Chapter Text
Essa história começa com um casal profundamente apaixonado, que vivem em um reino bem, bem distante. Com o passar do tempo, eles se casaram e construíram uma bela família, mas, ao contrário dos contos de fadas, a felicidade eterna não lhes foi garantida.
O homem se chamava Ryota Okumura, um caçador de demônios habilidoso e corajoso. Sua esposa, Yui Hagiwara, era uma gueixa, mas também possuia o sangue nobre. Uma princesa de um reino falido, lembrada por ser sempre gentil e encantadora.
Juntos, governavam o reino com sabedoria e amor, ao lado de seus seis filhos, e com um sétimo a caminho, ainda no ventre de Yui.
O primogênito do casal chamava-se Kenishi. Um ano após seu nascimento, veio o segundo filho, Katsou. Três anos depois, nasceram os gêmeos Sabito e Makomo. Dois anos mais tarde, outro par de gêmeos chegou ao mundo: Chloe e Riden. Após mais três anos, o casal aguardava ansiosamente a chegada de mais um filho, que se chamaria Yato.
Todos na família estavam felizes e ansiosos pela chegada do novo bebê. Todos, exceto Ichida, o irmão de Ryota. Ele possuía um coração amargurado, pois, no passado, havia sido o pretendente de Yui, mas ela escolheu Ryota em seu lugar.
Tomado pela inveja e pelo ódio, Ichida tomou uma decisão. Procurou o Kibutsuji Muzan, o senhor dos demônios, e fez um acordo cruel. Em troca de favores, pediu que duas Luas Superiores fossem enviadas para matar o seu próprio irmão. Numa noite silenciosa, Ryota saiu de casa... e nunca mais voltou.
Yui, arrasada pela perda, mergulhou em desespero. Sem saber o que realmente havia acontecido com seu amado, acabou sendo forçada a se casar com Ichida, agora o novo regente do reino. Um mês depois, Yato nasceu. Para todos, ele era apenas mais um herdeiro...mas para Yui, era a lembrança viva de Ryota. O menino carregava os traços do pai, como se o destino quisesse deixar claro que o verdadeiro sangue do rei ainda corria ali.
Mesmo estando com seu coração quebrado, Yui se mantinha de pé. Cuidava de seus filhos e de seu reino, porque, seu suposto marido, estaria tendo coisas mais importantes para serem feitas no quarto de Elena, sua irmã mais nova.
Yui sabia. Ela ouvia os sussurros nos corredores, os olhares de pena, os comentários abafados dos criados. Mas engolia a mágoa, pois seu dever agora era proteger o que restava: seus filhos, a memória de Ryota.
Com o passar dos anos, as crianças começaram a crescer e enxergar a realidade ao seu redor com mais clareza. Kenishi, já com 12 anos, era o mais atento. Katsou, com 11, seguia o irmão em tudo. Sabito e Makomo, agora com 8 anos, estavam deixando de ser tão inocentes, e Chloe e Riden, com 6, já faziam perguntas que Yui mal conseguia responder. Até Yato, com apenas 3 aninhos, começava a sentir que algo estava errado.
Todos começaram a perceber o quanto Ichida fazia mal à mãe deles. Os olhos de Yui já não brilhavam como antes. Seus sorrisos eram curtos, forçados, e sempre dava para escutar seus choros abafados de noite. A cada dia, o peso sobre ela parecia maior.
O medo cresceu dentro do palácio real. Ichida, com sua autoridade fria e cruel, espalhava terror pelos corredores. Seu tom de voz era seco e ameaçador, e qualquer sinal de desobediência — mesmo que fosse uma simples resposta atravessada ou um brinquedo fora do lugar — era punido com violência. Chicoteadas, empurrões, murros... nada parecia impedi-lo. As crianças, antes livres e risonhas, passaram a andar em silêncio, sempre com os olhos baixos. A casa já não era um lar. Era uma prisão feita de medo e memórias. Mas dentro de cada um deles crescia algo além do medo: raiva. E uma vontade profunda de proteger sua mãe e uns aos outros.
Passou-se mais um ano, e o peso do sofrimento se tornou insuportável. Yui, já fraca emocionalmente, tomou a decisão mais difícil de sua vida: fugiu do castelo durante a madrugada, levando apenas o pequeno Yato nos braços.
Com Yui fora do caminho, Ichida revelou por completo sua verdadeira face. Ele colocou Elena, no trono ao seu lado e anunciou que a herdeira oficial do reino seria sua filha com Ela, Izanami Okumura, uma garota de apenas 4 anos.
Os filhos de Yui e Ryota passaram a viver como sombras no castelo onde um dia foram príncipes e princesas. Sofriam em silêncio, cercados por falsidade, desprezo e medo.
Kenishi e Katsou, os mais velhos, ainda temiam o que poderia acontecer caso tentassem fugir, mas os mais novos — Sabito, Makomo, Chloe e Hiden — já não suportavam mais o castelo, o pesadelo diário que se tornara sua vida. Na calada da noite, enquanto o castelo dormia, eles tomaram uma decisão. Fugiram daquela gaiola.
Corriam pela escuridão, sem saber para onde iam, mas apenas tinham uma certeza: correr o mais longe possível daquele local. Seus corpos estavam exaustos, com frio, fome e sede, mas o que mais os apertava era a saudade e o medo de serem pegos. O castelo parecia cada vez mais distante, mas ainda assim, as memórias e o sofrimento estavam com eles.
Após um longo tempo correndo, finalmente chegaram a uma cidade distante, o mais longe que podiam do castelo. As ruas estavam desertas e sombrias, e a sensação de estar em um lugar desconhecido aumentava o medo em seus corações. Mas, de repente, ouviram uma voz suave e acolhedora:
— "O que crianças estão fazendo aqui a esta hora? É perigoso, pode ter onis por aí!"
A voz vinha de um homem mais velho, com cabelos grisalhos e um sorriso gentil. Ele parecia preocupado, mas também simpático. Os filhos de Yui ficaram em silêncio, cada um com uma reação diferente ao ver ele.
O homem percebeu a situação e, com um sorriso acolhedor, disse:
— "Estão perdidos? Por favor, entrem. Parece que estão muito cansados."
Havia algo no seu tom que transmitia segurança, algo que os fez sentir que poderiam confiar nele.
Eles trocaram olhares entre si.
Riden: "Muito obrigada!"
O homem sorriu ainda mais e os convidou a entrar em sua casa, prometendo que estariam seguros ali.
O local onde eles ficaram aquela noite, foi o mesmo onde eles ficaram por 5 anos, e conhecera varias pessoas. Era uma lanchonete, as crianças tinham que trabalhar, mas sempre eram bem alimentadas e cuidadas. Semelhante a um Orfanato, existiam mais 8 crianças do local: Jean, Nishiki, Kaleo, Gaby, Kaira, Luan, Juw e Yameko.
▬▬ι═══════ﺤ Chloe POV-═══════ι▬▬
Jean: Ei Chloe!
Eu: Oi Jean!
Falei me virando para o mesmo
Jean: O que você quer ser como crescer?
Perguntou enquanto limpava a mesa junto comigo.
Eu: Hum...eu quero ser que nem o Sabito e a Makomo!
Jean: Como assim?
Eu: Ele hoje me falou que iria para a seleção final.
Jean: Mas o que é que é isso?
Eu: Acho que é um tipo de premiação...mas não importa o que seja. Meus irmãos vão ganhar! Eles são incríveis!!! E eu prometi pra o maninho, que quando eu crescer, eu e ele vamos matar demônios juntos!
Falei com um sorriso enorme no rosto.
Jean: E você Hiden?
Hiden: Eu preciso ser rei...né? Ou um príncipe. Não posso continuar fugindo do meu destino...e você também não deveria maninha.
Eu: Mas irmão!!! Talvez os tempos mudem e EU possa ser sua escudeira!!
Peguei um talher e aponto para ele, fingindo ser uma espada.
Eu: Junto com os nossos irmãos, é claro.
Dei de ombros colocando o talher de volta no local.
Nishiki: Melhor não sonhar alto, Chloe...
Eu: Para de ser bobão! Bobão!
Mostro a língua para ele.
As palavras de Nishiki foram em vão, pois, a esperança ainda vivia nos corações das crianças.
O que eles não sabiam é que essa esperança os levaria a um destino ainda mais sombrio. Sabito e Makomo não deram sinal por uma semana inteira, e ninguém sabia o que havia acontecido com eles. O silêncio pairava sobre o grupo, um silêncio denso, como se todos soubessem que o pior estava por vir.
Sete semanas se passaram, e então, uma carta chegou. As palavras escritas nela cortaram seus corações: "Apenas dois morreram na seleção... Sabito e Makomo."
A carta foi como um grito silencioso, ecoando na mente de todos. A dor era imensa, mas o medo que se seguiu foi ainda pior. Aquela carta foi o que fez o grupo não ter mais opção. O esconderijo não era seguro. O monstro que se chamava de "pai" os encontrou. Ichida e seus guardas os levaram de volta ao castelo, e o que se seguiu foi uma tortura implacável, uma mistura de dor física e psicológica que parecia nunca ter fim.
Durante três dias seguidos, foram surrados sem piedade. Não havia escapatória. O sofrimento não era apenas físico, mas profundo, dilacerante, como se estivessem sendo quebrados por dentro. A cada golpe, a cada insulto, sentiam a alma ser esmagada.
E como se isso não fosse o suficiente, Ichida ordenou algo ainda mais cruel: Foram obrigados a pintar seus cabelos, mudar suas aparências para não parecerem com os pais que um dia amaram. Não podiam mais carregar a herança de seus verdadeiros pais, nem mesmo nas pequenas coisas. Agora, com os cabelos alterados, os filhos de Ryota e Yui eram forçados a esconder suas identidades, vivendo sob um peso psicológico que ameaçava destruir tudo o que restava deles.
°·.¸.·°¯°·.¸.·°¯°·.¸.-> Tempo Atual
Um dia, uma mulher apareceu no castelo, pedindo para falar comigo. Seus cabelos brancos eram contrastados por uma juventude que parecia não combinar com sua aparência. Ela tinha uma beleza serena, mas ao mesmo tempo imponente. A primeira impressão que tive foi de que ela teria uns 23 anos, mas, infelizmente, eu não pude conversar diretamente com a desconhecida naquele momento.
Algum tempo depois, fui chamada e pediram que eu vestisse roupas mais leves. Era algo estranho, mas aceitei sem questionar, imaginando o que estava por vir. Dois guardas me conduziram até a mesma mulher que eu vira anteriormente, e, enquanto ainda estava a uma certa distância dela, um dos guardas se virou para mim e falou:
Guarda: Você vai seguir sua jornada com essa moça.
Eu: Poderia me explicar?
Perguntei, um tanto curiosa, mas apreensiva.
Guarda: Eu sei lá porra. Se vira. Só recebi ordens para te levar até ela.
Eu: Obrigada por nada, inútil.
O guarda então se afastou, e eu segui em direção à mulher.
Ao me aproximar, tentei respirar fundo e manter a calma.
"Isso tem cara de casamento arranjado de novo".
Eu: Bom dia! Soube que a senhorita gostaria de me ver.
Mulher: Quanta gentileza, não precisa me chamar de senhorita, por favor. Sou Amane Ubuyashiki.
Eu: O que gostaria de falar comigo?
Ela sorriu gentilmente, o que me assusta um pouco.
Amane Ubuyashiki: Você tem um grande potencial para se juntar à nossa família. Seus pais já concordaram, mas gostaria de perguntar diretamente a você: você gostaria de se juntar?
"Eu sabia..."
Respiro fundo, tentando conter minha raiva.
Eu: Eu me recuso a ter qualquer acordo matrimonial antes da minha festa de debutante. Pensava que tinha deixado isso bastante claro em minhas cartas de negação...
Amane Ubuyashiki: Matrimônio?
Me interrompe.
Eu: Sim. Para que mais você viriar. Eu já neguei várias vezes os servos insistentes do...
Ela ri, de uma forma elegante, não de zombar, mas algo gentil e sutil.
Isso me deixa sem palavras.
Amane Ubuyashiki; Sinto muito, deveria ter sido mais específica. Você gostaria de se juntar aos Caçadores de Demônios?
O choque foi instantâneo.
"Os caçadores de demônios?! Isso parecia mais um sonho distante do que uma realidade possível! Eu estava em um castelo, vivendo sob o domínio de um tirano, e agora estava sendo convidada a me juntar a um grupo qual sempre desejei desde que meus irmãos eram vivos!"
Eu: Por favor, que isso não seja uma brincadeira de mal gosto.
Amane Ubuyashiki: Não é, é um convite direto do meu marido, o meste da corporação.
Tento conter a empolgação mas não resisto.
Eu: Eu..ah...Claro! eh....muito obrigada! Eu nem sei como agradecer esse oportunidade!
Amane sorriu e, com um olhar decidido, me entregou uma pequena imagem de uma montanha, com uma marcação no leste.
Amane Ubuyashiki: Eu que agradeço. Vá até o fim dessa montanha. Lá, você encontrará a pessoa que irá treiná-la.
Eu: Ah... certo, agradecida.
Eu segurei a imagem, o coração batendo mais rápido, sabendo que, de alguma forma, essa jornada mudaria tudo para mim.
Ela se afastou silenciosamente do local, e eu, sem hesitar, fiz o mesmo.
°·.¸.·°¯°·.¸.·°¯°·.¸.-> Muita caminhada depois
A montanha à minha frente parecia ainda mais imponente à medida que me aproximava. Lá em cima, entre as árvores altas, encontrei uma cabana simples. Bati na porta com firmeza e, quando ela se abriu, me deparei com uma figura inusitada. Uma pessoa, com um olhar enigmático, usava uma máscara azul que escondia grande parte de seu rosto, deixando-me um tanto desconfortável.
Máscara azul: Sou Issa Sakonji.
Era uma mulher, com uma voz também suave, mas parecia mais velha e carregada de uma seriedade.
Issa Sakonji: Sou ex-ajudante de um Hashira e dominadora da Respiração da Água.
Aquelas palavras fizeram meu coração disparar, mas o que mais me intrigou foi a revelação seguinte. Issa, de algum modo, estava ligada a um nome que eu já ouvira: Urokodaki Sakonji. Seu irmão, ex-Pilar da Água, um homem bastante respeitado. Uma vez eu o vi, mas ele estava distante de seu habitual comportamento. Parecia apressado, seus olhos fixos em algo distante, enquanto buscava cobertores apressadamente.
Aos doze anos, eu sabia que aquele momento de treino seria difícil, talvez o mais difícil da minha vida. As pernas tremiam, os músculos ardiam, mas, em meu peito, havia algo que queimava ainda mais forte: a vontade de ser mais. Queria ser como Sabito ou Makomo. A vontade de continuar era maior do que qualquer dor.
