dias, ou Chan vai desconfiar. O único que podia pro Kim vezes sem despertar desconfiança era o Big, mas, nosso buldoguinho fiel está cuidando de Kinn. E eu não vou deixar Kim brincar com você como ele fazia com Big, ele certamente seria muito malvado com você.

Arm assentiu, agradecido, ele nem queria pensar no que Tankhun considerava malvado, já que ele era um mestre muito difícil de agradar, Arm se considerava um beta submisso experiente quando começou a trabalhar para Tankhun, mas, precisou ser treinado para corresponder às expectativas do seu mestre alfa e se descobriu caindo profundamente nos jogos e posse de Khun Noo, que muitos pensavam que era só um louco excêntrico. Ele se preparou para levantar, mas, Khun o parou com uma mão em seu ombro. 

- Quem disse que você poderia se levantar, menino travesso? Acha que não notei que deixou o mais importante por último? - Tankhun perguntou. - Acha que vou permitir esse tipo de comportamento no meu núcleo? Está sendo rebelde porque quer atenção? Eu te negligenciei?

Arm negou. 

- Use palavras, querido. 

- Não, Khun Noo. Eu só estou inquieto e me sentindo sozinho esses dias.  

Tankhun suspirou, ele sabia que era um alfa difícil e não tradicional e que seu núcleo era incrível pela lealdade e pela adaptação. Ao mesmo tempo em que ele era possessivo e altamente ciumento dos membros do seu núcleo, ele sentia dificuldade de dormir com eles, o instinto de aninhamento dele era quebrado por causa do trauma e afastamento de seus irmãos e mãe para tortura e solidão do cativeiro. Seu sono era agitado e incerto, e ele tinha medo de atacá-los a noite, ele já tinha acordado enforcando Pol quando tentou dormir com eles no começo do núcleo, e Pete e Arm tiveram dificuldade de tirá-lo do flashback. Desde então ele mantinha seus meninos satisfeitos, mas, ele preferia terminar o sexo e cuidados e ir para seu próprio quarto, ou mandá-los de volta quando os possuía em sua própria alcova. Pete e Pol não tinham problemas em dormir enrolados um no outro, Tankhun comumente entrava no quarto dos três e os encontrava enroscados e dormindo pacificamente, mas, Arm sentia falta de seu alfa segurando-o e isso estava refletido nele. 

- Meu Arm, meu menino tão lindo e carente. - Tankhun cantarolou. - Por que não consegue se aconchegar com Pete e Pol, hein? 

- Eu… eles são como eu. Eles são submissos, eu gosto da força e do cheiro de um alfa dominante me segurando, me faz dormir melhor. 

- Eu não confio em mim mesmo para dormir com vocês, os sonhos… eu penso que são meus captores. - Tankhun explicou. - Eu posso te segurar por algumas horas para que durma, o que acha? 

- Não quero que fique desconfortável por minha causa, eu posso lidar com isso. - Arm disse. 

- Eu não posso te mandar pra outro alfa… eu surtaria se sentisse o cheiro de outro alfa no seu pescoço. Talvez, talvez quando Kinn voltar?

Tankhun pensou que talvez funcionasse, afinal Kinn e Kim dividiam Big e nunca foi um problema para eles, mas, só a ideia de seu beta tímido e manhoso ficar à mercê de outro alfa, mesmo que seu irmão, o fazia sentir suas presas surgindo. 

- Alfa, eu posso lidar com isso, não é tão ruim. - Arm o acalmou, chamando pelo título que só usava quando estavam entre eles e relaxando.

- Eu vou pensar em alguma coisa para te ajudar. - Tankhun disse, agoniado. - Eu não gosto de ver nenhum de vocês insatisfeitos. 

- Eu sei que vai, porque você é o melhor alfa. - Arm disse, se inclinando ousadamente para beijar a bochecha dele, o que o fez ganhar um olhar afiado. 

- Está realmente carente, não é? Nem parece que estava chorando no meu pau três dias atrás, beta guloso. - Somente Arm e Pete o serviam com o corpo, Pol simplesmente não gostava de sexo, Tankhun o marcava com mordidas e perfumação, mas, nem depois deles voltarem de uma corrida na lua cheia e ganharem uma mordida de dominância ele se sentia excitado. - Ou é porque estava de castigo na sua gaiola? Já está desesperado para gozar, querido? 

- Por favor, alfa, já faz uma semana. - Arm implorou, era a tortura mais deliciosa quando Tankhun o usava com a gaiola, o prazer e o desespero eram enormes. 

- Eu te disse que seriam dez dias, então, serão dez dias. Pare de choramingar como se estivesse no cio ou eu te tratarei como um ômega bem treinado e seu pauzinho fofo vai ficar preso até você começar a pingar e vazar como se estivesse no cio de verdade.

- Desculpe, alfa, eu vou me comportar. - O beta garantiu, ofegante só de pensar nisso. Ele nunca tinha usado a gaiola por tanto tempo e estava ansioso para testar como estaria sensível quando o alfa o tirasse dela. 

- Bom menino. - Tankhun elogiou. - Fique ajoelhado até eu te liberar, não pode me tocar já que reteve informação importante para o final.