Chapter Text
Rhys se inclinou para o patente da porta, observando com adoração os amores da sua existência.
Nyx, o filho que ele nunca pensou que teria e o amor mais puro que ele já sentiu, estava sentado no meio da sala com cobertores ao redor e parecia feliz em morder um brinquedo pequeno que ele tinha ganhado de Lucien no nascimento.
O objeto era retângulo e fino, com um pequeno botão no centro que quando acionado, criava uma pequena ilusão ao redor com um céu noturno e brilhante com cores rosas e azuis despesas entre os planetas e estrelas.
Desde quando aprendeu a morder, aquele se tornou seu brinquedo favorito e ninguém seria capaz de tirá-lo sem criar crise de choro. O bebê ficava sentando olhando as cores com admiração inocente, os dedos pequenos se esticando pra pegar a estrela na mão e rindo quando passava direto.
Rhys não aguentava o amor que explodiu no seu coração com a cena e resistiu a vontade de pegar Nyx no colo e morder suas bochechas cheias e rosadas.
Seu olhar então se desviou para sua querida Feyre que estava sentada em frente a uma tela parcialmente pintada, os dedos segurando um pincel e as sobrancelhas juntas em óbvia frustração.
Ele se aproximou silenciosamente por trás dela e olhou a pintura com admiração, como ele fazia com tudo que sua companheira produzia.
— Está ficando lindo. — Rhys disse com sinceridade, as mãos apertando os ombros dela.
Feyre bufou, obviamente discordando e enfiou o pincel na tinta novamente, um grunhido saindo dos lábios.
— Eu não consigo acertar a cor do cabelo. — Ela verbalizou sua raiva, misturando o amarelo com o vermelho.
Rhys admirou a arte incompleta por um minuto, e ficou um pouco surpreso quando seu coração parecia gaguejar no peito.
Era uma imagem incompleta de Lucien de lado segurando um Nyx sorridente que parecia muito feliz em está nos braços do macho desconfiado.
E Lucien estava fazendo uma coisa que raramente fazia ultimamente...ele estava sorrindo. Era pequeno e cheio de ternura que ele mostrava exclusivamente ao bebê gorducho nos braços.
— Está parecendo muito bom pra mim, bem realista. — E era verdade, seu cabelo longo corria pelas costas como um fogo acesso, sua trança característica caindo ao longo da orelha pontiaguda. — Ele vai adorar.
Um sentimento de esperança foi enviado através do vínculo e Feyre se virou para olhar pra ele por cima do ombro, os olhos azuis cinzas um pouco incertos. — Você acha?
— Tenho certeza. — Rhys sorriu e se abaixou pra beijar a bochecha dela, inalando seu perfume inebriante. — Ele teria que ser um idiota pra não gostar e sabemos que Lucien é tudo, menos um idiota.
Feyre revirou os olhos e soltou uma risada antes de levantar e abraçá-lo pela cintura, a cabeça encostada em seu ombro esquerdo. Ele ainda podia sentir sua insegurança pelo laço, uma coisa cambaleante que estava deixando sua companheira no limite, foi esse sentimento de inquietação que levou Rhys até ali, mesmo sabendo que Cassian e Azriel o estavam esperando pra treinar.
— Você pode me dizer, você sabe. — Rhys sussurou contra a têmpora dela, os dedos acariciando os fios sedosos dos seus cabelos.
Seu aperto contra ele aumentou, assim como sua respiração e batimento cardíaco.
Ok, agora ele estava oficialmente preocupado.
Como sempre fazia, ele entrou lentamente na mente dela, eles compartilhando tudo desde sentimentos a preocupação, o que era dela, era dele e visse versa.
— Estou com medo.
Ela enviou silenciosamente, eles conversando mentalmente lhe dando confiança pra expressar aquilo que parecia travar sua garganta.
— É com suas irmãs?
Ele perguntou porque geralmente era sobre elas, uma fonte constante de preocupação para sua companheira que parecia sempre no limite esses dias. Ele continuou a embalar seu corpo macio e olhou para ver que Nyx parecia feliz em bater seu brinquedo na perna e depois enfiar na boca.
— Não! Quer dizer, mais ou menos? Elain está mais...
— Agitada?
— Irritada. — Feyre corrigiu. — Tentei conversar com ela e ela simplesmente saiu andando.
— Deixa eu adivinhar, era sobre o Lucien.
Feyre ficou tensa em seus braços antes de se retirar completamente, caminhando até Nyx e o pegando nos braços, se recusando a encontrar seu olhar.
— Feyre? — Ele chamou, preocupado. Ele tinha falado algo errado?
Ela se sentou em uma cadeia estofada e começou a balançar seu bebê, sorrindo e cheirando seu cabelo preto e cheio. Ela ainda não olhou pra ele quando falou, a voz baixa, tensa.
— Ela não podia ser mais gentil? — Feyre respondeu, suas bochechas pálidas ganhando um pouco de cor. — Eu não pedi pra ela aceitar o laço ou foder com ele. — Feyre ficou mais tensa e por algum motivo, Rhys também. — Mas ela não pode tratá-lo como uma pessoa? Ele nunca tentou forçar ela a nada, nunca foi indelicado e nem desrespeitoso e ela o trata com tanta frieza como se ele pessoalmente a tivesse enfiando naquele caldeirão.
Seu tom de voz foi ficando mais baixo, mas também mais afiado, como se o fogo da corte outonal estivesse queimando em suas veias.
Com cautela, sentido sua fúria como se fosse sua própria e o coração batendo no peito como um martelo, ele se aproximou e se ajoelhou no chão, o suficiente pra encará-la nos olhos e deu um beijo na testa do filho que sorriu pra ele com a boca banguela.
— Talvez ela ainda não esteja pronta. — Ele começou devagar, mesmo que ele mesmo não acreditasse nisso, não quando ele teve que impedir pessoalmente Azriel de dormir com ela e queimar as alianças como fumaça. Como Azriel podia ser tão inconsequente? Ele ficou no mínimo surpreso, quando sempre considerou Azriel o mais sensato do trio.
— Tempo. — Feyre zombou, um som desdenhoso com dentes a mostra. — Enquanto ela acumula seu tempo, Lucien está cada vez mais envolvido com Jurian e Vassa. Tempo. — Ela continuou com um tom mordaz, frio. — Não é ela que é constantemente rejeitada, por isso fica não se preocupa com nada além de si mesma e suas malditas plantas.
Um silêncio mortal cai na sala, o único som sendo os gaguejos feliz de Nyx.
Feyre fica pálida rapidamente, toda aquela fogo reduzido a fumaça e então gelo, como se o próprio elemento tivesse revestido seus ossos, sua pele marfim.
— Isso foi horrível. — Feyre sussurou para ele, os olhos assombrados. — Porquê eu disse algo horrível assim? Não entendo o que está acontecendo comigo ultimamente.
Ela deitou a cabeça no ombro de Rhys novamente, como se toda a luta tivesse sido arrancada dela, a deixando vazia.
Engolindo em seco, Rhys encarou a pintura inacabada de Lucien, observando como os detalhes eram quase reverentes, como se cada detalhe fosse pensado com um cuidado extra para torná-lo o mais realista possível.
E era lindo, facilmente um dos melhores trabalhos de Feyre e nem estava terminado ainda.
De novo, seu coração parecia apertado no peito, como se todos os sentimentos tivessem se tornado demais para o pequeno órgão suportar.
E nenhum deles parecia fazer sentido, um anseio, um medo, uma saudade quase opressora.
Eram todos de Feyre? Eles estavam tão juntos quanto era possível e as vezes ele se perdia aonde ele começava e ela terminava.
— Eu não sei, Feyre querida, mas vamos descobrir juntos, como sempre fizermos. — Ele respondeu com suavidade, os olhos encarando os amores da sua vida.
Eles adormeceram ali, com Feyre encostada contra seu lado e Nyx dormindo em cima deles e quando seus olhos se fecharam, ele não pode evitar o sentimento de que algo estava faltando.
