Chapter Text
Peguei a minha melhor roupa e me arrumei pra te encontrar
Não protegi meu coração que insiste facilmente em te amar
Eu esqueci dessa lição de me tratar com mais amor
Restou um pouco de esperança, decidi que é pra lá que eu vou.
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O relacionamento de Santana e Quinn nunca foi dos melhores, entre gravidez inesperada, saída forçada do armário e acidente de carro, ambas eram definitivamente conhecidas por não falarem sobre seus sentimentos e deixar apenas a raiva falar por si.
Inclusive nisso elas eram exclusivamente boas, raiva e ciúmes faziam parte de 90% de sua amizade, Deus sabe a quantidade de vezes que elas já se espatifaram ou se magoaram com palavras realmente dolorosas, mas apesar de toda essa camada ainda havia cumplicidade e era isso que as mantinham amigas, mesmo com seus altos e baixos.
E era por prezar muito essa amizade que Santana grita para Berry e Hummel pesquisarem os horários de trem para ir até New Haven, pois Quinn ligou chorando e isso era tão inédito que ela não pensa em mais nada enquanto arruma sua mala para passar os próximos dias no dormitório da loira.
— Você quer que a gente faça o quê? – Kurt abre sua cortina e de forma dramática fecha seus olhos pela nudez de Santana. – MEUS OLHOS.
— Você já viu coisa pior. – Ela resmunga jogando suas roupas de forma desajeitada na mala. – Quinn me ligou, estou indo para New Haven e preciso pegar o próximo trem o mais rápido possível. – Pelo canto do olho Santana viu Rachel se aproximando de Kurt e uma conversa silenciosa rolando entre os dois. – O QUÊ? – Ela vira de uma vez assustando os dois.
—Nada é só que... – Rachel começa e Kurt a interrompe.
— Você parece com muita pressa para alguém que está indo transar. – Ele solta e ambos prendem a respiração pela forma silenciosa e assassina que a latina anda até eles.
— Repete. – Ela diz baixo olhando daquele jeito que ela olhava para eles no colégio e apesar de fazer quase 2 anos que saíram de lá, eles ainda sentiam calafrios na espinha com isso.
— O que o Kurt quer dizer. – Rachel se põe entre os dois de forma corajosa. – É que faz muito tempo que não vemos você falar sobre a Quinn e você também já deixou bem claro que faz muito tempo que você não transa, pois nunca vimos você tão estressada ... – Santana levanta a sobrancelha um tanto chocada e a expressão faz o momento de coragem de Berry se prolongar. - ... E a última vez que você fez foi com ela no casamento do Sr. Schuester, então não fique tão zangada com as nossas suspeitas. – Quando ela para de falar a coragem passa e agora um silencio estranho paira entre eles.
— Primeiro... – Lopez parece se recuperar do que a atingiu e volta a arrumar sua mala. – Por mais sensual que eu seja, eu realmente não ligo tanto para sexo quanto vocês claramente pensam. – ‘MENTIROSA’ o pensamento parece gritar em sua cabeça. – Segundo, nunca mais... – Sua cabeça vira de um jeito ameaçador para os dois sentados em sua cama e a ênfase no nunca os fazem tremer levemente. – Nunca mais eu quero ouvir qualquer um dos dois falando sobre minha vida sexual, a menos que eu dê liberdade para tal.
— Santana você vive falando de sexo. – Kurt responde balançando a cabeça.
— Nós só ficamos preocupados. – Rachel afirma. – Vocês duas sempre brigam quando passam muito tempo juntas e bem... sabemos como isso te afeta e...
— Ela me ligou chorando. – As palavras saem altas e firmes de sua boca.
— Ah. – Rachel e Kurt falam ao mesmo tempo.
- Pois é. – Ela resmunga e se levanta para tomar banho. – Então será que vocês poderiam por favor...
— Já estou comprando sua passagem. – Kurt avisa digitando rápido após Rachel entregar seu celular para ele.
E bem, Santana não era do tipo que falava por favor e Quinn não era do tipo que chorava, então eles não fazem mais perguntas.
‘Me pegue em 2 horas e meia na estação ferroviária’ — Ela manda a mensagem e não espera sua resposta.
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O vestido que Quinn usava era amarelo e tinha formas estranhas e amarelas espalhadas sobre ele, a loira parecia tão polida que Santana quase riu pela quantidade de maquiagem que ela tinha colocado para esconder o quão inchado seu rosto estava pelo choro.
— Você está horrível. – Essas são as primeiras palavras que saem da sua boca latina e ela quase se bate se não fosse pela risada que Quinn dá para ela.
— Vai se foder. – A outra rebate e elas ficam se olhando por um tempo.
Santana está prestes a falar alguma outra grosseria quando sente os braços magricelos de Fabray em volta de seu corpo e sente uma preocupação enorme quando a mesma começa a tremer entre soluços.
As pessoas passavam ao se redor observando a cena um tanto estranha e Santana não conseguiu evitar de se sentir meio protetora olhando para eles com os olhos semicerrados os desafiando a tentar atrapalhar.
— E-eu... – Quinn tenta falar entre soluços, mas ela estava realmente uma bagunça ‘e ela continuava tão bonita’ uma parte de Santana pensa.
— Shh – Santana passa as mãos sobre seu cabelo tentando acalmar a amiga de alguma forma. – Vamos me dê a chave do carro. – Ela se afasta de Quinn o suficiente para pegar sua mala e então volta passando seu braço direito sobre seus ombros a trazendo para perto e fazendo a mais alta a acompanhar.
— Não Lopez, você é minha convidada e não conhece nem a cidade e nem o caminho até Yale. – Uma coisa que Santana aprendeu nos últimos dois anos é que a Quinn versão adulta era realmente responsável e séria sobre certas coisas, era engraçado porque ela meio que lembrava a Judy, mas Santana nunca diria isso para ela, pois definitivamente levaria no mínimo um tapa realmente forte no rosto.
— É, mas como eu disse anteriormente você está horrenda e sinceramente acho que já tivemos acidentes de carro suficiente para toda uma vida, além disso eu tenho olhos e ouvidos, então que tal você ser boazinha e me conduzir? – Quinn revira os olhos e dá a chave de seu carro resmungando alguma coisa e entra do lado do passageiro.
Santana ri e dá a volta colocando sua bagagem na mala.
A playlist realmente estranha e as fungadas audíveis de Quinn é o que faz o caminho até a universidade não ser tão silencioso. Santana estava realmente preocupada, ela nunca tinha visto a amiga tão triste e por mais que sua veia fofoqueira quisesse saber urgente o que tinha acontecido ela respeita o momento de silencio da amiga.
— Vira na próxima rua à esquerda. - Ela avisa e eu sigo o caminho. - Para ali na frente.
— Eu sei que tenho que usar óculos pra dirigir agora, mas tenho quase certeza que aqui não é Yale. – Elas pararam na frente de um deposito de bebidas. – Você ‘tá querendo me embebedar Fabray? Tem que pelo menos pagar um lanche antes.
— Engraçadinha. – Ela desdenha e desce do carro.
Santana a observa e suspira.
— Como que ela consegue ser tão gostosa mesmo com essa cara inchada de choro? – Pega sua carteira e fecha o carro rapidamente alcançando a loira e dando um tapa em sua bunda.
— SANTANA. – Ela reclama e passa a mão rapidamente alisando a parte dolorida.
— Vamos, eu não sei que tipo de besteira branca vocês bebem por aqui, mas não vou deixar você encarregada de me deixar alcoolizada, vou mostrar o que é que nós de Lima Heights Adjacent aguentamos.
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Era fim de semana, mas seu andar estava cheio e a latina logo estava reclamando sobre o fato de seus prédios serem unissex, ou seja, ela teria que banhar junto com prováveis esquisitos de Yale, porém tinha suas dádivas, pois as duas vizinhas de Quinn eram realmente gostosas e logo ela estava descaradamente dando em cima das duas que aceitaram seu convite para beber no quarto da loira, o que fez Quinn rir pela cara que Santana fez após avisar que as duas tinham namorados, elas negaram, mas caso Santana ainda estivesse lá no dia seguinte elas poderiam dar uma volta pela cidade.
Fabray era uma daquelas pessoas que tinham o quarto só para ela, o que fez Santana encher o saco dela durante os 30 primeiros minutos que elas entraram no local.
— Eu não sei o que você tanto reclama, vai poder ter uma cama só pra você o que não seria possível se eu tivesse uma colega de quarto. – Ela diz ajudando a amiga a colocar as bebidas em seu frigobar.
— Acho que eu estava esperando alguma colega bonitinha. – Fabray ri alto e Santana se joga na cama que ela sabia ser a da loira após colocar uma música para tocar.
Seu quarto tinha cheiro de lavanda o que significava que ela tinha limpado o lugar mais cedo e se misturava com o perfume doce que Quinn usava, tinha alguns pôsteres de filmes antigos e Santana riu pensando que elas já estavam um pouco velhas para isso, mas era o jeito meio cult de Quinn e Santana achava meio fofo, tinha vários livros espalhados por seu quarto e ela tinha que lembrar que Quinn era realmente inteligente, ela suspirou se acomodando um pouco mais e fechando os olhos e inspirando um pouco, sua mente vagou pela lembrança das duas no quarto de hotel no dia do casamento. Sacudiu a cabeça rapidamente, ela não estava ali para nada disso, sentiu a cama afundar ao seu lado e observou Quinn trocando de roupa, ela ainda tinha o corpo esguio de sua época das cheerios mesmo com uma outra gordurinha em seus quadris, Santana a achava realmente bonita e aguentou firme a vontade de passar as mãos sobre suas costas, a loira vestiu um short leve preto com listras brancas e uma blusa moletom com YALE estampada na frente com letras amarelas, ajeitando seus cabelos em um rabo de cavalo alto deixando seu pescoço a mostra e dessa vez ela não aguentou e passou levemente os dedos pela pele de seu braço observando alguns pelinhos se arrepiando.
Elas permaneceram naquela posição e não parecia realmente uma cena tão sensual, era mais um carinho que qualquer coisa, ou era o que Santana pensava até o momento em que Quinn de repente se virou e alcançou a boca de Santana com rapidez, fazendo a morena soltar um suspiro de surpresa, mas logo ela envolveu os braços ao redor de sua cintura a trazendo para mais perto, Santana apreciou o fato dela ter gosto de chocolate com menta, pois tinham tomado um sorvete no caminho e seu perfume doce inundou o olfato de Santana.
Elas ficaram naquela posição por algum tempo até Santana começar a espalhar alguns beijos em seu pescoço e ouvir um gemido de Quinn que ela achou ser de prazer até ela começar a sentir as lagrimas caindo em seu colo.
Santana suspira e dá um ultimo beijo na loira a abraçando a mulher o mais firme possível.
— O que aconteceu, Quinn? - Ela pergunta baixinho no ouvido da mulher enquanto afaga o cabelo com cuidado.
— Ele me traiu. – Ela diz por entre soluços.
— Você já foi traída antes. – Santana tenta ser engraçada e funciona, pois ouve uma leve risada em seu pescoço.
— É muita delas você ajudou. – Ela resmunga enxugando seu rosto na blusa de Santana que nem se importou.
— A heterossexualidade compulsiva. – Elas continuaram naquela posição por alguns minutos até Quinn se acalmar.
— Eu o amava.
Foi um sussurro realmente baixo e Santana desejou não ter escutado, aquela foi a primeira vez que seu peito doeu por algo que Quinn tenha dito para ela e ela disse a si mesma que era somente por sua amiga estar realmente triste e não porque ela tinha qualquer tipo de sentimento romântico por Quinn.
— Vamos, vou fazer uma taça bem forte de gin para você. – Suas mãos tremiam, mas ela estava ali por Quinn e assim seria.
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Cheguei e tava tocando nosso som
Grave bateu e doeu meu coração
Não sei se foi a canção ou minha decepção
De te ver com outra pessoa.
