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Final Girl

Summary:

Jae faz parte de um grupo que caçam e matam garotas em florestas como um ritual perturbador. Um dia, eles escolhem Melissa para ser sua nova presa. Mas o que elu não sabe é que ela foi treinada para ser uma assassina profissional e que sabe se defender muito bem sozinha.

obs: inspirado no filme Final girl

Chapter Text

Introdução

A sala era fria e vazia, exceto pela mesa de metal arranhada e duas cadeiras que rangiam ao menor movimento. O ar tinha um cheiro de tinta velha misturado com algo metálico, como se o lugar tivesse visto mais histórias do que merecia, iluminada apenas pela luz fluorescente de uma luminária que balançava no teto e que piscava de vez em quando, lançando sombras estranhas nas paredes de concreto nuas.
As paredes deixaram o silêncio, interrompido apenas pelo som do ponteiro de um relógio distante, ainda mais excruciante. Melissa, com seus cabelos claros caindo em desalinho sobre os ombros e sua camisa com pequenas borboletas agora amassado e com uma mancha escura na bainha, balançava os pés com nervosismo na cadeira de metal que parecia grande demais para o seu corpo pequeno. O tecido de sua blusa parecia velho, algo que foi escolhido por outra pessoa, talvez pela mãe, suas mãos estavam unidas no colo, os dedos entrelaçados com tanta força que as pontas ficaram brancas.
A porta rangeu ao se abrir, e Melissa se encolheu no assento. Uma mulher entrou, passos firmes que ecoaram na sala vazia. Agatha parecia deslocada naquele espaço cinzento, como se tivesse vindo de um mundo completamente diferente. Vestia um blazer preto impecável, com uma camisa branca ajustada que reforçava sua postura séria. Os olhos dela eram intensos, de um preto tão escuro que pareciam duas obsidianas, que olhavam para Melissa como se enxergassem através dela.
Sem dizer nada, a mulher tirou a cadeira e sentou-se à frente da garota. Abriu um caderno fino e colocou uma caneta ao lado, mas não parecia interessada em escrever. Ela apenas olhou Melissa por alguns segundos, como se estivesse tentando decifrar cada detalhe dela.
— Olá Melissa, meu nome é Agatha. Você sabe por que está aqui? — A voz dela era suave, mas no silêncio da sala parecia uma lâmina afiada.
Melissa discreta o olhar, os olhos grandes e azuis refletindo algo entre tristeza e dureza que não deveria existir em alguém tão jovem Ela hesitou por um momento, mas então respondeu, sua voz tão baixa que quase se perdeu no ambiente:
— Meus pais estão mortos. — disse Melissa
A resposta direta pareceu pairar no ar, pesada, mas Agatha não reagiu de imediato. Ela inclinou-se um pouco para frente, apoiando os cotovelos na mesa, e disse com calma
— Sim — disse ela, depois de um silêncio que parecia interminável. — Isso te incomoda ?
Melissa piscou, como se a pergunta tivesse sido inesperada. Ela abriu as mãos pequenas no colo, sua expressão agora inexpressiva, quase distante.
— Pessoas morrem o tempo todo — murmurou Melissa com firmeza.
O silêncio que se seguiu foi quase palpável. Agatha estreitou os olhos, estudando a resposta da menina com atenção.
— Você tem razão, Melissa — disse ela, escolhendo cuidadosamente as palavras. — É uma boa maneira de olhar isso.
Melissa deu de ombros, o gesto quase casual, mas suas mãos ainda estavam apertadas.
Agatha então, com um gesto lento e deliberado, deslizou o caderno e a caneta que estavam na sua frente em direção a menina.
— Você sabe o que é isso ? — disse Agatha, respondido com leve acenar da garota a sua frente — Sabe fazer ? — outro acenar, agora mais firme.
Melissa sem hesitação puxou o caderno para mais perto. Suas mãos pequenas viraram a capa, revelando a primeira página. No centro da folha havia um labirinto desenhado com precisão, as linhas pretas quase perfeitas contra o fundo branco.
Ela segurava a caneta com firmeza, seu olhar fixo no caderno à sua frente. Os traços do labirinto eram complicados, um emaranhado de caminhos e becos sem saída. Para qualquer outra criança, aquilo seria um desafio, talvez até frustrante. Mas para Melissa, era apenas mais um jogo.
Com movimentos rápidos e precisos, ela começou a traçar o caminho, ignorando os becos sem saída como se já soubesse exatamente onde estavam. Não hesitou, não pausou. A ponta da caneta deslizou pelo papel, desenhando uma linha contínua que atravessava o labirinto com uma eficiência quase mecânica.
Agatha, sentada do outro lado da mesa, observava em silêncio. O leve ranger da caneta contra o papel parecia ecoar na pequena sala. A mulher não disse nada, mas a expressão em seu rosto revelava um certo fascínio.
Menos de um minuto depois, Melissa largou a caneta e empurrou o caderno de volta para Agatha.
— Pronto — disse ela, sua voz tranquila, quase indiferente.
Agatha pegou o caderno e deu uma olhada rápida na linha perfeitamente traçada.
— Ótimo — disse ela, com um sorriso breve. — Agora, Melissa, você se lembra da primeira casa onde viveu?
Melissa assentiu com a cabeça, sem dizer nada.
— Feche os olhos — pediu Agatha, sua voz suave, mas firme.
A menina hesitou por um segundo, depois obedeceu.
— Quero que você vá até lá. Consegue ver a casa?
Melissa franziu ligeiramente a testa, mas sua voz era tranquila.
— Sim.
— E a porta da frente? Consegue vê-la?
— Consigo.
— Vá até ela — disse Agatha. — E agora me diga, quantos passos são da porta até o seu quarto?
Melissa começou a contar nos dedos, com a expressão concentrada.
— Dezessete.
— Muito bem. Agora pare na porta do quarto. Quantos passos são da sua cama até o banheiro?
A menina levantou os dedos novamente, contando rapidamente.
— Seis.
— Você está no banheiro agora? — perguntou Agatha, com um leve sorriso nos lábios.
— Estou.
— E o que você vê?
Melissa abriu um pequeno sorriso, como se estivesse realmente de volta àquele espaço familiar.
— Tem um espelho grande acima da pia, um copo azul com escova de dente, uma toalha vermelha pendurada na parede, e... — ela pausou por um momento, como se estivesse verificando cada detalhe. — Um patinho de borracha amarelo na borda da banheira.
Agatha inclinou a cabeça, impressionada.
— Muito bom, Melissa. Agora pode abrir os olhos.
Melissa piscou algumas vezes enquanto seus olhos se ajustavam novamente à luz. Ela olhou para Agatha com curiosidade.
— Como eu me saí?
Agatha sorriu, inclinando-se levemente para a frente.
— Você foi perfeita.
Melissa pareceu satisfeita com a resposta, mas antes que pudesse dizer algo, Agatha continuou:
— Melissa, você gostaria de vir comigo?
A menina franziu a testa, intrigada.
— Ir com você para onde?
— Para um lugar onde eu possa ensinar você.
— Ensinar o quê? — perguntou Melissa, os olhos estreitando-se levemente.
Agatha apoiou os cotovelos na mesa, os dedos entrelaçados.
— Vou treinar você para um trabalho muito importante.
— Que tipo de trabalho?
Agatha fez uma pausa, como se escolhesse cuidadosamente as palavras.
— É um trabalho que a maioria das pessoas não consegue aguentar. Você precisa ser muito especial para conseguir.
Melissa inclinou a cabeça, curiosa.
— Como você conseguiu esse trabalho?
Os olhos de Agatha escureceram por um momento, uma sombra passando por seu rosto.
— Eu me voluntariei — respondeu ela, a voz mais baixa. — Um homem muito mau matou minha esposa e meu filho.
Melissa ficou em silêncio, processando a informação. Depois de alguns segundos, ela olhou para Agatha.
— Eu posso ter um sorvete?
Agatha riu, surpreendida pela pergunta.
— Você pode ter qualquer coisa que conseguir pegar, Melissa.
Melissa sorriu de volta, seus olhos brilhando de excitação.