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Português brasileiro
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Published:
2025-12-08
Words:
3,654
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1/1
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612

pomposa, arisca e orgulhosa

Summary:

au: onde Celina se envolve com a veterinária de sua gatinha.

Notes:

Florina amo vocês

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

O verão carioca é quase indecente. Por um lado, exala todo o charme que era ver as orlas lotadas de pessoas. Por outro lado, o calor maltrata ainda mais. Menos os que estavam dentro de seus carros ou casas equipados com ar condicionado. Celina e Michel eram um dos felizardos, seguros e resfriados pelo ar condicionado do carro caro da mulher.

 

"Ainda não acredito que você me tirou de casa só pra me fazer de chofer." O rapaz reclamou indignado.

 

Celina, que já havia ouvido o rapaz reclamar outras vezes ainda naquele dia, apenas revirou os olhos e continuou a admirar as próprias unhas.

 

Era verdade que ela o havia tirado de casa, mas não para ser chofer. Bem, na verdade, não apenas para ser o chofer. Ela recompensaria o melhor amigo com um bom mimo depois.

 

"Pelo menos o carro é bom." Michel ponderou, admirando o carro esportivo por dentro. "Como você me deve essa, vou querer o carro emprestado mais tarde.

 

"De forma alguma. Não vou emprestar-te o carro para ele voltar com cheiro de cachorro. Não mesmo." Celina se opôs rapidamente. "Aqui não."

 

Foi a vez de Michel revirar os olhos. O comentário era uma alfinetada na namorada de Michel, por quem Celina tinha aversão, sentimento mútuo da outra parte. Vampiros e lobos eram inimigos naturais. Luna retribuía a implicancia dizendo que Celina tinha cheiro de morto. O rapaz achava tudo aquilo uma grande bobagem e pedia a todos os seres celestes para que aquela infantilidade acabasse em algum momento.

 

"Ela não tem cheiro de cachorro." Michel rebateu e Celina riu num tom de provocação. "E qual a diferença entre o cheiro de gato e cachorro? A Tereza tá bem no banco de trás."

 

"Espera lá. Dona Tereza Cristina é uma lady. Ela usa perfumes caríssimos que a mamãe compra."

 

Tereza Cristina era a gatinha ragamuffin de olhos amarelos de Celina. Michel considerava as demonstrações de afeto de Celina extremamente dúbias, mas as que ele consideravam absolutamente verdadeiras eram as que ela direcionava a gatinha. Michel sabia que a amiga o amava, mas só ouviu Celina direcionar um "eu te amo" para a gatinha, mesmo Celina tendo tido um relacionamento anterior.

 

Era ela o motivo pelos quais os dois estavam num carro no trânsito carioca. A carro caro de Celina corria em direção ao veterinário. Não ficava tão longe assim, mas nenhum dos três indivíduos se submeteria ao calor externo. Dois vampiros e uma gata peluda sob o sol? Jamais daria certo.

 

Diferente do estilo dos três, a clínica não era luxuosa. Na verdade, aparentava ser bem comum. O que a diferenciava das suas concorrências era a gama de espécies que atendia, por isso Michel se assustou quando atravessaram o portal.

 

"Par Dieu!" O vampiro exclamou olhando ao redor. Viu uma arara, um peixe de três cores, um mico e um são bernardo na posse de seus respectivos donos. Mais a frente no balcão, ele espichou o pescoço e viu num corredor ao fundo um grupo de policiais ambientais escoltando uma gaiola.

 

"Bom dia, Celina. Bom dia." A recepcionista loira de cabelos cacheados saudou os dois amigos. "Bom dia, Tereza." A moça cumprimentou a gata, que sibilou instantaneamente.

 

A moça não se assustou, tampouco Michel. Tereza tinha aversão a qualquer pessoa que não fosse Celina. O rapaz nunca se esqueceria da única vez em que ousou pensar em acariciar a gata e ganhou uma mordida inesquecível. Depois disso, ambos apenas aprenderam a respeitar seus espaços.

 

A recepcionista perguntou o que Tereza tinha. Celina explicou que a pobre felina tinha vomitado pela manhã e que achava melhor levá-la para fazer exames. Sophie, a atendente, escreveu algo no computador e os instruiu a aguardar alguns minutos. Os amigos se sentaram nas cadeiras, destoando um pouco pelas roupas excêntricas e peles leitosas, e esperaram. Um rapaz de cabelos muito brancos tentou puxar assunto com Celina, mas desistiu rapidamente. Michel apenas fitava a arara com interesse. Talvez pudesse usar sua super velocidade para pegar o animal e fugir.

 

"Tereza Cristina Martins?" Sophie chamou e os amigos se levantaram. "Podem vir."

 

A curiosidade de Michel foi sanada quando finalmente entraram pelo corredor. O animal escoltado era um lobo guará em carne e osso. Rapidamente se lembrou de sua namorada, uma lobimoça que tinha forma do canino quando se transformava. O rapaz olhou o bicho um tanto maravilhado, mas foi apressado por Celina. Ainda espiou pelos ombros e nem se deu conta quando chegaram a porta do consultório.

 

"Você aqui de novo, Terê? O que você andou aprontando, hein?"

 

Michel se virou e se deparou com uma mulher de olhos muito verdes e o corte de cabelo mais original que já viu. Ela vestia umas roupas estranhas por baixo da jaleco branco, mesmo que o rosto expressivo dela desviasse a atenção daquilo. Achou o rosto familiar e logo se lembrou de quem era aquela moça: Flora, a ex de sua atual namorada.

 

Não tinha qualquer sentimento de rivalidade pela humana, mesmo que tivessem disputado pela mesma garota há um tempo atrás. Mas tinha que admitir que estava curioso em ver Tereza em ação com um médico.

 

Para sua surpresa, Tereza miou no colo de Celina, como se estivesse respondendo as perguntas de Flora. A veterinária conversava com a gata como quem conversava com um ser humano normal e o animal respondia com miados.

 

"Ela vomitou pela manhã. Fiquei preocupada e achei melhor trazê-la." Celina explicou e Flora acenou com a cabeça.

 

Michel esperou que Tereza fosse mais resistente ao contato físico com a veterinária, mas ela o surpreendeu novamente. A gatinha aceitou ser pega por Flora e deixou que a moça a examinasse, sem reagir com agressividade. Foi examinada como ele mesmo um dia foi examinado quando ia ao médico, quieto e cooperativo. A veterinária intercalava as perguntas entre a gatinha e a tutora, que não parecia curta, como normalmente era.

 

"Bom, acho que ela está bem. Não notei nada de diferente nela e pelo que você me disse, ela não apresentou outros sintomas." Flora disse e pegou a gatinha no colo mais uma vez, acariciando os pelos sedosos. "Deve ser stress, né, Terê? Essa vida de ter mãe artista deve ser complicadíssimo."

 

A gata miou e Celina riu fracamente. Okay, aquilo foi o bastante para surpreende-lo de uma forma que nenhuma outra coisa tinha sido capaz. Tereza sendo simpática? Intrigante. Celina rindo de verdade? Surreal.

 

"Já deveria ter se acostumado. Ela mesma já é uma star." Celina comentou e acariciou o focinho da pet.

 

A consulta foi finalizada e Flora os acompanhou até a recepção. Celina pegou a gata no colo novamente e Michel, confuso pelo que havia presenciado, pensou que talvez os dois só tivessem começado de uma forma equivocada. Nem sequer fez qualquer movimento e logo recebeu um olhar desagradável da felina, como se ela o estivesse instruindo a nem ousar tentar chegar perto dela.

 

 

Um terço de hora depois, os três europeus estavam no carro importado de Celina mais uma vez. Tereza dormia graciosamente no banco de trás e a dona do carro estava atrás de volante dessa vez. A voz de Lady Gaga ressoava pelos alto falantes e o sol ia descendo preguiçosamente o céu. Foi Michel quem quebrou o silêncio.

 

"Quando você ia me contar?" O rapaz perguntou. Celina o olhou rapidamente com confusão nos olhos. "Desde quando você tá saindo com a Flora?"

 

O silêncio foi breve e ensurdecedor.

 

"Não estamos saindo." A portuguesa respondeu ao virarem numa esquina. "Nós só transamos. E foi apenas uma vez, nada demais."

 

Michel riu completamente chocado. Não imaginava que Celina respondesse seriamente aquela provocação. O rapaz entendeu o porquê de Celina ter se arrumado ainda mais para levar a filha ao médico. Entendeu o porquê de Celina não estar tão sucinta.

 

"E não podes me julgar. Ela é bonita e eu estava carente. Foi uma vez e só. Nada além. Acabou."

 

"Eu acredito em você e não julgo. O fato de eu ser extremamente gostoso foi o que fez a Luna largar dela quando as duas ficavam." Michel comentou despretensioso. Ao menos era o que tentava aparentar.

 

A reação de Celina foi impagável. A expressão de choque e aversão veio rápido como a luz. A portuguesa só não bateu o carro porque ele era o seu favorito e matar Michel implicava em colocar a vida de Tereza em risco. Pensou em uma desculpa para deixar a gatinha em casa e jogar o carro com ela e Michel na casa de Luna. Se lembrou que a ruiva morava em um apartamento, mas bastava esperar que ela saísse. Mas a lobimoça tinha os sentidos aguçados e se desviaria do veículo. Teria que acabar com os dois a pé mesmo.

 

 

Pelo resto do dia, o humor de Celina ficou terrível. Michel se divertiu no começo, mas pagou de forma cara ao ter de aguentar o mau humor da amiga. Até Tereza resolveu ficar em seu canto, não sem antes lançar um olhar acusatório ao rapaz e sibilar para ele.

 

"O que você está fazendo?" Michel perguntou vendo Celina sair do banho.

 

"Arrumando-me para sair." Celina respondeu simples. "Tu também devias arrumar-te e sair. Daqui, no caso."

 

Michel sibilou, mostrando as presas e a moça devolveu. Celeste seguiu alisando seu próprio pelo como quem dava a entender que aquela situação pífia não merecia sua atenção.

 

 

Uma hora depois, Celina saía novamente com o carro. Desta vez, sozinha. Aquela informação caiu em seu colo como uma bomba atômica. Sentia sua raiva ser alimentada por sua imaginação, que insistia em inventar cenas entre sua "arqui rival" e a mulher com quem havia se envolvido. Se sentia traída, mesmo que o que separasse aquelas duas relações fossem muitos meses. Se perguntou como não tinha sido capaz de perceber o cheiro de cachorro em meio aquele cheiro bom que a veterinária emanava. Talvez tivesse focado demais no calor da pele bronzeada e não dado atenção o bastante para o cheiro.

 

Um comentário de Michel havia sido capaz de despertar o ódio de Celina por Flora e fazer a portuguesa sair para um encontro. A pobre vítima era Miguel, um dos novos galãs de novelas da geração. Se encontraram em um restaurante Michelin e se serviram de vinho. O homem fazia comentários sobre si e perguntas tediosas. Celina respondia, mas parecia focada em outra coisa. 

 

O glamuroso mignon com molho de mortarda lhe embrulhou o estômago quando, por um segundo, permitiu que uma daquelas imagens tenebrosas lhe viesse a cabeça. O ódio a consumiu instantaneamente e foi potencializado pelo vinho português que fingia tomar, mas não sentia os efeitos. Tentou aplacar aquele sentimento focando no homem, que a olhava com um certo desejo. Se lembrou de Flora a olhando daquela mesma forma e então imaginou se ela havia olhado para Luna daquele jeito alguma vez. Pronto, mais gasolina no fogo.

 

 

O jantar havia sido um fiasco, ao menos pelos olhos dela. Miguel pareceu satisfeito e perguntou se poderiam repetir a dose alguma outra vez. A vampira, que havia aceitado o encontro sob a desculpa de se alimentar do sangue humano do rapaz, já demonstrava o contrário. Celina respondeu que pensaria e sequer deu chance para que o rapaz a tentasse beijar. Pulou para dentro do veículo e deu partida, saindo sem se despedir.

 

O carro caro não seguiu a rota até sua casa. A portuguesa precisava se acalmar e sentia que seria capaz de quebrar algum de seus vasos chiques se chegasse daquela forma em casa. Também não queria ir até aquele lugar, mas suas rodas a traíram.

 

A boate gay parecia pouco lotada, mesmo que fosse pouco mais de onze da noite. Algumas das pessoas ainda permaneciam de fora e ela procurou Flora com o olhar ainda dentro do carro, mas não a encontrou.

 

"Cadê você, hein? Eu vi seu carro. Sei que estás aí." A moça murmurou. "Que situação patética. Eu, Celina Martins, uma vampira de quase 300 anos, numa porta de boate. É tudo culpa dela." Sibilou entre os dentes. "Eu devia ir embora e acabar com essa exotérica outra vez."

 

Mas não foi. Não foi pois queria tirar aquele ódio do peito e o derramaria em quem o causou. Estacionou o veículo e saiu em direção ao clube. Tirou o cartão do bolso e pagou a bendita entrada sem perguntar o preço. Deu alguns sorrisos falsos aos que a reconheciam e elogiavam as peças de roupa que produzia.

 

Flora estava dentro como havia imaginado. Estava no bar conversando animadamente com um casal mais velho. Caminhou rapidamente, mastigando sua raiva como quem mastiga algo duro.

 

"Com licença. Posso roubar ela um pouco? Obrigada." Celina se entrometeu com um sorriso e puxou Flora pela mão até um canto escuro. "Não tem nada a dizer?"

 

"Tipo...?"

 

"Tipo que conhecias o Michel. Aliás, não somente o conhecia, mas que havia se envolvido com a loba." Celina respondeu num tom óbvio. A humana ficou confusa por alguns segundos, mas logo se lembrou que "a loba" era Luna.

 

Flora argumentou que aquilo havia sido havia mais de um ano. A portuguesa rebateu dizendo que não importava, que havia escondido aquilo. A pobre moça, mesmo sabendo que nem imaginava que as duas poderiam se conhecer, tentou usar o fato de que tinha ficado com outras pessoas após Luna e antes de Celina. Mas ela estava irredutível e sempre respondia aos argumentos de Flora com mais indagações. Quem passava ali perto enxergava um casal brigando e tratava de sair dali.

 

"Celina, dava pra gente resolver isso em outro momento. Eu pensei que você odiava boate, inclusive." 

 

"Eu odeio, mas estou com raiva de ti." Celina respondeu evidenciando aquilo no tom de voz. "Sabes que a minha vontade é de matar-te com minhas próprias mãos? Eu poderia pular nessa tua jugular agora mesmo. Está escuro e ninguém vai notar enquanto eu estraçalho o teu pescoço." A vampira disse e segurou o pescoço da humana, sem usar força alguma.

 

Flora sabia que aquilo não fazia sentido. Mas Celina parecia ter fogo nos olhos e aquilo a deixou com medo. Então fez o que era esperado: pediu desculpas. A portuguesa sabia que ela faria aquilo e, no caminho até ali, bolou dezenas de estratégias para driblar o pedido. Se convenceu de que não perdoaria tão fácil assim. Mas o ódio de Celina derreteu como manteiga assim que Flora se desculpou. Soltou o pescoço da humana e desviou os olhos dos dela, um tanto constrangida.

 

"Está bem. Eu perdoo." Celina disse e Flora tentou controlar um sorriso. "E pare de sorrir, senão mudo de idéia." Celina ordenou e se virou, saindo dali.

 

A mais velha marchou até a saída, dando mais sorrisos forçados a pessoas que ainda não tinham a cumprimentado antes. Quando alcançou a calçada, se virou para trás e viu Flora se despedir de conhecidos. Quis ainda sentir raiva e usar seus poderes de vampira para sair dali ou dar uma lição nela, mas não o fez.

 

Puxou a moça para um beijo assim que a distância entre as duas se tornou curta. Flora retribuiu o beijo prontamente, abraçando seu corpo com ternura.

 

"Me desculpe. Acho que exagerei." Celina sussurrou baixinho. "Mas eu ainda tenho razão."

 

Flora riu e concordou, deixando que Celina vencesse essa, como havia vencido algumas outras. Inclusive, a portuguesa não havia mentido quando disse que as duas haviam transado só uma vez. Naquela semana mesmo, só haviam transado uma vez. Nas outras tinham sido mais vezes.

 

 

Celina conhecia o apartamento cheio de plantas e tralhas místicas da veterinária e passava horas e horas ali, quando tinham chance. Naquela noite, as duas ficaram na cama conversando sem pressa. A mão gelada de Celina entre as mãos quentes da humana tão carinhosa. No calor do momento, Flora a pediu em namoro. A portuguesa negou e disse que só aceitaria se houvesse um pedido a altura. A brasileira riu e se virou de bruços.

 

"Tá com fome?" A mais nova perguntou.

 

Celina acenou e Flora jogou os cabelos para o lado, deixando a pele nua do pescoço a mostra. A parte mais animalesca da vampira apareceu. Era finalmente a pedradora e sua presa se entregava obediente para ela. Não era a primeira vez.

 

Talvez devesse ser mais discreta, ela pensou. Era mais fácil beber o sangue de outras pessoas. Ter uma presa fixa implicava em problemas para ambos os lados, mas Celina já havia perdido a razão. Flora mexia com seus sentimentos antes mesmo de saber que a portuguesa era uma vampira.

 

Tudo aconteceu a partir da primeira vez em que levou Tereza ao veterinário e se surpreendeu com a forma que a gatinha e a humana se deram bem. A felina era quase como uma extensão de sua dona: pomposa, arisca e orgulhosa. Eventualmente, Celina quem se rendeu a doçura de Flora, que ignorava a personalidade sarcástica da mais velha. Então o sarcasmo virou respeito, depois virou curiosidade e então se tornou desejo. Tiveram seu primeiro beijo e sua primeira vez no carro de Celina, numa carona que a vampira lhe ofereceu.

 

O segredo foi descoberto por volta daquele tempo. Flora sabia da existência de seres místicos e não era atoa que trabalhava numa clínica que atendia inúmeras espécies. Foi fácil ligar os pontos. A pele extremamente alva e fria da vampira. O tom naturalmente entediado, como o de quem havia visto muitas coisas. Os olhos mudando de cor de forma sutil e a transe que entrava quando olhava ferimentos ensanguentados. 

 

Quando a humana revelou que sabia, Celina pensou que talvez pudesse mata-la, mas estava apegada o bastante para sentir desconforto com a idéia de não tê-la por perto. Optou por usar a sugestão em Flora, mas ela resistiu. No final, achou melhor se afastar, mas a moça de pele bronzeada propôs algo ousado. A portuguesa resistiu por um tempo antes de se render e encravar as presas na pele da moça pela primeira vez e então não pararam mais.

 

Celina retornou ao presente e fincou as presas em Flora mais uma vez. Ambas gemeram em satisfação. O sangue da humana tinha um leve gosto de gin, denunciando que havia bebido pouco naquela noite. A vampira bebeu um pouco e soltou a jugular da moça, beijando o pescoço com ternura e desejo. As testas foram coladas e os olhos negros encontraram os verdes por breves segundos antes de se beijarem.

 

Flora adorava vê-la coberta com seu sangue. Aquilo evocava um sentimento de satisfação, como o de um servo pelo seu amo. Talvez fosse aquilo que eram mesmo. Não era unilateral. Celina estava a mercê da brasileira e era capaz de qualquer coisa quando se tratava dela. Quando a ameaçava de morte, era uma forma de dizer que já não mais via um lugar no presente onde as duas não estavam entrelaçadas de alguma forma.

 

Celina era sua doce vampira, afinal. Impiedosa, glamurosa e perigosa. Sabia que ela era um ser transformado com uma única função: causar devastação. Era todo o caos compactado no corpo humano. Mas com Flora era diferente. O "doce" vinha da sensação que tinha de parecer humana novamente na presença da moça. Se sentia vulnerável, subjugada até.

 

Mal perceberam e já estavam transando loucamente novamente. Flora segurava o corpo de Celina enquanto se enfiava dentro dela. Seu rosto estava sujo de sangue como o de Celina. Em um dado momento, a vampira mordeu seu próprio pulso e o colocou na boca da humana, que bebeu o sangue de sua ama de forma obediente. O calor do momento a fez esquecer dos perigos que aquilo implicava, mas não tinha compromisso com nada além do próprio desejo.

 

O orgasmo foi especial. Quando a vampira atingiu seu apice, sendo penetrada de forma arrebatadora, a humana atingiu o seu próprio. As duas cairem na cama, vulneráveis pelos múltiplos orgasmos que alcançavam. Ambos o peitos cheios de sentimentos intensos e até irreconhecíveis. Se beijaram mais uma vez, de forma profunda. Flora parecia sentir cada sentimento que Celina sentia.

 

"Eu te amo." A humana se declarou enquanto as bocas se conectavam de forma quase magnética.

 

Celina quebrou o beijo e ficou ereta, prendendo Flora contra a cama enquanto segurava sua mandíbula. Esfregou seu nariz contra a bochecha de Flora e mordiscou sua orelha.

 

"Isso é para que saibas que és minha, só minha. De mais ninguém." Sussurrou no ouvido da humana e a soltou por fim.

 

Flora gostava daquilo. Naquele tom ameaçador, Celina indicou que o amor era recíproco. Ela ainda não era capaz de admitir que tinha sentimentos pela humana, mas sabia que os tinha. A humana perguntou quando a vampira lhe transformaria. A mais velha riu e disse que o faria quando não sentisse mais vontade de mata-la. Flora resmungou em protesto, dizendo que Celina sempre a estava ameaçando de morte. A vampira riu ainda mais e beijou sua humana com ternura.



"Agora temos que nos preocupar em evitar que morras até que o veneno saia de seu sangue." Disse enquanto acariciava as costas de sua amada.



"Não se preocupe, meu amor." Flora rebateu, beijando rapidamente os lábios de Celina. "Eu faço um ritual para purificar. Ou, eu posso aproveitar nossa ligação por algumas horas."



A portuguesa riu novamente e agarrou o corpo nu de sua presa. Mal as duas sabiam que aquela ligação já não dependia mais daquela troca hemática. Os destinos das duas se entrelaçaram na primeira vez que Celina provou do sangue da Flora. A vulnerabilidade sentimental abriu portas para que o vínculo não se desse pelo sangue, mas se fortalecesse através dele. E estava tão forte que já dava sinais externos. Como o ciúme animalesco que Celina sentiu naquele dia e a angústia que ele causava em Flora ao mesmo tempo, mesmo que ela não soubesse o porquê. Ou o nervosismo da vampira quando pensava em encontrá-la, que causava o sentimento de entusiasmo na humana, mesmo que não fosse combinado.



Era tarde demais para resistir. Já eram um caso sério. A morte de Flora dois meses depois e seu renascimento só confirmou aquilo.

Notes:

:)

obrigado por ler bjinho