Chapter Text
Notificar que haviam reatado para seus amigos havia sido constrangedor, mas nada poderia ser pior do que ser pego em flagrante por seus familiares.
Eles não comunicaram suas famílias, e seus amigos tiveram o tato de manter a novidade apenas entre eles. Mark e Donghyuck já imaginavam o tanto que ouviriam de seus pais, suas mães continuavam com suas tentativas sutis de colocá-los juntos em todas as oportunidades possíveis durante o feriado festivo, ainda agindo como se ninguém tivesse reparado e seus primos, bom, pareciam se divertir muito com tudo aquilo.
Houve até mesmo um momento extremamente desesperador na festa de virada do ano. Junto dos adultos no salão de festas, Donghyuck não viu quando fora abordado pela mãe de Mark, só foi se dar conta quando estava sentado ao lado dela no terraço. Boyoung era muito simpática, uma mulher baixinha e elegante com sorriso que lembrava muito o de Mark. Donghyuck sempre a adorou, ela e o pai de Mark sempre foram seus tios favoritos, mas ele queria mais do que tudo estar longe dela naquele momento.
Com a provável décima taça de vinho em mãos, ela sorria melancolicamente para Donghyuck.
— Mark nos contou porque vocês terminaram. — ela começou, as palavras saindo um pouco arrastada. Se não fosse o sofá em que estavam, ele teria caído pelos joelhos bambos. Fossem pelo uísque de fogo que havia tomado, ou pelo desabafo que ouviria de sua ex e atual sogra sobre o relacionamento dele com o filho dela.
Oh, Merlim, alguém me tire daqui.
— Você sabe que o Soohyun não gostou do namoro de vocês no começo, ele ainda é meio receoso com essa coisa de uma mesma árvore genealógica se encontrando em outra geração, mas até mesmo ele podia reconhecer que você sempre foi o único par adequado para nosso Minhyung. Até mesmo a forma que você decidiu terminar era outro motivo para termos ainda mais certeza de que você era o garoto perfeito para ele. — tirando os olhos de Donghyuck, Boyoung deixou a taça agora vazia sobre o aparador ao lado do sofá. Ela ajeitou o xaile azul-índigo ao redor de seus ombros, como se estivesse prestes a se levantar, e com um último suspiro, ela olhou para Hyuck com olhos tristes debaixo dos cílios longos. — Quando Mark apareceu em casa contando sobre um novo namorado, nós fomos completamente contra, mesmo com a falsa sensação de que está com a pessoa certa agora, nós sabemos que quem ele ama é você. Sempre foi você.
Novo namorado…?
Donghyuck não soube o que falar. Ele fitou o rosto pesaroso de sua sogra por longos segundos em completo estupor, mesmo que definitivamente estivesse acontecendo um bombardeio por ela, sua cabeça estava em completo silêncio. Completo silêncio, nenhum pensamento concreto conseguia se formar naquele momento. Tudo que ele conseguia ver era Mark e o rosto deprimido da mãe de Mark.
Ele havia namorado outra pessoa nesses dois anos e não havia lhe dito?
Mark mentiu sobre não ter lhe superado? Ou ele tentou superar e só então percebeu que não conseguia?
Como se sentisse que algo estava acontecendo, o rosto de Mark apareceu não muito longe das portas que levavam ao terraço. Ele parecia preocupado, mas logo abriu um sorriso de alívio quando seus olhos encontraram os de Donghyuck, que infelizmente não durou muito, pois além de se deparar com um Donghyuck definitivamente perturbado, sua mãe ao lado dele parecia dolorosamente culpada.
— Boa noite? Mãe? Está tudo bem por aqui?
— Oh, querido, o céu não está bonito essa noite? — levantando-se como não estivesse quase aos prantos poucos segundos antes, Boyoung sorria para o filho, passando por ele e ajeitando os sutis amassos de sua veste social, ela apertou a gravata dele com firmeza antes de sair do terraço, deixando ambos os adolescentes em completo silêncio.
— Ela…?
— Mark, me responde uma coisa.
— Hm? — um pouco confuso, Mark apenas se sentou ao lado dele, permitindo que seus joelhos e ombros se encontrassem. Se as portas do terraço não estivesse escancarada como estava, Donghyuck sentia que ele também uniria suas mãos.
Ainda com a cabeça em completo silêncio, Hyuck conseguiu formular a pergunta que martelava em sua mente.
— Você namorou outra pessoa depois de mim?
Mark ficou em silêncio por cinco segundos, antes de rir com a testa franzida.
— Que tipo de pergunta é essa, Hae? Eu só foquei no quadribol quando terminamos, o que foi péssimo, já que você ganhou as duas temporadas depois do término. — acrescentou a última parte com um suspiro descrente, mas levemente divertido. — Eu só tinha você e quadribol na cabeça no primeiro ano, depois foquei na monitoria de Defesa… por Merlim, como eu poderia namorar sendo que você estava vinte quatro horas na minha cabeça?
Oh. Oh. Oh.
— De onde você tirou isso? Minha mãe te falou alguma coisa?
A ficha de Donghyuck caiu no momento em que Mark lhe encarou com aqueles olhos enormes, redondos que queimavam com amor e carinho. Era tão óbvio.
— Sua mãe é uma mentirosa. — sussurrou ainda sem acreditar.
— Hm?
Ele poderia até mesmo considerar que Mark havia dito sobre eles voltarem ou mentido para os pais para que eles parassem de perguntar sobre Donghyuck na época dos feriados, mas era Mark. Ele não era do tipo que mentiria para os pais, e pela forma como Boyoung falava, era algo que acontecera há tempos. Por que ela mentiria sobre isso?
E com um estalo, ele se lembrou da sombra que rondava aquele feriado. Como poderia esquecer que suas mães haviam unido forças para fazê-los reatar de qualquer forma?
Sentindo que as peças começavam a se encaixar, Donghyuck começou a rir.
Rindo, ele tombou a cabeça no ombro de Mark, escondendo o rosto no tecido de sua veste e agarrando-se ao braço dele. Definitivamente, suas mães eram malucas. Como uma mulher adulta poderia achar razoável atuar daquela forma para o ex-namorado do filho? Por Merlim, não tinha uma única pessoa sã naquela família.
— O que minha mãe falou? — Mark não sabia como reagir no momento, levemente preocupado, mas a forma como Hae parecia se divertir lhe tirava um pouco da preocupação.
— Ela veio falar comigo sobre o quanto gostava de quando estávamos juntos e inventou uma história de que você apareceu namorando, dizendo ela que ela e nem o tio aprovaram esse namorado novo.
— Namorado novo…? Do que diabos ela está falando?
Sem se importar com as portas abertas para que todos do salão pudessem ver o que eles faziam, Donghyuck jogou ambas as pernas por cima da coxa esquerda de Mark, sentando-se de lado e mantendo suas pernas entre as do mais velho. Mark não reagiu por alguns instantes, para em seguida não se importar com a demonstração pública e clara de afeto. Sem questionar, ele passou o braço esquerdo ao redor da cintura de Hae, trazendo-o para mais perto. Eles já podiam ouvir os burburinhos do lado de dentro do salão, mas como se estivessem subitamente envoltos por um feitiço de isolamento acústico, eles não se importaram com a plateia que se lentamente se formava perto das portas.
Hyuck ainda ria baixinho, uma das mãos escondendo o sorriso bonito em formato de coração e a outra ainda agarrada ao braço de Mark. Lentamente, ele foi parando de rir, seus olhos brilhando e seu rosto tão iluminado quanto o Sol. Se mesmo quando o via de longe, normalmente emburrado ou com o rosto neutro, Mark o achava lindo, ali, envolto em seu elemento, brilhando como se fosse uma estrela, Donghyuck parecia deslumbrante, estonteante.
A mão que cobria o sorriso bonito lentamente caiu para o colo de Hae, os olhos de Mark acompanharam o movimento de forma inconsciente, parando sobre os lábios do outro, ainda partidos no meio do sorriso. Sentindo a força do olhar alheio, Donghyuck mordeu o lábio inferior, sentindo a mão em sua cintura aplicar uma pressão agradável em sua pele.
Sem pensar nas consequências do que fazia, Donghyuck findou o espaço entre eles. Envolvendo as maças do rosto de Mark com suas mãos e trazendo-o para ainda mais perto. O grifinório apenas aceitou o seu destino, apertando ainda mais seu domínio sobre a cintura de Donghyuck e levando a mão para seu cabelo perfeitamente penteado, os dedos arranjando espaço entre os fios e arrancando um suspiro do mais novo.
O suspiro fez ambos se afastarem momentaneamente, ainda vidrados nos olhos um do outro.
Muito consciente da plateia que assistia os dois, Donghyuck usou a pouca habilidade que tinha com magia sem varinha para fechar as portas e dar o mínimo de privacidade para eles. Agora sem qualquer pessoa para julgá-lo por sua vulgaridade, ele beijou Mark mais uma vez. Arquejando quando os dedos dele rasparam por seu pescoço, voltando para sua nuca e manobrando sua cabeça da forma que ele queria, inclinando-a de lado para que seus narizes não esbarrassem um no outro.
Fazia uma semana desde o Natal, uma semana em que eles lentamente voltavam a se tocar da mesma forma que faziam há dois anos. Ambos haviam confessado não ter estado com mais ninguém nesse tempo, e isso acabou sendo projetado para os beijos que trocavam. Havia mais insegurança envolvida do que quando tinham treze anos, eles se sentiam enferrujados até demais, mas não havia para onde correr naquela situação. Eles precisavam voltar a se sentir confortáveis e confiantes sob o toque um do outro, precisavam de prática, de tempo.
E quando os dentes deles bateram um no outro no meio de um outro beijo afobado, eles se separaram aos risos. Estavam extremamente constrangidos, mas havia um toque acolhedor em poder agir como pré-adolescentes apaixonados.
— Nós definitivamente precisamos melhorar nisso, por Merlim, nem quando estávamos aprendendo a beijar ficamos batendo os dentes como agora.
— Isso foi um convite para praticarmos mais? — sorrindo como um bobo, Mark selou os lábios macios de Hae mais uma vez, não indo muito além disso e levando um tapinha no peito ao se separarem.
— Não preciso de convite para isso, eventualmente vamos pegar o jeito de novo. — uma vez separados e com toques gentis voltando, Hyuck se encolheu sobre o peito de Mark, deitando a cabeça na junção de seu pescoço e ombro. O calor do corpo de Mark fazia o vento frio ao redor deles ser quase como o sopro de uma brisa. — Eu nunca tinha reparado no quão quente você é, só notei quando te vi na monitoria pela primeira vez.
— Hm?
— Você é quente que nem uma fornalha, sabia? — tirando o braço que estava ao redor de sua cintura, Hyuck o moveu para seus ombros, ficando ainda mais pequeno ao aninhar-se no corpo de Mark, comentando alegremente em seguida. — Isso, sim, foi um convite para passarmos todas as noites de inverno juntos. Abraçados, na sua cama, até voltarmos para Hogwarts.
— Você é tão sutil, meu amor.
— Você ama isso em mim, nem vem.
— Se eu amasse só isso… — deixando um beijo no topo da cabeça do menor, Mark se virou minimamente, apenas para ficar mais confortável. Era uma tarefa difícil, as pernas de Hyuck entre as suas não facilitavam, mas tê-lo praticamente enrolado em seu colo, lindo e marcando Mark com seu perfume agridoce, compensava qualquer desconforto. — Eu amo você, Donghyuck, por inteiro.
Um grunhido manhoso escapou do menor, que abraçou Mark do jeito mais desconfortável possível para ambos e ficou ali, parado ao redor do outro.
Se não fossem os fogos de artifício lançados exatamente à meia-noite, eles teriam passado horas naquele terraço.
(...)
Dar a notícia para a escola foi uma tarefa fácil.
Não que eles fizessem questão disso, mas foi inevitável fazer disso um momento. Os rumores estavam no ar desde o momento que eles pisaram na Plataforma Nove e Três Quartos, um grupo de alunos conhecidos aparatando juntos chamava bastante atenção, principalmente quando o monitor-chefe e os capitães do time de quadribol da sonserina, lufa-lufa e grifinória estavam no rebanho. Era um grupo barulhento, com seus pais se despedindo mais uma vez, e os jovens gritando cumprimentos para colegas que reconheciam.
Qualquer estudante do sétimo e sexto ano que passasse por eles iria dar uma segunda conferida no sonserino e no grifinório de ombros colados que sorriam largamente para dois pares de adultos. O distintivo de Mark brilhava como nunca, mas não chegava aos pés de seu sorriso, por estar se despedindo dos pais pela última vez antes de voltar para Hogwarts com o namorado logo ao lado.
Era impossível não reparar.
Como Mark liderava a reunião dos monitores, não houve mais nada na viagem para alimentar os rumores.
Até, ainda na segunda semana de aula, o canadense aparecer silenciosamente no final da aula de reforço de História da Magia, esperando calmamente até a campainha tocar e o pequeno grupo se dissolver. No meio deles, estava Renjun e Jisung, que lançaram olhares debochados para o monitor-chefe no canto da sala, que mesmo tentando passar uma imagem mais composta e séria, não conseguia evitar o rubor nas bochechas ao ser encarados pelos alunos mais novos com desconfiança.
— No que posso ajudar, Sr. Lee? — desviando do grupo que saía pela porta estreita, Mark foi até o namorado, deixando a bolsa sobre uma das poltronas e puxando o sonserino para mais perto, com as mãos dos dois lados de seu rosto, Mark selou lhe os lábios suavemente em saudação.
— Vim te buscar para o jantar. — se afastou minimamente, as mãos descendo para a cintura do menor, que tinha um sorrisinho divertido no rosto.
— Você age como se não fossemos nos encontrar lá, como todos os dias.
— Bom, nem sempre nos encontramos.
— Só desde que voltamos do Natal. — cantarolou, virando-se, ainda sob as palmas quentes na cintura, para organizar as anotações espalhadas pela mesa. O grifinório soltou um grunhido como se não desse a mínima para a provocação, voltando a se aproximar do outro, apoiando o queixo em seu ombro e vendo-o separar os papéis em alguma ordem que Mark não conseguia compreender naquele momento. — Tudo bem? Você normalmente não é tão grudento em público.
Mark suspirou, abaixando o rosto e escondendo-o no pescoço de Hae.
— O treino hoje foi estressante. — Hyuck deixou os papéis de lado ao ouvir a primeira parte, já imaginando o que viria a seguir. — Acabei discutindo com as irmãs Shin e, porra, semana que vem vamos jogar contra a Lufa-lufa, não é hora de brigarmos entre nós.
— Realmente, o Jeno tá pegando pesado com eles, vocês deviam ficar mais espertos.
— E ele tá fazendo isso muito bem, porque mesmo com uma legião de novatos, ele tem mais chance de conseguir a Taça esse ano do que a Grifinória. — havia ressentimento na fala de Mark, mas era o tipo de coisa que só apareceria no meio de um desabafo entre eles. Ele nunca falaria aquilo ou mostraria rancor contra Jeno, principalmente contra Jeno.
— Bom, eles podem ganhar a Taça, mas vocês podem ganhar deles. O seu último jogo é contra a Corvinal, não é? — com um grunhido que reverberou na pele do pescoço de Hae, Mark respondeu. — Sua sorte é o Renjun ter saído esse ano, o novo apanhador deles é medíocre.
— Você e o Renjun saírem foi a minha maior sorte desse ano, o Nana é um bom capitão, mas você fazia o time da Sonserina ser mais assustador. — contido, Hyuck riu baixinho, gradualmente se derretendo nos braços do namorado, adorando quando ele elogiava suas temporadas como capitão. Os papéis na mesa já estavam em ordem, ele só precisava colocá-los na bolsa e eles estariam livres para seguirem para o jantar. Mas Donghyuck definitivamente não queria sair de perto de Mark, muito menos ir para o meio de uma multidão onde precisaria se comportar adequadamente. E como se lesse seus pensamentos, as mãos de Mark soltaram-se das laterais de sua cintura e finalmente envolveram seu corpo, abraçando-o com firmeza. — O que você acha de irmos jantar no meu quarto?
Oh, as vantagens de ser monitor-chefe.
— Podemos passar na cozinha, pegar alguns lanches e subir para o meu quarto, hm? — a indagação final, soprada em sua orelha, fez Hyuck se arrepiar todinho, afundando ainda mais no peito de Mark. Eles não tinham o costume de passarem a noites juntos no quarto do monitor-chefe, algo que Hyuck evitava com medo de ter a atenção chamada por algo tão… bobo.
Se McGonagall lhe chamasse em seu escritório apenas para informá-lo que passar as noites no quarto do monitor-chefe, com o monitor-chefe, era um comportamento inadequado, ele iria pedir para ser expulso e se mudaria para o fim do mundo. Muito vergonhoso. Mas sempre podia haver exceções.
— Eu preciso revisar meu dever de alquimia e começar minha dissertação pro meu mentor de poções, não vai ser uma noite muito divertida.
— Minha mesa é grande o bastante para nós dois trabalharmos, e eu também preciso finalizar alguns trabalhos do professor Potter e tenho uma tonelada de livros para dar uma olhada. — virando o menor em seus braços, seus olhos se encontraram, ambos brilhantes e contentes. Mark sorriu sem mostrar os dentes, uma das mãos subindo para o rostinho de Hae e afagando a bochecha macia com a palma da mão. — Podemos só jantar, estudar juntos e depois dormir, o que acha?
— É uma proposta formidável.
— Formidável, hm? — Mark se inclinou para beijar Donghyuck mais uma vez, sorrindo contra os lábios do menor.
Sem mais delongas, eles organizaram a bolsa de Hyuck e deram uma geral na sala, deixando-a do jeito que estava antes para que o sonserino não levasse bronca do zelador ou do chefe de sua casa. Com ambas as bolsas em seus devidos ombros, eles saíram da sala. O caminho até a cozinha não foi muito longo, eles tiveram que descer alguns lances de escada e logo estavam de frente para uma pintura com uma taça de frutas. Mark foi quem atacou a pera com cócegas, abrindo a porta quando a fruta se transformou em uma maçaneta.
Eles não ousaram fazer pedidos grandes, por estar próximo do jantar, os elfos da cozinha estavam se movimentando freneticamente para todos os lados. E com uma bolsa cheia de sanduíches de queijo, algumas garrafas de suco e chá, eles fizeram o caminho até o quarto do monitor-chefe no quinto andar. A colega de Mark raramente ficava por aquele lado, preferindo ficar com os colegas na sala comunal de sua casa. Hyuck sabia disso, pois sempre a via nas masmorras. Ela não parecia disposta a abandonar os sonserinos tão cedo, e bom, isso os deixavam livre para explorar tanto o quarto de Mark, quanto a sala comunal dos monitores.
— Será que eu deveria usar essa oportunidade e usar o banheiro dos monitores? Sinto falta da banheira, era tão bom usar ela depois de um jogo… — transfigurando uma das cadeiras da sala comum em uma mesinha de centro, Haechan a levitou para o quarto de Mark, ajustando-a no centro do tapete felpudo perto da cama do mais velho.
— É bem cheio nas sexta-feiras, mas se você quiser correr o risco, vá em frente.
— Eu devia ter continuado como capitão da Sonserina, droga. — bufou, colocando a varinha no coldre e se sentando no tapete. Mark logo se aproximou com a bolsa que pegaram dos elfos, organizando a mesa para eles jantarem.
— Continuar como capitão só pra poder usar o banheiro dos monitores? Sério, Hae?
— É um bom motivo, e eu era um bom capitão, levei a Taça nos meus dois anos. — se gabou presunçosamente, rindo do revirar de olhos que recebeu do outro, que mesmo sendo capitão há pelo menos quatro anos, não havia conseguido levar a Taça para a sala de seu chefe de casa.
— No início do ano letivo, o professor Potter me implorou para conseguir a Taça antes de me formar, dizendo ele que ouvir o professor Malfoy se gabar dela na sala dele ainda vai fazer ele ir para Azkaban.
— Seria uma briga divertida de assistir, mas a Sonserina não vai muito longe nos próximos anos, os melhores vão se formar esse ano ou no próximo. Quem vai sair ganhando é a Lufa-lufa, o Lele vai pegar o time bem treinado pelo Jeno e vai fazer um estrago no próximo ano, pode anotar.
— Você podia ao menos demonstrar que acredita no meu potencial. — mordendo um pedaço do sanduíche de queijo, Mark bufou, escorando na madeira da cama e encarando o tapete com a testa franzida. Hyuck bebericou o suco de abóbora, sorrindo sem graça pro namorado.
— Hyung, você joga muito bem, você sabe disso, mas você sozinho não consegue ganhar tudo. A sua apanhadora é boa, mas seus batedores são horríveis e como um apanhador joga sem ter batedores fazendo a retaguarda? E eu sei que você treina eles, mas é difícil fazer uma pedra realizar duas funções, você já fez eles voarem e não caírem a cada curva, isso já é um grande feito.
Desacreditado com a facilidade e a falta de vergonha do outro de lhe falar aquilo como se fosse nada, Mark encarou o namorado sem saber se ria da situação ou se começava a chorar de desespero. Donghyuck lhe flagrou encarando-o, e com muita sutileza, piscou os dois olhos inocentemente, sorrindo com as bochechas estufadinhas no que Mark chamava de ‘sorrisinho de pão’ e se arrastou para mais perto, seu braço entrando por debaixo do de Mark e sem vergonha alguma, Hyuck apoiou o queixo no braço do mais velho, piscando mais algumas vezes, adoravelmente.
— Hyung, falando sem favoritismo, você é um dos melhores artilheiros dessa temporada.
— “Um dos”? Sério?
— Eu não posso mentir, o Lele tá na sua cola e quando ele tá bem, ele te deixa pra trás.
— Obrigada, meu amor.
Donghyuck sorriu, deixando um beijo na bochecha do outro e se ajeitando para voltar a comer. Mark bufou, rindo em seguida.
— Você é péssimo, sabia? — empurrou o joelho no de Hyuck, que retrucou o gesto da mesma forma.
— Não me acho péssimo, eu sou a sua âncora, posso levantar e te deixar sonhar quando você precisar, mas te mantenho no chão quando é preciso. — afirmou Hyuck, com um sorriso sem dentes, os olhos no sanduiche em mãos. — E vai que, esse ano, comigo ao seu lado, você não alcança um melhor desempenho com seu time?
— Você não vai me ajudar, você nunca faria isso com a sua própria casa.
— Não vou te ajudar com quadribol, mas te faço feliz o suficiente para que isso reflita nas suas habilidades de capitão. — a confiança do sonserino era invejável, a seguraça com o que ele falava era de alguém que realmente acreditava no que dizia, e sem muito para onde correr, Mark apenas assentiu com um sorriso apaixonado no rosto. Ele sempre concordaria com qualquer absurdo que Hyuck falasse. — Você deveria ter mais o que falar sobre isso, sinceramente.
— Eu irei concordar com qualquer coisa que você me falar, Hae.
Donghyuck fez uma careta.
— Se eu quisesse um fantoche, daria Amortentia para alguém. Fale por si mesmo, rapaz.
Mark piscou, rindo pelo nariz e encolhendo os ombros.
— Eu já me perdi no que estávamos falando, mas concordo com o que te fizer feliz.
— Hyung!
