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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-01-02
Words:
774
Chapters:
1/1
Comments:
1
Kudos:
2
Hits:
22

Cadê seu namorado, moço?

Summary:

A vida de arcanjo supremo não traz tanta satisfação como Aziraphale esperava. Na verdade, ele tenta não pensar como se sente, e nem como costumava se sentir com o crowley.

Notes:

gente essa ideia surgiu da forma mais besta o possível: Ano passado vim passar o carnaval no interior e meus vizinhos não paravam de cantar essa música "Você tem namorado, moçaaaa cadê seu namorado moçaa" (recomendo ouvir o refrão para contexto https://youtu.be/_dcKV9WJgQo?si=_wUAb84xGmOLvMXR), e nçao conseguia parar de lembrar deles com ela. Eu tava dando uma limpa no meu google docs e encontrei a pérola, então decidi postar

Work Text:

   Se tinha uma coisa que Aziraphale lembrava sobre o céu, era de que era um ambiente estressante. Vazio, sim, porém extremamente estressante. Todas as interações, falas, pedidos, ações, tudo. E ele está a tentando, tentando mesmo mudar esse ambiente, o tornar no que – em sua opinião – ele deveria sempre ter sido: um lugar de justiça, luz, verdade e bondade.

 

   Mas, é claro, isso vinha com estresse. E quadruplicado.

 

   “Arcanjo Supremo Aziraphale?” chamou Michael de longe, seus saltos batendo no chão branco.

 

   “Ah, olá, Michael.” Michael e Uriel eram os anjos que mais iam em sua mesa para atormentá-lo sobre detalhes insignificantes. Ele juntava toda a irritação que sentia quando isso acontecia e abafava com uma respiração profunda e um sorriso. “Como eu já disse, vocês podem continuar me chamando só de Azira-”

 

   “Arcanjo Supremo,” o título saiu da sua língua amargamente “preciso que dê uma olhada nesses documentos antes da reunião de mais tarde.” ele lhe entregou uma pasta branca, com um olhar muito mal disfarçado de desdém.

 

    Ah! A reunião! Ele tinha se esquecido completamente.

 

    "Ah, claro." Ele pôs um sorriso gentil no rosto "obrigado."

 

   Michael demorou um pouco para tirar os olhos cerrados do anjo e se virar para finalmente ir embora. Quando o fez, Aziraphale soltou um longo suspiro e apoiou as mãos na cabeça.  Mil e um sentimentos vinham a ele com cada uma dessas visitas passivo-agressivas, seu peito doía e manter a postura requiria mais esforço. Mas ele precisava se lembrar do por que ele estava aqui; E do que ele abriu mão pra estar aqui. 

 

   Então, reunindo todas as suas forças restantes, ele se endireitou e tirou folhas grampeadas de dentro da pasta. 

 

  A SEGUNDA VINDA DE JESUS 

 

   Estava escrito em negrito no centro da primeira página. Ele a virou.

 

   Jesus deverá voltar ao mundo humano daqui a 7 dias. Será transportado de avião do céu à terra e pousará nos Estados Unidos. O arcanjo supremo e anjos selecionados devem estar presentes. Detalhes serão discutidos na reunião.

 

    Aziraphale soltou um suspiro. Armageddon dois, não é mesmo? É ainda o que eles querem. Ele continuou lendo, contra a própria vontade de jogar o livro bem longe.

 

  Seguem áreas que apresentaram energia/atividades incomuns, que podem ser perigosas para o processo e devem ser inspecionadas antes da realização da reunião.

 

   Em seguida havia diversas fotos do parque St. James, do lago, do banco, e do Ritz.  

 

   Crowley. Foi seu pensamento imediato, e logo depois, puta merda. 

 

   Seu corpo inteiro ficou gelado. Ele enfiou tudo dentro da pasta novamente e se forçou a não batê-la na mesa com força, para logo após andar – não correr – até a saída. 

 

. . . . . . . .  

 

   A necessidade de ir até o parque era irracional. Chegando lá, o desconforto do seu peito não diminuiu. Só sentou dentro dele e o observou. Inútil. Viagem perigosa e nada mais do que inútil . Azi bloqueou seus pensamentos. Não podia pensar. Se deixasse o cérebro livre, ia lembrar que uma vez se sentia mais em paz, ia se lembrar do…

 

   “Cadê seu namorado, moço?” perguntou com um sorriso confuso no rosto.

 

    Azi congelou. Era com ele que estava falando?

 

   “Desculpe, é que ele sempre vem ficar falando de… peras? Pros patos? O ruivo!”

 

    Foi como um soco no peito, sua respiração acelerou

 

   “É- Não- É que…” ele tentou

 

   “Tudo bem, vou dar pães mesmo.”

 

   “Sim” Ele riu, constrangido. Era tudo demais. Estava tudo rápido demais. “Com licença.”

 

   Ele deu passos apressados para longe do homem, do parque, daquilo. Só podia ser uma armação demoníaca, ou sua própria imaginação. O barulho dos patos. O cheiro dos carrinhos de comida. Real demais, como flashes, esfaqueando-lhe a consciência. O tempo estava devagar demais e o ambiente presente demais e não dava para não sentir falta dele. Não querer desesperadamente lembrar do seu carinho disfarçado de sarcasmo e do sorriso nos seus olhos, tão raramente à mostra. 

 

   Eventualmente seus pés pararam, e o aziraphale foi recuperando a respiração. Ele estava correndo? Quando se deu conta, estava na frente da sua antiga livraria. Estava com um visual frio e vazio. Sem Bentley do lado de fora, sem o aconchego do lado de dentro.

 

   E então ele já estava com o celular na mão. Discando os números que mais discou a vida inteira. Ele vibrou e vibrou e abriu a caixa de mensagens. Sem tirar os olhos da livraria, Azi inspirou fundo e seus lábios estremeceram. Pronunciando “Crowley” O nome doce, a tanto tempo não falado “Me liga… Eu te amo.”

 

   Alguns segundos silenciosos vieram depois da confissão. Azi quase ficou perplexo consigo mesmo, mas sabia, sentia que essas palavras estavam pra vir há muito, muito tempo.

 

   “Me perdoa.”