Chapter Text
-Acorde Pym!- falou Nimue sacudindo a amiga com mais brusquidão. - Nós precisamos voltar para a aldeia. Acorde!
A loira se remexeu, mas não abriu os olhos ao murmurar
-Só mais um pouquinho.
-Agora Pym. Eu tive uma visão- Isso pareceu ser o suficiente para a loira sentar imediatamente com os olhos arregalados para Nimue . - Nós precisamos ir agora.
Como isso a morena começou a juntar as suas coisas indo em direção ao cavalo, ainda grogue do sono Pym cambaleou a seguindo.
-Uma visão, tipo visão... Visão? O pacote completo? Olhos revirando e tudo mais ? - Conseguiu perguntar quando já estavam as duas no cavalo em direção a Aldeia.
-Eu acho que sim, é difícil dizer. Eu estava com Arthur e de repente uma força tomou conta de mim e eu, não sei explicar, eu senti primeiro o cheiro de fumaça, mas tinha um outro cheiro no ar eu só percebi quando alguém passou correndo por mim pegando fogo, que o cheiro era de das pessoas queimando.
-Certeza que você só não bebeu vinho demais com Arthur? - a Loira tentou aliviar, mas seu rosto mostrava o quão desconfortável ela estava.
Nimue tentou invocar as imagens de suas visões, e, ela sabia, assim como sabia o caminho de casa pelo qual guiava seu cavalo, que tinha sido o Oculto a falar com ela.
-Eram visões, Pym, eu tenho certeza.
-Visões, no plural?- Com olhos arregalados Pym encarou o perfil da amiga que guiava o cavalo sem realmente ver o caminho.
-Sim, visões. A primeira era caos, muito fogo, era como se fosse um cambo de batalha, ou melhor uma chacina, um massacre Pym. Corpos e corpos, alguns queimados, pessoa correndo sem rumo.
Pym aguardou silenciosamente enquanto a amiga parecia digerir o que acabara de falar, seus olhos azuis desfocados. O cavalo soltou um relincho sobressaltando as duas, o que pareceu fazer com que Nimue voltasse ao presente, ela respirou fundo como que tentando sair da visão.
-A segunda visão, eu nem explicar também, sabe aqueles sonhos quando você parece que está caindo e de repente acorda? - Pym até abriu a boca para concordar, mas Nimue já estava falando. - A segunda visão começou assim, mas ao invés de acordar, eu me senti encoberta por água e quando abri meus olhos eu vi a luz turva atravessando pela água, e eu tentava subir, mas eu só afundava cada vez mais, o ar me faltou e eu me afogava, a sensação de tentar respirar e não conseguia subir, eu só afundava mais e...-
-Eu entendi, Nimue . - Pym falou não porque realmente entendia, mas porque podia ver no rosto da morena a agonia de estar revivendo aquilo e ela só queria encerrar o assunto.
-Tem mais, uma última visão. E de todas essa é que menos fez sentido, depois dessas duas primeiras horríveis, acho que ela não fez sentido por não ser ruim. Eu estou encarando uma plantação de trigo, o sol se pondo, eu posso sentir o calor dele na minha pele, ao longe eu escuto alguns gritinhos de crianças talvez? Eu não sei. E de repente esse homem caminha na minha direção, tão certo de si, e eu estou sorrindo, mas ele está contra o sol e eu consigo ver o rosto dele.
-Você podia ter começado por essa visão, não? Será seu príncipe encantado? - Pym tentou fazer graça, dando uma cutucada nas costelas da morena, mas ela continuou com expressão fechada.
-Nós precisamos voltar logo. - Disse ela incitando o cavalo a aumentar o ritmo do galope. - Minha última visão não é nada comparada com a primeira, eu preciso contar a minha mãe, como sacerdotisa ela pode me ajudar a entender.
Muito concentrada em não cair do cavalo e segurando-se mais firmemente na cintura da feérica, Pym resolveu permanecer quieta, algo muito raro, mas que pareceu ser a melhor resposta afinal ela não era do povo feérico e não entendia além do que se falava pela Aldeia.
Elas sentiram os cheiros bem antes da entrada da vila, depois vieram os gritos. Nimue forçou o cavalo a correr o máximo que podia, e desviando da estrada principal entrou por entre as arvores, e então elas viram as cruzes sendo erguidas, crianças correndo sem rumo gritando, as meninas da vila que elas cresceram juntas sendo arrastadas pelos cabelos por homens vestidos bata vermelha. Os olhos de Nimue arderam com a fumaça e poeira, sua mente pareceu ver aquilo de longe por meio minuto antes que adrenalina batesse, ela então saltou do cavalo e correu em direção a aldeia.
Sentiu seu braço ser puxado por Pym, ao longe registrou a amiga implorando para que ela voltasse, perigoso ela disse, mas Nimue com um solavanco se desprendeu do aperto da loira e entrou no caos. Um cavalo passou raspando por ela, seu cavaleiro morto, um dos vermelhos venho em sua direção, mas correu e continuou sua busca por sua mãe, a cada grito ela virava o rosto numa direção diferente achando ser Lenore , começou a girar em círculos ficando tonta, tropeçou em algo e quando viu era um corpo.
Se arrastando pelo chão batido foi em direção ao abrigo de uma das casas, se agachando ali, sua respiração ofegante e os olhos ardendo. Ela pensava que precisava se acalmar para atravessar aquele campo de guerra, e ir ao templo encontrar a mãe.
- Nimue !- a voz esganiçada saindo de trás dela fez ela gritar de susto.
-Esquilo! - Reconhecendo o menino e o segurando pelo rosto procurou algum machucado aliviada por não encontrar nenhum. - Você precisa sair daqui.
-Minha mãe-
-Me escuta! Você precisa sair daqui. - Alguém gritou muito próximo a eles, fazendo Nimue sentir mais urgência em salvar aquele menino. - Vem comigo!
Sem esperar resposta saiu arrastando-o em direção a borda da floresta.
-Vá em direção ao bosque do Pau-Ferro e se esconda. Entendeu?
-Eu não consigo encontrar meu pai. -disse a criança sem olhos sem encontrar com os dela.
Nimue sacudiu o menino.
-Me escute! Você precisa ir em direção ao bosque Pau-ferro e se esconder, entendeu? - Ao perceber os olhos de Esquilo focado nela continuou. - Vá e se esconda.
-Você vai me encontrar?
-Vou. -Respondeu sem hesitar. - Agora vá. VÁ!
Ela assistiu a silhueta do menino se perder em meio as arvores, antes de começar a correr na direção contraria, em direção ao Templo. Quanto mais ela se embrenhava no meio da mata, mais distante e surreal o caos parecia, ela torcia para que ali no templo, afastado da Aldeia a mãe pudesse estar segura. Avistou as pedras cobertas de musgo e sua energia pareceu se renovar, fazendo seus pés irem mais rápido.
A respiração acerelada, com a garganta queimando do esforço entrou no templo e para todos os lados que olhava não via sinal de ninguém .
-MÃE! MÃE?!
- Ni - Nimue aqui – venho a voz por trás do altar.
Se jogando de encontro ao chão Nimue , percebeu o sangue primeiro antes de registrar o que mãe lhe dizia.
- ....À Merlin.
-Não mãe, precisamos sair daqui. - Tentou ergue-la, mas a mãe era pesada demais para ela. - Por favor mãe, vamos. Precisamos ir.
-Não, Nimue . - A voz de Lenore embora fraca era gentil e enquanto passava a mão pelo rosto da filha, talvez até tivesse nela um pouco de dó. - Tem algo que você precisa fazer. Você deve levar a espada a Merlin.
Em meio ao sangue e frenesi, Nimue nem tinha registrado o embrulho em forma de espada que mãe tentava entregar a ela.
-Mãe...-
-Não. Essa é a sua responsabilidade. É tudo que importa agora. -As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Nimue, era o fim pensou ela. - Leve isso a Merlin.
Nesse momento ambas escutaram o rangido do aço sendo arrastado pelas pedras do templo, o tempo de ambas tinha acabado. Lenore voltou a cabeça para olhar os olhos azuis turbulento da filha um ultima vez.
- Nimue essa é sua responsabilidade. Preste atenção em mim, siga seus instintos e confie no Oculto, você está destinada as cinzas Nimue e a muito mais, por favor não tema. Eu sei, o Oculto me revelou, minha linda menina. Vá e seja forte!
No frenesi do momento parecia que muitas coisas aconteceram num mesmo milésimo de segundo para Nimue , tentou gravar as palavras da mãe, e a sensação de suas mãos acariciando seu rosto pela última vez, viu a sombra de um homem logo atrás do altar e sem entender porque sua mão foi para espada que a mãe lhe deu. Não sabia empunhar espada, mas naquele momento sentiu que sabia exatamente o que fazer, desembrulhou ela de qualquer jeito e a ergueu a tempo impedir no ar a espada de seu oponente de descer sobre elas.
Conseguiu empurra-lo para trás e usou o pouco tempo que ganhou para ficar de pé, com espada que parecia vibrar em suas mãos apontada para ele. Seu oponente era muitos centímetros mais alto, de ombros largos e se rosto escondido por um capuz, o tinha visto no caos de antes, lembrou-se ela, ajoelhado em frente ao um senhor que parecia comandar aquela atrocidade. Tentou ataca- lo, mas ele defendeu-se facilmente a derrubando no chão.
A espada foi parar longe de seu alcance e se arrastando de costas Nimue tentou fugir do encapuzado, mas ela sabia ser inútil em duas passadas ele estava pairando sobre ela. Então ela viu, seus olhos manchados, como lágrimas escorrendo por seu rosto, ele também era um feérico a descoberta fazendo com que ela ficasse paralisada, seus olhos não desviram dos azuis do dele enquanto ele levantava a espada num arco perfeito que seria fatal.
Lenore ainda que fraca conjurou o Oculto, implorando para as forças salvarem sua filha no momento que vi o Monge erguendo a espada. E quando espada descia em direção a sua filha um vento forte e carregado do Oculto, varreu o templo com toda a sua força, e pedras do teto do templo caem acertando o encapuzado fazendo com que ele caíssem sobre Nimue e sua espada fosse parar longe, e então Lenore partiu no crepúsculo de suas forças.
Nimue nem bem teve tempo de registrar o impacto do monge sobre si, quando sentiu ele se levantando e ir com as mãos direto para seu pescoço, talvez para sufoca-la. Contudo, assim que a pele dele encostou na pele do seu pescoço, ela sentiu uma grande onda de poder se espalhando dela para fora, um choque sem igual que fez a atmosfera ao redor dela explodir. Em sincronia com o homem em cima dela arfou, sentindo falta do ar, sentiu cada pelo do seu corpo se eriçar e então, e então a escuridão.
