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NAQUELE LOCAL EM ESPECÍFICO, o tempo parecia seguir um curso diferente. Enquanto o resto do mundo parecia sempre se mover rápido, em angústia e preocupação, lutando contra seu maior inimigo; o relógio, que sempre parecia dois passos à frente naquela corrida que não dava espaço para dúvida… naquele lugar era diferente. O tempo corria mais lentamente, como se seu pai o controlasse também.
Entretanto, ele não é estático. É contínuo.
Quando se vê, Poseidon não é mais o caçula.
Quando se vê, Zeus sabe. Mesmo se segurando nos móveis, com as pernas gordas e pequenas tremendo, consegue caminhar lentamente pela sala.
Quando se vê, Adamas precisa ir a um lugar distante para controlar seu temperamento.
Quando se vê, a mãe dorme e nunca mais acorda.
Quando se vê, Poseidon precisa ir. Um gênio não pode ser limitado entre quatro paredes.
Quando se vê, Zeus precisa ir. Ele é a criança, a única que pode ser criança.
Quando se vê, Hades está só. E o tempo corre diferente, preso neste lugar.
O tempo é frio e silencioso naquelas terras nas quais passou sua infância e, agora, sua adolescência. Enquanto seu pai o mantém sempre debaixo de seus olhos e julgamentos, mantém-no preso com uma corrente curta que fere o pescoço. Era necessário, era o que ele repetia sempre, para que o primogênito da família fosse perfeito: como filho, como irmão, como homem, como alfa. Tudo deveria ser perfeito.
Olhando para a janela de seu quarto, o inverno era implacável. O jardim que um dia em uma memória velha fora tão belo em cores e aromas agora era reduzido a um interminável branco sem vida. E, mesmo que seu corpo estivesse aquecido, algo frio parecia habitar por dentro: a certeza de que, mesmo no dia mais agradável da primavera, as flores não desabrochariam.
As risadas das crianças mais novas nunca mais seriam escutadas.
O mundo de Hades estava em silêncio. O único som era o leve virar de páginas de mais uma leitura obrigatória em seu interminável treinamento como líder da família. Seus olhos violetas correram pelas palavras, primeiro sem realmente lê-las. Mas logo as palavras formaram frases com algum sentido, que julgou ser importante.
Caso contrário, Cronos não as teria entregado antes de viajar e deixá-lo naquele lugar sozinho.
É sabido que um bom alfa deve se casar com um ômega fértil e de temperamento submisso. O casamento não precisava ser feliz, apenas benéfico para ambas as partes. Caso o alfa seja o primogênito, aquele que sucederá os negócios da família, isso não era uma opção, mas uma obrigação.
Não havia muito o que interpretar. Uma mensagem clara, e o frio continuou. Mesmo que devesse sentir o calor do que o médico previu ser o primeiro cio como alfa, ele ainda se sentia como uma pedra de gelo, ao mesmo tempo em que o suor se acumulava na testa e as bochechas coravam. O garoto, que mal completara quinze anos, apenas encostou o rosto na janela, derrubando o livro no chão com um baque alto. Sua respiração alterada, em lufadas pesadas, condensou-se sobre o vidro, embaçando tudo o que via.
Qualquer sentimento de que, mesmo à distância, onde a floresta densa engolia tudo, alguma coisa, uma esperança, um alguém, pudesse surgir no horizonte… se perdeu. Ele estava sozinho.
Assim deveria ser.
Assim seria.
Assim sempre será.
QUINZE ANOS DEPOIS
O clima era, no mínimo, congelante.
Qin Shi Huang, protegido por um casaco preto grosso, dois números maior, não resistiu a abrir a boca e colocar a língua para fora enquanto esperava ser atendido. Podia sentir o primeiro contato gelado dos pequenos flocos de neve, que logo derretiam sobre sua língua. Seus olhos fitavam com curiosidade a residência à sua frente.
A majestosa casa erguia-se imponente à vista, com uma arquitetura que deixava claro ser herança de mais de quatro gerações, tinha todas as luzes apagadas. Parecia dormir enquanto era, aos poucos, coberta pela neve.
"O que quer."
O tom áspero, como Qin esperava, indicava que não necessariamente havia interrompido Poseidon em seus afazeres. Pela ausência de um xingamento final, pôde concluir que o alfa mais jovem estava de bom humor, cuidando dos aquários do seu apartamento.
"Nada de muito importante. Caso eu morra, quero que jogue meu computador ligado na banheira cheia até a borda de água."
Um resmungo mal-humorado foi sua primeira resposta. "Você me ligou para isso?"
"É importante." Disse por fim, começando a caminhar em direção à entrada da mansão, que possuía um extenso e belo jardim, não havia flores desabrochadas por conta da estação, era seco e ocultado pela neve. "Ou há grandes chances de o mundo acabar conhecendo o esplendor do seu irmão mais velho."
"..."
"E antes que fale, foram dados adquiridos de boa vontade, alguns até foram presentes e..."
"Cale-se, por Deus." Gemeu Poseidon, sentindo-se reduzido a um pré-adolescente, tampando os ouvidos na tentativa inútil de preservar sua inocência. "Aliás, você é um grande idiota. Não é como se estivesse sendo obrigado."
E definitivamente ele não deveria estar aqui, prestes a fazer uma grande loucura.
"Sou o companheiro do seu irmão."
Disse Qin simplista ao finalmente chegar à entrada, observando que, no andar de cima, em uma das janelas, havia alguém o observando, atrás das cortinas que só possibilitavam ver a silhueta masculina. "Logo, é a minha obrigação."
O outro lado da linha ficou mudo. Poseidon sabia que, mesmo vendo aquele ato como inconsequente, respeitava o fato de que, apesar da personalidade excessivamente energúmena, quando se tratava de Hades, as palavras de Qin nunca eram levianas. Apesar dos apesares, aquela criatura irritante era justamente alguém muito próximo do ideal de Hades, ironicamente, o primeiro a alcançar um emparelhamento ridiculamente harmônico.
"Você é um alfa."
Havia uma pedra no meio do caminho. Qin acabou chutando-a, levado pela rápida frustração que se alastrou pelo corpo. De fato, o problema começava justamente por ele ser um alfa.
Mas seria injusto ser apenas sua culpa; ao menos metade do problema deveria ser de Hades, por também ser um alfa.
"Oh, não sabia! Agradeço o lembrete, cunhado." Disse, tentando conter o que sobrara da frustração.
"... Espero que morra. Meu irmão ainda pode conhecer alguém bem mais decente." Resmungou Poseidon.
Uma risada divertida escapou da boca de Qin enquanto ele procurava, preguiçosamente, a chave da porta entre as sacolas que trazia à mão. Como esperado, os funcionários haviam sido dispensados por alguns dias, fazendo com que apenas uma única pessoa estivesse naquela casa enorme.
Sozinho.
Apenas ao pensar nisso, o coração de Huang apertou dolorosamente. De repente, a calma de seus movimentos tornou-se mais urgente.
"Apenas faça o que você sempre faz." Disse Qin, finalmente colocando a chave na porta. "Até nós voltarmos. Ou não, sabe; não sou fraco e, se algo acontecer, eu levo Hades para o inferno junto comigo."
Poseidon poderia provocar, mas não naquele momento.
"Ele nunca machucaria você."
"Eu sei."
Disse, finalmente abrindo a porta. A convicção de suas palavras servia tanto para Poseidon quanto para si mesmo.
"Obrigado."
"Não morra."
"Tão amável."
"Sério, vai ser difícil explicar que sua morte foi causada pelo seu c..."
Qin desligou, entrando enfim na casa. Deixou um rastro de pegadas na neve antes de fechar a porta e se mover pelo interior, largando o casaco, antes de apertar o tecido contra o nariz e tentar encontrar alguma fragrância de Hades, e o telefone sobre uma cadeira próxima à entrada, as sacolas ainda em mãos.
Não tão distante, ouviu um som alto, de algo pesado chocando-se contra uma barreira sólida, metálica. A casa tremeu quando o som de batidas ressoou contra o metal, insistente, perigoso. Vinha do andar de cima, e não demorou para que um cheiro azedo de vinho invadisse as narinas de Huang.
"Fofo." Sussurou Qin ao sentir, pela primeira vez, seu namorado direcionando feromônios agressivos, marcando território para si. O odor até poderia fazer o nariz coçar, mas trazia uma experiência única.
Tudo começou há quatro meses. Um péssimo hábito?
Hades e Qin começaram a dividir a cama. Não apenas para aplacar desejos, mas para descansar e dormir bem de um modo que nunca haviam experimentado. Beelzebub, um médico beta que atendia às necessidades da família de Hades, explicou que ambos eram alfas criados e moldados para serem líderes de família, de matilha.
Líderes de matilha naturalmente nunca dormem bem; desenvolvem problemas de insônia por estarem sempre em alerta, vigiando e prontos para proteger o território. Logo, os dois alfas, depois de receberem o treinamento como líderes de grupo, nunca mais dormiram oito horas líquidas ou tiveram um sono realmente reparador. Entretanto, de alguma forma, na qual o médico quase arrancou os cabelos tentando compreender, algo antinatural aconteceu.
Se dois líderes de matilha se encontram, o esperado seria o ranger de dentes e a distância cautelosa, uma tensão constante para evitar que um conflito mortal se instaurasse. Porém, os lobos dos dois não se viam como rivais. Não havia ameaça, nem disputa, nem necessidade de provar força. Instintivamente, reconheciam-se como parte da mesma matilha.
O lobo de Hades reconheceu no de Qin uma presença tão firme quanto a sua, alguém capaz de vigiar, proteger e sustentar o território.
E o lobo de Qin reconheceu no de Hades a mesma coisa.
Não era submissão ... Era equivalência.
Quando um lobo forte divide a vigília, o corpo entende que pode baixar a guarda. O instinto relaxa antes mesmo que a mente acompanhe. Logo, dormir juntos todos os dias tornou-se natural e prazeroso; embolavam-se em cobertas macias depois de se atualizarem sobre o dia um do outro e dormiam ridiculamente bem. Era uma resolução de problemas perfeita.
Certo… nem tanto. Pois, obviamente, um quarto com uma carga tão expressiva de feromônios tornava-se um local no qual outros alfas e até ômegas não conseguiam respirar. Zeus, quando tentou esconder um presente de aniversário no quarto de Hades, desmaiou apenas ao abrir a porta.
E, logicamente, quando o parceiro liberava uma fragrância tão estimulante durante a noite, as atividades íntimas de casal pela manhã tornavam-se algo comum e esperado.
Qin sentiu um arrepio profundo ao lembrar de uma fatídica manhã em que acordou com algo entre suas pernas: Hades lambendo e chupando suas coxas internas com uma ereção realmente assustadora a vista. O albino quase morreu ao ser flagrado, deixando um rastro de saliva e mordidas na pele alheia com um olhar de culpa. Ele pediu desculpas, explicando que seus instintos haviam nublado sua mente com o cheiro agradável de jasmim.
Mas Huang, como um amante compreensivo, o perdoou e ofereceu seu peito para dar um agrado. A sensação do membro de Hades fazendo aquele movimento de vai e vem entre o vão dos seios foi espetacular, não tanto pelo prazer físico, que não era grande coisa, mas porque Hades estava realmente excitado enquanto olhava fixamente para aquela cena erótica, fazendo Qin se sentir quente e absurdamente desejado.
No entanto, nada o preparou para quando o líquido quente se derramou de forma certeira em seu rosto, quase o cegando do olho esquerdo.
Foi trágico, e um Hades desesperado teve que levar às pressas um Huang que não parava de rir, com apenas um olho funcional — o outro estava vermelho, coçando e lacrimejando — para o hospital. Beelzebub quase teve uma morte súbita quando o albino contou, em detalhes, o ocorrido. Foi assim que descobriram o comportamento atípico de seus lobos.
No fim, receberam uma aula de educação sexual, e Beelzebub alertou Hades de que seu comportamento estranho se devia ao rut que se aproximava precocemente, provocado pela alta carga de feromônios que vinha recebendo.
"E evitem dormir juntos nos próximos dias."
Beelzebub disse, já com a expressão de quem sabia que seria ignorado, principalmente por Huang que franziu o cenho, enquanto lágrimas corriam como um rio pela bochecha esquerda. "Hades está com a sensibilidade alterada. Se houver rejeição, isso não vai se limitar a uma discussão boba entre vocês."
Ele fez uma careta ao aproximar do pescoço do albino um aparelho semelhante a um termômetro digital. O visor apitou quase de imediato.
"Isso aqui já está perigosamente alto." Murmurou suspirando pela dor de cabeça se aproximando, nem a opção de usar supressores era seguro, sentou na cadeira, fitando o casal que ainda não se desgrudava, seriamente. "Para ser honesto, parece que você já está no pico do calor."
"Como..." Questionou Hades com voz baixa, usando um lenço para secar o rosto de Qin.
"O rut está se adiantando." Beelzebub suspirou, passando a mão pelo rosto. "A carga constante de feromônios acelerou o processo."
"E se a gente só… tomar cuidado?" Qin arriscou esperançoso. Talvez sentisse os primeiros sintomas de ansiedade de separação, pois agarrou fracamente a camisa de Hades. O albino se aproximou mais, acariciando os cabelos pretos.
"Não." Beelzebub havia lançado um olhar exausto."Existe uma chance mínima de rejeição, mínima mesmo, por causa desse vínculo... estranho de vocês. Mas não vale o risco por hora. Rejeição entre alfas não é algo que se resolve com conversa. Vocês podem literalmente se matarem no pior cenário"
Ele guardou o aparelho em uma gaveta da mesa. "Então, por favor. Não durmam juntos por alguns dias... E principalmente não..."
Qin Shi Huang cantarolava uma música enquanto subia as escadas, desprovido do casaco de inverno. A roupa que usava tinha uma base preta; camisa de gola alta e calça de alfaiataria, acompanhadas por um corset preto estruturado que marcava a cintura da maneira que o alfa mais velho tanto adorava. Por cima, um haori curto branco, de mangas amplas, com detalhes em vermelho formando um dragão, um presente, assim como os adereços dourados que Hades escolheu com tanto cuidado.
O som de seus sapatos ecoava alto de forma proposital, misturando-se ao rosnado e ao som metálico que aumentava a cada batida contra o mesmo. A casa parecia vibrar no mesmo ritmo do metal. Seu coração batia forte enquanto observava o lugar onde seu alfa crescera. Ou melhor, onde fora mantido preso.
Hades não conversava muito sobre a própria infância. Quando o fazia, limitava-se a histórias soltas envolvendo os irmãos mais novos e, com o tempo, algumas lembranças da mãe. Todo o resto; Cronos, especialmente, era amargo demais ou simplesmente irrelevante para que Hades sentisse necessidade de contar, desde a primeira conversa que tiveram após o enterro de Cronos.
Talvez as lembranças desaparecessem caso não fossem ditas em voz alta.
E assim se mantivera, até a última vez que se viram pessoalmente.
A neve cobria o chão completamente. Qin estava deitado de lado, o corpo paralelo ao de Hades, os cotovelos afundando levemente no frio úmido enquanto o encarava, com apenas o rosto parcialmente visível sob o cachecol grosso. Hades, por sua vez, mantinha os braços cruzados sob a cabeça, tão bem protegido do frio quanto ele, os olhos fechados, o rosto levemente corado, não apenas pelo frio, Qin suspeitava.
"Hades…"
"Não."
A resposta veio rápido demais. Estranhamente rápida para alguém que parecia tão relaxado. Mas não depois de tudo o que havia contado. Da casa grande demais. De quando a solidão fora a única presença constante em sua vida. Das barras de metal que sempre estiveram ali, prendendo-o…
Qin franziu o cenho, irritado com um homem morto, com a vontade quase dolorosa de proteger o alfa mais velho, de garantir que nunca o deixaria sozinho… apenas para que Hades lhe pedisse distância?
"Você é tão frustrante…"
"Idem." Hades abriu um sorriso preguiçoso, sem abrir os olhos. "Sinto isso quase o tempo todo, querido."
O mais jovem sentiu o coração afundar ao saber que seu alfa preferia passar o primeiro rut depois de se estabelecerem sozinho. Aquilo o incomodava profundamente. Queria não pensar em quão ridículo era sentir-se magoado, mesmo sendo uma orientação médica.
Qin virou-se completamente, encarando o céu branco acima deles. Fingiu não notar quando Hades abriu os olhos e virou o rosto apenas o suficiente para observá-lo de perfil: o maxilar tenso, os lábios vermelhos pressionados em uma linha fina, a sobrancelha levemente arqueada. Qin ficava especialmente expressivo quando estava irritado; era quase adorável.
Quase.
Porque ele já era.
Hades conteve a vontade de beijá-lo e substituiu aquela expressão por outra; levemente lacrimejante, o rosto ainda corado e lábios inchados. Não era uma boa ideia. Não devia permitir que seu lobo tomasse conta de sua mente.
Pois acabaria cedendo completamente a tudo que Qin quisesse.
"Eu não me perdoaria se algo acontecesse", confessou em voz baixa.
Até chegarem ao ponto em que podiam simplesmente deitar como duas crianças na neve, em um parque qualquer, numa tarde comum, haviam enfrentado pessoas demais, medos demais que só foi capaz de suportar tendo Qin. Hades era alguém forte, mas ao lado de Huang parecia diferente, não fraco, apenas incomparável diante de uma força da natureza.
Parecia que havia apenas certezas naqueles olhos bonitos. Ao menos por um tempo. Porque a verdade sempre se revela, cedo ou tarde.
Qin Shi Huang tinha muitos medos. Hades os via nas noites em que o alfa mais novo acordava sobressaltado e se recolhia em seus braços com o corpo trêmulo; na rigidez súbita dos ombros quando algo saía do controle; na forma como a respiração acelerava quando se sentia encurralado pelas próprias expectativas.
A necessidade de controle não vinha da ambição, como ele fazia parecer. Vinha do medo de perder tudo outra vez.
E Hades era bom demais para não ser arrancado abruptamente de sua vida. Ao mesmo tempo em que Hades o fazia sentir-se vivo, era o mesmo que, às vezes, o fazia sentir-se à beira de morrer pela ansiedade de perdê-lo.
Qin sentiu uma mão gelada tocar seu rosto. O albino pareceu perceber seus sentimentos à flor da pele e, aproveitando que não havia movimento ao redor, colocou-se parcialmente sobre o namorado.
"É apenas por alguns dias", murmurou. "Depois eu volto para você."
O lobo de Qin não pareceu satisfeito. Com uma mão, agarrou a cintura de Hades e conteve-se para seguir a orientação de Beelzebub, evitando liberar feromônios.
"Você é meu."
A voz queria soar firme, como sempre soava em negociações importantes. Mas saiu diferente.
Você é meu?
Mesmo que seu lobo me rejeite por não ser ômega?
Você é meu?
Assim como eu sou seu?
Hades riu baixo, beijando-lhe os lábios, matando um pouco da fome por contato. Qin apertou mais forte sua cintura, exigindo uma resposta. Bufou quando Hades respondeu apenas com mais beijos.
"Sim", disse finalmente, antes de deixar um pequeno selar na testa do outro. "Eu sou seu."
Justamente por ser seu, ele não o abandonaria.
Ao chegar ao topo da escada, Qin parou, um sorriso tenso apareceu em seus lábios. As mãos se fecharam com força. À frente, as barras de metal balançavam violentamente, sacudidas pelo homem por quem se apaixonara. Os olhos de Hades estavam desfocados, o lobo assumira o controle. Ele golpeava a grade que dividia o corredor, preso ali.
Antes, fora o pai do albino a se trancar naquela casa fria. Agora, era Hades. Era a cobra mordendo o próprio rabo.
A estrutura era velha. Qin percebeu isso rápido demais. O metal rangia, vibrava, cedendo aos poucos. Não era uma questão de se iria quebrar, mas quando.
As mãos de Hades sangravam, feridas abertas contra o metal, mas ele não demonstrava qualquer sinal de dor, muito menos que se importava. Ele apenas parou quando seu olhar se fixou em Qin.
Apenas por um segundo.
O impacto seguinte foi mais forte.
A garganta de Qin se fechou. Hades já havia descrito aquela sensação antes, o rut, a mente fragmentada, os supressores falhando, o lobo assumindo tudo. Não havia espaço para razão. Apenas impulso. Como era um alívio que isso ocorresse apenas uma vez por ano e...
Por causa de Qin Shi Huang, esse pesadelo veio mais cedo.
Qin avançou devagar, as mãos atrás das costas. Quanto mais se aproximava da grade, mais visíveis se tornavam os estragos do outro lado: vasos quebrados, paredes arranhadas, marcas antigas misturadas às recentes. O barulho do metal aumentava a cada passo.
O cheiro de vinho e romã azeda tomava o ar, ao mesmo tempo ameaça e defesa. Ainda assim, Qin continuou.
A grade estremeceu de novo.
Se caísse, não haveria tempo para reagir.
Quando chegou perto o bastante para ser alcançado pelas mãos de Hades, o aroma de jasmim se espalhou pelo corredor, testando. Era notório pelo cheiro floral o receio, medo de ser rejeitado por não ser um ômega.
Então Hades parou de lutar.
Ao sentir a fragrância invadir seus pulmões, densa, quente mas definitivamente não era incômoda. Aspirou com força antes que pudesse impedir. O lobo, que segundos antes rosnava contra as barras de metal, silenciou abruptamente. Não estava se rendendo de nenhuma forma, mas reconhecendo.
Um som baixo escapou de sua garganta, um choramingo contido, carente, quase humilhante. O que fez Hades sentia um pouco de vergonha.
Os dedos ainda estavam cerrados na grade, os músculos dos braços tensos, vibrando com força contida. As barras rangiam sob a pressão, logo seus olhos se fixaram naquele problema com pernas bonitas demais para o próprio bem.
"Qin Shi Huang."
A voz saiu grave, arrastada, exausta. O tom era de repreensão, sim, aquele usado para conter uma criança descuidada, neste caso uma criança ingênua demais ou idiota demais.
Qin percebeu o tom que era bem comum direcionado a ele, a paciência santa de Hades sendo testada. E, ainda assim, avançou.
O cheiro de jasmim se intensificou, doce e aconchegante, envolvendo Hades. O chinês sorriu, os olhos brilhando de uma alegria genuína, e aproveitou o momento exato em que as mãos de Hades permaneceram presas à grade para envolvê-las com as suas.
O contato fez o corpo do albino formigar.
"Hades!" saudou, como se não houvesse nada de errado em tocar um alfa à beira do colapso.
O lobo de Hades rosnou, baixo, possessivo, exigindo. Seu corpo respondeu antes da razão: o tronco se inclinou para frente, o nariz buscando o cheiro na pele de Qin, a respiração pesada roçando-lhe o pescoço. A testa de Hades tocou a dele por um segundo breve.
Uma veia pulsou em sua testa.
Ele queria morder. Marcar. Puxar.
Em vez disso, fechou os olhos.
"Você ainda vai me enlouquecer…" murmurou, a voz falhando no fim. Puxou as mãos de volta com cuidado. O corpo ainda estava tenso, os ombros duros, a respiração profunda demais.
"Você foi imprudente." murmurou, a testa ainda encostando de leve na de Qin. "Muito imprudente."
O lobo dentro dele reclamou. Queria puxar, queria marcar, queria esmagar aquela proximidade até não restar dúvida alguma. Sua mente parecia girar em apenas um único pensamento.
Queria garantir que o homem a sua frente fosse marcado de todas as formas, para garantir que nenhum outro ômega ou alfa pudesse se aproximar.
Em vez disso, Hades fechou os dedos contra o próprio peito, "Feromônios não são brincadeira. Isso poderia ter virado uma briga. Eu poderia ter…" a frase morreu antes de terminar. Não precisava dizer.
Qin ergueu o rosto devagar. Não havia desafio ali. Não era o mesmo do primeiro encontro até que esbanjava confiança e perigo... não... era algo que apenas permanecendo ao lado pelo tempo suficiente era visto... franqueza.
"Se fosse assim..."começou com a voz baixa, "o meu cheiro não teria provocado um rut precoce.
"E se fosse rejeição…" Qin respirou fundo, o jasmim oscilando, instável. "Já teria acontecido. Meses atrás. Não agora."
O silêncio entre eles ficou pesado. Não tenso. Era certo que as chances de rejeição eram baixas, mas Hades ainda escondia um forte medo que na hora que o seu lobo tomasse completamente o controle...
Hades abriu a boca para responder, mas Qin foi mais rápido. A voz falhou no começo, "Eu sei... Seus irmãos, amigos e até seu médico alertaram. Dois alfas não é o ideal. Sempre existe a possibilidade de você acordar um dia e perceber que…" engoliu em seco " …que foi um erro."
O lobo de Hades rosnou, indignado. Mas seu corpo congelou ao ver uma lágrima rolando no rosto de Qin em uma expressão dolorosa.
"Que ainda dá tempo de encontrar um ômega. Alguém que não te desafie. Que não complique. Que não…" Qin riu baixo, sem humor enquanto com a palma da mão enxugava a lágrima que caiu, seus olhos estivessem ridiculamente úmidos. "Que não te faça passar por isso."
Culpa. Era este o sentimento que pesava em seu coração ao ver aquele homem tão bom sofrendo.
Hades sentiu algo rasgando por dentro. Não era instinto que normalmente o controlava em um momento como este. Era um dos poucos sentimentos que um animal e um homem compartilhavam como iguais. Era medo puro.
Ele segurou o rosto de Qin com ambas as mãos, firme o suficiente para ancorá-lo, suave o bastante para não machucar. "Escute bem Qin, eu amo você."
Qin Shi Huang queria gritar que também o amava, profundamente a ponto de doer. Mas as barras que o separavam era um lembrete. Então apenas deixou mais lágrimas rolarem, balançando a cabeça em negação.
"Amor não impede rejeição. murmurou. "Nem muda biologia. Nem silencia lobos quando eles decidem que algo está errado."
O cheiro de jasmim vacilou, menos doce, mais inseguro. Hades sentiu o próprio lobo reclamar frustrado, uivando em sua mente como um louco. Como se dissesse: ELE É NOSSO. Automaticamente liberou o aroma de romã e vinho para tentar envolver e acalmar Qin.
"Você acha mesmo..." Hades sussurou, seus olhos também estavam ameaçando se derramar, "que eu não pensei nisso? Que eu não considerei todas as possibilidades?"
Estavam tão próximos que podiam sentir a respiração quente tocar o rosto um do outro. Os olhos violetas fixos no preto estrelado.
"Não escolhi você apesar de ser um alfa. Eu escolhi você porque é você. Porque me desafia. Porque não se curva e sei perfeitamente que essa teimosia será o motivo da minha morte."
Qin fechou os olhos com força. O lobo dentro dele choramingou, ferido, como se cada palavra fosse uma mão puxando-o de volta do canto escuro da sua própria mente, "E se um dia…" hesitou por um momento. "E se um dia seu lobo decidir diferente do seu coração?"
Hades sorriu de lado, "Então eu luto com ele. Todos os dias, se for preciso."
O lobo reclamou novamente em sua mente. Dessa vez irritado com ele por cogitar que algo assim pudesse acontecer.
"Não existe alguém melhor esperando por mim." continuou. "Existe você. E isso já é mais do que eu jamais tive permissão para querer."
Estava completamente fora do alcance de Hades desejar ter ao lado alguém como Qin. Mas ele não pode resistir às provocações daquela criatura esperta. Não havia mais como voltar atrás depois de ter aquele homem em seus braços.
Hades fechou os olhos, "Então... Eu só gostaria de ouvir que você também me ama."
Qin respirou fundo. O ar saiu trêmulo, "Você não devia pedir isso assim. "murmurou. "Como se fosse algo que eu pudesse negar."
Qin levou a mão ao rosto de Hades, o polegar roçando de leve abaixo do olho claro, "Eu amo você. Do jeito mais amaldiçoado que existe. Eu sou incapaz de me afastar de você, mesmo que seja para me proteger. Você é meu."
Hades sentiu o nó no peito ceder de forma quase dolorosa. O lobo, finalmente satisfeito, aquietou-se com um resmungo baixo, possessivo e sereno. Era uma trégua, pois os feromônios agora eram mais sedutores, querendo atrair Qin para uma armadilha no seu quarto.
Ao sentir o aroma adocicado, Qin acabou sorrindo de maneira perversa para Hades que corou, sentia que uma nova onda de calor se aproximava.
"Agora abra." Ordenou Qin.
"Meu amor..."
"Abra."
Hades soltou uma risada curta, desacreditada, "Pelos deuses ... Você ainda vai ser a minha perdição."
Qin sorriu, "Já sou."
Hades prontamente acatou a ordem do seu imperador.
"Meu amor…" sussurrou Qin, abismado com o que encontrara no quarto. Começou a investigar o achado em busca de uma explicação lógica, enquanto o albino mantinha-se quieto, encostado na parede, corado ... talvez pelo rut… talvez pela vergonha.
Não era como se nunca tivesse visto algo parecido, mas o fato de um alfa ter montado aquilo era peculiar. Não era esperado da natureza de um lobo, mas de um…
"Sei que gosta de aves, mas não sabia que se comportava como uma" comentou Qin, inclinando a cabeça, intrigado ao lembrar da cacatua do albino que deixou sob os cuidados de Adamas. Afinal, só isso explicaria Hades ter construído um ninho.
Qin conhecia o comportamento de ao menos os pássaros pequenos e gordinhos, em que, no período reprodutivo, o macho constrói um ninho não para se abrigar, mas para atrair a fêmea através de seu trabalho. Entretanto, os primeiros ninhos quase sempre eram uma tristeza visual: bagunçados pela inexperiência, apenas após anos tornando-se refinados o suficiente para que a fêmea sequer considerasse dar uma chance.
Qin sabia que Hades havia construído aquele ninho para atraí-lo. As peças de roupa suas, cuidadosamente incorporadas à composição, totalmente intocado mostrando que Hades apenas montou e ficou de guarda, não deixavam margem para dúvidas.
Hades desviou o olhar quando percebeu o quanto Qin observava cada detalhe. O ninho ocupava um canto inteiro do quarto, improvisado demais para parecer planejado, mas definitivamente não era acidental. Tecidos dobrados sem ordem exata, almofadas deslocadas, o cheiro de ambos misturado tendo a prevalência das roupas de Huang que pegou da sua residência inconscientemente antes de ir para a mansão passar o rut...
"Não era pra você ver isso", murmurou, a voz baixa, quase constrangida. Uma das mãos subiu até a nuca. "Eu… não pensei direito."
Qin removeu os sapatos e as meias, sentando no interior da construção surpreso o quão macio era. Uma sorriso escapou dos lábios ao imaginar Hades assaltando os outros quartos atrás de travesseiros e cobertores.
"Pensou, sim" ,respondeu por fim deitando. “Só não percebeu o quanto.”
Hades respirou fundo. O lobo dentro dele se agitava, aquela construção não tinha sido feita para seduzir, nem para marcar território. Tinha sido feita para esperar mesmo que não tivesse o porquê.
"Eu não tenho certeza do motivo." Disse se aproximando do ninho, satisfeito ao ver Qin aparentemente confortável no arranjo, "Mas fazer isto e imaginar você nele... Me acalmou."
O coração de Qin bateu forte, como um convite, abriu os braços na direção de Hades, no qual o albino prontamente aceitou, deixando seus feromônios e corpo o cobrir completamente.
Qin permitiu que Hades se acomodasse entre suas pernas, pressionando a ereção do albino contra sua coxa esquerda. Ao sentir o calor radiante do corpo de Hades acima dele, Qin não pôde evitar um tremor que percorreu seu corpo. O momento se intensificou ainda mais quando, antes de selar seus lábios em um beijo profundo, Hades deu uma leve mordida em seu lábio inferior. As mãos habilidosas começaram a trabalhar na remoção do corset que Qin usava, pressionando-o contra a pele suave e quente.
"Meu amor, você fica deslumbrante assim", comentou Hades com um sorriso travesso, enquanto cuidadosamente desfez o cordão do corset. "Mas, sejamos francos, você fica ainda mais irresistível sem nada."
Qin gemeu em aprovação, e aproveitando isso, Hades aprofundou o beijo, invadindo sua boca e não dando tempo para protestos. Os feromônios de ambos começaram a se misturar enquanto as unhas do chinês se aprofundavam nas costas alvas, deixando um rastro avermelhado.
Quando a parte de cima foi removida, o homem mais velho se aproximou do pescoço de Qin, permitindo-se sentir o exalar de jasmim. Seus toques eram suaves e delicados em comparação ao quanto seu corpo estava tenso. Sentia que a qualquer momento poderia perder o controle da própria mente.
Começou a lamber a região, fazendo Qin arquejar pelo toque úmido e quente. Sabia o que Hades pretendia e que aquilo doeria muito. Mas que se foda; se ser reivindicado e fodido por aquele homem o matasse, ele morreria com gosto.
O mais jovem agarrou seu rosto, puxando para um beijo bagunçado, enquanto também movia seus quadris, demonstrando seu desejo latente. Hades gemeu com a fricção deliciosa que Qin estava proporcionando; no entanto, ele deveria o preparar melhor antes que seu lado irracional tomasse conta.
Entretanto, nada o preparou para quando removeu as peças de roupa de baixo de Qin, encontrando uma pequena surpresa entre as pernas.
"Não olhe assim!" reclamou Qin, colocando um dos pés no rosto de Hades, que estava de joelho, observando seu árduo trabalho. Hades lambeu o solado que fez arrepiar e rir. O dildo estava há um bom tempo dentro do seu buraco, justamente para facilitar o processo de penetração. Ele sabia que conseguiria passar o rut com seu alfa.
Hades pretendia chupar o pau do namorado e brincar com os dedos no buraco com o lubrificante que Qin tinha trazido. No entanto, ao ver o corpo do outro tremer ao remover o dildo e perceber que o local estava preparado… algo cruzou sua mente e ele sentiu salivar.
Qin notou algo diferente, então ajustou sua visão; no mesmo instante, o bonito rosto do albino virou-se para encará-lo.
"Senta no meu rosto" disse com os olhos cheios de luxúria. "Faça dele seu trono."
Porra.
Qin sentiu que poderia gozar apenas por aquelas palavras, então foi no automático quando Hades deitou-se ao seu lado, acabou virando de costas, com o rosto pegando fogo.
"Abre bem as pernas", orientou Hades, enquanto Qin se preparava para sentar.
"Hades, acho que não vou conseguir me manter… CARALHO!"
Hades agarrou pelas nádegas, puxando para baixo e fazendo contato com a sua língua naquela região. Qin nunca havia experimentado algo assim antes; era como ser beijado internamente enquanto Hades chupava e lambia. A sensação era quase insuportável quando a língua girava profundamente dentro de si, fazendo seu corpo querer se afastar daquela invasão, mas era forçado a permanecer com os braços fortes do outro, usando também seus feromônios para nublar a mente de Huang, que, incapaz de escapar, arranhou a própria coxa.
Um som erótico e molhado se espalhou pelo quarto junto com gemidos abafados. O albino, em uma hora, enfiava a língua e, na outra, usava uma das mãos para brincar, dedilhando e estocando sem pudor algum, enquanto sentia a compressão do lugar quente aceitando cada investida, especialmente quando acertava a prostrada. Qin lutava para respirar enquanto a baba escorria de sua boca, quando algo chamou sua atenção.
A ereção de Hades estava intocada. Ele não poderia permitir que apenas um tivesse aproveitado, então, enquanto tentava se esgueirar para se ajustar em uma posição de sessenta e nove sem aviso, Hades não hesitou e puniu com três dedos em seu buraco quando se afastou para finalmente acariciar o membro esquecido.
"Merda." Xingou Qin ao tirar o membro do homem mais velho para fora da calça. Com um sentimento misto de prazer e vingança, agarrou o pau de Hades e lambeu da base até a ponta, fazendo o outro estremecer pelo contato.
O albino se controlou para não gozar com aquele toque, se em continuar a estimular a entrada e morder e deixar chupões na coxa interna. Não foi fácil quando Qin colocou seu pau na boca e enfiou até onde conseguia naquela posição, enquanto masturbava a parte que não conseguia.
A forma que o corpo maior tremia fez Qin se sentir bem, principalmente ao sentir o gosto forte de Hades. Podia sentir a respiração ofegante entre suas pernas e a voz grossa de Hades dizendo como gostoso estava. Isso apenas estimulava a continuar lambendo e beijando, deixando uma mistura de saliva com pré-gozo.
Hades gemeu ao sentir a língua brincar com a ponta, acolhendo sua excitação líquida. Enterrou o rosto nos montes de Qin e moveu o quadril em uma estocada que fez a garganta do companheiro doer, mas não o suficiente para para-lo.
Na verdade, Huang gostou do tratamento rude, e mais ainda quando Hades, notando o gemido de excitação, e como previsto, a gargalhada vibrou pelo seu corpo, fazendo-o quase gozar.
Quase. Pois ele queria que o outro gozasse primeiro para engolir o máximo que pudesse. O simples fato de colocar o pau do alfa mais velho na boca era absurdamente bom... Levar o mais fundo que conseguia enquanto acariciava toda a extensão era realmente fantástico, principalmente ao sentir os dedos longos e cuidadosos o provocando, fazendo-o querer esfregar mais ainda contra aquele rosto lindo.
Não houve aviso quando Hades novamente estocou contra sua boca, gozando e preenchendo até o líquido espesso vazar e sujar seu rosto. Simplesmente sentir o sêmen quente contra sua pele e boca o fez também gozar, sujando o abdômen de Hades.
Era uma confusa, se não fosse pela diferença de tonalidade de corpo, não seria possível dizer qual parte do corpo era de quem. Qin ainda lutava para se recuperar, deixado entre os travesseiros, quando Hades levantou apenas para apanhar lubrificante; ao voltar, estava completamente nu, com o membro duro. O rut estava longe de terminar.
O alfa deitado sabia perfeitamente disso, por isso abriu as pernas, deixando seu buraco completamente exposto e mais do que preparado para o sexo.
Hades estava lindo tentando organizar os fios platinados; sua respiração pesada, enquanto sua pele branca começava a ter marcas de arranhões pelos braços, e o suor escorrendo do corpo tonificado junto com o fluido de ambos.
No entanto, seu olhar…
Parecia brilhar, semelhante a uma fera observando sua presa. Sua boca abriu-se em um sorriso atípico, possessivo, ao deslizar um dedo pela barriga de Qin, traçando uma linha até seu ventre. Sua voz soou mais grave, parecendo não falar especificamente com alguém: "Meu."
Os feromônios ficaram mais densos e a sensação de se sentir completamente bêbado invadiu Qin, ao passo que, cruzando as pernas na cintura de Hades, prontamente derramou o líquido em seu próprio membro.
"Hades, rápido." pediu ansioso, sentindo a sensação de vazio aumentar. Ele precisava daquilo dentro dele, mesmo que tivesse que se empalar e fazer todo o trabalho sozinho.
"Não tem volta." murmurou Hades antes de morder os próprios lábios, deitando sobre o corpo quente e se na entrada, brincando um pouco com Qin, que não demorou a mexer o quadril, desejando ser penetrado enquanto abraçava seu pescoço.
"Meu lindo alfa, sussurrou Hades com um sorriso doce demais para ser confiável, beijando a testa de Qin. "Seja bom para."
Huang queria xingar, bater no alfa por fazê-lo esperar, mas antes que pudesse formular algo, Hades o penetrou por completo, fazendo-o entrar em choque e treme.
Hades abraçou Qin enquanto o estocava e beijava de maneira bagunçada; algumas vezes, dentes batiam enquanto a fricção entre os corpos fazia a mente de ambos desligar, apenas focados em oferecer e sentir prazer.
"Tão bom." gemeu Qin antes de lamber a orelha de Hades.
"Você me recebe tão bem." elogio o albino perdido no prazer de ser apertado contra as paredes quentes do alfa, que o contraria toda vez que ele acertava o lugar certo. Sentia que a qualquer momento seu pau partiria no meio, entretanto, qualquer receio sumia quando seus quadris se chocavam em um som alto de pele contra pele.
Qin gozou primeiro, mas Hades não demorou, principalmente quando o mais novo retribuiu o favor mordendo tão profundamente seu pescoço como ele, fazendo-o gozar numa mistura de dor e prazer.
Enquanto a mente de Qin apagava enquanto processava o fato de que estava cheio, podia notar que o albino estava longe de terminar com ele, as mãos ainda deslizavam pelo seu corpo até finalmente Hades se ajustar para penetrá-lo de lado, segurando uma das suas pernas enquanto voltava a estocar. Apenas deixou-se levar por aquilo, torcendo para que não durasse tantos dias.
Sua mente apagou completamente; o último pensamento era no anel do pedido de casamento guardado no porta luvas do carro. Era necessário amarrar o outro pelos meios legais também.
Que bom que Hades também compartilhava tais pensamentos; ele também tinha uma reserva especial no restaurante favorito do seu namorado para realizar a sua proposta.
