Chapter 1: Shouto
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A primeira vez que Shouto se apaixonou não foi como nos filmes, ele não sentiu as famosas borboletas no estômago na verdade foi como se afogar num mar turbulento e por ser incapaz de entender seus próprios sentimentos ele reprimiu isso como normalmente fazia quando não sabia por um nome em seus sentimentos.
Shouto nunca teve uma boa referência do que é amor, ele cresceu vendo o casamento conturbado de seus pais e tudo que ele aprendeu sobre amor na infância foi a parte dolorosa, a dor de ver as pessoas que ele amava sendo abusadas, a dor de não poder ficar com seus irmãos, a dor de ver sua mãe sofrendo e depois a dor da saudade quando ela foi embora. Ele também não teve a chance de ter amigos quando criança, seu tempo gasto apenas com treinamento e estudos em casa, não podendo interagir com pessoas de sua idade, apenas com seu pai e as empregadas da casa.
Quando ele entrou na UA tudo mudou, depois do festival de esportes, Shouto percebeu que não precisava mais carregar tanto fardo sozinho e pela primeira vez sentiu o nó constante em sua garganta se afrouxar um pouco. Em seus dias na UA ele fez amigos, nunca tinha passado por sua cabeça o quão bom era interagir com pessoas de sua idade, conversar com elas sobre seus interesses, sair para visitar lugares novos e até mesmo ficar em silêncio com elas ao seu redor. Shouto sentiu que estava derretendo algo em seu coração e ele se sentiu feliz por isso. Apesar da maior parte de seus amigos e colegas de sala serem tranquilos e apresentarem para ele um conceito agradável de amizade havia uma pessoa em específico que sempre mexia de um jeito diferente com os pensamentos e sentimentos de Shouto e era Katsuki Bakugou. Shouto nunca entendeu o por quê Bakugou ser tão implicante com ele, desde o momento que se conheceram ele antagonizou Shouto e o provocou até a beira, depois do festival de esportes tudo piorou já que por algum motivo Bakugou não aceitou os resultados de sua luta e insistiu incansavelmente para Shouto lutar com ele usando seu fogo. Bakugou era cansativo, estava sempre gritando e explodindo por nada, mas de alguma forma isso era interessante, Shouto sempre teve problemas para se expressar, seu rosto passava um semblante neutro a todo momento e ele tinha dificuldade nas palavras, mas Bakugou nunca pareceu ter esse problema, sempre deixou claro o que estava pensando somente com sua expressão e ele dizia o que pensava sem nenhuma restrição, Shouto o invejava às vezes, ele queria ser capaz de se expressar dessa maneira.
Além de cansativo, Bakugou era chamativo, tudo o que ele fazia chamava a atenção de todos e de alguma forma isso era inspirador, sua meta de sempre vencer e a forma como ele sempre se esforçava ao máximo não importa o que ele fazia sempre mexeu com Shouto, ele não sabia por que, mas seus olhos se encontravam constantemente na figura de Bakugou, sempre observando seus passos, suas ações, como ele dizia não ter amigos, mas estava sempre rodeado de pessoas, o jeito que ele treinava, tentando se superar cada vez mais e ir além do seu potencial, como ele fingia não se importar, mas estava sempre ajudando as pessoas ao seu redor, Shouto se encontrou encantado por Bakugou e ele nem percebeu o quão cativado ele estava.
Quando os dois não conseguiram tirar suas licenças provisórias e tiveram que passar seus dias juntos nas aulas de recuperação, Shouto se sentiu sobrecarregado com todos os sentimentos que ele não podia nomear, sair com Midoriya era fácil, ele conseguia ter seus pensamentos em ordem e manter uma conversa agradável, assim como o resto de seus colegas, mas com Bakugou ele não conseguia, seus pensamentos ficavam embaralhados e ele sentia dificuldade de raciocinar toda vez que sentia o perfume natural de caramelo de Bakugou, suas conversas eram basicamente provocações sem fim e ele se sentia cada vez mais atiçado a provocar de volta, isso fazia ele sentir um calor estranho pelo seu corpo que ele tentava ignorar toda vez. Mesmo fora das aulas de recuperação eles passavam a maior parte do dia juntos por pura conveniência, treinavam juntos, jantavam juntos e no fim do dia iam para os dormitórios juntos, Shouto sempre desejava boa noite para Bakugou e ele sempre grunhia de volta. Depois que conseguiram suas licenças, Shouto pensou que eles iriam se distanciar e isso fez seu coração se apertar de uma forma desconfortável, mas por algum motivo Bakugou continuou perto de Shouto, eles começaram a estudar juntos e visitar o quarto um do outro regularmente, Bakugou mostrou seus jogos a Shouto que ficou maravilhado com os novos universos que descobria, eles começaram a assistir filmes toda semana no quarto de Bakugou e Shouto adormeceu pela primeira vez no quarto de um amigo, não foi proposital, ele apenas dormiu no meio de um filme que eles estavam assistindo e Bakugou deixou ele dormir em sua cama enquanto ele arrumava cobertas para dormir no chão. Isso se tornou regular, eles treinavam juntos, assistiam filmes toda sexta feira e Shouto dormia no quarto de Bakugou como uma festa do pijama particular dos dois, Shouto nunca se sentiu tão feliz com uma rotina, ficar perto de Bakugou trazia um sentimento de calor tão grande, mesmo longe dele seus pensamentos quase sempre recorriam ao amigo, ele pensava no próximo filme que iriam assistir, pensava em qual jogo eles deveriam jogar quando as aulas acabassem, pensava qual movimento novo Bakugou poderia ensinar a ele durante o combate e antes de dormir seus pensamentos ficavam cada vez mais estranhos, sobre como o pomo de Adão de Bakugou se mexia quando ele tomava água depois de seus treinamentos, como o suor escorria de suas clavículas e entrava dentro de sua regata, como o sol batia em sua pele nos dias ensolarados, como Bakugou era a pessoa mais bonita que ele já viu, esses pensamentos o deixavam com as bochechas quentes e um sentimento estranho pelo corpo que ele tentava ignorar por que deve ser errado se sentir desse jeito pelo seu amigo de classe, principalmente seu amigo homem, Shouto reprimiu tudo, desde os sentimentos calmos até os acalorados e estar perto de Bakugou se tornou insuportável até o momento que ele decidiu se afastar.
Era final do ano, todos estavam preparados para as férias e feriados que viriam a seguir, as provas já haviam passado e agora era o momento de esperar pelas notas para poderem comemorar, a sala estava fazendo uma pequena festa de comemoração de final do ano com comidas feitas pelo Sato e decorações natalinas feitas pelas meninas, estavam todos presentes rindo e conversando, em um canto com Midoriya, Iida e Momo estava Shouto, as últimas semanas vêm sendo horríveis para ele, depois de se afastar de Bakugou ele imaginou que seus sentimentos se acalmariam e ele iria parar de pensar tanto no garoto, mas isso não aconteceu, só piorou e ele não consegue tirar o garoto de sua cabeça, Bakugou por outro lado parecia mais irritado que o normal, até Kirishima pareceu estar pisando em ovos ao seu redor, mas Shouto estava tentando não pensar no que aconteceu para o garoto ficar desse jeito. Midoriya estava murmurando sobre uma nova peça da coleção de All Might quando Shouto cansou de tentar não olhar para Bakugou e deu a primeira olhada em semanas para o garoto, ele se arrepende na hora, pois Bakugou pega seu olhar e o encara com as sobrancelhas franzidas, Shouto sente suas bochechas esquentarem e usa sua individualidade para se resfriar logo depois vira seu olhar para Midoriya tentando prestar atenção no que o amigo estava falando, mas se torna impossível sentindo os olhos do loiro queimarem atrás dele.
Quando a festa está no fim, Shouto se despede de seus amigos e colegas e vai para o seu quarto, ele se sente esgotado e só quer dormir até que as férias comecem, mas antes de entrar em seu quarto ele é empurrado na parede ao lado de sua porta batendo a cabeça com força, por um momento ele entra em modo defensivo, mas quando vê os olhos carmesim de Bakugou ele relaxa completamente, o loiro está olhando para ele com pura raiva, rugas na testa e sua mão segurando firmemente a gola de sua camisa, ele está muito perto e Shouto só quer se enterrar em suas cobertas e esquecer todos esses sentimentos estranhos.
- Qual é a porra do seu problema? Bakugou pergunta num tom que deveria ser ameaçador, mas sai de forma incrivelmente triste.
- Não sei do que está falando Bakugou. Shouto responde tentando manter sua fachada neutra o máximo que consegue.
- Não sabe? Você simplesmente me ignorou todos esses dias, nem olhou na minha cara e você ainda diz que não sabe? Bakugou se aproximou mais de Shouto e apertou seu punho na camiseta fazendo com que Shouto ficasse mais espremido na parede.
Shouto não respondeu nada, apenas olhou para baixo em vergonha, ele não sabia o que responder, como dizer o que estava pensando, ele queria poder ser como Bakugou e dizer o que tinha em mente, mas nem ele sabia o que esses pensamentos e sentimentos significavam então como ele poderia expressa-los?
Bakugou soltou Shouto e se afastou alguns centímetros.
- Eu fiz algo errado? Shouto nunca tinha ouvido Bakugou falar tão suave e tão triste, quando ele olhou para o loiro ele estava de cabeça baixa olhando para seus pés com os punhos apertados, Shouto se sentiu horrível.
- Não você não fez nada errado Bakugou, me desculpa eu-
Shouto fica em silêncio não conseguindo terminar sua frase. Bakugou levanta seu olhar querendo que ele continue a falar.
- Eu me sinto confuso, me desculpa.
Bakugou levanta uma sobrancelha em confusão.
- Confuso com o que?
Shouto não aguenta e põe as mãos no rosto bufando, ele olha para Bakugou nas aberturas entre os dedos e vê o garoto esperando uma resposta, ele tira as mãos do rosto.
- Você quer entrar?
Shouto abre a porta do quarto e deixa a passagem livre, Bakugou entra no quarto e senta no futon do Shouto já familiarizado com o lugar. Shouto senta da lado de Bakugou e encara a porta não querendo olhar nos olhos do loiro.
- Você me faz sentir muita raiva sabia?
Shouto ouve Bakugou dizer, ele ri levemente.
- É você já disse isso.
- Mas é diferente agora, quando você me ignorou eu senti raiva porquê eu queria que você viesse falar comigo, eu queria continuar vendo você e isso é muito fodido porque eu não sei porquê me sinto assim.
Bakugou desabafou e Shouto sentiu seu coração apertar, ele também se sentia assim e ouvir Bakugou falar isso o fazia se sentir estranhamente bem.
- Eu também não sei por quê me sinto assim.
Shouto finalmente olha nos olhos de Bakugou e o garoto já estava olhando para ele, eles se olham pelo que parece uma eternidade antes de Bakugou falar.
- Por que você me ignorou?
Bakugou parecia machucado e Shouto se sentiu pior ainda, ele tinha feito isso sem nem perceber, ele precisava dizer ao loiro mesmo que nem ele entendia o que estava sentindo, ele decidiu que devia uma explicação.
- Ficar com você me faz sentir tão bem que eu me sinto sufocado, eu gosto tanto de você que eu não sei o que fazer com isso, eu não entendo, nunca me senti assim por nenhum dos meus amigos, você me faz sentir como se eu estivesse me afogando e eu não consigo parar de pensar em você nem por um segundo, isso não me parece normal nem saudável eu não deveria me sentir assim por um amigo.
Shouto pensou que quando se expressa-se iria se sentir melhor, mas o nó em sua garganta só aumentou e ele quis retirar todas suas palavras no momento que saíram de sua boca. O silêncio se estendeu no quarto e os dois garotos não se olharam por vários minutos.
- Eu também não consigo parar de pensar em você Shouto.
E quando seu nome saiu dos lábios do garoto, Shouto sentiu todos aqueles sentimentos reprimidos explodirem, ele olhou para Bakugou que estava com as bochechas coradas e o olhor mais suave que ele já viu em seu rosto. Shouto queria toca-lo, passar os dedos pelo seu rosto, sentir a suavidade de seu cabelo, ele queria tanto beija-lo que estava se tornando insuportável. Ele se aproximou de Bakugou e esticou a mão para tocar sua bochecha, Bakugou fez o mesmo e acariciou sua cicatriz e depois passou sua mão para a nuca de Shouto empurrando o bicolor para frente até eles colidirem as testas, eles ficaram mais próximos do que nunca, dividindo a respiração e observando cada detalhe do rosto um do outro.
- Porra Shouto você não tem ideia do quanto eu quero te beijar agora.
Shouto sentiu eletricidade passar por todo seu corpo até a palma de suas mãos, ele fechou os olhos e apoiou as mãos nos ombros de Bakugou, o loiro acariciou os cabelos em sua nuca e pressionou sua outra mão na mandíbula de Shouto para que ele se inclinar levemente para esquerda, Shouto se deixou maleável e abriu os olhos para encontrar o olhar de adoração de Bakugou, ele nunca pareceu tão intenso.
Shouto não sabe quem se inclinou primeiro, mas quando ele sentiu os lábios de Bakugou nos seus nada mais importava, tudo parecia ter se encaixado, seus sentimentos e pensamentos não pareciam mais tão errados e ele sentiu que poderia passar o resto dos seus dias ali, com as mãos de Bakugou enredadas em seus cabelos e suas bocas coladas. Bakugou começou a mexer seus lábios e Shouto tentou imitar seus movimentos, ele se sentia tão inexperiente, mas ele não gostaria de ter feito isso com ninguém mais, Bakugou abriu sua boca e Shouto o seguiu e logo sentiu suas línguas se encontrarem e foi como mágica, ele apertou as mãos nos ombros de Bakugou e se endireitou para que ficassem mais próximos, eles moveram duas cabeças em sincronia e mesmo que seus dentes batessem às vezes, essa foi a melhor experiência que Shouto já sentiu. Bakugou começou a dar leves puxões em seu cabelo e Shouto começou a fazer pequenos sons em seu beijo o que deixou Bakugou mais entusiasmado, os dois se beijaram até ficar sem fôlego e precisarem se separar. Quando se separaram Shouto abriu seus olhos imediatamente para encontrar o rosto de Bakugou completamente corado com os lábios inchados e o olhar franzido, ele parecia absolutamente perfeito e Shouto gostaria de guardar essa imagem dele para sempre. Seu coração batia rapidamente em seu peito e ele só pensava em derreter sob os toques de Bakugou, suas testas se encontraram novamente e eles acalmaram suas respirações.
- Você não sabe a quanto tempo eu queria fazer isso.
Shouto sentiu sua temperatura subir mais ainda e precisou se aliviar com sua individualidade, ele pensou em todo esse tempo que passou com Bakugou e chegou a conclusão que ele também queria fazer isso com ele, há muito tempo ele só não sabia.
- Eu também.
Com isso eles se beijaram de novo, Bakugou colocou uma de suas mãos no final das costas de Shouto e o trouxe para mais perto, o bicolor se deixou levar e montou nas coxas do loiro, os dois colaram seus peitorais e se aproximaram o máximo que conseguiam sem descolar suas bocas. Seu beijo se tornou desleixado, sem coordenação, mas eles não se importavam, tudo o que estavam sentindo estava sendo descontado naquele beijo, as mãos de Shouto apertando insistentemente os cabelos rebeldes do loiro, as mãos de Bakugou segurando as laterais de Shouto, tudo isso era a linguagem deles. Quando se separaram ofegantes, Bakugou passou seu polegar pela bochecha de Shouto.
- Nunca mais me ignore.
Shouto ri de sua frase.
- Eu não vou.
- É sério meio a meio eu vou chutar sua bunda se você me ignorar de novo.
Bakugou diz com o tom menos ameaçador possível, Shouto sorri para ele e beija levemente seus lábios.
- Eu não vou sair do seu lado nunca mais.
- Isso soou como uma ameaça.
- É uma ameaça.
Os dois riram e se beijaram de novo até esquecerem totalmente de todos seus problemas e de todo caminho que percorreram até aquele momento.
Shouto descobriu o que era se apaixonar e pela primeira vez amar não era doloroso, era leve e bom, fazia ele se sentir aquecido e em paz, Katsuki Bakugou o ensinou o que era isso e ele não poderia estar mais feliz de estar ao seu lado.
Chapter 2: Katsuki
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A primeira vez que Katsuki se apaixonou não foi como nos filmes, ele não sentiu as famosas borboletas no estômago na verdade foi como um soco bem forte no meio da cara e como ele era constipado emocionante, reprimiu todos seus sentimentos até explodirem, como ele sempre fazia.
Katsuki tinha uma ideia estranha de amor, sua mãe lhe ensinou amor com tapas e xingamentos, mas seu pai era gentil e carinhoso, ele achava que amor era uma perda de tempo, seu único objetivo era ser o número 1 e se apaixonar não estava na lista. Viver a infância sendo bajulado por seus amigos fez Katsuki ter a ideia errada de como amizades funcionam, para ele as pessoas corriam atrás dele e ele sempre ficaria na frente como um líder.
Quando Katsuki entrou na UA tudo mudou, Deku tinha conseguido entrar também e ele nunca sentiu tanta raiva na vida, como um sem individualidade poderia ter passado com ele que tinha treinado tanto e tinha um poder tão incrível? Todas suas expectativas foram jogadas no lixo quando ele viu o resto dos alunos, principalmente o filho de Endeavor, pela primeira vez ele se sentiu vulnerável e não era a pessoa mais poderosa da sala.
Todoroki, ou como ele preferia chamar meio a meio, o irritou desde o começo e depois do festival de esportes em que ele se recusou a usar todo seu poder nele, mas usou em Deku, Katsuki se tornou insuportável, ele não poderia deixar de irritar o metadinha a cada momento que passava, tentando chamar sua atenção a todo custo, quem aquele maldito bastardo achava que era para não dar atenção a Katsuki?
Em seus dias na UA, Katsuki se via cada vez mais atraído para a figura de Todoroki, tudo que o bicolor fazia o irritava 100%, o jeito que ele ia correndo atrás de Deku como um cachorrinho, o olhar triste toda vez que alguém citava Endeavor, aquelas leggings estúpidas que ele usava para corrida matinal que acentuavam suas pernas longas, tudo isso deixava Katsuki lívido e ele não podia deixar de provocar o bicolor sempre que podia.
Quando os dois falharam miseravelmente na obtenção das licenças provisórias, eles foram obrigados a passar mais tempo juntos e Katsuki teve que admitir que estava começando a apreciar o tempo a sós com o meio a meio, o treinamento era sempre bom, pois eles estavam sempre se empurrando para melhorar um ao outro, eles tinham que jantar juntos e Katsuki se viu cozinhando a mais para Todoroki, o bicolor também começou a provocar Katsuki de volta o que sempre deixava suas palmas da mão mais suadas por algum motivo e no final do dia eles iriam para os dormitórios juntos.
Durante essas semanas juntos Katsuki começou a pensar mais em Todoroki, ele não entendia o por que sua mente sempre vagava de volta para o garoto, mas cada vez mais ele se sentia intoxicado pela presença do bicolor. Ele poderia reconhecer que Todoroki era um garoto bonito e isso não faria com que ele gostasse de garotos, mas alguns pensamentos eram mais do que "ele é apenas bonito", às vezes ele imaginava o quão perfeito ele era, como seus cabelos iriam se sentir na sua mão, qual a textura da sua pele, como seria o gosto de sua boca e toda a sua teoria de "não gosto de garotos" ia por água a baixo.
Katsuki não queria que a rotina dos dois acabasse mesmo depois que conseguiram suas licenças, então ele chamou o bicolor para passar mais tempo com ele, eles estudavam e assistiam filmes juntos, Katsuki até apresentou seus jogos favoritos para o garoto e seu coração deu cambalhotas quando ele viu o olhar de felicidade de Todoroki quando ele explorava novos mundos. Um dia em uma de suas sessões de filmes, Todoroki adormeceu ao seu lado e Katsuki o colocou na cama e o cobriu, ele nunca tinha deixado ninguém dormir em sua cama assim e ele sentiu seu coração encher ao ver o bicolor pacífico dormindo. A partir daí eles faziam suas festas do pijama todas as sextas e Todoroki dormia em seu quarto. Katsuki não queria admitir mas essa foi a melhor rotina que ele já teve, até o momento que as coisas ficaram estranhas, o bicolor começou a se afastar e parou de falar com ele e visitar o seu quarto de uma vez. Katsuki tentou se aproximar para saber o que aconteceu mas Todoroki estava sempre envolto por todos os nerds e quando não estava com seus amigos ele desaparecia completamente, isso deixou o loiro muito irritado.
Todos sabiam do temperamento de Katsuki, mas nas últimas semanas ele tem sido nada menos que insuportável de estar por perto, nem Kirishima conseguia conversar com ele por muito tempo, o loiro era uma bomba relógio em pessoa. Na festa de fim de ano Katsuki decidiu que iria enfrentar o bicolor não importa o que aconteça, ele observou Todoroki conversar com seus amigos até o momento que seus olhares se encontraram e Todoroki ficou corado e desviou o olhar, Katsuki apertou os punhos e encarou a nuca do garoto com fervor. As horas se passaram e ele só estava esperando Todoroki subir para seu quarto para ele poder segui-lo e interroga-lo, quando Todoroki finalmente subiu, Katsuki foi correndo ao seu encontro, ele empurrou o bicolor na parece vendo sua expressão mudar de defesa para relaxamento em segundos, ele encarou seus olhos azul e cinza e apertou sua camisa com força.
- Qual a porra do seu problema? A voz de Katsuki vacilou, ele queria ter soado mais ameaçador.
- Não sei do que está falando Bakugou. Todoroki teve a audácia de parecer confuso com sua pergunta o que irritou mais ainda o loiro que o empurrou mais na parede e se aproximou.
- Não sabe? Você simplesmente me ignorou todos esses dias, nem olhou na minha cara e você ainda diz que não sabe?
Todoroki ficou em silêncio e Katsuki se sentiu derrotado, ele queria saber se ele tinha errado em algum momento, ele só queria se redimir e continuar as coisas como estavam.
- Eu fiz algo errado? Katsuki falou sem sua mordida habitual, ele estava cansado e só queria resolver as coisas com Todoroki.
- Não você não fez nada errado Bakugou, me desculpa eu-
Katsuki olha para Todoroki que está em silêncio e não terminou sua frase.
- Eu me sinto confuso, me desculpa.
Katsuki não entende o que ele quis dizer.
- Confuso com o que?
Todoroki põe as mãos no rosto e bufa alto, depois pergunta para Katsuki.
- Você quer entrar?
Todoroki abre a porta e Katsuki entra no quarto já sentando em seu futon, o bicolor o acompanha sentando ao seu lado mas se recusa a olhar em seu rosto.
- Você me faz sentir muita raiva sabia?
Ele ouve Todoroki soltar uma leve risada e isso acalma seus nervos.
- É você já disse isso.
- Mas é diferente agora, quando você me ignorou eu senti raiva porquê eu queria que você viesse falar comigo, eu queria continuar vendo você e isso é muito fodido porque eu não sei porquê me sinto assim.
Katsuki foi verdadeiro, ele não queria mais guardar isso dentro dele, ele só queria dizer tudo para Todoroki até ele mesmo entender o que estava sentindo.
- Eu também não sei por quê me sinto assim.
Todoroki olha nos olhos de Katsuki e eles ficam assim por um bom tempo tentando arrumar palavras para dizer.
- Por que você me ignorou? Katsuki finalmente pergunta.
- Ficar com você me faz sentir tão bem que eu me sinto sufocado, eu gosto tanto de você que eu não sei o que fazer com isso, eu não entendo, nunca me senti assim por nenhum dos meus amigos, você me faz sentir como se eu estivesse me afogando e eu não consigo parar de pensar em você nem por um segundo, isso não me parece normal nem saudável eu não deveria me sentir assim por um amigo.
Quando Todoroki para de falar, Katsuki absorve suas palavras, sinceramente ele se sentia assim também, como se alguém tivesse lhe dado um soco na cara e ele não conseguia dar nome a esse sentimento, mas de uma coisa ele tinha certeza.
- Eu também não consigo parar de pensar em você Shouto.
Nesse momento Shouto olhou em seus olhos e seu rosto expressava mais emoções que ele já tinha visto, ele viu as mãos do bicolor se aproximarem de seu rosto e ele repetiu seus movimentos, acariciando a cicatriz de Shouto, com sua outra mão ele enganchou na nuca do garoto e o trouxe mais perto batendo suas testas juntas. Ele precisava de Shouto, precisava por as mãos nele, ele precisava beija-lo imediatamente.
- Porra Shouto você não tem ideia do quanto eu quero te beijar agora.
Ele viu Shouto tremer um pouco e fechar os olhos e tudo que ele pensava era em quebrar a distância dos dois, Katsuki moveu sua mão para a mandíbula de Shouto e ajustou seu rosto, o bicolor abriu os olhos e Katsuki nunca viu nada tão bonito quanto o brilhos em seu olhar naquele momento, ele se inclinou e finalmente seu beijo se encaixou. Foi apenas um selar de lábios mas Katsuki nunca se sentiu tão eufórico, ele poderia passar o resto de seus dias assim e ele não reclamaria, Katsuki colocou as mãos nos cabelos de Shouto e começou a movimentar a boca, ele não tinha nenhuma experiência, mas mesmo assim Shouto seguiu seus passos e repetiu seus movimentos, o loiro abriu a boca e no momento que suas línguas se tocaram ele sentiu que entrou em combustão, ele sabia que estava ferrado porquê depois disso ele nunca mais iria querer desgrudar de Shouto, o bicolor apertou seus ombros e Katsuki se aproximou ao máximo dele, suas cabeças se mexeram em sincronia perfeita e nada mais importava. O loiro se sentia sedento, ele precisava mais de Shouto, ele começou a apertar suas mãos nos cabelos bicolores e Shouto começou a fazer sons que nos ouvidos de Katsuki eram a mais pura melodia, eles se beijaram até seu fôlego acabar e eles precisarem se separar, suas testas se encontraram novamente.
- Você não sabe a quanto tempo eu queria fazer isso.
Katsuki sentiu Shouto literalmente aumentar sua temperatura.
- Eu também.
O loiro não aguentou e puxou o bicolor para um beijo novamente, ele colocou suas mãos no final de suas costas e o empurrou para seu colo, suas mãos serpentearam todos os lados de Shouto, enquanto o bicolor mantia as mãos enredadas nos cabelos loiros, os dois se beijaram desleixadamente e Katsuki adorou isso, sentir o calor de Shouto em suas coxas e suas línguas se entrelaçando, era tudo o que ele queria dizer sem palavras. Eles se beijaram assim por muito tempo até que se separaram ofegantes.
- Nunca mais me ignore.
Shouto ri de sua frase e Katsuki se sente bobo pelo som de sua risada.
- Eu não vou.
- É sério meio a meio eu vou chutar sua bunda se você me ignorar de novo.
Katsuki quis parecer ameaçador e falhou miseravelmente. Shouto sorri para ele e beija levemente seus lábios.
- Eu não vou sair do seu lado nunca mais.
- Isso soou como uma ameaça.
- É uma ameaça.
Os dois riram e se beijaram de novo até esquecerem totalmente de todos seus problemas e de todo caminho que percorreram até aquele momento.
Katsuki descobriu o que era se apaixonar e que o amor não era uma perda de tempo, Shouto Todoroki mostrou para ele como o amor é gentil e caloroso e Katsuki não poderia estar mais feliz em estar ao seu lado.
