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Procura-se Um Marido Granado

Summary:

Cansado da vida de estudar e trabalhar sem o mínimo de luxo e mimos, em um rompante de coragem e com uns bons empurrões de Seungmin, a duvidosa ideia de espalhar cartazes pelo centro escrito "PROCURA-SE UM MARIDO GRANADO" se torna o bater de asas para a vida de Christopher mudar completamente. Após a proposta irrecusável de casamento oferecida pelo grande CEO Lee Minho, Chris sente o frio na barriga dessa nova fase. Que se acertem os termos! De saídas casuais, gansos assassinos e bolos muito bem confeitados, a união que antes era meramente por dinheiro e paz, quando afogada entre as paredes da convivência e provas de doces de casamento, desperta sentimentos mais profundos do que uma simples amizade.

Notes:

olá! bem vindos a pumg minchan!

vc pode encontrar a # dessa fic no tt e no bluesky como #pumgminchan se divirta se quiser usar ela pra reagir a fic!

avisando que antes de ser fic, PUMG era uma au, então boa parte dos chats e tuites eu estou transformando em cenas e alguns chats permanecem.

espero que se divirta! boa leitura! comentem bastante!

Chapter 1: PROCURA-SE UM MARIDO GRANADO

Chapter Text

 

Os dias são difíceis.  

Vinte e dois anos é uma idade confusa.

Você não tem nada, mas tem uma sede de tudo. O mundo parece caminhar rapidamente e você se sente estagnado. Todos sorriem e contemplam uma conquista e você se sente andando num labirinto sozinho. E sabe, é muito assustador.  

O mundo não é um jogo de sobrevivência que você encontra no YouTube um guia de “como passar de fase” ensinado por uma criança de dez anos com um microfone estourado. 

Mas saiba que elas ensinam muita coisa.

Sinto que essa é uma idade traiçoeira. 

Eu trabalho, trabalho, trabalho, e então estudo, estudo, estudo. E nada acontece. Enquanto isso, a ansiedade corrói os ossos e a chamada Crise dos 20 se arrastava com os braços enrolados nas minhas pernas pra onde quer que eu fosse. 

E sabe, é desesperador.  

Às vezes você quer que algo mude , por menor que seja. Eu quero que algo mude. Mas as decisões têm consequências e eu tenho medo de errar.

Errar é humano, eles dizem. 

A menos que o erro em questão seja seu.

Talvez eu esteja ansioso, não respeite o meu próprio tempo e o tal “tempo divino”. É cansativo, eu acho que você sabe.

Bom, oi. 

Eu sou Christopher Bang. 

Ou Bangchan, ou Chris.

Eu decidi escrever essa carta (?) porque me disseram que escrever as coisas que eu penso pode me ajudar a desacelerar meu pensamento. 

E você sabe o que eu acho? Talvez ajude. 

Eu não sei.

Será que algo vai mudar? 

Sei lá, são muitas perguntas e nenhuma resposta, isso é cansativo. Como subir uma montanha com uma pedra grande nas costas, o topo parece nunca chegar. Ou você sobreviveu ou é esmagado. 

É cruel né? Meio que a filosofia da vida é essa.

Mas tem coisas boas também. Como a mamãe, a Hannah, o Luquinhas, a tia Haeri, Seungmin e os meus amigos. São as pessoas que amamos que transformam a vida em algo suportável. Memorável.

Eu sou bem melancólico, acho melhor parar por aqui.

Tchau, querido papelzinho. 

Talvez eu escreva novamente.

Talvez não. 

 

Chris Bang, Coréia, 

sabe Deus que dia é hoje 

 

 

A caneta desaba no balcão com um baque leve, o café está com o movimento “lento quase parando” então escrever não seria um problema.

Mas aí entra um cliente, talvez dois. Seguido de um bom dia mau humorado, uma boa noite, porque às vezes a gente confunde sem querer e ri logo em seguida. Serve-se um café cheiroso e bolo. Dá a hora de sair, troca-se de roupa, bate o ponto e espera no outro ponto, o ônibus. Chris toma um suspiro meio cansado, arrumando a bolsa no ombro e observando ao seu redor.

É interessante olhar para as pessoas na rua, você cruza os olhos com alguém que nunca viu antes, cheio de histórias, dores, amores, problemas e alegrias. E você não sabe exatamente nada sobre essa pessoa. No entanto, tem noção de que tem uma vida ali. Algo profundo que você nunca vai conhecer por completo. Aí uma pessoa atravessa a rua e vocês nunca mais se cruzam.

É muito bobo, talvez, mas Christopher gosta de ver as coisas assim. Com curiosidade. 

Seu celular apita, o nome de Seungmin brilha na tela e Chris vai abrindo o grupo de amigos.

Sammy [11:37am]

Alguém tá na faculdade?

Juro que CHATO ter aula de manhã

Pagar aula em contra turno é a maior insalubridade 

Eu [11:37am]

Tô saindo do trabalho, vou passar direto pra faculdade pq tenho trabalho em grupo

Queria ser herdeiro 

 Casar com uma pessoa rica, ser esposo troféu

Binnie [11:38am]

tõ saindo da aula

hwasa chamou vocês para almoçar 

bora? 

Eu [11:38am]

se eu chegar a tempo 😔

Binnie [11:38am] 

a gente te espera

 

Chan agradeceu, logo em seguida vieram mais mensagens, só que é somente de Seungmin por meio de conversa privada. 

“O que rolou aí?” Perguntava em áudio. “Achei estranho como você falou sobre a coisa de casar et cetera. Tá tudo bem?” 

Chan, como qualquer estudante que se dedica e ainda por cima trabalha, estava exausto. Ele sabia que sua mãe estaria ali para o apoiar, que sua tia Haeri também, mas ele não se sentia no direito de pedir apoio financeiro a elas, por isso buscou se empregar logo, mesmo que de meio período. Então o cansaço vem como uma bola de neve. Seungmin sabia disso, entendia muito bem os pontos do australiano.

 

Sammy [11:44am]

a gente vai almoçar no centro

bora arrumar um marido granado pra vc

colar plaquinhas e tudo ☝🏻

Eu [11:44am]

tentador 

vale a pena?? 

Sammy [11:44am]

vivências, histórias para contar 

não temos nada a perder mesmo 

vc arruma um marido rico 

e me apresenta o amigo dele 🤌🏻

Eu [11:45am]

fechado 👹

tá no prédio ainda?

vou te mandar um banner

imprime aí, tou quase chegando 

Seungmin meu deus

 oq a gente tá inventando 

 

Quando os dois se encontraram na frente do carro de Hwasa, estava tatuado nas suas caras que alguma coisa estava acontecendo.

— Eu trouxe os papéis e fita — Seungmin dizia, entrando no carro e dando tapinhas na pequena montanha de cartazes. 

— Tenho medo de perguntar o que vocês estão tão aprontando — Hwasa olhou pelo retrovisor, Changbin tinha a mão descansando na perna dela.

Bang sorriu, aquele sorriso doce que escondia suas ideias mirabolantes. Ela não insistiu.


🐰  Lee Minho⭒ 

 

Já era perto de meio dia. Minho entrou no carro, fechou a porta, colocou o cinto e… amoleceu no banco traseiro. 

— Bom dia Hyun, bom dia Senhor Choi… 

— Já tá cansado? — Hyunjin estendeu um copo de café para o homem. 

— Obrigado — ele aceitou a bebida, dando uns goles pensativos antes de dizer — Não sei, hoje… hoje o dia tá estranho. 

Hyunjin ergueu a sobrancelha considerando as palavras de seu primo. Ele tinha um rosto cansado, apesar da jovialidade, as olheiras se destacavam após longas horas de reunião. O copo foi deixado no suporte do carro.

— Acha que a mamãe me arrumou algum encontro às cegas igual à sua mãe fazia pra ti? 

— Não acho — Hwang mordeu os lábios enquanto pensava um pouco mais — A titia sabe que te forçar ir num encontro só te daria mais força pra ser contra a ideia de casar. 

Minho riu sem vontade, o amargor do café esfriando seu estômago, sua mente e suas emoções. Ele se lembra do que Momo e Yunho falaram mais cedo, sobre casar com um cara e só aparecer com os papéis e aliança.

Mas parece tão vazio. No fim tudo dentro da vida de Minho parece permear por esses eixos, relações supérfluas friamente calculadas.

Ele suspirou.

— Não sou contra o casamento é só que… 

— Você é gay e ela não aceita isso. 

Era exatamente isso. 

Minho na verdade, gostava da ideia de ter alguém ao seu lado, se casar com uma pessoa especial, mesmo que, na verdade, ele tenha total consciência de que isso tudo é uma grande ilusão e ele nunca vai se casar com alguém por amor. É o que acontece com pessoas poderosas, tudo são negócios e o casamento em sua forma mais pura é um contrato, não é diferente pra ele. 

— Puxa vida… — o Senhor Choi resmungou, parecia olhar algo na rua, seu semblante preocupado refletido no retrovisor.

Eles já estavam no centro da cidade, o trânsito três vezes mais pesado que o normal sob um céu nublado de chuva. A sensação de estranheza continuava roendo os calcanhares de Minho.

Ele olhou para além dos vidros escuros, um grupo de universitários caminhava ao lado do carro, cabelos escuros e estilos diferentes, dois deles com papéis debaixo dos braços tagarelando entre si. Sorridentes.

Minho sentia falta da faculdade de dança, definitivamente foi a melhor experiência de sua vida. Ele se sentia livre.

— Oh, é um gato! — o Senhor Choi exclama, chamando a atenção de todos. 

De repente, tempo e destino se uniram num bater de asas. Minho levanta o rosto mais que depressa.

— Onde? 

Ele se esticou para ver, havia um gato cinzento na ponta da faixa de pedestre, o sinal estava fechado e ele com certeza iria atravessar.

Minho arrancou o cinto, abriu a porta do carro e correu para fora, atravessando a rua até chegar no gatinho cinzento, seu coração estava acelerado da corrida e do susto de ver o bichano ali. Ele se abaixou e cuidadosamente se aproximou.

— Oi, gatinho… — sussurrou, fazendo uma pequena barreira para que ele não corresse e tivesse o risco de se machucar, — eu sou o Minho, cadê seus donos? 

Não levou muito tempo, na visão de Minho, para o gatinho cheirar sua mão e aceitar afagos no queixo e pescoço, ronronando nos dedos do homem que cautelosamente pegou o pequeno gato gordinho no colo, olhando ao redor em busca do possível dono do pequenino de pelos cinzentos.

O ligeiro resgate deu certo, mas ocasionou o primeiro atraso de Minho, quando ele entrou no carro novamente, espalmando os pelos de gato da roupa preta, Hyunjin tinha um olhar levemente preocupado.

— Vamos nos atrasar — ele disse.

— Um pouco mais que o normal — o Senhor Choi completou.

Minho não se importou, o gatinho estava bem, logo, tudo estava bem.

Ok, talvez nem tudo?! 

Quase uma hora de atraso foi o resultado.

A cara de poucos amigos que a Senhora Lee Chaewoon estava causou arrepios em Hyunjin e no Senhor Choi, que imediatamente se curvaram ao vê-la.

— Boa sorte com a coisa toda aí — foi o afago que Hyunjin ofereceu ao mais novo. 

Minho revirou os olhos e entrou, os saltos cor de rosa da Senhora Lee batendo no piso de mármore do restaurante. Sabendo que Hyunjin e o Senhor Choi entrariam depois para comer também, e que por sinal ficariam todos na mesma mesa se não fosse pela chata de sua mamãe, ele respirou fundo e a seguiu. 

Quando sentou-se à mesa e a cumprimentou corretamente a ordem foi exatamente a que ele e Hyunjin chutaram: ela brigou pelo atraso, reclamou sobre um presidente imponente precisar ser fiel aos seus compromissos, perguntou se ele estava namorando alguma garota, ou se já tinha encontrando uma pretendente para casar, se ela era bonita, se daria bons netos, se a família era rica, se, se…

A hora se arrastava pesarosamente, como um bicho preguiça.

Puta merda, Minho reclamou consigo mesmo, sentindo-se tonto pelo monólogo, mas abocanhando sua sobremesa. Sim, eles já estavam na sobremesa e ela não parava de bater na mesma tecla.

— O que Hyunjin pensa sobre isso? — Lee Chaewoon limpou o canto da boca com o pano branco e o deixou na mesa novamente — Ele deve ter uma namorada! 

O Lee analisou sua colher de pudim segurando todos os seus instintos mais primitivos para não revirar os olhos.

— Hyunjin é um pedaço de pau romântico que sonha com paixões impossíveis enquanto vê filmes românticos compulsivamente, mamãe. Do tipo que sonha em recriar “Singin’ in the Rain” e outras coisas.

E no fundo eles dois são iguais. 

Minho se rendeu a mais um falatório de sua mãe, concordando com tudo e não entendendo nada. O pudim havia acabado e ele pediu mais três para a viagem.

Houve um mini sermão até ele pagar a conta e levar sua mãe até o carro, Hyunjin já estava lá, cumprimentando educadamente sua tia enquanto ela o cobrava que colocasse mais juízo na cabeça de Minho.

Já Minho, olhou para o chão um pouco cansado, percebendo um papel escrito “PROCURA-SE UM MARIDO GRANADO” e abaixo um qrcode com a assinatura Christopher Bang ao lado.

Loucura, ele pensou, fora de cogitação. E ajudou sua mãe entrar no carro, recebeu mais um sermão até que a alegoria do casamento vestida de cor de rosa fechou a porta. O carro dela desapareceu pela rua. O silêncio era tão bom que Minho quis chorar de alegria. 

Ele olha ao redor, o papel que vira no chão também estava numa parede ao lado, aquilo parecia atrair seus olhos. Um papel assinado e alianças sobre a mesa, brincou Hirai Momo mais cedo, “É exatamente o que a Chaewoon quer” Jeong Yunho também argumentou. 

Minho olhou por perto, pegou mais um papel idêntico que havia descolado da parede e o estendeu a Hyunjin, mas seu primo fingiu nada entender, descrente do tipo de pensamento que passava pela cabeça do mais novo.

— É loucura, pode ser um golpe. 

— Ou não.

Hwang amassou o papel e o jogou no lixo, Minho pegou outro, porque haviam muitos, Hyunjin o olhou completamente incrédulo. 

— Minho?!

O CEO só deu de ombros, já se divertindo com uma ideia completamente precipitada, incerta e que poderia dar uma merda exponencial. Mas ele não se importava. Estava cansado. 

— Mande retirar todos os cartazes iguais a esse. Todos eles

Hyunjin piscou, o carro parou na frente deles, Minho entrou, mas seu primo continuava estagnado, o cérebro se negando a processar aquela informação. 

— Eu imploro pra você não se meter nessa furada. 

— Hyunie Hyung, eu gosto de ser exclusivo. Seja um bom secretário e faça o que eu estou pedindo.

Minho sorriu, parecia um gato cínico prestes a atacar quando estava com vontade de fazer algo que poderia dar errado. Ele deu dois tapinhas no banco vago.

— Vamos, vamos Hyunie, entre logo.