Chapter 1: O Juramento de um Rei
Summary:
Duas crianças nasceram numa noite onde Merlin supervisionou todo o parto, e agora após a separação deles de sua familia, Arthur e Arturia viajam com Merlin por Camelot. Porém, um estranho e proibido sentimento começou a surgir naqueles dois gêmeos e com o passar dos anos, esses sentimentos só foram aflorando até criar a paixão entre eles.
Notes:
Rapaz, eu com certeza não tenho nem um pouco de cabeça pra loucuras, mas aqui está!
Finalmente lancei uma outra história de Fate, só que dessa vez é sobre uma versão alternativa da Sexta Singularidade de Fate/Grand Order - Divine Realm of Round Table: Camelot, onde no passado, o Proto Arthur e Arturia Lancer são irmãos gêmeos e também um casal.
(Eu shipo eles dois, apesar deles serem a mesma pessoa, então não me julguem!)Diferente dos dois filmes, aqui haverão coisas um pouco diferentes. O foco vai ser mais pro lado do Arthur e da Arturia, vão aparecer Servos novos e lugares novos, mas o roteiro dos filmes vai ser igual na história em certa parte.
Espero que gostem dessa fic.
OBS: Esse cap possui cenas de +18, então pulem para o final se não gostarem desse tipo de conteúdo.
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Chapter Text
Camelot, Jerusalém Perdida - Sexta Singularidade
1273 d.C
Em um grande salão no palácio de Jerusalém, um jovem homem de cabelos loiros na casa dos 20 anos andava calmamente enquanto olhava para uma imensa pilha de corpos ao seu lado. Nenhum deles merecia aquele final tão sanguinolento, nem mesmo aqueles seres maus e cruéis. Entre os mortos, havia milhares de mulheres e até mesmo crianças. Que monstro faria tamanha crueldade com pessoas que não tiveram nem mesmo o direito a um julgamento justo?
Quem tinha o direito de dizer quem era justo ou ímpio?
- Não dê mais um passo, ou perderá a cabeça de seu corpo. - Uma voz feminina surgiu passando pelos seus ouvidos, fazendo o homem cavaleiro parar de andar.
Ele olhou para cima de onde vinha a origem do aviso, e semicerrou o seu olhar. Havia um trono no topo de um altar, e sentada nele estava uma certa mulher que possui o mesmo olhar esverdeado desse homem loiro. Porém o olhar dela não parecia ser o mesmo do dele. Era um olhar verde-limão bem frio e inexpressivo, como um olhar de uma assassina.
- Eu não queria acreditar que todas essas mortes foram causadas por você, mas eu nem consigo acreditar mais. - Ele olhou para a bela mulher loira vestida com um elegante e extremamente valiosa armadura. - O que você está fazendo, Arturia?
Ela o olhava de um jeito tão benevolente e ao mesmo tempo agressivo, visto em conta o olhar assassino da Rainha dos Cavaleiros fixado somente nele.
- Você é mais uma ilusão criada pela Singularidade? Ou é mesmo o meu irmão e esposo que há varias eras morreu em meus braços? - Ela o perguntou de forma tão robótica, como se ela tivesse perdido os seus sentimentos e alguma coisa estivesse no lugar. - De qualquer forma, não importa. Vou tirá-lo da casca de Arthur Pendragon e você enfrentará a minha justiça divina.
Ele arregalou os seus olhos, visto em conta que ela estava confundindo ele com uma mera ilusão causada por essas anomalias do Santo Graal. Era por isso que a sua amada se tornou uma genocida em série? Matar milhares de pessoas para aliviar o pesar e a falta dele?
- Arturia, sou eu. Seu irmão, o seu rei... seu marido. - Arthur tirou a sua manopla para mostrar em sua mão esquerda o seu anel de casamento para ela. - Eu voltei pra você.
- Não. - Arturia balançou a sua cabeça em negação. - Você não é ele. Não é o meu Arthur. É só mais uma ilusão criada por esses demônios ímpios. - A Deusa Rhongomyniad continuava a afirmar com a sua negação, com o mesmo olhar caído e sério dela. - A Morgana já matou o Arthur há muito tempo.
O gêmeo ficou em completa descrença ao ver que a pessoa na qual ele passou a vida toda ao seu lado estava ignorando-o como um estranho qualquer, como se ele fosse de fato, um fantasma. Ele sacrificou tudo por ela, garantiu que ela tivesse um futuro.
E isso foi o que ele causou pra ela? Virar uma deusa impiedosa que não se importa com as pessoas, desde que os seus corações sejam puros e perfeitos? Matando pessoas inocentes? Ela literalmente transformou Jerusalém para ser igual a Camelot! Ela terraformou toda a Cidade Sagrada e a converteu para se tornar o seu antigo reino.
Basicamente, se tornou em uma açougueira impiedosa.
A Rainha dos Cavaleiros se levantou de seu trono e começou a descer os degraus, segurando a sua lança divina nas mãos, indo em direção até aquele homem que ela acreditava ser apenas mais um farsante.
Arthur não conseguiria fazer Arturia falar daquele jeito, ela sempre foi teimosa com todo o tipo de coisa. Ela dificilmente aceitava as coisas do jeito dele, e isso não mudaria nem mesmo após se tornarem Servos.
- Se você não acredita em quem eu digo ser, então me fale o que você realmente acredita. - Ele deixou de lado a sua compaixão, e agora olhou sério para ela com a intenção de lutar com ela. - Você se tornou em uma assassina de inocentes. E pretende agora destruir esse mundo com o Santo Graal para criar um novo com vida justa, banhado em mortes? Aonde isso vai te levar, majestade?
- Paz para o meu tempo.
Camelot, Capital da Britãnia
712 d.C
Em um antigo país, existia um enorme reino bastante poderoso onde era protegido por um jovem rei. Apesar dele ser jovem e a pessoa mais poderosa daquele reino, era um rapaz que desde criança viajou afora para conhecer o mundo e as pessoas que vivem nele.
Ele era uma boa pessoa, viveu uma vida humilde desde a infância até aceitar remover a lendária espada da pedra e deixar a sua humanidade para se tornar o grande e temido rei. E não qualquer rei, mas sim o Rei dos Cavaleiros.
Mas havia uma coisa no meio disso tudo. Ele não veio ao mundo sozinho. Acompanhado dele, veio uma garota. A sua irmã gêmea. Sua verdadeira rainha e esposa.
Diferente dele, que teve o destino de ser um verdadeiro herói, em algum momento de sua vida ela não teve a mesma oportunidade que seu irmão teve. E isso começou no dia em que os dois se separaram do ventre de sua mãe.
No parto da rainha Igraine, Merlin e Uther estavam presentes durante o momento do nascimento do futuro rei. Como esperado de muitos, o rei e a rainha já aguardavam por uma criança. Só que como naquela época era extremamente diferente como nos tempos modernos, todos os partos ocorriam sem saber qual seria o gênero daquele bebê.
Quando o primeiro choro ecoou no quarto do rei e da rainha, todas as parteiras sorriam aliviadas ao verem o bebê chorando ao primeiro contato com o mundo.
- Por favor, me dêem a minha criança. Eu quero ver o rosto dela. - Igraine estendia os seus braços cansados para segurar a criança.
- É um menino saudável, Majestade. - A parteira que realizou todo o ato entregou o menino ao rei, sentindo-se aliviado em saber que tudo ocorreu bem para a sua amada esposa.
- Aqui, meu amor. O nosso filho nasceu. - Uther sorria choroso e emocionado em segurar a criança deles e entregou a sua rainha para que ela pudesse se satisfazer do amor oferecido nos olhos daquele bebezinho.
Ela sorria para ele, olhando em seus olhos verdes e os seus pequenos cabelinhos loiros enquanto o abraçava com tanto amor e carinho.
- Ele é tão pequeno. O nome dele vai ser Arthur. O meu querido herói.
Seu coração estava preenchido de amor pelo bebê, e esperava dar a ele todo o carinho que ela pudesse oferecer a ele.
Merlin sorriu ao ver o primogênito do rei finalmente ganhar a bênção de ter o sopro de vida em seu corpo. Sua testemunha naquele momento era de fato, algo histórico.
Contudo, algo parecia estar errado.
Sua barriga ainda doía devido às contrações do parto, e elas continuavam firmes e constantes.
- AAAAHHH! - Igraine gritou de dor ao sentir as contrações continuando.
- O que está acontecendo com ela?! - O rei perguntou a parteira, preocupado com a sua esposa.
Ela mesma não conseguia entender o que aconteceu. A parteira precisou tocar na barriga da rainha para sentir e entender o motivo das contrações continuarem. E foi aí que a mulher arregalou o seu olhar.
- M-Majestade, são gêmeos! A rainha terá um outro bebê agora!
Uther e Igraine arregalaram os olhos, extremamente preocupados com o que estava acontecendo. E a rainha tinha medo de que algo de ruim acontecesse.
Naquela época antiga da Idade Média, uma mulher dar a luz a crianças gêmeas era considerado como um ocorrido de má-sorte pois nesses partos a mãe ou a criança nunca aguentavam o procedimento e morriam momentos depois.
O albino de longos cabelos brancos tinha um olhar nervoso ao ver os reis durante aquele momento. Por ser considerado o mago mais poderoso do mundo, ele conseguia observar profecias.
Mas ele não previu que o futuro rei teria um gêmeo.
- O parto precisa ser realizado.
O rei e a rainha olharam para o mago, ainda tentando entender o que ele havia acabado de falar.
- O parto precisa ser realizado. - Repetiu Merlin, que olhava determinado para os reis, que ainda tinham medo do que aquilo traria a mulher exausta na cama. - Rainha Igraine, eu sei que você já está bastante exausta em ter trazido o Arthur, mas você consegue ter forças para trazer o seu outro filho também?
Mesmo temerosa e com bastante dor, ela acentiu com a cabeça determinada para o jovem mago e para o seu marido. Ela apertou a mão de seu rei e eles continuaram o parto até que novamente um outro choro ecoou por aquele quarto.
A parteira observou com bastante cuidado a criança, pois por gêmeos serem considerados frutos de má-sorte, e por incrível que pareça, as superstições acabaram perdendo e a criança venceu.
- É uma menina, Majestade. É uma menina linda e com bastante saúde.
A rainha deu à luz a uma menina também. Ela era extremamente linda igual ao seu irmão. Ela era basicamente ele, porém feminina óbviamente e com uma face bem mais delicada. Ela tinha os mesmos cabelos loiros e os olhos verdes como duas jades.
- Você vai se chamar Arturia. A minha princesinha. - Ela sorria enquanto abraçava a garotinha.
O rei e a rainha ficaram aliviados ao ver que o parto ocorreu muito bem, mas contudo, Merlin ainda observava atentamente aos dois pequenos príncipe e princesa. Ambos tinham coisas grandiosas para realizar, só que para isso, uma separação deveria acontecer entre eles.
Alguns dias após a rainha se recuperar do parto, Merlin estava no salão do trono na presença do rei e da rainha à sua frente.
Embrulhados em dois lençóis estavam dois pequenos loiros gêmeos nos braços da mãe.
Ele não esperava que fossem duas crianças a nascer e estava longe de ser o seu plano, mas a profecia ainda continuava. Ele precisava dar a sua palavra para as realezas sobre as crianças.
Mesmo sendo menino ou menina, não importava o gênero deles. Ambos nasceram para se tornarem grandes na história. Só que ele não esperava isso acontecer. Um rei e uma rainha gêmeos.
Só de olhar para o jovem mago, ela já sabia do que se tratava. Era o momento da separação.
Eles dois seriam separados de sua mãe para iniciarem o treinamento para se tornarem reis.
- Por favor, Merlin. Pelo menos deixa eu ficar com a menina. - Ela pegou a sua gêmea caçula, e instintivamente a abraçou como forma de proteger Arturia.
- Querida, eles precisam ir. - O rei a confortou, compartilhando o mesmo sentimento que a sua rainha tinha. - Confiamos a vida dos nossos filhos nas mãos dele, e precisamos deixá-los ir.
- Mas eles são só bebês! Só crianças, as minhas crianças! - Ela continuava a abraçar os seus filhos, chorando de dor no coração só de pensar neles sendo tirados dela. - Só pude ter eles por poucos dias e temo pela vida deles!
Nas sombras do salão, uma pequena porta se abriu em uma pequena fenda onde se revelava uma jovem garota albina com olhos azuis, vestes pretas e uma capa por cima, observando a conversa entre o mago e os reis.
- Majestade, eu prometo com a minha vida que manterei essas crianças seguras sob a minha proteção e cuidarei deles até que cresçam e se tornem fortes. - Merlin jurou a Igraine com sua palavra, sabendo que teria a confiança do rei e da rainha.
Ao ter a permissão definitiva de ter a custódia das crianças, o albino se curvou em reverência para as majestades, pegou os bebês e saiu do castelo para começar a criá-los em sua rota para serem os heróis da Britânia.
No mesmo momento em que Merlin saiu com Arthur e Arturia, a mesma albina que observava a conversa saiu das sombras do salão e foi até o rei para tirar as suas satisfações com ele.
- Pai, por quê deixou aquele mago ir embora com o Arthur? Magos não são confiáveis e ele levou o herdeiro do trono.
- Morgana, nós já discutimos isso. O futuro de Camelot depende deles, e um futuro rei digno não vai aprender nada dentro de um castelo com muralhas prendendo-o. - Uther falou em um tom um pouco exausto, parecendo que eles já haviam tido esse tipo de conversa.
- Eu sou a sua filha mais velha, eu é quem sou a verdadeira herdeira do trono. Eu é quem mereço ser a rainha de Camelot! - A albina falou com raiva em seu coração, vendo que seus pais não queriam que a jovem se tornasse a sucessora do trono.
Por ser a filha mais velha do rei de Camelot, Morgana tinha todo o direito de ter o trono para ela como a rainha do reino mais poderoso da Britãnia. Mas por um detalhe técnico, isso a impedia. Ela não era a filha de sangue de Uther e Igraine, não tinha sangue real e isso era uma lei antiga extremamente rígida.
Eles adotaram a garota por ser órfã de uma família de bruxos após ocorrer uma sanguinolenta caçada às bruxas na Britânia, e eles se apegaram a ela decididos a cuidarem dela como se fossem deles.
Mas a inveja e a ambição dominaram o seu coração. Ela desejava o trono e se tornar rainha a qualquer preço, mesmo se tivesse que matar os seus irmãos se fosse preciso.
- Morgana Le Fay Pendragon, aqui eu sou o rei e como já está em nossas leis mais sagradas, o verdadeiro herdeiro do trono é aquele que for filho de sangue do próprio rei. Arthur será o rei depois de mim, e ponto final. - Uther decidiu pôr um ultimato para que Morgana finalmente entendesse o recado, querendo evitar que sua filha mais velha continuasse com o desejo de poder em seu coração.
Ela apenas deu um sorriso irritado, acentiu com a cabeça em reverência e saiu do salão, ao ver que foi negado o seu direito ao trono, e isso apenas a irritou ainda mais pois ela odeia demais aqueles malditos gêmeos.
- Arthur e Arturia... Eu odeio vocês dois, seus malditos pirralhos! - Ela falou com todo o ódio em seu peito, desejando a morte daqueles bebês.
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Longe de Camelot, mais de 20 anos se passaram e enquanto estavam durante a tutela de Merlin, o rei Uther e a rainha Igraine haviam falecido de causas misteriosas, mas mesmo assim, isso não impediu Merlin de continuar com sua promessa que fez para eles antes de morrerem.
Enquanto a lenda não era concretizada, os regentes que estavam no lugar do futuro rei estariam fazendo o seu trabalho por ele.
Os gêmeos Pendragon haviam crescido diferente de quando eram apenas dois bebês frágeis e indefesos.
Arthur se tornou um homem alto, forte, bonito, com uma característica simpática, marcante e sempre era cortejado pelas jovens nas vilas por onde eles passavam durante a sua jornada. Porém, surpreendentemente ele recusava todas elas por alguma razão.
Arturia não ficava por trás, na verdade ela era de fato, considerada a mulher mais linda em toda a Britãnia. Ela se tornou uma mulher extremamente atraente com um belo rosto, um corpo maduro belo e voluptuoso, e seus cabelos loiros com algumas pequenas tranças eram longos e caíam em suas costas.
Muitos homens a desejavam pela sua aparência, porém diferente de seu irmão, ela não compartilhou a sua mesma simpatia pelas pessoas.
Ambos vestiam roupas de simples aldeões, especialmente para não chamar atenção desnecessária das pessoas, pois mesmo sendo príncipe e princesa, queriam ser como as pessoas normais.
Ele vestia uma camisa branca de malha com cordinhas e também estava com uma túnica por cima, tinha calças marrons, botas de couro e tinha um cordão de ouro com um anel como pingente.
Já ela, trajava um pequeno vestido de malha decotado na região dos seios com mangas curtas. Por baixo usava uma calça apertada de couro, e usava também botas do mesmo material de sua calça. Ela usava esse vestido e um batom rosado em seus lábios, pois queria demonstrar o seu lado feminino também.
Ela era extremamente séria e muito racional, já levando à risca o seu papel no destino em que foi colocada desde que nasceu e descartou qualquer desejo pessoal ou íntimo dela.
Entre os dois irmãos, Arthur se tornou o lado emocional entre eles. Ele era o que mais se importava com as pessoas, e desde pequeno desejava proteger os mais fracos. Arturia era a mais racional, às vezes odiando o comportamento inocente de seu irmão.
Durante esses anos, Merlin cuidou deles dois como se fosse um irmão mais velho para eles e os treinou esgrima para lutarem como os cavaleiros. Ele era bem chato algumas vezes e quase sempre irritava Arturia, mas ele era uma boa pessoa.
Os gêmeos por algum motivo nasceram com um apetite imenso a ponto de comerem por três pessoas, quase falindo Merlin com comida e mesmo assim sempre estavam em boa forma. Arthur decidiu aprender a cozinhar, e sempre que ele ou sua irmã estavam com fome, o próprio gêmeo mais velho fazia comida para eles e ela adorava a comida de seu irmão.
Enquanto viajavam por toda a Britânia, eles três conheceram alguns guerreiros aspirantes a cavaleiros como o galante Gawain, o arqueiro Tristan, o aspirante a espadachim Lancelot e alguns outros e também por último, mas não menos importante, Bedivere, o melhor amigo de Arturia. Diferente dos outros aspirantes, ele era o que havia bastante hesitação ao lutar pois ele também tinha motivações diferentes. E isso foi o que deixou Arturia intrigada com ele.
Seguindo a antiga profecia da Espada na Pedra, havia chegado a hora de Merlin finalmente ir levar os gêmeos até a Dama do Lago e conhecerem o seu lugar na história.
Nesse mesmo momento, Arthur estava caminhando e levando uma mochila em suas costas enquanto Arturia levava uma bolsa de alça. Ele era o único que levava uma duas espadas presas em bainhas nas costas.
- Merlin, onde estamos indo? - O gêmeo mais velho perguntou ao jovem mago de aparência albina, enquanto ele olhava ao seu redor.
- Bom, meu príncipe, depois de longos anos, finalmente chegou a hora de vocês dois se tornarem grandes. - Ele sorria, enquanto andava apoiado se seu inseparável cajado. Após longos minutos, viram um grande lago com uma ilha no meio. Lá na ilha, havia uma torre coberta por uma imensa névoa. - Vocês já cresceram debaixo de minhas asas por tempo demais, já está na hora de vocês dois finalmente terem o seu lugar entre os grandes heróis deste mundo.
- Merlin, obrigada por nos criar e ter nos guiado até aqui. - Arturia se curvou para o albino em sinal de respeito, e seu gêmeo mais velho fez o mesmo em seguida.
- Se não fosse por você, eu jamais iria aprender a proteger a minha irmã. Muito obrigado, Merlin. - Arthur agradeceu ao mago, o que fez Arturia não gostar de ouvir sobre ser protegida por Arthur.
Mesmo ela tendo sido treinada desde a infância para ser uma cavaleira, ela era uma mulher. Mesmo Merlin dizendo que ela devia ser igual as outras garotas, a princesa ignorava o conselho do grande mago e continuava a treinar arduamente.
Ela não queria de jeito nenhum ser protegida por Arthur, uma parte dela gritava com isso direto.
- Arthur... Arturia... - Ele colocou as suas mãos nas nos cachos loiros de ambos os irmãos para abençoar suas palavras a eles dois. - Não tenho mais nada para ensinar a vocês dois. Vocês cresceram, aprenderam, amadureceram e se tornaram além do que eu já estimava. Vocês não se tornaram apenas guerreiros fortes. Vocês se tornaram verdadeiros cavaleiros com honra, integridade, dever e valentia. Arthur, o seu destino é ser o rei de Camelot. Seja bom no que você já é e continue sendo o que sempre foi. Isso é o que o seu povo esperará por você. - Agora ele voltou a sua atenção para a bela loira e viu em seus olhos sérios a frieza continua entre eles, e o mago decidiu brincar com a princesa, fazendo agora um rosto de sigma. - Arturia, você cresceu e se tornou uma mulher bastante linda. Esses seus grandes e belos seios sagrados iluminariam até mesmo os dois sóis de... - Antes que Merlin continuasse, ela deu um socão nele a ponto do mago massagear a sua cabeça e Arthur sorrir nervoso ao ver o mago tirar a sua irmã do sério como de costume. - Ai, isso doeu, Arturiazinha.
- Você que pediu, Merlin. - O loiro mais velho riu ao ver o grande mago no chão, agonizando com a pancada na cabeça.
- Não venha a minha palavra com tais citações sobre a anatomia desenvolvida do meu corpo, seu mago pervertido. - A loira falou fria com o rubor em seu rosto, mas ainda sim mantendo a sua seriedade.
- Arturia, eu sei que você nunca desejou a vontade de ser o que é agora, e sei também que você quis abdicar de algumas coisas para ser o que você é agora. Mas para você, quero que você possa por favor me prometer três coisas: quero que continue sendo apenas você mesma, que você e seu irmão jamais se separem e por último, más não menos importante... - Ele sorriu para ela, com orgulho e seriedade em seus olhos. - Quero que você seja uma mulher feliz e que possa encontrar o seu amor verdadeiro.
Isso fez o coração de Arturia palpitar, ao ouvir tais palavras. Desde criança, ela sempre evitou contos de amor de princesas pois ela sentia que casa sentimento romântico era uma fraqueza por ela, e ela não fazia ideia do quanto ela estava errada.
As vezes ela imaginava ser uma daquelas princesas dos contos de fadas, aguardando por um príncipe encantado. E ela sempre imaginava que o príncipe encantado dos sonhos dela fosse o seu irmão.
E esse era o motivo dela odiar contos de fadas, pois eles não se realizariam para ela. Arturia Pendragon, a princesa de Camelot e futura Rainha dos Cavaleiros estava apaixonada por seu irmão gêmeo Arthur. Sempre que ele era cortejado por alguma garota, a bela espadachim odiava a proximidade delas com ele.
Mas de alguma forma, isso seria inevitável pois Arthur era o herdeiro do trono e era ele quem seria o rei de Camelot. Mesmo eles lutando como iguais, ela não podia negar de que ele era mais forte do que ela.
Em seu coração existia uma dolorosa verdade em que desde criança ela já sabia que o coração de Arthur jamais pertenceria a ela, pois além dele com certeza não sentir nada romântico por ela, era um tabu.
Era completamente errado em sua mente sentir tais emoções por seu irmão, mas o seu coração dizia exatamente o contrário.
- Vamos, irmã? - Ela ouviu a voz de Arthur estendendo a sua mão para ela, e ela como resposta involuntária, apenas ignorou a mão estendida por ele e seguiu caminho até a margem do lago onde um barco com um barqueiro já os aguardava.
Na margem do lago, Merlin observava o casal de gêmeos seguindo o seu rumo até a ilha e ele sorria em observar o Rei e a Rainha dos Cavaleiros indo ver a famosa Dama do Lago e enfim, conhecerem o seu lugar de direito no Trono dos Heróis.
Ao chegarem na ilha, Arthur olhava com receio do lugar em que estavam. A Ilha de Avalon não era um local normal para as pessoas irem, era um lago com grandes propriedades espirituais e apenas poucas pessoas tinham a permissão para cruzarem o lago. Ao chegarem na ilha, o barqueiro apenas apontou para uma mulher que já os aguardava na margem da ilha.
Arthur saiu primeiro do barco, sendo seguido por sua irmã atrás dele. O loiro observava o local que antes estava coberto por uma densa névoa, agora estava com a atmosfera limpa de qualquer infortúnio. E no momento em que observaram mais da paisagem, a mesma mulher que estava mais longe na margem estava agora na frente deles.
Arturia pegou uma das espadas nas costas de seu irmão, e Arthur fez o mesmo para se protegerem instintivamente da ameaça.
- Então o príncipe e a princesa finalmente chegaram. - A mulher encapuzada que os aguardava ergueu sua mão direita em forma de rendição, e tirou o seu capuz com a mão esquerda. - Devo admitir que não esperava que seriam gêmeos, e ainda por cima, uma garota tão bela e com a tenra idade achando que pode crescer rápido demais ignorando a própria felicidade.
- E quem é você para me contrariar pelo que sou, sua vadia? - Arturia se irritou com a mulher em sua frente, mas Arthur rapidamente segurou a sua irmã para que ela não se descontrolasse ali mesmo.
- Irmã, se acalma. Não deixa a provocação dela mexer com você, você é melhor do que isso. - A voz de seu irmão em seu ouvido era algo que a acalmava, e fazia o seu coração se acalmar rapidamente.
A mulher suspirou ao olhar para os dois e finalmente decidiu se revelar a ambos, materializando uma mesa redonda com três cadeiras. Em cima da mesa, a mulher fez um movimentar de mãos e materializou uma enorme quantidade de comida.
- Vocês devem estar com fome, não é? Vamos, venham comer.
Os dois sentiram a sua barriga roncando e para a surpresa da mulher, Arthur e Arturia rapidamente se sentaram na mesa e começaram a devorar tudo o que era de alimento ali. Os irmãos Pendragon haviam um apetite extremamente poderoso.
A figura misteriosa até ficou assustada ao ver o tamanho apetite de ambos que continuavam a comer, por algum motivo eles não paravam. Até que então os gêmeos finalmente pararam para descansar e com toda a comida devorada por ambos.
- Muito bem, vejo que vocês dois gostaram da minha comida. - A mulher chamou a atenção deles, que pararam de comer, com um garfo com comida na boca cheia deles. - Meu nome é Vivian, e sou a Dama do Lago. Fui requisitada pelo Mago Merlin para que vocês viessem até aqui, onde por minha benção, vocês receberão as suas visões.
- Espera, mas achei que só o Arthur teria a bênção. Ele não é o futuro rei? - Arturia achou estranho as palavras de Vivian, vendo que não fazia sentido ver que também teria algo importante na história.
- Arturia, o seu irmão será o Rei dos Cavaleiros. Você será a sua grande parceira como a leoa parceira de seu leão, a Rainha dos Cavaleiros.
Ambos arregalaram os seus olhos ao ouvirem das palavras da Dama do Lago que eles continuariam em sua jornada juntos como rei e rainha.
- Nessa ilha, reside duas grandes armas que foram feitas para o rei usar. Mas a rainha também terá a mesma capacidade de usar as armas de seu rei: A grande Espada Sagrada Excalibur e a Lança Divina Rhongomyniad. - Vivian explicou a eles dois, se levantando e mostrando a eles as duas armas sagradas presas na pedra perto da torre onde eles estavam. - Como parte da profecia, você Arthur, terá que pedir a sua amada em casamento. E Arturia, o seu rei escolhido precisa pedir a sua mão.
- Mas Lady Vivian, eu não sei quem é a minha amada. Eu já fui cortejado por várias garotas, mas nenhuma delas eu considerei em me relacionar. - Ele falou envergonhado para a maga, fazendo com que Arturia desviasse o olhar e cerrasse um pouco os seus olhos verdes.
- E eu não considero nenhum homem para me cortejar, pois não aceitarei a mão de nenhum homem em casamento. - Arturia falou orgulhosa para a mais velha, já deixando bem clara a sua posição.
Vivian apenas suspirou em derrota, sabendo que os dois estavam completamente enganados com suas respostas. Os dois não sabiam naquele momento, mas já estavam destinados um para o outro.
- Vocês já têm idade o bastante para saberem os seus deveres, é inevitável. Você, Arthur... Terá que se descobrir, ou melhor, aceitar as suas emoções para encontrar a mulher que você tanto deseja para o seu lado. - Algo nas palavras da maga fez o gêmeo mais velho ficar um pouco assustado. - E você, Arturia... Você é um caso um pouco mais difícil, então nós duas vamos conversar um pouco enquanto você, Arthur, pode ir atrás da sua arma. Aquele mago pervertido também estará lá para ver vocês, então pode ir e enfrentar o seu destino.
- O quê? - Ambos os dois irmãos olharam para Vivian confusos com o que ela queria.
- E Arthur, só mais uma coisa. No momento em que você encontrar a sua arma e removê-la de seu local de descanso, você jamais será um humano normal novamente. Terá que viver a sua vida como o rei que foi destinado a ser. E isso vale para você também, Arturia. - A mulher de cabelos morenos explicou a ele com seriedade, e ele olhou para ela com uma feição firme a ele e acentiu a ela.
O príncipe de Camelot foi primeiro para encontrar-se com o seu destino, mas antes disso, ele parou e olhou para a sua querida irmã.
- Eu voltarei em breve, irmã. Fique tranquila. - O loiro de antena sorriu para ela enquanto afagava os seus cabelos, querendo que ela ficasse em paz com ele e seguiu o seu rumo em direção ao local em que repousava a arma que mudaria a sua vida.
Enquanto Arthur se dirigia até Merlin e onde estavam as armas sagradas, Arturia e Vivian estavam sozinhas e se entreolhando por alguns segundos desde que Arthur saiu da presença delas duas.
- Arturia, agora que o seu irmão está longe, finalmente teremos algum tempo para nós duas conversarmos com um papo de mulher pra mulher. - A maga sorriu e se aproximou da loira, querendo ficar o mais perto possível da princesa.
- Eu não vou dedicar a perder uma fração do meu tempo pra falar da minha vida pessoal com uma pessoa que eu nem mesmo conheço. - Arturia falou orgulhosa para a mulher e cruzando os seus braços, fazendo os seus seios balançarem devido ao movimentar.
- Agora pouco quando você falou que não iria aceitar ser cortejada por nenhum homem, achei isso intrigante, ainda mais quando notei uma feição estranha em seu rosto, em relação ao Arthur. - A morena fez a bela loira se surpreender com as suas tais palavras, fazendo o coração da princesa acelerar. - Com certeza você está tentando com todo o ódio do coração em negar esses sentimentos e passou a vida toda tentando ser forte para as outras pessoas, mas uma mulher sabe notar quando a outra está apaixonada. E você, minha jovem, está apaixonada por Arthur Pendragon.
Ela era a Dama do Lago, uma das magas mais poderosas da atualidade como Merlin. A sabedoria dela era bastante vasta, e apenas em ver como Arturia estava apaixonada por Arthur era apenas uma de suas habilidades básicas de sua invencível intuição feminina. Arturia não conseguiu retrucar ou respondê-la de maneira brusca, pois o que havia saído da boca da maga era a verdade.
- Eu não devo ter esses sentimentos. Me dão fraqueza. - Ela cerrou os seus olhos e os fechou por completo, tentando negar as lágrimas que ela guardou por tanto tempo. - Ele já é destinado a uma rainha, e nós dois jamais estaremos juntos do jeito que eu desejo.
- Talvez seja o seu lado racional falando, mas o seu lado emotivo em seus olhos está me dizendo ao contrário. Você ainda não me respondeu, Arturia. Você ama Arthur ou não?
- Sim, eu o amo mais do que tudo. - Ela declarou-se sem esconder mais nada em relação ao seu gêmeo mais velho. - Desde que soube o que era gostar de alguém, o meu coração sempre pertenceu ao meu irmão.
- Então você devia dizer a ele a verdade, minha jovem princesa. - Vivian estendeu a sua mão até a mão da loira, como forma de demonstrar afeto a ela. - Eu havia lhes dito sobre a profecia de que um iria se casar com tal rei e rainha, mas não sobre quem vocês iriam unir os seus laços.
- Quer dizer então... que a rainha na qual ele deve se casar sou eu? - Ela olhou incrédula para a maga, mas também com uma pequena ponta de esperança em seu peito.
Ela realmente não entendeu o óbvio. A tal profecia do Rei dos Cavaleiros e da Rainha dos Cavaleiros iriam ter uma parceria eterna, inclusive no amor romântico. Arthur e Arturia desde o convívio deles no ventre de sua mãe já estavam destinados um para o outro.
- Dizer a ele que você seria a verdadeira noiva prometida iria ser muito óbvio, Arturia Pendragon. - A Dama do Lago sorriu para ela, querendo que ela deixasse os seus medos de lado e aceitasse finalmente o seu coração. - Minha jovem, você pode até achar que isso é errado e se a sua mente continuar pensando nisso, assim será. Mas você deve agir no que está em seu coração, no que é importante. Se você ama, conte a ele tudo o que você sente.
Nesse mesmo tempo em que Arturia estava conversando com Vivian, Arthur caminhava calmamente em direção ao local onde repousava a tal arma lendária que ele iria empunhar. Se tratava de uma arma mágica forjada com ouro e fogo de dragão.
Sobre a conversa que havia tido com a Dama do Lago em relação ao seu casamento. Ele seria destinado a ter uma rainha ao seu lado, como deveria ser. Mas só que ele não queria ter uma mulher qualquer. A única mulher que o seu coração aceitaria seria a sua amada irmã.
Sim, da mesma maneira que Arturia era apaixonada por Arthur, ele também era apaixonado por ela. Desde criança ele sempre teve sentimentos pela gêmea, que sempre esteve ao lado dele. Por isso que ele não aceitava cortejos de nenhuma mulher, pois o seu coração já pertencia a irmã.
Ele sempre quis proteger ela, apesar dela ser forte o bastante para se cuidar sozinha em uma luta. Com o tempo, ela acabou se tornando fria com ele apesar dele não saber tal motivo. Mas ele sabia que no fundo, ela se importava com ele e mesmo não tendo a certeza de que poderia ter algo com ela, por eles serem irmãos.
E isso o fazia sentir uma dor em seu peito.
Ao chegar no local indicado pela Vivian, ele levantou o seu olhar e lá estavam duas armas sagradas repousando sobre as pedras no local. Uma delas era a famosa espada das lendas, e ao seu lado estava a grande lança divina que tinha o poder de descer uma imensa lâmina divina dos céus.
Arthur olhou para a Excalibur e olhando para si mesmo um pouco hesitante, vendo que no momento em que ele removesse essa arma, ele jamais poderia voltar atrás com a sua palavra e com o seu dever.
Por um momento ele estava pensando em sua irmã, a sua grande inspiração e também a pessoa que ele mais queria proteger. Ela é o amor que ele queria ter ao seu lado, mesmo que o seu sentimento não seja correspondido.
O loiro de antena cerrou os seus olhos esmeraldas e vendo que não havia mais como voltar, finalmente toca no punho e puxa a arma sagrada da pedra em que estava presa e como resultado, um imenso brilho amarelado percorreu em volta de seu corpo. Ao remover a tal arma da pedra, seu visual havia mudado drasticamente.
Ele estava vestindo uma elegante armadura prateada com capa azul, com capuz preto, botas de prata que chegavam até os seus joelhos e vários detalhes reais de Camelot em volta da prataria. E ao sentir uma coroa em sua cabeça, o loiro olhou determinado agora após ver o poder da sagrada Excalibur empunhada em suas mãos.
Ele se olhava, admirando a sua nova aparência e deu um sorriso cheio de dever ao ter o seu lugar de direito como o poderoso Rei dos Cavaleiros. No momento em que ele estava prestes a olhar para o lago, viu que ali estava a sua irmã Arturia parada de frente para ele.
A bela loira estava ruborizada ao ver seu irmão vestido como um verdadeiro cavaleiro real, e com a espada sagrada em suas mãos. Isso o deixava bastante atraente para ela, o que passava despercebido para o seu irmão.
- Olha, mana! Eu tô igualzinho aqueles cavaleiros reais, com capa e tudo! - Arthur sorria inocente enquanto demonstrava toda a sua nova aparência para Arturia.
- Sim, está magnífico, Arthur. - Ela deu um de seus raros sorrisos ao ver o atual estado de seu gêmeo.
Vendo que Arthur escolheu em empunhar a Excalibur, Arturia não poderia ficar para trás. Ela já havia decidido isso desde o momento em que Merlin contou a eles sobre serem cavaleiros. Ela queria proteger as pessoas, mesmo que fosse da maneira mais fria e insensível.
Só que...
Quando ela empunhar aquela lança, sua vida jamais seria a mesma e tudo o que ela conhecia teria que abdicar.
Arturia se aproximou da Rhongomyniad, olhou para a enorme arma e com suas duas mãos no cabo da lança, puxou-a da pedra onde o seu corpo passou-se pelo mesmo brilho amarelado, e a bela loira acabou fechando os seus olhos devido a claridade.
- Uau... - Arthur olhou para a sua irmã, ficando completamente corado ao ver a nova aparência dela naquele momento. - Irmã, abra os seus olhos.
Arturia ouviu o seu irmão e abriu os seus olhos para ver a sua nova aparência. Ela estava com uma armadura prateada envolta de um vestido justo que batia até suas coxas com um decote generoso em seu busto onde residia uma bela visão de seus seios enormes, uma longa capa vermelha com pelo branco que caía até os calcanhares, longas botas com salto alto que iam até os seus joelhos. O que finalizava em sua nova aparência era uma tiara dourada em seus cabelos presos em um coque arrumado, o que deixava ela com a marca registrada de sua aparência como a Rainha dos Cavaleiros.
- Então é isso o que essas armas fazem conosco depois que empunhamos elas... - A loira olhou para a sua aparência, já não gostando muito da nova roupa pela quantidade de decotes em suas pernas e busto, óbviamente. Mas ela teria que se acostumar com isso, pois afinal, ela era mulher e também a futura rainha de Camelot. Ela deveria se apresentar mais feminina para o público. Mas por hora, ela materializou uma proteção frontal para o seu busto, cobrindo-o por inteiro.
Arthur estava completamente perdido ao ver a beleza indiscutível de sua irmã, desejando naquele momento que ela pudesse aceitar a mão dele em casamento. Mesmo que ele ache errado, ele seria um rei então precisaria se casar com uma outra mulher e não com sua irmã.
- Pelos deuses, então finalmente chegou o dia em que o príncipe e a princesa se tornarão reis de verdade. - Uma voz familiar percorreu pelos ouvidos de ambos, e eles rapidamente se voltaram para a direção da voz onde ali já estava um certo albino empunhando seu inseparável cajado. - Arthur Pendragon e Arturia Pendragon, vocês dois estarão prestes a cumprir com a profecia de vocês, meus jovens.
- Merlin... - Arthur falou, com a voz semelhante a um sussurro.
Vivian viu como a bela loira estava radiante com o seu novo visual, ela estava digníssima de uma guerreira e rainha.
- Em um vilarejo próximo de Avalon, haverá um festival local. Aproveitem essa noite para encontrarem a cara metade de vocês, pois a partir de amanhã, já estarão voltando para o reino de vocês dois. - Vivian falou para ambos os irmãos, que estavam um ao lado do outro e se entreolharam rapidamente antes de desviarem o olhar. - Ah, e tirem essas armaduras, vistam algo bem mais comemorativo e se preparem, pois hoje é dia de festa para vocês comemorarem!
A Dama do Lago materializou em suas mãos uma bela roupa para ambos usarem naquela noite. Arthur se despiu da armadura e agora estava vestindo uma túnica azul com detalhes brancos e dourados, e as mesmas botas de couro que usava antes. Já Arturia agora usava um longo e belo vestido branco com detalhes em azul, como um laço em volta de sua cintura e sandálias bege.
Vivian fez questão em querer que Arturia ficasse bem arrumada para essa noite, que até mesmo a maquiou pessoalmente para que ficasse mais bonita e irresistível do que já era. Claro que a princesa não gostava de usar maquiagem, mas decidiu abrir uma exceção para que pudesse demonstrar toda a sua beleza para o seu irmão.
Arturia queria aproveitar essa noite para dizer tudo o que tinha em seu coração para o seu gêmeo mais velho, não pensando no destino sobre a profecia deles e sim sobre a vida que ela sempre imaginava em ter com ele.
Ao final da tarde, ambos já estavam no tal vilarejo e viram várias pessoas em volta comemorando o Solstício de Outono onde as folhas começavam a cair em volta do lugar, era o tema do festival ali.
Arturia não queria se separar de Arthur, pois não gostava de ficar naqueles lugares sozinha. Então os dois decidiram que iriam comemorar juntos. Ambos eram sempre atraídos por comida, e já para começar, ambos já foram até às barraquinhas onde vendiam tais quitutes para se deleitar.
Ambos comiam arduamente, experimentavam o vinho local e gostavam de ouvir a música que tinha por ali e estavam rindo ao ver Merlin e Vivian dançando juntos e bêbados no meio da multidão.
Arturia já não gostou de ver como a famosa Dama do Lago, uma mulher bastante respeitada no mundo da magia se tratava de uma bêbada.
Foi aí que ao começarem a tocar uma música mais lenta, foi a deixa perfeita para o príncipe chamar a sua irmã para uma dança.
- Irmã, aceita uma dança comigo? - Ele sorriu com charme para ela e estendeu a sua mão, que ansiava em querer tirar ela da caixa em que ela se repousava para fazer algo que ele jamais tentou fazer, cortejar uma mulher, a sua gêmea.
- Com prazer, meu querido irmão. - Ela acentiu com a cabeça, segurou na mão estendida por Arthur e ela se levantou, indo em direção a pista de dança da praça onde estavam.
Arthur segurou-se na cintura de Arturia e ela levou suas mãos até o pescoço e o peito de seu irmão. Ele guiou a sua irmã calmamente naquela dança, enquanto os olhos esverdeados de ambos os gêmeos se entreolhavam ao dançar em completa sintonia. Todos os aldeões em volta viam ambos, como um belo casal ao ver a compatibilidade deles naquela dança.
Ao terminarem a dança junto com a música, ambos pararam e ainda colados um com o outro se encaravam sorrindo abertamente. Os dois estavam aproximando seus rostos vagarosamente, até que uma salva de palmas de todos interrompeu a proximidade deles e eles se separaram, envergonhados ao pensarem no quão perto eles estavam de se beijar.
Seus lábios estavam quase encostados um no outro.
Arturia acabou ficando bastante envergonhada, pensando no quão errado ela queria que aquele beijo acontecesse, que ela se descolou do toque de seu irmão e acabou saindo dali e correndo de seu irmão sem mais nem menos.
- Arturia, espera! - O loiro de antena estendeu a sua mão para ela, mas a princesa saiu sem olhar para trás.
Merlin e Vivian, apesar de estarem bêbados devido a diversão deles e a fraqueza para a bebida, se entreolharam chateados com o ocorrido. A maga irritada ao ver o futuro rei ali parado feito um idiota, deu um tapa na nuca dele para fazer ele acordar.
- Vai atrás dela, seu boçal! É falta de educação deixar uma dama ir embora sozinha! - A Dama do Lago gritou para ele com uma voz de bêbada e apontou para a direção em que a princesa havia ido, e sem hesitar, correu para onde Arturia.
- Você é tão delicada, Vivian. Agora ele vai pegar trauma de se declarar pra ela. - O grande mago ironizou ao ver Arthur indo atrás da sua irmã no meio da noite.
- Eles dois precisam de um tempo a sós, e além disso, a próxima rodada é sua! - A maga de cabelos morenos foi até a barraca mais próxima para comprar outra cerveja.
Enquanto Merlin e Vivian continuavam se divertindo, Arthur decidiu ir atrás de Arturia sozinha. O loiro viu que estava mais longe da multidão e decidiu usar os seus poderes de rei para pular sobre os telhados, querendo alcançar a sua gêmea o mais rápido possível.
Ele já estava fora do vilarejo, distante de qualquer alma viva e a perseguição por ela os fizeram parar no meio da floresta, longe da trilha principal. Arthur estava com um lampião em mãos para iluminar o caminho, procurando a sua gêmea até que a encontrou sentada debaixo de uma árvore com suas pernas encolhidas.
- Arturia... - Ele chamou por ela ofegante, ao finalmente alcançá-la depois de vários minutos correndo. - Por favor, me escuta.
- Não temos nada para falar, Arthur. Me deixe em paz e volta pro festival. - Arturia falou ríspida para ele, querendo se manter distante.
- Você não gostou da dança, foi isso? Por acaso eu te machuquei? - Ele perguntou a ela, preocupado ao ver ela se distanciando dele.
- Não, você não me machucou. Fui eu quem me machuquei achando que um sonho idiota iria se tornar realidade. - Ela estava tentando desviar o seu rosto de Arthur, não querendo demonstrar fraqueza para o seu irmão.
Ele se aproximou de sua gêmea, e quando finalmente viu a sua face chorosa, ele se arrependeu por ter feito ela se entristecer apesar de não saber qual foi o motivo para esse feito.
Decidindo acabar logo com essa dor e manter caminhos separados, a Rainha dos Cavaleiros finalmente fez um ultimato e quis acabar logo com essa dor.
- Arthur, sabe qual foi o motivo de eu já ter sido cortejada por vários homens e me negar a todos eles? - Ela olhou para os olhos esmeraldas do gêmeo, querendo ser estritamente clara em confessar os seus sentimentos para ele. - Porque você sempre esteve ao meu lado, pois você era o único homem que eu queria que me cortejasse, que estivesse com sua mão segurando a minha. Eu queria tanto saber como é experimentar o beijo com uma pessoa que eu tanto amo, e me lembrei do medo de cometer o meu tabu.
- Mana...
- Eu morro cada dia mais só de pensar em que você poderá se casar com uma mulher que não será eu. Essa dor não passa, e o motivo disso é que eu sou perdidamente apaixonada por você, Arthur Pendragon.
Arthur ficou completamente chocado ao ouvir tais palavras de sua irmã gêmea. Foi aí que uma batida falhou em seu coração ao ouvir que ela era apaixonada por ele. Ela estava sendo racional, da mesma forma que ele estava enquanto ignorava os sentimentos dela sem nem se dar conta. Mas o príncipe não podia mais ignorar ela, não devia.
Sem se importar com o que aconteceria com eles dois, Arthur se abaixou para chegar mais perto de Arturia e finalmente a beijou com um selar perfeito de seus lábios. Ela estava com os olhos abertos, tentando imaginar se aquilo era real ou se ela estava sonhando acordada. Mesmo sendo real ou não, a bela loira fechou os seus olhos e retribuiu o beijo.
Minutos se passavam desde que o Rei e a Rainha dos Cavaleiros começaram a se beijar, e eles dois já estavam mudando suas posturas conforme seus lábios dançavam em um perfeito fluxo.
Arthur levou suas mãos a cintura de sua amada, enquanto Arturia entrelaçava os seus braços por trás do pescoço dele. Ele pediu permissão a boca dela com sua língua e ela concedeu passagem, aprofundando ainda mais o beijo.
Os dois herdeiros do trono perderam o fôlego e finalmente se distanciaram de suas bocas com um selar de lábios, suspirando depois de finalmente terminar o beijo de amor compartilhado por ambos.
- Arturia Pendragon, só existe uma única mulher que eu aceito como minha rainha, irmã. E essa mulher é você. - O loiro falou para ela com toda a sinceridade em seu coração de que sua vida pertence a ela. - Eu também sou apaixonado por você. Sempre amei. E sempre amarei.
O coração da princesa estava completamente aquecido, pois sabia que ele não estava falando da boca pra fora e também viu que não era um sonho. Era realidade, a mais pura e bela realidade que ela sempre quis vivenciar.
Ambos não precisavam falar mais nada, pois os seus olhos já diziam tudo. Arthur pegou a sua amada em seus braços e usando os seus novos poderes, pularam de volta para o vilarejo, onde estava a hostelaria em que alugaram para dormir por hoje. Como Merlin estava ocupado enchendo a cara com Vivian, ninguém iria atrapalhar os dois.
Aquela noite era só deles e nada iria atrapalhar eles dois.
Ambos voltaram a se beijar com mais desejo e após trancarem a porta do quarto deles, Arthur continuava tomando as rédeas da situação, segurando a sua amada em seus braços.
Ele a sentou na mesa e continuou a beijá-la com todo o afinco, e ele levou seus beijos para o pescoço alvo da cavaleira, o que fez ela gemer pelo toque em um ponto sensível que Arturia nem mesmo sabia que tinha.
A princesa, decidindo fazer algo ousado começou a desabotoar a túnica e enfim tirou a camisa que o seu irmão estava vestindo, só para revelar em um belo torso musculoso e definido. Isso fez ela se ruborizar ao ver ele desse jeito para ela.
- Gosta do que vê, Arturia? - Ele a provocou com uma risada de lado, vendo que ela estava admirando o corpo másculo do seu príncipe.
- Eu amo ver isso. Sempre que você está sem camisa, faz a minha cabeça entrar em perdição. - Ela falou com um sorriso malicioso ao olhar para o seu amado com segundas intenções.
Para qualquer um e especialmente para Arthur, Arturia sempre foi extremamente linda. Mas na visão do futuro rei, ela estava deslumbrante. A bela loira havia se maquiado para ele, querendo que hoje fosse uma noite especial depois de anos com os dois ignorando os próprios sentimentos, entre eles. E ele irá querer fazer com que ela aproveite essa noite a cada segundo.
- Desabotoa o meu vestido, Arthur. - Ela sussurrou no ouvido do seu príncipe, fazendo ele estremecer apenas em ouvir a voz dela em um tom sedutor e provocativo.
O loiro atendeu o pedido de sua princesa, e tateou até os botões para desabotoar um de cada, de cima para baixo. Quando ele terminou e libertou ela de seu vestido, ficou completamente vidrado para os enormes seios de sua gêmea presos em um sutiã que lutava para ser solto.
Ela sempre se envergonhava por ter nascido com seios daquele tamanho, e esse era um dos motivos para os homens sempre notarem ela. Mas para Arthur, ele não a enxergava como um pedaço de carne. Para ele, Arturia era como um anjo extremamente belo tanto por dentro quanto por fora.
- Você é tão linda, irmã. - Ele falou sincero para ela, enquanto beijava a sua testa e em seguida os seus lábios novamente.
Ela pediu para que ele tirasse o sutiã dela e sem nem mesmo pestanejar, Arthur levou suas mãos até o fecho do sutiã e libertou finalmente a vista livre para o vale dos seios generosos de sua irmã. Eram fartos e firmes, com aréolas rosadas com a mesma cor de seus lábios.
O futuro rei levou suas mãos até os seios dela, e os acariciou com carinho. Cada toque deixava a princesa totalmente vulnerável, com seus sentimentos óbviamente visíveis em seus olhos.
Ele levou sua boca até um dos mamilos e começou a chupá-los, o que fez com que a bela loira de antena gemesse de prazer ao sentir os lábios de seu irmão em seu seio. Em seguida, ele levou a sua cabeça para dentro do vale do busto e afundou o seu rosto no peito dela.
E ela amava isso. Ela amava ele.
Arthur deitou Arturia na cama, e ambos continuaram a se beijar enquanto davam carícias pelos corpos. O príncipe tirou a calcinha molhada de sua princesa, abriu as pernas dela e começou a estimular a sua intimidade, chupando e lambendo-a.
A sensação de seu gêmeo estimulando ela a fez soltar um gemido repentino.
Era a primeira vez que Arturia estava se deixando levar para os seus pensamentos libidinosos, ignorando o seu lado puro e racional para finalmente agir como uma garota apaixonada tendo a sua primeira noite de amor com seu namorado.
O gêmeo mais velho usava a sua boca e mãos para estimular o prazer de sua irmã tão bem, que fazia ela gemer constantemente por causa da sensação boa que ele transmitia para ela.
Ela finalmente acabou chegando ao seu orgasmo, soltando o seu suco vaginal pela primeira vez que a fez gritar de êxtase, e com a boca ainda aberta ao gozar bem na boca de seu gêmeo.
Ele bebia todo o seu suco, gostando do sabor doce que ela tinha.
Arturia viu o quanto ele estava fazendo por ela, e isso a deixou com vontade de fazer ele se sentir bem, como ela. A bela loira levou suas mãos até a virilha do príncipe, vendo o quanto excitado ele estava. Ela soltou a braguilha da calça, e ficou um pouco perplexa ao ver o tamanho de seu amado.
Era grande, pulsante, com algumas veias saltadas e aparentemente aliviado ao ter se libertado dos tecidos. Finalmente eles dois estavam completamente nus naquele quarto escuro, que estava sendo iluminado apenas pelas luzes do festival.
- Arthur, por favor. - Ela pediu para ele, enquanto ainda sentia o choque inicial do seu orgasmo. - Vamos fazer isso juntos. Me faça a sua mulher.
- Tem certeza disso? Não quer esperar até o casamento? - O gêmeo mais velho perguntou preocupado com ela, apesar de querer muito fazer com ela.
- Que se foda o casamento. - Ele a ouviu xingar, o que era bem raro de ouvir tal palavreado assim dela. - Nós podemos fazer o que a gente quiser. E eu quero ter você dentro de mim.
- Com prazer, meu amor. - Ele sorriu para ela e beijou-a para acalmar os seus nervos.
Ele levou a sua masculinidade firme e ereta para a entrada da intimidade de Arturia, pronta para receber o membro vigoroso de seu gêmeo dentro dela.
Arthur finalmente havia se conectado com a sua princesa, e ao sentir finalmente tudo o que sempre desejou, a futura rainha gemeu de tamanho prazer ao ter ele todo dentro dela. No começo ele se movia lentamente por causa da sensibilidade de Arturia, que era virgem e sentia dores por isso.
Com o tempo, Arturia finalmente se acostumou com a dor e pediu para que o seu gêmeo se movesse mais rápido.
Arthur olhava para o rosto de sua amada, vendo o quão linda ela estava. Ela se maquiou pela primeira vez, e ela fez isso para ele.
O príncipe ficou encantado em poder presenciar tal cena, podendo degustar de sua querida amada. E com o prazer, o vigor deles agora estendido pelo pacto de juventude eterna com a Excalibur e pela Rhongomyniad, ambos tinham energia de sobra para continuarem se amando.
Ele moveu os seus quadris para frente e para trás, enquanto a princesa arranhava as costas de seu amado, se segurando nele como podia.
Horas se passaram e ambos estavam usando os seus corpos para se amarem, comprovando definitivamente os seus desejos um pelo outro. Os toques, as carícias, os gemidos, tanto os altos quanto os abafados faziam os quadris deles se moverem em um único ritmo.
Agora ela estava sentada no colo, de frente para ele, enquanto o seu príncipe a estocava, segurando na cintura fina dela. Ele deu chupões em seu pescoço, torso e em qualquer lugar onde ele via em sua pele alva para mostrar a todos que aquela mulher era só dele.
Em um momento, ela jogou a sua cabeça para trás ao sentir que estava prestes a gozar e finalmente chegou ao seu orgasmo, abraçando o seu irmão e esmagando seus seios no peitoral dele.
Ele gozou logo em seguida, sem nem se importar por estar jorrando dentro dela.
Mas ela não estava satisfeita, e nem ele. Esses poderes sagrados a fizeram ter uma sede insaciável por amor. E ela queria mais. Muito mais.
Movimentos calmos e prazerosos, porém necessitados, continuavam a todo o vapor. O suor em seus corpos nus os cobriam, mas eles não se importavam. O mundo, a festa lá fora no vilarejo e os aldeões comemorando, nada disso importava. Naquele quarto, era o mundo que eles precisavam ter.
O loiro dava chupões em sua amada, percebendo mais um ponto sensível nela que ele iria percebendo conforme fosse explorando aquele corpo maravilhoso daquela bela mulher.
Os quadris de Arthur continuavam a se mover sem parar de estocá-la, enquanto a princesa segurava nos cachos loiros de seu príncipe, com o coração dela cheio de desejo só pedia para continuar consumando aquele amor proibido entre eles.
Eles finalmente chegaram ao seu sexto orgasmo juntos, com a semente do príncipe se derramando dentro de sua princesa após uma longa e prazerosa noite de amor entre eles. Arturia estava ofegante e satisfatoriamente exausta, mas ainda assim o olhava profundamente como se cada pedacinho em seu rosto fosse o último que ela veria
- Eu te amo. - Ele afirmou mais uma vez os seus sentimentos por ela, dando um selinho em seus lábios.
O sangue em seu rosto ganhava cor ao ouvir tais palavras, e Arturia sabia muito bem que ele dizia a verdade. Não apenas por ser um "lance telepático de gêmeos", mas também porque em seus olhos, ela podia ver o quão real era.
- Eu também te amo. - A princesa o respondeu com um sorriso ruborizado.
Enquanto eles ainda continuavam nus e trocando carícias de amor, havia uma bola de cristal onde os gêmeos estavam sendo observados. Uma mulher albina de vestido preto os via deitados naquela cama, os olhando com uma cara de puro ódio.
Se tratava da própria bruxa das trevas inconformada com o seu legado que foi negado como rainha de Camelot. Morgana olhava para aqueles dois gêmeos o quão felizes estavam, sem nem imaginar com o que ela preparou para eles.
- Que nojo. Então quer dizer que aquele mago bêbado enganou os nossos pais pra vocês se apaixonarem um pelo outro, ficarem fazendo sexo antes do casamento e fudendo como coelhos no meio do cio? Com certeza eles devem estar se revirando no túmulo. - A albina deu um sorriso irônico enquanto os observava com um olhar de repugnância. - Precisei de dois anos pra matar o papai e a mamãe com aquele veneno de causas naturais, e agora eu finalmente estava prontinha pra ser rainha. Mas só que... - A bruxa sombria balançou a sua cabeça em negação, profundamente irritada com eles. - Só que vocês dois tinham que estragar tudo, não é?
Ela conseguiu materializar um frasco onde nele havia uma essência negra que dançava dentro daquele vidro. Balançando as suas mãos, ela fez o frasco sair e o levou para o ventre de sua irmã caçula.
Morgana começou a sorrir, e de um jeito nada ortodoxo. Ela sorria de orelha a orelha, como se estivesse prevendo com alguma coisa ruim que viria.
- Eu compartilhei um pouco da minha essência com os seus óvulos, irmãzinha. Vou aproveitar as sementes do Arthur, que ainda estão circulando pelo seu ventre. É impossível você não ficar grávida depois de uma noite de sexo desses. E ainda que não fique, o seu útero só dará vida ao que eu quiser! Espero que gostem do meu presente, pois ele vai mudar a vida dos dois para sempre! HAHAHAHAHAHAHAHA!!!
Morgana continuava gargalhando maléficamente, vendo que o seu tão aguardado plano estava sendo maquinado calmamente.
E isso de fato, era o início das trevas se aproximando para a Britãnia.
Chapter 2: A Jerusalém Perdida
Summary:
O Rei dos Cavaleiros acorda no meio do deserto, curioso sobre como foi parar lá. Ao chegar numa grande cidade, ele descobre que Camelot se formou bem centro de Jerusalém e que a Cidade Sagrada de Deus foi completamente terraformada e corrompida.
Notes:
(See the end of the chapter for notes.)
Chapter Text
O reino de Camelot, um reino bem próspero e benevolente com cavaleiros poderosos que serviam apenas pela liderança do rei para com o povo.
Era o dia do casamento de Arthur, que estava ali no altar do palácio aguardando pela chegada da sua noiva para desposá-la e torná-la finalmente como a sua querida rainha.
Arthur usava vestes brancas e extremamente elegantes, dignas de um noivo da realeza. Ele aguardava ansiosamente pela sua querida irmã, que se aproximava calmamente ao lado de Lancelot, que a pedido de Arturia, queria que ele fosse o acompanhante dela já que ela não tinha mais o seu pai vivo. E ele era como uma figura paterna para ela, por ser um dos mais velhos da Távola Redonda e já ser pai.
O noivo não pôde acreditar em seus olhos ao ver tamanha beleza que vinha em câmera lenta, andando calmamente até ele. Arturia estava com um longo vestido branco, com decotes em seus seios fartos e na perna esquerda. Ela tinha alguns detalhes em prata e ouro por todo o vestido e corpo.
A noiva sempre optava em usar um cabelo preso em um coque trançado, mas dessa vez deixou o seu longo cabelo loiro solto. Estava liso e penteado, perfeitamente preso ao véu transparente que cobria todo o seu rosto.
Ela sorria toda graciosa para ele, que estava dando uma pequena lágrima solitária em seu rosto. Era a vez deles se casarem, e ele nunca desejou se casar com mais ninguém além da única mulher que ele ama.
Merlin estava ali como padrinho de honra dos dois gêmeos, também aguardando pela nomeação deles já que além dessa cerimônia ser um casamento, também era uma coroação real onde ambos seriam oficialmente os monarcas do reino mais poderoso de toda a Britãnia.
Haviam também alguns outros nobres de outros reinos que eram aliados de Camelot que estavam ali para verem a coroação de Arthur e da Arturia. Mesmo eles se casando sendo irmãos, era normal para aquela época as famílias reais preservarem a linhagem pura da realeza. Não que eles se importassem com isso, é claro, pois eles estavam se casando por puro amor.
- Caros habitantes de toda a Britãnia, assim como os renomados lordes de vossas vizinhanças. Estamos reunidos aqui para um dia memorialmente especial, onde veremos o príncipe Arthur e a princesa Arturia unindo os seus votos de casamento. - O mago anunciou o início do casamento dos casal de loiros, que agora estavam de frente um para o outro sorridentes. - O príncipe agora terá a chance de iniciar os seus votos para a princesa. Príncipe Arthur, por favor, pode começar.
O loiro de antena acentiu com a cabeça, agora se sentindo bastante nervoso com o que iria falar. Mesmo tendo certeza de todos os seus sentimentos por Arturia, ele queria ter certeza de que iria ser valente para ser decidido com as suas emoções.
- Arturia Pendragon, há muito tempo eu venho guardando esses sentimentos em meu peito por ti há muito tempo. E quando nós estávamos viajando, sempre quis dizer cada palavra do que sentia para você. Você não é só alguém que compartilhou o ventre da nossa mãe comigo, você compartilhou a minha vida e também o meu coração. A nossa história é única, e se for para eu ter uma rainha, eu quero ter você para sempre ao meu lado.
Arturia estava lacrimejando ao ouvir palavras tão tocantes vindas de seu amado, desde a noite em que consumaram o seu amor pela primeira vez.
- Princesa Arturia, pode começar, por favor. - Merlin deu a deixa para a garota fazer os seus votos.
A bela loira acentiu com a cabeça, e dando o seu grande passo, ela começou a falar os seus votos para o seu gêmeo mais velho.
- Arthur Pendragon, você me conhece desde sempre e já sabe que posso não ser perfeita. Eu tenho gênio forte, e muitas das vezes não sei encontrar o cinza em meio ao tamanho de cores escuras e claras. Mas de uma coisa eu tenho certeza. Eu encontrei uma cor... - Arturia começou a falar, tendo um certo nervosismo em suas palavras, mas elas eram totalmente sinceras para com o seu príncipe. - Mas tão avermelhada que bate em meu peito e ela diz que quero estar ao seu lado. Até o fim, eu te amarei para sempre.
- Muito bem. Agora, majestades. Peço para que repitam comigo.
- Arthur Pendragon. - A princesa chamou o nome de seu noivo.
- Arturia Pendragon. - O príncipe chamou agora pelo nome de sua noiva.
Merlin começou a fazer os dois gêmeos repetirem o mesmo que ele estava falando.
- Com essa aliança... - Arthur colocou a pequena aliança no dedo esquerdo da sua princesa. - Eu faço o meu juramento. Eu prometo até o fim de minha vida amá-la...
- E protegê-lo. - Arturia colocou o anel de Arthur no dedo anelar esquerdo de seu amado enquanto repetia as palavras ditas por Merlin. - Estarei ao seu lado na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, saúde e na doença...
- Para amar e respeitar. - Arthur terminou o juramento da união de laços.
- Pelo poder investido em mim nesse momento, eu nomeio a vocês dois o direito ao trono e lhes consagro rei e rainha, como também marido e esposa. - Merlin acentiu com a cabeça em um sorriso e estendeu a sua mão para o gêmeo mais velho. - Rei Arthur, já pode beijar a noiva.
O Rei dos Cavaleiros avançou até os lábios de sua amada rainha e finalmente se beijaram, e tendo agora a salva de palmas dos convidados da cerimônia. Até mesmo os Cavaleiros da Távola Redonda estavam ali em volta do casal.
- Fico feliz pelo rei e a rainha. - Gawain demonstrou a sua felicidade pelos gêmeos, enquanto batia palmas.
- Eu também. Essa é a primeira vez que vejo a Rainha Arturia sorrir tão abertamente desse jeito. - Tristan falou com um sorriso enquanto mantinha os seus olhos fechados, como de costume.
Ali do outro lado do altar, estava Morgana olhando atentamente para os seus dois irmãos e vendo o quão felizes estavam naquele beijo como marido e esposa. Ela abominava esse sentimento deles. Era normal numa época como aquela os monarcas manterem o sangue real puro, e o direito dela foi negado por ser não apenas uma plebéia. Ela era filha de bruxos, e jamais seria aceita como rainha.
- Fico feliz por vocês, maninhos. Fico feliz pelo que farei com vocês muito em breve. - Morgana falava com um sorriso falso que demonstrava gentileza para eles, enquanto batia palmas e olhava para eles fixamente como se estivesse invisível naquele meio.
Cinco anos se passaram, e sentado em um trono havia um jovem Arthur que não havia envelhecido absolutamente nada, a não ser os seus súditos devido ao seu pacto sagrado com a Excalibur.
Ele jamais esteve tão feliz como agora, pois ele tinha uma mulher linda que sempre amou ao seu lado e eles tinham um ao outro. O dever de ambos era para com o povo, mas ainda assim eles também mantinham a sua lealdade para com eles mesmos.
De repente, em seu escritório surgiu um homem de cabelo bege vestido com uma roupa verde-água adentrando a sala de seu rei.
- Majestade, aqui está o cronograma do resto da semana. - Disse o homem de cabelos beges, enquanto deixava uma pequena pilha de pergaminhos na mesa dele.
- Mais papelada, Bedivere? Não acabou não? - Arthur deu um olhar sofredor ao ver aquela pilha de pergaminhos em sua mesa.
- Claro que não, seu idiota. - A voz repreensiva de Arturia surgiu, trazendo de brinde um golpe de um livro na cabeça de seu marido. - Um rei nunca pode deixar de fazer o trabalho.
Ele massageou o local do machucado, massageando enquanto sentia o olhar assassino de sua querida rainha. Bedivere deu uma risada nasal ao ver o casal interagindo com patadas e saiu para deixá-los a sós.
- Oi, amorzinho. - O gêmeo mais velho deu oi para ela, beijando a sua mão. - Pensei que não veria você tão cedo. Como foi a reunião?
- Foi bem. A reunião dos moradores do reino terminou cedo, e como a minha agenda estava livre, pensei em vir aqui para ver como você estava. E nem me surpreendi ao ver você tentando fugir do trabalho. - Arturia balançou a sua cabeça em negação ao ver o quão indisposto Arthur estava ao ficar naquela sala tão tediosa.
- Qual é, eu quero sair desse escritório e poder andar um pouco pra fora desse castelo, respirar um ar puro. - O loiro se levantou de sua cadeira e foi para a direção de sua amada, segurando-a em seus braços. - E também, seria ótimo se passássemos um tempinho a sós com a Mordred.
Ela o beijou ao se aproximar dele, e com um balançar de lábios e as duas línguas se tocando como se não quisessem se separar. Ele aprofundou o beijo e colocou sua rainha na mesa, continuando com os amassos. Os lábios carnudos de Arturia eram tão suculentos e macios que ele não iria parar de saboreá-los por nada nesse mundo.
- Se você fizer isso, não vai terminar o trabalho. - Arturia falou entre os beijos.
- Então eu deixo pra outra hora. - O Rei dos Cavaleiros sorriu, enquanto continuava beijando a bela loira sem querer parar para pegar fôlego.
Arturia finalmente se separou dos lábios dele, apesar de ser por uma grande relutância vindo da parte dela pois queria muito continuar com aqueles beijos tão gostosos vindos de seu querido gêmeo.
- E que tal assim? Se eu te ajudar, vamos lá levar a Mordred naquele campo de flores na floresta do oeste... você pode fazer aquela torta de maçã que só você faz. E também de brinde, deixaremos esse assunto inacabado aqui pros nossos aposentos, mais tarde. Que tal? - A Rainha dos Cavaleiros decidiu barganhar com Arthur e falou a última parte sussurrando no ouvido dele, com um sorrisinho de segundas intenções que rapidamente ele entendeu.
- Tá bom, mas você vai ficar me devendo essa, minha rainha. - O Rei dos Cavaleiros falou agora mais animado e pegou parte da papelada que Bedivere trouxe e começou a assinar os papéis. - E eu vou cobrar, hein.
Arturia pegou o restante e o ajudou a assinar os papéis. Ela continuava a sorrir vendo ele se esforçando, quando se tratava dela ou da Mordred. E no fundo, ela gostava disso nele.
- E falando na Mordred, ela ainda está estudando? - Ele perguntou curioso sobre onde estava a sua filhinha.
- Sim, ela estava estudando com a Morgana. Daqui a pouco os estudos dela já devem terminar por hoje. - A rainha respondeu a ele, enquanto olhava os pergaminhos.
Do lado noroeste do castelo, estava o quarto de Morgana. A princesa de Camelot estava acompanhada de uma pequena garotinha loira de olhos verdes. Elas estavam sentadas num sofá com alguns livros e pergaminhos em mãos.
- Qual divindade deu a origem dos céus e a terra na mitologia grega? - A bruxa questionou a jovem menina, que estava praticamente fazendo a sua cabeça torrar ao ponto de sair fumaça de tanto pensar.
- Huuuummm... Foi Gaia? - Mordred fez uma resposta, soando um pouco a uma dúvida.
- Isso aí! Acertou mais uma questão.
- Yay! - A jovem herdeira do trono gritou em positivo.
Uma batida na porta chamou a atenção de Morgana, e a albina suspirou em um tom meio exausto.
- Mordred, amanhã nós continuamos com o nosso estudo. Devia ir lá ver o seu pai no escritório dele. Ele vai querer ver você depois de assinar tanta papelada. - A bruxa sugeriu, enquanto fechava o seu livro sobre a epopéia da Mitologia Grega.
- Tá bom, titia Morgana. - A pequena loira foi até a albina e a abraçou bem apertado, que foi retribuído pela bruxa e enfim, a menina saiu do quarto dela, onde na porta estava um homem alto. Se tratava de um cavaleiro de cabelos brancos vestido com uma armadura prateada e verde.
- Oi, Mordred. Já terminou os estudos com a sua tia Morgana? - O cavaleiro perguntou amistoso para garota, sorrindo para ela.
- Já sim, sir Percival! - A menina acentiu para o cavaleiro, balançando a sua cabeça em positivo. - Vou lá ver o papai! Tchau, titia!
- Tchau, pequena. - A mulher de cabelos prateados balançou a palma de sua mão, enquanto via a menina ir embora pelos corredores do castelo. Agora a bruxa olhava com um olhar sério e fixo para o cavaleiro. - O que você deseja, Percival?
- É a Dama do Lago, majestade. Ela requisitou a sua presença na Ilha de Avalon. - Ele explicou para a irmã do rei, deixando-a com um olhar surpreso. Por qual razão ela foi chamada? E por quê Vivian queria algo com ela agora? Ninguém sabia que ela tinha poderes mágicos, já que os usava em segredo.
Seja o que fosse, iria logo resolver essa questão. Ela sabia o quão poderosa e inteligente era a Dama do Lago, já que também, as duas eram bem parecidas em certos modos.
- Muito bem, então. - Ela fechou os seus olhos, já começando a dar as ordens para o cavaleiro em sua frente. - Avise aos meus irmãos que eu vou chegar tarde para o jantar. E peça para que preparem o meu cavalo, por favor. Eu irei sozinha até lá.
O cavaleiro olhou com dúvida para a mulher de cabelos prateados, mas olhou em seus olhos azuis o quão decidida estava para ir sozinha até lá. Ela não poderia ser parada, nem se ele tentasse. Ela tinha uma persuasão tão poderosa que ele nem mesmo ousaria em negar um pedido da princesa.
- Sim, milady. - Ele balançou a sua cabeça para frente e saiu do quarto dela fechando a porta, enquanto ela olhava para o horizonte através de sua janela.
Morgana pensava em quanto tempo havia esperado para poder maquinar o seu plano depois de mais de vinte anos sem poder ter a chance de governar esse reino. O seu pai negou o direito dela de ser rainha de Camelot, e por isso, decidiu lutar pelo seu direito. Só que não de forma prática e correta, mas sim, decidindo usar a sua magia e a sua sede por poder.
E a pequena Mordred seria a sua arma secreta para garantir isso.
1273 d.C - Em algum lugar do deserto de Israel...
O loiro de armadura havia acabado de surgir no meio de um deserto infernal, e ele sentiu todo o calor do lugar e o sol escaldante vindo dos céus.
O suor em seu rosto o faria ficar desidratado, se ele não fosse de fato, um Servo. Mas esse sol não parecia normal, e ele estava sendo afetado pelo calor. O cavaleiro estava desidratado, completamente sofrendo pela falta de água.
Foi aí que ele abriu os seus olhos lentamente, vendo aquele poderoso sol lá em cima no céu. Ele olhou em sua volta para procurar por onde ele estava, e a única coisa que ele estava pensando exatamente era em como diabos ele foi parar ali?!
- O quê? Como? E por quê eu vim parar aqui? E onde é que eu tô?! - Arthur olhava ao seu redor, e abaixou o seu capuz para tapar o seu rosto do sol. - ALÔ?! ALÔ!!!
O Rei dos Cavaleiros gritava enquanto olhava ao redor daquele deserto. Ele não conseguia olhar pra mais nada além de algumas montanhas pelo horizonte e mais areia.
Ele notou que no chão estava a sua Excalibur, e rapidamente pegou a espada sagrada da areia. Ele viu a lâmina e fechou os seus olhos para tentar ler o conhecimento de batalha que ela havia absorvido para tentar entender o que aconteceu.
Foi aí que então, pequenos flashes surgiram em sua cabeça. Ele viu uma memória onde havia uma luta no meio do metrô de uma cidade japonesa contra um cara orgulhoso banhado a ouro, depois uma grande batalha no meio da Britãnia e a última coisa de que se lembrou foi da sua...
"Eu te amo, Arthur"
- ARTURIA! - Ele se lembrou ao recordar do rosto choroso de sua irmã, como se tivesse sido a última vez em que a viu. - Acho que agora eu me lembro. Eu tinha lutado na Segunda Guerra do Santo Graal de Tóquio junto com a Ayaka... E depois não me lembro mais do que aconteceu.
Ele ainda não conseguia entender o que houve depois da Guerra do Santo Graal, e o porquê dele ter ido parar nesse lugar esquecido por Deus. Mas ainda assim, ele não perdeu a sua compostura nem por um segundo. Ele precisava saber mais sobre esse lugar, e se possível, como voltar para casa. Ele viu na Excalibur, que sentia mais energias vitais de outros Espíritos Heróicos que estavam vivos por aí.
Haviam centenas deles, ele podia sentir todos eles muito bem. E estavam em volta desse deserto esquecido por Deus.
- A maior concentração de força vital está vindo do norte. Então é pra lá que eu vou. - Ele continuou a andar em direção ao local onde mais tinha energia vital, em busca de algum abrigo para poder pedir ajuda.
Essa não era mais a Guerra do Santo Graal na qual estava lutando nas últimas lembranças dele, e sim um outro ambiente provavelmente hostil num lugar que ele com certeza estava bem fora de sua circulação. E se ele encontrar mais algum Servo e ele não for amistoso, precisará estar preparado para qualquer coisa. Mesmo Arthur já sendo um Servo bastante poderoso.
O loiro de antena viu de repente uma imensa cratera na areia do tamanho de uma cidade e ele arregalou os olhos ao ver que haviam ruínas naquele local. E eram bem recentes. Havia sangue nas ruínas e esqueletos totalmente secos circulavam naquela cratera.
O monarca fechou os seus olhos em respeito aos que sofreram um fim terrível naquele local. Ele pegou no meio do chão um pedaço de tecido, grande o bastante para cobrir o seu corpo e se tapou para ninguém hostil reconhecê-lo e saiu daquele lugar.
Duas horas se passaram, e Arthur finalmente estava chegando perto de uma imensa cidade onde havia um grande castelo tão belo e rico em detalhes, que o Rei dos Cavaleiros começou a estranhar a semelhança dele. Mas ainda assim, não faria o menor sentido se aquele castelo fosse mesmo onde morou por certa parte de sua vida.
Afinal de contas, Camelot não ficava no meio de um deserto. Isso era inconcebível.
Ele se aproximou de uma guarita onde pessoas adentravam a cidade e saíam constantemente, e ao passar por ela, já percebeu um olhar de insegurança. Estava sendo vigiado.
O Rei dos Cavaleiros notou uma barraca de água onde havia um velho sentado nela com um olhar desinteressado.
Arthur não hesitou e correu até ela para beber uma água que estava em uma das jarras e bebeu a água toda, fazendo até mesmo algumas gotas caírem em sua armadura e capa, devido ao sol estranho, se refrescando finalmente com a bebida refrescante.
- Ô, meu jovem! Essa água não é de graça! Tem que pagar por ela! - O velho havia falado em uma língua hebraica, que Arthur rapidamente entendeu devido às suas habilidades como Saber.
- Ah, meu sincero perdão por isso, senhor. - Arthur pegou em seu bolso duas moedas de ouro e deu para pagar o homem mais velho, que se surpreendeu ao ver ouro nas mãos daquele rapaz. - Por algum acaso o senhor entende a minha língua? - Ele falou primeiro para o idoso em seu inglês britânico habitual, e ele balançou em positivo com a cabeça, estranhando com a pergunta do loiro. - Que bom! Pode me dizer onde é que eu estou?
- Você não sabe onde está, menino? - O velho vendedor franziu a sombrancelha, estranhando a pergunta do jovem rei. - Você está bem na Jerusalém Perdida, a porta para a Nova Camelot.
Ele estava no deserto Israelita? Como diabos ele veio parar ali no meio do continente da Ásia? Foi por causa de alguma magia? Alguém o levou até ali?!
- Estamos em Camelot?! - O rapaz franziu o seu rosto em dúvida, confuso com as informações do idoso. - Em Jerusalém?! Mas o que foi que houve com a capital de Israel?!
- Ela foi conquistada pela Deusa Rhongomyniad há um ano atrás, que agora é a nova rainha desse reino. Ela governa esse reino autoritário com mãos de ferro ao lado dos poderosos cavaleiros que servem apenas para os interesses dela. - O velho explicou ao cavaleiro, que ainda estava com mais dúvidas do que respostas.
O seu reino se tornou um governo de conquistadores? E os Cavaleiros da Távola Redonda estavam ao lado dessa deusa? Lancelot, Gawain, Bedivere e os outros também estavam ao lado dessa mulher?
- Pode me dizer mais sobre essa deusa? - O Rei dos Cavaleiros pediu por mais informações, mas nessa hora, dois soldados surgiram atrás deles.
Arthur se surpreendeu com a aparição aqueles caras. Usavam armaduras brancas bem iguais e também tinham o mesmo símbolo de Camelot em suas couraças, porém estava um pouco diferente.
- Você! É um Espírito Heróico, não é? A Vossa Majestade exige a rendição de todos os Servos agora mesmo!
O Rei dos Cavaleiros olhou para aqueles homens e visto que estava em um local aparentemente hostil e desconhecido, era automaticamente um alvo. Mas ainda assim, ele não podia sair de Jerusalém até descobrir o que houve com a Távola, e o que está acontecendo na Cidade Alta.
Ele deu um pulo e sumiu da vista dos cavaleiros rasos, se surpreendendo com a velocidade daquele rei.
- Atrás dele!
- Ó, Vento... se enfureça! - Ele usou uma de suas habilidades da sua arma sagrada e disparou uma poderosa rajada de vento contra aqueles homens, e aproveitou a oportunidade para correr.
Os soldados viram o encapuzado correr para fora daquelas barracas, e foram atrás dele. Arthur aproveitou a chance para se esconder no telhado de uma das casas, e se abaixou, suspirando aliviado. Ele deu uma olhada para aquela cidade alta no meio de Jerusalém, e viu que muralhas enormes de puro mármore circulavam em volta daquela cidade.
Era extremamente bem vigiada e protegida. Um Servo abaixo do Rank C seria completamente incapaz de invadir aquele lugar com vida. Ainda bem que ele era um Servo de Rank A, e poderia descobrir quem era essa tal deusa.
Olhando para baixo novamente, ele percebia que haviam pessoas pobres e doentes pelas ruas e vielas dessa parte da cidade. Não havia nada a não ser pessoas brigando por migalhas de pão mofado, socando, chutando e se arranhando apenas para conseguir um simples farelo.
- O que houve com todo mundo? - Ele olhou com pena para aquelas pessoas famintas, que tentavam sobreviver apesar das dificuldades.
- Se está procurando por alguma coisa, devia procurar pela luz. - De repente, uma voz feminina se aproximou dele com um olhar amistoso para o rei. Como o seu instinto de proteção falou mais alto, ele ergueu a sua Excalibur para a figura misteriosa.
Isso se tratava de uma jovem mulher loira com uma grande trança vestindo um vestido azul escuro com uma armadura e tinha uma espécie de tiara prateada que circulava a sua testa.
- Eu estou procurando por mais do que uma luz. Quero saber o que está acontecendo nessa cidade. E também descobrir quem foi que fez esse crime imperdoável, transportando e terraformando o meu reino pra Cidade Sagrada de Deus.
- "Seu reino?" - A loira estranhou virando a sua cabeça com o lado, curiosa com o que aquele homem queria falar. - Quer dizer então que você é o Rei Arthur?
- O primeiro e único. Sou Arthur Pendragon, o verdadeiro Rei de Camelot. Um Servo da Classe Saber. - O Rei dos Cavaleiros acentiu com a cabeça, dando um sorriso de lado enquanto apontava para si mesmo com o polegar. - E você? Pode ter o favor de se apresentar a mim, cara dama?
- Sou Jeanne d'Arc, também sou uma Serva assim como você, da Classe Ruler. - A santa fez uma reverência para ele, em seguida apertando a mão dele com um cumprimento. - Se você é o Rei Arthur, pode me dizer do que se trata daquela cidade alta?
- Não faço ideia, só do que me lembro é de acordar nesse deserto no meio do nada. - Arthur explicou, sem muitas informações em sua cabeça como o esperado.
- Tá tudo bem, Isso é normal. Todos os Servos que acordam nesse lugar acabam parando no meio do nada sem saber como ou porque vieram parar aqui. - Jeanne explicou a ele, estendendo os seus braços para cima. - Eu vim parar aqui há dois anos atrás, e numa noite qualquer, toda Jerusalém foi terraformada pelo uso do Santo Graal e um Fantasma Nobre de nível Anti-Mundo. Eu e a minha irmãzinha acabamos nos rebelando e assim, eu criei uma resistência anti-cameloteana chamada ASR, A Resistência dos Servos.
- Irmã? - O loiro de antena estranhou com um olhar duvidoso. - Mas só que nas histórias da França, a sua família não teve nenhuma referência histórica e...
De repente, uma figura vestindo roupas escuras e negativas apareceu e deu uma voadora no Rei dos Cavaleiros, fazendo ele se afastar da Santa de Orleans com certa brutalidade.
Se tratava da imagem completamente idêntica de Jeanne d'Arc, porém com cabelos prateados, olhos amarelos e um semblante bem odioso no rosto. Aquela mulher era uma versão Alter idêntica de Jeanne d'Arc? Arthur se perguntava em seus pensamentos.
- Ruler, sua idiota sem noção! Faz alguma ideia do que você tá fazendo se envolvendo com Servos forasteiros?! - A santa corrompida reclamou com raiva para a loira de trança.
- Mas irmã, ele é o Rei Arthur! Ele pode ajudar a gente. - Ela falou em um tom receptivo e necessitado para a Alter.
A suposta "irmã" de Joana abriu os seus olhos boquiaberta ao ouvir das palavras da Ruler que aquele homem era na verdade o Rei Arthur. Ela rapidamente mudou o seu semblante para um semblante sério e odioso.
- Que ajudar o quê, sua santa retardada?! Não tá vendo que ele é o rei daquela porra de cidade?! - A Alter pegou na mão da loira de trança e tentou se virar para a direção contrária. - Vamos fugir agora antes que ele mande algum cavaleiro da Távola atrás da gente!
- Espera! Por favor! - O Rei dos Cavaleiros se levantava do chão com certa dificuldade, estendendo a sua mão para segurar a Ruler. - Eu sou sim o rei de Camelot, mas não dessa cidade terraformada. Quero descobrir o que foi que fizeram com Jerusalém e fazê-la voltar ao que era antes.
- Pera um pouco aí, então você não é o verdadeiro Rei Leão? - A Joana Alter franziu a testa, olhando melhor para o suposto Rei Arthur e começou a raciocinar sobre a aparência dele, já que a Deusa Rhongomyniad se assemelhava mais a uma mulher e não um homem.
Ele abriu ainda mais os seus olhos ao ouvir o nome de seu outro Fantasma Nobre sendo chamado pelo por essa mesma deusa misteriosa que ele ouviu falar a pouco tempo.
Quem era de fato essa Deusa Rhongomyniad?
O Rei dos Cavaleiros via algumas pessoas rezando no meio das ruas, desejando por algo que o deixou curioso. Apesar desse lugar ser Jerusalém, com certeza isso não fazia sentido. Era um povo que orava pelo judaísmo, mas como havia um ser divino nesse lugar, eles não estavam rezando para Deus.
- Sobre o quê eles estão rezando? - Arthur perguntou para as duas heroínas francesas com uma certa curiosidade.
- Estão rezando para aquela deusa pagã vadia. Se preparando as almas deles para a Seleção Sagrada. Dizem que aqueles dignos de serem escolhidos pela luz sagrada da Deusa Rhongomyniad tem permissão total de morarem na Cidade Alta. - A santa corrompida respondeu em um tom de deboche, enquanto olhava para Camelot. - Pura baboseira desses idiotas, achando que orações vão ajudar. Vão mesmo é só virar mais uma poça de sangue.
O Rei dos Cavaleiros olhou com um olhar perturbador para a Jeanne Alter, visto em conta que pela explicação que ouviu da mulher de cabelos prateados, alguma coisa não iria terminar muito bem hoje.
- E quando essa Seleção Sagrada vai ocorrer?
As duas Jeanne olharam para Arthur, vendo no rosto do monarca que ele estava interessado em entrar naquela cidade.
- Arthur, por favor, confie em mim. Não é uma boa ideia ir até lá. - A santa insistia em negar a vontade do Rei dos Cavaleiros de ir até Camelot sozinho. - Não nas nossas condições atuais.
- Eu só preciso saber quando, senhorita d'Arc. Não estou pedindo a sua permissão. - O loiro de antena falou em um tom ríspido para ela.
A Ruler com certeza não conseguiria convencê-lo de evitar fazer essa estupidez de ir até a Camelot.
- Ela ocorre uma vez ao mês, e ela vai rolar hoje, ao anoitecer. - A Avenger explicou a ele, o que deixou a sua contraparte irritada.
- Alter! O que você fez?!
Eles ouviram mais passos de soldados andando pelas ruas, e se abaixaram para evitarem ser vistos por eles. Arthur notou que eles estavam indo em direção a Cidade Alta. Ele possui os seus poderes do Ar Invisível. Poderia atravessar aquele lugar sem nenhum problema, não é?
- Ó Vento, me cubra! - Ativando novamente o seu Ar Invisível, o Rei dos Cavaleiros se cobriu com o vento junto de sua Excalibur sendo completamente camuflado pelo elemento da natureza que estava sendo manipulado pela sua vontade.
Ele aproveitou esse momento para pular, e desceu da sacada para a rua. Seguindo os soldados, Arthur andava de uma distância segura para que ninguém pudesse ouví-lo.
Jeanne e Jalter notaram o Rei dos Cavaleiros sumindo no meio da rua e elas se entreolharam.
- Enfim, já vai tarde. - A santa corrompida deu de ombros para onde Arthur estava indo e se virou para outra direção. - Vamos logo. Temos que voltar pro esconderijo antes que nos achem, Ruler. Se vamos aproveitar essa oportunidade pra fugir de Jerusalém, tem que ser essa noite.
- Mas irmã, ele vai morrer se for lá sozinho! - A loira de trança insistia para ela voltar e ajudar ele.
- Não tô nem aí, cacete! Se já não viu, é ele que quer se matar! E caso você já não tenha se esquecido, VOCÊ é a minha catalisadora, ô sua idiota! Não tô afim de morrer por sua causa e por causa dele! - A Avenger pegou a sua de sua contraparte boazinha e andou bruscamente para fora daquele telhado.
A Ruler apenas olhava com preocupação para aquele cavaleiro, que sumiu no meio do ar entre as ruas. Enquanto isso, no meio da Cidade Alta um certo cavaleiro de longos cabelos ruivos andava calmamente em direção ao palácio real para dar o seu relatório ao Rei Leão.
Ao adentrar o castelo feito de puro mármore, ele foi em direção ao salão do trono onde lá sentado num trono estava uma figura misteriosa com uma bela armadura elegante, um elmo que cobria todo o seu rosto onde a parte de cima dele havia uma cabeça de pele de leão. Mas o mais intrigante disso era a enorme lança em sua mão direita.
O cavaleiro de cabelos vermelhos se ajoelhou para ela e com seus costumeiros olhos fechados, ele se apresentou para ela.
- Tristan, os meus olhos e ouvidos de Camelot. - A voz feminina abafada pelo elmo chamou a atenção do ruivo. - Diga o seu relatório.
- Majestade, Lancelot foi se assegurar das aldeias ao oeste e está à procura de Minamoto no Raikou nesse momento. - O cavaleiro explicou a ela. - Creio que ela esteja retornando a sua resistência de Servos.
- Agravain, meu segundo colocado... Seu relatório. - Agora o Rei Leão foi se assegurar de cobrar o relato de seu atual braço direito.
- Localizamos uma Serva fazendo uma pregação do Deus hebreu contra a senhora, e no momento tem criado alguns espectadores e causando alguma discórdia entre os soldados na região. Mandamos alguns soldados para conter essa discórdia.
- É sobre a Jeanne d'Arc? - Perguntou ao braço direito dela. - Ela ainda está na Jerusalém Perdida?
- Sim, minha senhora. Ela está aqui na cidade. A minha suposição é que ela tente fugir enquanto ocorrer a Seleção Sagrada. Usaremos essa oportunidade para capturá-la e procurar por mais Servos dessa resistência. - Ele acentiu com a cabeça, e agora levantou-se sua fronte para ela. - E majestade, agora pouco os nossos soldados encontraram um novo Servo foragido no mercado de Jerusalém. E aparentemente ele tinha em posse o brasão real de Camelot em sua veste, assim como o da senhora.
A respiração da Deusa Rhongomyniad fez uma pausa demorada, o que fez o Archer e o Lancer ficar receoso com o que a sua rainha faria. Ela se levantou de seu trono e desceu o altar com passos calmos até chegar perto do ruivo.
- A Seleção Sagrada não deve ser interrompida. - A figura mascarada desceu os degraus com calma, enquanto atravessava os dois cavaleiros. - Avise a Gawain para que ele supervisione os preparativos, e se prepare para qualquer interrupção que tiver durante a seleção. Contatem Lancelot, para que ele continue a localizar Raikou e matá-la assim que tiver a chance. Retornarei aos meus aposentos, pois preciso me preparar para essa noite.
- Sim, Majestade! - Os dois acentiram com a sua reverência contínua para ela, enquanto ela acabara de sair do salão do trono.
A Deusa Rhongomyniad andava pelos seus corredores de mármore observando a sua frente com um olhar verde-limão misterioso por baixo de seu elmo de leão. Seja lá o que fosse, não havia um olhar vivo por trás daquela máscara há muito tempo.
Ao chegar em seus aposentos reais, ela se sentou na sua cama e retirou a sua máscara de leão revelando uma bela face de uma linda mulher loira no seu auge dos 30 anos de idade com os seus olhos verde-limão inexpressivos, porém com um certo brilho de curiosidade.
Havia alguém com o brasão real de Camelot nessa cidade? Nessa Singularidade?
É impossível! Não existe mais nenhum Pendragon vivo além dela e de sua filha. O Rei dos Cavaleiros estava morto há muito tempo.
Era suposto que ocorreriam desavenças no momento em que essa Seleção Sagrada fosse fundada, mas ela não poderia evitar que a morte levasse esses ímpios que rastejam pelo mundo como moscas por carne morta.
Ela confiou o destino nas mãos da humanidade por tempo demais. Acabou.
Ela foi até um quadro onde ali estava o rosto de seu finado amor. O único homem que ela amou em sua vida. Materializando uma pequena chama em seu dedo, ela acendeu algumas velas para ele. Ela juntou suas mãos e fechou os seus olhos em uma oração.
- Eu estou perto de te trazer de volta, meu Arthur. Só espere mais um pouco, não demorará muito.
Arthur estava seguindo calmamente aqueles homens em direção a Cidade Alta enquanto saltava pelos telhados de barro e tijolos. Graças ao Ar Invisível, ele podia manter o seu corpo camuflado para que ninguém pudesse vê-lo.
Só apenas um Servo com habilidades de longo alcance poderiam vê-lo, mas ele não teria esse problema se fosse indo rápido.
De repente, ele sentiu um empurrão e foi jogado para um telhado a duas casas atrás dele. Isso o fez ter que desativar o Ar Invisível, se revelando na luz do sol.
- Não acredito, estava quase lá. - O Rei dos Cavaleiros falou irritado, ao se levantar após o empurrão brusco da figura misteriosa que o trouxe para aquele lugar.
- E eu não acredito que essa era a sua ideia, Saber. - Uma voz familiar saiu da boca da figura que havia o empurrado, e Arthur abriu os seus olhos surpreso pela origem vinda dessa voz.
O Rei dos Cavaleiros levantou o seu olhar e se lembrou da voz dessa pessoa que acabara de lhe dar o empurrão e ao ver o homem vestido com um traje verde estendendo a sua mão para ele, o loiro de antena não hesitou e pegou a mão dele para ser levantado por ele.
- Pelos céus. Você também está aqui, senhor Arash? - O Rei dos Cavaleiros deu um sorriso de lado ao ver o Archer em sua frente.
- É um prazer revê-lo, Rei dos Cavaleiros. - O herói persa sorriu de volta e balançou a sua cabeça em cumprimento ao rei de Camelot. - Contudo, acho estranho você querer entrar num lugar onde está prestes a encontrar a morte tão repentinamente.
Arash Kamangir, um Servo da Classe Archer que lutou com Arthur e posteriormente ao lado dele durante a Primeira Guerra do Santo Graal de Tóquio, em 1991. Ele foi um aliado valioso para o Rei dos Cavaleiros naquela época, para derrotarem o servo Rider daquela guerra.
E agora ele estava ali também naquela Singularidade.
- O que está fazendo, Arthur? Servos não devem se expor nessa cidade, está sob vigilância constante da Távola Redonda.
- Estou indo libertar Jerusalém dessa deusa. - Respondeu ao arqueiro com simplicidade.
Arash deu uma olhada para trás dele onde estavam próximos aos grandes portões da Cidade Alta, e num breve momento, viu com a sua visão de longo alcance uma cabeleira ruiva balançando no ar lá longe no palácio real.
Ele viu que se tratava de um certo Cavaleiro da Távola Redonda de cabelos vermelhos e com olhos fechados, enquanto estava com um arco estranho num formato de harpa em mãos.
- Se abaixa! - O Archer abaixou-se, e no pulo do desespero, o Proto Saber fez o mesmo. - Com aquele cara ali vigiando os portões, não tem como invadir aquele lugar sem ser visto por ele.
- Tristan... - Arthur sussurrou, mas alto o bastante para que Arash pudesse ouvir.
- Vamos conversar em um lugar mais seguro. - O arqueiro se virou para o loiro de antena. - Eu também tenho uma ideia sobre invadir aquele castelo hoje a noite. Tenho aliados ali que estão presos dentro daquelas muralhas. Quer se juntar a mim nessa empreitada, Rei dos Cavaleiros?
A ideia de Arash sobre invadir a Cidade Alta chamou a atenção de Arthur, e agora que ele viu que o herói persa tinha interesse também em invadir aquele lugar, o Rei dos Cavaleiros não poderia ignorar essa oportunidade. Apesar de que as duas Jeanne d'Arc também poderiam ser grandes aliadas dele para realizar essa proeza.
- Acho que vou aceitar a sua ideia.
Notes:
Sobre essa história, eu quero tentar não mostrar muito no lado do Ritsuka e da Mash, então eu quero fazer com que o Arthur esteja em um lugar diferente enquanto os outros dois em outro. Mas eles vão sim se encontrar eventualmente, assim como eu estou planejando o reencontro entre Arthur e Bedivere
Até mais 👍
Chapter 3: A Seleção Sagrada
Summary:
Arthur, Arash e Siegfried vão até a Seleção Sagrada, com o intuito de salvar os Servos presos no castelo da Deusa Rhongomyniad. Enquanto isso, no meio do deserto, o Cavaleiro do Lago vai atrás de uma certa semideusa que está foragida. Só o que ele não esperava era que teria que beber um pouco de álcool para poder falar com ela, e também algumas outras coisinhas.
Notes:
(See the end of the chapter for notes.)
Chapter Text
Área Pobre da Perdida Jerusalém
17:06 da Tarde
O Rei dos Cavaleiros e o arqueiro persa haviam recuado de perto dos portões da Cidade Alta para planejar uma estratégia que se resumisse a resgatar os companheiros de Arash e localizar essa Deusa Rhongomyniad para tirar satisfações e depois, matá-la.
Eles estavam em uma barraca que Arash havia feito para ter um lugar para descansar na Cidade Sagrada. Arthur olhou para a barraca, era um pouco igual ao que ele tinha antes de ter a sua vida como plebeu.
Mas ele sentiu pena das pessoas que estavam a sua volta, o quão necessitadas elas estavam. Só de ver em seus rostos, alguns perderam as suas esperanças e já desistiram de tudo, outros ainda crêem em todos os tipos de divindades para que o melhor chegue e haviam também outros que só olhavam para frente.
Arthur precisava olhar para frente. Não importa o que aconteça.
Eles se sentaram, e Arash pegou de sua mochila um lampião elétrico para iluminar o local.
- Gostei do lugar. E onde você conseguiu esse lampião a pilhas?
- Nessa Singularidade, existem várias coisas de outras eras inclusive do Século 21, que caíram por aqui espalhados por todo o deserto de Israel. Veículos, construções, tecnologia bélica... O que os Servos desse tempo encontrarem, eles se aproveitam disso. Devia ver o que o Faraó fez lá no sul. Tá com fome? - Arash pegou um bolinho de kibe e ofereceu a Arthur, que por sua natureza esfomeada, pegou o outro e começou a comer. - Então, Saber. O que lhe realmente lhe trouxe até Jerusalém, além de querer libertá-la desse governo bélico da Deusa Rhongomyniad?
Arthur então levantou o seu olhar para tentar responder a sua pergunta para o arqueiro persa.
- Eu sinto que tem algo a mais acontecendo por aqui. A minha espada sente algo atraindo ela. Eu quero saber o que há atrás daquelas muralhas para encontrar essa deusa.
- Mesmo sabendo que isso pode te matar? - Ele levantou a sua sombrancelha, apesar da pergunta minuciosa para o rei de Camelot.
- Não vou cair tão fácil, senhor Arash. Eu sou o Rei dos Cavaleiros e o líder dos 16 Cavaleiros da Távola Redonda. - O loiro de antena falou em um tom orgulhoso para o homem de arco, enquanto comia o seu kibe. - Hum, isso aqui é bem gostoso, hein. Me passa essa receita depois.
O Archer deu uma risada nasal ao ouvir tais palavras vindas do rei de Camelot, e apesar de serem meio orgulhosas, ele sabia que Arthur falava a verdade. Por ser o Rei dos Cavaleiros, ele era muito poderoso, como já o viu em batalha para derrotar o Rider na Primeira Guerra do Santo Graal de Tóquio.
Mas comparado ao Rei Leão, ele tinha muitas dúvidas sobre isso.
- E por favor, quero saber mais sobre essa Deusa Rhongomyniad. - Ele voltou novamente a sua questão que estava martelando a sua cabeça desde que chegou a Jerusálem. - Por quê chamam essa mulher de deusa? Ela é mesmo uma deusa de verdade?
Arash balançou a sua cabeça e deu de ombros como se não tivesse uma resposta clara.
- Pra dizer a verdade, não sei exatamente de muita coisa sobre essa figura misteriosa. Alguns Servos que vieram antes da gente diziam que ela vaga por esse deserto há mais de mil anos e possui o poder de guiar o mundo na palma de suas mãos. Eu vim parar nesse deserto há uns quatro anos atrás, e com a Távola Redonda atrás de mim. Mas se ela é ou não uma deusa, devo dizer que é uma figura bem poderosa. - O persa começou a explicar sobre o que aconteceu desde que ele veio parar nesse deserto. - Um grupo de Assassins apareceu para me salvar de um ataque dos soldados de Camelot. Desde então, eu estou com eles ajudando a proteger o nosso povo da Deusa Rhongomyniad.
- E as duas Jeanne d'Arc? A Ruler e a Alter também estão com você?
- Na verdade, não. - Ele negou para o rei, ao dar uma pausa para e comer mais do kibe. Então, o arqueiro das estrelas continuou. - Elas são de um grupo pequeno de resistência feito por Servos que estão apenas roubando comida das caravanas que vem para a Cidade Alta e distribuem aos pobres, tipo a história do Robin Hood. Mas só que elas também tiveram um aliado delas capturado e agora está lá na prisão junto com o nosso.
Isso explicava pra Arthur a razão de Jeanne d'Arc em estar tão perto da Cidade Alta. Provavelmente estava vigiando as fronteiras da cidade e por coincidência, o achou.
- E sobre essa Seleção Sagrada? O que é exatamente?
- É uma seleção mágica onde todos os moradores de Jerusalém, pobres e ricos tem a chance de irem se prostrar para a Deusa Rhongomyniad, que irá decidir se são dignos de viverem debaixo das asas dela. - Arash respondeu a ele, enquanto pegava agora em sua mochila um mapa da cidade e mostrava um local marcado com um círculo. - É nesse portão aqui que vai começar a Seleção Sagrada. A população da Cidade Sagrada vai ter a chance de entrar lá para se encontrarem com a Deusa Rhongomyniad. E a gente vai lá as 22:00 da noite.
- E sobre você estar perambulando pela cidade sem chamar a atenção dos soldados? Aposto que você não me parou só por pura coincidência.
Ele agora deu um sorriso fechado ao ver que Arthur percebeu um dos motivos para ele ter sido abordado antes de poder invadir os portões da Cidade Alta.
- Na verdade, eu fui conversar com mais alguns Servos agora pouco sobre essa cidade. Uma Serva da Classe Caster chamada Leonardo da Vinci, que diz ser uma aliada da Chaldea... e um homem misterioso chamado Lucius. Porém, o que eu achei mais estranho era que ele tinha na armadura dele o símbolo que só os Cavaleiros da Távola Redonda possuem.
Os olhos de Arthur arregalaram ao ouvir tal nome. Na verdade esse nome era um apelido que o tal cavaleiro usou durante uma época em que ele estava disfarçado em Camlann, antes da guerra começar. Antes da história do Rei dos Cavaleiros se tornar uma grande lenda.
- Bedivere?! - O loiro de antena falou em um tom alto, quase gritando praticamente.
- Ah, então esse é o verdadeiro nome dele, é? O seu amigo é um péssimo mentiroso. - Arash deu uma risada nasal ao ver ouvir o nome do cavaleiro pela boca de Arthur.
- Onde ele está agora? Onde você o viu, senhor Arash?! - O Rei dos Cavaleiros perguntou ao arqueiro, interessado em saber onde estava o seu velho amigo.
- Eu me encontrei com ele aqui perto, numa estalagem junto com a Da Vinci, que também queria algumas informações. Agora eu já não sei mais onde está. - O persa deu de ombros, balançando a sua cabeça em negação. - Deve estar em algum lugar dessa cidade. Ele também parecia interessado em entrar na Cidade Sagrada, então falei pra ele sobre a Seleção.
Arthur estava esperançoso sobre encontrar Bedivere, já que se a Távola Redonda nesse lugar era diferente da Távola Redonda que ele fundou há séculos atrás e o seu Cavaleiro da Lealdade não mudou de lado para o mal, ele poderia tentar mudar os outros cavaleiros a saírem dessa devoção por essa deusa que se chama Rei Leão.
- O que você acha que ele vai fazer? - O Rei dos Cavaleiros perguntou ao arqueiro persa, preocupado com o que o Cavaleiro da Lealdade estava planejando fazer.
- Seja o que ele for fazer... Sinto que deve ser uma viagem só de ida.
- Ele tá indo pra Seleção... Não é? - Arthur começou a suar de preocupação ao ver que o seu velho companheiro de Ordem estava querendo ir até essa tal "seleção sagrada".
Arash sabia que Arthur iria de qualquer jeito até esse lugar, ainda mais sabendo que Bedivere iria lá sozinho pra tentar fazer sei lá o quê.
- Quando chegarmos lá, pensamos nisso. Agora, temos que planejar sobre a nossa invasão. - O arqueiro disparador de estrelas apontou para os círculos marcados com tinta vermelha no mapa. - Quando a Seleção Sagrada começar, eu vou distrair os guardas. Você pode aproveitar a distração minha e do Saber, entrar lá dentro, e salvar os Servos aliados que estão lá.
- Pera aí, que Saber é esse que você falou? E que tipo de Servos presos são esses? - Arthur perguntou enquanto tentava entender o plano do Archer.
- Dois Pseudo-Servos. Que usam corpos de Mestres lá do futuro. - Uma voz rouca e calma surgiu atrás dos dois Servos, deixando Arthur totalmente assustado e com o seu instinto de proteção, ele pegou a sua Excalibur para apontá-la para o homem misterioso que estava agachado.
Se tratava de um homem de longos cabelos cinzentos com marcas azuis pelo rosto e corpo. Ele vestia roupas de couro com algumas blindagens por cima e tinha uma cara de paisagem, como se estivesse desinteressado com alguma coisa.
Arthur sentiu um cheiro de dragão vindo daquele homem, já estava sentindo algo estranho há algum tempo. Mas não conseguia dizer o que era exatamente. Agora ele sabia do quê e de quem se tratava, só de olhar para o rosto marcado daquele cara.
- E você deve ser o tal Saber, não é? - Ele deu uma risada nasal, enquanto uma pequena gota de suor surgiu em seu rosto.
- De fato. Eu me chamo Siegfried. É um prazer conhecê-lo, Rei dos Cavaleiros.
Nessa mesma hora
Em algum lugar, a 168 km de Jerusalém...
Enquanto Arthur, Arash e Siegfried planejavam sobre a Seleção Sagrada, em algum lugar ao oeste do deserto de Israel havia um pequeno vilarejo onde um punhado de pessoas viviam ali.
Uma mulher negra de cabelos roxos usando uma máscara semelhante a uma caveira surgiu de dentro de uma das casas em direção a um pequeno bar onde ali só havia apenas uma mulher asiática bebendo o que deveria ser uma cachaça.
A mulher era linda com uma aparência bem madura no auge de sua juventude adulta. Tinha um tamanho acima da média, pele alva, um cabelo roxo enorme preso num rabo de golfinho, vestia uma roupa de material apertado com algumas blindagens de armadura japonesa que mostravam todo o seu corpo voluptuoso bem desenvolvido em seus seios e quadris. Em sua cintura, havia apenas uma katana com uma bainha com pelo que se assemelhava ao de um tigre. Para completar a sua aparência, tinha uma faixa no busto avantajado com um símbolo semelhante a um coração.
- Já está bom pra você parar de beber, mulher. Não quero ver ninguém vomitando no meu bar. - A mulher mascarada segurou a sua mão enluvada dela pelo ombro da figura de cabelo de golfinho.
- Não está bom não, quero mais um pouco. - A asiática negou para a mascarada ao falar em um tom meio tristonho e alterado. Ela estendeu o seu copo para o barman, com a intenção de encher o objeto com mais bebida.
O homem olhava para a mascarada sem saber o que fazer enquanto segurava a garrafa de bebida forte. A mulher de máscara só deu de ombros e balançou a sua cabeça, deixando o barman serví-la.
- Já está aqui há três dias, só enchendo a cara e chorando como uma bêbada necessitada por carinho. Quando você vai fazer alguma coisa, Berserker?! Aquele cavaleiro está vindo aqui de novo!
- Quando eu já tiver bebido o suficiente. - A mulher de roupas lilás sorriu enquanto engolia a sua bebida de uma vez só, enquanto o líquido alcoólico descia queimando pela sua garganta.
Lá fora, um som de cavalgada surgia no horizonte e se aproximava a cada segundo. Era apenas um cavaleiro em cima de um cavalo blindado. Mas não era um cavaleiro comum, e sim de um Cavaleiro da Távola Redonda.
Ele era um homem bem alto, tinha uma bela aparência apesar das marcas da idade em seu rosto que se assemelhava a idade de um homem de quase uns 40 anos. Ele tinha uma elegante armadura roxa magenta blindada para proteger todo o seu corpo, cabelos da mesma cor e uma capa preta com capuz coberto de pêlos negros. Em sua armadura havia um símbolo da Távola Redonda, assim como também na bainha de sua espada.
Havia na bainha também um nome cravado em língua bretã antiga.
Arondight
Ele saiu de cima do cavalo, pegou em sua bolsa uma maçã e prendeu o animal num local para poder beber água e descansar. O homem misterioso fechou os seus olhos para poder sentir a presença de mais algum Servo nas redondezas, e por uma incrível surpresa, sentiu a presença de dois Servos. Porém, a presença um deles era extremamente poderosa.
Provavelmente havia algum Servo de Rank B pra cima nesse lugar.
Mas esse vilarejo era um lugar pacato, não havia ninguém que lhe oferecesse resistência, se nada houvesse.
Ele rastreou a presença desse Servo poderoso em direção a um bar ali na esquina e adentrou o local. Ele olhou em volta, e ali estavam os dois Servos. Na verdade, se tratavam mais exatamente de duas Servas mulheres. Uma figura mascarada de cabelos roxos que já tinha conhecimento.
Mas a outra mulher ali, era uma grande novidade para ele. Jamais viu algo parecido como ela.
- Hassan da Serenidade, eu quero saber onde a resistência anti-cameloteana está se escondendo. - Ele decidiu ir direto ao ponto para a menor, que estava ali sentada.
- Já lhe disse, não existem outros Servos aqui. E eu não me envolvo com rebeliões estúpidas. - A Assassin respondeu a ele, visto em conta no rosto dela que não parecia ser uma verdade completa.
- E essa mulher aí? Ela não está me parecendo ser uma civil. Ainda mais com essa espada na cintura.
A mulher de cabelos longos levantou o seu olho e virou sua vista para o lado esquerdo ao ver que o cavaleiro chamou a atenção dele. Ela ignorava isso e continuava focando em sua bebida.
- Ei, estou falando com você, mulher. - Ele se aproximou dela em um tom autoritário e firme. - Se identifique. Você é uma Serva ou não?
- Eu não costumo conversar com homens que aparentam querer ser rudes comigo, senhor cavaleiro. - A bela mulher de cabelos roxos falou com um semblante bem neutro para ele, enquanto continuava a beber.
Ele viu que do estado em que aquela mulher estava de cair de bêbada, conversar formalmente não teria jeito algum de arrancar alguma informação dela. Se também for pelo fato de que ele sente uma poderosa sensação vindo daquela mulher, que com certeza era uma Serva. E uma das mais poderosas em que já viu em toda a sua vida.
- Muito bem então, perdoe-me pelo meu comportamento rude. - Ele amansou a sua voz com o intuito de querer ser mais receptivo para ela. - Será que poderia me dar a permissão de beber ao seu lado, senhorita?
A Serenidade sentiu uma leve pressão entre aquela mulher embriagada e o cavaleiro da Távola. A mulher de longos cabelos roxos acentiu com a cabeça enquanto apontava a cadeira para ele, e ele se sentou ao lado dela no balcão.
- O meu nome é Lancelot, sou um Servo da Classe Saber. E eu estou aqui em nome da Deusa Rhongomyniad pra procurar pela semideusa Minamoto no Raikou, e executá-la. Acredito que você deva saber onde ela esteja.
- Ah, é? Eu acho que não sei de nada sobre essa semideusa. Só sei que ouvi falar de uma história sobre uma mulher que sempre quis se casar e ter uma família... mas isso nunca aconteceu. - Ela falou para o cavaleiro em um tom meio melancólico e risonho, enquanto balançava o copo em sua mão.
- Barman, eu quero o mesmo que ela está tomando. - O Cavaleiro do Lago pediu ao homem que estava servindo as bebidas daquela asiática embriagada.
Ele pegou um copo e encheu com a bebida alcoólica, dando agora para Lancelot.
- Vai com calma, senhor. - O homem recomendou ao cavaleiro sobre a bebida. - Isso aí o que ela tá tomando é cachaça brasileira, é bem forte.
- Ótimo, é o que eu preciso no momento. Muito obrigado. - Ele balançou a sua cabeça em positivo para o homem e deu um gole na bebida, fazendo o cavaleiro sentir um gosto extremamente amargo em sua boca e garganta.
A mulher começou a gargalhar ao ver aquele homem tomando tal bebida daquele jeito tão desengonçado, como se nunca tivesse bebido em sua vida.
- Do que está rindo, mulher? - Ele questionou a mulher de corpo super-dotado, enquanto tossia ao sentir a sua garganta queimando como se ele pudesse cospir fogo.
- Fufufu... Querer tomar uma 51 desse jeito é muita coragem, ainda mais pra quem parece que nunca bebeu mais de uma bebida na vida. - A mulher de cabelos roxos segurava a sua risada ao ver aquele cavaleiro fazendo uma cara amarga ao se sentir meio tonto. - Já tentou botar tudo pra dentro numa vez só?
Ele tentou se recompor ao beber aquela 51 daquele jeito tão desengonçado, vendo que aquela espadachim estava rindo da cara dele. Mas por alguma estranha razão, ele percebeu alguma coisa naquela mulher.
Lancelot não sabia dizer se isso era por causa da bebida ou então se era por causa do brilho que ele conseguia ver naquela mulher que era tão radiante como um raio rasgando os céus.
- Falou a mulher que está bebendo cachaça como se fosse água. E pra sua informação, eu nunca bebo quando estou em serviço, senhorita. - Ele afirmou enquanto a Serenidade observava aqueles dois Servos com bastante receio.
- Não me chame de mulher. Yori...mitsushi. Meu nome é Yorimitsushi. - Ela deu o seu nome para o cavaleiro, olhando para ele agora.
- Então, senhorita Yorimitsushi, eu queria saber sobre você. Por que bebe como se não houvesse amanhã? Por acaso está comemorando alguma data importante?
- E isso é um interrogatório? - Ela levantou a sua sombrancelha para ele, querendo entender quais eram as intenções do Cavaleiro do Lago.
- Não, eu só quero puxar algum papo, conversar com alguém sobre qualquer coisa. - Ele assegurou a ela em um tom bem mais tranquilo.
Ela entortava os seus lábios ao pensar no que falar para o Cavaleiro do Lago. Sabia que ele não iria cair em mentiras e papos bobos.
- Eu estou lamentando pelo meu passado. Nunca fui agraciada pelo meu pai em poder ter a minha própria família.
- Mas você é muito bonita, poderia achar um homem para se relacionar e ter uma família. - Lancelot ainda falou, sem entender o motivo para ela não ter se casado.
A Yorimitsushi ficou com o rosto ruborizado ao ouvir tal elogio desse cavaleiro ao seu lado. Não esperava ouvir isso de alguém já fazia um bom tempo.
- O meu pai me proibiu de procurar por algum homem e amaldiçoou cada um deles que tentasse se aproximar de mim ou de se apaixonar, para que eu nunca mais pudesse ter filhos. Então eu adotei um menino com quem eu me apeguei, só que eu o perdi em uma batalha.
O cavaleiro balançou a sua cabeça em compreensão e bebeu mais um gole da cachaça, que por algum motivo agora começava a se tornar cada vez menos amarga, e mais doce conforme bebia. Aquela bebida começou a se tornar cada vez mais atrativa para ele.
- Eu tinha um filho, que nasceu de um caso indesejado. Houve uma rainha da Britãnia que ficou cobiçada por mim e usou uma ilusão para transformar-se em uma amante minha. Eu me deitei com ela, sem saber que ela não era quem eu amava. Quando eu descobri que ela estava grávida de meu filho, eu não pude fazer nada.
Lancelot estava agora em um tom tristonho enquanto olhava para as dezenas de garrafas de bebida atrás do balcão onde o barista observava com medo aqueles dois ali.
Yorimitsushi ficou interessada ao ouvir a história dele, vendo que ele não era exatamente o que esperava. Não era um cavaleiro impiedoso como os outros cães da Deusa Rhongomyniad. Mas ainda não estava convencida dele.
- Eu fui difamado por diversas pessoas, todos falavam que eu abusei da tal rainha. Ninguém acreditou em mim... Exceto ao Rei Arthur e a Rainha Arturia. Eles acreditaram em mim. Sabiam que não fiz por mal. - Ele começou a lacrimejar ao lembrar de seus piores dias antes de se tornar um cavaleiro. - Eles me viram que eu tinha um dom maior com a espada do que todos os outros e me chamaram para fazer parte da sua Távola.
- E sobre a Deusa Rhongomyniad? Por quê você é leal a uma deusa não se importa com as pessoas?
- Não se trata de ser leal ou não. Ela é a minha deusa e preciso adorá-la de qualquer jeito. E você? Por que vive nesse deserto quando poderia estar em outro lugar? A Cidade Sagrada é onde você poderia viver em segurança.
- Viver debaixo de um teto sob a segurança de uma deusa impiedosa que mata crianças inocentes sem nenhuma piedade? Não, obrigado. As pessoas merecem mais do que apenas sobreviver nesse deserto esquecido por Deus. - Yorimitsushi respondeu a ele, enquanto bebia mais de seu copo.
Lancelot fechou o seu rosto ao ouvir palavras duras dela, que por algum motivo deu uma risada nasal em concordância com ela.
- Como o meu companheiro Gawain costuma dizer pra mim, "sobreviver nesse deserto é um luxo". Camelot é o único lugar onde a Rei Leão pode salvar os justos.
- Estou nesse deserto há 100 anos e já ouvi falar dos outros Servos sobre o que acontece lá dentro daquelas paredes. Acha mesmo que alguém como eu iria ser poupada por aquela deusa que escolhe apenas aqueles que ela considera serem puros de coração, sendo que pessoas puras de coração nem mesmo existem nesse mundo? Acha mesmo que ela pouparia a mim?
- Só dependeria de você, senhorita Raikou. - A voz calma e firme de Lancelot em falar tal nome dessa figura deixou a mulher espadachim sem chão.
Os olhos daquela mulher arregalaram-se ao ouvir o nome saindo da boca dele como cacos de vidro misturados em ressentimentos.
- Eu vou levar você comigo, Minamoto no Raikou. Você escolhe como eu te levo: do jeito fácil, do jeito difícil ou do meu jeito? - Ele deu um sorrisinho de lado, vendo agora que ela estaria a mercê dele. - A gente pode fazer isso do jeito difícil, que também é do meu jeito.
Ela viu que ele estava com a mão no cabo da espada em sua cintura, prestes a desembainhá-la. Raikou suspirou e tomou o seu último gole, e dessa vez descendo como fogo em sua boca, como se cuspisse chama de dragão. Serenidade começou a tremer ao ver que o Cavaleiro do Lago acabou descobrindo a verdadeira identidade da Berserker.
De repente, lá fora houve um barulho de trovão percorrendo pelos céus. Raios percorriam sob as nuvens de um céu que antes estava azul e totalmente aberto, e agora estava tão cinzento e escuro como uma tormenta.
- Serenidade... Peço perdão pela sua parede. - Raikou já foi desculpando para a Assassin.
- Ah, mas eu não perdôo não, sua vadia peituda! - A Assassin esbravejou para a Berserker, que já estava tomando distância para o que a samurai estava prestes a fazer.
Raikou desembainhou a sua espada e tocou a lâmina em Lancelot, que rapidamente reagiu pegando a sua Arondight na sua bainha e se protegeu do corte elétrico da mulher, mas como resultado do impacto, foi jogado para o lado de fora do bar e atravessando uma parede.
Os aldeões olhavam preocupados ao verem aquele cavaleiro da Távola Redonda sendo jogado para o lado de fora daquele estabelecimento como se fosse um boneco de pano.
O Cavaleiro do Lago rapidamente recuperou a sua compostura e se levantou, ficando em posição de luta para combater a semideusa.
Serenidade via os dois estragando a parede do bar, e ela se irritou com o Saber e a Berserker, já irritada por terem arregaçado o lugar.
- Seus filhos da puta. - Ela os amaldiçoou, vendo o estrago feito pela samurai e pelo cavaleiro. - Vocês vão consertar essa porra de parede!
A semideusa saiu da parede e andava um pouco tonta devido ao tanto que havia bebido, mas ainda assim parecia demonstrar algum controle por estar segurando com maestria a sua katana na mão direita dela, enquanto balançava o seu rabo de golfinho com a sua mão esquerda.
A espada dela estava brilhando em luzes azuis enquanto os raios continuavam a contornar ela por inteiro.
- Você tem sorte de estar vivo desse meu ataque, senhor cavaleiro. A minha Doujigiri Yasutsuna consegue produzir e manipular raios e tempestades que continuam a canalizar energia através de mim. - A bela mulher de cabelos roxos falava em um tom mais sério e mortal para o cavaleiro de armadura magenta.
- "Manifestação do Deus do Trovão", não é mesmo? Que tipo de semideusa você é?! - Lancelot pulou para cima dela com a sua espada, pronto para atacá-la com tudo.
Raikou começou a correr para cima dele e ambos se chocaram com as suas duas armas lendárias, nenhuma delas queria se soltar. A katana da mulher guerreira canalizava raios através dela e com certeza não seria nada fácil em derrubá-la.
Finalmente eles começaram a se atacar com cortes horizontais e verticais simultâneos, com Lancelot atacando pela direita e Raikou fazendo o mesmo. Em seguida, eles continuaram a atacar com toda a velocidade que tinham.
Lancelot optou por usar a força bruta, mas seria bem difícil enfrentar ela assim de frente. Afinal de contas, ela era metade oni e metade humana. A imortalidade sobre ela era o que a mantinha viva.
Ele pulou para trás e se afastou um pouco, fazendo então a Caçadora de Mistérios realinhar a sua postura para contra ele.
- "Ela não é tão rápida quanto eu. Se eu usar a minha Arondight para contrabalancear os raios dela, terei uma chance para deixá-la inconsciente. Mas só que..." - O Cavaleiro do Lago olhou para aquela beldade com tanta hesitação. - "Será mesmo que eu vou conseguir fazer isso? Aquela mulher é tão linda e incrível..."
Lancelot olhava encantado para Raikou como se ela fosse um sol em sua frente. A única coisa que ele precisava ver. Não entendia direito o que era. Foi então que viu que o charme dela estava fazendo ele perder os seus sentidos. Ele balançou a sua cabeça para tentar manter a sua compostura. Estava ali para matar ela e não para admirar a sua beleza.
- Arondight! - Lancelot disparou uma grande rajada de corte azul em direção a ela, que apenas aguardava o ataque.
- Doujigiri Yasutsuna! - Ela disparou uma rajada de raios em direção ao ataque cortante que se chocou numa imensa fumaça onde cheirava a borracha queimada.
Ela não conseguia ver nada, só apenas a escuridão e um cheiro insuportável de queimado. Toda a fumaça criada pelos Fantasmas Nobres dos dois guerreiros haviam deixado ela completamente cega pela fumaça que não iria se dissipar agora tão rápido.
- Acabou pra você, Minamoto no Raikou. - A voz de Lancelot surgiu atrás dela, sussurrando em seu ouvido.
Antes que Raikou pudesse reagir, ele jogou a espada dela para longe de suas mãos e isso fez toda a tormenta nos céus se dissipar e trazer o céu limpo mais uma vez.
Ela agora estava no chão, toda inerte e incapaz de se mexer, com ele em cima dela segurando as suas mãos. A Caçadora de Mistérios agora estava sem poder reagir à força daquele forte cavaleiro, que era mais forte do que ela.
- E então, senhor cavaleiro? - Ela ria irônica enquanto se debatia, com os seus braços presos pelas mãos fortes dele. - Vai me matar agora? Essa é a sua chance então.
Lancelot não conseguia dizer nada para ela. Estava totalmente ruborizado ao ver os olhos roxos dela, tão lindos quanto o início da noite onde você podia ver os raios do sol na atmosfera sendo completamente preenchidos pela coloração roxa. Estava totalmente inerte em seus pensamentos apenas para ela.
O Cavaleiro do Lago conseguia dizer se isso era por causa da bebida ou não, mas sabia que alguma coisa naquela mulher o atraía.
E ele não era diferente nisso.
Raikou não conseguia reagir se ela pudesse, mas sim porque ela não queria. Não queria deixar de olhar para o rosto daquele cavaleiro tão misterioso. Os olhos dele, sendo de cores roxas ainda mais escuras do que os dela, era algo que a perdia em seus pensamentos.
Ela tinha uma certa irritação aos Servos homens que olhavam para ela, mas com ele... Ela não sentia isso vindo dele. Ele não olhava para ela só por causa de seu corpo, ele a olhava bem no reflexo de sua alma.
Eles se aproximavam lentamente, como se o tempo não precisasse passar rápido. Era apenas a calma e a precisão. A certeza de que nada iria atrapalhar eles.
E foi então que os seus lábios finalmente se juntaram. Eles puderam sentir o gosto doce da bebida alcoólica em seus lábios, era tão delicioso quanto o néctar de açúcar que nunca acabava.
As mãos de Lancelot que antes prendiam os pulsos da semideusa, agora estavam segurando as mãos dela de forma delicada, enquanto ela apenas seguia o ritmo de seu coração, que continuava a bater mais rápido a cada segundo. Se isso era por causa do álcool em sua bebida ou não, ela não estava nem aí. Nesse momento, tudo o que importava para ela era aquilo.
Só apenas os dois ali. Naquele lugar, naquele momento. Só os dois.
Eles finalmente se separaram devido a falta de ar, e ruborizados com tudo o que havia acontecido, Lancelot soltou-se da samurai, que também tentava recuperar o seu fôlego perdido.
- O que você fez comigo? Você me enfeitiçou com a sua magia de charme? - O Cavaleiro do Lago olhava para ela sem entender nada.
- O "Ponto de Amor" não faz parte das minhas habilidades de Serva, senhor cavaleiro. - Ela sussurrou para perto dele, quase roçando perto em seus lábios.
- Pode me chamar só de Lancelot, senhorita Raikou. - Ele sussurrou para ela com um sorriso e se aproximou para mais um beijo, porém antes que isso acontecesse, os dois sentiram uma poderosa presença mágica por ali.
Serenidade observava os dois Servos poderosos ali mansos como se a luta deles que quase acabou com a viela não tivesse acontecido. E se beijando como um casal de amantes?! Como assim? Isso por acaso era amor à primeira vista.
E em um simples piscar de olhos, algo começou a surgir onde ela estava. Diversas correntes vermelhas estavam circulando a Assassin, e ela foi levada para debaixo da terra.
- Serenidade! - Raikou estendeu a sua mão para a direção da Assassin, que havia sumido num buraco que acabara de ser preenchido por terra. Ela rapidamente se levantou e foi em direção aonde aquelas correntes apareceram. - Você fez isso, Lancelot?!
- Não, não fui eu. Mas eu sei quem foi. - Ele falou em um tom irritado ao ver aquelas correntes vermelhas que brilhavam em um tom escarlate sumirem com a Hassan da Serenidade. - Agravain.
Portões da Nova Camelot - Perdida Jerusalém
22:00 da Noite...
Milhares de pessoas estavam aglomeradas no grande portão principal da Cidade Alta, aguardando pela abertura que se iniciaria então a tão falada Seleção Sagrada.
Era dito que aqueles quem merecessem seriam dignos de poderem viver dentro daquelas muralhas, onde haviam casas boas, uma população justa onde não haveria fome, sofrimento ou dor. Apenas fartura, felicidade e paz.
Arthur estava ali naquele meio, todo encapuzado para poder entrar no palácio quando tivesse chance.
Ele olhava para os lados de cima dos muros procurando por seus companheiros de equipe. Arash e Siegfried iriam chamar a atenção dos soldados quando a confusão começasse, e não importa o que acontecesse, Arthur precisaria entrar na Cidade Alta e localizar os Servos que estão presos.
Mas ele também tinha outro plano pessoal. Encontrar essa tal Deusa Rhongomyniad, matá-la e desfazer Camelot de uma vez por todas. Ele já aceitou o destino do fim de seu reino há muito tempo, e se ele não deu certo, foi porque o destino decidiu assim. Ele aprendeu com as irmãs Manaka e Ayaka Saijou sobre seguir em frente com as suas mágoas. Pensar em recuperar o passado de sua terra natal já havia ido embora.
Só que a mulher que estava governando esse lugar não pensava assim. Ela pensava na perfeição. Queria que isso funcionasse, não importava o que acontecesse.
E pra Jerusalém ser livre... A Deusa Rhongomyniad precisava morrer. Pelas mãos dele.
É, a sua espada era uma arma sagrada com propriedades divinas. Seria fácil matar um deus com o seu Fantasma Nobre em poder total, ou pelo menos era o que ele pensava.
De repente o grande portão começara a abrir lentamente, e o Rei dos Cavaleiros aguardava a finalmente a chance de entrar dentro da Cidade Alta.
- Vocês dois acham mesmo... Que esse pessoal quer mesmo salvar esse povo? - Uma voz feminina chamou a atenção de Arthur, e ele viu que se tratava de uma mulher de cabelos castanhos conversando com dois adolescentes. O rapaz tinha cabelos castanhos, olhos azuis, vestia uma roupa tática estilo militar e tinha Selos de Comando na sua mão direita.
Aquele garoto era um Mestre? Aqui? Nesse tempo?! Como um garoto tão jovem poderia estar naquele lugar?
Ao lado dele havia uma garota de cabelos roxos claros vestida com um macacão preto curto e com algumas pequenas blindagens pela roupa. Ele sentia alguma coisa familiar vindo daquela garota, só que ele não sabia ainda o que era.
- Bom, é pra isso que serve essa cerimônia, não é? - O rapaz tentou argumentar com a mais velha.
- Pensa bem, se eles quisessem mesmo salvar esse povo inteiro, os portões deveriam estar abertos o tempo todo. Você não concorda comigo, Gudao-kun?
O rapaz ficou sem poder responder nada ao ouvir tais palavras pensativas da mulher, que tinha certa razão em suas palavras. Arthur não deixou isso o distrair, então se afastou da mulher e dos dois adolescentes, e seguiu em frente junto com a multidão.
O rei dos Cavaleiros olhava cuidadoso com o que estava em volta dele, e estava sentindo diversas presenças espirituais bem fortes que eram familiares pra ele ali dentro. Isso era mais que o bastante para exterminar todo esse povo que havia acabado de entrar.
Sem dúvida eram os membros da Távola Redonda. Ele avistou Tristan hoje cedo, então isso já confirmava as suas dúvidas.
- "Estão me ouvindo, senhor Arash? Senhor Siegfried?" - Arthur perguntou telepáticamente para os outros dois Servos.
- "Estou aqui." - Arash respondeu com o seu tom animado.
- "Também estou ouvindo." - Siegfried respondeu em seu tom calmo costumeiro.
- "Vocês por acaso já enfrentaram a Távola Redonda aqui em Israel, não é mesmo? O que exatamente vai acontecer nessa Seleção Sagrada?" - Arthur perguntou, enquanto olhava para os soldados lá de cima.
- "É melhor você mesmo ver isso com os seus próprios olhos, Arthur. Essa não é mais a Camelot que você tanto conhecia antes."
Esse comentário de Arash o deixou com uma pulga atrás da orelha, mas ainda assim, estava focado no plano. Aproveitar a confusão para invadir o castelo, localizar os Pseudo-Servos e achar a Deusa Rhongomyniad.
Agora todos pararam de andar e ele viu ali uma certa figura familiar.
- Gawain... - Ele sussurrou e suspirou meio aliviado ao ver seu velho amigo ali de frente para esse povo necessitado. Mas só que o seu rosto estava diferente, mais sério e com um olhar mais duro do que compreensivo. O Rei dos Cavaleiros nunca o viu dessa forma antes. - O que aconteceu com você, velho amigo?
O loiro de armadura verde-prateada começou a andar até uma parte do local aonde todos poderiam ver e ouvi-lo melhor.
- Bem vindos, candidados da Seleção Sagrada. Eu sou um dos Cavaleiros da Távola Redonda... O Cavaleiro do Sol, Gawain. - O loiro de capa esverdeada se apresentou para aquele povo, enquanto os portões acabavam de ser totalmente fechados por dentro.
Para Arthur, isso não cheirava bem. Ele não queria ser reconhecido por ninguém da Távola naquele momento, ou então seria um gigantesco alvo deles e da mulher que atualmente comanda eles.
- A nossa Cidade Sagrada, Camelot, é perfeita e imaculada de pecados. Um reino milenar feito do mais puro branco do mármore mais esculpido. E atrás desses portões, o paraíso tão aguardado espera por vocês. - Gawain chamou a atenção de todos, que começavam a se animar pelo comentário do cavaleiro que levantou o astral do povo. - Por favor, apreciem a benevolência do rei.
O Cavaleiro do Sol ergueu a sua mão para o alto, e de repente, os braseiros foram acesos para iluminar melhor em cima das muralhas. E bem ali estava uma figura misteriosa, que todos desconheciam. Era uma pessoa com um rosto todo coberto por um elmo de leão, roupas reais, armadura prateada e capa branca que não a faziam ser reconhecida por ninguém.
Arthur arregalou o seu olhar ao perceber o símbolo real da armadura daquela suposta deusa, que ele reconhecia muito bem.
- Não pode ser...
- "Arthur! Se concentra no plano!" - Arash o lembrou para não ficar desequilibrado.
A figura mascarada olhava para todos eles com os seus olhos verde-limão inexpressivos por baixo daquele elmo, como se não tivesse vontade nenhuma de salvá-los.
- São bem poucos aqueles que são guiados até o mais longínquo fim. Esses humanos estão presos nas linhas mortais e cruéis do destino. - A voz calma da Deusa Rhongomyniad ecoava por todo o local onde aquele povo estava, e apesar da falta de expressão, Arthur podia ouvir a voz tão familiar para ele que carregava uma sensação de sangue derramado. - Sendo assim, eu realizo essa seleção.
A Deusa Rhongomyniad estendeu a sua mão para a multidão, onde de repente quatro raios de luz amarela pura cercaram quatro indivíduos naquele lugar. E Arthur notou que a luz o cercava naquele momento.
- Almas que ainda não foram contaminadas pelo pecado... Que estão imaculadas de toda e qualquer maldade. Humanos que nasceram da eternidade e pureza imutável. - A figura mascarada deixou de fazer brilhar sobre os quatro. - Eu lanço o convite a esses quatro de viverem nessa cidade. Continue com os preparativos e reúna-os a mim, Lorde Gawain.
O que Arthur deveria fazer agora? Ir pra lá? E se os Cavaleiros da Távola Redonda o atacassem?
- Pessoal, eu realmente lamento muito por isso. Mas isso é a vontade da Deusa Rhongomyniad... Para assegurar a sobrevivência da humanidade. E agora mesmo, eu dou início a Seleção Sagrada. - Gawain terminou de falar, e de repente Arthur sentiu algo prestes a acontecer.
Uma enorme saraivada de flechas contínua começou a ser disparada para todos os lados, menos os escolhidos. As pessoas eram atingidas de maneira brutal, os soldados matavam os visitantes com suas espadas e outros tipos de armas de maneira violenta.
Arthur ficou completamente abismado ao ver que essa Deusa Rhongomyniad não estava salvando a maioria, e sim exterminando ela como se fossem meras baratas que rastejavam em doces.
Isso é que era a Seleção Sagrada?
Era como um tipo de expurgo, uma hora vermelha. Ela estava eliminando os ímpios e deixando os justos vivos, pelo que ele pôde entender. Aquela deusa não passava de uma açougueira.
Gawain se aproximou de Arthur, e o Rei dos Cavaleiros ficou um pouco nervoso ao ver seu antigo amigo daquele jeito. Ele esperava que não o reconhecesse, e que o capuz e a capa o encobrissem o suficiente.
- Vá para dentro e espere pela Deusa Rhongomyniad. - O loiro de capa verde apontou para um portão pequeno, onde dois dos escolhidos estavam indo. - E tome cuidado com as flechadas.
- "ARTHUR, VAI! A GENTE CUIDA DAQUI! VAI!" - Arash começou a disparar flechas, enquanto se comunicava pela mente com o Rei dos Cavaleiros.
- "Pode ir, senhor Arthur!" - Siegfried concordou com Arash, enquanto começava a atacar os soldados com a sua Balmung.
Ele teve que aceitar aos avanços de Arash e Siegfried, e seguiu em frente, agora correndo rapidamente á toda velocidade. Ao atravessar o pequeno portão, os soldados rapidamente se surpreenderam ao ver que um dos escolhidos era um Servo!
- Parado! Todos os Servos devem ser neutralizados! - Um dos soldados gritou para Arthur, mas ele o decapitou com a sua espada e seguiu em frente em direção ao palácio.
Ele retirou a capa que usava por cima, mostrando agora a sua armadura real de rei, com os símbolos da família Pendragon em sua armadura. Porém, a sua Excalibur ainda estava no Ar Invisível. Não podia deixar que os outros Cavaleiros da Távola Redonda descubram a sua identidade, pelo menos não ainda.
Ao chegar finalmente no castelo, ele notou uma explosão de chamas vindo lá da onde estava a entrada do portão principal.
- O Gawain tá usando a Galatine dele... Será que ele tá enfrentando o Siegfried, o Arash, ou então o... - Antes que ele pudesse terminar de falar, o Rei dos Cavaleiros notou alguns guardas indo em direção até ele.
Eles estavam todos armados com espadas, lanças e alabardas, prontos para neutralizá-lo com rapidez e eficiência. Mas ele era um dos melhores espadachins da história da humanidade.
- Ó Vento... Se enfureça! - Ele disparou uma rajada de vento do seu Ar Invisível em direção a uma parede onde os soldados estavam, e ele a destruiu no processo, invadindo agora o que deveria ser o seu castelo.
Seja lá o que o encontrasse ali, com certeza a noite não acabaria bem.
Notes:
É, o Arthur já tá acompanhado logo com o Arash e o Siegfried. Pensa num squad desses? Ele agora acabou de invadir o castelo, então o encontro dele com a Deusa Rhongomyniad está próximo de acontecer. E sobre essa pegação do Lancelot e da Raikou? Eu vi algumas fanarts dos dois juntos, e eu achava que no Fate/Grand Order eles eram um casal. Seria bem interessante ver eles tendo um relacionamento na Chaldea ou então em alguma Singularidade. Mas parece que isso só é coisa do fandom mesmo 🥲
Até mais! 👍
Chapter 4: O Reencontro
Summary:
Arthur invade o castelo de Camelot para libertar os Servos presos e vai até o salão do trono para matar a Deusa Rhongomyniad, porém ele encontra um rosto familiar e uma descoberta sombria.
Notes:
(See the end of the chapter for notes.)
Chapter Text
A Deusa Rhongomyniad observava em seu palácio do trono e olhava num holograma materializado no meio do ar dela, onde haviam agora dois Servos agachados para ela.
Era um rapaz e uma garota adolescentes com cabelos loiros, tinham olhos verdes com um semblante meio agressivo e usavam armaduras brancas-prateadas e vermelhas da mesma cor.
No holograma onde a mulher mascarada assistia às luzes, se tratava de uma câmera onde haviam pessoas invadindo o castelo como se fossem formigas entrando num formigueiro. Numa outra câmera haviam soldados sendo derrubados e atingidos por um vento invisível, e os cortes daqueles homens não eram feitos por vento. Era uma espada.
Aquilo era uma habilidade de camuflagem de um Servo extremamente poderosa, que conseguia fazer com que o usuário se tornasse invisível com uma espécie de ar místico que envolvia o usuário por inteiro.
- Os plebeus estão vindo para o salão do trono. - A voz calma e inexpressiva da bela loira de antena saia de sua boca como se fosse um sussurro murmurante. - Já sabem o que fazer. Vão e se preparem para a limpeza desses ímpios. Os que vierem para cá, eu os exterminarei.
- Sim, mãe. - A garota acentiu com a cabeça, dando um sorriso maldoso.
- Como a senhora desejar. - Já o rapaz falou com um tom mais silencioso.
Eles saíram lentamente do salão do trono, se separando e pulando para dois lados diferentes agora armados com uma espada prateada com partes em cores vermelhas.
O rapaz corria pelos corredores indo depressa até o local indicado pela sua mãe, com um semblante odioso em seu rosto ao ponto de algumas veias saltarem em sua face.
Ao virem diversos ímpios adentrando os corredores, o rapaz loiro de armadura vermelha olhou para todos aqueles israelitas desesperados por comida, necessitados por um conforto debaixo de um teto e famintos por esperança. Esperança aquela que seria destruída pelo golpe certeiro do aço.
Com poucos golpes vindos de sua espada, o rapaz matou dezenas de pessoas em sua frente como se não fosse nada. O sangue morno em seu rosto deixava-o com um olhar mórbido ao ver tantos inocentes mortos pelas suas mãos.
- E isso é justiça? Purificação? - Ele deu um sorriso irritado enquanto sentia pena de todos aqueles que matou. - Não sou nada diferente daquela mulher.
No salão do trono, a Deusa Rhongomyniad aguardava pacientemente pelos invasores de seu castelo e de sua cidade, prontos para purificá-los de seus pecados. Fome, dor, sofrimento. Essa era a benevolência dela.
Umas 30 pessoas haviam entrado desesperadamente no salão do trono, e ao verem uma figura mascarada cuja face misteriosa deixava tanto um ar de mistério quanto de terror no local. A mulher estendeu as suas mãos e com uma rajada de energia dourada, ela matou todos os adultos que estavam ali, restando apenas uma criança viva.
Era uma menina, tão fraca e magra que só o que ela usava para se cobrir era aquela capa.
- Papai! - A menina foi até o homem, que agora estava morto e totalmente imóvel. Ela começou a chorar de tristeza ao ver o seu pai morto. - Você matou ele!
- Não matei, eu o purifiquei, criança. Seja grata por isso, pois a minha benevolência é apenas para poucos. - Ela estendeu a sua mão novamente em direção da garota.
- Não, por favor! Não quero morrer! - A menina abraçava o corpo morto de seu progenitor, esperando para que nada acontecesse com ela.
- Isso já não cabe mais a você. Descanse em paz, criança. - O Rei Leão disparou a sua rajada de energia, acertando-a e matando a menina como se não fosse nada.
A Deusa Rhongomyniad retirou o seu elmo de leão e o colocou do lado de seu trono, revelando um rosto belo e feminino de uma jovem adulta de cabelos loiros presos em uma trança. Ela pegou a sua tiara e colocou-a nos seus cabelos, para mostrar o seu domínio real e divino.
Nesse mesmo momento, o Rei dos Cavaleiros havia acabado de invadir o castelo, e já tinha uma boa ideia de onde ficava a área da prisão. Ele viu que um grupo de soldados se aproximava, então rapidamente se escondeu atrás de uma coluna de mármore então passavam por ele.
Com certeza os Servos estariam no subsolo do castelo. Seria o melhor lugar pra uma deusa deixar Servos cativos. E além disso, esse era o seu próprio castelo. Ele conhecia aquele lugar com a palma de sua mão.
Ele continuou mantendo o seu Ar Invisível para se manter camuflado enquanto percorria o castelo, em direção ao subsolo. Precisava tomar cuidado se tiver algum membro da Távola Redonda por ali.
Uma pulga cutucava a sua orelha sobre algo. Cadê o povo dessa cidade?! Não era para ser uma população com pessoas de coração puro? Então cadê eles? Onde eles estavam? O que a Deusa Rhongomyniad fez com eles?
No subsolo, dois indivíduos presos na mesma cela aguardavam ansiosos ao ouvirem um certo barulho. Quer dizer, só apenas um indivíduo. O outro estava mais em paz.
- Você ouviu isso? Foi uma detonação de magia. - A voz da menina de longos cabelos castanhos presos em chiquinhas, e olhos vermelhos se exaltou, enquanto segurava aquelas barras. - Alguém deve ter invadido o castelo.
- Com certeza deve ser o sinal do Arash. Eu reconheço o trabalho de chamar atenção daquele cara de longe. - O rapaz ruivo de olhos castanhos falou, enquanto estava sentado no chão.
- Na boa, Muramasa-kun. Se vai querer agir, é hora de usar a sua magia aí. Vai logo e projeta alguma coisa de útil! - A garota de olhos vermelhos apontou o seu dedo indicador para a grade que brilhava em uma cor vermelha em volta de várias correntes escarlates.
- Esqueceu que esse lugar todo aqui é a prova de magia, Ishtar? Aquele tal do Agravain selou essas barras com aquelas correntes pra ninguém do lado de dentro fugir. - O rapaz de kimono respondeu a ela, num tom compreensivo para que ela pudesse entender.
Ele agora olhava para os lados de fora das celas, enquanto estava sentado e de pernas cruzadas. O contingente dos guardas naquela prisão havia dado uma diminuída, e isso só podia significar que com certeza não seria o Arash ou então o Siegfried. Havia outra pessoa por aqui.
De repente, uma das portas foi aberta com um vento estranho surgindo e atacando os dois guardas que estavam ali, acertando eles bem no corpo. Em seguida, havia mais três soldados se aproximando do corredor por onde o vento havia chegado.
- Onde ele está?! - Um dos soldados observava em volta do cômodo.
- Matem ele! - Ele apontou para o vento que estava coberto por uma mancha de sangue.
O vento invisível havia se revelado no meio do ambiente, onde se tratava de um Servo de cabelos loiros com um fio de antena no meio do cabelo. Ele vestia uma armadura prateada com roupas de tecidos azuis por baixo e uma capa azul longa, que cobria parte do seu corpo.
Ele pulou para cima dos três soldados com a sua arma e apunhalou cada um deles com ela, acertando o seu abdômen, coração e pescoço de maneira rápida e cirúrgica.
Ele limpou a sua lâmina balançando ela no ar para fazer o sangue voar dela, retirando o líquido escarlate por completo.
- Quem é esse cara? - A garota olhava para aquele homem que com certeza se tratava de um Servo, e bem habilidoso para conseguir acabar com cinco soldados em apenas 10 segundos.
- Ishtar, olha pra roupa dele! - O samurai apontou para a armadura dele, onde mostrava o símbolo da Távola Redonda e o brasão real de Camelot.
- Não pode ser... É o Rei Arthur?! - Ela se assustou ao ver logo o Rei dos Cavaleiros na presença deles.
Arthur foi até os dois, deixando o seu semblante sério para um semblante mais receptivo e tranquilo para eles. Pegando a sua Excalibur, ele fez um corte sagrado que conseguiu destruir todas as correntes sombrias e as grades anti-magia.
- O que você quer fazer?! Quer que a gente resista enquanto mata a gente, é? - A Deusa de Vênus estendeu o seu arco para ele, enquanto o samurai ao seu lado materializou uma katana ao ver que a sua magia havia retornado.
- Não, vocês entenderam errado. Eu tô com o Arash e o Siegfried. Vim libertar vocês dois.
- Mas você é o rei de Camelot! - Ela olhava para o cavaleiro, sem entender absolutamente nada as suas verdadeiras intenções. - Você é quem é o rei dessa cidade, não é? Você é que é o lacaio da Deusa Rhongomyniad.
- Eu acabei de acordar no meio desse deserto já fazem quase doze horas e não sei absolutamente nada do que tá acontecendo. - Ele falou com sinceridade enquanto olhava para os dois adolescentes. - Só sei que eu vim aqui pra acabar com essa tal deusa pagã por macular o destino do meu reino e da cidade de Jerusalém!
Os dois Pseudo-Servos olharam para Arthur surpresos com a situação dele e com o motivo dele de estar ali.
- Meu nome é Ishtar, Serva da Classe Archer e o nome da hospedeira desse corpo se chama Rin Tohsaka. - A Deusa de Vênus se apresentou para o Rei dos Cavaleiros.
- Meu nome é Senji Muramasa, um Servo da Classe Saber e o rapaz que é dono desse corpo aqui é Shirou Emiya. - O grande ferreiro das lâminas Muramasa se apresentou para ele, em um tom semelhante ao de um velho, apesar dele ter a sua aparência jovial.
- Vocês estão com o Arash, o Siegfried e as duas Jeanne d'Arc, não é? - Ele perguntou aos dois, que acentiram com a cabeça. - Muito bem então, vão direto para cima do corredor e vão a esquerda. A saída do castelo é por ali. O Arash e o Siegfried estão lá fora distraindo o Gawain e o restante dos soldados. Vão direito para fora, e eles estarão lá.
- Mas e você? - A garota de chiquinhas perguntou a ele, curiosa e ao mesmo tempo receosa com o que ele planejava fazer.
O Rei dos Cavaleiros olhava com um semblante sério para os dois, e desviou o seu olhar para o corredor que estava com a porta escancarada.
- Vou ao salão do trono questionar a Deusa Rhongomyniad, e depois disso, vou matá-la. - Ele falou em um tom tão sério quanto o seu rosto, apesar de uma certa tremedeira em sua mão lhe dizer o contrário.
- Arthur, aquela mulher não é o que você acha que é. Ela é a Serva Divina mais poderosa dessa Singularidade, e até mesmo... - Ishtar estendeu a sua mão para o Rei dos Cavaleiros, mostrando uma marca anti-divina para ele. - Foi capaz de me dobrar com poucas habilidades.
O loiro de antena pensava exatamente na aparência daquela armadura que aquela deusa usava, o quão era familiar para ele. Sendo o único e verdadeiro rei de Camelot, era o dever dele de encerrar com o seu reino e aquela que o profanou. De uma vez por todas.
Ele sumiu com a sua velocidade sobrenatural, correndo para fora da prisão e deixando os dois Pseudo-Servos para trás.
- O que ele vai fazer, Ishtar? - Senji perguntou a deusa, enquanto ela apenas flutuava de um lado para o outro.
- O que ele vai fazer? Não tá óbvio? Ele vai acabar se matando, Muramasa-kun. E se ele realmente for o único que pode derrubar a Deusa Rhongomyniad, ele não pode ficar aqui! Vamos chamar o Arash e o Siegfried!
Arthur sabia exatamente como esse castelo era, tanto que durante o seu reinado, esse castelo não havia mudado em absolutamente nada. Era o mesmo de antes. Ele conhecia os seus corredores, os mesmos salões, e até mesmo as passagens secretas pelo castelo que só a família real tinha conhecimento.
As suas dúvidas sobre essa deusa só haviam o deixado com mais dores de cabeça, mas agora já podia entender em como esse castelo era o mesmo que havia na Britânia em uma outra época.
Ao finalmente se aproximar do salão do trono, Arthur olhava para o corredor e percebeu que haviam diversos corpos estirados no chão, mortos pela lâmina de uma espada.
- Quem no mundo... - Ele olhava atentamente para os ferimentos, vendo que aquelas pessoas estavam desarmadas e nem mesmo conseguiram ter a chance de se defender. - Quem no mundo poderia ter feito tamanha crueldade assim?
O Rei dos Cavaleiros fechou os seus olhos em dor pelos falecidos e seguiu em frente. Ao se aproximar da grande porta que ligava ao salão do trono, Arthur já podia sentir uma imensa quantidade de mana vindo do lado de dentro. E sem contar, que a sua Excalibur na bainha continuava a brilhar cada vez mais. Ele abriu a porta lentamente e adentrou no salão.
Ele olhava em volta do lugar, e andava calmamente enquanto olhava para uma imensa pilha de corpos ao seu lado. Nenhum deles merecia aquele final tão sanguinolento, nem mesmo aqueles seres maus e cruéis.
Ao olhar por uma janela do salão e ver do lado de fora do castelo, ele conseguia enxergar melhor as quantidades de vítimas que estavam lá naquela Seleção Sagrada. Entre os mortos, havia milhares incluindo mulheres e até mesmo crianças. Que monstro seria capaz de fazer tamanha crueldade com pessoas que não tiveram nem mesmo o direito a um julgamento justo?
Quem tinha o direito de dizer quem era justo ou ímpio?
- Não dê mais um passo, ou perderá a cabeça de seu corpo. - Uma voz feminina surgiu passando pelos seus ouvidos, fazendo o jovem rei parar de andar.
Ele olhou para cima de onde vinha a origem do aviso, e semicerrou o seu olhar. Havia um trono no topo de um altar, e sentada nele estava uma linda mulher loira que possui o mesmo olhar esverdeado desse homem loiro. Porém o olhar dela não parecia ser o mesmo do dele. Era um olhar verde-limão bem frio e inexpressivo, como o olhar de uma assassina que já matou incontáveis pessoas.
- Ah por Deus, os seus olhos... - A primeira coisa que ele notou na sua nova aparência era os olhos verdes-limão meio amarelados. Os olhos dela mudaram tanto em cor quanto em inexpressividade. Nunca em sua vida a viu com aquelas íris tão claras e frias como uma máquina calculista.
- Quem é você? - Ela perguntou a Arthur de maneira calma e fria, fazendo-o parar de prestar atenção nos olhos dela. - Por que usa essa forma, impostor?
Ele fechou os seus olhos em dor e arrependimento ao ver a inexpressividade no rosto daquela mulher que ele tanto amava. A única coisa que lhe importava naquele momento. A sua gêmea, sua metade. A sua esposa.
A Rainha dos Cavaleiros.
- Eu não queria acreditar que todas essas mortes foram causadas por você, mas depois disso tudo eu nem consigo mais negar. - Ele abriu os seus olhos e agora olhou para a bela mulher loira vestida com uma elegante e extremamente valiosa armadura, diferente da sua saia e macacão que ela costumava usar antes. - O que você está fazendo, Arturia?
Ela o olhava de um jeito tão benevolente e ao mesmo tempo agressivo, visto em conta o olhar assassino da Rainha dos Cavaleiros fixado somente nele. O analisava de todos os cantos de seu corpo, desde o rosto, os olhos, cabelos, roupas, capa, armadura e tudo.
Era tão calculista que ele não sabia dizer o que tinha nela.
- Você é mais uma ilusão criada por essa Singularidade? Ou é mesmo o meu irmão e esposo que há varias eras morreu em meus braços? - Ela o perguntou de forma tão robótica, como se ela tivesse perdido os seus sentimentos e alguma coisa estivesse no lugar. - De qualquer forma, não importa. Vou tirá-lo da casca de Arthur Pendragon e você enfrentará a minha justiça divina.
Ele arregalou os seus olhos, visto em conta que ela estava confundindo ele com uma mera ilusão causada por essas anomalias do Santo Graal. Era por isso que a sua amada se tornou uma genocida em série? Matar milhares de pessoas para aliviar o pesar e a falta dele?
- Arturia, sou eu. Seu irmão, o seu rei... seu marido. - Arthur tirou a sua manopla para mostrar em sua mão esquerda o seu anel de casamento para ela. - Eu voltei pra você, meu amor.
- Não. - Arturia balançou a sua cabeça em negação. - Você não é ele. Não é o meu Arthur. É só mais uma ilusão criada por esses demônios ímpios. - A Deusa Rhongomyniad continuava a afirmar com a sua negação, com o mesmo olhar caído e sério dela. - A Morgana já matou ele há muito tempo.
O gêmeo ficou em completa descrença ao ver que a pessoa na qual ele passou a vida toda ao seu lado estava ignorando-o como um estranho qualquer, como se ele fosse de fato, um fantasma. Ele sacrificou tudo por ela, garantiu que ela tivesse um futuro.
E isso foi o que ele causou pra ela? Virar uma deusa impiedosa que não se importa com as pessoas, desde que os seus corações sejam puros e perfeitos? Matando pessoas inocentes? Ela literalmente transformou Jerusalém para ser igual a Camelot! Ela terraformou toda a Cidade Sagrada e a converteu para se tornar o seu antigo reino.
Basicamente, se tornou em uma açougueira impiedosa.
A Rainha dos Cavaleiros se levantou de seu trono e começou a descer os degraus, segurando a sua lança divina nas mãos, indo em direção até aquele homem que ela acreditava ser apenas mais um farsante.
Arthur não conseguiria fazer Arturia ser convencida daquele jeito, ela sempre foi teimosa com todo o tipo de coisa. Ela dificilmente aceitava as coisas do jeito dele, e isso não mudaria nem mesmo após se tornarem Servos.
Ele colocou a sua manopla de volta em sua mão, vendo que não conseguiria convencê-la tão facilmente.
- Se você não acredita em quem eu digo ser, então me fale o que você realmente acredita. - Ele deixou de lado a sua compaixão, e agora olhou sério para ela com a intenção de lutar com ela. - Você se tornou em uma assassina de inocentes. E pretende agora destruir esse mundo para criar um novo com vida justa, banhado em mortes? Aonde isso vai te levar, majestade?
- Paz para o meu tempo. - Ela começou a explicar para ele. - A paz que esse mundo traz nunca será duradoura ou confiável. As pessoas vivem com medo, já que aqueles quem criam as guerras são os governantes maus que usam a população e os soldados como meros peões enquanto permanecem seguros em seus tronos. Fome, morte, pobreza... tantas e tantas desgraças que esse mundo já fez. - Ela o olhava seriamente, o que fez ele se assustar com o olhar inexpressivo dela. Era como se ele estivesse paralisado. - Os seres humanos não são as criaturas mais fortes, ou as mais inteligentes. Só podem fazer o básico de suas capacidades mentais, e isso é um erro.
- E você acha que justificar a sua paz causando a dor de milhares é alguma forma de misericórdia só pra mascarar o expurgo dos fracos? Isso não é coisa que um rei faz! Um rei deve ser benevolente, misericordioso, entender os dois lados da mesma moeda! - Ele tentava argumentar com ela, tentando mostrar o verdadeiro lado de ser um rei de verdade e não mostrar só racionalidade. É necessário ter o benefício dos dois lados da verdade.
- Eu vaguei por esse mundo corrompido por mais de mil anos. Vi momentos tão mínimos e curtos que nem posso dizer que existiram. Nesses momentos, observei as frágeis situações em que a humanidade se desfez várias e várias vezes. Eu não vejo solução melhor que essa. Os seres humanos são falhos, egoístas, gananciosos, preconceituosos e sempre serão continuamente incapazes em seus objetivos. - Arturia agora materializou em sua mão direita a lança sagrada em suas mãos. - Se o dever de um rei é demonstrar misericórdia, essa é a minha misericórdia que eu mostrarei a você.
O outro Fantasma Nobre de Arthur estava nas mãos dela!
- A purificação da raça humana é a única maneira desses ímpios se redimirem. E você irá sentir a minha purificação, farsante. - Ela começou a correr para cima dele, que rapidamente conseguiu se mover ao morder o seu lábio para fazer a dor o locomover.
Era culpa dele. Tudo culpa dele. Arthur não deixava de se culpar ao ver que todas as mortes realizadas pelas mãos e ordens da Deusa Rhongomyniad eram por culpa dele.
Ele bloqueava a lança com a sua espada, o que deixou a mulher com um semblante diferente da sua inexpressividade.
Era um olhar surpreso, enquanto olhava para a Proto Excalibur dele. Ele finalmente conseguiu arrancar alguma expressão além do tédio constante dela.
- Essa espada... - Ela olhava para o brilho dela, que combinava com a sua lança. - Onde você conseguiu ela?
Arthur tentava segurar o peso da lança de sua amada, mas ela estava extremamente poderosa. Nunca viu tamanho poder como esse em toda a sua vida. Quando eles lutavam em treino, a força deles era quase semelhante, apesar de Arthur ser fisicamente mais forte que ela.
Mas agora, a Rainha dos Cavaleiros não tinha a mesma força de antes. Ela adquiriu força divina! Arturia não era mais humana, e muito menos tinha força de dragão. Ela era realmente uma deusa por completo, dos pés a cabeça.
Ele se perguntava em como foi que a sua esposa se tornou uma deusa? De que forma ela perdeu a sua humanidade e a sua vontade de proteger os humanos?
Ele deu um outro golpe, que ela rapidamente defendeu e contra-atacou com uma empalação. Arthur deu um mortal para acertá-la por cima, mas ela o impediu e deu um chute nele primeiro. Em seguida, usou toda a sua força para acertar a Rhongomyniad nele.
Ela o jogou para uma coluna, fazendo com que parte da construção caísse em cima dele. O Rei dos Cavaleiros começou a concentrar toda a mana ao seu redor e finalmente usou o seu Ar Invisível para tirar todos os destroços de cima dele.
Arthur estava dolorido ao sentir o peso dos destroços e dos golpes vindos de Arturia.
Ela cravou a sua lança no chão e foi para cima dele no combate corpo-a-corpo. Ela deu um soco em seu estômago, fazendo com que quebrasse parte de sua armadura. Em seguida, uma joelhada no queixo para quebrar o seu nariz e para finalizar, um chute bem dado na costela, o que o fez ser jogado para fora do castelo com dores em seu corpo.
O Rei dos Cavaleiros tossiu ao ficar sem ar e acabou saindo sangue de sua boca ao receber ferimentos graves da Rainha dos Cavaleiros.
- Meus filhos. - Uma simples chamada fez os dois loiros aparecerem no salão, pulando das passagens secretas. Eles seguiram a Arturia, que olhava calmamente para Arthur. Ela apontou para ele, e ordenou aos dois cavaleiros. - Matem ele e tragam a sua espada para mim.
Arthur arregalou o seu olhar ao ver os dois cavaleiros mais novos que surgiram na sua presença.
- Mordred? - Ele olhou para a sua filha e agora para o rapaz, que olhava agressivo para ele. Eles eram tão iguais, que a única coisa que os diferenciava era o seu gênero e altura.
O Rei dos Cavaleiros lembrou agora de uma recordação distante sobre um homúnculo que Morgana havia criado com o sangue dele, o dela e de Arturia para criar um soldado perfeito, e aparentemente acabou sendo bem sucedido para ela.
Aquele rapaz também era Mordred. Não igual a garota, mas sim, o clone de sua amada filha.
- A quanto tempo, papai! - Ela sorriu agressiva para ele, enquanto o atacava de forma selvagem com a sua espada.
- Mordred... - Ele não teve nem tempo de raciocinar e rapidamente bloqueou o golpe com a sua Excalibur, porém não estava em condições de enfrentar a sua família. Não naquele estado, não com o sentimento de culpa o remoendo por dentro.
- Vai fugir da luta, pai? - O outro Mordred deu um olhar odioso para ele, enquanto o chutava com certa brutalidade, jogando ele para o outro lado do jardim. - Você me matou, não se lembra disso? Não acha que devo retribuir o favor a você?
Arthur contra-atacava todos os ataques dos dois Mordred com dificuldades para se manter firme e finalmente os afastou com um golpe, deixando os dois ainda mais irritados. Era muito difícil lutar com eles após ter sido ferido pela Deusa Rhongomyniad. Não seria a hora certa de se lutar com ela.
Ainda não. Mas ele voltaria.
- Arturia! Eu vou voltar! Vou voltar por você! E não importa o que tenha acontecido com você, vou consertar o erro que fiz. - Ele apontou para ela, com um olhar decidido para a Rainha dos Cavaleiros. - Isso é uma promessa para você, meu amor!
Dando um último olhar para o rosto inexpressivo de Arturia, Arthur recolheu o máximo de mana que podia para tentar concentrar toda a sua magia num só ponto, em direção ao ar.
- Ó Vento, me leve. - Usando o Ar Invisível mais uma vez, ele foi carregado por uma corrente de ar para fora do castelo.
Os dois observaram o Rei dos Cavaleiros fugindo no meio do ar, perdendo ele de vista.
- Ele deu no pé! - A garota esbravejou de raiva enquanto via o céu brilhando devido ao Fantasma Nobre ativo de Gawain.
- E agora, minha mãe? - O rapaz perguntou a sua rainha, se ajoelhando e prostrando-se para a mulher em sua frente.
- Cessem a sua perseguição a ele. Ele já está fora de alcance. - Ela os ordenou para que não os seguisse, e eles acentiram com a cabeça.
- Que droga, Neo. Você tinha a chance de acabar com ele ali. - A Mordred fêmea respondeu a ele, enquanto guardava a sua espada na lâmina e abaixava o seu elmo automaticamente.
- Deixa pra lá, Una. Depois teremos outra chance. - O outro Mordred respondeu, enquanto entrava de volta para dentro do castelo. Porém, o rapaz mantinha os seus olhares odiosos para aquela mulher, que ia em direção ao seu trono para sentar-se mais uma vez.
Quando Arturia se sentou no seu trono, começou a repensar nas palavras daquele quem ela supõe ter roubado a aparência de seu rei. Mas por um segundo, ela lembrou dele ter chamado-a de "meu amor".
- Meu amor? - Ela virou a sua cabeça para o lado com o seu semblante confuso e inexpressivo.
Seja quem for aquela figura, tinha em suas mãos a arma original do Rei dos Cavaleiros em sua posse. Aquele era o tesouro sagrado que foi dado ao seu amado marido após puxar a lâmina da pedra. Mas o seu nome e a sua origem, ela não conseguia lembrar por alguma razão.
Mas sabia que precisava encontrar aquele homem de novo, e matá-lo.
Ao pular para o lado de fora dos portões da Cidade Alta, Siegfried apareceu ao ver o corpo do Rei dos Cavaleiros estirado no chão. Ele se aproximou para analisar o corpo e viu que ainda estava vivo, porém, inconsciente.
- Ele ainda está vivo. E agora, Arash? - O nórdico perguntou ao arqueiro das estrelas, que se aproximou deles com um salto. - O Arthur não está nada bem.
- É só esperar mais um minutinho. Elas já estão vindo. - Ele respondeu, enquanto olhava para as ruas ao redor deles.
Ele pegou Arthur e o carregou em seu ombro, tentando levá-lo enquanto eram perseguidos por soldados. E foi aí que uma moto surgiu numa viela e atropelou alguns dos soldados. Era uma Harley Davison antiga sendo dirigida por uma certa jovem mulher de cabelos prateados com uma tiara na testa.
- Seu rei de merda. Só você pra fazer a Ruler estúpida querer te salvar. - A Jeanne d'Arc Alter esbravejou irritada, enquanto um outro veículo se aproximava deles. Uma camionete rapidamente apareceu na frente deles, e nela se tratava de uma certa santa de cabelos loiros com uma trança grossa.
- Vamos logo! Entrem rápido! - A Ruler gritou para que eles entrassem logo.
Os Servos entraram na camionete e Jeanne rapidamente trocou a marcha para começar a correr mais rápido, enquanto a Alter seguia na motocicleta. Arthur foi colocado com cuidado na cadeira por Siegfried.
Arash estava no baú da camionete, atirando nos soldados armados com flechas para garantir que os pneus não fossem atingidos.
- Trace On! - De repente, Senji apareceu armado com uma katana e ceifando alguns soldados com a sua espada ornamental.
- Comam chumbo, otários! - Ishtar surgiu, disparando uma flecha nos soldados que estavam acima deles.
Em poucos minutos, eles já estavam do lado de fora da cidade, e as duas "irmãs" só seguiram em frente enquanto conduziam os veículos com tudo, para tentarem fugir da guarda pesada da Deusa Rhongomyniad.
2 horas depois...
Arthur finalmente começou a abrir os seus olhos lentamente, tentando raciocinar no que havia visto naquele castelo.
Ele havia enfrentado a Arturia e os seus dois filhos, que se voltaram contra ele. Não que já não fizesse parte da natureza deles, mas, dessa vez as coisas estavam totalmente diferentes. Eles eram leais a Arturia, mesmo com a natureza agressiva e questionável deles dois.
A sua esposa é quem era a Deusa Rhongomyniad. A mulher que terraformou Jerusalém e colocou Camelot como a sua Cidade Alta foi ela. Ele se culparia pelo resto de sua vida por isso.
- Onde nós estamos? - O loiro de antena perguntou, enquanto olhava em volta do lugar.
- Estamos fora de Jerusalém, indo em direção pro oeste. - Arash apareceu atrás dele, oferecendo um cantil de água. - Parece que você deixou a Deusa Rhongomyniad irritada.
O rei pegou o cantil e bebeu um gole após devolver a ele.
- Vocês sabiam? Sabiam que a Deusa Rhongomyniad era a Arturia esse tempo todo? - Ele perguntou a todos eles, enquanto tentava se recompor.
- Eu sabia. - A Jeanne Ruler confessou em um olhar tristonho para ele, o que fez os outros Servos olharem para a Santa. - Quero dizer, eu suspeitava que fosse já que não havia como os Cavaleiros da Távola Redonda serem liderados a não ser que fossem pelo rei ou pela rainha de Camelot.
- Não achou importante me contar? - Arthur falou em um tom mais irritadiço, apesar de estar em seu direito de estar bravo.
- Você não acreditaria, nem se eu dissesse a você. - A Ruler falou fracamente para ele.
A Santa tinha toda razão, ele não queria acreditar que era a sua gêmea para início de conversa. No momento em que viu o símbolo da Távola e o brasão real de Camelot na armadura da Deusa Rhongomyniad, já havia confirmado as suas suspeitas de que se tratava da própria Arturia em pessoa.
- E pra onde nós vamos agora? - Muramasa perguntou para Arash e Jeanne, já que eles estavam liderando os dois grupos.
- Nós estávamos planejando ir pro sul, tentaremos conversar com o Rei Sol sobre nos dar um apoio pra invadir a Cidade Sagrada. - Jeanne falou para o ferreiro, enquanto olhava para Arash. - Mas imagino que vocês já tenham outros planos.
- Eu vou me encontrar com o resto do nosso grupo no oeste. Contar sobre as informações das fraquezas das fronteiras da Cidade Alta. - Arash respondeu a santa, enquanto olhava ao redor deles. - É melhor irmos para o oeste primeiro, lá é mais perto do que o oasis do Rei Sol e fica bem no caminho. Vocês podem abastecer seus suprimentos e depois seguir em frente. O que vocês acham?
As duas Jeanne d'Arc e Muramasa se entreolhavam pensativos sobre a ideia de ir logo para onde havia um outro grupo do arqueiro das estrelas.
- Nós já iríamos nos encontrar com a Raikou-sama por lá mesmo. - Muramasa explicou, dando de ombros para eles enquanto olhava para o estado de Arthur. - E ele precisa de cuidados agora.
- Já que estamos aqui, mostra o caminho, ô brilha-brilha estrelinha. - A Alter falou ríspida para ele, que apenas riu como resposta.
- Não, eu preciso voltar... - O Rei dos Cavaleiros tentava se mover com dificuldade, mas foi segurado por Ishtar e Siegfried que estavam mais próximos a ele. - Eu tenho que voltar pra Jerusalém.
As duas Jeanne d'Arc, Ishtar, Arash, Siegfried e Muramasa olhavam o quão determinado Arthur estava, mas não estava em condições para isso. Não conseguiria fazer nada no seu estado atual.
- Arthur, é melhor recuarmos por ora. Os Cavaleiros da Távola Redonda estão por aí ainda, e eles já são difíceis de derrubar. Já a Arturia vai ser ainda mais complicada de se lidar. - A Ruler sugeriu a ele, sendo compassiva e racional em falar com ele. - Então vamos descansar e pensar em uma estratégia pra invadir a Cidade Sagrada em uma outra hora.
Ele não conseguiria reagir no seu estado atual, e só seria um fardo para eles se continuasse daquele jeito. Precisava de cuidados médicos, então apenas acentiu com a cabeça.
- Ótimo, então nós vamos pras vilas dos Assassins. - Arash falou decidido, enquanto os outros Servos se entreolhavam com a decisão dele. - Arthur, desmaterialize a sua armadura. Você precisa de ajuda agora.
Ele desmaterializou a armadura apenas com o seu pensamento e Ishtar foi até ele para passar uma pomada mística em seu corpo, e depois cobriu os hematomas com algumas ataduras.
- Deve ficar melhor em algumas horas, mas se continuar a doer, me avisa, Saber. - A Deusa de Vênus terminou de curar ele e foi para dentro do veículo.
A Alter seguia sozinha pilotando a moto enquanto no carro, a Ruler dirigia com o Muramasa no banco do passageiro, Ishtar e Siegfried no banco de trás, e Arthur estava junto com Arash no baú de trás da camionete.
Ele havia acabado de chegar nessa Singularidade em apenas 14 horas e não sabia absolutamente nada do que fazer.
Ele descobriu que a sua gêmea se tornou numa rainha tirânica que quer exterminar a humanidade, seus filhos estavam contra ele. A sua ordem de cavaleiros também estava contra ele.
Arthur estava mais perdido do que cego em tiroteio naquele momento.
- Arthur. Lá no portão da Cidade Alta, eu encontrei o Bedivere lutando contra o Gawain. - O relato de Arash fez o loiro de trança levantar um pouco o seu astral. - Parece que a Da Vinci, um Mestre da Chaldea e a Serva dele salvaram ele. Eles conseguiram fugir da cidade.
- Sério mesmo? Que bom. - Ele se deu a oportunidade de sorrir ao ver que seu amigo estava bem. Aparentemente era o único da Távola Redonda que estava contra as ordens da Arturia.
Isso também fazia dele um alvo dos outros membros da Távola Redonda.
Ele fechou os seus olhos tentando se lembrar de um dia em que as coisas eram mais simples. Uma época em que não haviam guerra, morte ou desespero. Só apenas paz e amor.
O sorriso de Arturia em seu rosto, o belo sorriso de sua gêmea era o que fazia o seu dia ficar melhor.
De repente, ele ouviu um imenso barulho e viu que lá longe ao norte deles houve uma explosão. As duas Jeanne frearam os veículos e todos foram ver do que se tratava.
- O que é aquilo? - Ishtar apontou para a explosão a dois quilômetros ao norte.
- É o chocar de dois Fantasmas Nobres, e eu conheço um deles. - O loiro de antena sussurrou temeroso com o que se aproximava. - É o Fantasma Nobre do Lancelot.
Arash pegou uma luneta na sua bolsa e observou o local da explosão, vendo então as chamas de uma geringonça voadora, um grupo de soldados e o infame Cavaleiro do Lago carregando a Da Vinci inconsciente em seus braços, e subindo em seu cavalo.
E foi aí que ele percebeu que Lancelot estava olhando diretamente para eles.
- Ele pegou a Da Vinci.
- E o Bedivere?! Ele está lá também?!
- Não, ele conseguiu fugir. Olha lá. - O arqueiro das estrelas estendeu a sua luneta para o loiro de trança. - Olha às dez horas, ele tá com um grupo pequeno junto com o Mestre da Chaldea e a Serva dele.
Arthur podia ver claramente o rosto de Bedivere lá longe, apesar do escuro do deserto. Ele e o grupo dele estava a uns 200 metros de vantagem, conseguindo fugir da cavalaria de Lancelot. Estava aliviado ao ver que Bedi estava bem.
E foi aí que o Rei dos Cavaleiros viu o seu outro companheiro caído vindo em direção a ele. O Cavaleiro do Lago estava olhando diretamente para ele.
- O Lancelot tá vindo pra cá. - O loiro apontou para a direção onde ele se aproximava.
- Eu sei. Ele nos avistou. - Arash informou aos outros Servos, enquanto preparava o seu arco e flechas.
- Então é melhor irmos logo. A gente tá de carro e moto, então vamos ter mais vantagem se for comparado a ele e a cavalaria. - Muramasa falou sendo racional para os outros, que acentiram com a cabeça.
As duas Jeanne partiram com o pé na tábua e foram à toda velocidade em direção ao oeste, enquanto lá longe, Lancelot havia parado a perseguição e deixou com que aqueles Servos fugissem. Ele já tinha Leonardo Da Vinci em sua posse, então a grande artista da Renascença poderia ser bem útil naquele momento.
Arthur olhava para bem longe sentido ao norte, sabendo que com um grande peso em seu peito, seria completamente difícil de enfrentar a Arturia de novo. Ela se tornou muito poderosa, literalmente uma deusa extremamente poderosa. Jamais imaginaria que ela se tornaria uma Serva como ele, ainda mais uma Serva Divina. Como Arthur iria matá-la? Como ele poderia matar a mulher quem ele sempre amou?
Esse reinado sangrento que a sua gêmea criou tornou Jerusalém impossivel de ser penetrada. Para libertar a Cidade Sagrada de Deus, ele precisaria destruir Camelot.
- Senhor? Lorde Lancelot? - Um dos soldados chamou a atenção do Cavaleiro do Lago, enquanto a moto e a camionete que as duas Jeanne d'Arc pilotavam ia embora da vista deles no meio da noite. - Não vamos atrás deles?
- Já chega por hoje. Não há luz da lua essa noite e não conseguiremos enxergar nada. Retornar ao acampamento. - Ele ordenou para o soldado atrás dele. - Preciso falar com a Minamoto no Raikou depressa.
- Sim, senhor. - Ele acentiu e começou a cavalgar com o restante dos outros soldados, enquanto Lancelot fechava os seus olhos pensativo ao conseguir ver o rosto de seu rei, mesmo estando longe demais.
Já se passaram vários anos desde que a Rainha Arturia invocou os Cavaleiros da Távola Redonda nesse deserto, e o Rei dos Cavaleiros jamais apareceu na sua presença. No seu lugar, a escolha mais lógica para liderá-los era obviamente Arturia, por ser a Rainha dos Cavaleiros.
Mas ele já percebeu de cara que ela mudou. Algo nela mudou. E com certeza não havia sido pra melhor. Quando os membros da Távola Redonda surgiram nesse deserto, ela não falou nada para eles sobre a sua experiência de mais de mil anos vagando pelo mundo.
Mas isso não importava. Pra ele, tudo o que lhe importava agora era poder tomar um banho e retornar para a presença daquela bela samurai para perto de si mais uma vez.
- Já estou voltando, minha senhorita Raikou.
Uma hora atrás...
No castelo branco de Camelot, Arturia estava de frente para alguns dos Cavaleiros da Távola Redonda no local. Gawain, Tristan, Agravain, os dois Mordred, Kay e Percival estavam agachados para ela, aguardando as suas ordens.
- Lorde Gawain, por sua causa, civis invadiram as minhas fronteiras e você perdeu o controle lá em baixo dos portões. O que tem a dizer em sua defesa?
- Nada, minha rainha. Apenas o que lhe achar melhor para me punir.
- Pois bem então. Permaneça assim mesmo, agachado, Gawain. A sua reverência a mim já basta.
Ela estendeu a sua mão e disparou uma poderosa rajada de energia dourada, o que fez o Cavaleiro do Sol voar para o outro lado do salão e ser jogado para a parede, e caindo no chão agonizando de dor.
Um ferimento que deveria ser mortal, não havia matado ele.
- É, o Gawain como sempre sendo o cavaleiro mais resistente da Távola Redonda. - A Cavaleira da Traição deu uma risadinha enquanto assistia o Cavaleiro do Sol, tentando se levantar.
- Ouçam-me todos, Cavaleiros da Távola Redonda. Eu disparei um golpe fatal que o Lorde Gawain conseguiu sobreviver, então como recompensa por ter sobrevivido, o faz dele digno da minha piedade e misericórdia. Vocês concordam com isso? - A Arturia questionou a todos os seus cavaleiros, vendo se eles teriam alguma contrariação.
Todos acentiram para Arturia balançando as suas cabeças, enquanto Gawain se agachava ainda gemendo de dor.
- Ótimo. - A Rainha dos Cavaleiros falou seca para eles. - E agora, começaremos com os relatórios. Onde está a Minamoto no Raikou?
- Lancelot disse que a localizou nos vilarejos ao oeste, mas ali são área dos Assassins. - Agravain explicou a ela, enquanto mantinha a sua cabeça abaixada para a Rainha dos Cavaleiros. - Capturei a Hassan da Serenidade e no momento, estou tentando fazer ela falar sobre a localização dos Servos terroristas.
- Mas a Serenidade não era a informante do Lancelot? - Percival lembrou-se do detalhe importante que com certeza irritaria o Cavaleiro do Lago.
- Ele vai ficar puto com você quando descobrir, Agravain. Se é que já não descobriu. - Kay brincou enquanto já pensava em Lancelot indo dar um socão na cara de Agravain.
- Isso não importa. Se o Lancelot não consegue fazer o trabalho dele direito, eu preciso impor ordem nas coisas dele. - O Cavaleiro da Submissão falou de maneira ríspida para todos eles.
Todos os Cavaleiros da Távola Redonda sabiam que o relacionamento amigável de Lancelot e Agravain não era muito bom e eles já não se davam muito bem, só apenas se aguentavam perto um do outro. Mas com certeza isso seria bem difícil do Cavaleiro do Lago perdoar.
- E sobre o outro justo? O Servo que invadiu o castelo? Quem era ele? - A voz calma e inexpressiva da rainha fez com que todos perdessem a fala.
Todos os cavaleiros se entreolharam, pois não sabiam responder a deusa na sua frente. Ele estava encapuzado ao entrar, e o Cavaleiro do Sol não havia reconhecido ele. Os dois irmãos que dividiam o título de Cavaleiros da Traição haviam enfrentado ele, e com certeza eles perceberam que não era um clone.
- Ainda não sabemos, majestade. Nós estamos procurando por pistas, mas é bem provável que seja verdade. Talvez seja mesmo o nosso rei. - O Mordred homem respondeu a ela, enquanto se permanecia agachado.
A jovem mulher ao seu lado apenas desviou o seu olhar, ainda inconformada com essa dúvida que ela tinha.
Arturia levantou-se de seu trono e desceu os degraus, indo em direção ao corredor.
- Reunião encerrada. - A Rainha dos Cavaleiros falou seca enquanto saia do local, mas não antes de parar atrás deles e dar as suas últimas ordens da noite. - Lorde Tristan, cuide dos ferimentos do Lorde Gawain. Lady Mordred e Lorde Mordred, você e seu irmão... Vão até o oeste e garantam apoio a Lancelot na sua caçada aos refugiados, a Raikou e ao outro Servo justo. Lorde Percival e Lorde Kay... Ao amanhecer, vocês vão para o Jardim da Babilônia. O Santo Graal é o maior objetivo que temos nesse momento, e precisamos achá-lo antes que o Mestre da Chaldea o encontre primeiro. O resto de vocês, de volta aos seus afazeres.
Os cavaleiros se levantaram do chão e finalmente Kay deu um suspiro fundo ao sentir tanto medo da Deusa Rhongomyniad na presença dele.
- Achei que fosse eu quem iria morrer. - O Cavaleiro da Terra continuava ainda preocupado.
- Sorte que não foi você, idiota. - Gawain gemia de dor ao sentir o buraco quente daquela rajada de calor no meio do seu abdômen.
Tristan pegou o seu companheiro e o levou para a sala de cura, deixando-o na cama ali. Ele pegou algumas poções e jogou tudo no ferimento do Cavaleiro do Sol, que apenas grunhiu de dor ao sentir tamanha ardência vinda daquelas poções.
- Eu não sou um pedaço de carne pra você jogar ácido, seu idiota! - O loiro se irritou, enquanto sentia a dor do produto ácido em sua pele.
- Essa é a única forma de recuperar a carne perdida, seu cérebro de músculo. - O ruivo falava em um tom tão calmo e despreocupado, enquanto agora criava uma esfera de mana em seu dedo e passou na pele do loiro para conter a cicatriz dele.
Agravain adentrou a sala de cura se aproximou dos dois cavaleiros, que já pareciam estar quase se estapeando.
- E o que você veio fazer aqui, Agravain? - O Cavaleiro do Sol o perguntou, enquanto sentia a sua carne sendo colada pela esfera de mana criada por Tristan.
- Vim conferir o meu pressentimento, que vocês não dizem. Viram mesmo o Lorde Bedivere e o Rei Arthur na Seleção Sagrada? - O Cavaleiro da Submissão perguntou aos dois, que deram um rosto neutro para ele.
- Eu não tinha certeza quando vi aquele homem encapuzado. - Gawain falou, quando lembrou de mandar aquele homem ir para dentro das muralhas. - Mas quando os nossos soldados relataram um vento invisível coberto de sangue matando soldados dentro do castelo, não tem mais o que falar.
Tristan apenas mantinha os seus olhos fechados enquanto, pensava naquele momento ontem a tarde quando viu o mesmo vulto sendo interceptado por Arash Kamangir.
- Talvez seja ele mesmo. Arash parou esse mesmo vento invisível e sumiu no meio das vielas de Jerusalém. - O Cavaleiro da Lamentação lembrou de seu ocorrido nessa tarde, enquanto terminava de costurar Gawain.
- Se Bedivere voltou e se encontrar com o rei, é provável que eles tentem fazer uma possível revolução de Servos pra invadir Camelot. A Espada Sagrada é a única coisa que pode bater de frente com a Lança Divina. - O braço direito da rainha falou, enquanto observava a janela ali próxima.
- Contate o Lorde Lancelot para ficar a parte disso, já que só assim ele já estará preparado. - O ruivo sugeriu para o Cavaleiro da Submissão, enquanto Gawain tomava um gole de uma bebida forte para aguentar a dor da sutura recém-realizada.
Agravain fez uma expressão irritada ao ver que teria que se submeter a falar com aquele homem com devoções e lealdades questionáveis a sua rainha, mas ele era quem estava mais próximo dos fugitivos.
Mas ainda assim, ele não podia deixar de ver através da visão de Serenidade no seu interrogatório a distância.
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- Eles acabaram de quase se matar e agora tão trocando saliva um com o outro? O que em nome do Velho da Montanha está acontecendo ali? - Serenidade falava sem entender nada, enquanto via o Cavaleiro do Lago e a Semideusa do Trovão se beijando no meio do chão daquela aldeia.
Agora a Assassin gemia de dor ao sentir todas aquelas correntes escarlates presas por todo o seu corpo.
- Eu sei que você sabe onde eles estão. E você vai me dar as respostas que eu quero. - Agravain falou telecinéticamente para ela, enquanto a mantinha presa nas suas correntes. - Onde está o King Hassan?
- Vai pro inferno, Cavaleiro da Submissão! - Ela esbravejou para ele, enquanto sentia toda a agonia daquelas correntes.
- Veremos. - Ele semicerrou os seus olhos, intensificando ainda mais o poder das correntes, fazendo a manipuladora de veneno gritar de dor ao sentir aquele metal mágico queimando por toda a sua pele.
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Só ele sabia do conhecimento de que Lancelot estava se relacionando com aquela semideusa, e agora precisava encontrar a localização do primeiro Assassin antes que Arthur e Bedivere descubram antes.
- Você só tinha que matar aquela mulher. O que ela fez pra você começar a se apaixonar por ela, Lancelot?
Enquanto os seus cavaleiros tomavam os seus rumos, Arturia olhava para o seu espelho vendo o seu reflexo. Viu que em seu rosto desciam algumas lágrimas de seus olhos verde-limão.
Ela não entendia o porquê. Desde que a Rainha dos Cavaleiros se tornou uma deusa, as suas emoções humanas se foram junto com a esperança de que a humanidade pudesse mudar.
Mas quando ela se lembrava daquele Servo que tinha em posse a Excalibur original de seu amado, algo em seu peito fazia ela começar a se lembrar de uma época em que as coisas para ela eram tão fáceis. Uma época em que não haviam guerras, morte ou sofrimento.
Era uma época em que Arturia nem se preocupava em ser rainha, e sim sobre ser feliz com quem ela amava.
Andando até a sua banheira, a bela loira se despiu e entrou na água morna para poder lavar-se de um dia tão intrigante com curiosidade e morte. Cruzando os seus braços para cobrir os seios que balançavam com a água, um sentimento poderoso continuava a bater no peito da deusa.
E cada vez mais que pensava naquele homem sendo o seu irmão, sua mente circulava cada vez mais com a vontade de matar ele.
- O que aquele homem fez comigo?
Num acampamento perto do oeste de onde Lancelot havia atacado o grupo de Ritsuka e Mash, havia uma lona onde nela estava uma certa semideusa deitada numa cama aguardando pelo Cavaleiro do Lago, que havia ido interceptar um grupo de fugitivos da Seleção Sagrada.
Já fazia mais ou menos uma hora que ele havia ido embora.
Raikou começava a pensar no porquê dela ter beijado justamente um inimigo, e agora começado a pensar nele como um amante. Ela nunca foi conhecida em vida por ter relacionamentos ou vínculos românticos, já que tudo isso foi negado a ela.
Mas Lancelot conseguiu mexer com ela de algum jeito que ela não conseguia explicar com palavras. Só o que ela queria agora era poder se jogar nos braços daquele cavaleiro que conseguia lhe demonstrar segurança.
Isso o que ela sentia por aquele homem era amor? Amor por um outro Servo? Ela nunca se apaixonou por um ser humano normal, e agora se apaixonou por alguém que queria matar ela?
Com certeza algumas coisas sobre o amor ela jamais entenderia.
De repente, a entrada da lona se abriu e nela entrou o Cavaleiro do Lago, que chegava suspirando agora de forma satisfatória enquanto via aquela beldade sentada em sua cama.
- Você está bem? Eu ouvi uma explosão, pensei que alguma coisa tivesse acontecido com você.
- Não precisa se preocupar, eu estou bem, senhorita Raikou. - Ele falou com um sorriso gentil para ela, enquanto fazia uma reverência. Obviamente dava para ver em seu rosto o rubor em suas bochechas por ele tê-la beijado. - Pra dizer a verdade, eu vim aqui pra te dizer que preciso de ajuda com uma coisa.
- Que coisa? - Ela perguntou pra ele com dúvida em seu rosto.
- Parece que eu encontrei uma desgarrada. Pode me ajudar a tentar conversar com ela?
Raikou conseguiu entender que se tratava de uma Serva mulher, e pelo jeito que Lancelot falou, parece que não seria uma Serva fácil de se lidar.
Eles foram agora para uma outra lona onde nela estava uma mulher de cabelos castanhos e roupas coloridas toda amarrada por cordas que prendiam os seus braços, pernas e tronco. Ela se debatia, gritando e esperniando por toda a cama.
- Que Serva é essa? E por quê ela está amarrada desse jeito? - A Caçadora de Mistérios apontou para a acastanhada, com um olhar duvidoso e meio enciumado para o cavaleiro enquanto cruzava os seus braços, fazendo os seus seios fartos balançarem com o juntar dos membros.
Lancelot rapidamente ficou envergonhado ao ver que a semideusa estava olhando para ele com ciúmes, já vendo que a sua amante estava entendendo tudo de forma errada.
- Por favor, não entenda isso errado. Ela é uma das fugitivas da Seleção Sagrada, e também uma aliada da Chaldea.
Raikou rapidamente mudou a sua expressão de ciúme para uma outra de surpresa, vendo que agora ela tinha uma grande importância para estar ali e sacou a sua katana para cortar as cordas e a mordaça na boca dela.
- Foi um pouco rude, não acha? - A mulher de roupas coloridas se estressou com o cavaleiro, enquanto se levantava finalmente.
- Você é uma fugitiva ainda, mulher. Não vou deixar de ser cuidadoso quando você é uma Serva fugitiva. - Ele falou ríspido para ela, enquanto não deixava de vigiá-la com os seus olhos.
- E essa moça bonita aí? Ela é a sua esposa? Até que você tem um bom tipo, Lancelot. Só querendo mulheres bonitas de corpo bem-dotado. - A acastanhada deu uma brincada, o que fez os outros dois Servos ficarem ruborizados ao ouvir tal comentário.
Raikou já era bem conhecida pelo seu corpo super desenvolvido, e só por essa mulher falar algo assim em relação ao Cavaleiro do Lago a deixava sem jeito. A samurai com certeza estava muito interessada nele, e queria conhecê-lo mais.
E ao ouvi-la dizer que ela era a esposa dele...
A semideusa se agachou no chão e cobriu o seu rosto com o seu enorme cabelo para ninguém ver o quão envergonhada estava.
- Bom, já que estou aqui, não posso me deixar perder essa grande oportunidade. Permita-me fazer as apresentações. Eu sou o Grande Gênio da Renascença, no qual habita o corpo da mulher do quadro mais famoso do mundo feito pelo grande construtor de invenções à frente de seu tempo! Sou a... - Ela começava a falar em um tom bastante orgulhoso e convencido.
- Você é a Monalisa?! - Agora Lancelot e Raikou falaram ao mesmo tempo, estranhando a aparência da mulher e já interrompendo-a logo de cara.
Agora toda a espectativa da mulher acastanhada quebrou ao ouvir o nome errado, apesar de ser uma meia-verdade. Afinal de contas, o corpo dessa mulher era a própria Monalisa em pessoa.
- Sou Leonardo Da Vinci... - Ela sussurrou agora sem nenhuma expectativa ou moral de continuar falando.
- TÁ BRINCANDO?!
Notes:
Finalmente chegou o reencontro do Arthur com a família dele, e apesar desse não ter sido um momento bom pra eles, terão momentos em que ele vai poder conversar com todos. Vai ser difícil é fazer a Arturia voltar a recobrar a sua emoção, já que ela é muito cabeça-dura pra aceitar ser convencida pelos outros, até mesmo do homem que ela ama.
E sobre os dois Mordred, eles vêem a Arturia como mãe deles. Para diferenciar eles, o rapaz eu vou chamar de Neo e a garota eu vou chamar de Una.
Até mais 👍
Chapter 5: Desejar e Possuir
Summary:
No passado, uma tragédia acontece e um sentimento de vingança é despertado como uma chama ardendo de ódio.
Notes:
(See the end of the chapter for notes.)
Chapter Text
744 d.C
Na antiga Camelot, uma pequena garotinha loira estava segurando nas mãos de um casal que sorriam felizes enquanto caminhavam com a menininha pela floresta.
Arturia estava usando um vestido azul e branco longo tão bonito e de tecido caro, porém era simples e casual. Elegante como uma rainha deve ser.
Arthur usava uma longa túnica real, calças brancas e botas de couro. Ele felizmente tinha o prazer de não ter que usar aquela coroa irritante na sua cabeça.
Arthur gostava de ter esses tempos com a sua pequena Mordred, já que desde que se tornou rei, a sua vida se tornou cada vez mais trabalhosa. Mas ao lado de Arturia, ele não precisava se preocupar com mais nada.
Arturia sempre gostou de poder passear com a sua filhinha, já que quando engravidou de Arthur após o casamento deles, ficou uma pilha de nervos. Ela jamais teve contato com os pais dela, e nem mesmo sabia como seria ser uma mãe. Mas Arthur, que também estava na mesma situação que a dela, segurou a mão dela, ergueu a cabeça e foi firme para aceitar a gravidez de sua querida gêmea.
Mas só o que faltava para completar a família deles ali era Morgana, a irmã mais velha do casal de gêmeos.
Percival havia dito que ela foi ver a Dama do Lago, o que fez a Rainha dos Cavaleiros ficar curiosa sobre o porquê dela ter sido chamada para a Ilha de Avalon.
Mas ainda assim, não iriam perder a chance de ir ver as flores com a sua filhinha querida.
- Papai, papai! Olha lá! - Mordred apontava para o pequeno lago, no qual o vento fazia cair uma imensidade de pétalas de flores brancas na grama e na água.
Arthur deu uma risada ao ver a menina tentando pegar cada uma das pétalas com as mãos e a pegou em seus braços para ajudá-la a pegar as outras pétalas com uma altura maior.
A bela loira observava o seu marido e filha se divertindo com uma coisa tão simples, porém bonita. Apesar dela ter sido bem relutante em ter uma criança durante a sua gravidez, ela não trocaria aquele sorriso por nada nesse mundo. O sorriso daquela menininha que era como uma cópia viva dela.
O gêmeo mais velho ajeitou um lençol para poderem se sentar e começou a pegar da cesta um monte de lanches feitos especificamente para eles comerem, bom, especialmente para o casal. Eles já nasceram com um grande apetite para comida.
Arturia estava comendo o sanduíche feito por Arthur, admirando o gosto do lanche feito pelo seu amado rei.
- Continua tão delicioso como sempre. - A bela loira falava, enquanto mastigava o sanduíche feito por ele.
- O lanche do papai é sempre muito gostoso. - A pequena menina balançou a cabeça enquanto comia com satisfação.
Mordred terminou de comer e agora pegou um livro onde estava marcado numa página importante e o folheou até chegar nessa suposta página. Ela apontou para uma certa espécie de borboletas-monarcas e mostrou ao casal.
- Papai, mamãe! Eu quero ver essas borboletas. A titia Morgana falou que essas borboletas passam pelo canal do nosso país. Vamo, bora lá!
O rei deu um suspiro nasal com um sorriso e se levantou para ir acompanhar a sua pequena na busca por borboletas, enquanto a rainha observava ambos indo se divertir. Ela gostava desse momento sobre o quão inocente e feliz a sua pequena estava. Uma criança como ela tinha tudo o que precisava: uma família feliz.
Por um momento, Arturia se lembrou da primeira vez em que lutou numa batalha para proteger a Britãnia em uma época antes de ir a Avalon junto com Arthur. Eles se juntaram a um exército local de soldados para proteger a invasão as aldeias no litoral do país, e então se alistaram para ajudar.
E a loira de cabelos trançados lembrou-se de uma criança bárbara que tentou atacá-la durante a batalha na costa. Era um menininho com uma roupa toda ensanguentada segurando uma faca.
Pelo que ela pode entender desse contexto, os inimigos capturados que remanesceram disseram que o menino havia entrado escondido em um dos barcos dos bárbaros para ir junto de seu pai. Mas ela acabou matando o pai do garoto na frente dele.
E ele em retaliação, tentou esfaquear Arturia. Ela respondeu matando ele, sem nem pestanejar.
Sentindo com o seu estômago embrulhado, a bile subiu para a sua boca e finalmente vomitou ao realizar tamanha truculência ao matar aquele menino.
Mas isso era passado. E o passado nada mais era do que o adeus aos pesadelos. Então ela pode pensar em seu futuro com a sua família.
Nesse mesmo tempo em que a família real passava o seu momento juntos, na estrada a caminho para a Ilha de Avalon, Morgana cavalgava em seu cavalo para chegar logo no lugar solicitado pela Dama do Lago. Ela não sabia exatamente o que Vivian queria com ela, mas já conhecia a sua inteligência e sabedoria.
Apesar de parecer ser uma mulher bêbada qualquer, estava claro que não poderia subestimá-la. Ela é uma maga tão inteligente e poderosa quanto Merlin, se não fosse mais, é claro.
Ela já chegava no local do enorme lago enevoado, pelo qual a albina já não conseguia nem mais enxergar um palmo sequer. Amarrou o seu cavalo numa árvore alí próxima e decidiu terminar o seu caminho sozinha.
A princesa de Camelot observava a cada passo uma grama em seu chão, não conseguindo ver nada na sua frente. O caminho estava tão turvo quanto a passagem.
- Ifris uoukian liavis. - Morgana estendeu a sua mão para o ar e fez com que o feitiço limpasse o caminho dela até a ilha.
Ela pisou na água, mas ao invés de cair, estava andando na superfície dela calmamente como um barco flutuando sobre a água. Ela olhava a sua volta, observando os passos dela e ao mesmo tempo, se não havia nada debaixo daquelas águas nas quais ela caminhava.
Ela conhecia as histórias de quem se aventurava naquele lugar, e como elas morriam nesse lago. Era um lugar com propriedades mágicas, e diziam que nesse lago, os entes queridos falecidos poderiam ser vistos no reflexo desse lago. Mas isso não passava de uma historinha de criança.
Ela viu que a ilha já estava próxima, bem na sua frente. Ao pisar na terra da Ilha de Avalon, ela viu o quão estranho o ar daquele lugar era. Não por ser uma ilha no meio de um lago, mas sim por ser um local com propriedades mágicas bem misteriosas.
- Vai se revelar finalmente para mim, Lady Vivian? Ou eu terei que força-la a isso? - Os olhos de Morgana começaram a brilhar no mais intenso azul, enquanto se virava para trás dela.
- Aqueles que recebem o meu convite esperam a margem do lago para poderem atravessar com o meu barqueiro. Mas o fato de você querer vir até a ilha já confirmou as minhas suspeitas. Você é uma bruxa, e esconde o seu uso de magia da sua família.
O olhar de Morgana se arregalou ao ouvir tal afirmação vinda da Dama do Lago.
- Seus irmãos sabem que você possui magia? Com certeza não, visto em conta com essa expressão em seu rosto. Arthur com certeza seria misericordioso com você e iria perdoá-la. Mas já Arturia... Creio que já conhece bem o comportamento racional e agressivo dela.
- Se já sabe sobre mim, então por que não conta a verdade pra eles? - A bruxa perguntou já irritada com a Dama do Lago.
- Por que não é o meu destino fazer isso. Essa mentira que você oculta desde mais nova já está sobre as linhas tecidas pelo destino há muitos anos.
- E o meu destino sobre isso te envolve em me impedir?
Vivian fechou o seu olhar para ela e negou com a cabeça.
- Posso ver o destino de todos aqueles que nascem com o poder, mas não posso alterar os seus objetivos e acontecimentos, não importa o que eu faça. Você odeia os seus irmãos desde o nascimento, pois eles foram destinados ao trono. Mas o Arthur e a Arturia... eles dois te amam e confiam nas vidas deles a você, pois sabem que por você ser a mais velha, acreditam que faria de tudo por eles. E agora... Quer usar a filha de vocês três para matá-los?
A Pendragon mais velha semicerrou o seu olhar, observando atentamente os passos curtos e calmos da Dama do Lago.
- Sim, eu sei que a Mordred está longe de ser uma criança normal. Ela nasceu da semente do Arthur e do ventre da Arturia, mas parte daquela menina não tem só os genes dela e do Arthur. Você usou magia para manipular os óvulos da sua irmã, e dessa forma, fez com que gerasse uma criança de vocês três juntos. A Mordred não é só filha daqueles dois, também é a sua filha.
Morgana apenas sorria ao ouvir cada afirmação dita por Vivian. Com certeza ela iria descobrir de alguma forma ou de outra.
- Como já esperado da Dama do Lago. Já descobriu o meu segredo depois de mais treze anos planejando cada passo, e mesmo assim, aos seus olhos, não consigo me esconder de você. - A bruxa deu uma risada histérica, não conseguindo parar de rir.
- O que você planeja fazer com aquela garota, Morgana? - Vivian perguntou a ela, enquanto a princesa continuava a rir.
Ela agora fez um semblante mais calmo e olhou fixamente para Vivian, sem desviar o seu olhar ainda brilhando de pura energia azul para ela.
- Eu só vou curtir o que está para acontecer.
Nesse mesmo momento, perto de Camelot, o corpo de uma certa garotinha de cabelos loiros e olhos verdes estava agora no meio da grama sem vida, com o vento tocando as suas roupas e cabelos, mas sem poder nem reagir a nada.
- Mordred? Mordred? Filha? - Arthur balançava o pequeno corpo da sua pequena filha, que não reagia a nada. - Filha, acorda!
- Arthur?! O que tá acontecendo com ela?!
- E-eu não sei! Ela caiu do nada! - Ele respondeu, nervoso e sem saber do que houve com a sua menina.
Arturia segurou ela em seus braços, preocupada com a sua menininha e chacoalhou o seu corpo para ver se ela reagia de alguma maneira. Mas Mordred não queria reagir a nada. Os seus olhos verdes estavam totalmente sem vida.
- Vamos logo até o Merlin! - Ela rapidamente se levantou, e com a sua força da imaginação, rapidamente trocou aquele vestido casual e o transformou na sua armadura e roupa de Rainha dos Cavaleiros.
Arthur fez o mesmo e se transformou, trocando também as suas roupas casuais pela sua roupa e armadura de Rei dos Cavaleiros. Eles saíram correndo e pularam pelas árvores, indo em disparada de volta para a cidade real na esperança de que Merlin pudesse curar a menina.
Arturia estava extremamente preocupada, já que além dela ser mãe, era a única filha que tinha. O seu instinto de mãe protetora a deixava completamente focada apenas em esperar que a sua filha esteja bem.
Ao chegarem no reino, eles correram até o laboratório de alquimia do Merlin, onde ele estava apenas sentado comendo um bolo e rapidamente se levantou ao ver os seus dois protegidos chegando e batendo na porta com tudo.
Ele se assustou ao ver que ambos estavam ofegantes e desesperados, carregando a pequena primogênita deles.
- Pelo amor de mim mesmo, o que houve?! - O grande mago pulou assustado ao ver o Rei e a Rainha dos Cavaleiros na sua frente e de um jeito que jamais viu antes.
- Merlin, cuida da Mordred! Ela não está bem! - Arthur estendeu o corpo da sua garotinha para o mago, que observava ela minuciosamente para ver se não havia sido atingida por magia.
- Podem me dizer se ela foi atacada ou alguma coisa parecida? - Ele perguntou ao casal, enquanto continuava a examinar a pequena princesa e checando o seu pulso.
- Não, ela estava procurando por borboletas e do nada, caiu dura no chão. - Arturia respondeu a ele, com a pouca informação que sabia sobre a sua menina.
Merlin levou a sua cabeça até o peito da menina para ver se havia algum batimento cardíaco ou pulsação em seu coração. Mas não conseguia ouvir ou sentir nada. Ele fechou os seus olhos e balançou a sua cabeça para mostrar a eles que não havia mais nada que pudesse fazer.
- Arthur, Arturia... Eu sinto muito. Ela está com os ancestrais agora. - Ele falou com dor aos dois irmãos, enquanto fechava os olhos da filha única deles.
Arturia caiu em choro e prantos, se agachando no chão e sentindo uma intensa dor em seu peito enquanto abraçava o corpo morto de sua menina, e Arthur não estava diferente. Ele também estava chorando e abraçou a sua esposa por trás, tentando confortá-la e ao mesmo tempo tentando encontrar conforto nela.
Mordred Pendragon, sua menina de 7 anos de idade e também herdeira do trono... Estava morta.
Nesse mesmo momento na Ilha de Avalon, Vivian observava a família real pela imagem materializada na superfície do lago e fechou os seus olhos em dor ao ver que a primogênita de Arthur e Arturia estava morta.
- O que foi que você fez com ela, Morgana? - Vivian olhou nas águas do lago ao ver o casal de loiros o quão tristonhos estavam.
- Eu não tive nenhum dedo nisso agora, ela só caiu em morreu. Só vim aqui pra conversar com você, como me solicitou. - Morgana se justificou, estendendo as suas mãos para cima enquanto sorria friamente.
Vivian não podia entender o quão má aquela mulher era, ela causou a morte da sua própria filha e conseguiu partir o coração de seus irmãos usando aquela pobre menina.
- Pois bem. Chamei você para falar sobre esse ocorrido a você. Sobre o seu destino. Se o mal você continuar a realizar, a morte precoce encontrará. Perderá todos aqueles que ainda te amam muito, e então, quando já tiver conta de que está no fundo do poço e tiver a vontade de sair, terá um momento em que não conseguirá voltar. E será apagada dos corações deles para sempre. - Ela olhava seriamente para a bruxa, olhando de maneira séria e fixa para o seu rosto frio e indecifrável. - Morgana Le Fay Pendragon, você nunca será uma rainha de verdade. O caminho que você já escolheu, esse caminho só existe sangue e morte. A sua imutabilidade em desistir em aceitar o que você é junto com a sua ganância e sede de poder lhe trará a sua ruína.
Morgana deixou de ouvir as tais palavras tão amaldiçoadas contra ela e começou a andar, seguindo em frente e ignorando cada palavra deles enquanto a Dama do Lago continuava a falar.
- Você nunca vai mudar e por causa disso, vai perder tudo, Morgana Le Fay Pendragon! Se não desistir do seu pecado e de seu sonho venenoso, trará a morte daqueles que te amam muito! Você vai queimar!
- Eu já queimei. - A albina falou ríspida, enquanto atravessava o lago andando sobre a água e sumia no meio da névoa.
Ao terminar de atravessar todo o lago, ela já se encontrava no meio de um enterro onde os seus irmãos caçulas lamentavam, porém se mantinham firmes. Morgana observava a pose forte de firme de Arthur, vendo que ele precisava estar sem cair.
Ela virou o seu olhar agora para Arturia, que diferente de Arthur, mostrava um olhar mais insensível e com um olhar sério para o horizonte do céu nublado e cinzento. Por ser a mãe e a mulher que pariu Mordred, ela estava mais afetada do que o pai.
E isso mudou em algo nela. Morgana percebeu isso, e sorriu maliciosamente por trás de sua fachada chorosa e fingida.
Arthur estava sentado no chão de um dos corredores do castelo, pensando no porquê da sua filha ter morrido. Por que ela teve que morrer?
De repente, o toque de uma mão feminina o tocou. Se tratava da Cavaleira da Gentileza que apareceu ali para o seu rei com uma bandeja enorme de comida em mãos.
- Pensei que estaria com fome. Eu sei que o senhor come bastante, então achei que seria bom comer um pouco. - Ela falou gentil com ele, estendendo a comida para o Rei dos Cavaleiros.
- Não estou com fome no momento, Gareth. - Arthur negou o prato de comida com um sorriso fraco, que a garota rapidamente percebeu. - Pode dar a Arturia, ela deve estar com fome agora.
- Ela se trancou na galeria dos reis. A rainha me disse pra não perturbá-la no momento. - A irmã mais nova de Gawain explicou a ele, lembrando do olhar frio que Arturia havia dado a ela naquele momento, ficando com medo dela. - Meu rei, o senhor precisa comer alguma coisa. Já fazem dois dias que o senhor não come nada. - Ela falou em um tom preocupado, sabendo que era bem raro Arthur negar comida já que ele era conhecido por ser um grande comilão assim como a sua rainha.
Ele estava passando pelo processo do luto, e isso era normal negar constantemente que está bem no começo.
- Eu posso me sentar com você, por um momento? - Gareth pediu ao Rei dos Cavaleiros, que acentiu com a cabeça.
Ela se sentou ao lado dele um pouco tímida. A Cavaleira da Gentileza já era conhecida por sua timidez e por ser a irmã mais nova de Gawain, que tinha uma certa preocupação em relação a ela pois não queria de jeito nenhum que ela se tornasse cavaleira.
Mas o seu desejo de servir aos infames Arthur e Arturia Pendragon era maior. E ela iria seguir a vontade deles dois, mesmo que isso significasse morrer. Ela lutaria pelo rei e a rainha e morreria por eles, tudo pela honra de Camelot.
- Eu gostava da Mordred também. Ela era especial pra todos nós. - Ela começou a falar, enquanto Arthur ainda olhava para a parede de pedras.
- Mas essa não era a hora dela ir. Ela era tão nova e inocente. Enterrar os pais deveria ser o dever dos filhos, e não ao contrário.
Ele estava certo. Após a morte de um parente, o falecido deveria ser sepultado pelos seus filhos e não os seus pais. Era uma tristeza enorme que o Rei dos Cavaleiros sentia em relação a sua filha.
- Eu não sei como, mas eu creio em Deus que um dia vamos poder revê-la outra vez. Eu acredito nisso, meu rei. - A garota mais nova falou, convicta em seu coração sobre ter a certeza de que poderiam se encontrar com a princesa mais uma vez.
Arthur sabia que ela era cristã e acreditava no Deus Todo-Poderoso, diferente de seu irmão mais velho Gawain. Entre os Cavaleiros da Távola Redonda, Gareth era a quem tinha o coração mais inocente além de ser a mais fraca. Mas era por esse motivo que a fazia ser a mais forte entre os outros, não por sua força e sim pelas suas intenções puras e bondosas.
Numa sala cheia de pinturas antigas, estava Arturia sentada no chão e desolada assim como o seu amado. Terem perdido a primeira filha deles era como se parte da alma dela tivesse morrido junto com ela. Ela sabia muito bem que não era tão gentil ou capaz de demonstrar seus sentimentos mais abertamente como seu irmão.
Mas ainda assim, ela amava a sua garotinha como qualquer mãe amava a sua criança. E foi naquele dia que algo mudou em Arturia.
A humanidade era fruto de morte e destruição, e os humanos cobiçados e egoístas eram responsáveis por criarem o caos. Pra purificar o seu mal e o mal de todos aqueles que queriam destruir a si mesmos, ela faria isso por eles.
Teria que carregar a morte em suas mãos, somente para reconstruir um mundo novo e repleto de vida onde não existam os maus e os ceifadores de vidas.
- Morgana... - A loira chamou por sua irmã mais velha, que estava agora em sua presença.
A Rainha dos Cavaleiros não sabia como foi que ela surgiu ali de repente. Ela e Arthur já tinham conhecimento de que ela era descendente de uma família de bruxos e tinha conhecimento de magias, mas ela não negava a proximidade que tinha com ela.
Era a sua irmã mais velha, e a amava como se realmente fosse da família.
- Irmãzinha... Você está bem? - Ela perguntou a Arturia, parecendo estar preocupada com ela.
- Por que a Mordred tinha que morrer? Por que os humanos são tão frágeis assim? - A rainha olhava para a parede com um olhar tão distante e choroso, praticamente com um semblante tão cansado e vazio que nem mesmo conseguia pensar direito.
- As coisas nunca acontecem do jeito que a vida trás. E se o destino quis assim, minha irmã, foi então que com certeza os deuses trariam objetivos maiores para a vida da sua filha. - Morgana explicou a ela, garantindo o futuro dela no pós-vida.
- Eu quero criar um mundo onde dor e morte jamais poderão atingir as pessoas boas. Quero que o perigo e o caos sumam dessa terra maldita, junto com todos aqueles pecadores maus e impuros.
Morgana ficou um pouco surpresa ao ouvir tais palavras saindo da boca de sua irmã caçula, vendo que ela estava literalmente com certa mudança em sua face. E com um pequeno sorriso de lado, ela abraçou a loira pelas costas e sussurrou pra ela.
- Arturia, eu te prometo que um dia você e o Arthur poderão ver a Mordred de novo pra que vocês dois nunca mais tenham que sofrer. Isso é uma promessa. - Ela falou com duplo sentido para ela, convicta pelos deuses que casa palavra que ela disse era totalmente verdade.
Ela agora sorria abertamente de orelha-a-orelha, vendo como o seu plano estava sendo muito bem sucedido desde então.
A morte de Mordred estava funcionando muito bem com Arthur e Arturia. Os seus sentimentos em relação a menina estavam abalados, e com o luto, a fraqueza deles começaria a ser melhor explorada.
- Morgana. - A rainha chamou pela sua irmã mais velha, enquanto sentia o toque de seu abraço. - Muito obrigada, irmã. Obrigada por estar do nosso lado, mesmo não sendo minha irmã de sangue. Eu te amo, aneki.
Ela sentiu algo em sua barriga se passar por um momento. Que sensação estranha era aquela? A bruxa mais poderosa da Britãnia jamais sentiu tal coisa em sua vida. Era... Pesar? Ela teve pesar em matar a sua sobrinha/filha e causar tristeza em seus irmãos caçula? Não. Jamais.
Ela jamais sentiria pena ou tristeza. Ela era uma bruxa, aquela era a natureza dela. Conquistar e desejar, possuir e roubar. Ela iria possuir o que não tinha, mesmo que ela tenha que matar até as pessoas que amam ela pra isso acontecer.
- Também te amo, Arturiazinha.
Escuridão. Era a única coisa que ela podia ver. Não havia nada, só o frio. Estava tão frio que era como se estivesse rangendo os dentes. Isso se ela tivesse como fazer isso. Mas o seu corpo não reagia e muito menos resistia ao frio. Ela só apenas aceitava.
Por quê ela estava sentindo tanto frio assim? O que de fato aconteceu com ela?
Ela finalmente abriu os seus olhos fracamente, notando imensas velas em volta do lugar onde estava. Tinham diversos frascos de várias cores diferentes onde cada uma delas haviam coisas que jamais esperava ver. Um olho humano estava num frasco, e em seguida, diversas partes de um ser vivo estavam todas cortadas e separadas em uma só.
Ela sentiu medo. Não sabia que coisas eram aquelas, não sabia aonde estava e muito menos sabia quem ela era.
- Onde eu estou?! Que lugar é esse? Quem sou eu?! - A garota de cabelos loiros se encolheu, enquanto se cobria com o lençol em seu corpo.
Ela saiu da bancada de pedra onde estava e com dores em seus pés, ela andou fracamente enquanto cobria a nudez de seu corpo com o lençol e abriu a porta dali, onde dava numa sala com uma lareira acesa. E bem aonde havia a lareira, estava uma certa figura de longos cabelos platinados.
Se tratava de uma mulher, aparentemente.
Por instinto, a garota começou a procurar por qualquer coisa que pudesse ser usada como arma. Afinal de contas, ela queria sair daquele lugar tão escuro e mais ainda, saber quem era ela.
- Não precisa fazer isso, criança.
- Quem é você? Quem sou eu? E onde é que eu estou?
A mulher albina se virou para a garota, mostrando o imenso azul profundo das pupilas de seus olhos que brilhavam intensamente nas sombras que ofuscavam as chamas da lareira.
- Meu nome é Morgana. E eu sou uma bruxa, assim como você pode ver. - A Pendragon mais velha se apresentou para a menina, que ainda a olhava como se fosse uma ameaça. - E o seu nome se chama Mordred.
A jovem loira ficava pensativa ao ouvir constantemente esse nome, tentando fixá-lo na sua cabeça. Mas as dores faziam a sua mente fisgar só de tentar pensar nesse nome.
- Por que eu estou aqui? - Mordred perguntou, enquanto olhava para as chamas da lareira.
- Você não se lembra? Você foi esquecida pelos seus pais. Eles te largaram no meio da floresta enquanto você ia procurar por borboletas. - Ela falou, enquanto mexia em um caldeirão dentro da lareira com uma colher. - E foi então que você caiu de um penhasco. Eu trouxe o seu corpo de volta a vida e você está aqui.
Ela começou a sentir algo em seu peito, que com certeza tinha várias explicações. Mas apenas uma ela podia saber o que tinha ali. Remorso.
Por quê os seus pais a abandonaram numa floresta? Como ela poderia acreditar numa bruxa que a ressuscitou e agora conta algo assim como se fosse uma coisa tão normal.
- Não pode ser verdade, os meus pais jamais me deixariam sozinha! - Ela negava as afirmações da mulher misteriosa, enquanto as lágrimas começavam a cair em seu rosto.
A bruxa abriu a tampa do caldeirão e dele, saiu uma espécie de névoa verde que subiu até o teto e se espalhou por toda a sala. A loira cobriu os seus olhos como forma de se proteger, mas percebeu que a névoa não estava machucando ela. Então abriu os seus olhos para observar melhor em volta dela, e viu a imagem do dia de sua morte.
Mordred estava brincando no meio da floresta e quando se tocou de que não podia encontrar o caminho de volta para os seus pais, ela ficou completamente temerosa a solidão.
- Mamãe! Papai! Onde vocês estão?! - Ela perguntava com medo, enquanto olhava em volta das árvores em busca da trilha para voltar ao caminho de volta.
E foi aí que ela viu um casal de loiros quase idênticos, se não fosse pela diferença de gêneros deles. Era um homem alto e bonito com vestes azuis e ao lado dele, havia uma bela mulher um pouco mais baixa que ele com seus cabelos soltos.
Eles estavam parados de frente para a garota e olhando-a como se tivessem nojo dela.
- Estávamos tão bem sem você. Ainda mais felizes sem você, pirralha incômoda. - A Rainha dos Cavaleiros falava em um tom de desgosto para a garota.
- Até que enfim nos livramos de você. Era um completo desgosto para mim em ver uma menina tão fraca e inútil como você. - O Rei dos Cavaleiros falou com um gosto amargo em sua boca, enquanto olhava de desdém para a menina.
Ela começou a deixar descer suas lágrimas enquanto os via indo embora, e ela corria constantemente em direção a eles. Porém o casal continuava sumindo, enquanto Mordred continuava a correr inutilmente até os dois, que se distanciavam cada vez mais.
Ela finalmente desistiu e deixou os seus joelhos caírem no chão por desespero.
- Eles me abandonaram. - A loira chorava tristemente ao ver que eles dois haviam deixado ela lá sozinha de tudo, e deles.
- Mas isso não precisa ser assim. Você pode se vingar deles, e tomar o trono por seu direito. Você e o seu irmão.
- Irmão?
Atrás de Morgana, surgiu um rapaz loiro semelhante a ela bem na sua frente. Ele tinha a mesma cor de cabelo, os mesmos olhos e as feições de seu rosto também.
Ela o tocou no rosto com a palma de sua mão, assim como ele também fez. Ambos estavam tentando se identificar tocando em suas faces.
- Eu também sou você, irmã. - O rapaz o olhava fixo em seu olhar.
Morgana pegou um objeto dentro do seu seio por dentro do vestido e estendeu, mostrando a eles um intenso brilho de uma pedra vermelha.
- Ambos possuem os mesmos nomes, carregam o mesmo sangue de dragão e portanto, terão a chance de se vingar dos pais de vocês. - Ela começou a falar, sentindo uma intensa raiva vinda diretamente da garota. - Contudo, para se vingar deles, terão que treinar constantemente para se tornarem Cavaleiros da Távola Redonda. Vocês juram por vocês mesmos que vão trilhar nesse caminho para a vingança de vocês?
- SIM!
Nove anos haviam se passado, e em Camelot havia sido criada a ordem dos Cavaleiros da Távola Redonda, uma elite dos melhores soldados que só o rei havia escolhido a dedo. E neles ali, haviam dois irmãos chamados Neo e Una. Para todos, eles eram cavaleiros leais ao rei e a rainha. Para os dois, eles eram os filhos do rei e da rainha, preparados para traí-los quando chegasse a hora e matar eles quando tiverem a chance.
- Meu nome é Una, e eu vou ser a cavaleira mais forte de toda a Britãnia! - A Mordred Fêmea falou convicta de si, mostrando um comportamento meio egoísta e convencido dela.
- Meu nome é Neo, e a minha espada estará sempre a sua disposição, meu rei! - O Mordred Macho falou com uma voz mais firme para eles dois.
Arthur os olhou, percebendo a chama de determinação nos olhos dos dois irmãos.
- Vocês dois desejam servir a mim, tanto no campo de batalha quanto no meu reino?!
- Sim, meu rei! - Os dois irmãos acentiram para o rei, convictos de suas vontades para persuadir ele.
A única maneira deles poderem matar os seus pais seria servindo a eles lealmente, ganhando a confiança cega deles dia após dia e ter a certeza de que a sua vingança seria cumprida.
Retornando ao tempo atual, estava a mesma noite sem lua que deixava todo o deserto israelita sem nenhuma visão do lugar.
E em uma carroça sendo guiada por dois cavalos, a princesa de Camelot olhava para as possíveis estrelas visíveis nos céus sem lua.
A Mordred fêmea estava repensando em seus pensamentos, lembrando dos dias sombrios em que passou ao lado da maga mais perigosa de toda a Britãnia e sobre como foi manipulada por ela para atingir os seus próprios interesses mesquinhos.
Morgana jamais desejou em ajudar a Una e o Neo para terem os seus direitos ao trono, e sim, usá-los como meras ferramentas para garantir que Camelot fosse apenas dela.
E para ser ainda pior, aquela bruxa era mãe dela assim como a Arturia.
- Bruxa de merda. - A Cavaleira da Traição balançou a sua cabeça para tentar se esquecer dessa lembrança, e se ajeitou para continuar a cochilar.
Neo continuava a seguir em frente montado em cima de seu cavalo enquanto a Una descansava.
Ele era o clone da Mordred, mesmo que na maioria das versões da história do Rei Arthur, o Mordred Pendragon tenha sido retratado como um homem. Bom, existem diversas variantes deles dois através do Nasuverso que assimilava todos os milhares de Servos no Trono dos Heróis, e mesmo que nessa realidade ele seja uma casca copiada da Una, ele ainda era um Mordred também.
Foi criado por Morgana como um homúnculo bem-sucedido tendo herdado o sangue e a força do Rei e da Rainha dos Cavaleiros. A sua rainha, apesar de estar completamente diferente do que já esteve em seus 1700 anos de vida vagando sozinha pelo mundo afora, estava convicta de estar certa de suas decisões.
E era isso que o enfurecia.
Durante esses anos de servidão a aquela deusa, Neo cometeu atos indescritíveis que não haviam mais chances de justificativa ou perdão por aqueles que ele havia matado. Inocentes, pecadores, justos ou ímpios, nada disso importaria.
Ele serviu a sua mãe Arturia por longos anos, e por consequência disso, ajudou a matar milhares de pessoas por causa daquela seleção. Uma vez ele a traiu, assim como o seu pai. Mas agora ele tinha que ser leal ao desejo dela.
Por mais cruel e impiedosa que Arturia tenha ficado, ele não podia mais voltar atrás. Ele seria obrigado a ter que viver com o peso de todos aqueles que matou e que fez parte em ajudar na morte dos inocentes que morreram sem esperanças naquela seleção maldita.
Fazendo um sinal de mão com a mão direita, ele juntou o dedo indicador e o dedo do meio e materializou uma pequena esfera verde na ponta dos dois dedos.
- Lancelot, estamos nos aproximando dos vilarejos ao oeste. Onde você está? - Neo perguntou ao mais velho, enquanto olhava em volta de todo aquele deserto escuro e sombrio.
O Cavaleiro da Traição estava tentando se comunicar com o Cavaleiro do Lago, pois os dois irmãos estavam indo para ajudá-lo na captura daqueles fugitivos da Seleção Sagrada.
- Siga em frente no quadrante nove ao noroeste. Vou lançar um sinalizador no céu, procure pela minha localização. - A voz do arroxeado do outro lado da esfera de luz avisou, visto em conta que também parecia estar um pouco nervoso o tom de voz dele.
O loiro notou que havia uma luz vermelha de um rojão lá longe a quilômetros de distância. Ele alterou a sua rota, indo agora em direção do vilarejo onde Lancelot havia disparado aquele sinalizador.
A Una abriu os seus olhos ao ouvir o barulho de chamas do sinalizador no meio do céu escuro, que revelava a localização do cavaleiro mais velho.
- Então a gente já tá chegando? - A Mordred Fêmea perguntou ao seu irmão.
- É o que parece. - Ele respondeu a ela, enquanto guiava os dois cavalos em direção à origem daquela fumaça nos céus. - Sobre a missão do Lorde Percival e do Lorde Kay, o que você acha sobre eles?
Ela deu uma pequena risada ao se lembrar da dificultosa luta que ela teve com a Rainha da Assíria durante aquela luta no Jardim da Babilônia.
- Só digo que é melhor as negociações ficarem responsáveis pelo Perci, porque se for pra depender do Kay, eles dois vão acabar morrendo pra aquela meretriz. - Ela respondeu com sinceridade, mas também com uma certa ironia ao saber muito bem do comportamento sarcástico de seu companheiro.
Eles seguiram em direção para lá e foram em frente ao local designado pelo Cavaleiro do Lago. Enquanto eles iam para ajudar Lancelot com a questão sobre os outros Servos, em algum lugar ao leste desse deserto israelita estava um certo pássaro voando rapidamente.
O pássaro havia acabado de passar por algumas montanhas, e parou em uma imensa fortaleza flutuante no meio dos céus há vários quilômetros de distância do chão. Olhando lá debaixo, aquela fortaleza não parecia se mover e só voar para cima dela, havia um imenso e belo jardim em volta da grande fortaleza.
E no meio dela estava um castelo de arquitetura assíria e mesopotâmica, que lembrava de Uruk e da antiga Babilônia.
Ao adentrar uma das janelas abertas, o pássaro voou em direção a uma espécie de espinho dourado que estava parado no meio do ar.
Mas quando o espinho foi para baixo, percebia-se que o espinho na verdade foi recolhido para dentro de uma mão. E essa mão pertencia a uma bela e elegante mulher de longos cabelos pretos, com um longo vestido preto decotado na região dos seios, que tinha duas orelhas grandes e pontudas como as de um elfo ou uma fada. Seus olhos eram tão dourados que exalavam luxúria e poder.
Ela estava sentada numa espécie de trono, olhando desinteressada para uma bola de cristal bem na sua frente enquanto degustava um vinho de uma taça de ouro.
A bola de cristal mostrava duas imagens de um casal de loiros que estavam em lados opostos naquele momento, como se uma rachadura separasse os caminhos que ambos tinham.
- Então como uma das formas de querer deter a bagunça de Salomão para salvar essa Singularidade, o Rei dos Cavaleiros surgiu na terra de Israel e quer enfrentar a sua rainha? - Ela deu um olhar interessado após bebericar a bebida fermentada, enquanto suas pernas permaneciam perfeitamente cruzadas. - Que estupidez.
Ela materializou um pequeno portal de luz amarela, onde por ele surgia um imenso livro que na capa dizia em linguagem dos magos sobre uma única palavra conhecida pelos humanos.
Servos
Se tratava de um livro sobre os Servos invocados através do Trono dos Heróis, ou aqueles que eram fornecidos por outros meios. Ela abriu o livro e viu uma imensa quantidade de Servos naquele livro, com poderes, habilidades e estatísticas de cada um deles.
E ela parou em especificadamente em duas delas.
Se tratava de dois homens. Um tinha cabelos brancos, um olhar neutro e estava armado com uma lança, e o outro de cabelos castanhos, uma cicatriz e uma marca em seu olho direito e estava armado com uma espada ornamentada. Eles usavam armaduras diferenciadas e capas longas com pelo de animal na região da gola e dos pescoços.
- Imaginei quanto tempo chegariam até mim... Cavaleiros da Távola Redonda. - Ela desviou o seu olhar para a escadaria, onde ali estavam os mesmos dois Servos que estavam ali naquele livro. - Imagino que vocês devam ser Percival e Kay, não é mesmo?
- Já nos aguardava? - O Cavaleiro da Temperança levantou a sua sombrancelha em um olhar observador.
- Mas é claro. - Ela deu um sorriso de lado, enquanto tomava mais um gole do vinho delicioso na taça em sua mão esquerda. - Eu sou a detentora do verdadeiro reino mais poderoso desse deserto, e em alguma hora a Rainha dos Cavaleiros iria querer me matar pra garantir que o poder da Babilônia que foi instigado pelo meu ancestral Gilgamesh caia em mãos de vira-latas como vocês, zashu.
O Cavaleiro da Pomba olhou irritado para aquela mulher sentada no trono, ao ponto de uma veia saltar de seu rosto.
- O que eu diremos a você é o seguinte, Semiramis. A Deusa Rhongomyniad aceita a sua rendição e exige o seu reforço para com o lado de Camelot, junto com o seu Jardim da Babilônia ao lado dela. - Percival falou em um tom meio ameaçador para a mulher de longos cabelos pretos, que agora começava a brincar com o seu cabelo.
- E se eu tivesse que me recusar? - Ela perguntou com mais afinidade em sua voz, tentando passar por cima daquela sensação sufocante dos dois cavaleiros.
- Você morre. Simples assim. - Kay falou em um tom curto e grosso, querendo mostrar as opções limitadas da Assassin.
Ela deu um falso semblante de medo ao debochar da incredulidade dos dois e começou a rir deles. Eles poderiam ser membros da Távola Redonda, e a força de cada um deles era próxima aos de Servos de Rank A. Mas ainda assim, ela não iria largar o osso ao ponto de perder para os cães daquela deusa pagã genocida.
- Puxa vida, como dois homens altos e fortes seriam tão cruéis com uma dama indefesa? - Ela falou com um falso medo, abraçando-se como fingimento para Percival.
- Para de falar besteira, que indefesa você não tem nada. Nós sabemos muito bem quem você é... Semiramis, a Rainha da Assíria. Você é conhecida pela história como uma criança que era uma ladra e cresceu se tornando uma assassina de homens e nobres, matando eles com veneno após as relações sexuais como uma prostituta barata. - Kay falou já de saco cheio, tendo que ouvir a ladainha daquela assassina interesseira por luxo. Ao ser insultada por palavras tão vulgares, isso fez o semblante daquela mulher mudar de uma hora para outra. - É, eu sei muito bem como foi que você se tornou uma rainha e não vou cair no seu papinho ou cantada, Semiramis.
Percival arregalou o olhar para o seu camarada, entendendo rapidamente que ele queria mesmo irritar ela. Mas chamar ela de prostituta?!
A acastanhada de orelhas pontudas deu um olhar frio e mortal para os dois, vendo em conta de que ela não conseguiria sair daquele lugar enorme e a luta dela contra eles dois seria inevitável.
Ao sentir a aura assassina vindo daquela mulher, o Cavaleiro da Temperança sacou a espada de sua bainha, revelando uma espada longa de lâmina azulada com o símbolo da Távola Redonda escrito nas laterais da lâmina.
Já o Cavaleiro da Pomba tirou a sua lança branca e prateada de suas costas, revelando o simbolo da Távola Redonda no seu cabo prateado.
Semiramis semicerrou os seus olhos demonstrando um olhar completamente irritado para os dois cavaleiros, ao ponto de algumas veias saltarem de seu rosto. O olhar dourado dela que representava a superioridade estava manchado pela a ameaça contra a vida dela.
A vida pela qual ela jamais teve a oportunidade de viver como uma mulher normal. Desde o início de sua vida ela se tornou uma assassina, matando para sobreviver. Matando para cobiçar. Matando para conseguir o que desejava. Mesmo que ela sujasse as suas mãos, ela fez o que fez para continuar se mantendo viva e sem se importar com as vidas que ela pisou pelo caminho.
- Vocês vira-latas malditos acham mesmo que podem me dar esses papos de merda? Achando que não posso matar vocês quando eu bem entender?! - A Rainha da Assíria se levantou de seu trono, começando a descer calmamente os degraus enquanto os dois cavaleiros deram um longo passo para trás, saltando alguns metros de distância para se protegerem contra ela.
Ao descer até o último degrau, ela estendeu os dois braços para frente, fazendo os espinhos dourados presos nas palmas das mãos dela aumentarem para uns 40 centímetros de comprimento.
- Eu vou mostrar a vocês dois, e especialmente a você, Cavaleiro da Temperança... - Ela chamou a atenção de Kay, vendo que o dono das adagas havia irritado ela. - ...o que acontece quando as formigas não aceitam respirar o ar que eu respiro.
Um ar tóxico roxo saiu debaixo dos pés dela e começou a se espalhar por todo o salão do trono, fazendo os dois cavaleiros terem que se aproximar pra inspirar o oxigênio. Aquela mulher se tratava de uma antiga descendente de Gilgamesh, a mulher que incentivou a fundação da infame Babilônia.
Com certeza seria uma adversária formidável e bem difícil de derrotar.
- Se o seu plano besta envolvia querer irritar ela, conseguiu. - Percival se irritou com o seu parceiro, enquanto tentava olhar em volta daquela névoa roxa.
- Ela não aceitou o acordo, então uma ameaça simples já tá de bom tamanho. - Ele falou indiferente, demonstrando um sorriso sarcástico enquanto dava de ombros.
- "Ameaça simples?!" - O Cavaleiro da Pomba semicerrou o seu olhar, mostrando um semblante irritado com o seu companheiro. - Você acabou de ameaçar a vida daquela mulher e chamar ela de prostituta barata! Era pra eu ficar a par das negociações e não você!
- Ah, que se dane! E ela é só uma. Dá pra gente derrotar ela fácil e... - Antes que Kay pudesse continuar a falar, duas correntes surgiram bem debaixo de seus pés e os dois cavaleiros foram puxados de maneira brusca para o chão.
Eles estavam sendo arrastados pelas correntes e começaram a dar a volta por todo o salão, batendo em todos os tipos de obstáculos como pilares, decorações e até mesmo objetos cortantes. Cada arrastada e impacto nas paredes faziam mais ferimentos em ambos.
Percival rapidamente fincou a sua lança no chão, seguidamente de Kay que tentava se segurar em algo para não ser arrastado. O Cavaleiro da Temperança rapidamente viu o próximo pilar e cravou a sua espada ali para se segurar das correntes, que ainda o puxava.
Realmente, eles teriam que lutar contra a Assassin, e em completa desvantagem graças ao veneno lançado por ela. Se eles inalarem o veneno e começarem a se cansar, com toda certeza será fim de jogo.
- Sinceramente, não esperava que o dia fosse começar assim.
Notes:
Sinceramente, acho que essa parte do passado ficou meio rushada e rápida, mas quero continuar assim e fazer mais sobre a Morgan posteriormente. Agora também, apareceu finalmente uma serva nova e se trata justamente da própria Semiramis! Apesar dela parecer fraca contra os dois cavaleiros, ela é justamente o contrário de fraca como já visto em Fate/Apocrypha na luta dela contra a Mordred. O Kay é muito burro de ter irritado a Semíramis, mas fazer o quê?
(Não sei exatamente como é a personalidade do Kay, mas como ele é dito como o cavaleiro menos leal da Távola Redonda, então aqui ele tem uma personalidade mais sarcástica e impulsiva)
Até mais 👍
Chapter 6: Pé Na Estrada
Summary:
Arturia recebe a visita da Rainha das Fadas, esperando por um conselho dela em relação ao impostor que invadiu o seu palácio. Arthur e o pessoal de Arash e Jeanne seguem viagem em direção ao oeste indo em direção a Vila dos Assassins, enquanto Kay e Percival tentam sobreviver aos ataques da Rainha da Assíria.
Notes:
(See the end of the chapter for notes.)
Chapter Text
Na Cidade Alta, a noite sem lua era completamente coberta pelo crepúsculo e as trevas nos céus do deserto de Israel. Os guardas artificiais mantinham as suas posições patrulhando as muralhas da cidade e rondando pela Antiga Jerusalém. As pessoas oprimidas e necessitadas não podiam fazer nada a não ser dormir para poder passar a fome.
Nesse momento em seu quarto luxuoso, A Rainha dos Cavaleiros estava deitada nos seus aposentos, em uma cama de casal. Ela tocava com a mão direita o outro lado da cama, sentindo falta do seu amado. Ela não conseguia dormir bem há muitos anos.
Ela perdeu o seu amor junto com a sua humanidade, e mudou o seu verdadeiro destino. Ao invés de ter aceitado a sua morte em Avalon, algo mudou nela. Ela sobreviveu a Batalha de Camlann e agora estava ali completamente viva e como uma Serva Divina.
Há mais de 1500 anos que Arthur havia morrido, e ela prometeu para si mesma que não perderia mais ninguém querido para ela.
- O que está acontecendo, Arturia?
Uma voz sombria e meio antagônica surgiu no ar, sob as penumbras em que o vento se ocultava. Se tratava de uma mulher albina com cabelos brancos, olhos azuis, vestido preto justo e uma enorme capa por cima.
- Eu sinto que um Servo de Rank A foi detectado nesses salões. Você é a única Serva de Nível Rank-S que está habitando nesse mundo, e o deixou vivo? O que aconteceu?
- Estou tentando lidar com um ladrão de rostos, rainha fada. Ele surgiu em meu castelo e roubou o rosto do meu Arthur. - A Rainha dos Cavaleiros explicou a fada que continuava ali em pé, ainda tentando entender do que se tratava.
- Mas isso... Isso é impossível, Arturia. O Rei dos Cavaleiros foi morto em batalha ao ser traído por seus filhos e pela irmã mais velha. - A Rainha das Fadas falou tentando entender a confusão que estava na bela face da loira.
Arturia recebeu o relatório dos outros cavaleiros que o invasor poderia ser realmente o seu próprio rei. Mas ela não poderia acreditar num absurdo tão grande como esse. Ela já o perdeu, e a mesma viu quando isso aconteceu diante dos olhos dela.
- Eu sei disso, e eu quero matá-lo, Dama das Fadas. Não sei o porquê, mas por algum motivo eu sinto algo dentro de mim que faz com que meu corpo fique mais quente. - Confessou a loira dos olhos inexpressivos, demonstrando um misterioso desconforto que a suposta fada encontrou detectar.
A albina observava a ela, vendo em seus olhos verdes-limao inexpressivos algo bem distinto em suas íris. Sua mão direita estava circulando pela região da camisola onde estava o seu ventre. O calor estava fortemente ativo bem naquela parte no abdômen. Era o desejo. O desejo carnal, que lhe trazia a necessidade de poder ser prazerosamente aliviada por um homem.
E no caso era aquele homem.
Na primeira vista, ao ver aquele cavaleiro misterioso invadindo o salão do trono e ver o mesmo rosto de seu amado, o corpo de Arturia começava a desejar por ele de maneira inacreditável.
E era por isso que Arturia queria matá-lo. Ela não devia ter essa sensação por um ladrão de rostos que roubou o rosto de Arthur.
- Você e o Arthur nasceram com a herança do sangue de dragão. Então é normal que ambos do mesmo sangue sejam atraídos de forma carnal um pelo o outro, mesmo sendo irmãos. Mas no caso desse impostor, é provável que seja alguma habilidade especial de Camuflagem. - A platinada falou enquanto coçava o seu queixo, demonstrando algo pensativo. - E o que vai fazer enquanto a ele?
- Eu mandei os meus filhos irem atrás dele. Vão dar apoio a Lancelot nos vilarejos do oeste, visto em conta que seja para onde o grupo de Arash Kamangir e Jeanne d'Arc estão indo. - A Rainha dos Cavaleiros disse para a fada que agora fez um olhar de surpresa.
- E você tem certeza disso, Arturia? Matar ele agora pode ser um desperdício de esforços dos Cavaleiros da Távola Redonda nesse momento, afinal de tudo você ainda tem contas a acertar com a Semiramis, Ozymandias, Minamoto no Raikou, Constantine, o papado e Kriemhild. Eles são Servos de Rank B e A extremamente poderosos que também ainda estão vivos nessa Singularidade, e no momento, usar a Rhongomyniad na área dos Assassins não deve ser a tomada de decisão mais sábia a se fazer, visto em conta que mexer precipitadamente com Canaã, o Jardim da Babilônia e as tensões da Inquisição na Palestina só trarão mais conflitos desnessessários pra ti. - A Rainha das Fadas supôs com a sua sabedoria de monarca, tentando entender o ponto de vista da Rainha dos Cavaleiros. - E alem disso... Ainda falta mais ou menos uma semana para você poder liberar as Sete das suas Treze Restrições, não é?
A bela loira não falou nada ao ouvir os argumentos da Rainha das Fadas, pois a sua inexpressividade facial só a deixava cada vez mais sem nem mesmo prever o que ela de fato queria fazer. Ela não estava pensando direito por causa daquele farsante, e isso podia deixá-la vulnerável.
- Muito bem. Vou deixá-la pensar melhor. Sendo assim, sugiro que descanse um pouco mais, pois mesmo você sendo uma deusa, não pode fazer escolhas precipitadas. - A platinada andava calmamente em direção a parede, e a tocou, fazendo com que a sua mão direita atravessasse o quarto. Ela deu um último olhar para a Deusa Rhongomyniad e foi embora, atravessando o seu corpo por completo pela parede.
Arturia apenas viu a fada indo embora e começou a ver o Anel de Singularidade acima dos céus. Ela não sabia direito sobre essa Rainha das Fadas, mas esteve com ela desde que aceitou por completo o poder da Rhongomyniad e se tornou o Rei Leão.
A Serva Divina mais poderosa que já caminhou por esse deserto. A Serva de Rank-S mais poderosa do mundo.
E durante esses 1500 anos viajando pelo mundo e vendo a corrupção da humanidade se repetindo várias e várias vezes, ela ainda não podia deixar de acreditar no porque desses humanos ainda existirem.
Deus errou em criá-los, e isso ele mesmo afirmou ao ser visto lá nas Escrituras, no livro de Genesis. Por causa do mal da humanidade, Arturia fez o que nenhum ser vivo pensaria em fazer. Ela conquistou Jerusalém, invocou o castelo de Camelot e a Cidade Alta bem no meio da capital de Israel e realizou uma imensa chacina, matando incontáveis pessoas com o custo disso.
E para a loira, ela salvaria apenas os que realmente seriam justos e puros de coração. Apenas os que ela pudesse julgar serem bons de verdade pelas suas luzes.
E os ímpios ela os mataria aos montes, não importando nem mesmo quem fosse. Mesmo sendo qualquer homem, mulher e criança que não seja pura aos seus olhos. Ela os matou em multidões e continuará a fazer isso até que esse mundo chegue ao seu inevitável fim.
E um homem que está usando o rosto de seu gêmeo era uma completa afronta para ela, que praticamente a fazia sentir ânsia de vômito. Uma afronta para a memória de seu marido. Ele estava com a Excalibur original nas mãos, a mesma que Arthur usava em combate enquanto estava vivo e reinando sobre a Britânia. Ela o caçará até o último grão de areia desse deserto esquecido pelo Senhor, e o matará da maneira mais dolorosa, lenta e brutal possível. Isso ela mesma garantirá.
Nesse mesmo tempo que Arturia estava em seus pensamentos, a fada já havia saído dos aposentos da rainha e agora estava do lado de fora da torre da ala real.
A platinada continuou a flutuar no meio de uma das torres do lado noroeste do castelo e olhou para uma estátua de gárgula ali em cima. Ela aterrissou no telhado e se aproximou da estátua. Ela fez um semblante irritado, sentindo uma enorme cólera de raiva e ódio e usou o seu cetro para bater incontáveis vezes na gárgula.
- MERDA! MERDA! MERDA! MERDA! MERDA! MERDA! MERDA!
Quando ela conseguiu quebrar a escultura de pedra após alguns golpes violentos com o cetro em suas mãos, o seu rosto mostrava óbvias expressões de agressividade com veias circulando com o sangue vermelho de raiva em sua face.
- Por quê...? Por quê?! Por quê, droga?! POR QUÊ VOCÊ NÃO MORRE, ARTHUR PENDRAGON?!
A sensação da noite sem lua onde apenas as incontáveis estrelas podiam ser vistas nos céus, junto também com o enorme Anel de Singularidade ao redor desse deserto. Aquela coisa era algo que criava um imenso circulo livre de nuvens em volta e era a única coisa que iluminava a noite, porém não iluminava forte o bastante como a lua. E isso com certeza era uma coisa que estava sendo muito benéfica para eles, pois a noite enluarada era algo que chamaria a atenção da Távola Redonda.
As dunas de areia tocadas por pneus iriam em algum momento sumir com o vento, então eles não se importariam se aquelas dunas se mantessem por ali.
E nesse momento, o grupo diversificado de Servos seguia a viagem noturna em direção ao oeste com a Ruler ainda dirigindo a picape e a Alter na frente pilotando a motoca, segundo as instruções de Arash Kamangir.
Ishtar e Muramasa estavam dormindo devido por serem Pseudo-Servos e seus hospedeiros humanos estarem cansados. As duas Jeanne, Siegfried, Arash e Arthur eram os únicos que estavam acordados e vigilantes por volta de todo o local.
Arthur ainda estava dolorido devido aos ferimentos no corpo, porém a pomada que Ishtar havia passado nele estava curando-o mais rápido que antes.
- Quer descansar um pouco, Ruler? Eu posso dirigir até lá. - A voz calma e quieta de Siegfried surgiu ali dando uma sugestão a Santa, no momento em que o herói nórdico percebia um certo deslize na condução da Ruler enquanto ela dirigia pelas dunas do deserto. Mesmo eles sendo encarnações mágicas invocadas, eles também tinham os seus limites.
- Tá tudo bem, senhor Siegfried. Eu posso aguentar um pouco mais. - Jeanne sorriu em resposta, enquanto quase pregava os olhos mais uma vez.
A Avenger rapidamente percebeu que a sua contraparte estava caindo no sono mais uma vez, e foi bem para o lado dela com a sua moto, quase encostando na porta dela. Ela deu um tapa no pescoço da Ruler, fazendo ela acordar bruscamente.
*TAPÃO*
- ÁI! - A loira de trança grunhiu de dor ao sentir a ressonância ardente do tapa recebido pela vingadora e rapidamente retomou o controle da picape. - Isso doeu! Eu poderia ter feito o carro desgovernar no deserto por sua causa.
- Ô sua idiota! Vê se para de ficar dormindo e sai desse volante! - A mulher de cabelos prateados gritou irritada para a sua "gêmea boazinha", vendo que daqui a pouco ela acabaria fazendo a picape capotar na areia.
- E você? Tá sentada nessa moto já faz um tempão e não está cansada? - Jeanne rebateu a queixa da Avenger, estando também preocupada com o estado da sua "gêmea malvada."
A Alter ficou também um pouco encolhida ao ouvir isso dela, mas tinha razão. Também já estava cansada de pilotar a moto durante tanto tempo, mesmo sendo uma Serva. E ela precisava ficar atenta a cada coisa, pra que nenhum imprevisto aconteça.
- Eu vou ficar bem, se liga em mim não. - Ela falou de forma seca, enquanto sentia-se um pouco travada nos braços e pernas. Além dos quadris dela estarem doendo de tanto ficar sentada pilotando aquela moto.
A Santa de Orleans tinha a razão sobre a atual condição da sua contraparte, mas a Donzela Sombria da Vingança não iria largar o osso facilmente. Infelizmente o orgulho dela era grande demais para deixá-la calma e quieta.
- Deixa eu pilotar, Alter. Você pode descansar um pouco, e além disso, ainda falta muito chão pra chegar até lá. - Arash se ofereceu de bom grado, vendo o quão tonta a Jeanne Alter já estava de tanto pilotar.
- E você tá achando que eu vou deixar você dirigir essa belezinha?! - A jovem mulher de cabelos prateados riu sem graça e com irritação em seu rosto. - Mas nem por um caralho!
- Irmã, não fale palavrão! Eu já te avisei sobre você ficar falando barbaridades com esse linguajar! - A Ruler falou em um tom repreensivo para a sua "gêmea", que apenas dava o dedo do meio enquanto dava de ombros.
Arash deu um sorriso de lado ao ver que não seria muito difícil convencer aquela Santa Caída, já que ambas as Jeanne d'Arc por algum motivo eram muito atrativas umas às outras.
- Ainda faltam umas quatro horas até a gente chegar ao Vilarejo Leste, e eu sei que você e a sua irmã precisam conservar mana até lá. Afinal de contas, vocês duas vão precisar fazer "aquilo" de novo.
Agora a Alter estava relutante em deixar o persa pilotar a sua moto, mas precisava garantir que a sua contraparte idiota estivesse em condições de se manter de pé, pelo menos até às duas poder estarem a sós e seguras. As duas contrapartes pararam de dirigir os veículos e a Ruler saiu do volante, descendo da picape e indo para o baú de trás.
- Que se dane, tá bom. - A Alter murmurou alto e com rispidez, saíndo da garupa e tirou as suas mãos do guidão, mas não antes de segurar a capa do persa e apontar o seu dedo indicador pra ele. - Mas fica ligado que se eu ver um único arranhãozinho sequer nela, vou pegar o seu corpo mutilado e te crucificar junto de uma fogueira no meio do sol quente, seu arqueiro de araque.
Arash se deu a oportunidade de rir ao ouvir as ameaças de morte vindas da Donzela Sombria da Vingança, e sabia muito bem do que ela era capaz de fazer se algo não a agradasse.
As duas Jeanne d'Arc foram para a parte de trás da picape juntas de Arthur e antes de pegar na Harley Davison, Arash pegou Muramasa que estava dormindo na frente e o deixou no banco de trás junto de Ishtar, fazendo com que o banco da frente ficasse livre.
- Arthur, se quiser pode ficar aqui no banco do passageiro. - O nórdico de marcas azuis sugeriu para o Rei dos Cavaleiros de maneira calma e bem formal.
- Já que o Muramasa e a Ishtar estão dormindo, é melhor deixar as duas irmãs juntas atrás - Arthur pulou da traseira da picape e sentou-se no banco do passageiro, ao lado do nórdico.
- Não somos irmãs, seu rei de merda! - A santa caída falou ríspida para o monarca que agora estava sentado no banco da frente.
- Somos irmãs sim, Alter. - Jeanne falava com um sorrisinho no rosto, demonstrando um certo orgulho em dizer isso.
E então, Siegfried e Arash pegaram a direção e continuaram a seguir em frente em direção ao oeste, seguindo as orientações detalhadas do Archer.
A Ruler abraçou a Alter, deixando a mulher de cabelos platinados surpresa ao vê-la toda à vontade ao ter ela abraçando-a por trás.
- Mana, quer fazer uma oração antes da gente dormir? - A loira pediu para a sua contraparte, enquanto se aconchegava descaradamente nos braços da Alter.
Uma veia saltou no rosto da santa corrompida e rapidamente se virou para a sua irmã boazinha. Ela já estava se irritando com esse comportamento estranho de "irmãs" que ela tinha com ela.
- Você quer morrer, sua santa desmiolada?! Eu não oro, ainda mais pra um deus vazio! Se quiser orar e perder o seu tempo falando com o vento, faz você! Eu vou dormir enquanto dá, que eu ganho mais. - A Jalter se separou da santa e se cobriu com os seus longos cabelos, apoiando o seu corpo na ponta do baú da picape. - E outra coisa pra ficar fixa na sua cabeça: eu não sou a sua irmã!
A Ruler se sentiu meio chateada ao ouvir palavras tão duras e blasfêmas vindas da sua irmã, mas mesmo assim ela sabia que não iria parar de se aproximar dela.
Ela cheirou os cabelos prateados de sua "irmã", podendo sentir um aroma agradável e reconfortante de lavanda que a fazia lembrar de uma época onde as coisas poderiam ser bem mais fáceis. Decidida a garantir um pouco de paz antes de descansar, a jovem santa fechou os seus olhos e começou a sua oração.
- Pai nosso que habita nos céus. Perdoe-nos de qualquer coisa que tenhamos feito que não tenha sido da sua vontade. Perdoe também pelos atos libidinosos e impuros que eu e a minha irmã fazemos, mesmo sendo necessário para nos mantermos vivas aqui. Quero que mantenha-nos seguros até o fim dessa Singularidade, e que também, garanta que a minha irmã possa ter a chance de te entender de novo um dia. É o que eu te peço humildemente, em nome do senhor amado Jesus, amém. - Jeanne terminou a oração e manteve uma distância da sua contraparte de cabelos prateados. - Não se esqueça, irmã. Eu te amo.
A Alter escutou toda a oração de sua irmã e a sua declaração de amor, o que fez a santa corrompida de cabelos prateados dar um olhar meio arrependido enquanto focava a sua visão para a parede do baú da picape, começando a repensar sobre o que havia dito cruelmente pra ela.
- Elas me lembram de quando eu e a Arturia brigávamos por qualquer coisa. Seja por comida, estratégias de batalha, táticas de luta ou até mesmo o tipo de carne que ela queria comer no jantar. - Arthur falou se referindo às duas francesas lá atrás, com a intenção de quebrar o gelo entre ele e o Siegfried enquanto sentia uma certa hostilidade vinda da Avenger.
Siegfried continuava a dirigir a picape, enquanto olhava em volta de todo esse deserto e com atenção constante para a sua frente e para os lados, garantindo que não haja nenhum inimigo se aproximando deles.
- Elas lutaram uma contra a outra na Primeira Singularidade de Orleans, na França. A Ruler tentou fazer com que a natureza da Alter mudasse, e ainda tenta mudar ela. - O nórdico de marcas azuis explicou ao loiro se lembrando daquela Singularidade e a invocação da Jalter em trazer Fafnir, enquanto continuava dirigindo em frente. - Porém, só o que conecta as duas nessa Singularidade aqui é a necessidade básica da transferência manual de mana.
- Não, pera, pera um pouco ai. Transferência manual? Isso quer dizer então que elas duas... - Arthur fechou a sua mão e apontou o seu polegar para trás, tentando entender o que as duas francesas faziam e o caçador de dragão acentiu com a cabeça em positivo. Então ele fez um sinal com duas tesouras com as mãos, e as juntou ainda sem querer entender, e mais uma vez Siegfried balançou a sua cabeça em afirmação. Isso só fez o loiro ficar cada vez mais incrédulo. - Elas fazem aquilo?! E a Ruler ainda tenta considerar a Alter como uma irmã depois disso tudo?!
- Você também se casou com a sua irmã, não foi? - O nórdico argumentou, em um tom confuso.
O loiro de antena ia responder algo na ponta de sua língua, mas viu que também seria dele uma certa hipocrisia. Afinal de contas, ele e Arturia se relacionaram e se casaram.
- É, aí você tem um ponto, senhor Siegfried. - O Rei dos Cavaleiros falou, aceitando também a sua parcela de pecado em relação a isso. - Mas e aí? Como essa coisa entre duas funciona?
- Se a Ruler e a Alter não fizerem relações entre elas mesmas pelo menos uma vez a cada três dias, as duas somem. Duas versões de si mesmo na mesma Singularidade sem um Mestre não podem coexistir, e como Salomão criou e manipulou todas as Singularidades sem nenhum controle ou ordem, isso fez com que a Deusa Rhongomyniad tomasse o poder nessa era e agora ela está prestes a destruir o mundo inteiro. Talvez seja questão de tempo até essa Singularidade deixar de existir.
Quando a sua gêmea foi citada novamente, Arthur ficou repensando nessa última frase dita por Siegfried enquanto sentia as dores dos ferimentos que recebeu de Arturia. Ele pressionava levemente as ataduras onde os machucados estavam e lentamente colocava mais força nas pressionadas, como se merecesse sentir aquela dor.
A Arturia quer destruir esse mundo inteiro, no caso, nessa Singularidade. Se isso acontecer, será o fim de tudo. E o Santo Graal, que estava em algum lugar desse mundo, precisava ser encontrado o quanto antes. E agora surgiu uma pulga atrás da orelha do loiro de antena, que agora começou a se estranhar de algo bem incomum.
O loiro se lembrou de alguns textos que Gareth havia lido para ele sobre a Bíblia Sagrada há centenas de anos atrás, e agora ele se virou para o nórdico de cabelos cinzentos.
- Salomão? Esse é o antigo rei de Israel. - O Rei dos Cavaleiros falou com curiosidade ao ver que o rei filho de Davi, que fora ungido pelas mãos de Deus, era o verdadeiro responsável por tudo isso estar acontecendo.
Se Salomão era realmente a verdadeira existência para todas as Singularidades existentes, em cada uma das eras da história humana ele tentaria causar o fim do mundo. Somente para dizimar a humanidade até que não restasse mais nada.
Ele era o Rei Mago, um dos reis mais sábios da história da humanidade e agora era um Servo Corrompido. E se Salomão agora era o grande mal por trás dessa história, isso explicava o porquê da Chaldea estar tentando evitar esse fim do mundo. E também por isso, aquele Mestre e a Demi-Serva escudeira dele também estavam aqui.
Aquela Demi-Serva de cabelos claros era tão familiar, ou melhor, algo nela o lembrava de alguma coisa.
- Senhor Siegfried... - Arthur chamou a atenção do nórdico, que continuava a dirigir pelas dunas do deserto israelita. - Pelo quê o senhor está lutando aqui nessa Singularidade? O que você está querendo com isso, lutando contra a Arturia?
- Pelo que eu estou lutando? - O homem de longos cabelos cinzentos se perguntava com um olhar pensativo, enquanto mudava a marcha para mudar de velocidade e falar simplesmente. - Para poder encontrar a Kriem.
Arthur se lembrou desse nome durante as aulas de história que teve com Merlin durante a jornada pela Britânia. Kriemhild, a Rainha da Vingança e esposa de Siegfried. Ela era filha de nobres que após a morte do herói matador de dragões, se entregou à loucura e matou o homem que causou a morte de seu amado.
- Se me permite perguntar, o que houve entre você e ela? Ela tentou mesmo matar você depois de ter se tornado um Servo?
- Sim. Depois que eu morri, eu a deixei com vários traumas. Ela queria se vingar do homem que me matou. E quando nos encontramos de novo após termos sido invocados, foi a uns seis anos atrás. Ela deve ter tentado me matar umas três vezes, eu acho. - Siegfried falava com uma simplicidade tão calma e comum, que nem mesmo Arthur conseguia acreditar em como o guerreiro nórdico falava sobre as tentativas de assassinato da esposa dele para contra ele enquanto contava com os dedos livres do volante. - Não, acho que foram quatro.
- Quatro?! - A voz do Rei dos Cavaleiros saiu um pouco mais alta do que deveria, fazendo com que Ishtar se mexesse um pouco no banco de trás e abrisse os seus olhos que por um momento estavam azuis antes de se tornarem vermelhos.
- Grita alto não, porra. Eu tô tentando dormir aqui, caramba. - A adolescente se queixou irritada com Arthur, e de maneira instintiva se apoiou no corpo de Muramasa para dormir novamente.
- D-Desculpa, senhorita Ishtar. - O loiro de antena rapidamente se desculpou com a morena dos olhos vermelhos, sussurrando mais baixo o possível para deixar os dois jovens dormindo.
Ele sabia que a Ishtar por ser uma Serva Divina, poderia facilmente se irritar por uma simples coisa e destruir alguma parte desse deserto. A sorte era que a hospedeira humana que ela tem provavelmente era o que a fazia se manter em rédeas, e isso também se adicionar com o selamento que a Arturia colocou nela.
Agora Arthur manteve a sua atenção para Siegfried, que dirigia pelas dunas do deserto israelita indo em direção ao oeste.
- A Kriemhild... ela está aqui nessa Singularidade também? - O loiro perguntou a ele.
- Eu não sei dizer ao certo, não a vejo há anos. Mas o meu coração de dragão sente que a alma dela ainda ecoa por esse mundo alterado. Eu preciso achá-la antes que essa Singularidade chegue ao seu fim e pedir perdão a ela.
O loiro de antena podia ouvir a voz calma e tranquila de Siegfried, parecia que o nórdico não demonstrava nenhum rancor ou ódio. Ele era alguém que não revelava, na verdade, nenhuma expressão. Claro, ele era um herói para com o seu povo e jamais demonstrou nenhum desejo egoísta para si mesmo. Era apenas a sua vontade de ajudar as pessoas, a mesma coisa que Arthur também tinha.
Mas parece que a sua morte deixou lacunas e mágoas para os seus entes queridos, como o que acabou acontecendo com a Kriemhild.
E isso era o mesmo que Arthur acabou fazendo com Arturia. A sua amada, seus filhos e até mesmo os seus cavaleiros estavam contra ele, e a Arturia quer matá-lo a todo custo. Ele sabe muito bem disso, só de ter visto o inexpressivo e frio olhar verde-limão dela. Ele precisaria encarar ela, mesmo com ou sem as Treze Restrições que ela possui com a Rhongomyniad em suas mãos.
Sem o apoio total dos Cavaleiros da Távola Redonda; os poderosos lordes que os gêmeos escolheram a dedo como membros íntimos e amigos de confiança, tanto Arthur quanto Arturia não poderiam usar a Excalibur e a Rhongomyniad em poder total. E por um grande alívio, ele até podia agradecer a Deus por isso. Se o plano maluco do Rei Leão envolvia em destruir tudo o que há nessa Singularidade, as Treze Restrições liberadas seriam o bastante para ela matar a todos.
Mas ele precisava entender sobre uma coisa.
Quando o loiro de antena surgiu nesse deserto, ele se encontrou com a enorme cratera que outrora já foi uma grande vila.
E ele podia reconhecer um pouco das espirais de calor ao ver as marcas de queimado na areia. Claro que ele não admitiria, mas com certeza aquilo só podia ser o poder da Rhongomyniad. Se a Arturia destruiu uma vila com o poder dela, com certeza ela tinha força o bastante naquele Fantasma Nobre para destruir uma nação ou até mesmo um continente.
Como foi que ela se tornou uma deusa? A cor dos olhos dela mudaram, as expressões faciais dela eram quase inexistentes. Ela não sorria, ela não estava mal-humorada como de costume ou não estava irritada. Ela estava friamente séria como um boneco sem vida e sem nenhum pingo de escrúpulos.
E foi aí que ele se lembrou das memórias passadas com o Merlin falando durante a época em que eles arrancaram a espada e a lança daquela rocha mística.
“A Excalibur é a arma do rei, a arma que tem a certeza da vitória onde todos os heróis e cavaleiros sabem a quem se inspirar. Mas a Rhongomyniad, é a lança divina de um misterioso deus celta que enviou a arma para um rei digno nesse mundo, onde o poder dela é capaz de destruir continentes e nações. Vocês dois nasceram no mesmo dia, e ao mesmo tempo. Quanto mais você e a Arturia usarem a Rhongomyniad, perigosamente vocês se tornarão iguais a ela.”
Mas isso é impossível. A Arturia já sabia muito bem que a Rhongomyniad era perigosa demais pra ser usada a longo prazo, pois a Lança Divina iria alterar o seu físico e espiritual com o tempo. O Rei dos Cavaleiros pensava preocupado, temendo que a sua esposa tivesse com aquela lança em mãos durante anos, mas foi aí que ela mesma contou para ele quando ele invadiu o salão do trono.
- “Eu vivenciei mais de 1500 anos da história humana caminhando por esse mundo condenado, eu testemunhei coisas tão pequenas e insignificantes que não posso nem dizer que existiram.”
O que aconteceu com ela durante um milênio e meio pra ela ter mudado tanto assim?
O que a coagiu a usar a Rhongomyniad? Ou melhor, quem a coagiu? Será que poderia ter sido...?
Mais duas horas se passaram com Arash e Siegfried dirigindo a picape e a motocicleta, e já dava para ver o céu escuro com umas colorações em laranja no horizonte ao leste. Em breve, o sol irá nascer.
O arqueiro persa olhou para o tanque do carro usando a sua Clarividência, vendo que já estava menos da metade e em poucas horas já estaria na reserva. Eles já haviam despistado o grupo de Lancelot, mas ainda assim esse deserto aguardava muitas surpresas. Seria prudente pararem em algum lugar e conseguirem suprimentos.
O vilarejo onde a Serenidade estava não ficava muito longe daqui, então eles poderiam ir até lá para dar uma parada para descansar, esticar as pernas e depois ir até o vilarejo principal.
- Pessoal, a gente já tá chegando em um dos vilarejos pra parar um pouco, e em seguida, depois de uns 60 quilômetros a gente já vai chegar no vilarejo principal! - O Archer gritou para o pessoal no carro, explicando para os Servos acordados, que rapidamente acentiram com a cabeça.
A Alter havia acordado também ao ouvir a voz irritante de Arash que estava pilotando a querida motoca dela. Demorou meses até ela achar uma Harley Davison nessa Singularidade, e mais tempo ainda pra ela reparar alguns pequenos danos e arranjar pneus adaptados para o deserto.
Ela planejava levar a Ruler para bem longe de Israel, mas aquela teimosa altruísta idiota queria ajudar as pessoas carentes de Jerusalém que não tinham nada pelo que viver. Talvez seja que o comportamento bonzinho da loira tenha deixado-a bem longe do seu objetivo, que era manter ela viva e bem ao seu lado, já que se ambas se separarem e ficarem longe uma da outra por tempo demais, elas vão morrer.
- Senhor Arash! Nesse vilarejo tem gasolina pra picape? O tanque vai acabar em breve. - O Rei dos Cavaleiros falou, notando que o combustível em breve estaria na reserva.
- Relaxa, nesse deserto tem tecnologias de épocas diferentes, então lá vai ter combustível. - Arash garantiu com um sorriso otimista em seu rosto, que apenas irritou ainda mais a Alter.
- A gente tá chegando, irmã? - A Ruler despertou enquanto limpava uma pequena lágrima de bocejo em seu olho, enquanto a jovem mulher de cabelos prateados notava a sua contraparte se mexendo.
- Pelo que aquele arqueiro de araque latiu, já estamos quase lá. E não me chama de irmã, sua Ruler idiota. - A santa corrompida falou ríspida para a loira de trança, que apenas suspirou em um sorriso fraco e encostou a sua cabeça nas coxas da Bruxa Dragônica.
A Alter ficou um pouco desconfortável ao ver a sua gêmea boazinha deitada e despreocupada, mas apenas balançou a sua cabeça e colocou a sua mão direita na cabeça dela, encostando em seus cabelos loiros, ficando ruborizada ao ver o rosto calmo e sereno dela.
- Só vê se não dorme de novo, Ruler. Daqui a pouco a gente vai parar. - A Dama Sombria da Vingança a avisou, enquanto via aquela garota se aconchegando entre as suas pernas de maneira tão folgada e confortável.
- Eu sei. Mas eu gosto de me deitar nas suas coxas. - Afirmou a Ruler, apenas deixando a Alter ainda mais vermelha. - E irmã, a gente vai ter que fazer aquilo de novo. Já se passaram mais de dois dias.
- Eu sei disso.
A Alter olhou agora mais séria para ela, enquanto notava um pouco de desconforto da Santa de Orleans que observava como se tivesse visto algo repugnante. Era de fato algo repugnante, já que elas eram a mesma pessoa. Isso poderia ser dito como uma forma de narcisismo?
As duas não podiam responder isso, mas de certa forma era a única coisa que ambas poderiam lidar juntas.
- Querem poder conversar sobre isso? Sexo entre contrapartes deve ser uma coisa bem estranha, mas eu estou aberto para poder conversar sobre isso se quiserem. - A voz calma de Arash surgiu ao lado delas duas, enquanto pilotava a moto da Alter e isso fez a própria ficar irritada e com o seu rosto todo vermelho.
- La Puce...! - Antes que a prateada pudesse retirar a espada de sua bainha e usar o seu Fantasma Nobre, a Ruler a segurou com medo de que ela matasse o Archer e desperdiçasse mana com o poder dela, já que isso a deixaria ainda mais sedenta por sua contraparte. - Me solta, porra! Eu vou matar esse arqueiro de merda agora!
- Não, irmã! Se você gastar mana agora com o La Pucelle, não vamos poder fazer aquilo num lugar privado! - Jeanne falou com rubor em seu rosto, segurando a sua amada contraparte com todas as forças enquanto Arash ria com a irritação da bruxa invocadora de demônios.
Muramasa acordou ao ouvir o barulho de trás do baú da picape e de quebra, estranhou ao ver Ishtar dormindo agarrada a ele.
- Eh, pessoal? O que foi que eu perdi?
Um barulho estridente de correntes seguia por todo aquele salão dos Jardins Suspensos da Babilônia. O cheiro de morte que ocupava todo aquele salão era extremamente forte, e se algum humano normal inalasse somente um pouco daquela névoa iria com certeza morrer na hora.
Kay rapidamente pensou com o seu instinto e cortou as correntes que o prendiam na perna, enquanto Percival tentava se distanciar da névoa roxa que continuava a circular por todo o salão.
Semiramis surgiu na névoa de veneno, olhando com um ódio mortal para o Cavaleiro da Temperança e iria garantir de matá-lo lentamente e com muita dor.
- Tá feliz agora, seu idiota? Ela vai matar a gente! - O platinado falou ríspido para ele, enquanto desviava de mais um ataque de correntes assassinas. - Isso se a nossa rainha não matar a gente antes!
Kay apenas deu uma risada de lado e pulou para cima da mulher de orelhas pontudas armado com a sua espada. Ela abriu um Portão da Babilônia e retirou do portal dourado uma espada longa prateada e toda ornamentada, se chocando fortemente com ele ao ponto de formarem faíscas com as lâminas entrelaçadas.
- Uma Assassin que usa feitiços de bruxa, mantém esse lugar como seu próprio território e também consegue lutar como uma espadachim? - Kay olhou para a espada que Semiramis tinha em mãos, vendo que ela não tinha muitas habilidades com a lâmina. - Que tipo de Serva você é, Assassina de Homens?
Ela nada mais falou e apenas deu um grunhido irritado, o forçando para trás usando as suas correntes e agora vendo que os dois cavaleiros da Távola Redonda se reagruparam.
- E então? Já que você fez o prazer de meter a gente nessa furada, qual é o plano dessa vez? - O albino o questionou, enquanto se mantinha em guarda aberta ao redor dos dois.
- Vou chamar a atenção dela pela frente, e você aproveita a distração pra tentar tirar o veneno do salão, e depois me acompanha pegando ela pelo lado. Vou usar as minhas técnicas especiais pra acertá-la. - O acastanhado falou, enquanto colocava o cabo da sua espada na boca e pegava as suas adagas, se mantinha armado com elas em mãos. - Quando eu jogar ela pro trono, usa o seu Fantasma Nobre na prostituta barata.
O Cavaleiro da Pomba se irritou ao ver que o desrespeito de seu companheiro pela mulher que tem basicamente o controle do campo de batalha ainda não desapareceu da cara de pau dele.
- Isso é sério? Já vai usar logo o seu Estilo Santoryu? Você só está se exibindo, Kay. De novo. - Percival falou repreensivo para ele, enquanto fazia o estilo de empunhadura tripla.
- Diga o que quiser, mas é a minha especialidade de luta de qualquer jeito.
O acastanhado de armadura azulada riu de lado como podia devido a boca com o punho da espada presa entre os dentes. Ele não deu ouvidos ao albino e pulou para cima da Rainha da Assíria, começando a dar vários giros e rodopios contra ela enquanto a mesma começava a atacar com a espada em mãos.
A acastanhada dos olhos dourados manteve-se em guarda e materializou mais quatro correntes vivas e jogou todas elas contra ele. O veneno já estava cobrindo quase metade da sala, e ele estava perdendo espaço. Assim que o veneno cobrir tudo, ficará ainda mais difícil deles lutarem contra a rainha.
Kay desviou das correntes e as contra-atacou com rodopios e giros, enquanto Semiramis começou um embate constante entre ele usando as suas correntes, tentando se manter distante dos ataques de curto alcance do Cavaleiro da Temperança.
Percival estava aproveitando o tempo em que aqueles dois estavam lutando e pulou para atacar todas as janelas e clarabóias que tinham no salão do trono com a sua lança, para evitar que o veneno se espalhe ainda mais e dificulte o combate entre eles e a rainha ali.
Contudo, algo estava errado. O veneno não estava se dispersando no meio do ar e ainda permanecia ali como se não quisesse sair de lá.
- Tsc... Isso vai ser mais difícil do que eu pensava. - O homem alto de cabelos platinados fez um tique irritado, tentando analisar com calma sobre como iria sobrepujar esse veneno mortal.
Kay percebeu que mesmo com as janelas quebradas, o veneno não sairia daquele ambiente, que se tornava cada vez mais difícil de se locomover. O ar não circulava, e os Jardins Suspensos da Babilônia estavam bem acima do chão. Era para o veneno estar se dispersando no ar afora do salão.
Já que a ideia de expulsar o veneno foi pro vinagre, eles teriam que derrubar a Assassin antes que ela os derrube.
Ele viu o enorme lustre de cristal de cinco metros ali em cima da onde Semiramis estava. E foi aí que Kay pensou em algo.
- Perci! O lustre! - Kay apontou para o lustre de cristal acima da cabeça da Assassin of Red, e o Lancer entendeu o que Kay queria fazer.
Percival começou a girar a sua lança em mãos e começou agora a bater as suas pernas no chão, o que fez Semiramis estranhar o ato dele. Cada passo que ele fazia no mesmo lugar a fazia estranhar, mas ela não podia se distrair. Ela iria matar aquele cavaleiro desgraçado por tê-la chamado de prostituta.
Ela estendeu a sua espada para a direção daquele Saber metido e pulou com a sua força aprimorada para atacá-lo, e ela se chocou com ele que estava com a espada na boca e as duas adagas em mãos. A envenenadora mais antiga do mundo materializou mais de suas correntes e conseguiu pegá-lo pelas pernas e o jogou no chão de maneira brutal.
Isso fez ele tirar a espada da boca ao sentir a dor do baque em ser jogado ao chão. Mas isso não o deixaria escapar da Rainha da Assíria. Ela materializou mais quatro correntes e o tirou do chão, deixando ele imóvel suspenso no ar.
Semiramis o apunhalou com a espada pelo ombro, fazendo o acastanhado urrar de dor.
- AAHHH CACETE!
Ela riu ao poder ver o sofrimento do Cavaleiro da Temperança em seus olhos. Com um único balançar de dedos, todo o veneno que estava espalhado pelo salão estava retornando para dentro dos pés e do vestido dela.
- Solte ele, bruxa! - Percival começou a correr agora numa extrema velocidade e foi em direção ao lustre para cortar o cabo, mas antes que ele pudesse fazer isso, algo o interrompeu e lhe deu um golpe que o fez dar um recuo. - Mas o quê?
- Então a Távola Redonda te achou, Semiramis? Eu te falei que deixar os Jardins Suspensos da Babilônia abaixo do nível do mar era uma péssima ideia.
Uma voz feminina circulou por todo o salão, deixando os dois cavaleiros da Távola surpresos. Se tratava de uma voz estridente e odiosa, que não demonstrava nenhum tipo de afeto por nada.
E nas sombras surgiu uma mulher de pele alva, longos cabelos prateados ondulados trajando um vestido preto, um chapéu e uma longa espada negra com detalhes em cor de sangue no meio e um formato de olho vermelho perto do punhal da lâmina.
- E eu achava que as surpresas já iriam cessar. - Percival deu um sorriso sem graça ao ver a mulher albina com algumas pintas em seu rosto. - E agora, a própria Princesa da Borgonha veio aqui para dar o ar de sua graça para nós?
A albina estendeu a grande espada em direção ao Lancer, olhando para ele com uma visão odiosa e com necessidade de sangue.
- Um passarinho me contou que vocês querem matar o Siegfried. É bom que vocês da merda da Távola Redonda e aquela vadia pagã que os governa saibam que quem vai matar o Siegfried serei eu! - A nórdica falou com certo ódio em suas palavras.
- Suponho que ele deve ter te enviado aqui pra me ajudar, não é, Berserker? - Semiramis falou, enquanto não parava de olhar para Kay com uma vontade imensa de poder matá-lo.
- Já tá mais do que na hora de você desmaterializar esse jardim e vir para o oeste, Semiramis. O Velho da Montanha acha que você estará segura com os outros Assassins. - A platinada argumentou com ela, enquanto olhava para Percival e sem deixar a sua guarda baixar.
A Rainha da Assíria riu ao ouvir tais palavras vindo da Berserker, já que ela não iria aceitar se juntar a Servos numa batalha que nem mesmo tem necessidade de querer continuar.
Essa Singularidade já durou anos demais para ela continuar existindo. Tempo o bastante pra chegar ao seu fim. Seja pela Deusa Rhongomyniad, Ozymandias ou por ela mesma.
E foi nessa pequena distração que fez com que o Cavaleiro da Temperança tirasse a sua mão esquerda da corrente e estendesse ela em direção ao rosto da mulher de orelhas pontudas.
- VENHA ATÉ MIM! - Ele puxou telecinéticamente a sua espada e com a lâmina apontando diretamente para a cabeça de Semiramis. A Assassin rapidamente percebeu isso e desviou para o lado, evitando a impalação de sua cabeça. O punho da espada chegou bem na mão do cavaleiro e ele gritou o nome da lâmina. - CALWDVWICH!
A espada brilhou em um intenso brilho verde e com um balançar forte, disparou uma intensa rajada em formato de corte em direção a Rainha da Assíria, que estava completamente a mercê daquele ataque e prestes a ser destruída.
- BALMUNG!
Uma rajada de energia avermelhada se chocou contra as paredes do salão do trono, atravessando elas por completo ao ponto das rajadas coloridas saírem para fora do Jardim da Babilônia. A rajada escarlate havia vindo da espada de Kriemhild, sendo aquele armamento o lado gêmeo da outra Balmung que pertencia a Siegfried.
O lustre de cristal havia sido derrubado rapidamente e ele caiu no chão com um barulho estridente e perturbador, espalhando incontáveis partículas de cristais.
Semiramis havia desviado da queda da imensa luminária por pouco, somente um leve arranhão por ter desviado a tempo da Calwdvwich de Kay. Poderia ter sido bem pior, pois ele estava prestes a arrancar a sua cabeça. A sua Sorte de Rank-A a ajudou a sobreviver a aquele ataque.
Ela agora iria se vingar daquele maldito Saber e envenená-lo com as toxinas mais mortais do antigo Oriente Médio e fazê-lo sucumbir e se humilhar para sobreviver.
Mas foi aí que ela viu Percival com Kay em suas costas fugindo do salão atravessando a janela.
- É, aqueles malditos fugiram. - Kriemhild fez um tique irritado com a língua ao ver aqueles dois cavaleiros indo embora. - Tão voltando com o rabinho entre as pernas para a rainha deles.
- Aqui não é mais seguro. Agora que eu recusei a oferta da Deusa Rhongomyniad, ela vai usar o Fantasma Nobre dela pra destruir esse jardim. - A mulher de longos cabelos castanhos falou dedutiva, olhando para a direção que Kay e Percival estavam indo.
- Vamos pro oeste então? - A albina supôs com a nova tomada de decisão da Assassin.
Ela viu Semiramis andando para a saída do salão do trono, enquanto as correntes que foram usadas na luta estavam sendo recolhidas aos poucos para as paredes.
- Não, eu vou para o norte. - A Rainha da Assíria negou com a cabeça, e agora deu um sorriso discreto em seu rosto. - Tem uma coisa que eu deixei lá na Palestina, e preciso recuperar ela da Inquisição antes que a Távola Redonda descubra.
Kriemhild a olhou confusa com o que a Assassin queria fazer, pois ela esperava que as duas fossem juntas para o Vilarejo dos Assassins e se reunisse com Arash Kamangir. E o que ela queria com a Inquisição?
- Na Palestina? Por acaso você já sabe quem é que está governando a Inquisição por lá, não é? Isso é suicídio, até mesmo pra alguém como você! - A Princesa da Borgonha insistia para que Semiramis mudasse de ideia. - E que coisa é essa que você tanto quer agora?
Semiramis parou de andar e virou o seu rosto para a direção da nórdica, deixando ainda mais suspense no ar. Ela apenas deu um sorrisinho de lado para a albina dos olhos cinzentos e materializou o Portão da Babilônia para colocar a espada longa de volta no cofre imaculado.
- Se você quer que eu me junte ao Arash, vamos ter que realizar as minhas prioridades primeiro. - A Rainha da Assíria calmamente falou, enquanto retirava do portal dourado um rolo de pergaminho completamente vazio e limpo. - Agora vamos sair daqui logo pra eu poder desmaterializar o Jardim, antes que a Deusa Rhongomyniad destrua ele. Vou materializar um carro lá fora, e vamos dar o pé na estrada.
- "Pé na estrada?" Sério mesmo, "pé na estrada"? Puta que pariu, Arash. Pra quê você me mandou aqui... - Kriem balançou a sua cabeça em descrença e suspirou já irritada com a árabe exigente.
Se salvar a bunda daquela mulher orelhuda fosse algo para ela poder se orgulhar, agora teria que lidar com a Inquisição da Palestina. Mais potências que a nórdica queria evitar de encontrar estavam acontecendo, e isso a deixava cada vez mais instável. Ela agradeceu internamente pelo seu Aprimoramento Louco não a ter deixado selvagem e letal ainda, pois agora precisava manter Semiramis segura já que o Jardim da Babilônia ainda era uma grande arma a ser usada.
Kriemhild teria que acompanhá-la nessa jornada idiota até a Palestina, se quisesse garantir uma chance de derrotar a Deusa Rhongomyniad.
- Pelo menos você pode me falar sobre essa coisa que tanto tá procurando?! É algum Código Místico ultra power forte por acaso? Ou então alguma arma secreta pra acabar com Camelot?
- É a Proto Core.
Notes:
É, eu coloquei mais Servos para aparecerem. A Kriemhild é uma Serva interessante, pois o passado dela é cheio de lacunas e mágoas que envolvem muito o Siegfried, pois ele é quase igual ao Shirou sobre querer ajudar as pessoas. E por esse ideal que ele acabou morrendo também.
Muramasa e Ishtar mal interagiram nesse capítulo, tavam só dormindo por causa dos corpos do Shirou e da Rin ;-;Sobre essa "transferência manual de mana", foi uma coisa que eu achei interessante desenvolver. As duas Jeanne d'Arc foram invocadas ao mesmo tempo, como elas não tem um mestre, precisam produzir mana delas mesmas e com certeza isso é que fica bem estranho. Afinal, não sei dizer se isso é alguma forma de narcisismo ou sei lá.
E em relação ao Kay, ele já foi citado em algumas obras de Fate, mas ele ainda não apareceu no jogo do Fate/Grand Order ou em algum outro anime, mangá ou novel. Então ele não tem uma arte oficial ou habilidades exatas, só sei de um dos Fantasmas Nobres dele. E sobre a espada Calwdvwich, ela é uma das versões galesas da Excalibur e acho ela interessante para ser também o Fantasma Nobre do Kay
E agora a Semiramis e Kriemhild tão indo para o norte pra procurar essa coisa misteriosa. O que será que pode ser? Na Singularidade de Jerusalém, não sei se é citado que poderiam viajar para outros países vizinhos de Israel, mas eu quero poder explorar esse tipo de coisa
Até a próxima 👍
Chapter 7: A Eslava e o Templário
Summary:
O grupo dos Servos chega a uma vila pertencente aos Assassins. Lá eles aguardam para reabastecer e poder continuar viagem, porém dois grupos se aproximam da vila. Ruler e Alter aproveitam um tempo a sós para restaurarem a sua mana, enquanto Ishtar e Muramasa vão atrás de uns certos trombadinhas.
Notes:
AVISO! 🔞
Nesse capítulo, tem cenas de +18, então peço para que se não gostarem desse tipo de conteúdo, passem essa parte. Essa é a primeira vez que eu faço um dezoitão de yuri com uma pitada de narcisismo, ou sei lá o quê. Bom, eu já fiz uma cena +18 sobre o Arthur e a Arturia que é quase uma espécie de amor próprio se eles não fossem irmãos, então espero que gostem.
(See the end of the chapter for more notes.)
Chapter Text
1273 d.C. - Em algum lugar do deserto de Israel, 209 km de Jerusalém
Israel, Dia 2
Com os raios de sol surgindo no horizonte ao leste, uma dupla de cavaleiros numa carruagem havia acabado de chegar em umas ruínas antigas onde estava ali sentado numa pedra um certo cavaleiro de cabelos e armadura roxa aguardando por eles com o seu cavalo e seus homens que carregavam a bandeira com o símbolo do lago.
Ele já podia ver o olhar de desgosto vindo da loira do rabo de cavalo que já não gostava de Lancelot ele já ser o cavaleiro mais forte da Távola, estando apenas atrás do rei e da rainha.
- Então vocês já chegaram. Fico impressionado em ver que não estão nem discutindo ou brigando. - O Cavaleiro do Lago deu um sorriso fraco, porém com um tom meio humorado ao ver os dois "irmãos" na sua frente.
- Cala a boca, Lancelot. A gente já tá aqui, então fala aí cadê os Servos que fugiram da Seleção Sagrada? - A Mordred fêmea perguntou a ele, já querendo saber onde estava o seu querido pai para poder se vingar dele pessoalmente.
Lancelot suspirou e se levantou da pedra, indo em direção aos dois. Claro que com a ajuda enviada pela rainha com mais Cavaleiros da Távola Redonda iria de fato, ajudar e vir muito a calhar a beça. Mas ainda assim, esses dois não eram lá um apoio muito bom. São independentes demais, não gostam de seguir ordens e ainda por cima podem acabar se tornando bastante imprevisíveis.
- Ontem a noite, eu estava há uns 2000 metros ao norte da posição deles. Porém, uma Serva da Chaldea apareceu e me atrapalhou com a captura. E com a noite sem a luz do luar, não deu pra rastrear eles. - O arroxeado falou calmamente, o que fez o Proto Mordred ficar meio encucado com esse relato.
De fato, Tristan pôde ver que houve uma explosão próxima nessas coordenadas. E falta da luz do luar para se orientar pelo deserto atrapalharia demais. Mas isso não explicaria o porquê dele não ter avisado sobre uma outra Serva no local.
- Serva da Chaldea? E por acaso você matou ela? - O rapaz questionou a ele.
- O que você acha? - Ele deu de ombros para o clone masculino enquanto ria de lado. - Ela ganhou tempo para o Mestre de lá fugir, junto com a sua Serva, outros fugitivos de lá... e com Bedivere também.
Agora os dois irmãos rapidamente despertaram sua atenção para o mais velho.
- Aquele fracote... ele tá aqui também? - A Mordred Una perguntou, praticamente de maneira retórica. Mesmo ela não podia acreditar no depoimento de Gawain e de Tristan, já que aquele cavaleiro tão mole estava ali, e contra a obra de sua deusa. - Isso não é possível! A mãe não o invocou no Anel de Singularidade, e ele está sumido desde quando ela deu a Excali...--
- NÃO FALE ESSE NOME! - O Cavaleiro do Lago a interrompeu bruscamente, se exaltando rapidamente e fazendo a jovem mulher se calar no mesmo instante. Ele fechou os seus olhos e respirou fundo para tentar se acalmar depois desse grito. - Se esqueceu de que a rainha tem Clarividência de Rank-S, Una? Não sabemos se ela está nos ouvindo ou não nesse momento, e se você falar isso em voz alta, ela vai perder a lucidez novamente e vai usar o Julgamento Sagrado.
- Ela ainda não pode usar o poder total sem as Treze Restrições, Lancelot. - A Mordred fêmea ainda insistia, sabendo que a sua mãe não faria uma loucura como essa.
- Você sabe que ela nem precisa da gente pra isso, Una.
A Cavaleira da Traição virou de lado, rapidamente dobrando a sua língua e engolindo sua saliva em seco ao ver que tudo o que ela podia dizer seria uma grande ameaça para todos.
Os dois homúnculos se lembraram de quando em uma única noite os Cavaleiros da Távola Redonda invadiram Jerusalém, que estava em posse de um domínio tirânico causado por uma versão alternativa de Richard Lionhart I. Arturia o matou, libertando a tirania causada pelo líder autoritário, porém para todos, tudo não passava de uma "nova direção".
O povo não ficou feliz, e muito pelo contrário. Ela não somente destruiu o templo de Jerusalém no seu coração, como também o centro da cidade, incluindo os civis que moravam ali. Ela materializou o castelo de Camelot junto com um novo distrito no centro do antigo reino e criando assim a tal Cidade Alta.
Ela nem se dava a mínima para aqueles que perderam as suas casas, pois ela estava se importando com o coletivo imparcial da humanidade para poder salvar, e não nos humanos em geral.
Afinal, Arturia que antes durante a sua humanidade era benevolente e misericordiosa, quando se tornou uma deusa virou uma mulher tão fria ao ponto de nem se importar em matar como se fosse o mesmo de respirar. A Rainha dos Cavaleiros, seja lá por onde tenha andado sobre nesse mundo devastado, de longe não era mais a mesma.
- Nós estamos há quase 200 km de Jerusalém, e isso não é lá tão perto pra ela ouvir. - O Mordred Neo argumentou, enquanto olhava bem ao norte na direção da Cidade Alta. - Mesmo com o poder divino dela, ela não consegue ver tudo. Nós já somos leais a ela, então o que mais isso serve?
As palavras do Cavaleiro da Rebeldia também tinham bastante lógica, já que por um certo caso, não era sempre que Arturia estava focada nos seus cavaleiros. Pra dizer a verdade, ele não tinha certeza no que ela tinha tanto foco naquele seu silêncio. Ela era desprovida de qualquer sentimento de quando ainda era humana, e agora ela era como um cubo de gelo ambulante mesmo entre os seus filhos. Tão fria e inumana quanto uma máquina calculista.
Nem mesmo carinho ela tinha pelo seu antigo Mestre, já que o hospedeiro de Senji Muramasa é Shirou Emiya. Ela apenas o prendeu na cela, podendo ter a chance de matá-lo. Mas por algum motivo peculiar, não o matou. Essa era a única piedade que ela demonstrou com Shirou.
O Neo ainda se questiona se realmente a sua mãe ainda está ali dentro, em algum lugar.
- E então? Você achou a Raikou? - A garota questionava o homem de cabelos roxos, enquanto olhava para os olhos dele.
- Achei, mas não consegui impedi-la. Nós lutamos, e quase cheguei perto de derrotá-la. - Ele falou, demonstrando uma falsa verdade que o Proto Saber notou na sua face quase verdadeira. - Ela escorregou de meus dedos.
A Saber of Red começou a rir, vendo o quão ferrado ele estaria quando Arturia fosse convocá-lo para a Cidade Alta novamente.
- Caramba hein, Lancelot. Você tinha que ver a empalação que o Gawain levou no bucho ontem a noite, porque você vai tomar uma também quando a mãe te chamar. - Ela falou com um tom orgulhoso e uma certa maldade, vendo que agora ele ia acabar recebendo uma correção dada pessoalmente pela Rainha dos Cavaleiros.
Ele simplesmente deu de ombros, não se importando muito com isso. De qualquer forma, os seus dias já estavam contados de qualquer forma.
- Que seja. Vamos logo pra civilização mais próxima e ver melhor o nosso plano de ação. Graças às nossas habilidades de montaria, conseguimos alcançar pelo menos até onde eles podem ter ido com aquela picape e motocicleta. Por sorte, eles devem estar lá.
Eles dois não podiam negar o tamanho do otimismo vindo do Cavaleiro do Lago, mas também não deixava de ser uma possibilidade real. Quem sabe a sorte não estaria do lado deles dessa vez.
Os céus alaranjados se misturavam com o azul onde a luz escaldante do sol surgia bem ao leste. O Anel de Singularidade cercava aos céus como se fosse uma espécie de anel espelhando o oceano. Se isso não fosse de fato uma Singularidade, seria um fenômeno lindo de se ver.
Eram 06:21 da manhã quando os grupos de Arash Kamangir e de Jeanne d'Arc haviam parado numa estalagem ali próximo ao oeste de Jerusalém. Vários civis observavam o quão estranho era ver aquelas carruagens sem cavalos que aqueles Servos de eras diferentes estavam conduzindo.
Arthur pôde perceber que nesse vilarejo não era como aquela parte pobre de Jerusalém. Aqui as pessoas estavam vivendo melhor, tentando viver com o pão de cada dia.
Siegfried desligou a chave do contato no carro, enquanto Arash saía da moto da Jeanne Alter, que já estava quase espumando de raiva para tirar a bunda dele de cima do acento de sua preciosa Harley-Davidson.
Os Servos saíram dos veículos e fizeram um círculo pra se reunirem.
- Então é o seguinte, pessoal. Vamos parar por uma hora para esticar as pernas e deixar a Ruler e a Alter... recarregarem a mana delas. - O Archer deu uma pausa ao falar sobre as duas francesas, fazendo a Dama Sombria da Vingança mostrar o dedo do meio pra ele, enquanto o próprio deixava a moto da Alter no descanso. - Arthur, acho que eu vou precisar da sua Autoridade Real pra gente conseguir gasolina pra picape e pra moto.
- Não é mais fácil você me pedir dinheiro? - O Rei dos Cavaleiros deu um olhar de "cê jura" enquanto revirava os seus olhos e o acompanhava para dentro de uma loja ali perto.
- Você sabe que é certinho demais pra isso, e além do mais, isso não deixa de ser uma habilidade útil, não é?
- E o que a gente vai fazer durante essa uma hora, Arash?! - Ishtar perguntou ao atirador de estrelas, que voltou a porta para ouvir a deusa nerfada.
- Eu sei lá, sejam criativos. Os humanos normais sempre sabem de coisas bem rápido, então deve ser bom procurar por pistas e informações. Procurem fazer o que vocês humanos fazem de bom atualmente, procurem por assuntos, fofocas, façam o Scooby-Doo. - O guerreiro persa deu uma risada nasal, enquanto entrava na loja.
Ishtar deu um olhar mortal para o persa e começou a resmungar algumas palavras não muito educadas em sumério antigo enquanto via aquele arqueiro maluco e o Rei dos Cavaleiros irem pegar a gasolina pra picape e pra moto.
- Bom, de qualquer forma, ele tem razão. Reunir algumas informações desse lugar não vai fazer mal, Tohsaka. - Muramasa falou instintivamente o sobrenome da hospedeira da Deusa de Vênus, o que deixou a jovem dos olhos vermelhos um pouco surpresa. O ferreiro achou estranho a expressão da Archer e parou para chamá-la. - O que foi? Eu falei alguma coisa errada?
- Muramasa, você me chamou de... - Antes que Ishtar pudesse continuar, uma mão tocou nela rapidamente e a figura correu como louca para os becos.
Se tratava de três crianças descalças com capas todas em trapos, que corriam desesperadamente para longe dos Servos que ainda estavam atônitos ao verem que Ishtar havia acabado de tomar um arrastão em plena manhã no deserto de Israel.
- Merda! Aqueles pirralhos roubaram o meu arco! - A Deusa de Vênus se irritou com o atentado das crianças que haviam acabado de correr. Ela rapidamente correu atrás dela, pois aquele arco era imprescindível para ela. Os poderes divinos de Ishtar foram selados por Arturia, e só o que ela já podia usar eram os padrões básicos dos Servos medianos. A única forma dela conseguir usar o seu Fantasma Nobre estava enraizado naquele arco, que ela não podia perder de jeito nenhum. - Muramasa-kun, vem comigo! Me ajuda a recuperar o meu arco!
- Isso é sério, Ishtar? Se deixando ser roubada por crianças? - O ferreiro suspirou em derrota ao ver que não conseguiria nem mesmo contrariar a Demi-Serva divina.
Muramasa correu junto com a garota e foram atrás dos pequenos delinquentes, enquanto as duas Jeanne d'Arc olhavam os dois Demi-Servos correndo atrás daqueles pivetes.
- Que mulher burra, nem mesmo pra vigiar direito o seu próprio Fantasma Nobre. - A Vingadora riu da cara da Deusa de Vênus, vendo que ela estava se rebaixando para ir atrás de um simples moleque. - E ainda por cima acabou levando um arrastão.
A Dama Sagrada da Salvação virou o seu olhar repreensivo para a sua contraparte enquanto balançava negativamente a cabeça, e batia seu pé direito no chão de terra varrida.
- Que foi? Isso foi engraçado! - A Alter continuou rindo, enquanto ainda recebia o olhar negativo vindo da Ruler.
- Engraçado só se for pra você. - Jeanne falou, repreendendo a sua "gêmea", o que fez agora o ânimo da Alter começar a sumir. - Não é legal ver coisas assim e rir das desgraças alheias.
- Ah que se foda, tanto faz, é o que tem de bom pra se divertir por aqui. - A Alter deu de ombros, revirando os seus olhos dourados enquanto começava a se afastar dela. - E outra coisa, ô sua santa desmiolada. Sem a diversão por aqui nesse deserto de merda esquecido por Deus, o tédio circula por toda parte. E VOCÊ é com certeza a manifestação viva do tédio.
Agora essa última frase deixou a Ruler indignada ao ponto dela abrir sua boca num redondo perfeito de nervosismo. Era um tique nervoso dela quando não sabia o que dizer após ser devidamente ofendida. Mas graças aos dons dados pelo Todo-Poderoso, a loira tinha sim as suas cartas na manga. E ela sabia muito bem onde atacar a sua contraparte maligna: no sexo.
- Se continuar rindo dos humanos assim, ou falar comigo desse jeito nesse tom, eu não vou fazer mais aquele fio dental contigo.
Rapidamente o sorriso da Alter sumiu de sua boca ao ouvir a ameaça vinda da Ruler. Ambas sabiam muito bem que precisavam indiscutivelmente do ato sexual contínuo entre elas mesmas pra produzirem mana e se manterem vivas nessa Singularidade, ou eventualmente desaparecerão.
- Epa, epa, pera aí! Também não precisa exagerar por causa disso. - Uma gota de suor surgiu no rosto da mulher de cabelos prateados.
- Ah, você sabe que é com ele porque transmite mais mana durante o ato, não é? - A Ruler se deu um sorriso de lado, vendo como estava dando certo mexer com ela assim.
- Ah, sua sodomita maldita... - A Alter olhou para ela e fez um semblante irritado ao ouvir tais ameaças vindas da sua contraparte boazinha.
- Não me chame de sodomita! Não cometo pecados porque gosto, e sim porquê é preciso.
Mesmo a Vingadora sendo extremamente grosseira e muitas vezes não demonstrando modos, a sua "eu" Governante era de fato, muito superior no quesito persuasão que nem mesmo a própria loira sabia.
- Então a gente já pode transar logo ou você quer continuar com esse papinho doce que não acaba? A minha reserva de mana já tá acabando, caso já não tenha PERCEBIDO! - A prateada exclamou aos berros, estendeu a sua mão direita, mostrando um brilho azul saindo do braço dela que significava a perda quase total de mana vinda de um Servo.
- N-Não precisa falar assim tão alto. Vamos achar um lugar isolado e fazer logo os atos libidinosos. - A Ruler envergonhada puxou a sua "irmã" pela mão e ambas foram procurar por um lugar em particular para poderem restabelecer a sua mana.
A Alter ficou um pouco incomodada ao ter a sua contraparte segurando a sua mão, mas a essa altura, já devia estar acostumada. Afinal, elas duas já estão transando há mais de um ano. Então por que havia uma chama no peito dela se acendendo?
Enquanto as duas damas iam para um local para ficarem a sós, Siegfried estava encostado no capô do carro pensando calmamente ao ver que Arthur e Arash foram conseguir gasolina pra moto e pro carro, Ishtar e Muramasa foram colher informações e recuperar o arco da deusa da garota ladra e as duas Jeannes foram em um lugar privado para poderem recuperar a sua energia mágica longe de olhares curiosos.
Ele ainda pensava um pouco na sensação que teve há poucas horas atrás. Ele sentiu que havia em algum lugar ao norte desse deserto a ativação mágica da Balmung.
E é claro, só poderia ser dela.
O herói nórdico teria que tomar muito cuidado com a Kriemhild, já que ela nunca foi muito conhecida por sua paciência e muito menos por ser cuidadosa. E testar o limite da Princesa da Borgonha era de fato, um mistério que ele jamais pensou em fazer.
O que ela estava fazendo por aí, que era de fato um grande desconhecimento de sua parte.
Por causa da sua decisão de pedir para ser morto, a sua amada se vingou como retalhação sem bem saber disso. E quando o herói nórdico viu a sua esposa bem na sua frente após terem uma nova vida como Espíritos Heróicos, tudo o que ele pôde ver na sua frente era o ódio dela acumulado por mais de mil anos.
Se sacrificar pelo bem dos outros nunca trouxe paz para a vida do matador de dragões, já que era isso o que significava pra ele em tentar ser um herói. Colocar as necessidades dos outros acima da sua, mesmo que você sofra no meio do caminho. Quando se tornou forte e poderoso, as pessoas o viam como um grande protetor.
Quando Kriemhild o conheceu, ela já o via com um grande homem. Era destemido, valente e tinha todos os atributos de que alguém precisava ter. A única coisa que ele tinha era a sua inexpressividade, pois em vida, ele serviu justamente para agradar as outras pessoas.
Ele nunca esteve feliz. Mesmo quando foi prometido em se casar com a Kriem. Inicialmente, ele não a amava pois ela o via todas aquelas donzelas apaixonadas. Mas aí então, que no mesmo dia em que se conheceram, ela rapidamente o viu por outros olhos. Nas histórias e boatos que percorriam pela Borgonha, ela imaginava que ele seria aquele quem a deixaria feliz para sempre.
A realidade bateu na cara dela como um balde de água fria.
Pois ele se preocupava mais em agradar as pessoas, ao invés de ser egoísta. Até mesmo o próprio altruísmo dele o guiando tornou-se a sua queda. Quando ele lutou na Grande Guerra do Santo Graal em Trifas, batalhando pela causa dos Yggdmillennia, e dessa forma ele se tornou o Saber of Black.
Mas ele não tinha vontade de usar o Santo Graal pra realizar um desejo, o que era de fato um grande eufemismo, já que a maioria dos Espíritos Heróicos invocados voltava a vida justamente pra isso. Só que ele conheceu um jovem homúnculo que estava prestes a morrer por ter nascido diferente dos outros.
Siegfried mesmo acabou traindo o seu próprio Mestre por essa desobediência. Mas isso valeu a pena, por cada segundo.
O nórdico via no jovem rapaz o quão igual ele era, nasceu na vida sem objetivo nenhum além de ser usado pelos outros. Mas ele não quis assim. Ele deu a sua vida e o seu poder para o rapaz, no intuito de dar uma chance para ele viver mais, mesmo que seja por muito pouco.
Ele deu a sua vida em troca da vida do homúnculo, para que o menino pudesse viver.
No chão, ele viu deitado o rapaz vestindo roupas sociais. Ele não parecia mais abatido como o viu correndo na floresta, mas agora sim parecia estar um pouco mais forte. Na sua mão direita estavam três Selos de Comando, que seriam usados para o rapaz usar o poder dele. E invocá-lo, mesmo que seja por pouco tempo.
- Senhor, quem é o senhor? - O jovem homúnculo de pele pálida dos olhos vermelhos perguntou a ele.
- Eu me chamo Siegfried, sou o Saber of Black dos Yggdmillennia. - O matador de dragões explicou ao rapaz, enquanto o segurava em seus braços.
- É de você que a Jeanne me contou... O senhor me salvou? - Ele perguntou inocentemente ao Espírito Heróico, enquanto o ajudou a se sentar numa árvore.
- Sim. Eu fiz isso por mim, e por você. Quero que você tenha uma vida boa, e mesmo que ela seja curta, aproveite cada momento com ela. - Ele bagunçou os cabelos do rapaz, dando um curto sorriso pra ele. - Quando você precisar da minha ajuda, pode usar o meu poder pra me invocar. Eu vou te proteger custe o que custar, Sieg.
Essa foi a primeira e última vez na vida e na morte em que Siegfried foi egoísta, pra proteger alguém que realmente não tinha o direito nem de viver. Ele quis que Sieg fosse livre para fazer o que quisesse.
Nesse mesmo tempo, enquanto o nórdico com marcas azuis estava de olho nos veículos, do outro lado do vilarejo caminhavam lentamente duas figuras tão estranhas quanto aos Servos que já estavam ali.
Tratava-se de um homem encapuzado com vestes brancas tendo uma cruz no peito, uma espada na bainha da cintura e um escudo amarelo nas costas. Ele tinha um olhar meio neutro visto atrás de seus óculos no rosto.
E ao lado dele estava uma mulher loira com uniforme de piloto do Século XX, um sobretudo branco por cima das vestes e um gorro de frio na cabeça, carregando consigo uma pistola antiga no coldre, um florete ornamental eslavo na bainha presa na cintura e um fuzil de precisão antigo com uma bandoleira nas costas.
- Tem certeza de que isso vai funcionar? Acho que isso não é exato de se raciocinar com esse plano do imperador, Saber. - A loira falou com um sotaque meio eslavo, dizendo num tom meio indeciso enquanto seguia o cavaleiro.
- Isso é o que o papado determina. E a ordem do papado deve ser seguida, não importa o que aconteça, Archer. - O encapuzado falou para ela, enquanto andava olhando para os lados. - Em nome de Deus, esses hereges endemoniados serão mortos finalmente.
A mulher parou de andar e fechou os seus olhos, começando a sentir uma enorme quantidade de mana ao redor dessa vila. Estava perto. Bem perto.
- Nós não estamos sozinhos por aqui. - O Saber olhou para os lados, tentando focar em cada parte quadrada dessa vila. Era uma Singularidade, então ele já podia esperar por mais um ou dois espíritos encarnados, mas a numeração que ele podia sentir era demais. - Você também sentiu isso, não é?
- Sim, eu senti. Parece que tem mais Servos por aqui. Uns seis ou sete deles, no mínimo. - A Archer respondeu a ele, enquanto fechava os seus olhos por um segundo e rapidamente abriu eles, materializando um olhar vermelho e amarelo nas suas pupilas. - E a energia mágica de um deles é bem mais alta que a dos demais. Será que é um Servo de Rank-A, ou então um membro da Távola Redonda?
O encapuzado semicerrou o seu olhar, sabendo que eles não poderiam sair daqui, se realmente for o caso de ser a Távola Redonda no local. Lidar com Kay, Agravain ou Lancelot iria ser bem complicado. Mas claro, o pior deles era de fato a Deusa Rhongomyniad.
A única figura histórica dessa Singularidade que era uma Serva de Rank-S, capaz de destruir Israel e até mesmo esse continente ou o mundo com o seu Fantasma Nobre, e ainda restar mana para sobreviver como um maldito demônio.
- Aquela rainha megera não pode descobrir o plano do papado. - O encapuzado de óculos falou determinado para a atiradora, que agora estava fazendo um gesto apontando o dedo para os lados. - Quando o Graal estiver nas mãos do imperador, nossos inimigos irão finalmente sumir da face da terra e... O quê? Pra onde é que cê tá apontando?
Ele estranhou o gesto, então virou para a direção onde a mulher estava apontando. E foi aí que ele se surpreendeu com o que se tratava. Ambos rapidamente se esconderam em uma parede, para ver do que se tratava.
Eram dois Servos adolescentes que estavam correndo atrás de umas crianças maltrapilhas, com uma delas carregando um arco brilhante em mãos. Um deles era um garoto samurai de cabelos ruivos com vestes vermelhas e a outra era uma garota de cabelos castanhos com chiquinhas vestindo poucas roupas(um pouco vulgares para a opinião do Saber), que mostravam sim uma poderosa presença ali. Ela até mesmo estava flutuando, mesmo que bem lentamente.
- Voltem aqui, seus pirralhos desgraçados! Me devolvam o meu arco! - A acastanhada dos olhos vermelhos gritava com eles, exigindo a devolução do suposto arco que as crianças roubaram dela.
Aquela garota havia sido roubada por meras crianças batedoras de carteira? Como uma Serva deu um mole desses? Uma gota de suor surgiu nos rostos da loira de boina e no encapuzado.
- E que Servos são aqueles ali, Saber? - A loira perguntou a ele, ainda tentando detectar eles com a sua Clarividência.
Infelizmente ela tinha uma Clarividência de Rank-C, que só focava apenas em mira com disparos para a sua Classe. A detecção automática de identidades só era a partir do Rank-A, ou então S. A Archer não poderia fazer muito com o que tem no momento. Afinal de contas, ela não era Salomão para ter a Clarividência Ilimitada.
- Parece que aqueles garotos ali tem origem japonesa e sumérica. - Ela respondeu, analisando os detalhes nas roupas dos dois adolescentes.
- Seja quem for, eles são hereges inimigos da igreja e do império. O Papa e o meu imperador não vão permitir que continuem rastejando por aí como larvas no solo imaculado de Deus. - O Saber falou virtuoso, demonstrando a sua personalidade honrada e nobre para a mulher em sua frente.
- Ei, ei, ei! - Ela parou na frente dele, tentando impedir o cavaleiro de branco. - Se esqueceu de que a gente não tá na Palestina e nem no Vaticano, seu fanático doente? A gente tá em um país onde na capital existe uma mulher maluca com uma lança mágica que tem poder pra arregaçar até mesmo um continente inteiro, ou até mais e qualquer um que vive nele se ela tiver com vontade. - Ela tentou botar juízo na cabeça dele, lembrando de que qualquer conflito que fosse poderia chamar a atenção indesejada da Távola Redonda e da Deusa Rhongomyniad.
E querer enfrentar o Rei Leão em pessoa era basicamente um desejo de morte instantânea, e ele sabia disso muito bem. Ninguém poderia derrotar aquela deusa num combate no mano-a-mano, e quem dirá numa luta com magias, pois a própria deusa era imune a ataques mágicos.
- E o que você sugere fazer então, eslava? - O Saber decidiu ouvir ela e tentar ver por outro ângulo.
A Archer botou a sua mão perto da boca, pensativa em como agir em relação a esses Servos misteriosos. De fato, ela quer evitar ao máximo um confronto direto pra atrair a Távola Redonda e o Rei Leão.
- Vamos dar um tempo pra ver quem são esses Servos antes de irmos pro norte. - A loira aventou, passando as mãos nas pálpebras e enfim os abriu, revelando uma nova coloração brilhante nas suas íris que antes estavam vermelhas e amareladas, agora virando roxas. - A Clarividência em meus olhos não é muito hábil, mas com o tempo eu vou conseguir descobrir a identidade de todos eles com a minha habilidade única. E depois disso, vou materializar o meu Fantasma Nobre e vamos embora pra Palestina.
O Saber olhou para ela, vendo o quão forte ela parecia se demonstrar. Ele via os olhos dela brilhando como jóias e pedras preciosas, vendo o quão especiais eram as lentes naturais dela.
- Está usando de novo os seus...
- Sim, não quero me arriscar em encarar aqueles Servos sem isso. - A atiradora respondeu a ele calmamente.
- Você deve ser bem abençoada por Deus para ter esses olhos, Archer. Existem bem poucos Servos e Magos no mundo que possuem Olhos Místicos, e você foi sortuda em nascer com esse poder. - Ele elogiou as habilidades dos olhos dela, que continuavam a brilhar cintilantes como jóias preciosas. - Tu eras uma maga em vida, soldada?
- Sim, e por pouco eu quase participei da Terceira Guerra do Santo Graal de Fuyuki como uma Mestra. Porém, eu já tinha outros planos e a Associação dos Magos me deu a oportunidade de poder servir na Força Aérea Soviética. Então desisti da tentativa de poder ter o cálice. - Ela confessou, demonstrando também um pouco de alívio. - E que sorte a minha, já que fiquei sabendo que foi por causa de um Servo proibido dessa guerra que acabou corrompendo o Graal de Fuyuki. Nekompetentnyye fokusniki. (Tradução: Magos incompetentes)
Essa Archer com certeza era uma pessoa bastante singular entre os magos, devido aos seus Olhos Místicos. Em vida, ela já foi uma maga poderosa na sua juventude e depois disso, desistiu do Cálice Sagrado para poder lutar numa guerra dos mundanos, somente pra morrer no meio do campo de batalha?
O espadachim de branco não conhecia muito bem a história dela, visto em conta que o Trono dos Heróis invocava figuras históricas e lendas que tiveram uma noção precisa no meio da linha do tempo com uma significância muito grande para serem encarnados. Apenas que ela já foi conhecida como a piloto mais habilidosa da história humana. Já o resto, era totalmente novidade para qualquer um que fosse conhecê-la.
Mas por qual motivo a Associação dos Magos deixou alguém tão poderoso quanto ela escorregar pelos seus dedos? Será que ela já estava marcada para ser morta por eles? Numa guerra, literalmente tudo pode acontecer.
- Provavelmente eles deveriam ter medo de você, já que os usuários de Olhos Místicos são poderosos demais pra serem controlados. E os soviéticos tendo uma mulher na Força Aérea numa época de Guerras Mundiais... Nada mal pra você. Até mesmo Deus consegue fazer um milagre como esse acontecer. - Ele deu uma brincada em um tom meio debochado, o que não passou despercebido por ela.
- Hmph... Deus não tem nada a ver com as minhas habilidades, templário. Agradeça a sorte e a magia por isso. Na vida, os afortunados são aqueles que nascem com sorte e habilidade. - A loira falou para o cavaleiro com uma raiva meio invisível misturada na calma dela, o que de fato o Saber percebeu.
Ele já notou que ela com certeza era uma atéia supersticiosa ao negar o Todo-Poderoso, e apenas confiar cegamente na sorte de suas habilidades naturais. Uma ironia, já que a Classe Archer era uma das classes de Servos que tem menos eficiência em habilidades de sorte.
E apesar do comentário meio sexista dele, ela não retrucou nada sobre a parte dele ter falado sobre a Associação de Magos terem medo dela. Com certeza ele havia cutucado mais um dedo na ferida dela. Seria melhor deixar esse assunto dela de lado, já que eles estavam trabalhando juntos e ter uma inimizade com ela não o levaria a lugar algum.
- Você consegue detectar a identidade deles com os seus Olhos Místicos, não é? - Ele perguntou a ela, enquanto observava os jovens correndo atrás das crianças.
- Pois é, mas não vai adiantar de nada se eu não chegar mais próximo de um indivíduo pra eles funcionarem. Afinal de contas, eu os uso mais para o combate e não para a espionagem. - A Archer explicou a ele, enquanto o efeito colorido dos olhos poderosos dela estava sendo desativado e retornando aos azuis normais. - Também tem um deles aqui, que é mais poderoso entre os demais. Só posso confirmar que tem sim dois Servos de Rank-A aqui, contando com aquela garota do arco.
Dois Servos de Rank-A nessa Singularidade? E ainda tem sorte por estarem vivos?
Impossível.
Isso era totalmente inconcebível!
A essa altura, a Deusa Rhongomyniad já deveria tê-los destruído há muito tempo.
Para o Saber, já era o bastante por enquanto. Ter a noção de saber que existem mais Servos ali era preocupante pois ele e a Archer estavam em menor número, então. Se for o Cavaleiro da Lamentação; os olhos e ouvidos da Deusa Rhongomyniad; que estiver por aqui, ele com certeza não os deixará fugir por nada.
- Vamos seguir o samurai e a garota flutuante, Archer. - O espadachim de branco falou antes mesmo dela negar, e foi atrás da dupla que estava perseguindo as crianças ladras.
Ela suspirou em derrota, ao ver que esse Saber não iria negar a sua devoção orgulhosa de cavaleiro templário. E então, a atiradora foi atrás dele para evitar que ele fizesse algo.
- Depois de você então, camarada.
Na loja, Arthur havia usado a sua Autoridade Real para pagar pelo combustível. Claro, assim como ele pagou a água para aquele vendedor lá em Jerusalém, ele fez a mesma coisa. Mesmo que o vendedor não quisesse o dinheiro, Arthur e Arash insistiram do mesmo jeito.
Por um momento, ele não achava que em um lugar como esse a sua habilidade como rei pudesse lhe dar alguma vantagem.
- Muito obrigado por nos ajudar, senhor Alhad. - O caçador de estrelas agradeceu ao homem de idade que estava ali com dois galões de combustível em mãos, dando ele ao espadachim ao seu lado.
- Eu que agradeço, senhor Arash. Graças ao senhor, os bandidos que atacavam a vila finalmente foram embora. - O mais velho falava gentil com Arash, demonstrando a sua gratidão com ele. - Devo muito a ao senhor.
O persa sorriu ao ver a gratidão do mais velho, e agora se aproximou dele.
- Senhor Alhad, por acaso o senhor viu alguma coisa tão estranha quanto o meu companheiro e eu acontecendo por aqui? - O arqueiro perguntou ao mais velho, querendo saber sobre algumas coisas.
O vendedor acariciou a sua própria barba grisalha, fazendo um semblante pensativo.
- Na verdade, aconteceu sim. Ontem mesmo, aquela moça bonita do oriente estava bebendo no bar da Serenidade afogando as suas mágoas, e veio então aquele cavaleiro inglês de novo para pedir por informações. - Ele explicou para Arash, que agora também chamou a atenção de Arthur ao ouvir a palavra inglês bem automático em seus ouvidos.
- E o que aconteceu depois?
- Eles lutaram por um momento, quase destruíram a vila, mas pararam depois. Parece que até mesmo se beijaram. Depois disso a Serenidade foi levada por correntes mágicas, e então a moça bonita foi embora com o inglês como naquelas histórias onde o cavaleiro levava a donzela apaixonada no seu cavalo.
Arash estava pensativo ao ver a conclusão disso tudo. Lancelot esteve aqui de novo para pedir informações com a Serenidade, e aí se encontrou com a Caçadora de Mistérios e aí então eles brigaram e se beijaram como amantes? E foi embora com o Cavaleiro do Lago?! Essa história maluca já não tinha mais nem pé e nem cabeça.
E agora, o Agravain conseguiu capturar a Serenidade e a levou pro seu cativeiro particular.
- Senhor, por acaso a tal mulher bonita que esse cavaleiro inglês enfrentou e levou embora tinha uns seios grandes, uma veste marcante ou algo assim? - Dessa vez foi Arthur quem perguntou ao mais velho, olhando com receio e necessidade para ele.
O persa rapidamente deu uma risada nasal ao ouvir a pergunta do Rei dos Cavaleiros.
- Oh sim, e meu jovem, posso dizer que aquela mulher é realmente muito bonita ao ponto dos homens do vilarejo não ficarem vidrados nela. - O mais velho de uma risada meio maliciosa, lembrando de cada lado das curvas formosas daquela semideusa japonesa.
Surgindo uma gota de suor em seu rosto, o loiro de antena suspirou com sorriso sem graça ao ver que o seu antigo companheiro não havia mudado absolutamente em nada.
- É, não importa em que mundo aconteça, o Lancelot não pode deixar de ir atrás de um rabo de saia. - Arthur falou num tom um pouco decepcionado, enquanto via que agora o seu antigo companheiro de longa data havia se apaixonado pela Caçadora de Mistérios.
O persa agora começou a pensar no porquê da Yorimitsu ter aceitado em ir junto com o Cavaleiro do Lago. Será que algo de errado aconteceu? Ela não estava afilhada ao grupo dos Assassins, e sim ao grupo de Muramasa e das duas Jeanne d'Arc.
Porém a força dela era bem singular, e muito necessária para o caso de lutarem contra a Távola Redonda, e com a perda dela do lado deles, não conseguiriam contra-atacar a Cidade Alta num caso de retaliação.
- O senhor saberia dizer para que direção eles foram? - O Rei dos Cavaleiros continuava a perguntar para o vendedor com curiosidade.
- Receio que não, apenas sabemos que eles foram para o leste. - Ele afirmou, demonstrando não saber da verdadeira direção deles.
Após terminarem com os negócios com o senhor, os dois Servos saíram da loja agora com informações de que ontem o Cavaleiro do Lago estava aqui. Uma coincidência, já que eles haviam o encontrado no deserto na noite passada. Ele estava ocupado com o Mestre da Chaldea, e com Bedivere.
E se Arthur já conhecia a sua irmã com a palma da sua mão; literalmente e figuradamente, é bem óbvio que ela mandaria pelo menos mais um ou dois Cavaleiros da Távola Redonda para ajudar aquele guerreiro de cabelos roxos.
- Arash, o Lancelot tava fazendo o quê por aqui? - O Rei dos Cavaleiros deu um olhar curioso e desconfiado, perguntando ao seu antigo colega de guerra do Graal. - E caçando a Minamoto no Raikou?
- Os Assassins são informantes dele. Como a Távola Redonda não tem muita influência além de Jerusalém e a Cidade Alta, os Cavaleiros da Távola Redonda também tem direito em ter negócios com pessoas normais ou Servos que não sejam ameaça aos olhos da Deusa Rhongomyniad. - Arash explicou ao rei de Camelot, atentando-se aos detalhes e os resumindo. - A Serenidade no caso, é uma dessas pessoas. Mas alguma coisa mudou. E é claro, a Raikou é com certeza uma das grandes ameaças aos olhos de Arturia assim como alguns outros Servos de mais alto nível. Provavelmente o Lancelot deve ter levado ela de volta pra Jerusalém, mas pelo que o senhor Alhad disse, ele foi para o leste. Então algo de errado está acontecendo.
- E sobre ele ter visto a gente no deserto ontem a noite, você não tem nada a ver com ele, não é?
- Bom... - O persa desviou o olhar, dando um sorriso nervoso. - Pra ser bem sincero, eu tento evitar ele há muito tempo e não é nada fácil, já que sou um inimigo marcado pela Távola Redonda e ele é o cavaleiro mais poderoso da sua ordem. A diferença entre nós dois é muito clara, não é?
Para Arthur, já também era uma surpresa ver que não era só ele e Arash que eram da velha turma de Servos da Primeira Guerra do Santo Graal de Tóquio. A Hassan da Serenidade também estava por ali, não é? A essa altura do campeonato, não seria surpresa nenhuma se aparecessem também o Ozymandias, Brynhildr, Jekyll & Hyde e os outros. E agora com essa de saber que Lancelot também estava por ali, não deixava de ser algo bom.
Apesar dele com certeza estar do lado de Arturia, ele não podia negar que justamente o cavaleiro mais poderoso da Távola do lado dele seria muito bom e mais vantajoso.
Mas sobre essas correntes mágicas que o velho citou... Só poderia ser das habilidades de Agravain. Só o Cavaleiro da Submissão teria tamanha técnica para usar essas habilidades com correntes encantadas.
Será que os dois estão brigados aqui também?
- Se eles não estão indo pro norte, pra Jerusalém, com certeza deve ter acontecido alguma coisa. Se essa Minamoto no Raikou foi de bom grado com Lancelot, ele deve ter algum acampamento aqui pra ele e pro seu esquadrão. - O Rei dos Cavaleiros deduziu, enquanto pegava um galão cheio de gasolina e Arash pegou o outro.
Arthur e Arash saíram da loja e foram em direção ao carro e a moto para poderem abastecer o tanque e continuar seguindo a viagem deles. Siegfried avistou o Saber e o Archer indo em direção dele com o combustível em mãos, e então viu que em breve iriam continuar com o trajeto deles em direção até às montanhas.
- Pronto, Siegfried. Só o que falta agora é as duas Jeannes e os jovens voltarem e assim, a gente continua até o Vilarejo Oeste.
O guerreiro nórdico acentiu a com cabeça em seu silêncio habitual.
Arthur foi até o seu ex-companheiro de guerra e cochichou em seu ouvido para tirar uma dúvida um pouco meio vergonhosa.
- Arash, o que o Siegfried falou sobre as duas Jeannes é mesmo verdade? Que elas tem que fazer sexo pra extrairem mana do Anel de Singularidade e se manterem aqui?
- Pois é, e meu amigo, na mesma semana que as duas estavam longe uma da outra, elas quase iriam sumir por já terem gastado todas as reservas naturais de mana fugindo da Inquisição. Mas por sorte, um Servo aliado do Muramasa e da Raikou havia salvo elas e as aproximou. Quando elas estavam juntas, o desejo as tomou por completo. Essa transferência manual de mana não é só uma coisa necessária entre elas. E como se ambas se atraíssem uma para a outra, como a gravidade. - Ele explicou para o Rei dos Cavaleiros, tentando resumir pra ele de uma forma mais simples.
Arthur lembrou-se da primeira noite dele com a Arturia, de quando perderam a virgindade juntos. Aquele momento em que eles estavam juntos era tão denso e tão carnal, que ambos nem mesmo estavam se ligando. Havia muito amor reprimido entre eles, e a retirada da Excalibur e da Rhongomyniad da pedra acabou fazendo com que algo que eles já tinham de oculto se intensificar ainda mais.
Isso somado também a sua descendência e por terem sangue de dragão correndo por suas veias.
Agora, parando para pensar, ele lembrou um pouco ao ver como a Arturia mudou tanto fisicamente quanto mentalmente nesses tais 1500 anos em que ela caminhou pelo mundo. Por algum motivo, a Rhongomyniad que ela raramente usava quando ia em combate, fez ela mudar de alguma forma. Mas se ela ia morrer em algum momento, a imortalidade dela foi extirpada por um instante. Já que a nova aparência dela como Deusa Rhongomyniad a fez ficar com pelo menos na casa dos 30 anos de idade. Ela envelheceu uns 10 anos, no mínimo.
O que foi que aconteceu durante esses dez anos pra ela ter mudado tanto?
Ele prometeu para si mesmo que iria voltar para a sua amada e salvá-la do que ela havia se tornado. Mas ainda assim, ele não podia negar que isso seria bastante difícil. Uma ordem lendária de catorze cavaleiros escolhidos a dedo pelo rei e a rainha de Camelot, e no momento, TODOS eles estão contra o rei! E era a rainha quem estava primeiramente oposta contra o rei!
Ele precisava encontrar Bedivere e Lancelot o quanto antes. Se Arthur conseguir fazer um acordo com ele, talvez possa convencê-lo a ficar do lado dele.
Ele já o traiu uma vez, então não custava nada a tentar.
Nesse mesmo momento, em um quarto isolado a quatro paredes e uma porta trancada, duas figuras históricas estavam se beijando como se não houvesse amanhã. Era como se o impulso animal estivesse no lugar delas duas.
As duas heroínas francesas balançavam os seus lábios, com aquele beijo tão necessitado, quente e também tão... Proibido.
Só o toque de seus lábios já estavam produzindo mana para restabelecer energia mágica em um dia. Elas precisavam de mais e mais pra se manterem nessa Singularidade.
A Ruler e a Alter já haviam desmaterializado todas as partes de blindagem de seus trajes, até mesmo as tiaras de metal que ficavam acima das suas cabeças. Só o que restavam nelas eram os seus vestidos e suas roupas íntimas.
Agora os lábios da prateada que antes beijavam a boca de sua contraparte, desciam no momento para o pescoço da loira de trança e começou a beija-lo e dar alguns chupões o que fazia a Ruler soltar alguns gemidos. As mãos dela percorriam para as coxas da Dama Sagrada, com a intenção de querer perverter aquela mulher por inteira.
- N-Não me dê chupões, mana. Sabe que é difícil de esconder eles depois. - Ela falava vergonhosamente, enquanto sentia os lábios da sua contraparte má chupando o seu pescoço bem em um ponto sensível.
- Isso é pra todos aqueles idiotas verem que você é só minha, Ruler. - A Bruxa Dragão falou entre os beijos com um tom dominante, mantendo as rédeas entre elas duas.
A Alter começou a desabotoar por trás o vestido da santa, revelando um corpo esguio e belo com curvas que eram basicamente as mesmas que ela tinha. Claro. Era a mesma voz, a mesma aparência e também... As mesmas fraquezas com os seus pontos sensíveis. Mas as personalidades e identidades eram completamente diferentes.
- Como é que você se excita com isso? Nós somos iguais, temos o mesmo corpo e os mesmos pontos sensíveis. - A loira falou ainda ruborizada, enquanto falava as frases entre beijos que saiam de sua boca antes de serem interrompidos pela sua contraparte.
- Isso só mostra o quão gostosa eu sou, e o quanto eu quero poder aproveitar isso.
A resposta da Alter saiu como uma meia-verdade, pois por algum motivo a atração dela pela sua contraparte não era apenas pela necessidade sexual. Tinha algo a mais naquilo, a Ruler tinha certeza. O calor que emanava delas produzia e preenchia cada mana em volta de seus corpos. Apenas um beijo seria o bastante para se manterem estáveis por um dia, e as carícias a mais seriam o bastante pra três dias. Mas se as duas fizerem tudo isso e mais um pouco, teriam mana por uma semana. Era por isso que elas se mantinham sempre próximas uma a outra.
Por um lado, elas estão apenas realizando esses atos por pura necessidade involuntária devido a falta de um Mestre e também pelo motivo misterioso do Anel de Singularidade não estar dando mana diária necessária para elas. Mas ainda assim, elas precisavam continuar nessa Singularidade até acabarem com a Deusa Rhongomyniad de uma vez por todas.
Ambas estavam finalmente nuas na cama, com agora a Dama Sombria da Vingança apalpando os seios generosos de sua contraparte e começando a chupar os mamilos rosados sem nenhum pudor.
- Não precisa ser tão celibatária, ô santa sodomita. Toca em mim também. Não é a primeira vez que a gente faz isso, de qualquer forma. - A Vingadora exigiu, querendo que a Governante também se soltasse um pouco no meio de sua luxúria.
- Isso é errado, irmã. A gente devia só fazer logo o necessário e acabar com isso. - A loira de trança falou, com um pequeno desapontamento com a frase dita.
A Alter ainda não conseguia acreditar no quão certinha a Ruler tentava ser até mesmo nesses momentos. Elas já repetiram esse episódio diversas vezes, ao ponto da bruxa invocadora de demônios se acostumar com o feito.
Mas mesmo assim, ela percebia muito bem que a Ruler estava blefando. A loira também queria isso, estava bem nos seus olhos e no seu rosto avermelhado.
Ambas agora estavam com as suas intimidades perto de se tocarem, e antes de mais nada, a prateada olhou para a sua contraparte e visando bem profundamente em suas íris azuis para ver todos os detalhes dos olhos da santa.
Enfim, sem mais delongas, ambas finalmente uniram suas partes numa só e com dois gemidos altos em um uníssono, a Alter continuava pressionando a sua vulva contra a da sua outra metade repetidamente enquanto ambas sentiam um enorme prazer misturado com um aumento de mana surgindo com os seus atos.
A loira de trança abraçava a sua querida "irmã", pedindo fisicamente por mais proximidade entre elas duas. A prateada decidiu deixar e assim, agora era a vez da Ruler preencher o pescoço da Alter com beijos e um chupão bem forte que fez até mesmo ela se surpreender com o ato.
Elas continuavam com o "ato libidinoso" delas; segundo a Santa de Orleans, e tudo o que os corpos e corações delas diziam era que precisavam de mais. Muito mais. Tanto tempo sem recarregar mana deixaria qualquer Servo dependente de um Mestre esgotado e totalmente prestes a desaparecer.
Mas elas ainda assim continuavam a se unir, como se houvesse uma briga de tesouras entre elas. A loira levou a sua mão livre até os seios de sua contraparte. Ambas eram totalmente idênticas fisicamente, apesar de algumas diferenças. Mas ainda assim, ela ficava excitada pela sua própria "eu".
Aos olhos da garota santificada, isso era um pecado maculado e proibido. Porém, isso o que ambas faziam era o amor. Era puro, natural e romântico, mas ainda assim proibido.
- Eu te amo, irmã! - A loira soltou essa palavra de maneira tão natural, que a prateada parou de pressionar a sua vagina e olhou para a sua contraparte com certa estranheza.
A Alter estava com um olhar tão estranho, como se estivesse com dúvidas em seu rosto. Mas ela ignorou isso, e continuou a beijá-la enquanto apalpava os seus seios tão macios e firmes. Elas continuavam a pressionar as suas intimidades, se aproximando cada vez mais perto do clímax. Por ambas serem fisicamente idênticas, também tinham o mesmo limite.
As duas gemeram ao sentir o orgasmo percorrendo pelo seu corpo com tudo, enquanto ainda se pressionavam. A Ruler afundou o seu rosto do lado do rosto da garota de cabelos prateados, suspirando ofegante depois de sentir agora toda a sua mana enchendo-a completamente.
A Alter olhava para os olhos da sua contraparte, vendo que antes eles eram tão puros e inocentes, e agora a corrompeu pelo prazer carnal. Ela se orgulhava muito por isso, ter corrompido uma agente de Deus, mesmo que por necessidade de poder. Mas apenas isso não era o bastante. Tudo o que a Vingadora sempre desejou depois de ser criada por Gilles era encontrar a sua contraparte, assim então matá-la por ter decidido se deixar ser queimada pelos ingleses naquela maldita fogueira sem nenhuma vontade de resistência.
Pra loira, era a vontade de Deus. Mesmo que isso significasse a paz, ela aceitaria de bom grado de novo. E isso foi o bastante para a Alter se enfurecer mais uma vez.
- Puta que pariu, de novo isso... - Inesperadamente, ela se afastou da Ruler completamente nua e foi em passos largos para o banheiro onde havia uma banheira de ofurô deixando ela completamente confusa.
- Alter? Alter? - A loira ficou sem entender o porquê da prateada ter ido pra fora da cama e ir ao banheiro. Ela se cobriu com um lençol e foi atrás da sua contraparte, mas a porta estava trancada. - Irmã, abre a porta. O que houve?
O silêncio percorria do outro lado. Só o que ela podia ouvir era o barulho de água enchendo o ofurô, mais nada.
- Você tinha que estragar tudo, Ruler estúpida. De novo.
Nesse mesmo momento do lado de fora do galpão antigo, a Archer eslava usava os seus Olhos Místicos para ver através da parede. Ela estava um pouco ruborizada ao ver o que as duas Servas estavam fazendo, e também havia encontrado as duas fugitivas da Inquisição.
- Eu achei as duas Jeannes d'Arc. - Ela falou em um tom meio envergonhado.
- Sério? Elas estão aqui? E o que estão fazendo? - O templário ao seu lado a perguntou repetidamente.
- Vai por mim, camarada. Você não vai querer saber.
- Trace On! - Usando as habilidades de seu hospedeiro, Muramasa materializou uma corda e jogou ela para cercar as três crianças, e assim, conseguiu capturar elas com sucesso. - Consegui.
- Não, por favor! Não machuca a gente!
- Seria melhor terem pensado nisso antes de me roubarem, seus pirralhos! - Ishtar surgiu atrás das crianças, e pegou justamente a menina que roubou o seu arco, e apertando as bochechas dela com vontade.
- ÁI! ÁI!
A garota de chiquinhas pegou o seu arco da mão da menina e o prendeu entre o seu corpo, garantindo que ele não fosse mais roubado tão facilmente.
- Desembucha então! O que foi que fez vocês roubarem o que era meu? - A voz da Deusa de Vênus assustou os jovens, que se entreolhavam com medo deles.
- A gente queria esse graveto brilhante pra trocar por comida. A gente tá com fome. - A menina confessou aos choros, enquanto abraçava o arco de Ishtar.
Isso fez os dois Servos se sentirem mal por isso, já que mesmo sendo uma Singularidade, nem todas as pessoas eram generosas de verdade umas com as outras. Especialmente, por isso vir de Muramasa. Ou melhor, do seu hospedeiro. Em uma outra vida, a Arturia foi Serva de Shirou, e ela era um pouco parecida com essa deusa. A única excessão era que ela lutava por todos, e não por um pequeno coletivo da humanidade. Afinal de todos, ela era uma pecadora assim como todos os seres vivos desse mundo.
O Santo Graal ainda podia recolher memórias de seus Servos sobre os seus Mestres em vários momentos específicos da história, e dessa forma, a Deusa Rhongomyniad ainda tinha as memórias de seu Mestre de outra realidade.
Essa foi a única razão para Arturia ter deixado Muramasa vivo. Um sinal de que a Rei Leão ainda tinha a sua humanidade, mesmo que muito pouca dela.
O que a Deusa Rhongomyniad faz não era certo, de fato.
Haviam muitas pessoas realmente boas por aí que mereciam ter esperança.
Muramasa soltou os três, pegou de seu bolso um saco cheio de bolinhos de arroz e deu para os jovens.
- Tomem. Aqui tem o bastante pra vocês três comerem. - Ele estendeu a comida, mas antes que a menininha pegasse, ele recolheu o saco para trás. - Mas se vocês prometerem que não vão fazer isso de novo.
Eles três balançaram a sua cabeça, dizendo que iriam fazer como combinado. O ferreiro sorriu e deu a comida para as crianças.
- Obrigado, moço. - O menino mais velho agradeceu a ele
As três crianças foram embora, enquanto Ishtar e Muramasa olhavam elas agora um pouco mais animadas.
- Você é muito coração mole, hein, Muramasa. - A Deusa de Vênus bufou as suas bochechas, flutuando sentada com as pernas cruzadas o vendo feliz em ver as crianças.
- Se você e a sua hospedeira se lembram bem do meu hospedeiro, sabe que isso faz parte da influência dele. E além do mais, eu sei bem na pele o que é passar fome. Essas crianças merecem mais do que sobreviver nesse deserto perdido por Kami-sama.
Ishtar refletiu nas palavras do velho espadachim que habitava o corpo do adolescente aspirante a herói da justiça. Ela via sabedoria em seus contos, e ela de fato reconhecia isso.
- Que bonito. Dois Servos que são contra a vontade da nossa deusa serem bondosos com crianças. - Uma voz feminina em um tom pouco bruto surgiu atrás deles dois. Eles se viraram para olhar, e engoliram em seco ao verem que se tratavam de dois irmãos; um homem e mulher, acompanhados de um homem mais velho de cabelos roxos escuros. Os três estavam em cima de cavalos, olhando os dois detalhadamente.
Os três estavam usando armaduras com símbolos da Távola Redonda. Ishtar engoliu em seco, instintivamente querendo pegar o seu arco para disparar contra os cães da Deusa Rhongomyniad.
- Rendam-se agora mesmo, ou sofram a ira da Deusa Rhongomyniad, e a nossa também.
- Ih, agora ferrou.
Notes:
Espero que tenham gostado desse capítulo.
Pois é, mais dois Servos introduzidos nessa história. Bom, acho que o Saber provavelmente já deve ser conhecido por vocês, porém a Archer por enquanto vai ser um mistério, e não é uma personagem da TYPE-MOON mas também é uma figura histórica real. Se vocês já souberem quem é, tentem adivinhar 😙
É, sobre as duas Jeannes, essas duas são beeeeem curiosas e acho que devo tá vendo a série do Loki demais. ainda tô no aguardo pra ter uma adaptação em anime sobre a Singularidade de Orleans pra mostrar elas duas 👀(E também a adaptação em anime de Mahoutsukai no Yoru da Ufotable, apesar de não ter nada a ver com essas notas finais, já que a Ufotable deve tá focando só com os filmes de Demon Slayer dos arcos do Castelo Infinito e Contagem Regressiva do Nascer do Sol. Mas tipo assim, a TYPE-MOON anunciou já tem uns 4 anos sobre um filme de Mahoutsukai no Yoru com trailer da Ufotable com animação boa e tudo, mas depois disso não teve mais nenhuma notícia. 🧐
Tem muita obra boa de animes da Ufotable, como Kara no Kyoukai, que também é da TYPE-MOON e vale muito a pena assistir, caso estejam interessados)Enfim, continuando. Esses dois Servos da Inquisição também vão ser complicados de se lidar, e ainda a história de fundo da Archer eslava é meio interessante pois ela já foi uma maga em vida e quase lutou na Terceira Guerra do Santo Graal de Fuyuki. O que mais ela esconde? 👀
Até mais 👍
Chapter 8: Movimentos de Xadrez
Summary:
Da Vinci, Raikou, Semiramis e Kriemhild estão indo em direção da Palestina para encontrar o misterioso Código Místico, enquanto o Imperador e a Papisa discutem sobre os seus planos de batalha. Gawain e Tristan conversam com duas cavaleiras fadas sobre um pouco de seus pesares, enquanto uma outra fada é convocada pela Rainha das Fadas para uma missão especial.
Notes:
(See the end of the chapter for notes.)
Chapter Text
1273 d.C...
04:55 da Manhã
Em algum lugar do deserto de Israel...
Dia 2
O acampamento improvisado de Sir Lancelot ficava escondido entre ruínas de muralhas antigas, erguidas bem antes da Era dos Reis. O vento quente do deserto soprava poeira fina entre as tendas, e tochas crepitavam com luz violeta — um reflexo da energia mágica do Cavaleiro do Lago. Raikou e Da Vinci haviam chegado acordado algumas horas antes do nascer do sol, e agora aguardavam a explicação que ele prometera.
Lancelot se aproximou das duas, segurando a sua capa e balançando-a para o lado para poder se sentar num banco ali em frente pra elas. A Caçadora de Mistérios pôde notar os seus olhos cansados e meio desconfiados, examinando a linha do horizonte como quem teme que a própria sombra esteja sendo vigiada. Ele não desconfiava dela, mas sim do desconhecido que iria acontecer depois de compartilhar essa informação com elas duas.
- Agradeço terem vindo tão rápido. - Ele disse com a voz baixa e urgente, o que a Da Vinci notou rapidamente nele. Lancelot parecia estar com pressa. - Nós não temos muito tempo. Algo aconteceu lá na Cidade Alta… algo que pode mudar o rumo desta guerra.
Da Vinci cruzou os braços, impaciente, seus olhos azuis brilhavam como lapidários avaliando um mineral extremamente raro.
- Você disse que se tratava de um Código Místico chamado “Proto Core”. Nunca ouvi esse nome antes. O que é essa coisa exatamente?
Lancelot hesitou. A mão enluvada por baixo da blindagem metálica apertou o cabo da espada longa negra-arroxeada com detalhes de correntes em suas mãos. Ele era um cavaleiro que raramente admitia ignorância, diferente de Agravain que odiava mulheres com todas as células de seu corpo. E agora ele encarava duas Servas poderosas com a franqueza de um homem encurralado.
- Também não sei ao certo. Apenas soube pela minha rainha, que a Rainha das Fadas já estava aqui anos antes da Arturia surgir como uma deusa e me invocar junto com os meus companheiros.
- Rainha das Fadas? - A Caçadora de Mistérios sussurrou pensativa ao ouvir esse nome.
- Soube pelos Servos mais antigos que viviam nesse deserto que ela escondeu um objeto de uma era primordial, mas foi roubado pela Rainha da Assíria. Dizem que ela entrou debaixo de Gaza e deixou lá escondido, algo que… - Ele parou, como se pesasse cada palavra pois ele também não sabe muito sobre os perigos dessa coisa. - …que não deve, de forma alguma, cair nas mãos da Deusa Rhongomyniad.
Raikou franziu o cenho. Sua presença já era naturalmente arrebatadora, e agora com o mistério desse Código Místico pareceu tornar o ar mais denso.
- Se essa coisa é tão perigosa, então por que nos contar? Você é o Cavaleiro da Távola Redonda mais poderoso. A Deusa Rhongomyniad confia em você.
- É, ela confia - O arroxeado repetiu, com um sorriso amargo no rosto. - E é por isso que preciso manter essa ilusão intacta o máximo que eu posso. Eu já a trai antes, e estou traindo ela novamente, sendo dessa vez por um bom motivo. E se o Mordred — qualquer um dos dois — suspeitar de mim, serei descoberto e executado antes mesmo de desembainhar a espada. E não posso fazer isso sozinho, então peço pela minha honra que me ajudem nessa missão.
Da Vinci assoviou baixinho.
- Então estamos falando de uma alta traição diante de uma deusa com uma arma que pode te vaporizar a qualquer minuto. Hah! Sempre soube que você era mais interessante do que parecia. Bom, se isso me ajudar a achar o Santo Graal e dar o fora daqui, eu tô dentro.
Lancelot ignorou a provocação. Havia urgência demais para reagir.
- Ouçam-me bem: a Proto Core está escondida em algum ponto ao norte daqui. A primeira geração das Cavaleiras Fadas deixaram pistas para outras resistências, mas no momento eu não tenho tempo de seguir nenhuma pois os dois Mordreds estão vindo pra me ajudar com o farsante do Rei Arthur.
As duas Servas trocaram olhares, vendo agora que mais dois Cavaleiros da Távola Redonda estavam vindo para cá.
- O Lorde Mordred e a Lady Mordred? Eles por acaso são duas versões da mesma pessoa? - A Serva engenheira perguntou ao espadachim de roxo, curiosa com a identidade de ambos.
- Sim, e ambos são uma dupla infernal tanto dentro quanto fora do campo de batalha. Não vai ser fácil enganá-los, ainda mais o Neo. Eles dois são muito imprevisíveis, será melhor que vão logo antes que eles descubram que estiverem aqui. - Ele assegurou a elas duas, pretendendo cobrir a fuga delas enquanto o Neo e a Una chegassem logo.
Lancelot respirou fundo. Era o som de um homem que carregava nos ombros o peso de duas lealdades contraditórias.
Ele então voltou seu olhar para Raikou, e o tom severo dele desapareceu por um breve instante.
- Minamoto no Raikou… Eu confio a você este cavalo. - Ele deu a ela as rédeas de um magnífico corcel prateado. - Vá com a Da Vinci para o norte imediatamente. Se a Inquisição, a Távola Redonda, ou a própria Deusa Rhongomyniad chegarem primeiro à Proto Core… então tudo estará perdido.
Raikou hesitou por um instante — não por medo, mas por algo mais humano. Ela aproximou-se de Lancelot, segurando seu rosto com delicadeza surpreendente para alguém de sua força.
- Pode deixar comigo, Senhor Lancelot. - Ela deu uma acenada com a cabeça em positivo pra ele, e dando também uma piscada rápida.
Ela montou no cavalo, segurando as rédeas dele para se manter parada enquanto a Da Vinci ainda estava no chão olhando para o céu ainda escuro.
- E quanto a você, Lorde Lancelot? Creio que não vai só ficar bancando a babá dos filhos de Arthur Pendragon.
- De fato, você está certa, Da Vinci. O Rei Arthur pode estar lá, e tenho que dar um jeito de separar a atenção dos gêmeos dele para poder estar a sós com o meu rei. Preciso ter uma conversa em particular com ele.
O Cavaleiro do Lago é óbviamente o cavaleiro mais poderoso da Távola Redonda, então não teria dificuldades em lutar com o seu rei. Talvez pode ser até complicado, pois a Proto Excalibur não era como a antiga Excalibur da Arturia. A espada do seu rei é uma arma ainda mais poderosa do que a espada perdida da sua rainha. Mas ainda assim, ele tem que tentar conversar com ele de qualquer forma.
A mulher de longos cabelos roxos sorriu e agachou o seu corpo para ficar mais próxima do Cavaleiro do Lago.
- Você sempre escolhe o caminho mais difícil, Sir Lancelot. Tem que tomar mais cuidado.
Ele sorriu — um sorriso triste, mas real que ele gostava de demonstrar para pessoas nas quais ele se importa do fundo do coração.
- É o único caminho que sei trilhar, Senhorita Raikou.
E, antes que qualquer dos dois pudesse racionalizar, ela puxou-o para um beijo profundo, um beijo que carregava despedida, frustração e promessa. Lancelot retribuiu como um homem que sabe que talvez nunca mais veja aquela mulher viva.
Da Vinci, é claro, ergueu as sobrancelhas e soltou uma gargalhada.
- Hahaha! Vocês dois são mesmo impossíveis. O mundo pode desmoronar a qualquer momento e ainda assim arrumam tempo pra romance? Eu adoro trabalhar com vocês.
Raikou recuou, limpando o canto da boca com elegância enquanto sorria para o Cavaleiro do Lago, esperando poder voltar para ele outra vez.
- Vamos logo, Da Vinci. O norte nos espera. - A Caçadora de Mistérios falou decidida, já com as rédeas prontas para levar o cavalo embora.
- Já estava na hora! - A acastanhada montou atrás dela e assim partiram do acampamento, deixando atrás de si apenas rastros de poeira iluminados pelo luar.
E foi nesse exato momento que o som de rodas de madeira ecoou entre as dunas.
Lancelot virou-se. Viu a carruagem se aproximando, puxada por dois cavalos brancos, guiada por dois cavaleiros que carregavam o mesmo nome, o mesmo temperamento explosivo e as mesmas características imprevisíveis.
Lorde Mordred e Lady Mordred.
A fúria e astúcia dos filhos de Arthur e Arturia, dobrada e implacável.
A expressão calma e feliz de seu rosto desapareceu sob o rosto impassível do Cavaleiro do Lago, prestes a poder iniciar a sua nova missão instruída pela Deusa Rhongomyniad.
- Bom, que assim continue a minha mentira… - O cavaleiro de cabelos roxos escuros murmurou para si mesmo e em seguida, suspirou profundamente enquanto se sentava na pedra atrás dele. - Conto contigo pra tudo dar certo, minha querida Raikou.
A carruagem parou diante dele. Os dois Mordreds desceram dela, com a garota do rabo de cavalo vendo o nascer do sol no horizonte ao leste com um olhar meio sonolento e espreguiçado.
E Lancelot, ocultando em seu rosto o seu verdadeiro propósito, caminhou para cumprimentar aqueles que, se descobrissem a verdade, seriam seus carrascos.
- Então vocês já chegaram. Fico impressionado em ver que não estão nem discutindo ou brigando. - O Cavaleiro do Lago deu um sorriso fraco, porém com um tom meio humorado ao ver os dois "irmãos" na sua frente.
- Cala a boca, Lancelot. - A Cavaleira da Traição feminina já começou com sua grosseria para o mais velho. - A gente já tá aqui, então fala aí cadê os Servos que fugiram da Seleção Sagrada?
Agora começou. Não tinha mais como voltar atrás. O Cavaleiro do Lago já começou a trair a confiança da sua rainha mais uma vez.
07:21 da Manhã
Cidade de Gaza, Palestina
Numa enorme catedral no centro da cidade, havia o nascer do sol iluminando a capital da Palestina. A cidade fortalecida estava repleta de cavaleiros templários marchando por toda a cidade.
Escoltado por uma grande guarda, havia uma certa figura religiosa bastante influente dentro de uma carruagem. Olhando para o lado de fora da janela, revelou-se o rosto de uma jovem mulher albina com cabelos brancos e olhos azuis, vestindo uma batina especial. A veste era toda branca e azulada com um tecido fino da mais alta qualidade, toda adornada com jóias e prata.
A albina olhou em volta pra ver os cavaleiros templários, podendo até mesmo observar o quão bravos eram mesmo por dentro dos elmos. Todos eles lutarão até o fim por Deus, se assim for a vontade Dele.
A carruagem parou em frente a um belíssimo palácio de mármore. A mulher de batina saiu da carruagem, sendo escoltada pelos cavaleiros templários e indo em direção para a entrada do palácio.
- Senhora Papisa, é uma honra tê-la aqui na casa do vosso imperador. - Um sacerdote menor abaixou a sua cabeça para a mulher como forma de respeito. Ela sorriu para ele e estendeu a sua mão, com ele beijando-a em seguida.
- É uma honra estar aqui, sacerdote Leono. É o meu primeiro ano como líder do papado, mas estou aqui pra fazer o meu melhor pelo nome de Deus.
Ela percebe que o imperador já estava a sua espera na galeria dos reis. Ele estava bebericando um vinho em sua taça, enquanto olhava para uma de várias estátuas de antigos imperadores em tamanho real.
- Lady Joana. É uma imensa honra ver uma agente de Deus por aqui. - A voz do homem sentado num banco de prata na galeria chamou a atenção dela, que olhava para uma das pinturas.
- É só papisa, imperador. E dispenso as suas cordialidades no momento. - Ela semicerrou o seu olhar azulado, vendo um certo desconforto.
- Está bem então, vamos direto ao ponto. - Ele riu, enquanto ia para mais perto da mulher albina. De fato, fazer esses joguinhos com a Papisa era divertido de se fazer, mas ele não chamaria pela presença dela se não fosse de mais absoluta importância. - Soube que você mandou dois Servos de meu exército pra irem falar com o Rei Sol.
Claro, era bem evidente que ele iria questioná-la com isso. Ela mandou com que Saber e Archer fossem até o sul com intenções de união para se unirem contra a Deusa Rhongomyniad.
- Sim, e o que você tem contra isso?
- Absolutamente tudo, mulher. Esse seu chapéu ridículo deve estar prendendo todo o sangue do seu cérebro, e por isso se esqueceu de que a Deusa Rhongomyniad está por aí vigiando tudo com aquela maldita Clarividência. Aquela vira-lata galesa mestiça tetuda tem cães que já por si só, podem bater de frente até mesmo com outros Servos de alto nível e ainda por cima, tem aquela maldita lança que pode destruir tudo o que ela quiser e quando quiser.
- Olha o linguajar, Constantino. - A albina de batina semicerrou os seus olhos, enquanto o olhava com um semblante neutro. - Eu não sou obrigada a ter que ouvir um palavreado de baixo calão sobre uma mulher que nem está aqui pra se defender.
- "Se defender?" Por acaso você acha que aquela vadia precisa se defender? - Ele falou entre os dentes e pegou um tablet e o aproximou do rosto da Joana, mostrando uma imagem de cima e uma outra imagem panorâmica das cidades próximas de Jerusalém. - Ela criou quinze crateras somente nos últimos 4 meses, devastando QUINZE! QUINZE cidades próximas da Palestina! Acha que ela vai parar só por ai?
A albina suspirou, enquanto carregava a sua férula papal e balançando ela de um lado para o outro e brincando com ela como uma forma de malabarismo.
- Nós somos servos de Rank B e C, o que você espera que eu faça, imperador? - Joana falou em um tom meio cansado, enquanto tentava aguentar em ouvir a mesma ladainha do imperador. - O Lionheart tentou enfrentar ela, e foi morto na hora por ela quando disse que poderia ter enfrentado ela com tudo.
- Você não é uma papisa, mulher? Cadê a sua fé em Deus pra acabar com aquela ditadora?
- Eu não sou imponente e onipotente pra resolver os seus problemas, Constantino. Só o que posso fazer é tentar mostrar ao povo a benevolência de Deus. Mas infelizmente, os seus cães da Inquisição não são nada ortodoxos em relação ao matar pessoas que não estão dispostas ao ouvir a Igreja, pois elas estão com medo. E aonde sou eu quem precisa responder a você?
Ele suspirou enquanto refletia nas palavras da mulher. É bem óbvio que o povo tinha medo da Inquisição, e um exército com milhares de Cavaleiros Templários e usando eles para forçá-los a seguir ao Catolicismo.
- Tem vezes que eu não sei se você é mesmo uma mulher de Deus ou não.
- Não, eu sou apenas uma ideia que os humanos tiveram que criar sobre a lenda da primeira e única papisa no mundo todo que governou o papado. Tudo o que eu faço simplesmente é agir conforme a minha falsa existência.
- É, e que bom trabalho que você fez. E graças às suas ações impensadas, a Ruler e a Alter sumiram das minhas fronteiras e largaram o exército da Inquisição justo em uma hora tão crítica. - Ele rebateu a Papisa, que engoliu em seco enquanto ouvia as queixas do imperador no qual se aproximava dela a cada passo lentamente. - E sem o poder de glamour do Foreigner, a fera está lá embaixo das catacumbas com todo o tesouro imperial só para ela.
- Eu sugiro que você não continue insistindo em querer explorar as catacumbas, Imperador Constantino. - Uma voz meio neutra surgiu naquele salão, o que fez o imperador e a papisa virarem para trás.
Tratava-se de um homem de cabelos azuis com óculos usando roupas sociais antigas vindas do século XIX e um jaleco branco por cima. Ele tinha uma cara meio preguiçosa, robótica e de poucos amigos. E ao lado dele, estava uma bela freira vestida com uma batina meio justa que mostrava as silhuetas de seu corpo curvilíneo e com uma fenda na perna esquerda para não faltar uma certa vulgaridade.
A papisa semicerrou o seu olhar para a outra mulher, fazendo com que algumas de suas veias saltassem em seu rosto devido a raiva.
- Está querendo contrariar ao meu dever, Caster? - O Rider questionou a sugestão contrária do outro Servo.
- Aquela fera no subsolo tem a força de um Servo de Rank-A, e não pode ser detido por uma força contrária igual ou superior. Mesmo se tivéssemos mais de 20 ou 30 Servos contra aquela criatura, daria no mesmo. - O azulado de óculos assegurou para o Rider. - Nem a vadia aqui do Buraco do Paraíso iria conseguir lidar contra ele.
A freira deu um tapa forte no rosto do Caster, não gostando de ter sido chamada de vadia. Apesar da sua feição não estar dizendo com o seu ato repentino de autoproteção.
- Não sou uma vadia, Hans! Eu sou uma freira com o dever de seguir os caminhos de Deus.
- E isso envolve em querer fazer sexo com qualquer um até morrer, é? Para de se fazer de santa, Sessyoin. A sua cara de safada já diz tudo. - Ele endireitou os seus óculos após sentir o golpe do tapa no seu rosto enquanto cospia um pouco de sangue.
A papisa bateu a sua férula no chão, fazendo os três Servos agora prestarem atenção nela.
- Kiara, posso saber o que você está fazendo aqui? - Agora Joana levou a sua atenção para a freira lasciva, o que fez Kiara sorrir. Ela sabia muito bem que a papisa não gostava do seu comportamento como uma mulher impura, e ela gostava disso. - Você estava em período de oração na câmara de isolamento.
- Não gosto de ficar lá por mais de duas horas, minha Papisa. E além disso, um dos meus pássaros espiões chegou do sul há poucos minutos. Parece que em Jerusalém, houve um probleminha durante a Seleção Sagrada. - A freira começou a falar para ela, o que fez o Rider e a Ruler ficarem mais surpresos e interessados para ouvirem mais para ouvir dela. - Parece que um Servo misterioso invadiu a Cidade Alta, e o castelo da Deusa Rhongomyniad.
Hans já sabia do conhecimento dado pela Sessyoin, já que estava acompanhado dela. Mas Constantino e Joana eram os mais surpresos com esse feito. Um Servo desconhecido teve a coragem para invadir os domínios de Arturia Pendragon sem lidar com qualquer consequência?
- Eu já mandei o Saber e a Archer para mandarem uma mensagem com o Rei Sol, a essa altura eles já devem estar voltando a qualquer momento. - O Rider falou enquanto olhava para uma das obras de arte do salão. - Com o apoio do Faraó ao nosso lado, talvez possamos dar um jeito de derrubar aquela mulher de uma vez por todas. Joana, sabe onde eles dois estão agora?
- Primeiro você despacha eles sem a minha autorização e agora você quer que eu rastreie os movimentos deles?
- Por favor? - Ele sorriu agora mais gentil para ela, querendo que ela pudesse colaborar com ele.
A albina de batina azul suspirou, fazendo um movimento com a sua mão direita e materializando um círculo mágico de palavras escritas em latim. Algumas das letras menores circulavam em um pequeno ponto e finalmente estavam em melhor vista para eles.
- Eu os encontrei. - A Papisa olhou no círculo, tentando ver mais. - Mas não é só eles que estão por ali.
Nas dunas do deserto palestino, Semiramis dirigia o seu jipe em direção a Gaza com o seu objetivo de encontrar o tão estimado tesouro que ela escondeu para a garantir que a Deusa Rhongomyniad não pegasse ele.
- E então, Assassin? Você escondeu esse Código Místico aonde?
- Eu escondi justamente debaixo do nariz do Imperador Constantino, pra que ele e a Deusa Rhongomyniad jamais o encontrassem.
- Espera um pouco. Esse subterrâneo que você diz, quer dizer o...
- Sim, o subterrâneo da Cidade de Gaza. Dizem que existia uma cidade no subsolo onde lá, então numa noite eu invadi a cidade e joguei a Proto Core lá. O único problema é que eu não sei onde ela pode estar exatamente, pois aquela cidade não está totalmente vazia. - A Assassin mudou a marcha pra subir uma colina, enquanto fitava os seus olhos um pouco. - Tem uma criatura debaixo de Gaza que protege o subsolo, mesmo já não sendo mais necessário.
A princesa da Borgonha ficou um pouco receosa pois agora além da maior envenenadora da história querer reaver algo que ela escondeu justamente na segunda cidade mais hostil dessa Singularidade não estava nos seus planos.
- Até agora você não explicou o que tem de tão importante nessa tal coralma. - A albina insistia para ouvir mais sobre o que a Rainha da Assíria tanto queria com esse objeto.
- Não é uma coralma qualquer. - A mulher de orelhas pontudas afirmou para a princesa. - Esse objeto se chama Proto Core. É um Código Místico que quando usado por um Servo específico, ela tem a capacidade de trocar a sua Classe ou então adicionar uma habilidade pessoal de Invocação Dupla ou Classe Dupla, como a que eu tenho.
- Quer dizer então que o Servo que tiver esse Código Místico poderá ter a habilidade de usar o poder de duas Classes sem problema nenhum?
- Exatamente, Berserker. Mas infelizmente, a Proto Core não pode ser usada pelas mãos de Servos impuros que não nasceram com o direito de herdar as armas sagradas. - Ela rapidamente explicou, querendo fazer Kriemhild já entender melhor a extensão desse Código Místico.
- Que saco, então a gente tá indo pra uma busca inútil. Pra quê você vai querer esse troço, se ele é inútil até mesmo pra você? - Ela se irritou, já vendo que Semiramis só estava querendo fazer ela perder mais tempo e esforço, com esse objetivo repentino de invadir a Inquisição da Palestina.
Enfrentar o Imperador Constantino e a Papisa Joana com certeza não estavam nos planos dela. O que o Velho da Montanha falou foi simplesmente para levar a Assassin of Red até o Vilarejo dos Assassins, pois um Servo sozinho é fraco quando não está junto de um outro Servo ou de seu Mestre.
- Não disse que vai ser pra mim. - Ela deu uma olhadinha de lado para a albina. - De fato, não tenho nem como usar esse Código Místico mesmo se eu pudesse, apesar de ser bem tentador em ter um poder sagrado nas minhas mãos. Mas tem um Servo capaz de usar esse poder, e ele acabou de ser invocado nessa Singularidade há menos de 24 horas. O Mestre da Chaldea ainda não o encontrou, mas eventualmente o encontrará.
- E que Servo é esse? Dá pra acabar com o suspense logo? Porque eu já tô por aqui de te dar uma na cara e levar esse carro de volta pro oeste.
A rainha da Assíria sorriu de lado, enquanto agora virou o jipe sentido a esquerda pra evitar uma enorme pedra que estava na frente delas. Ela virou o volante para a direita, retornando o seu trajeto para o norte.
- O Rei Arthur. Pra ser bem mais específico, trata-se de uma outra variante masculina dele, que é diferente da Deusa Rhongomyniad. - Ela falou finalmente, enquanto trocava a marcha do jipe. - Apesar deles já terem se encontrado ontem a noite e ela ter quase o matado.
Ao ouvir o nome do Rei dos Cavaleiros, Kriemhild fez com que algumas veias saltassem de seu rosto ao ouvir o nome que carrega sangue e morte nesse mundo graças a aquela deusa pagã vadia que está matando humanos e Espíritos Heróicos aos montes.
- O Rei Arthur?! A gente tem é que matar ele, cacete! Não podemos deixar esse cara vivo, ele deve ser um Servo de Rank-A ou S. Deve estar até no nível da Deusa Rhongomyniad! Se tiverem dois reis Arthur nesse mundo, só vai piorar as coisas.
- Relaxa, Berserker. Ele não está no nível da Rei Leão. Pelo menos não ainda. E além de tudo, eles até mesmo já se encontraram durante a Seleção Sagrada como eu já disse.
Ela se virou para a especialista em venenos, vendo que ela estava sabendo muito sobre ele.
- E como você sabe que ele está aqui? - A Berserker virou o seu olhar para a Assassin, agora curiosa com a tamanho conhecimento vindo dela. Ela estava sabendo de coisas mais cedo e mais rápido do que qualquer um.
- Eu tenho uma esfera de cristal mágica no meu Portão da Babilônia, Kriemhild. Eu estou vigiando os Servos dessa parte do Oriente Médio há anos. - Ela confessou sem nenhum pingo de culpa ou vergonha na cara, o que fez a albina cerrar o seu olhar com raiva.
A princesa da Borgonha agora ficou surpresa com o tanto de informação que Semiramis estava guardando para si. Como diabos ela sabia que o Rei Arthur estava aqui nessa Singularidade? E foi aí que uma dúvida bateu na cabeça dela. A especialista em venenos falou sobre variantes. E de fato, o Trono dos Heróis trás até mesmo sobre várias versões de Espíritos Heróicos de várias versões através do tempo e do espaço, incluindo do próprio multiverso.
As variantes como os Alters, os de outras classes modificadas e até mesmo as variantes divinas também eram totalmente complexos e exclusivos nas linhas do tempo e nas redes infinitas de variantes.
Mas o Arthur e a Deusa Rhongomyniad compartilharam presença no mesmo mundo? Como seria possível, se ambos são o próprio rei Arthur?
- Ei, ei, ei! Como assim, "variante dele?" - A princesa se perguntou confusa, tentando entender o que a Assassin estava falando. - Tem outras variantes do Rei Arthur?
- Certo, acho que você não deve saber muito sobre o acesso ao Multiverso que o Trono dos Heróis pode acessar, então eu vou explicar a você com mais clareza. - Ela falou com mais calma em um tom mais professoral e explicativo para a albina.
No mesmo momento em que Semiramis e Kriemhild conversando, há algumas milhas de distância ao leste, estavam duas Servas em cima de um cavalo cavalgando na mesma direção em que a nórdica e a semita estavam indo.
A sensação do vento forte ecoava por todo lugar, incluindo nos cabelos das donzelas que continuavam em direção ao norte.
- É uma teoria minha, mas eu acho que esse Rei Arthur e essa Rainha Arturia viveram juntos na mesma realidade. - Da Vinci explicou, enquanto se segurava em Raikou que cavalgava á toda velocidade com a sua habilidade de montaria aprimorada.
A velocidade do cavalo conseguia alcançar até mesmo mais de 100 km/h, graças a magia que a Raikou podia usar graças ao Anel de Singularidade lá acima nos céus dessa realidade alternativa. Uma habilidade útil para Servos que conseguem se habilitar com a Montaria.
- Mas isso é mesmo possível? As duas versões do rei Arthur estarem juntos na mesma realidade? - A semideusa do trovão perguntou a artista da renascença. - Isso seria como se eles fossem literalmente metades separadas, não é?
- Creio que não seja bem isso, senhorita Raikou. Pense comigo... O Trono dos Heróis tem centenas de milhares de Espíritos Heróicos, que são na verdade Figuras Históricas conhecidas pelas histórias, lendas e mitologias da humanidade que já foram catalogados no multiverso graças às Cinco Magias Verdadeiras que constituem o equilíbrio da magia e da ciência que une o universo e o próprio multiverso. As duas Jeannes d'Arc são um exemplo claro disso. Elas duas são suas próprias versões em seus próprios mundos onde cada uma das duas viveu a sua vida propriamente.
- Isso quer dizer que... - A mulher de cabelos roxos semicerrou o seu olhar, enquanto prestava atenção na conversa e ao mesmo tempo seguia focada para frente guiando o cavalo. - Nessa realidade, eles dois viviam no mesmo mundo e na mesma era?
- Talvez sim. Se nessa realidade ambos tinham o mesmo sobrenome, talvez eles dois eram parentes ou até mesmo um casal. Vai saber.
- E você acha que eles dois interagiram nesse universo? Pois se eles são a mesma pessoa, eles deviam mesmo é apagar um ao outro.
- É provável que não tenha sido isso. Tenho mais uma teoria, mas não posso descartar essa hipótese. Dizem que o sangue de dragão atrai as suas espécies, independente das suas descendências ou parentescos, então isso pode até explicar as semelhanças entre eles, apesar de serem gêneros diferentes.
A arroxeada virou a sua face para a acastanhada, tentando entender essa dúvida.
- Você tá falando sobre... incestualidade?
- É possível. - Da Vinci falou com seu tom dedutivo, enquanto olhava as dunas de areia ao seu lado. - Naquela época, isso era normal entre as famílias reais e com os clãs antigos. Se nessa tal realidade em que eles viveram juntos eram irmãos, ambos poderiam acabar se tornando mais próximos devido ao tal sangue de dragão.
Voltando para o jipe, Kriemhild ainda tinha bastante receio em ver essa ideia maluca da Assassin. O rosto dela já estava bem cheio de veias, demonstrando raiva e irritação vindo dessa ideia sem sentido.
- Mas nem ferrando! Dá meia volta com essa porra desse carro agora, se não eu mesma te mato! - A Berserker tentou pegar o voltante, mas a Assassin foi bem mais rápida e materializou as suas correntes no banco dela, prendendo a princesa pelos seus braços e pernas. - Me solta agora, sua vagabunda do cacete!
O som metálico das correntes rangiam com força enquanto ela tentava colocar mais pressão.
- Sinto muito, Kriemhild. Mas sem você, não posso conseguir esse Código Místico. E além do mais, esse é o único veículo que eu posso usar além dos Jardins Suspensos da Babilônia e eu quero poder economizar um pouco mais de mana.
- Essa porra é só conversa sua! Você vai é matar a gente, sua biscate! - A albina reclamava, enquanto tentava se livrar das correntes encantadas da Assassin. - Você nem sabe o que vai acontecer com o Rei dos Cavaleiros quando ele botar as mãos nesse Código Místico!
- É, mas eu sei o que pode acontecer se as coisas continuarem como estão. - Ela olhou para o horizonte, onde o vento soprava em direção ao sudoeste. - Assim como a Arturia se tornou a Deusa Rhongomyniad e perdeu sua humanidade, o Arthur talvez possa seguir o mesmo caminho que o dela. Se ele obtiver a Proto Core… ele deixará de ser um simples humano. Ele se tornará o espelho perfeito dela, forte o bastante pra lutar contra ela.
A princesa estava ficando cada vez menos irritada, deixando de lado um pouco do seu Aprimoramento Louco. Semiramis retirou as suas correntes mágicas com um controle mental, fazendo elas se desmaterializarem no meio do ar.
Agora a Berserker tinha toda a liberdade e capacidade pra pegar o volante do carro e voltar em direção ao sul. Mas só que... Agora depois de tudo o que ouviu da Assassin, ela não conseguia. Ou melhor, ela não podia nem se quisesse.
- E o que você acha que pode acontecer se o seu plano maluco der errado? - Kriemhild mordeu o lábio inferior, perturbada com um pressentimento ruim dessa ideia de ir para pegar a Proto Core. - A gente só estaria criando um outro monstro igual a Deusa Rhongomyniad ou talvez alguma coisa até pior, Semiramis. E o que vai acontecer se isso sair do controle?
A Rainha da Assíria sorriu com uma frieza que poderia até mesmo congelar o ar desse deserto escaldante.
- Esse é um risco que teremos que correr. Porque talvez… já não exista mais outra maneira de impedir que a Deusa Rhongomyniad destrua este mundo.
A nórdica refletiu nas palavras da rainha semita dizia, pois faziam sentido. Quem poderia dizer se a Arturia Pendragon iria ou não matar a todos? Ela chegou a um território que só apenas poucos tem a capacidade e o direito. Ninguém era superior a ela nessa Singularidade.
O vento soprou forte, levando os grãos de areia e silenciando qualquer resposta que Kriemhild pudesse dar. Semiramis estava certa. Cedo ou tarde, a Rainha dos Cavaleiros irá matar a todos nesse mundo, sejam eles os humanos normais ou até mesmo os Servos.
Às vezes deve ser criado um monstro para matar um outro monstro. Siegfried poderia esperar, a albina ainda tem tempo o bastante para matar ele em um outro momento.
- E por acaso você tem um plano na manga pra invadir a Cidade de Gaza e chegar até o subsolo? - Ela perguntou a mulher de orelhas pontudas, curiosa com essa ideia maluca de ir lá invadir uma das cidades mais seguras desse deserto. - Ou está querendo inventar de ir improvisando pelo caminho?
- Acho que eu tenho um sim, mas pareceu que tem outra pessoa que deve ter um plano melhor do que o meu. E por sorte, devemos nos encontrar com ela até o fim do dia.
Agora voltando para o foco entre a semideusa japonesa e a grande inventora da Renascença, elas duas continuavam a manter o caminho delas. E dessa vez, um pequeno momento de silêncio que tomava a atenção entre elas foi brevemente impedido pelo barulho da acastanhada limpando a sua garganta.
- E então? Pode me contar sobre a relaçãozinha entre você e o Lancelot? - Da Vinci perguntou, enquanto dava um sorrisinho de lado. - Tô interessada em saber mais sobre o namorico vocês dois.
A samurai do rabo de golfinho agora aumentou ainda mais o seu rubor nas bochechas, estando com o rosto extremamente avermelhada ao ouvir o comentário meio ousado vindo da inventora italiana.
- Eu não sei dizer direito. Bom, só aconteceu. A gente estava conversando no bar da Serenidade, falando sobre um pouco dos nossos passados, e eu podia ver nos olhos dele o quão perdido era aquele homem. Tão perdido como eu já fui um dia. - Ela confessou enquanto fechava os seus olhos por um momento. - Ele é tão bonito, alto, charmoso, forte, corajoso... tão viril.
Agora a Raikou sorriu meio maliciosa, estando agora mais necessitada para voltar aos braços musculosos do Cavaleiro do Lago e os seus beijos tão quentes e atrativos.
- É, eu te entendo bem. Quando ele me salvou da explosão do meu carro mágico, eu pude ver todo o charme que ele... - No momento em que a engenheira ia continuar a falar, Raikou parou o cavalo de maneira brusca e inesperada.
Da Vinci bateu a sua cabeça nas costas da mais alta, e agora viu o semblante apaixonado da semideusa do trovão mudar. Raikou e virou a sua cabeça para Da Vinci e começando a desembainhar a sua Doujigiri Yasutsuna para ela.
O momento curto do seu puxar da lâmina fazia algumas faíscas elétricas saírem pela bainha e a sua mão direita.
- Acredito que você não tenha entendido bem, mas mesmo assim eu farei questão pra que fique bem claro na sua cabeça ousada e pervertida se não quiser perdê-la, Leonardo Da Vinci. O Lancelot é meu homem, e somente meu. - Os olhos da Caçadora de Mistérios brilhou por um segundo num piscar como um poderoso raio. - Então pare de gracinha, pois aquele cavaleiro já tem dona.
A inventora podia ver o Aprimoramento Louco vindo da mulher de cabelos roxos que estava sentada na sua frente.
- Pfff... HAHAHAHAHAHAHA... - A acastanhada começou a gargalhar ao ouvir o último comentário referente ao Cavaleiro do Lago, o que fez a guerreira japonesa ficar confusa ao ouvir as risadas. De fato, a Caçadora de Mistérios realmente se apaixonou por aquele homem de uma maneira tão difícil de entender. - Acho... que eu coloquei o dedo na ferida... e ativei um pouco do seu Aprimoramento Louco. Haha... - Ela terminou de gargalhar, e agora recuperou a sua compostura pra tentar ficar um pouco mais séria. - Pra dizer a verdade, eu não sinto absolutamente nada pelo Lancelot, Senhorita Raikou. Pode ficar tranquila quanto a isso.
- Pera aí, tá falando sério?
- Tão sério quanto uma pizza verdadeira sem ketchup feita na Itália. - A italiana balançou a sua cabeça em positivo.
- Eh, eu não entendi essa frase. - Agora a Raikou estava ainda mais confusa sobre essa coisa de pizza.
- É coisa do povo brasileiro, te explico melhor depois. Sobre você e o Lancelot, acho até mesmo interessante em ver uma paixão tão genuína surgir entre um péssimo projeto de pai e uma mãe extremamente obsessiva. Mas posso ver nos olhos de vocês dois o quão melosos são um pelo outro. - A engenheira falou, desviando o seu olhar para o lado esquerdo e começando a apalpar os seios enormes da arroxeada. - Ele pode até estar bem atraído pelas suas curvas e essas duas imensas ogivas na sua proa. Confesso que quase fico com inveja.
- O-OI! Tira a mão daí! - Ela falou ruborizada, ao ser apalpada pela engenheira pervertida que somente continuava a rir de lado.
- Calma, tá tudo bem, não é mesmo? Afinal as meninas cuidam das meninas. - A Da Vinci sussurrou no ouvido da samurai, fazendo os seus pelos atrás do cabelo arrepiarem.
- Você nem é uma mulher de verdade, só está usando o corpo de uma outra pessoa como um receptáculo!
- Não é verdade. - Ela balançou a cabeça para ao lado direito, em seguida estendendo seus braços. - Bom, é mais ou menos verdade sim, mas ainda assim me reconheço como uma mulher, pois as personalidades da Monalisa e as das minhas estão misturadas em uma só mente.
- E então por quê não se chama de Monalisa, se é um corpo feminino?
- Bom, essa a pintura da Monalisa é a obra mais famosa do Leonardo Da Vinci, então o corpo dela é o exemplo claro que mostra a verdadeira identidade do grande artista e engenheiro da Renascença. Eu até mesmo ajudei o Assassino Ezio Auditore da Firenze lá no Século 16 com máquinas voadoras para as missões dele.
- Mas o Ezio Auditore não é... - A Caçadora de Mistérios suspirou balançando a sua cabeça em derrota, querendo acabar com aquela perda de tempo o mais breve possível. - Deixa pra lá. Temos que continuar, Da Vinci. Precisamos chegar na Palestina, se não quisermos perder a vantagem do tempo.
Agora a engenheira lembrou-se do objetivo atual delas, decidida agora a voltar a sua atenção para irem ao norte. Ela olhou para a sua bússola solar, olhando para o lado do sol recém-nascido e sentindo a brisa do vento com o seu dedo.
- A julgar pelo sol, devem ser umas 7 da manhã e a Palestina deve estar a mais ou menos 16 horas de cavalgada na nossa velocidade, então é melhor nós nos apressarmos, ou não conseguiremos chegar a Gaza tão cedo. - Ela lembrou a japonesa da missão delas, e agora pegou novamente as rédeas do seu cavalo.
- Muito bem. Aiô, Silver! - Raikou fez o cavalo dar uma empinada, e elas novamente continuaram em frente para o norte.
Mesmo a Caster sendo o Leonardo Da Vinci e possuindo o corpo e a personalidade da sua amada Monalisa, ela podia entender essa paixão tão grande que sente em seu coração. De fato, ela também pôde ver nos olhos do Cavaleiro do Lago o tamanho sentimento recíproco que ele tinha pela bela semideusa com uma recepção e sensação materna tão grande.
E além do mais, ela também já tinha interesse em um certo líder da equipe médica da Chaldea no qual ela não diria no momento. Provavelmente o Gudao e a Mash devem estar com dificuldades sem ela. E justamente nessa primeira vez com ela podendo fazer um Rayshift nessa Singularidade, só pra passar por mais perrengues como esse. Que dor de cabeça pra se ter justo agora.
E a Gudako estava na Chaldea com os outros Servos invocados, ajudando o doutor a manter eles na linha.
Se aquela menina ruiva também estivesse com a Da Vinci naquele momento, não seria tão complicado agora.
Mas contratempos acontecem, e isso já era esperado.
- Preciso encontrar o Gudao e a Mash, eles estão com o Bedivere em algum lugar daqui. Estávamos indo pro sul, longe de Jerusalém. Mas como o meu comunicador foi danificado na minha luta contra o Lancelot, não tenho ferramentas pra consertar ou fazer o Rayshift daqui.
Raikou usou um pouco de seu poder mágico, fazendo alguns raios correrem pelo corpo do corcel enquanto elas cavalgavam, dando a ele mais velocidade e assim, aceleraram o passo em direção ao norte.
Para a Palestina.
O cheiro de vinho se misturava ao ferro e à fumaça. O nascer do sol que filtrava sua luz pelas frestas da janela, projetava sombras pálidas no quarto estreito. Gawain estava sentado em uma cadeira robusta, o braço esquerdo apoiado sobre a mesa, o outro firmemente pressionando o curativo que cobria o ferimento em seu abdômen. Agora era uma lembrança ardente da lança divina que o havia trespassado.
O Cavaleiro do Sol respirava com esforço. O vinho rubro escorria pela taça, mas ele mal saboreava o gosto. Não havia bravura nem honra naquele momento, apenas o peso da sua sobrevivência sendo recompensada pela sua rainha.
- A minha deusa... foi misericordiosa demais dessa vez. - Ele murmurou, os olhos perdidos em nada. - Ou talvez apenas tenha desejado que eu sofresse mais um pouco antes do fim.
Ele se lembrava da luz branca da Rhongomyniad atravessando seu corpo, e de como sua visão se dissolvera em dor e humilhação. E, em meio àquela visão, em que vira o rosto de Bedivere — aquele fiel escudeiro, ainda leal a uma Arturia que já não era nem mais humana — junto ao jovem Mestre e àquela estranha garota, meio humana e meio Espírito Heróico.
Gawain suspirou em derrota, enquanto sentia o gosto alcoólico e adocicado daquele vinho em sua boca. Não era uma hora ideal para beber, mas ele não se importava. Já foi costurado pelo Tristan, e as vezes como os humanos dizem, o álcool é o melhor remédio.
E afinal de contas, em poucos dias ele estará melhor de qualquer maneira. A sua quase invulnerabilidade o poupou de um golpe fatal, então ele ficaria bem.
- O ciclo nunca muda, não é mesmo, Lorde Bedivere? Nós sempre acabamos nos enfrentando... pela mesma rainha.
Uma batida firme na porta o arrancou dos devaneios.
Três toques curtos. Uma voz feminina meio grave, mas de tom suave, ressoou do outro lado da porta:
- Gawain... eu posso entrar?
Ele hesitou por um instante, endireitando-se o quanto a dor permitia. Mas não deixaria de receber alguém, mesmo em seu estado atual.
- Entre.
A madeira rangeu, e por entre a penumbra, surgiu adentrando em sua porta uma mulher loira e alta com cabelos no mesmo tom que os do cavaleiro.
A fada musculosa de vestido preto reluzia a sua silhueta meio sombria, contrastando com os longos cabelos dourados que caíam sobre seus ombros largos. Seu corpo alto, imponente e curvilíneo, era a própria imagem de uma força selvagem contida por disciplina. Os olhos azuis dela refletiam preocupação genuína.
- Você realmente sobreviveu... - Disse ela num sussurro aliviado, enquanto se aproximava aos poucos do Cavaleiro do Sol. - Eu temi que... a Deusa Rhongomyniad tivesse te matado, Lorde Gawain.
Gawain riu baixinho, mesmo que o som saísse dolorido de sua boca.
- Não seria a primeira vez que minha deusa me faz lembrar de meu lugar, Lady Barghest. - Ele tocou instintivamente em seu abdômen, sentindo a dor do local onde no seu abdômen estava enfaixado.
A cavaleira fada franziu o cenho, aproximando-se um pouco mais dele. As sombras dançavam em torno dela enquanto ela parava ao lado da mesa.
- Você fala isso com tanta leveza... mas eu vi o que ela fez. Aquela lança atravessou você como se não fosse nada. Se tivesse acertado um pouco mais acima...
- ...eu já teria descansado lá em Avalon, eu já sei disso. - Interrompeu ele, tentando disfarçar a fraqueza com um sorriso fraco.
Mas Barghest não riu, muito menos achou engraçado. A mais alta inflou as bochechas, um gesto quase infantil para alguém de sua estatura, e o encarou com os braços cruzados.
- Você sempre fala como se a morte fosse uma velha amiga! Isso me irrita demais, Gawain! - A fada falava com uma raiva misturada com preocupação. - Você tem que cuidar da sua vida também! Não pode falar assim como se a sua vida não fosse nada.
O olhar dele suavizou, e por um instante, o vinho esquecido ao lado brilhou como sangue sob a luz da lua.
- E por que isso te incomoda tanto, fada cavaleira? — perguntou em tom sereno. - Nós somos reflexos vivos um do outro, você e eu. A mim, cabe apenas seguir o sol. A você, ao crepúsculo. Por que insistir em se importar com o destino de uma sombra como eu?
Barghest desviou o olhar, os dedos apertando as manoplas.
- Porque... mesmo que sejamos reflexos um do outro, você ainda é parte de mim e é um herói de verdade. Diferente do que eu nunca vou ser. Se você morrer, o mundo perderá um símbolo. E eu também. Um cavaleiro que acreditou até o fim em sua rainha... mesmo quando ela se tornou uma deusa distante de tudo o que já defendeu.
Ela se inclinou, os olhos brilhando com algo entre fúria e ternura.
- Esse mundo também precisa de heróis como você, Gawain. Mesmo que o sol tenha caído, alguém precisa lembrar o que ele significava. - A musculosa afirmou para ele, querendo que ele se lembrasse disso. - Diferente de um monstro canibal que devora pessoas como se não fossem nada.
Gawain ficou em silêncio. O peso das palavras dela se misturou à lembrança do sol que ele já não conseguia invocar. Por um instante, o som distante do vento pareceu o cântico de Avalon.
Ele pousou a taça, ergueu o olhar cansado e, com um sorriso triste, respondeu:
- Então... por você, e por esse mundo esquecido, eu continuarei a viver.
Barghest exalou devagar, um sorriso pequeno brotando em seus lábios.
- Ótimo. Porque se morrer de novo, eu mesma te trago de volta à força.
Gawain riu ao ouvir tais palavras da fada, o que fez ela se agraciar por ver ele rindo. Era uma risada fraca, mas verdadeira.
- Acredito em cada palavra, Lady Barghest.
O silêncio voltou a dominar o quarto, quebrado apenas pelo crepitar distante das tochas no corredor. O vinho esquecido na taça agora refletia o brilho suave da lua, e entre ele e Barghest restava uma distância pequena, mas densa como o ar antes de uma tempestade.
Gawain tentou se levantar, mas um breve espasmo de dor o fez se sentar na cama. Barghest instintivamente o segurou pelos ombros com as suas mãos firmes e quentes o sustentando com delicadeza surpreendente para alguém de sua força.
- Tolo. - Murmurou ela, a voz baixa e rouca. - Você devia estar deitado. Não devia se esforçar com esses machucados.
- E perder a chance de ser socorrido por uma bela dama? - Ele perguntou retóricamente meio em riso e meio em dor.
Ela estreitou os olhos, mas não o soltou. O calor da pele dela, o perfume leve de ferro e flores silvestres — tudo a lembrá-lo que ela não era só uma cópia de si mesmo. Era viva, vibrante, feita de carne e alma.
Os olhares se encontraram, longos e silenciosos. O tempo entre eles pareceu hesitar um pouco.
- Gawain... — Murmurou Barghest, o nome dele soando estranho e doce em sua boca. - Eu, eu...
- Não precisa agradecer, milady. - Respondeu ele, ainda num tom de brincadeira contida.
Mas o que veio a seguir não precisou de palavras.
Ela se inclinou primeiro meio hesitante e tímida, e o surpreendeu em um beijo. Ele, sem forças — ou vontade — para resistir, apenas deixou acontecer. O toque foi suave, quente. Um beijo breve, mas cheio de peso: de batalhas perdidas, de ideais quebrados, de dois reflexos que encontravam consolo um no outro.
O segundo beijo veio mais firme, dessa vez com ele assumindo a liderança. O som do vento sumiu, o mundo inteiro se reduziu àquele instante. E quando ela o puxou para mais perto, o ferimento já não doía tanto quanto antes — apenas o peito, pela lembrança de algo no seu passado.
Nas muralhas da Cidade Alta, o vento do deserto soprava frio. As dunas lá embaixo pareciam mares imóveis, e acima delas, a lua derramava sua luz sobre a Jerusalém reconstruída pela deusa — bela e terrível em sua perfeição.
Tristan estava sentado na beira da muralha, os olhos cerrados, os dedos deslizando com melancolia pelas cordas de sua arco-harpa. As notas flutuavam no ar como suspiros de um lamento esquecido.
- Ah, que canção triste para um novo dia de sol tão bonito. - Sussurrou uma voz feminina perto de seu pescoço, com presas salientes e pontudas prestes a morder o pescoço do cavaleiro.
Ele não se virou, nem se mexeu e seus olhos nem mesmo se abriram. Apenas moveu as mãos, deixando que a melodia se prolongasse um pouco antes de responder.
- Mesmo sob a luz divina, não há descanso para quem carrega a culpa. Até mesmo se você pedisse, Lady Sith.
A mulher próxima a ele era Baobhan Sith, a Fada Cavaleira que era a sua contraparte. Os cabelos ruivos vibravam-se sobre o azul do céu e o deserto ao redor. Suas presas eram tão discretas mas visíveis, e refletiam a luz como pequenas lâminas.
- Você devia descansar, Lorde Tristan. - Disse ela, com um tom que soava entre cuidado e provocação.
- Não há sono para mim, vampira. - Respondeu ele calmamente. - A Deusa me concedeu olhos que não precisam se fechar e nem se abrir. E mesmo se eu conseguisse, não dormiria. Não enquanto ela caça aquele que chamamos de Rei.
Ela cruzou os braços, o sorriso misterioso nos lábios.
- Você é sempre tão obediente aos caprichos dela. Mas diga-me... ainda acredita que o homem lá fora é um impostor?
Tristan parou de tocar a Failnaught, agora levando mais de sua atenção para a vampira que estava na sua presença.
- Não sei dizer. Na verdade, nenhum de nós sabe. Mas nossas lanças estão erguidas para os inimigos da nossa rainha, e a dúvida é um luxo que não podemos permitir ter.
Baobhan Sith se aproximou, até ficar a poucos passos dele. O vento levantava mechas do cabelo dela, revelando olhos que mesclavam curiosidade e tristeza.
- A Rainha das Fadas acredita que ele não voltará a invadir a Cidade Alta. - Disse a fada vampira, olhando mais para as pálpebras fechadas que escondiam um olhar misterioso. - E que a Proto Core está em algum lugar desse deserto. Ela quer que fiquemos de guarda... mas eu, pessoalmente...
A vampira parou, sorrindo de canto.
- ...eu só gosto de ouvir você tocar.
Tristan ergueu uma sobrancelha, abrindo os olhos pela primeira vez naquela manhã — um olhar frio, mas ainda assim gentil.
- Ouvir música de um homem condenado pode ser um passatempo perigoso, minha senhora fada.
- Talvez. - Disse ela, inclinando-se para ouvir as notas mais de perto, o rosto quase tocando o dele. - Mas é um risco que me agrada, assim como beber sangue de pessoas bonitas.
O rosto do arqueiro de olhos fechados fez uma pequena mudança de leve, se permitindo a dar um meio sorriso enquanto fazia um acorde lento, triste, quase humano e ao mesmo tempo não, num tom meio melancólico.
- Tem vezes que eu não sei se você é mesmo uma vampira de verdade ou uma Apóstola Morta, Lady Sith.
Nesse mesmo momento em que os dois estavam juntos, havia uma figura de cabelos prateados com vestes brancas e orelhas pontudas sentada com as pernas cruzadas em um lado das muralhas. Ela observava além da Cidade Sagrada, podendo ver de maneira bem clara uma quantidade impressionante e bem questionável de crateras com o solo arenoso completamente carbonizado.
Aquilo foi obra da Rainha dos Cavaleiros, e aquelas áreas onde ela carbonizou tudo não eram simplesmente locais aleatórios. Eram as cidades de Israel que não estavam de acordo com os ideais dela.
Sejam idólatras, inocentes ou pecadores, ela os matou sem nenhuma piedade ou pudor. Mas só que nesse mundo, todos são pecadores desde o nascimento. Não importa quem seja ou como seja. Essa fada cavaleira também nasceu no pecado, mesmo mantendo a sua castidade pura. E quando morrer, ainda estará no pecado.
Ela só podia olhar para a distância que uma fada meio-humana tinha para uma deusa de verdade. Aquela bela rainha sentada sob um trono como uma tirana com aquele olhar inexpressivo cheio de mistério já havia visto de tudo. Não era um olhar cansado ou um olhar de ódio. Era um olhar sem vida de uma mulher que já perdeu tudo, inclusive a sua humanidade.
- Isso é o verdadeiro poder de uma deusa então, é?
Ela não podia negar o quão poderosa a Arturia é. Já ouviu falar das lendas sobre a grande Rainha dos Cavaleiros quando antes mesmo de aceitar o trono, era uma camponesa e também uma guerreira em treinamento. Dizem que ela lutou até mesmo em algumas batalhas pela Britânia antes de aceitar o seu reinado.
- Lancer, está disponível no momento? - Uma voz surgiu bem na sua mente, o que fez a fada parar com o que estava fazendo imediatamente.
Ela arregalou o seu olhar ao ouvir a voz da Rainha das Fadas em sua cabeça.
- Sim, minha rainha. - Ela falou, ajoelhando-se imediatamente no chão de pedras marmorizadas.
- Lancer, eu preciso dos seus serviços no momento. - A voz calma que vinha do outro lado falou com ela, vendo que agora a fada cavaleira iria receber uma nova função.
- Pode dizer, minha senhora. - A albina com chiquinhas curvou a sua cabeça em respeito para a sua monarca.
- Parece que o Lorde Percival e o Lorde Kay estão tendo alguns problemas com a Semiramis, e a Rainha da Assíria está acompanhada com a Princesa da Borgonha num carro do futuro em direção ao norte, para a Palestina. Quero que ajude eles com a captura da Rainha da Assíria, e descubra o que elas estão tramando.
- Na área da Inquisição? Mas por quê a Assassin e a Berserker estão indo pra um lugar daqueles?
- Não posso dizer em detalhes no momento. Vá agora pro norte e ajude os Cavaleiros da Távola Redonda, eles precisam de um apoio extra de uma Cavaleira Fada.
- Sim, minha senhora. - Ela acentiu para ela, que levantou-se imediatamente e começou a andar até o meio da muralha nordeste.
Ela olhou para uma pequena fada que estava ali olhando para o sol que estava um pouco acima da areia lá longe da cidade de Jerusalém. E agora ela notou uma pequena garotinha de vestido lilás sentada em uma parte da borda da muralha.
- Então quer dizer que a Rainha das Fadas te enviou pro norte. - Ela ergueu o seu lábio de baixo pra frente, enquanto balançava a cabeça. - Nada mal, Britomart.
A fada mais velha olhou para a garota, notando um certo deboche vindo da pequena fada. Era evidente que a fadinha ouviu a conversa delas duas, ou pelo menos ouviu a distância sobre a fada albina falando com o "nada".
- Algo de errado sobre isso, Melusine? - A Fada Cavaleira Expedicionária agora perguntou a ela, querendo saber sobre a sua queixa.
- Não, nada de errado. Afinal de contas, você é a fada puritana que a nossa rainha tanto gosta. - Ela sorria abertamente, o que a fada vestida de branco podia óbviamente notar que não era um sorriso de verdade. - Pra bem ser sincera, eu não esperava que ela te enviaria pra Palestina. Mas já que a Proto Core foi roubada pela Semiramis já faz uns 10 anos, não me admira que a Deusa Rhongomyniad não saiba disso.
*TAPÃO*
- Não fale sobre a Deusa Rhongomyniad, Melusine! - Ela sussurrou, quase gritando e tapando a boca da mais nova de maneira brusca e inesperada. - Nós prometemos pra nossa rainha que devemos deixar isso em segredo. Um mínino deslizar de pensamento da Rainha Arturia pode fazer ela destruir uma outra parte desse deserto!
Melusine tirou a mão da mais alta de sua boca, lambendo a palma da mão dela o que fez a mais velha soltar imediatamente.
- AH, QUE NOJO! NÃO PRECISAVA TER FEITO ISSO!
- Bom, você pediu, Britomart. De qualquer forma, é melhor ir logo pois se não quiser perder a brisa do vento, vai acabar se atrasando pra chegar lá. É uma viagem longa até a Cidade de Gaza.
Ela começou a se distanciar da Fada Cavaleira Expedicionária descendo as escadas da muralha para andar pela Cidade Alta.
A albina suspirou, contando minimamente os segundos tentando não deixar a Melusine irritar os seus pensamentos.
Ela semicerrou o seu olhar para os céus e utilizou a sua Explosão de Mana, materializando as suas asas de fada para poder voar com o vento. Agora ela voava á toda velocidade ao norte, com o objetivo de ajudar o Cavaleiro da Pomba e o Cavaleiro da Temperança com esse contratempo envolvendo Semiramis e Kriemhild.
Lá embaixo, escondida atrás de uma torre, estava uma figura albina com um batom azul sorrindo de lado e com um certo olhar frio cheio de desejo em seu rosto. Ela parecia estar também com os olhos ansiando por sangue e poder. Suas peças ainda não estavam quebradas, ainda podiam ser utilizadas.
- O Arthur não deve me atrapalhar no momento. Enquanto os pirralhos e o Lancelot estão indo cuidar dele, Conto com você pra ajudar aqueles inúteis, Lady Britomart.
Notes:
É, agora no momento tem quatro Espíritos Heróicos querendo invadir a Cidade de Gaza. No caso de uma delas, tá sendo em certas palavras "obrigada" a ajudar. Mas é incerto se elas vão se ajudar ou não, pois esse Código Místico pode ou não decidir os rumos desse plano da Semiramis. Se ela fosse capaz de usar a tal Proto Core, ela poderia ter uma Invocação Tripla em teoria. Apesar de isso ser impossível, pois ela não é uma pessoa pura de coração. (O que nessa história é um eufemismo, pois não existe ninguém puro de coração nessa fanfic.)
O Hans e a Kiara ainda não brilharam direito aqui, então só estão andando um pouco até poderem abrir melhor as suas asas, assim como as Cavaleiras Fadas da Távola Redonda. Elas não são exatamente iguais aos Cavaleiros da Távola Redonda de verdade, mas algumas delas possuem seus Fantasmas Nobres que podem ser utilizados por elas como a Baobhan Sith também pode usar a Failnaught.
E sinceramente, eu não tinha planos em introduzir mais das fadas além da Rainha das Fadas pois não sei muito sobre o Lostbelt 6 do jogo do Fate/Grand Order que tem a Singularidade das Fadas. Mas após ler o último comentário no capítulo passado, acho que seria interessante aparecerem as suas fadas cavaleiras pois já tem muitos Espíritos Heróicos nessa fanfic e quero separar eles para os futuros combates entre eles.
Até mais 👍
