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Shameful

Summary:

Carl is invited for a sleepover at his nerdy and christian friend, Damian Ehardt, for whom he has feelings and whose parents are strict and controlling due to their religiosity.

Notes:

Fisrt Fic / I wrote Damian while picturing Dave Lizewski from Kick-Ass

(Use google translator, gringas 💞)

Work Text:

- Que pontual! - Disse o garoto ao abrir as portas de seu pacato e organizado lar para o jovem Gallagher. Por ter convivido com meninos arruaceiros e jovens criminosos, Carl nunca pensou que seria amigo de alguém como Damian Ehardt. Era como um encontro de dois mundos: O chão reluzente, os arranjos de flores brancas superficiais e a cruz pendurada logo acima da televisão se contradiziam com o ambiente caótico e desordenado ao qual Carl era habituado. A senhora Ehardt provavelmente passaria mal caso colocasse os pés na residência Gallagher.

- Seus pais não estão em casa? - Perguntou Carl, notando que não havia qualquer outra presença que não fosse a de Damian ao adentrar aquele espaço.

- Não, eles foram a um casamento. Eu disse que ia receber um amigo da igreja. Só assim para que eles deixassem eu ficar. - Respondia Damian enquanto fechava a porta da frente.

- Olha só, o garoto certinho mentindo pros pais? Mentir não é pecado? - Carl adorava provocar Damian, pois sabia o quão fácil era deixá-lo com raiva, apesar de não haver uma malícia real em suas palavras. Carl decidiu se acomodar e colocar sua mochila no sofá, emitindo um barulho de garrafas.

- Sem piadinha! Você sabe que... Que barulho foi esse? - Indagou Damian, achando o barulho dentro da mochila do amigo deveras suspeito para quem deveria ter trazido, no mínimo, um pijama e uma escova de dentes.

Ao ouvir a pergunta do outro garoto, Carl sentiu uma leve aflição. Não queria revelar seus planos para aquela noite logo após entrar na casa de seu amigo. Não obstante, as circunstâncias, naquele momento, não lhe deixavam outra escolha. - Bom, eu achei que você fosse gostar de tentar alguma coisa nova e, já que seus pais não estão em casa... - Carl enfiou uma mão no bolso maior de sua mochila, sua confiança usual retornando. Ele puxava a garrafa de cerveja para fora. Haviam três ao todo, uma vez que Carl considerou a grande possibilidade de Damian nem sequer tocar em uma delas. Pelo menos ele iria poder devolver as garrafas sem que Lip notasse.

Os olhos de Damian se arregalaram ao captar a ideia de Carl, o que aflorou seus instintos defensivos. - Não, não, não! Guarda isso aí! - Ele balançava a cabeça enquanto mexia as mãos em sinal de negação!

O sorriso de Carl se desfez. - Cara, é só uma cerveja! Não vai te deixar doidão nem nada do tipo!

- Você sabe que eu não posso beber! Nem você deveria estar bebendo! - Um suspiro escapou da boca de Damian enquanto ele falava.

- É que... seus pais tão sempre pegando no seu pé e nunca deixam você fazer nada! Tem que se soltar um pouco. - Carl olhava para o lado. Ao mesmo tempo em que queria que seu amigo se divertisse enquanto estivessem juntos, ele não queria que Damian se sentisse pressionado a fazer algo do qual fosse se arrepender depois. - Olha, foi mal se eu exagerei. Se você não quiser beber, tá de boa.

Damian ajeitou seus óculos, os quais haviam deslizado para baixo em seu nariz depois de ele balançar a cabeça. Ele entendia as intenções de Carl. Sabia que ele tinha uma boa conduta, apesar de sua faceta de durão e de sua vida conturbada no lado sul. - Só coloca na geladeira para não esquentar.

Carl se sentiu aliviado. Ele seguiu Damian até a cozinha para guardar as cervejas. Ao passar pela lareira, ele viu uma foto de Damian criança usando uma roupa de coroinha. As bochechas grandes e rosadas e o cabelo ligeiramente cumprido conferiam a ele uma aparência feminina, o que fez com que uma breve risada escapulisse da boca de Carl. - Do que está rindo? - O rapaz virou-se para trás.

- Essa garota no quadro é alguma parente sua? - Novamente o Gallagher atacava, dessa vez numa tentativa de suavizar o clima.

- Uau, que engraçado! Nessa foto eu tinha a sua altura! - Damian provocando de volta? Isso, sim, era um milagre.

- Tá me chamando de baixinho agora, nerd? - Carl perguntou, apesar de não estar realmente ofendido. Ele adorava essas micro discussões.

Tá mais pra um duende. Cuidado pro papai Noel não te sequestrar. - Apesar de idiota, o comentário fez ambos os garotos rirem. Depois de guardar as cervejas, eles subiram as escadas em direção ao quarto de Damian.
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O colchão que o jovem Ehardt havia colocado ao lado de sua cama era muito confortável ao convidado, que estava acostumado a ocupar um espaço estreito entre a cama de cima de um beliche e o teto do quarto que compartilhava com seus irmãos. Às vezes, Carl achava que Damian se sentia solitário pelo fato de ser filho único. Enquanto relaxava, o garoto notou algo colorido embaixo da cama de seu anfitrião, estendendo sua mão e puxando o que se mostrava ser uma revista em quadrinhos.

- Então é aqui que você esconde elas? - Carl perguntou ao folhear a revista.

- Isso aí. Como eu mesmo arrumo meu quarto, não tem risco da minha mãe encontrar.

- Por que caralhos eles não deixariam você ler uma revista em quadrinhos?

- Eles acham que algumas coisas são impróprias, como o fato de alguns personagens serem gays. Têm medo de eu ser "influenciado". - Foi possível perceber um tom de deboche na fala de Damian, que checava o horário em que a pizza chegaria.

- O que mais você faz por trás das costas deles? Já viu pornô? Já bateu uma punheta?

- Vai se foder. - O comentário de Damian deixou Carl um pouco chocado, ele tinha que admitir. Mas ele gostava desse poder que tinha de fazer Damian se desinibir. Gostava dessa versão sem filtro. Ele ficava até mais bonito. A campainha tocou, o que indicava que a pizza havia chegado. Antes de sair do quarto, Damian se virou para Carl.

- Mas, só pra você saber, eu já bati punheta, sim.

Agora Carl estava, de fato, chocado. Ele não pode evitar se levantar bruscamente e seguir o amigo até o andar de baixo. Precisava saber se Damian estava falando sério ou apenas brincando.
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A massa da pizza estava crocante. Os garotos comiam consideravelmente rápido enquanto Carl bebericava uma das cervejas e interrogava Damian sobre a sua mais nova revelação. - Então, se você nunca viu pornô, deve ter batido uma pensando em alguém. Quem foi? Alguma garota da escola ou uma "irmã" da igreja? - Havia um típico sorriso no rosto de Carl, a curiosidade vencendo o ciúme que o rapaz dizia para si mesmo não sentir.

Damian desviou o olhar, diminuindo a velocidade de mastigação. - Promete não ficar bravo?

Aquilo pegou o Gallagher desprevenido. Por que Damian pediria a ele para não ficar bravo? Talvez fosse alguém que Carl conhecesse, ou ainda o próprio Carl. Nesse último caso, ele não ficaria bravo. Oh Deus, se a sinceridade de Carl estivesse em jogo nessa conversa ao invés da de Damian, ele teria que dizer estava esperançoso em ouvir o seu nome ser pronunciado pelo amigo.

- Fiona. - Damian respondeu, hesitante. Aquilo, definitivamente, não era o que Carl esperava ouvir e, sim, ele ficou um pouco bravo, jogando a tampa da caixa de pizza no amigo. - Porra, logo a minha irmã, seu filho da puta?

Damian cobriu o rosto com os braços para se defender, pegando um travesseiro e o arremessando na direção de Carl. - Não deu pra evitar! Quando fui na sua casa naquele dia, ela tava usando uns shorts curtos. Depois fiz a mesma oração umas vinte vezes...

- Isso não é desculpa! - Os dois se levantaram e Carl começou a perseguir Damian pelo quarto, que ainda mastigava a sua pizza ao correr. Carl jogou travesseiros, meias e até as revistas de Damian. - Ei, toma cuidado! Essa aí é edição limitada! - O garoto agarrou os pulsos de Carl com o objetivo de recuperar a revista. Eles riam enquanto tentavam se derrubar e a raiva que Carl sentia ia se esvaindo e dando lugar a outro sentimento. Algo que se confundia com a diversão que o mesmo sentia ao lutar com o outro jovem. Ele movimentou o pé para detrás do de Damian, o fazendo tropeçar. Nisso, Carl se moveu para cima do rapaz na tentativa de imobilizá-lo. Damian ainda agarrava os pulsos do Gallagher que, por sua vez, segurava a gola da blusa do jovem anfitrião. Não importava se os dois garotos estavam tendo um contato tão próximo. Afinal, era apenas uma luta na esportiva, algo completamente normal para o universo masculino e, certamente, não havia nada de que qualquer um deles devesse se envergonhar.

Em meio às risadas e xingamentos, Carl finalmente percebeu o que estava acontecendo. Ele nunca havia visto Damian daquele ângulo: o cabelo levemente bagunçado da correria, os óculos tortos que evidenciavam melhor o azul de seus olhos e a gola esticada que revelava um pouco de sua clavícula e o pingente de crucifixo em seu pescoço. O olhar de Damian percorreu brevemente pelo rosto de Carl, o que o levou a notar um corte no canto da boca de seu convidado. Mesmo que pequeno, ainda sangrava. - Caramba, foi mal! - Ele levou o polegar até o local do corte no intuito de limpar sangue.

Carl praticamente não moveu um músculo enquanto recebia aquele toque inesperado, um silêncio instalado automaticamente. Enquanto Damian focava no corte, seus olhos brevemente se encontraram com os de Carl, o que foi tido pelo rapaz como uma deixa para algo mais inusitado. Ele abaixou a cabeça e, dessa vez, foram os lábios que se encontraram. As mãos do Gallagher imediatamente se moveram para o rosto de seu anfitrião, um toque suave, mas certeiro. Os olhos de Damian se arregalaram com o beijo, o sabor de pizza misturado com o de cerveja barata se instaurando em sua boca. Eram muitas emoções e as que mais se sobressaíam, agonia e ânsia de ceder, se confrontavam entre si.

Damian empurrou Carl, quebrando o beijo. Ele se arrastou para trás, ajeitando a gola da blusa quase instintivamente. Era como se todo aquele contato, desde a chegada de Carl até o beijo, tivesse não apenas representado um desacato à sua fé, mas uma perturbação da ordem e da estabilidade que Damian conhecia e que tentava manter, apesar das vezes em que havia falhado. Um pânico foi ascendendo e a culpa assumia o controle de seu coração e mente. Analogamente, Carl era abduzido por uma sensação amarga: a de conduzir seu amigo ao erro.

- O que você fez?! - Damian indagou com a voz embargada.

- Damian, eu... - Carl se levantava, procurando desesperadamente as palavras que parecessem menos terríveis.

- Você planejou isso? Foi por isso que trouxe a porra da bebida? - O tom da voz de Damian ia se exaltando.

- Não, eu juro! Eu só... Merda, Damian! Por que tem que fazer isso com você?

- Por que VOCÊ tem que fazer isso comigo? Já não bastam os erros que eu cometo e você ainda quer me... Me sujar ainda mais?

- Te sujar? - Aquelas palavras atingiram Carl como um soco no estômago. Talvez "sujeira" fosse mesmo a palavra correta para descrever a relação entre eles. Desde que se conheceram, Carl trazia apenas caos a Damian. Era só olhar para o quarto do rapaz. - Damian, eu... Me desculpa, por favor. Achei que você queria...

Damian teve a sensação de que havia sido exposto naquele momento. Ele olhou para o chão, seu estado defensivo cada vez mais abalado. Não foi possível conter as lágrimas que se formavam em seus olhos. Tudo aquilo fez com que Carl se sentisse pior, só não pior que Damian.

Carl se aproximou lentamente, tocando o braço do rapaz de forma hesitante. Damian deu um passo para trás, temendo ao que mais aqueles contatos e toques poderiam levar. No entanto, algo em Damian queria sentir a mão de Carl; queria o seu aconchego e o calor da proximidade. Aos poucos, a mão de Carl finalmente tocou seu ombro e a culpa ia enfraquecendo. Quando menos percebeu, Carl enxugava a lágrima que ameaçava descer no rosto do rapaz. Ao finalmente tomar coragem par olhar o convidado nos olhos, o jovem aproximou-se, cedendo àquela incessante dúvida que lhe perturbara. O beijo, dessa vez, começou tímido. Carl pôs as mãos nos ombros de Damian, deixando que ele conduzisse aquilo de acordo com seus limites.

A rigidez em seus corpos diminuía e o beijo se encaixava cada vez mais, mesmo que Damian não soubesse exatamente o que fazer por não possuir experiência, o que Carl achou adorável. Ele pegou as mãos do amigo e as guiou, posicionando-as em suas cintura. As mãos de Damian se moviam sobre o torso de Carl como se ele estivesse entrando em águas desconhecidas. Carl não conteve o leve gemido quando as mãos de Damian agarraram seus quadris, enquanto seus dedos, inconscientemente, se afundavam nas costas do rapaz. O beijo era urgente, molhado e desengonçado. Damian sentiu um calafrio percorrer sua espinha quando a língua de Carl entrou em sua boca, abrindo-a mais automaticamente. Carl colocou os braços ao redor do pescoço de Damian, puxando-o mais para baixo. Aquilo era uma novidade não só para Damian, mas para Carl também. Era como se eles estivessem explorando algo juntos. Quando menos esperava, Damian sentiu um empurrão, abrindo os olhos instantaneamente. - O.. O que foi? Eu fiz alguma coisa? - Estranhou o garoto.

- Fez, porra! Você mordeu meu lábio! - Carl disse.

- Mas... você já disse que fazia isso quando beijava as garotas.

- É, mas uma mordida leve. Você quase arrancou um pedaço!

- Damian coçou a nuca, sentindo-se envergonhado, apesar de um sorriso sem graça aparecer em seu rosto. - Desculpa, eu acho que só segui o fluxo.

Os dois se encararam, percebendo o cabelo bagunçado e a respiração ofegante um do outro. Damian olhou rapidamente ao redor do quarto, percebendo que já eram quase três da manhã.

- Eu vou escovar os dentes. - Ele rapidamente caminhou até o banheiro, o que Carl encarou como uma escapatória. Talvez ele tivesse estragado tudo de novo. No entanto, algo na atmosfera do quarto havia mudado. Era como se um ar pesado tivesse se esvaído e o lugar estivesse mais leve. Enquanto escovava os dentes, Damian estranhou a ausência de culpa. Era como se um órgão lhe tivesse sido removido, porém não havia sequelas. Ao voltar para o quarto, a luz estava apagada e Carl deitava em seu colchão, dormindo, ou fingindo que estava dormindo. Ele decidiu fazer o mesmo, se despojando em sua cama e encarando um canto do quarto até finalmente cair no sono.
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Carl jogou a mochila no sofá da sala, seu corpo reconhecendo a desorganização e a conturbação de seu lar. Ao caminhar até a cozinha, avistou Fiona preparando o almoço com uma vestimenta que lhe chamou à atenção.

- Oi, chegou cedo. - Dizia ela.

- Fiona, faz um favor?

- Claro, o que é? - Ela indagou, levantado o olhar.

- Joga esses shorts fora. - Ele disse antes de subir as escadas.