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TRÊS SEMANAS APÓS A “ANUNCIAÇÃO”
APARTAMENTO DE DANA SCULLY
GEORGETOWN, VIRGÍNIA
SEXTA-FEIRA, 6 DE NOVEMBRO DE 1998 – 19H05
O som do chuveiro ecoava pelo apartamento silencioso.
Sentado na beira da cama, Mulder esperava. Fosse pela chegada do fim de semana – voltaram do Santuário como um casal, mas ali, em suas vidas ditas normais, durante a semana era cada um em sua casa – ou pelo fato de que mais uma semana havia se passado, algo o fazia querer resolver de uma vez aquela dúvida.
Porque definitivamente algo estava errado.
Ele sentia isso há algumas semanas já, mas ficou mais evidente depois que viajaram de volta à Grécia no mês anterior.
Foi uma viagem bonita, a primeira deles como casal, inclusive. Foi como uma lua de mel retroativa, porém... bom, participaram de uma cerimônia lindíssima oferecida por Saori e Saga, passaram alguns dias naquele lugar que conseguia, ao mesmo tempo, formar guerreiros reais e ser de uma exuberância paradisíaca, mas o elemento principal de uma viagem de lua de mel não aconteceu em nenhum momento.
E se Scully já parecia diferente antes disso, quando voltaram é que ele percebeu ainda mais o tamanho da mudança nela.
Parecia carregar algo sozinha, e por decisão própria, o que era ainda pior.
Porque ele não era cego. Desde antes da viagem, mas muito mais agora, estava tudo ali: uma certa palidez em alguns momentos, o modo como ela se virava de lado ao passar por ele, ou como vinha usando mais camadas de roupa, mesmo não estando frio o suficiente pra isso.
E os abraços? Duravam cada vez menos, e ela se encolhia quase que imperceptivelmente sempre que ele se aproximava demais.
Claro que eles ainda compartilhavam as mesmas conversas, as mesmas risadas, os mesmos toques... bom, esses sim, iam só até um certo ponto.
Porque era esse o fato mais evidente. Ultimamente eles estavam fisicamente afastados. Não por falta de vontade, mas toda vez que as coisas poderiam ir além, ela encontrava um motivo para adiar. Ora era cansaço, ou um copo d’água que precisava ser pego, ou um 'depois' que nunca chegava...
Aquilo não combinava com o momento do relacionamento deles. Haviam acabado de completar cinco meses juntos. E ainda que fosse mais tempo... não era normal essa situação.
Mulder não era tão desatento assim, mas talvez estivesse sendo um covarde. Talvez estivesse mesmo evitando perguntar.
Talvez tivesse medo da resposta.
Mas naquela noite ele decidiu que não ia mais fingir que não via.
O som do chuveiro parou.
Minutos depois, Scully apareceu no quarto, envolta no robe de algodão azul que ela sempre usava.
Mulder observava cada pequeno detalhe.
Os cabelos úmidos, o jeito como ela mantinha o robe firmemente fechado ao redor do corpo.
O jeito como não o olhava nos olhos.
E então, ele simplesmente a chamou:
"Scully."
Ela parou, sentindo o estômago afundar. Sabia bem, ele só chamava assim desse jeito quando já tinha as respostas que procurava, era uma característica inata. Fechou os olhos por um instante, sentindo o ar faltar nos pulmões.
O tempo que ela vinha ganhando pouco a pouco... acabou.
Mulder se levantou. Aproximou-se devagar, tentando ao máximo não parecer opressor, ela já parecia suficientemente intimidada. Quando chegou perto o suficiente, tentou começar a conversa do jeito mais calmo possível.
"Tem algo que você precisa me contar."
Scully apertou o tecido do robe com um pouco mais de força, sem perceber.
Sentiu que era isso, não conseguiria mais fugir. Seu coração batia freneticamente, tão alto que ela podia jurar que até Mulder ouvia.
Era agora.
Mas não conseguiria dizer, não com palavras. Então respirou fundo, buscando coragem, e soltou o nó que prendia o robe.
O tecido deslizou pelos ombros e caiu suavemente no chão.
O tempo desacelerou ao redor deles, naquele quarto.
Mulder finalmente pôde vê-la inteira como não via há semanas. Com o pouco que a roupa íntima cobria, lá estava: a curva suave e inconfundível de um ventre de 17 semanas, que já não podia mais ser escondido.
Scully estava grávida. Não era mais suposição, era real.
Mulder sentiu o chão sumir.
Por um momento, não conseguiu respirar. Não conseguiu falar, só olhar para ela e perceber o brilho de medo nos olhos azuis já marejados.
Até que a pergunta mais estúpida possível simplesmente saiu antes que ele pudesse impedir.
"É meu?"
O coração de Scully falhou várias batidas. A expressão dela endureceu, aquelas palavras a atingiram como um tapa na cara.
Não que não fosse uma pergunta justa. Até era.
Mas ainda assim, doeu.
Mesmo ela sabendo que Mulder não perguntou aquilo por crueldade. Até porque ele sabia bem da situação dela quando começaram a relação, que ela vinha de outro alguém. Que o tempo entre um e outro foi curto demais, e a decisão de ficarem juntos não foi tomada com calma, mas com amor, febre e fé.
Mesmo assim... agora havia uma consequência. Mas aquela pergunta dele só podia ser reflexo do que ela também enfrentava todos os dias desde que confirmou aquela gravidez.
A incerteza.
O fato de que, pelo menos por um tempo, não teriam aquela resposta.
Mas ele ainda a olhava, muito sério. Esperando.
Ela desviou o olhar, e engoliu seco.
"Eu não sei."
O silêncio caiu.
Mulder não desmoronou, não gritou. Não fez nada além de ficar parado, olhando para ela, tentando processar algo que não tinha como ser processado.
E então, ele passou a mão pelos cabelos, respirando fundo.
"Scully... por que você não me contou antes?"
A voz dele saiu baixa.
Ela fechou os olhos, sentindo a dor latente atrás das pálpebras.
"Não sei... tive medo."
Mulder assentiu, não com raiva, nem irritado, apenas… triste.
Ele baixou os olhos, tentando tomar cuidado com o que iria dizer ou fazer, mas no fim não conseguiria dizer nada de bom.
Não havia uma boa forma de ele agir agora. Esperava que, com a revelação, aquela angústia se resolveria. Mas não foi isso que aconteceu. Agora tudo tinha ficado pior dentro dele. Se sentia mal, e não queria despejar sobre ela o que nem ele mesmo conseguia nomear.
"Eu... preciso de um tempo."
Scully sentiu o peito apertar.
"Mulder-"
"Eu amo você." Ele olhou bem dentro dos olhos dela. "Isso não muda."
Scully não segurou mais as lágrimas que vinham, ali estava o motivo do segredo.
Mulder balançou a cabeça devagar. Não dava, não tinha como.
"Eu realmente preciso de um tempo."
Ele olhou para ela, como se quisesse guardar aquele momento antes de partir. E então, pegou o casaco e saiu.
A porta se fechou suavemente atrás dele e Scully ficou ali, sozinha.
Exatamente como temia.
xXx
UMA SEMANA DEPOIS
SANTUÁRIO – HELIPONTO
ATENAS, GRÉCIA
SÁBADO, 14 DE NOVEMBRO DE 1998 – 23H18
O helicóptero tocou o solo suavemente, e a vibração das hélices foi diminuindo aos poucos. O ar fresco da noite envolveu Scully assim que a porta se abriu. A primeira coisa que notou foi o céu límpido e estrelado. Não havia luzes artificiais interferindo na visão. O Santuário sempre pareceu existir em um tempo diferente, fora da civilização comum.
E lá estava ele, sozinho, esperando por ela.
Kanon.
A visão dele a atingiu de um jeito que não esperava.
Mesmo à distância ele irradiava uma presença quente e imponente, mas havia algo mais ali, algo que fez seu peito apertar. Ele parecia diferente. Mais calmo. Mais... sereno.
Como se algo dentro dele tivesse finalmente encontrado seu lugar.
Bem diferente da última vez em que se despediram, meses atrás, quando ela e Mulder foram devolvidos às suas vidas normais, depois do verdadeiro caos que viveram desde o Polo Sul até ali.
Scully nunca esqueceu o sorriso profissional que parecia permanentemente fixado no rosto do cavaleiro, naqueles poucos dias que ele levou para regularizar a situação deles, de volta aos Estados Unidos. Para ela, que já tinha estado com o Kanon verdadeiro, aquela calma ensaiada chegava a ser dolorosa.
Os olhos verdes se fixaram nela no mesmo instante em que desceu do helicóptero. Ele a observou atentamente, e por um segundo, tudo ao redor desapareceu.
Não havia pressa nem tensão.
Então ele atravessou a distância em poucos passos e, antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, envolveu-a em um abraço firme.
Scully não hesitou, seu corpo cedeu no mesmo instante. Ela afundou no peito dele, sentindo o calor de sua pele, o cheiro amadeirado, doce e familiar. Pela primeira vez em semanas seu corpo relaxou completamente.
Não sabia que estava precisando tanto disso.
"Você veio mesmo," ele murmurou contra os cabelos dela. A voz era baixa, carregada, mas havia um sorriso ali, dava para perceber.
Como é que aquele homem tão cheio de certezas, que atendeu a ligação dela uma semana atrás e simplesmente arranjou tudo sem perguntas, podia duvidar que ela viria?
Scully sentiu um nó na garganta e o peso de uma responsabilidade que ainda não conseguia definir.
Percebendo o silencio dela, Kanon afastou-se apenas o suficiente para olhá-la nos olhos.
"Você não precisa justificar nada, ok?"
Aquelas palavras a desmontaram um pouco mais.
Kanon então a segurou pelos ombros, avaliando-a como se quisesse memorizar cada detalhe.
"Você tá bem?"
A preocupação genuína no tom dele a fez desviar o olhar por um breve segundo.
"Estou..." Ela hesitou. "Agora estou."
Kanon assentiu devagar, como se entendesse exatamente o que isso significava. Então, sem avisar, ele deslizou um braço ao redor da cintura dela e, num movimento fluido, os dois praticamente desapareceram.
Quando Scully piscou, já estavam em frente ao Templo de Gêmeos.
Ela olhou ao redor, ainda sentindo a adrenalina por terem se movido tão rápido. Kanon praticamente teletransportou os dois, e a velocidade a deixou momentaneamente tonta.
"Isso é novo," murmurou, tentando recuperar o equilíbrio.
Kanon abriu um meio sorriso.
"Não vou te fazer andar no seu estado."
Ela percebeu, então, que ele já sabia. E já a estava cuidando, do jeito dele. A ideia a fez sorrir levemente, mas não comentou.
O Templo de Gêmeos estava diferente. Embora ainda carregasse aquela aura enigmática e um pouco intimidadora, havia algo de mais acolhedor ali agora.
Antes que ela pudesse analisar melhor, Kanon a guiou para dentro.
O caminho os levou até uma construção menor, anexa ao templo, onde antes nada existia.
Era uma morada. Uma casa.
Simples, mas bem planejada. Parecia uma fusão do estilo clássico do Santuário com algo mais humano.
"Desde quando você tem uma casa aqui?" Scully perguntou, curiosa.
Kanon abriu a porta e fez com que ela entrasse.
"Desde que meu irmão parou de acumular funções e finalmente entendeu que tem muito mais responsabilidades na Décima Terceira Casa."
Sorriu, ali estava uma notícia que ele sempre dava com muito gosto.
"Então... Saga e Saori se casaram oficialmente há duas semanas. Gêmeos agora é responsabilidade minha."
Scully piscou. Ela não esperava isso.
"Então você deixou o chalé do cabo?"
Kanon apenas deu de ombros. "Sou o guardião desse templo agora, então preciso viver aqui." Pausou como se escolhesse as palavras, “Além disso, é sempre bom ter onde receber os nossos, não é?”
O subtexto ficou no ar. Ele tinha motivos para estar ali agora.
A casa era simples por dentro, mas o suficiente para Kanon. Uma lareira acesa mantinha o ambiente quente, e a iluminação era suave. A disposição dos móveis a fez lembrar do chalé de Shura.
Scully não sabia por que, mas aquilo a afetou de um jeito estranho. Como se aquele lugar tivesse sido feito para recebê-la.
– Ele planejou isso...
Kanon caminhou até a pequena cozinha e voltou com dois refrigerantes. Ofereceu um para ela.
"Queria oferecer vinho, mas vai ficar pro futuro," ele comentou com um brilho no olhar. "Nada de álcool, certo?"
Ela revirou os olhos.
"Muito engraçado."
Ele riu baixo.
Ela sentou-se no sofá ao lado da lareira.
Kanon a observou primeiro, tinha aquele olhar curioso e apreciativo desde que chegaram. Se aproximou e sentou-se ao lado dela.
A intensidade no olhar dele fez com que ela se esquecesse, por um instante, de tudo que a trouxe ali.
"Você tá bem... mesmo?" Ele perguntou de novo, agora mais atento.
Scully sentiu o peito apertar. Era óbvio que ele estava perguntando sobre tudo.
Sobre o bebê. Sobre Mulder. Sobre ela.
Ela respirou fundo.
"Bom, você sabe. Mulder precisou de um tempo."
A voz saiu mais firme do que ela esperava, o que já era uma vitória.
Kanon franziu o cenho levemente.
"Mas ele vai voltar."
Scully não respondeu nada imediatamente.
Kanon deixou a latinha sobre a mesa. Então estendeu a mão, com a calma de quem sabia que podia, e pousou-a sobre a curva sutil do ventre dela.
O toque foi tão natural que Scully nem pensou em afastá-lo. Ela apenas observou a mudança nele.
Kanon fechou os olhos por um instante. A qualquer um pareceria que ele estava apenas tentando sentir se o bebê se mexia, mas algo nela soube que aquilo era mais do que um toque. Era uma conexão sendo feita, em algum lugar onde as palavras não alcançavam.
A respiração dele ficou mais lenta.
Scully sentiu um arrepio quente e familiar.
E então, ele abriu os olhos.
Ela não se lembrava de ter visto aquela cor nos olhos dele antes. A intensidade, talvez, mas aquele tom de mar e vinho nas orbes normalmente verdes era novo. Diferente. Nunca tinha visto uma íris assim, mas aquilo não a deixou alarmada. Só achou muito bonito. E do mesmo jeito que veio, foi.
Kanon sorriu, pequeno, mas genuíno.
"Ele já tem seu próprio cosmo."
Scully piscou, sem entender.
"Como assim?"
Claro, aquilo ainda era difícil de conciliar. Mesmo depois de tudo que viveu ali meses antes. Mesmo depois de tudo que já tinha percebido no próprio Kanon.
Ele deslizou o polegar pela lateral do ventre dela, olhando fixamente.
Admirando.
“Demorei mais do que devia pra perceber”, ele murmurou, mais pra si mesmo do que pra ela.
“Acho que não consegui antes porque... bem, fiquei quase sem cosmo depois daquele incidente e... ah, não sei." Ele soltou uma pequena risada, “Acho que eu estava ocupado vigiando outra coisa... mais precisamente, a Décima Terceira Casa.”
Ele ergueu os olhos para ela.
"Quer que eu te confirme?”
Voltou a olhar para o ventre dela.
“Na festa mesmo eu percebi, mas de onde estava não tinha como saber melhor. Agora eu sei.”
O sorriso aumentou em tamanho e brilho.
“Ele é meu, Dana."
Scully prendeu a respiração. Kanon não estava dizendo isso como uma dúvida, estava afirmando.
Ela sentiu um nó na garganta.
"Você tem certeza?" Sua voz saiu mais baixa do que pretendia.
Kanon assentiu,
"Absoluta." Ele olhava fixamente para onde a mão a tocava, sobre o ventre. “Só não sei... minto, acho que sei, sim. Naquele dia que terminamos, eu te disse que você não estava grávida... e não havia nada mesmo, tenho certeza. Mas depois a gente-” corou quase imperceptivelmente, a lembrança veio em peso. “Bom, acho que foi ali.”
Scully desviou o olhar, tentando absorver aquilo.
Foi quando ele se lembrou de controlar pelo menos um pouco a própria emoção. Por um momento esqueceu que aquela poderia não ser a melhor notícia para ela.
“Me desculpa, isso deve estar sendo bem difícil pra você...” baixou o olhar momentaneamente, “Me empolguei, perdão.”
A voz dele veio mais suave agora.
"Quer me contar o que aconteceu?”
Scully balançou a cabeça, em negativo.
“Eu... não sei se consigo falar sobre isso. Ainda.”
Porque doía demais. E talvez ele não a entendesse direito. Ela não queria plantar discórdia, não agora, não entre ele e Mulder.
Ainda mais com o rumo que sua vida parecia estar tomando.
Kanon percebeu o peso na expressão dela. Queria respeitar o silêncio, mas também queria entender. Porque pra ele, independente do que aconteceu, não fazia sentido que ela estivesse passando por tudo aquilo sozinha, sendo que ela já tinha encontrado seu parceiro de vida. Por que não podia contar com ele agora?
Não queria acreditar que a origem daquela criança pudesse ser motivo para mudar uma coisa que estava escrita.
"Dana... esse tempo que Mulder te pediu. Não é pela questão da paternidade. Certo?"
Scully fechou os olhos.
" Não... acho que não é isso." Ela voltou o olhar para ele. "Mas também... nenhum de nós esperava por isso. Não posso simplesmente querer que o Mulder assimile uma coisa dessas. Ele precisou de um tempo, e eu entendo, eu...”
Kanon respirou fundo, mas não conseguiu segurar.
"Não... eu esperava mais maturidade dele."
Scully ergueu os olhos de imediato, pronta para defendê-lo, mas Kanon ergueu a mão antes que ela dissesse qualquer coisa.
"Calma, eu entendo o lado dele. Mas ainda assim... ele te ama. Te tem. Vocês... estava tudo certo. Era o que estava escrito.”
Scully baixou o olhar, não queria chorar, não agora.
Ele pegou uma das mãos dela, tocando as pontas dos dedos como se aquele gesto o ajudasse a manter os próprios sentimentos no lugar.
“Sabe, quando vi vocês na festa... achei que era a linha de chegada. Pareciam completos. Felizes. Pensei que ele já soubesse do bebê, que vocês estavam... bom, tranquilos com tudo. Como meu irmão e Saori, esperando a pequena deles.”
Agora foi ele quem baixou os olhos. Às vezes, aquelas lembranças o atingiam de um jeito que ele não conseguia prever. Mas se recompôs rápido, ela não precisava ver isso.
“Vi uma família ali. Vocês três. De verdade, eu entendo a reação dele, mas... ah, esquece. Já falei demais, desculpa, Ruiva.”
Ele ergueu a mão e, com delicadeza, tocou o rosto dela. Secou duas lágrimas ali, em silêncio.
Então, seguindo seu instinto mais básico, fez o que achou melhor: puxou Scully para perto.
Ela não resistiu. Seu corpo cedeu contra o dele, e ali, no calor daquela casa recém-criada, Scully chorou.
Um choro sentido, como se estivesse guardado só para sair ali, em segurança.
Kanon apenas a deixou desabafar, foi embalando aquele cansaço com cuidado, até que ela adormeceu nos braços dele.
– Ah, Ruiva... eu sei. Você não teria me procurado se tivesse sido diferente. Mas é muito bom ter você aqui, mesmo assim.
TO BE CONTINUED...
[Right Now – Van Halen]
