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Era mais um típico dia de treinamento para os jogadores de vôlei da equipe ANBU, formada pelos estudantes da Universidade de Konoha, e, como sempre, havia muitos apreciadores — admiradores — dos atletas, principalmente de dois em específico, as estrelas do time: o levantador e capitão, Yamato Senju, e o central, Kakashi Hatake.
Tenten e seu melhor amigo e cunhado, Iruka, dois desocupados — ou nem tanto — quando não estão em suas funções, o que era uma exceção naquele dia. A garota era capitã do time de handebol, modalidade que adorava desde criança, e o cunhado pertencia ao time de natação.
Os amigos não perdiam um único treino, exceto quando tinham os próprios; e também puderam, afinal, em quadra estava o irmão de Iruka, namorado de Tenten, e o próprio recém-namorado do nadador, Kakashi.
A Mitsashi mal disfarçava o olhar diante das beldades em quadra; qualquer ser humano normal enxergaria a beleza que era aquele time.
— ‘Tá babando, limpa aí — brincou Iruka. — Se não te conhecesse, diria que está assim apenas por causa do Yamato, mas sabemos que não.
— Eu tenho olhos para quê? O que é bonito é para ser admirado, cunhadinho.
— Nem quero imaginar se tu não namorasse…
— Ah, Iru, vai dar uma de puritano? Olha lá a bunda do Genma! Meu Deus! Raidou deve aproveitar muito — apontou para o líbero do time e para o namorado, que, em todo momento de descanso, praticamente repousava a mão na bunda do outro.
Iruka não iria negar; era uma verdade irrefutável. Não era de dizer as coisas tão descaradamente, mas não ficava para trás.
— E o Neji? Esses shorts que usam não deixam muita coisa para a gente imaginar. Shikamaru mal disfarça — declarou Iruka, apontando para o Nara que fingia dormir, mas, na verdade, estava bem atento aos dois ao lado e ao próprio namorado.
— Eu sabia que era dos meus, Golfinho! — Tenten praticamente gritou, atraindo a atenção de todos, incluindo alguns jogadores. — E a do Kakashi? Como é?
— Não sei — respondeu com simplicidade.
— Como não? — A garota parecia inconformada com aquela informação.
— Não sabendo, ué.
— Vocês nunca…
Iruka nem precisou responder; bastou a garota vê-lo desviar o olhar e ficar vermelho — era o suficiente para saber que nunca haviam passado dos beijos.
— Não acredito! Você era minha chance de saber se é tão durinha e perfeita como a do Yama…
— Ah, fique quieta, não quero saber dos detalhes íntimos da relação entre você e meu irmão. E se quer tanto saber, vai lá e descubra por conta própria.
— Sério?
— Como se você tivesse a cara de pau de ir e dar um tapa na bunda de cada um dos jogadores. Eu duvido!
Iruka não deveria ter provocado a amiga e soube disso quando encarou aquelas orbes castanhas que brilhavam como diamantes.
— O que eu ganho com isso?
— Oi?
— O que eu ganho se ir lá e dar um belo tapa em cada traseiro gostoso dos jogadores?
— Já aviso para deixar Neji fora disso. — A voz de Shikamaru foi ouvida e não estava sonolenta como de costume.
— Cale a boca, bicho-preguiça, sem ciúmes do namoradinho… Então, Irukinha, o que eu ganho?
— Vou me arrepender disso, mas o que você quer?
— Ver a espada do seu pai?
— Como é?
— Ei, calma aí! Recém começou a namorar aquele pervertido e já está com a mente poluída? Eu hein! Tô falando das katanas.
— Nunca vou entender seu fascínio por esse tipo de coisa. E sem chance, o senhor Madara me mata se mexer em suas amadas espadas.
— Ah, Ruka! Por favorzinho! Prometo não tocar, só quero ver, especialmente aquela Muramasa, que tem fama de ser amaldiçoada e ter sede de sangue.
— Não prometo nada, mas falarei com ele, ok? E só faço isso se for agora, no meio do treino. Enfrentar o tio Tobirama, atrapalhar o treino e realizar esse seu desejo de estapear o bumbum dos jogadores.
— Estou começando a achar que queria estar no meu lugar, Iru. Fechado! Aqui, pode filmar. Quero guardar para a posteridade — afirmou Tenten, entregando seu celular ao amigo.
— Ou usarei para fazer sua homenagem póstuma — provocou o Senju.
— Vire essa boca para lá!
— Vá logo, Panda, chega de enrolar. Mostre toda sua coragem.
— Só pela ousadia, vou começar pelo Hatake!
Tenten ficou de pé rapidamente, muito mais animada que o ideal, pulando os degraus da arquibancada e dirigindo-se para a entrada da quadra.
No local, Kakashi observava os amigos e sabia que aqueles dois estavam aprontando alguma, ainda mais ao ver a garota de coques sair quase correndo e entrar sorrateira. Aproximou-se do capitão do time e tocou em seu ombro, chamando sua atenção.
— Cap, tua namorada vai aprontar alguma e sinto que vai sobrar para todo mundo — informou Kakashi, apontando para a garota que entrava o mais silenciosamente que podia e se aproximava dos jogadores.
— Por Deus, o que ela vai aprontar agora? Se bem que eu espero tudo dessa criatura que escolhi como namorada.
TenTen sentia os olhos do namorado sobre si e sabia que suas ações teriam consequências mais tarde. Ignorou o formigamento em seu corpo ao pensar nelas e aproximou-se do seu primeiro alvo. Sem demora, parou atrás do Hatake, que a olhava de esguelha; abriu bem a mão e, sem aviso, estalou um tapa na bunda de Kakashi, fazendo-o saltar e se afastar, levando a mão ao local, sentindo arder.
— ‘Tá doida, garota? — bradou Kakashi, ficando corado.
— Irukinha, é durinha! — gritou sem receio, deixando tanto o Hatake quanto o amigo completamente vermelhos.
Ainda tinha onze alvos e pouco tempo para cumprir sua missão.
“Eu esperava tudo, menos isso. Ah, Tenten, você me paga”, pensava Yamato, ainda chocado com a ousadia da jovem.
O próximo foi Ibiki, que nem teve tempo de processar o acontecimento; apenas sentiu o impacto e a ardência.
— Porra! Deveria saber que todas as jogadoras de Handebol têm a mão pesada — reclamou, afinal, namorava com Anko, companheira de equipe da Tenten, e sabia como elas podiam ser fortes ao bater.
Lee foi o próximo.
— Que merda, Tenten! Gaara vai me matar, sua peste! — choramingou o rapaz, imaginando a marca que ficara no lugar.
Os seguintes foram Gai e Baki, em que ela usou uma mão para cada um, deixando-os completamente sem reação, ainda mais pelas palavras dela em seguida.
— Aproveitem bem essas bundas.
Raidou até tentou impedir que o namorado se tornasse um alvo, sem sucesso.
— É muito melhor do que apenas ver. — Virou-se então para Raidou, que deu alguns passos para trás, mas não conseguiu impedir o golpe.
— Yamato, segura tua mulher! — gritou o jogador, e o capitão apenas deu de ombros. Seria inútil tentar impedi-la; só se a levasse à força para fora, e ganharia uma bronca de Tobirama se o fizesse.
Tenten olhou para seu próximo alvo e fez uma cara de nojo, mas, como tinha que ser todos, teria que fazer aquilo até com seu amado irmão, que já a encarava ameaçador.
— Não ouse! — Aviso inútil. — Desgraça! Vou te oferecer para Jashin, sua demônia!
— Mas que algazarra é essa? — Tobirama parecia finalmente perceber a bagunça em que havia se transformado seu treino. Rodou os olhos em busca da origem do caos e encontrou a garota de cabelos presos em coques.
— Tenten! Saia daqui, está atrapalhando o treino.
— Já vou treinador, faltam só três.
— Agora!
— Oh, treinador, me deixa terminar ou sobra pro senhor também! — ameaçou, correndo atrás de Kabuto.
O olhar do albino para Yamato o fez suspirar: teria repreensão em dobro, do treinador, tio e, claro, dos pais, como se tivesse malditos 15 anos outra vez. Tenten iria se arrepender daquela brincadeira.
Neji e Asuma não ficaram de fora; o último quase revidou, mas, como boa jogadora que era, esquivou-se com facilidade, deixando o Sarutobi com apenas o ar em suas mãos.
A garota havia deixado o namorado por último; sentia o olhar incrédulo e quase furioso dele sobre si, mas não recuaria, iria até o fim.
Ela parou de frente para ele, que tinha os braços cruzados e o olhar sério. Era lindo daquela forma. Queria tanto beijá-lo naquele momento. Não tinha muito tempo, por isso o abraçou, levando as duas mãos para as costas de Yamato, prendendo-as ali para não ter a chance de ser afastada — não sem usar a força pelo menos.
— Tenten, não.
— Yammy-boy… — Usou o apelido pelo qual o chamava apenas quando estavam sozinhos.
Por sorte, falou tão baixo que somente ele escutou. Não resistiu e colou sua boca na dele e aproveitou para usar ambas as mãos para bater e apertar fortemente a bunda do amado.
Antes que ouvisse alguma reclamação do treinador, além dos gritos dos colegas do time, Tenten se afastou, satisfeita pela tarefa cumprida.
Após conseguir dar um tapa em cada um dos doze jogadores, a Mitsashi finalmente se dirigiu à saída e, numa ousadia que já era de se esperar, apertou a bunda do treinador e saiu correndo, gritando:
— ‘Tá velho, mas ainda ‘tá em forma! — Se o homem ficou vermelho e os jogadores caíram na gargalhada, Tenten nem percebeu, pois estava fora do ginásio, arrastando o amigo consigo.
— Você é completamente maluca, garota! — acusou Iruka entre risadas. — Ainda bem que o Obi e o Kakuzu não jogam vôlei… Por Deus, tu pegaria na bunda de toda a minha família.
— Eu sei, e olha, não me arrependo! Que bundas! Iru, tem que pegar na do teu namorado! E outra, não tenho culpa se tua família tem bons genes para glúteos.
— Não posso discordar… e deveria me sentir ofendido e com ciúmes por ter pego na bunda dele antes de mim, mas não estou. Só porque é você, Pandinha.
A dupla saiu rindo, mal sabendo que alguém planejava sua vingança — e seria deliciosamente dolorosa.
☬☬
O dia havia finalmente terminado e Iruka e Tenten caminhavam em direção à saída. Como tiveram treinamento também, naquele horário a faculdade estava vazia. O assunto durante o resto do dia, em todo o campus, foi a atitude da Mitsashi: todos queriam saber sobre as bundas dos jogadores.
Iruka, que caminhava com calma ao lado de Tenten, sentia que a amiga parecia com mais pressa que o normal.
— Fugindo de alguém? — provocou o nadador, vendo de canto de olho o irmão se aproximando, com passos pesados e olhar assustadoramente sério e focado.
Ao chegar perto dos dois, Yamato não falou nada, nem cumprimentou o irmão. Pegou a namorada pelas pernas e jogou-a no ombro sem delicadeza, fazendo-a gritar assustada com o ato. Sem aviso, estalou um tapa na bunda de Tenten, que gritou ainda mais alto, sentindo a pele arder, já que o shorts que usava deixava boa parte das pernas à mostra — e um pouco além. Jamais admitiria que gostou.
— Você não gostou de dar tapas na bunda de todos os meus colegas de time hoje? E em mim? Além do treinador? Estou apenas retribuindo. Apenas esse terá plateia, os próximos não — declarou rente ao ouvido dela, vendo-a estremecer.
— Iru, me salva… isso é culpa sua! — acusou de brincadeira o amigo.
— Minha? Eu sou inocente!
— Inocente? Tudo isso foi porque você queria pegar na bunda do Kakashi, mas não tem coragem!
Iruka daria ele mesmo um tapa na amiga, mas foi surpreendido por um braço o segurando pela cintura, colando seu corpo junto ao outro — e sabia a quem pertencia: Kakashi, seu namorado.
— Então, quer pegar na minha bunda? — Kakashi quis saber, colando seu corpo ainda mais ao do menor.
— Não… — mentiu descaradamente, não querendo encarar o Hatake.
— Uma pena, eu deixaria. Até mesmo em outros lugares… — Virou Iruka para si, para poder encarar a face ruborizada, a boca extremamente beijável; adorava cada detalhe do namorado.
O nadador sentia que podia desmaiar toda vez que Kakashi o encarava daquela forma, como se o despisse e o deixasse completamente exposto, vulnerável.
O mais velho sabia disso e mentiria se dissesse que não gostava de ver aquelas reações do mais novo. Ansiava sempre por ver mais, muito mais. E esperaria o tempo que fosse para vê-lo — tê-lo — por completo.
O casal foi tirado do seu mundinho ao ouvirem Tenten gritar outra vez, dessa vez de raiva, pois, ao que parecia, havia recebido um tapa do irmão como vingança. Ao olhar a cena, só puderam rir.
