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Mesmo sem saber

Summary:

Não importa quanto tempo faça que Shima tenha conhecido Mitsumi, ela ainda é capaz de surpreendê-lo, mesmo com as coisas mais simples. Para alguém que não tem certeza nem do próprio futuro, imaginar outras realidades parece estranho; porém, há algo no conforto da noite e no sorriso brilhante da garota que, mesmo em segredo, lhe dá segurança e desejo de realizar as palavras dela.

Notes:

Essa história não poderia acontecer sem o plot maravilhoso da Caroline_is_not_here, sou grata por você ter me permitido escrever com ele, infelizmente não é um fluffy de chorar, mas tentei ao máximo passar o sentimento do plot

Srta__Wu te agradeço de verdade pela betagem incrível que você fez, fico com o coração tranquilo em saber que cada detalhe dessa história foi bem cuidado por você

Desejo a todos uma boa leitura ♡

Work Text:

— Shima-kun, você acredita em reencarnação? — Mitsumi perguntou, à primeira vista, distraída, olhando para o céu, mas havia algo na forma em que os olhos dela brilhavam que deixou Shima com um pé atrás da intenção da pergunta.

— Não — disse, sem medo de ser sincero.

A virada brusca do pescoço com uma simples resposta deixou Shima preocupado.

— Nem um pouco? — O espanto em seu rosto trouxe um clima pesado para a noite.

Shima suspirou, como se, em um único segundo, fosse possível levar em consideração todas as questões que ignorou ao longo de sua vida, quando na verdade apenas não queria parecer tão cético.

— Não sei, talvez um pouco, mas por que a pergunta? — devolveu, e antes mesmo de qualquer palavra, o rosto vermelho da garota ficou em evidência.

— Hm… — Os dedos inquietos de Mitsumi não paravam de se esbarrar um contra o outro em cima da grade da varanda. Se fosse possível, ela já teria criado um campo eletromagnético, ou talvez já tivesse feito, pois Shima parecia estar levando um choque, que o deixava em um estado parecido com o dela. — Na verdade, não é tão sério, mas… você acha que podemos ser almas gêmeas? — O questionamento saiu contido, de tal modo que demorou alguns segundos para associar de fato a pergunta feita.

Percebendo a confusão no olhar de Shima, ficou ainda mais envergonhada.

— Não de um jeito romântico! — interrompeu, balançando as mãos no ar. — Não existem apenas almas gêmeas românticas. — Até ela baixar sua guarda e sorrir gentilmente na expectativa de uma resposta, a cabeça de Shima encheu-se de dúvidas..

— Por que a pergunta?

— A chuva de meteoros de hoje, ela só acontece a cada cem anos, fiquei pensando que hoje seja nossa única chance da gente ver junto, provavelmente…

O vento frio da quase madrugada atingiu Shima. Pensar em coisas que ultrapassavam longos anos do seu futuro tão incerto era algo que ele evitava, mas diante de Mitsumi, que já tinha toda sua vida planejada, ele não sabia como escapar, principalmente com medo de magoar o emocional de sua amiga.

— Então quando você pergunta sobre reencarnação…?

— Quero dizer que, mesmo sem saber, poderíamos ver juntos a chuva de meteoros de novo, se existe alguma possibilidade. — Os pulsos fechados demonstravam a força que seu desejo continha.

Sem conseguir formular uma resposta, ele se encostou na grade, apoiou a cabeça com uma das mãos e passou a admirar o céu. Já devia estar próximo de acontecer o evento que reuniu todo o grupo na casa de Iwakura, e eles, no momento, eram os únicos acordados. Talvez a falta de sono fizesse esses assuntos surgirem.

— Você acha que podemos ter visto esses meteoros em outros momentos, sendo outras pessoas?

Ao olhar de relance, foi capaz de vê-la admirando o céu. Seus olhos brilhavam de uma forma que poderia representar um conforto, o lugar onde as estrelas não eram ocultadas pela poluição visual.

— Sim, eu acredito nisso. — E lá estava ela, com uma presença confiante, imersa em seus achismos para ao menos notar que estava longe de sua insegurança, e se não fosse a insistência do olhar de Shima, talvez ela nem ao menos poderia ter notado. — Ah, isso não significa que você tem que sentir assim também! — As mãos agitadas e as bochechas vermelhas nunca falhavam em fazer um sorriso aparecer em Sosuke.

— Sim, eu sei — disse, conforme voltava a falar sem uma risada para atrapalhar. — Não vou deixar isso me influenciar.

Um sorriso gentil foi o bastante para entender que sua sinceridade era tudo do que ela precisava.

O olhar gentil de Mitsumi fazia sua boca desejar proferir as afirmações que ela mais desejava escutar. Se talvez a atenção dela não tivesse sido desviada, ele teria contado como acreditava que, mesmo sendo o inseto mais insignificante, ele estaria ao lado dela para compartilhar a visão dos meteoros tingindo o céu com sua cauda azul.

A iluminação que seu rosto ganhou pela alegria de a hora ter chegado foi o que o deixou se contentar com as ideias trancadas.

O choque inicial foi quebrado com a euforia de sua voz, acordando de um a um, sua tia e os amigos. Todos que estavam presentes se levantaram confusos e sonolentos, mas assim como o esperado, em um piscar de olhos, deixaram a lentidão para trás para admirar o céu, com sorrisos que Shima nem tinha dúvida do maior motivo para eles surgirem.

Eram pedras que pareciam entrar em chamas quando passavam perto da terra, algo distante no espaço que poderia ter uma beleza que não o encantaria. Mas um sorriso singelo ele sabia que guardaria. Por isso, era grato a quem ajudou a estar presente nesse momento.

— Eu prometo — sussurrou, para que ninguém ouvisse ou estragasse seu acordo secreto, que a realização nenhum dos envolvidos pudesse descobrir se teria acontecido.

Mas para aqueles que passavam temporadas curtas no céu, seria impossível esquecer a presença das almas que sempre o observavam. A árvore gentil que protegia uma flor solitária. Um cachorro dourado gentil acompanhado da gata preta covarde. Dois irmãos que se mudaram da cidade em que nasceram. Um passarinho de asa quebrada e outro que parou de voar para acompanhá-lo. Dois amantes sinceros que não poderiam ficar juntos.

E ali, naquele presente, uma vida que ainda poderia trazer tantas possibilidades enquanto estivessem próximos.

Na próxima visita à terra, só o destino poderá contar quem serão seus fiéis admiradores.