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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2026-01-11
Updated:
2026-04-26
Words:
61,341
Chapters:
19/?
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15
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43
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644

De volta para Berk

Summary:

- Eu vi Stoico na semana passada.
Camicazi poderia não ser a melhor pessoa para ler o comportamento de alguém, porém ela percebeu como Soluço enrijeceu o seu corpo:
- É mesmo?
- Sim. Fui junto com a minha mãe para Berk. Algo sobre um acordo comercial sobre alguma coisa.
- Sobre alguma coisa? Que bela herdeira. – ele disse zombando dela.
Como se ele que fugiu de Berk tivesse algum tipo de moral para falar sobre o comportamento dela como herdeira:
- Stoico está bem desesperado. – ele se virou para ela, com um olhar confuso estampado no rosto.
- Meu pai desesperado? Stoico?
- Sim. Stoico. – ela suspirou – Berk está na mira da Drago.

---

Soluço nunca desejou a chefia e sempre teve sede por conhecimento. Banguela o deu assas para conquistar tudo o que sempre desejou. Quando fugiu de Berk ele nunca pensou que acabaria envolvido uma guerra de caçadores, e que essa guerra o faria voltar para Berk, mais de cinco anos depois.

Não como Soluço, mas como a lenda viva do Mestre Dragão, o responsável por acabar com os ataques nas ilhas do arquipélago.

(Estou escrevendo isso em inglês também)

Notes:

Senti vontade de voltar a escrever depois de muitos anos e isso está saindo.

O primeiro capítulo está mais curto, mas os seguintes vão ficar maiores.

Aproveitem e comentem.

(Talvez o título mude, sou muito ruim em colocar títulos)

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Capítulo 1

Notes:

Olá! Esta é a minha primeira fic no ao3! Estou publicando em inglês também.

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

- Eu vi Stoico na semana passada.

Camicazi poderia não ser a melhor pessoa para ler o comportamento de alguém. Isso a dava trabalho demais para pensar, porém a forma como Soluço enrijeceu o seu corpo foi tão óbvia que até mesmo ela percebeu.

- É mesmo? – ele disse depois de coçar a garganta e voltou a mexer no... no que quer estivesse mexendo.

- Sim. Fui junto com a minha mãe para Berk. Algo sobre um acordo comercial sobre alguma coisa.

- Sobre alguma coisa? Que bela herdeira. – ele suspirou uma risada, zombando dela.

Como se ele que literalmente fugiu de Berk, renegando ao seu posto de herdeiro, tivesse algum tipo de moral para falar sobre o comportamento dela como herdeira:

- Stoico está bem desesperado.

Com isso ela conseguiu prender a atenção dele de verdade. Ele até mesmo se virou para ela, com um olhar confuso estampado no rosto.

- Meu pai desesperado? Stoico?

- Sim. Stoico, a pessoa mais eStoicoa está desesperada. – ela suspirou – Berk está na mira da Drago.

- Berk na mira de Drago? Mas por quê? – ela levantou os ombros, demonstrando que não sabia a resposta – Berk não tem o tipo de coisa que faz Drago querer tomar a ilha. Não fica num local estrategicamente bom para capturar dragões, não tem reservas de ouro, eles não têm mais dragões no anel da morte desde que eu os tirei de lá. Por que Berk?

- Stoico acha que é porque ele sobreviveu a um ataque de Drago com vários chefes de ilhas, muitos anos atrás. Antes mesmo da gente nascer... Mas Soluço, existe a chance de Drago saber quem você é?

- De jeito nenhum. Eu usei um nome falso desde que saí de lá, apenas pessoas próximas a mim sabem quem eu sou. Ninguém me trairia, e além disso, eu não sou nada parecido com o meu pai, ninguém deve nem desconfiar disso.

Isso fez Camicazi erguer uma sobrancelha. Nada parecido com o pai dele? Sério?

- Não seja idiota. Cinco minutos com você numa sala e qualquer um que conheça Stoico minimamente bem ao menos desconfia que vocês dois são parentes. Você olha para as pessoas exatamente do mesmo jeito, e não vamos esquecer da sua teimosia. E por mais que você se recuse a ver ou talvez tenha se esquecido da aparência dele, ou talvez você apenas não se olhe o suficiente no espelho, vocês dois são parecidos pra caramba.

- Você está passando mal por acaso?

Soluço, assim como qualquer criança recém-nascida, desenvolveu tarde. Seus hábitos sedentários e seu esquecimento por comer não o ajudaram em nada, claro, porém ele mudou muito nos últimos anos. Ele foi obrigado a aprender a lutar para sobreviver, não podia depender de Banguela sempre, e com uma vida mais aventureira ele começou a sentir mais fome.

Por conta dos genes de sua mãe, Soluço não tinha a estrutura do seu pai, mas ele estava muito longe mesmo de ser o mesmo garoto magricela do que ele era. Ele estava dentro da estrutura média de um viking, e tinha uma altura superior a maioria. Stoico era grande em todos os sentidos, não era por nada que ele era chamado de Stoico, o Vasto.

- Não seja idiota e parece de tentar mudar o foco. O que você vai fazer?

- O que eu poderia fazer? Não posso voltar para Berk. – ele disse levantando os braços

- Soluço, seu pai sente a sua falta.

- E se eu voltar para Berk terei não apenas que explicar onde estive por mais de cinco anos, como assumir o cargo de herdeiro. Eu já te falei Cami, Banguela me deu as assas que eu precisava para ir embora, a confiança que eu precisava, mas o motivo principal por eu não ter ao menos cogitado ficar, foi por causa disso. – ele disse gesticulando para o grande dragão negro, que aproveitava o momento para tirar uma soneca.

- Vai deixar Berk morrer por que está com medo? Nunca vi ser medroso como uma característica sua, Soluço.

- Não vai me fazer mudar de ideia tentando me ofender, sabe que esse tipo de jogo não funciona comigo.

Isso rendeu a ela um suspiro irritado. Esse idiota! Isso era uma das características dele que o faziam ser um bom aliado, mas uma péssima pessoa para que ela dobrasse a seu favor. Soluço era observador, e passava uma quantidade ridícula de tempo analisando tudo a sua volta. Era difícil mentir para ele, e ainda mais enganá-lo.

O mundo cruel o moldou muito bem.

- Não posso voltar lá Cami.

- Stoico escreveu uma carta. – ele a olhou em silêncio, observando ela tirar uma carta no bolso da saia – Uma carta para o Mestre Dragão.

- Cami... O que foi que você disse para eles? – ele estava furioso, e então começou a levantar a voz – Eu confiei que você nunca ia...

- Eles não sabem que é você! – ela gritou o interrompendo, e logo baixou o tom de voz para voltar a falar, quando viu que ele parou para escutar – Eu disse que os Bog-Burglars recebem comerciantes de áreas diferentes, e que alguns deles já relataram terem visto o Mestre Dragão e que poderiam entrar em contato com ele. Então Stoico escreveu uma carta.

Ela percebeu os olhos dele se demorando na carta lacrada com o selo de Berk em sua mão, mas ele não se aproximou.

Teimoso, igualzinho ao pai dele.

- Berk tem bons guerreiros. – ele disse se virou novamente, fingindo voltar sua atenção para a forja.

- Mas Drago tem dragões sobre o comando dele. Muito mais dragões do que Berk já teve que aguentar num só ataque... A ilha está cheia de crianças, Soluço, as pessoas pararam de morrer tanto depois que os ataques pararam... Depois que -você- fez os ataques pararem, e a paz o fez se sentirem confortáveis para construir famílias maiores... Ao menos... Leia a carta que seu pai enviou para você, e pense sobre isso.

Camicazi deixou a carta em cima do balcão e se virou para sair de forma lenta.

Soluço era uma boa pessoa. Bom demais para negar ajuda, principalmente para a ilha que ele nasceu.

De herdeiro detestado, para uma lenda viva.

Soluço Horrendo Haddock Terceiro foi um menino que nasceu cedo. Considerado o pior viking por toda Berk, nunca desejou sentar-se na cadeira de chefe. Stoico o protegeu demais, não quis realmente prepará-lo para a vida, tinha muito medo de perder a única coisa que restava de sua amada esposa, levada e morta por dragões.

Stoico equilibrava ser pai, dono de casa e chefe; e um homem não pode fazer três grandes tarefas bem. Como toda a aldeia dependia da chefia dele, acabou deixando a casa e o filho de lado, esquecendo que entre os deveres de ser chefe, estava criar o próximo chefe para depois de sua morte a ilha prosperar.

Para o seu azar, Soluço nunca desejou mandar em nada. Ninguém da ilha o respeitava. No geral as pessoas acreditam que ao menos ele ser inteligente o salvariam, e que ele poderia arranjar uma esposa que fosse boa nas artes da guerra um dia.

Equilibraria bem, e resolveria o problema da futura chefia.

Mas tudo caiu por água abaixo quando, logo após superar todas as expectativas de toda aldeia ganhando a honra de matar um dragão, o herdeiro desapareceu.

Stoico não sabia dizer se alguma roupa ou algo do quarto dele tinha sumido, afinal ele nunca estava em casa, mas ele sabia que nenhum barco de propriedade de Berk tinha deixado o cais. Não existia rastros em lugar nenhum, e os pobres comerciantes que estavam na ilha quase foram mortos; afinal, eles que eram o povo de fora, eles que eram os suspeitos do desaparecimento do único herdeiro de Berk.

Soluço podia não saber, já que preferia se manter ignorante dos infortúnios causados pelo seu desaparecimento, mas Camicazi sabia que apesar de Berk ter crescido e estar prosperando, a falta de um herdeiro os deixou de certa forma vulneráveis. Chefes de outras ilhas ficavam receosos de fazer acordos com a ilha, e os moradores da aldeia se sentiam instáveis.

O que seria deles se Stoico morresse? Quem assumiria seu lugar? Foi apenas a lealdade com suas raízes e história que os impediu de irem embora.

- O que ele disse?

A voz fez Camicazi se virar e olhar para Heather. Ela estava preocupada. Os Berserkers já foram atacados pelos caçadores, mas isso foi logo após Viggo morrer, antes deles saberem da existência de Drago. Na época ainda acreditavam que matar o comerciante Johann os traria paz. Eles tolos e ignorantes; Johann e seus comparsas não eram nada. Viggo era um homem inteligente, um incrível estrategista e tinha muito dinheiro, mas o foco dele sempre foi ganhar dinheiro. O foco de Drago era o controle e a crueldade:

- Ele não quer ir para Berk.

- Essa parte eu já sei. Quero saber se conseguiu convencer ele.

- Em uma só conversa? Jamais. – ela suspirou – Talvez ele mude de ideia depois de ler a carta do pai dele.

- O que vamos fazer? Já conversei com a Dagur, ele disse que que os Berserkers devem se unir. Acho que unidos podemos acabar com Drago de uma vez por todas. Mala a Atali podem ajudar também.

- Eu também acho, mas aquele idiota...

- Não precisam conversar escondidas de mim. Sempre dei liberdade para que falassem tudo o que sentem para mim. – Soluço disse se aproximando delas.

- Não estamos conversando pelas suas costas. Queria te dar tempo para pensar, sei que Berk é um assunto delicado para você... Inclusive, isso foi muito rápido... Você já se decidiu?

- Eu estou pensando sobre isso. E como Heather disse, talvez unidos tenhamos chances... Vamos ser sinceros, nós somos poucos. Drago usa força bruta, espalha destruição, é muito diferente de Viggo, só vamos conseguir vencer se usarmos força, e não temos isso. Talvez unindo Berk, os Berserkers, os Defensores da Asa e Tribo Alada tenhamos chance... Mas também preciso pensar que temos chance de seremos unidos, atraídos todos para um só lugar, e sermos todos mortos de uma só vez. Já pararam para pensar que ele sabe quem eu sou e que esse é o objetivo dele? Me atrair com meus aliados para acabar com tudo?

Isso as fez ficar em silêncio. Soluço sempre tinha uma engrenagem girando dentro da cabeça, ele nunca tomava uma decisão sem pensar em todas as consequências. Ele aprendeu isso com Viggo, quando era jovem demais para ter que saber liderar uma guerra.

E ele estava certo.

Unir forças talvez os fizessem poder vencer Drago, mas talvez isso os destruísse de vez.

- Eu não sou tolo. Sei que a Bertha não vai querer colocar os Bog-Burglars nisso, então eles já são um aliado a menos. E não estou com raiva da sua mãe por isso Cami, mas você sabe que é verdade. Ela prefere ficar na ilha a deixar desprotegida, além disso, dependendo por onde Drago vem eles estão no caminho para Berk; podem serem atacados antes deles irem para lá.

- Ah, vamos, você conhece Drago. Ele gosta de apreciar o medo. Se fosse passar lá antes de ir para Berk já teríamos recebido uma carta ou algo do tipo. Ele gosta de saber que é esperado mas que ninguém tem ideia de quando isso vai acontecer. – disse Heather.

- O que dizia na carta? Eu não li. – ela disse gesticulando para a carta aberta.

Soluço ficou em silêncio por alguns segundos antes de responder.

- Quase um clamor de desespero.

- Droga...

 

“Caro Mestre Dragão,

As histórias de seus feitos ultrapassaram todo o arquipélago ao longo dos anos, e aproveito a oportunidade para agradecer por colocar um fim nos ataques que atormentaram a nossa ilha, assim como muitas outras, por gerações.

Apesar de não sermos adeptos e nem admiradores do seu estilo de vida, compreendemos que talvez seja a nossa única esperança para nos mantermos vivos. Drago, Sangue Bravo, está ameaçando nossas terras faz algumas semanas. Estamos enferrujados em lutar contra dragões, existem crianças aqui que nunca presenciaram um ataque na vida.

Um chefe precisa acreditar na capacidade do seu povo, mas também precisa entender suas limitações. Estamos condenados se não obtivermos ajuda, e não sei nem por onde começar.

Daremos um jeito de satisfazer tudo o que desejar, então imploro que nos ajude.

Stoico Haddock, chefe de Berk.”

Notes:

Pretendo atualizar isso uma ou duas vezes na semana.

Soluço para mim está como nas artes de @itssanlee no twitter. Nunca vi muito sentido em como ser filho de Stoico + trabalho na forja + treinar dragões deixou Soluço tão magro kkk

Ele seria isso

Artista oficial da fic: bb_bratzbr no Twitter e no Instagram

É a primeira vez que posto no Ao3, e estou um pouco confusa com a configuração, então se algo estiver estranho me avisem.