Work Text:
Kisame despertou com o som irritante das inúmeras notificações em seu celular e se perguntou sobre a razão de não tê-lo deixado no modo silencioso. Foi só quando alcançou o aparelho sobre a cômoda que se deu conta da razão daquela quantidade exagerada de mensagens.
Era o seu aniversário.
Sorriu, sentando-se sobre a cama enquanto lia as palavras carinhosas dos amigos e familiares e via, no grupo do trabalho, os planos de seus colegas sobre irem almoçar fora. Havia uma discussão bastante intensa sobre o restaurante ideal e, em dado momento, alguém disse que Kisame deveria ser aquele a escolher o lugar.
“Quem me trouxer um café quando eu chegar pode escolher o restaurante”, foi o que o Hoshigaki respondeu, lendo uma ou duas mensagens indignadas antes de se levantar aos risos e ir tomar um banho.
Formado em ciências contábeis há uns bons anos, Kisame trabalhava como contador em um escritório renomado da cidade. O salário era bom, ele tinha um cargo importante e colegas de trabalho gentis.
Não havia do que reclamar.
Ou melhor, quase.
Havia um certo colega, no entanto, que despertava um imenso desconforto em si. Deveria ser ilegal um homem ser tão lindo e, algumas vezes, Kisame desejava ter cursado direito somente para se certificar se realmente não poderia processá-lo por lhe afetar daquela maneira.
Itachi Uchiha.
O homem cujo até mesmo o cheiro lhe trazia aquela sensação gostosa de atração. E, como se invocado, naquele momento, o aroma amadeirado invadiu seus sentidos se sobrepondo ao do café e Kisame desviou o olhar da bebida, podendo ver Itachi atravessando o corredor e sorrindo para si ao passar diante da porta.
Aquele sorriso fez seu coração palpitar.
Porra.
Voltando aos números, Kisame tentou não pensar em Itachi ou nas inúmeras tentativas de flerte do Uchiha. Era sempre um olhar demorado, um sorriso diferente ou algum toque sútil que deixava o pobre contador totalmente afetado.
Era difícil até mesmo retornar ao trabalho e, no fim do dia, os créditos e débitos estavam misturados na planilha bagunçada, tamanha a sua falta de concentração, mas se lhe perguntassem, Kisame saberia dizer, precisamente, quais as cores do terno e gravata de Itachi.
Algumas horas haviam se passado e o seu celular despertou discretamente, informando-o do horário do almoço. De imediato, seus colegas invadiram sua sala, conversando animadamente sobre o restaurante em que iriam comer.
Como prometido, foram para o restaurante escolhido por Konan, pois havia sido ela a deixar o café sobre sua mesa pela manhã.
O estabelecimento era muito aconchegante e, quando chegaram no local, Kisame notou que alguns colegas da área jurídica da empresa esperavam por eles.
— Eu não sabia que vocês tinham chamado tanta gente — Comentou com a amiga enquanto procurava, involuntariamente, por Itachi.
— É o seu aniversário — Ela respondeu, acreditando que era suficiente e ele sorriu, tentando se livrar do leve sentimento de decepção que o consumiu quando notou que Itachi não estava presente.
O almoço foi tranquilo, a comida estava deliciosa e a conversa tão boa quanto e, por isso, todos lamentaram quando perceberam que logo deveriam estar de volta ao trabalho. Apesar de desejar mais algum tempo com seus colegas, Kisame se sentiu grato pelo almoço e, enquanto retornavam à empresa, tentava se esquivar dos convites dos amigos para irem a um bar naquela noite.
Era uma terça-feira, pelo amor de Deus!
— Depois vemos isso, está bem? — Kisame tentou fugir uma última vez, sob o olhar desconfiado dos colegas — Prometo que vou pensar — Ele disse, um sorriso nos lábios que não convencia ninguém.
Ele riu quando Konan reclamou que ele não saía com ela e os outros, mas ficou por isso mesmo quando todos foram para as suas devidas salas.
Mei, a secretária do setor financeiro, o recebeu com um sorriso gentil e interrompeu seu trajeto até a sala.
— Você tem uma reunião marcada, Kisame — Ela falou, encarando a própria agenda.
O homem franziu o cenho.
— Hoje? Tem certeza?
Ela assentiu.
— Foi marcada durante o horário do almoço — Respondeu — Itachi Uchiha quer rever alguns relatórios, ele disse que enviou a pauta por email e que a reunião não exigirá uma preparação prévia.
A menção ao nome fez Kisame arregalar os olhos e ele a agradeceu antes de adentrar sua sala, ainda chocado. Itachi era o diretor do setor jurídico da empresa e eles não costumavam trabalhar diretamente, apesar de participarem das mesmas reuniões.
Curioso, o Hoshigaki se sentou sobre a cadeira acolchoada e ligou o computador para acessar seu email. De fato, havia uma nova mensagem de Itachi, o assunto “reunião”, o conteúdo era a pauta detalhada, um relatório do mês anterior, correspondente aos resultados de uma mudança feita nas finanças.
Kisame suspirou, aliviado por ter adiantado parte de seu trabalho na parte da manhã. Ele acessou os arquivos da empresa, então, e imprimiu os relatórios, sentindo um certo nervosismo quando se deu conta de que teria uma reunião com Itachi.
Apenas os dois, sozinhos.
Ele tentou não pensar nisso enquanto organizava os papéis, mas não foi bem-sucedido e, por isso, quando faltavam apenas cinco minutos para a reunião, Kisame se encontrava encarando a si mesmo no espelho do banheiro, se certificando de que os fios azuis estavam no lugar.
De forma pontual, Itachi bateu na porta e Kisame se sentou em seu lugar, respirando profundamente antes de pedir que ele entrasse.
Como de costume, o cheiro de seu perfume o antecedeu e o contador suspirou discretamente, se embebedando do aroma e da visão magnífica de Itachi adentrando sua sala, os cabelos soltos ao redor dos ombros, a franja cobrindo parte dos olhos, o terno perfeitamente ajustado ao corpo igualmente perfeito.
Caralho, Kisame estava suando.
— Então — Ele falou, amaldiçoando-se pela forma trêmula com a qual sua voz soou — Você quis marcar essa reunião… — Ele parou de falar quando Itachi trancou a porta antes de caminhar calmamente até a mesa, sentando-se em uma das cadeiras em frente a Kisame.
— Boa tarde, Kisame — Ele falou, um sorriso mínimo nos lábios enquanto se aconchegava sobre a cadeira — Talvez “reunião” seja um termo um pouco inadequado, quero apenas conversar sobre o relatório.
Kisame engoliu em seco, sequer conseguia se concentrar na conversa. Os lábios de Itachi eram tão convidativos e ele sentiu o corpo aquecer quando o outro os umedeceu, a língua se movimentando lentamente sobre o lábio inferior.
— … Entende?
Então, Kisame percebeu que Itachi ainda falava com ele.
— Me desculpe, Itachi-san — Falou apressadamente — Eu…
— Apenas “Itachi”, Kisame — Ele o interrompeu e o Hoshigaki piscou, tentando se convencer de que aquele sorriso nos lábios deliciosos de Itachi não era carregado de malícia — Eu estava dizendo que os cortes resultaram em bons números, não concorda?
Kisame suspirou, irritado com a própria distração. Ele se sentia imensamente atraído por Itachi, mas aquele era o seu local de trabalho!
— Sim — Ele falou, reunindo toda a sua atenção e seriedade — A estratégia adotada foi bastante eficiente e imagino que isso irá ampliar os lucros a longo prazo.
Ele notou que Itachi se remexeu sobre a cadeira, inquieto.
— O objetivo é investir em novos equipamentos e minimizar os custos — O Uchiha falou e Kisame assentiu — O seu trabalho foi essencial para o sucesso dessa mudança.
O contador arregalou os olhos, surpreso, e a sensação somente se intensificou quando Itachi deslizou uma das mãos pela mesa, tocando seu braço. Os dedos deslizavam suavemente por cima do tecido escuro do terno e ele sentiu sua pele arrepiada.
O olhar de Itachi se desviou, ele percebeu, dos próprios dedos para o seu rosto, como se ele estudasse sua reação.
— Você é um ótimo profissional — Itachi disse e parecia uma piada, considerando que Kisame estava se permitindo flertar de forma tão descarada com um colega de trabalho — Sempre tão dedicado… sequer pediu folga no dia de seu aniversário.
Kisame, novamente, suspirou, a forma baixa com a qual a voz grave de Itachi proferia aquelas palavras reverberava pelo ambiente e fazia seu corpo reagir.
— Aliás, peço desculpas por não ter comparecido ao almoço — Ele falou — Mas me certifiquei de que teria algum tempo para parabenizá-lo hoje.
— Foi para isso que marcou a reunião?
Itachi sorriu.
— Não foi a única razão — Respondeu, os dedos acariciando a mão de Kisame — Mas é a principal delas.
Kisame se inclinou, um sorriso malicioso nos lábios quando decidiu, finalmente, corresponder às investidas.
— E por qual dessas razões você trancou a porta, Itachi? — Ele sussurrou, satisfeito quando o Uchiha suspirou, os olhos voltados para os seus lábios.
Não foi necessária uma resposta e Kisame não fazia questão de uma, não quando Itachi o beijou de forma ardente. Inclinados, desconfortavelmente, sobre a mesa, eles desfrutaram dos lábios alheios de forma faminta e arfaram entre mordidas, as mãos no rosto alheio, na nuca, nos cabelos.
— Kisame… — Itachi suspirou quando se afastaram.
— Esse é o nosso local de trabalho — Kisame falou, agarrado à sua última gota de sanidade.
Foi difícil pensar, no entanto, quando Itachi deu a volta ao redor da mesa e se aproximou de si, os braços ao redor do seu pescoço.
— E você é um funcionário exemplar, não é? — Ele disse, os lábios colados ao pescoço de Kisame — No seu aniversário, você está aqui, em meio a uma reunião. Não posso deixar de parabenizá-lo, Kisame.
O contador sentiu o corpo se arrepiar, o pau começando a endurecer sob a calça. Itachi chupava sua pele, colorindo-a em tons avermelhados enquanto sussurrava as palavras.
Ele não pôde evitar levar suas mãos à cintura de Itachi, como desejou fazer tantas e tantas vezes. Acariciando a pele coberta, ele delimitou as curvas do Uchiha com seus dedos enquanto o beijava novamente, apreciando a maciez dos lábios que se moviam contra os seus.
— Você me enlouquece — Kisame falou, o tom ofegante, enquanto pressionava o outro contra a mesa — Você me faz perder todo o foco, não consigo pensar em nada além de você quando te vejo.
Itachi sorriu, Kisame pôde sentir, em meio ao beijo.
— É? — Ele perguntou quando o Hoshigaki começou a beijá-lo no pescoço, os lábios quentes e úmidos arrepiando toda a sua pele.
— Sim — Kisame respondeu, deleitando-se com o aroma delicioso que se desprendia de Itachi — Você não faz ideia do quanto!
— Me mostra, então — O Uchiha disse e Kisame o encarou seriamente antes de colocá-lo sobre a mesa, posicionando-se entre suas pernas abertas antes de começar a desabotoar sua camisa.
Itachi fez o mesmo, expondo o torso nu de Kisame ao qual levou as mãos de imediato, acariciando a pele que se arrepiou sob seu toque. Ele trouxe o outro até si, beijando-o novamente enquanto encostava os corpos.
Kisame sentiu uma das mãos de Itachi descer pelo seu corpo, tocando-o intimamente e gemeu baixo quando os dedos dele invadiram sua roupa, deslizando para cima e para baixo em seu falo.
— Eu quero você dentro de mim — Itachi sussurrou e Kisame suspirou, sentindo-se pulsar na mão que o acariciava.
A sensação era de que se afogariam no olhar alheio. Encaravam-se, sedentos, as pupilas dilatadas, gemidos baixos lhe escapando os lábios.
Uma das mãos de Kisame mantinha as pernas de Itachi separadas, abertas sobre a mesa e a outra o tocava intimamente, três de seus dedos o estimulando por dentro, arrastando-se em suas paredes internas, fazendo-o fechar os olhos, a cabeça jogada para trás enquanto descontava as sensações no pau do outro, masturbando-o com intensidade.
— Kisame — Soou como uma súplica, a voz trêmula, ainda mais grave pela excitação. Os olhos de Itachi brilhavam, úmidos pelo prazer, o pênis duro, escorrendo pré-gozo — Kisa… Kisame! — Ele fechou os olhos com força, sentindo que iria gozar a qualquer momento.
O outro se afastou, então, retirando seus dedos antes de virá-lo de costas. Itachi gemeu quando foi inclinado sobre a mesa e Kisame segurou seus cabelos, puxando-o quando adentrou seu corpo, de uma só vez.
— Porra! — Itachi gemeu, os olhos fechados, os lábios entreabertos.
Kisame se sentia da mesma forma, o aperto ao redor de si era enlouquecedor e ele gemeu contra o ombro de Itachi, mordendo sua pele enquanto movia os quadris, lentamente, querendo senti-lo devagar.
Sua mão livre se colocou sobre a de Itachi, os dedos entrelaçados apertando uns aos outros enquanto os corpos se chocavam em um ritmo errático, cada vez mais rápido.
Com o peito colado às costas do Uchiha, Kisame se permitiu desfrutar dos lábios úmidos do outro e colheu seus gemidos em um beijo intenso e repleto de mordidas. Eles gemiam incansavelmente, os ruídos se sobrepunham ao som do choque das peles e intensificavam as sensações.
Kisame sentia-se totalmente arrepiado, as pernas estavam trêmulas, os espasmos percorriam seus músculos e ele respirava com dificuldade, os gemidos sendo proferidos contra o ombro suado de Itachi.
Ele notou que o Uchiha se sentia da mesma forma, a mão apertava a sua, o quadril se movia de encontro ao seu, a respiração era ruidosa e ele percebeu a pele arrepiada enquanto a beijava.
Além disso, a voz grave murmurava seu nome deliciosamente, fazendo-o pulsar dentro do corpo aquecido toda vez que ele gemia daquela forma.
— Kisame…
A forma com a qual a voz falhou quando Itachi gozou fez com que Kisame atingisse o próprio ápice. Ambos gemeram baixo, os olhos fechados, os lábios entreabertos, o rosto rubro, o corpo trêmulo.
A sensação era inebriante e somente se intensificou quando o Hoshigaki afundou o rosto no pescoço do outro, sentindo aquele cheiro que o enlouquecia.
Ele ouviu o riso satisfeito do homem abaixo de si e acariciou os fios que antes puxava quando ouviu:
— Feliz aniversário, Kisame!
