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The only boy I'd anything is Kaoru in drag.

Summary:

“Você me beijaria?” Kaoru pergunta, cortando o outro. Kojiro faz uma cara confusa, juntamente com um certo desespero. “Se você fosse gay.” O garoto completa antes que o amigo respondesse.

Kojiro engole seco.

“Se eu fosse… gay?” ele repete para si.

Ele já gostou de garotas, ele sabe que gosta de garotas, mas homens?

Homens são… interessantes.

Kaoru é interessante.

Notes:

Muitas cenas foram inspiradas nas fanarts "matchablossom but it's 2004" AU de @/hokkyokuro (insta e twitter)!

(mesmo que minha fanfic se passe em 2009/10)

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

> Ru (⁠ʘ⁠言⁠ʘ⁠╬⁠): vem aqui pra casa

> Ru (⁠ʘ⁠言⁠ʘ⁠╬⁠): meus pais não estão, quero companhia 

> Ru (⁠ʘ⁠言⁠ʘ⁠╬⁠): to testando umas maquiagens novas aqui

> +2 mensagens não lidas de “Ru (⁠ʘ⁠言⁠ʘ⁠╬⁠)”

 

Kojiro para na janela por alguns segundos, admirando o que via. 

 

Kaoru usava uma yukata de sua mãe, que caía perfeitamente bem em seu corpo. O tom de verde escuro do tecido junto ao design floral alaranjado complementava bem o tom rosa de seus cabelos longos e volumosos que, no momento, estavam repartidos de lado, trazendo um ar sexy e elegante aos fios.

 

Mas o que mais chamava atenção de Kojiro era o rosto refletido no espelho. 

 

Kaoru pintava uma falsa sobrancelha por cima da própria enquanto o cigarro entre os dentes queimava sozinho já que, pelo excesso de concentração, esquecera de tragar. 

 

As maçãs do rosto bem marcadas em um tom avermelhado, os olhos extravagantemente pintados de azul e a boca ainda vazia com apenas com um contorno em lápis marrom.

 

Kaoru desviou o olhar de si, olhando pelo reflexo para a janela e tomando um susto com a imagem do melhor amigo. “Porra! O que está fazendo aqui, gorila de merda?”

 

Kojiro voltou de seus devaneios, rindo fraco. “Você que me chamou, idiota!” Ele bate fraco no vidro, apontando para a tranca. “Abre logo, ta ventando aqui.”

 

Kaoru revira os olhos, dando um último trago no cigarro e apagando o mesmo no cinzeiro antes de abrir para Kojiro. Ele solta a fumaça em sua cara, fazendo-o tossir. “É bom avisar que está vindo, sabia? Não sou adivinha pra saber se você leu ou não o SMS.” 

 

O mais alto entra no quarto, dando de ombros. “Como se fosse necessário, eu fico mais aqui do que na minha própria casa!” Ele fecha a janela, logo se jogando na cama bagunçada do outro e se apoiando em seus cotovelos, analisando Kaoru enquanto mordiscava a bochecha por dentro. 

 

Estava acostumado com o estilo andrógino do garoto, mas hoje… Hoje não era andrógino, ele estava hiper feminino e, de alguma forma, isso mexia com Kojiro. 

 

O jeito delicado que sua mão passava pelo cabelo, ajeitando os fios para emoldurar perfeitamente seu rosto, ação quase hipnotizante pelo movimento das mechas longas fez com que o garoto fixasse os olhos no espelho e, depois de um tempo, percebeu que Kaoru lhe encarava de volta com um sorriso de canto.

 

“Decidiu virar palhaço hoje?” disse tentando desviar a atenção do outro que, com certeza, havia lhe pegado encarando.

 

Kaoru revira os olhos.

 

“Primeiramente, isso aqui é Divine, meu amor.” Kaoru diz enquanto roda na cadeira, ficando de frente para o amigo. “Segundamente, você não vai escapar, tá?” 

 

Kojiro franze as sobrancelhas, sem entender o que ele quer dizer. 

 

“Oh, então você só leu o começo da mensagem, não é?” ele ri enquanto o outro pega desesperadamente o celular, abrindo a conversa e lendo o resto do texto que não havia aparecido na notificação.

 

> Ru (⁠ʘ⁠言⁠ʘ⁠╬⁠): to testando umas maquiagens novas aqui

> Ru (⁠ʘ⁠言⁠ʘ⁠╬⁠): quero que você seja meu modelo

> Ru (⁠ʘ⁠言⁠ʘ⁠╬⁠): você vai virar rainha hoje ↜(`∀´)Ψ

 

“Mas nem fudendo que você vai fazer isso, Kaoru!” 

 

Kaoru ri, alcançando o maço de cigarro e botando um entre os lábios. 

 

“Por que?” Ele acende, dando um trago e se encostando na cadeira enquanto cruza as pernas. “Tem medo que vai gostar?”

 

Kojiro abre a boca, tentando falar algo, mas nada sai em sua defesa. Ele cerra os lábios, desviando o olhar enquanto suas bochechas fervem. O outro ri, voltando para o espelho, retocando o blush enquanto o encara pelo reflexo. 

 

“Fica tranquilo, eu ainda vou continuar sendo o único viado de Okinawa.” 

 

O coração de Kojiro aperta. 

 

Kaoru sempre foi muito confiante com sua sexualidade desde sua descoberta e, junto com isso, vários desconfortos começaram a lhe perseguir durante sua vida. Kojiro foi o primeiro a saber e, como sempre esteve ao lado do amigo, ouviu as piores coisas que poderiam ser ditas a alguém sendo referidas ao garoto. 

 

Não se importava com as fofocas que envolviam seu nome e sexualidade por andar com ele, mas, se de alguma forma atingiam Kaoru, ele não pensava duas vezes em cair para cima para lhe defender. 

 

A frase ecoa no cérebro de Kojiro, pois seus pensamentos no momento não eram 

 

“Meu Deus, meu melhor amigo vai me transformar em drag e vou virar um viadinho”

 

e sim 

 

“Meu Deus, meu melhor amigo está parecendo uma garota e isso me deixa extremamente atraido por ele, talvez eu seja o viado”. 

 

Kojiro arregala os olhos quando o amigo se senta ao seu lado da cama, saindo de seus pensamentos enquanto o outro lhe oferecia o cigarro aceso. Ele aceitou, tragando enquanto olhava para a figura em sua frente. Sua maquiagem estava finalizada, o batom vermelho agora ressaltando os lábios finos que encarava.

 

“Então, o que vai ser? Nina Flowers? Lady Bunny?” Kaoru pergunta, pegando no queixo do garoto, como se analisasse qual maquiagem ficaria melhor em seu rosto.

 

Kojiro dá de ombros, soltando a fumaça. “Como se eu conhecesse alguma delas.” Ele ri fraco quando recebe uma revirada de olhos do amigo. “Só sei dá… Como se chama? Rô pau?” Kaoru franze as sobrancelhas, sem entender “A dona daquele programa que você vê sem parar.”

 

“RuPaul, idiota!” Ele dá um peteleco na testa do garoto, o mesmo solta um ‘ai’ e passa a mão por cima. “Você assistiu todos os episódios comigo, se não soubesse, eu iria te expulsar agora mesmo.” Ele se levanta, indo em direção a escrivaninha que, no momento, havia virado um ninho de mafagafos de tantas roupas, acessórios e maquiagens amontoados.

 

“Duvido que algo seu vai caber em mim.” Kojiro diz encarando as roupas. Mesmo tendo a mesma altura que Kaoru, seu físico era bem maior comparado ao dele.

 

“Não é atoa que te chamo de gorila.” O outro diz enquanto analisa uma das peças, dividindo o olhar entre ela e o amigo. “Mas acho que tenho algo perfeito para você.” Ele dá um sorriso, jogando-a no colo de Kojiro.

 

O garoto deixa o cigarro de lado, pegando a peça de roupa. Era uma blusa de gola alta com estampa de oncinha, já havia visto Kaoru usando a mesma e, pelo o que lembra, ficava bem larga nele. Uma careta toma conta de seu rosto. “Meu Deus, eu vou ficar ridículo.”

 

“Você vai ficar uma diva.” Ele ri enquanto junta as maquiagens dentro de uma bolsa. “Vamos logo, coloque a blusa pra adiantar!” 

 

Kojiro hesita um pouco antes de se sentar na cama e tirar a própria blusa, colocando a que foi pedida em seguida. Ela estava extremamente justa em seu corpo, marcando seu peitoral e braços.

 

E, por Deus, Kaoru agradeceu por sua maquiagem já estar extremamente exagerada de blush.

 

“Realmente ficou ridículo.” Disse tentando distrair do que realmente pensava, pegando o cigarro e se sentando na frente do garoto, colocando as maquiagens ao seu lado. Ele levanta a mão com um pincel, apontando para o amigo. “Pronto?”

 

Kojiro respira fundo, olhando com desdém. “E eu tenho escolha?” Ele diz, já esperando o grande sorriso do amigo em sua frente. 

 

Kaoru passa uma das pernas por cima de sua cintura, se sentando em seu colo.

 

E meu Deus.

 

Oh. Meu Deus.

 

Kojiro pisca repetidamente, a boca abrindo e fechando sem saber o que falar. Com as mãos perdidas, elas começaram a suar pelo nervosismo e, sem saber onde colocá-las, acabou por apertar a coberta debaixo de si.

 

“Calma, tá tudo bem. Kaoru só aparenta ser a pessoa mais bonita e sexy em todo o universo no momento e ele está sentado em cima de você enquanto chega cada vez mais perto. Tá tudo certo, tá tudo bem!”

 

(Não está nada bem.)

 

“Que porr- o que está fazendo?” A voz de Kojiro falha pelo nervosismo. “Como vai me maquiar assim?”

 

“Você é maquiador?”

 

“...Não?”

 

“Então cala a sua boca, eu sei o que estou fazendo” Ele se inclina para poder apagar o cigarro, fazendo a mente de Kojiro entrar em curto circuito.

 

É, Kojiro nunca esteve tão próximo de sua morte. 

 

Kaoru pega uma base, começando a passar no rosto do amigo. A cor estava extremamente clara comparado ao tom de pele bronzeado do garoto.

 

Kojiro, sem perceber, fazia uma careta, estranhando a textura do pincel. Kaoru coloca seu dedo indicador no meio das sobrancelhas grossas, como se fosse relaxar o músculo tensionado. “Para de fazer careta, assim a maquiagem vai ficar toda marcada, idiota!”

 

“Não posso fazer nada se parece que você vai esfolar minha cara com esse pincel!” Ele reclama, claramente mentindo.

 

A mão de Kaoru era tão leve como uma pena.

 

“Talvez seja pelos treinos de caligrafia que começou recentemente”, ele pensa. 

 

Às vezes, quando faziam seus trabalhos juntos, ficava quase que hipnotizado pela leveza e precisão que o garoto tinha com o pincel.

 

“Será que o toque dele é-”

 

“Como é dramático.” A voz cortou seus pensamentos. Kojiro suspira quando o garoto se afasta para procurar outro produto, tentando afastar o pensamento.

 

Kaoru se inclinou de novo, começando a fazer os contornos no rosto do garoto embaixo de si. Seu olhar estava concentrado enquanto cantarolava a música que passava na sua caixinha de som. 

 

Kojiro não sabia pra onde olhar, muito menos como se comportar. Seu olhar passeava pelo rosto do garoto, analisando a maquiagem e, em um momento, percebeu como os olhos dourados se destacavam com a sombra azul.

 

“Você tá encarando.” Kaoru diz, ainda concentrado no contorno.

 

“Mas pra onde mais eu iria olhar? Você não está nem a 20 cm de mim.”

 

“Sei lá, feche os olhos, você tá me desconcentrando.”

 

Kojiro arregalou os olhos com certo brilho, um sorriso de canto aparecendo. “Eu te deixo nervoso, Ru?” A frase sai em um tom firme, mesmo que ele sentisse seu corpo fraco por dentro.

 

Kaoru espreme os lábios, fazendo uma cara de desgosto mas, ainda sim, era possível ver como suas orelhas estavam vermelhas. 

 

“Você se acha muito para um gorila sem cérebro.” Ele diz, se levantando para pegar um cigarro no criado mudo, acendendo-o em seguida. Kojiro ri nasalmente, apoiando-se nos próprios cotovelos.

 

“Fugindo da pergunta?” Ele tomba a cabeça para o lado, encarando o amigo, dando um sorriso extremamente irritante. Kaoru o encara com desdém, revirando os olhos em seguida. 

 

Ele volta a se sentar do lado do garoto, puxando um trago enquanto pega no rosto do outro, fazendo-o abrir um pouco a boca. Ele se aproxima, Kojiro trava e seus olhos se arregalaram em certo desespero. 

 

Seus lábios estavam em uma distância extremamente perigosa.

 

Kaoru expira, soltando a fumaça e, sabendo o que estava por vir (mesmo extremamente em pânico), o outro traga, tentando ao máximo não tossir. 

 

Kaoru não se afasta.

 

Kojiro muito menos. 

 

Ele abaixou o olhar, soltando a fumaça contra os lábios perfeitamente desenhados em vermelho. 

 

Kojiro umedece os próprios lábios, ainda vidrado na boca que estava a centímetros da sua.

 

Em um descuido com sua própria dignidade, ele se aproxima e, no mesmo momento, Kaoru segura seu rosto, um sorriso de lado toma conta de sua feição. 

 

“Foi o que eu imaginei.” Riu fraco em seguida, dando um tapinha de leve no rosto de Kojiro. 

 

Ele se afasta, apoiando-se na própria mão enquanto continuava a tragar o cigarro.

 

Kojiro paralisa, o olhar perdido enquanto tenta encontrar sua própria mente. 

 

“O que caralhos acabou de acontecer? O que eu fiz?”

 

Ele se deita, olhando para o teto, seu rosto vermelho como um tomate. Um grunhido saiu do fundo de sua garganta, tampando o próprio rosto com um travesseiro.

 

“Por que você faz isso comigo?” A voz sai meio abafada, mas ainda sim audível. 

 

Kaoru dá de ombros. “Porque é engraçado.” Riu fraco, saboreando a situação que deixou o amigo. “Um garoto desse tamanho desconcertado por conta de um viado maquiado.” Puxou o travesseiro para longe dele, fazendo com que sua expressão ficasse amostra. Ele tomba a cabeça para o lado, quase perfurando o amigo com o olhar. 

 

“Você gosta de mim quando eu me pareço com uma delas, Koji?”

 

Sua voz saiu quase em um sussurro, um tom que fazia o garoto se arrepiar por inteiro.

 

Ele se engasga na própria saliva, as sobrancelhas se franzindo em irritação — mais consigo mesmo do que com o garoto à sua frente,

 

Porque ele sabia que não gostava de Kaoru apenas quando estava montado.

 

“S-sai fora, Kaoru!” Ele lhe dá um empurrão, o afastando.

 

“Eu estou brincando!” Disse tentando segurar o riso que pedia para escapulir, e então voltou a mexer na necessaire para continuar a maquiagem. 

 

Um silêncio se instalou por um momento, não era desconfortável, mas parecia que havia algo incompleto.

 

Os pensamentos de Kojiro, de uma hora para outra, estavam a mil.

 

Ele havia tentado beijar Kaoru e, mesmo que ele esteja montado, ele não é uma delas.

 

Porque Kaoru não é uma garota.

 

Kojiro abre a boca algumas vezes, pensando e desistindo do o que ia falar.

 

“Ru… Eu não sou…”

 

“Eu sei.” Kaoru o corta, sabendo exatamente o que o amigo iria falar. 

 

Ele traga mais uma vez, logo soltando a fumaça devagar. Kojiro o olha de canto, engolindo seco. 

 

“Eu… meio que entendo.” Sua voz sai suave, sem nenhum indício de brincadeiras ou algo para irritar o garoto de propósito. “Seu cérebro deve ter confundido, acho que é normal.” 

 

Ele olha para o amigo, segurando um sorriso.

 

“Mesmo que eu esteja mais para a Doris de Shrek do que uma das garotas que você beija.”

 

Kojiro mordisca a bochecha por dentro, os olhos perdidos no rosto de Kaoru.

 

“Eu te acho mais bonito do que todas as garotas que existem.” Ele sussurrou, mais para si mesmo do que para ser ouvido, um pensamento tomando forma em palavras. 

 

Quando percebe o que havia feito, ele arregala os olhos, sua face vermelha como um pimentão. Kaoru lhe encarava com uma expressão quase que indecifrável. 

 

“O que você disse?” Ele ri, meio desacreditado.

 

Kojiro vira a cara, evitando olhar pra ele. “Oh, merda.” Ele passa a mão pelo rosto, bufando. “Você me ouviu, agora cala a boca.”

 

“Não, eu não ouvi.” Cutucou Kojiro, fazendo ele olhar para si. “Repete, Koji.”

 

O garoto tinha um sorriso largo, seus olhos quase brilhando em animação e Kojiro sabia que isso vai lhe perturbar pelo resto da sua vida.

 

Kojiro respira fundo. “Você é bonito, é isso que quer ouvir?” Ele se levanta, pegando o cigarro da mão de Kaoru. “Não se ache por isso, não é especial.”

 

O outro levanta o dedo. “Mais bonito que todas as garotas que existem.” Ele repete, e aponta para Kojiro. “Você esqueceu desse detalhe.” 

 

O garoto solta a fumaça em um som irritado, revirando os olhos. “Sim, sim. E é ainda mais bonito de boca fechada.” Ironizou.

 

“Você deve achar mesmo.” Ele segura um sorriso, medindo Kojiro com os olhos. “Até tentou calar minha boca com um beijo minutos atrás.” Provocou. Ele inclina a cabeça, encarando o amigo.

 

Kojiro abre a boca para tentar se defender, mas nada sai. Ele suspirou, coçando a nuca. “Foi sem querer, ok? Você mesmo disse, eu-”

 

“Você me beijaria?” Kaoru pergunta, cortando o outro. Kojiro faz uma cara confusa, juntamente com um certo desespero. “Se você fosse gay.” O garoto completa antes que o amigo respondesse.

 

Kojiro engole seco. 

 

“Se eu fosse… gay?” ele repete para si. 

 

Ele já gostou de garotas, ele sabe que gosta de garotas, mas homens? 

 

Homens são… interessantes. 

 

Kaoru é interessante.

 

“Querendo ou não, você tentou me beijar.” Continuou, aproveitando a deixa. Ele se ajeita na cama, se sentando. “Você corta pros dois lados?”

 

“Não!” Kojiro responde com certo desespero, mas ele desvia o olhar. “Eu acho…” A fala sai em um quase sussurro, mas ainda é audível. 

 

Kaoru continua em silêncio, apenas acompanhando-o com o olhar, sabendo que faltava algo.

 

Kojiro apaga o cigarro, se sentando ao lado do amigo. “Eu não sei.” Afirmou com certo receio, mas não havia o que esconder de Kaoru. Ele evita olhar para o garoto, brincando com os próprios dedos. “E se eu gostar? Eu acho que não, mas…”

 

“Você não precisa ter certeza agora.” Kaoru diz, confortando-o. “Mas você está curioso, isso é meio claro.” Ele dá uma risadinha, Kojiro o empurra com o cotovelo. “Ei! Você acha que eu não percebo o quão nervoso você fica no vestiário da escola?”

 

“Vai se fuder!” Ele o empurra novamente, fazendo o garoto rir. “Isso é coisa da sua cabeça!”

 

“Ah sim, com certeza.” Kaoru ironiza, segurando o riso. “Está tudo bem, sério. Você é novo, ainda tem muito tempo para descobrir se você realmente gosta ou não.” Ele empurra o ombro contra o do amigo, tentando chamar a atenção. “É sempre do jeito mais esquisito, eu me descobri gay por causa de Evangelion.”

 

Kojiro olha para o amigo, com a feição de surpresa, segurando um sorriso. “Eu estou falando sério!” Kaoru fala e o outro solta a risada, balançando a cabeça, desacreditado.

 

“Por que você não me disse isso antes?” Ele diz tentando controlar a risada.

 

“Não vem ao caso, gorila de merda!” Kaoru dá um tapa nas costas do garoto, ele reclama na mesma hora. “Eu to tentando te confortar, filho da puta!”

 

“Tá, tá, desculpa.” Ele para de rir, ainda com um sorriso. Kojiro para por um momento, seu sorriso se desfaz, pressionando os lábios. “E… tem algum jeito mais rápido de descobrir?” perguntou um pouco receoso.

 

Kaoru apoia o cotovelo na coxa, apoiando sua cabeça em sua mão enquanto olha para o garoto. “Eu posso te ajudar se você quiser.” Ele inclina a cabeça. “Já ajudei outros garotos antes.”

 

Kojiro franze a testa, meio confuso com a informação que acabou de receber. “... Outros garotos?” Ele se pergunta, mas tenta ignorar a questão. 

 

“Você é um guru do amor ou algo do tipo? Ou só tem tesão acumulado para distribuir?”

 

O garoto franziu a testa, rindo fraco. “Foi você que tentou me beijar mais cedo, esquisito.” Ele ajeita a postura, medindo Kojiro com o olhar. “Apenas tente, se você não gostar, talvez você realmente não goste de garotos.” Deu de ombros. “Ou talvez não seja a hora certa pra você saber disso.”

 

Kojiro para de pensar atenção no momento que Kaoru disse para ele tentar. Aquilo significava que ele estava falando para beijar ele, não é? Ou ele estava enlouquecendo? 

 

Não, era aquilo mesmo que ele entendeu.

 

Por Deus, ele esperou tanto tempo por essa oportunidade que chega a ser inacreditável que isso vai acontecer por conta de um… experimento?

 

“Bem, é melhor do que nada, não é?”

 

Kojiro mordiscou o interior de sua bochecha, repensando a proposta, mas a boca de Kaoru lhe distraía mais que tudo naquele quarto.

 

“Hm, tá, ok.” Ele responde, transparecendo uma tranquilidade inexistente, o que era uma surpresa até para si. Mas, por dentro, o seu corpo queimava em ansiedade.

 

Kaoru franze as sobrancelhas, não esperando essa resposta. “Você tem certeza que quer, Koji?” Ele olha em seus olhos. “Eu só estava tirando onda com a sua cara quando te chamei de esquisito por tentar me beijar.”

 

“Eu quero.” Kojiro responde firmemente, aproximando sutilmente. O amigo arregala os olhos, ainda surpreso.

 

“Está tudo bem se você não estiver prepara-”

 

“Kaoru, eu quero.” Kojiro o corta, seu olhar agora fixado no de Kaoru, que fazia a mesma coisa . “Apenas… Não conta pra ninguém, principalmente meus pais.”

 

“Não se preocupe com isso.” Ele alcança a mão de Kojiro, entrelaçando seus mindinhos, algo recorrente entre os dois como um sinal de “eu prometo”

 

“Por hoje eu meio que sou uma garota, não?” Ele umedece os lábios, alternando o olhar entre o olho e a boca do garoto com um sorrisinho de canto.

 

Kojiro engole seco.

 

Kaoru só está montado.

 

“Ela” não existe

 

E Kojiro não é um viado.

 

Ele não deveria ser um viado.

 

Mas ele quer tanto

 

E ele não pode simplesmente perder essa oportunidade.

 

Kaoru apenas inclina a cabeça de lado, encarando Kojiro como se esperasse alguma resposta. 

 

Kojiro percebe que ele deveria tomar a iniciativa, e aquilo fazia sua barriga virar do avesso. 

 

Ele se aproxima devagar, como se fosse encostar em algo totalmente frágil e, se acontecesse qualquer erro, tudo que fosse tocar quebraria em questão de segundos.

 

Quando foi possível sentir a respiração do outro se misturando contra a sua, um arrepio correu por sua espinha. Kojiro hesitou por um momento. “Posso?” Ele sussurrou contra o lábio vermelho e, sem pensar duas vezes, Kaoru entrelaçou os dedos com o dele, afirmando com a cabeça.

 

O garoto umedeceu os lábios e, com cuidado, quebrou o espaço que separava os dois.

 

O beijo era delicado, sem pressa, como se tivessem todo tempo do mundo para explorar a boca um do outro. Kaoru tinha gosto de cigarro e bala de cereja, o que não era nenhuma surpresa, mas a combinação era algo interessante para os sentidos de Kojiro.

 

Uma das mãos foi até sua nuca, afagando os fios rosados. Kaoru sentiu que poderia derreter com o toque, o que era engraçado, já que as mãos grandes e cheias de machucados passavam a imagem de algo bruto. 

 

A barriga de Kojiro se revirava em borboletas, era muita coisa para processar, mas tudo que ele permitia ocupar a cabeça no momento era Kaoru e como todos os seus sentidos se voltavam para ele. 

 

No tato, era possível sentir o jeito que sua mão gelada acariciava o lado do seu rosto — que fervia pela situação — junto ao dedão acariciando as costas de sua mão enquanto seus dedos estavam entrelaçados, com o toque tão leve, do jeito que imaginou. O seu cheiro de cigarro com perfume cítrico tomando conta de seu olfato, o gosto de cereja no paladar, o som que fez quando Kojiro pediu para aprofundar o beijo.

 

Tudo era apenas sobre eles naquele momento.

 

Eles se separaram, ainda encostando as testas e, então, Kaoru cai na risada, escondendo o rosto no ombro de Kojiro, ainda tentando recuperar o ar. O garoto fica extremamente confuso, mas entende na hora que o outro levanta o rosto e começa a rir junto.

 

Ambos estavam manchados de vermelho pelo batom de Kaoru.

 

Aos poucos a risada foi se dissolvendo, ambos se encarando com um sorriso no rosto. Kojiro pode perceber que Kaoru encarava seus lábios, seu olhar com certa ternura, o peito indo para cima e para baixo recuperando o ar, o cabelo um pouco bagunçado por ter mexido nele.

 

Kaoru nunca esteve tão lindo.

 

E, merda.

 

Kojiro quer tanto beijá-lo de novo.

 

“Agora sua maquiagem está completa, pelo visto.” Kaoru brinca, tentando limpar a boca do garoto com os dedos, mas falhando miseravelmente.

 

“Acho que um pincel seria mais apropriado, mas já que você é o maquiador…” Respondeu com um sorriso, o outro revirou os olhos, se levantando para procurar um lenço umedecido.

 

Kaoru se senta na penteadeira, começando a limpar as partes de seu rosto manchadas de vermelho — praticamente tudo que estava abaixo do seu nariz, igualmente em Kojiro.

 

O silêncio pairou, só era possível ouvir a rádio que passava no fundo. Ambos pensavam sobre o que acabara de acontecer, processando tudo.

 

“Você tem exatamente o gosto de como você se parece.” Kojiro diz, tentando quebrar o clima que se formava por tantos pensamentos.

 

“O que você quer dizer com isso?” Perguntou curioso, olhando o garoto pelo reflexo do espelho, um sorriso de canto ocupando seus lábios.

 

“Bala de cereja e cigarro é uma combinação que define bastante você.”

 

Kaoru riu, voltando para a cama com o pacote de lenços umedecidos. “Também não é surpresa você ter gosto de matcha.” Ele diz enquanto pegava um lenço, começando a passar no rosto de Kojiro. “Acho que você vai ficar verde de tanto tomar chá.”

 

“Eu nem tomo tanto chá assim!” Tentou se defender.

 

“A maioria das suas mensagens são compostas por ‘deixa eu só tomar meu chá’ antes de fazer qualquer coisa.”

 

“... Coincidência?” 

 

“Nem você acredita nisso.” 

 

O silêncio voltou por um momento, Kojiro pode perceber que Kaoru mordiscava a bochecha por dentro, mas decidiu não questionar.

 

Era esquisito o quão confortável era o momento, porque a vontade de beijar Kaoru ultrapassava a ideia de ele ser nojento por querer isso.

 

Kojiro se sentia bem, e não era pra ele se sentir assim.

 

Primeiramente, nem devia ter pensado em beijar Kaoru.

 

Kojiro tenta sair dessa espiral de pensamentos quando Kaoru se senta em sua frente, começando a limpar a boca do amigo.

 

“Você teve sua resposta?” Kaoru pergunta, evitando olhar nos olhos de Kojiro.

 

“Ainda não...” Ele respondeu, alcançando o pulso de Kaoru que segurava o lenço umedecido. “Acho que vou ter que experimentar de novo pra ter certeza.”

 

O outro ri sem acreditar “A tua cara não queima não?” Disse recolhendo o braço, cruzando-os. “O que você está tentando fazer, Kojiro Nanjo? Arruinar nossa amizade?”

 

“Arruinar é uma palavra muito forte…” Ele olha para cima, pensando. “Talvez… Fortalecer?”

 

“Oh, por Deus!” empurrou o ombro de Kojiro, rindo. “Você soa como um dos héteros curiosos do primeiro ano.”

 

“Bem, é como se eu fosse uma versão aprimorada do terceiro ano, não?”

 

“Você é pior que eles.”

 

“Pior, huh?” Cerrou os olhos, se aproximando. “Acho que agora é você que não acredita no que fala.”

 

Kaoru revira os olhos, rindo fraco.

 

“Você é convencido demais, Nanjo.” Ele diz se levantando, voltando a sentar na cadeira de frente para a escrivaninha. 

 

Seus olhos se fixam no relógio digital no canto da mesa.

 

“Meus pais devem chegar em breve. Eles já sabem que você tá aqui,” Ele joga o saquinho de lenço umedecido na cama “mas não de maquiagem.”

 

Kojiro arregalou os olhos, abrindo o pacote com certo desespero, começando a limpar o rosto. “Achei que eles estavam viajando! Por que não me avisou antes, idiota!?”

 

“Gosto do perigo.” Ele brinca, aplicando o batom vermelho novamente.

 

Kaoru fuxica as próprias gavetas e, em seguida, tira uma cybershot de dentro de uma delas.

 

“Vamos, tire umas fotos minhas antes de eu tirar essa maquiagem.” Esticou o braço em direção ao garoto. “Anda!”

 

Kojiro o olha com desdém, mas pega a câmera do mesmo jeito.

 

Kaoru começa a posar e, por Deus, que filho da puta fotogênico.

 

“Olha se alguma ficou boa.” Esticou o braço para devolver a câmera, mas Kaoru se sentou ao seu lado, pegando o objeto.

 

“Faltou de nós dois.” Ele posiciona a câmera no ar e, então, um flash.

 

Kaoru fazia pose, mas Kojiro foi pego desprevenido, acabando que na foto estava olhando o outro confuso, mas em seguida entrou na brincadeira.

 

Na segunda, Kaoru faz uma careta, encostando a bochecha no do amigo, Kojiro o olha de canto de olho para tentar seguir o que o outro fazia.

 

Na terceira, Kaoru segura o rosto de Kojiro com a mão livre e, sem avisar, lambe o rosto do amigo, fazendo com que a foto pegasse o garoto com uma feição de nojo.

 

“Porra Kaoru, que nojo!” Ele diz se afastando, limpando o rosto com a blusa. Kaoru ri, virando a câmera para ver as fotos.

 

“Todas você tá com cara de idiota” Disse com um sorriso estampado no rosto. “Capturou bem a sua essência.” 

 

Ele vira o visor para Kojiro. O garoto pega a câmera, vendo as fotos e acaba parando em uma que havia tirado antes.

 

Kaoru estava reclinado na cadeira, as pernas cruzadas aparecendo por debaixo da yukata, fazendo com que Kojiro encarasse para foto mais tempo do que deveria.

 

Ele percebe o olhar de Kaoru pesando em si, como se soubesse exatamente o que Kojiro pensava. O garoto faz uma careta, devolvendo a câmera.

 

“Como se sente sendo um catfish?” Ele aponta para a foto. “Não é isso que eu to vendo na minha frente.”

 

“Cala a boca, idiota!” Ele dá um tapa em seu ombro. “Até parece que você se parece com aquelas fotos que tira depois da academia!”

 

 

Kojiro deita na cama, olhando para o teto. A espiral de pensamentos crescendo a cada segundo que passava.

 

Kaoru se preparava para dormir, se acomodando na cama.

 

“A gente pode falar sobre… aquilo?” Kojiro diz, meio receoso.

 

“Não é grande coisa, foi só um beijo.”

 

“Não foi só um beijo…” Ele engole seco “Pelo menos pra mim”

 

Kaoru franze as sobrancelhas, olhando agora pro amigo. “O que você quer dizer com isso?”

 

“É bobeira, esquece.” 

 

“Kojiro…”

 

Ele se senta na cama, olhando para Kaoru.

 

“Eu preciso que você me leve a sério agora, sem piadinha, realmente como o meu melhor amigo.” Kojiro diz, sincero como nunca. 

 

Kaoru se apoia nos cotovelos, franzindo as sobrancelhas em certa preocupação. Conversas sérias quase nunca aconteciam, mas quando apareciam, eram pra valer. 

 

“Eu sempre fui muito… É complicado essa coisa de…” Ele engole seco, claramente nervoso “Eu supostamente gostar de garotos. Bem, você sabe como minha família é.” Riu sem graça. “Sempre foi algo muito relutante na minha mente, mas, quando eu te beijei, parecia que todas essas preocupações simplesmente nunca existiram. Eu não sei se é porque você é meu melhor amigo, se é porque você estava montado, mas, independente disso, você ainda é um homem.”

 

Era possível ver o nervosismo do garoto. O jeito que falava rápido e mexia com as mãos entregava sua situação.

 

Kaoru escutava com atenção, tentando acompanhá-lo e absorver tudo. Esse assunto, principalmente partindo de Kojiro, era algo que não esperava.

 

“E o fato de eu ter gostado pra caralho me deixa confuso pra caralho.” Continuou. “Esse beijo não é igual a nenhum que experimentei antes, e, porra, querer te beijar de novo me deixa puto! Eu não deveria me sentir assim, principalmente por você!”

 

Percebendo a ansiedade crescendo cada vez mais na mente de Kojiro, o primeiro impulso de Kaoru foi beijá-lo e, pela tristeza de Kojiro, era exatamente o que ele precisava.

 

“Eu te odeio pra caralho.” Kojiro diz entre o beijo.

 

“Eu sei disso.” Kaoru ri e, então, volta a beijar Kojiro.

 

O beijo era mais intenso agora, como se ambos precisassem daquilo.

 

Porém, de repente, Kaoru se separa de Kojiro, com suas mãos no ombro dele, deixando-o meio desnorteado.

 

“Você pode falar aquilo de novo?”

 

Kojiro franze as sobrancelhas. “O que?”

 

Kaoru dá um sorrisinho e automaticamente Kojiro sabe o que ele estava falando.

 

“Não.”

 

“Fala pra mim de novo, Koji~!” Ele balança o garoto pelos ombros. “Eu quero ouvir.”

 

O olhar de Kojiro se perde no rosto do outro. Ele respira fundo, sua mão alcançando o lado do rosto de Kaoru, acariciando sua bochecha com o dedão.

 

“Você é a pessoa mais bonita que eu conheço.” Disse em um sussurro, engolindo seco em seguida. Ele inclina a cabeça, “Satisfeito?”

 

Kaoru dá de ombros, fingindo desdém. “Acho que dá pro gasto.” Ele solta uma risadinha.

 

Kojiro revira os olhos. “Você é insuportável.”

 

Kaoru puxa Kojiro mais para perto, colocando seus braços ao redor do pescoço do garoto. “E você adora.” Ele sussurra contra a boca de Kojiro, logo dando um sorrisinho.

 

Kojiro respira fundo porque, mesmo fingindo que não, ele realmente gostava dessa implicância de Kaoru.

 

Kojiro olha pro rosto de Kaoru por um breve momento.

 

É, com certeza ele não gostava de Kaoru só quando ele estava montado.

 

Ele é ainda mais bonito de rosto limpo, sob a luz fraca do abajur e, pra melhorar, tão próximo assim.

 

“Posso voltar a te beijar ou você vai continuar falando baboseira aí?”

 

Kaoru dá de ombros. “Tá, pode ser.” Ele ri em seguida, logo quebrando o espaço entre eles novamente.

 

Notes:

oiiii (⁠๑⁠•⁠﹏⁠•⁠) essa foi a primeira fanfic que escrevi e postei de verdade (depois de 5 anos nesse fandom!) espero que tenham gostado!!! e já desculpo por qualquer errinho!

beijokas! <3

- kikito